21/12/2011

Anthony M. Ludovici - Em Defesa do Mal Gosto

por Anthony M. Ludovici


A falta de gosto fundamental da mulher é o fato a que atribuí os dois mitos de Pandora e Eva, nos quais a mulher é descrita como a causa da queda do homem e da introdução do mal na Terra. Demonstrei esse mau gosto fundamental, apontando para a incapacidade das mulheres de selecionar e reconhecer os melhores homens e sua preferência geral por homens inferiores, sendo a razão dessa preferência a maior facilidade com que esses últimos são governados e favorecidos pelo amor das mulheres pelo poder mesquinho.

Eu também demonstrei que esse mal gosto está enraizado na atitude da mãe em relação a sua cria, que, consistindo basicamente em um prazer no exercício do poder mesquinho sobre uma criatura indefesa, faz com que a mulher não apenas prefira o bebê em relação à criança crescida mas também frequentemente prefere a criança deficiente ou fisiologicamente estragada em relação à forte e sadia, por causa da impotência mais permanente dos primeiros. Eu também demonstrei como as mulheres preferem cães pequenos em relação a cães grandes pela mesma razão, e lembrei o leitor que os romanos sabiamente deixavam para o pai a decisão sobre quais de seus filhos deveriam sobreviver e quais deveriam ser suprimidos, porque eles sabiam que as mulheres, não tendo gosto e sendo guiadas apenas por aquilo que mais gratifica seu desejo por poder mesquinho, não poderiam ser confiadas a tomar uma decisão sábia.

Eu também atribuí à prevalência e ascendência das opiniões e sentimentos das mulheres atualmente o fato de que o mundo está se tornando tão feio e degenerado (fisicamente), pois apenas se assumirmos a atitude feminina de carinho irracional por aleijados e fisiologicamente estragados podemos considerá-las com algo mais que desprezo e impaciência.

O que eu não fiz foi demonstrar a ligação entre o mal gosto, ou falta de gosto, fundamental da mulher, com o princípio vital inato a ela, e isso eu farei agora. Isso, porém, não provar-se-á difícil, pois consiste simplesmente em enfatizar a profunda semelhança da mulher com a Natureza em buscar cegamente a vida e sua multiplicação a qualquer custo.

Se pensarmos na situação imensamente precária do recém-nascido ou do animal, sua falta de qualquer meio de protação, de mobilidade e sua incapacidade de buscar alimento independentemente, sua falta de calor e frequentemente até do equipamento para preservar calor (roupa no infante humano, e pêlo e penas no animal jovem e no pássaro respectivamente), nós percebemos imediatamente a imensa importância para a espécie de um instinto mater que faz da provisão de todas essas deficiências uma alegria, uma necessidade apaixonada, em verdade um prazer pelo qual vale a pena lutar.

Se a criatura recém-nascida deve ser preservada e a espécie deve sobreviver, não deve haver qualquer brecha, qualquer fenda ou rachadura concebível, na armadura do instinto natural através da qual qualquer dúvida, qualquer hesitação, possa penetrar em relação à urgência imediata e desejabilidade de prestar socorro. O momento na vida da jovem criatura é muito crítico, a situação é muito precária. Aqui temos a impotência lastimável, a dependência patética, a vulnerabilidade exterma. O futuro da espécie depende dessas qualidades não confiáveis serem tornadas confiáveis pela única criatura nos arredores da criatura jovem que, estando necessariamente presente em seu nascimento, está em uma posição de oferecer os primeiros socorros.

Se então houvesse qualquer desculpa ou pretexto para indecisão, qualquer reclamação sobre a questão da desejabilidade, o "melhor da linhagem", o "mais promissor da ninhada", etc., o próprio futuro da vida estaria na balança, o precioso instinto que garante a segurança e a sobrevivência da criatura jovem seria minado ou pelo menos não impeliria irrefletidamente para fazer a coisa certa do jeito certo.

Deve haver um impulso irracional e acrítico para socorrer, para aquecer, para proteger e para alimentar, senão a celeridade, a precisão e a disposição com as quais essas funções devem ser realizadas seriam fatalmente prejudicadas, desastrosamente dificultadas. Que a luta pela existência seja cada vez mais severa subsequentemente, uma coisa deve permanecer garantida e inviolável, e esta é que o instinto materno não deve ter qualquer desculpa para falhar, ele não devem mesmo ser capaz de pausar para questionar, para eleger ou escolher. O discernimento nesse momento tornaria a sobrevivência duvidosa, mas não pode haver, não deve haver, qualquer dúvida.

Além disso, se a evolução orgânica é verdadeira, ela depende da operação de três fatores: (1) a sobrevivência dos mais aptos através da ação da (2) seleção natural, com (3) o aparecimento ocasional de variações de tipo.

