sábado, 16 de outubro de 2010

Alexander Dugin - Defesa e Agressão

por Alexander Dugin

"No mundo moderno ocorreu um rompimento com tradições seculares, que modificou completamente as estruturas mentais e sociais da humanidade moderna em comparação com os longos milênios do passado. 'Iluminismo', humanismo, racionalismo e outras tendências 'progressistas' apresentaram um sistema de valores e estimativas, contradizendo completamente as orientações básicas da sociedade tradicional. Isso certamente ( e talvez do modo mais expressivo) tocou o princípio da agressão. A Era Europeia do Iluminismo implantou no povo uma visão unilateral da agressão, uma perspectiva exclusivamente a partir do ponto de vista da vítima.

O lado espiritual daquele fenômeno, baseado na Vontade ao Absoluto, de alcançar um caráter total, a máxima extensão de um sujeito à esfera do Divino, cessou de ser compreensível, concreta e ontologicamente enraizada, e, consequentemente, foi identificado com 'sobrevivência', com atavismo, com barbarismo inerte, com o temporal e com o principal defeito retificável da civilização. Tendo perdido sua legitimidade metafísica, a agressão passou a ser percebida como transgredindo ilegitimamente a integridade do que foi proclamado o supremo valor em si mesmo - o indivíduo humano, sociedade, ser, etc. Daí se segue toda a tendência 'jusnaturalista', que tem se desenvolvido desde os tempos de Rousseau. Como a expansão existencial cessou de ser metafisicamente justificada, a vítima fez sua própria demanda por 'segurança total', ou seja pela artificial e, exaltada ao mais alto imperativo ético, defesa contra a agressão. A agressão foi efetivamente banida. Com isso, em particular, o status legal 'democrático' que proíbe a propaganda e guerra, está conectado.

Passou a ser possível mudar as fundações culturais e sociais da sociedade, enquanto era naturalmente além dos poderes de qualquer um mudar as tendências básicas do cosmos e dos seres humanos. Portanto, a agressão jamais desapareceu, seja da história, ou do dia-a-dia, ou da natureza selvagem. Ela apenas passou a ser percebida como o mal, como a demanda do próprio Ser limitado em utilizar um outro, a qual surge espontaneamente de tempos em tempos.

Como o processo da totalização do sujeito foi excluído, a agressão passou a ser considerada como mera aquisição quantitativa, como pilhagem de sujeitos externos, como o egoísmo trivial e vulgar, como a fatal 'luta pela vida'. Portanto o todo da agressão passou a ser gradualmente reduzida à mera esfera econômica e todas as suas manifestações em outras esferas foram estritamente culpadas pela 'opinião pública'. 'Segurança total' e 'Direitos Humanos' foram a partir de então garantidos pela transferência da agressão para a esfera dos padrões materiais abstratos - dinheiro, capital."

(Trecho de "Os Cavaleiros Templários do Proletariado", por Aleksandr Dugin)

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