terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tormenta Subterrânea

por Martin Heidegger



A tormenta subterrânea retumba,
inaudível para todos os muitos, prossegue
em âmbitos supramundanos -
distante golpe do seer.
Mundo e terra há muito misturados,
perturbados na lei de sua contenda
subtraem às coisas toda circunscrição.
Número se arrebata na vazia quantidade,
nunca mais doa laço e imagem.
Vige como "sendo" o que "vive",
mas "viver" só continua vivendo do clamor
de uma ruidosa suposição,
que já à próxima retarda.
Todavia, eles velam -
os secretos vigilantes
de uma insurgida transformação:
distante golpe do seer
entre turvo fazer e o que é feito.
 
 
* Seer (Seyn) -> "Meditações; Capítulo IV - Acerca do Projeto do Seer"
O Seer - nada divino, nada humano, nada mundano, nada terreno - e, contudo, tudo isto junto como o entementes - inexplicavel, sem efeito, para além de poder e de impotência essencia-se o seer.

Incontornavel para o homem, uma vez que ele se encontra assim no aberto do ente, ele mesmo sendo, comportando-se, postando-se em relação ao ser.

A partir do ente, o seer nunca é explicável, porque a essenciação do seer aponta para o abissal, que recusa toda a apelação ao ente, uma vez que o abismo impele unicamente para o interior do seer. Por isto, a fundação da verdade do seer não pertence ao homem presente e "vivente", mas ao ser-aí (dasein) para a insistência na qual o ser-humano precisa, de tempos em tempos, se transformar.

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