Agora, se a fêmea da espécie tiver que exercer discernimento antes de socorrer sua cria, se suas ações tiverem que ser deliberativas e não impulsivas, o que ocorre com essas variações que, quando afortunadas, levam a um novo desenvolvimento da espécie ou efetivamente a uma nova variedade de espécie? Variações afortunadas são tão incomuns quanto variações desafortunadas. Mas se o instinto feminino é preservar a vida, ela preservará uma tão apaixonadamente quanto a outra. A discriminação provar-se-ia fatal para ambas. O próprio processo de evolução orgânica, se for um fato, depende portanto da falta de discriminação no instinto materno, e a hipótese da evolução orgânica certamente a assume.

O instinto na fêmea de socorrer a vida jovem de qualquer tipo, portanto, é útil ao esquema da Natureza. É um fator indispensável no plano da Natureza. Nos animais inferiores ele é demonstrado pela facilidade com a qual pode-se fazer da fêmea de uma espécie agir como mãe adotiva à cria de uma outra. Livros de história natural mencionam muitos desses casos: gatas que criaram lebres e esquilos, galinhas que criaram patos, e as instâncias naturais clássicas de pássaros como o caminheiro, a alvéola, etc., criando filhote do cuco. Este, é claro, é um abuso parasitário na Natureza do instinto feminino indiscriminado de socorro, mas não obstante é um excelente exemplo do fato que eu tenho tentado estabelecer.

É verdade que na espécie humana essa falta de discriminação na fêmea opera como preservadora tanto de variedades desejáveis como indesejáveis, mas como em todas as civilizações modernas o pai não tem mais permissão, como ele tinha nas antigas Esparta ou Roma, de subjugar a falta de gosto da fêmea nessa questão, e variações indesejáveis são mais comuns do que os gênios, segue-se que o ponto-de-vista feminino, agora que ele é apoiado pelo Estado e pela opinião pública, deve levar à sobrevivência de um vasto número de seres humanos indesejáveis em nosso meio.

Assim, apesar de o instinto humano feminino ser visto como vital, e ainda que sua falta de gosto deva ser considerada como parte do esquema geral da vida, ele deve tender atualmente a uma enorme quantia de degeneração.

Este, porém, não é precisamente nosso ponto. Os fatos que queremos estabelecer são, em primeiro lugar, que no papel feminino de mãe o instinto cedo de socorrer, de proteger e de preservar a criatura indefesa que ela carrega é de vital importância para a raça; e, em segundo lugar, que este instinto cego necessariamente envolve uma incorrigível e enraizada falta de gosto.

O fato de que subsequentemente - quer dizer, quando a cria indesejável, seja ela deficiente, cretina ou idiota, crescer - ela é frequentemente amada pela mãe mais do que todos os seus filhos sadios não é mais que uma confirmação do que eu estou tentando afirmar, pois demonstra que aquilo que agrada à mãe verdadeira, e que segundo todo nosso argumento deve agradar, não é a excelência particular de um certo filho, nem sua reivindicação a qualquer forma particular de desejabilidade, mas simplesmente sua impotência.

E já que no deficiente, no cretino e no idiota a impotência é prolongada a uma idade bem mais avançada do que na criança sadia, é aos primeiros que a maternidade insofisticada e simplória naturalmente se inclina.

As consequências dessa fundamental e vital falta de gosto nas mulheres é, evidentemente, considerável.

Quando nós lemos no Livro das Leis de Manu que "as mulheres não se importam com a Beleza", quando Lombroso e Ferrero, discutindo o gosto feminino, afirma que "em geral, a beleza e a inteligência as deixam indiferentes", e quando nós encontramos Rousseau dizendo que "as mulheres em geral não gostam ou apreciar a arte", nós nos sentimos inclinados a levantar objeções, porque nós sabemos de instâncias individuais de mulheres que demonstraram um destacado senso de beleza.

Nem Lombroso, Manu, ou Rousseau nos dizem, porém, que suas respectivas afirmações apenas referem-se a manifestações específicas e superficiais de uma lei profunda e inalterável. Uma vez que percebamos esta lei, nós vemos que estes homens devem estar certos; não, porém, porque mulheres individuais demonstram uma indiferença em relação à beleza, mas porque o sexo como um todo não possui gosto, e que, onde quer que o discernimento pela beleza seja pronunciado em uma mulher, ela ou diverge do tipo ou passou por uma influência educacional especial.

Nós somos mais aptos a compreender agora o motivo pelo qual as formas de arte foram todas elas invenções masculinas, ainda que elas algumas vezes tenham sido bem imitadas por mulheres, e o motivo pelo qual as roupas, mesmo aquelas que enchem os guardarroupas de mulheres, são todas derivadas de algum centro masculino de design em Londres ou Paris. Nós também podemos ver o motivo pelo qual as mulheres são sempre tão tendentes a selecionar e se associar com os piores e menos promissores tipos de homens, o motivo pelo qual elas não possuem faro no que concerne a homens (exceto no aspecto sexual e mesmo nesse caso ele não é de modo algum infalível), e o motivo pelo qual nem mesmo seu paladar e seu estômago alguma vez as ajudou a desenvolver a arte culinária, quando elas sempre a tiveram inteiramente em suas mãos. Mas lembremos novamente que nós não podemos ter tudo, e que se nós acabássemos com a falta de gosto nas mulheres por meio da educação, nós estaríamos enfraqueccendo um dos instintos femininos mais valiosos e fundamentais, cujas consequências apenas nós podemos ter esperança de corrigir, sem tentar eliminar sua causa.

12/12/2011

Aleksandr Dugin - Metafísica do Caos

por Aleksandr Dugin


A filosofia europeia moderna começou com o conceito de Logos e da ordem lógica do ser. Durante dois mil e algumas centenas de anos esse conceito foi completamente exaurido. Todas as potencialidades e os princípios dispostos nesse modo logocêntrico de pensar já foram agora exaustivamente explorados, expostos e abandonados.

O problema do Caos e a figura do Caos foram negligenciadas, colocadas de lado desde o início da filosofia. A única filosofia que conhecemos no presente é a filosofia do Logos. Mas o Logos é algo oposto ao Caos, sua alternativa absoluta.

Desde o século XIX com os filósofos europeus mais importantes e brilhantes como Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, até os pós-modernistas contemporâneos o homem europeu começou a suspeitar que o Logos estava aproximando-se do seu fim. Alguns deles ousaram afirmar que de agora em diante estamos vivendo na época do fim da filosofia logocêntrica, aproximando-nos de algo mais.

A filosofia europeu estava baseada no princípio logocêntrico correspondendo ao princípio da exclusão, o diferenciador, a diairesis grega. Tudo isso corresponde estritamente à atitude masculina, reflete a ordem hierárquica, autoritária, vertical do ser e do conhecimento.

Essa abordagem masculina da realidade impõe ordem e o princípio da exclusividade em todo lugar. Isso é perfeitamente manifesto na lógica aristotélica em que os princípios de identidade e exclusão são colocados na posição central no modo normativo de pensamento. A é igual a A, e não igual a não-A. A identidade exclui a não-identidade (alteridade) e vice-versa. Aí nós vemos o macho que fala, pensa, age, luta, divide, ordena.

Atualmente toda essa filosofia logocêntrica chegou ao fim e nós devemos pensar sobre a outra possibilidade de pensamento distinta do modo logocêntrico, falocêntrico, hierárquico, e exclusivista.

Se não mais o Logos nos satisfaz, nos fascina, nos mobiliza, então nós estamos inclinados a tentar algo mais e abordar o Caos.

Para começar: há dois conceitos diferentes de Caos. A física e a filosofia modernas fazem referência a sistemas complexos, bifurcações ou equações não-lineares usando o conceito de "caos" para designar tais fenômenos. Eles entendem por isso não a ausência de ordem, mas um tipo de ordem que é difícil de perceber enquanto tal. Assim esse "caos" seria a ordem, porém muito complexa, que parece não ser ordem de modo algum, mas em essência é. Tal "caos" ou "turbulência" é calculável na natureza mas com métodos e procedimentos teóricos e matemáticos mais sofisticados do que os instrumentos com os quais a ciência natural clássica lida.

O termo "caos" é usado aqui de maneira metafórica. Na ciência moderna nós continuamos a lidar com uma maneira essencialmente logocêntrica de explorar a realidade. Então o "caos" aqui não é mais que uma estrutura dissipativa do Logos, o último resultado de sua decadência, queda, decomposição. A ciência moderna não está lidando com algo que não seja o Logos, mas sim com um tipo de pós-Logos, o ex-Logos, o Logos no estado último de dissolução e regressão. O processo de destruição e dissipação final do Logos é tomado aqui como "caos".

Na realidade ele não tem qualquer relação com o Caos enquanto tal, com o Caos no sentido grego original do termo. É ao invés um tipo máximo de confusão. René guénon chamou a era na qual vivemos agora de uma era de Confusão. A Confusão significa o estado de ser que sucede a ordem e a precede. Assim nós devemos fazer uma distinção clara entre dois conceitos diferentes. Por um lado nós temos o conceito moderno de caos que representa pós-ordem ou uma mistrua de fragmentos contraditórios de ser sem qualquer unidade e ordem, ligados entre si por correspondências e conflitos pós-lógicos altamente sofistsicados. Gilles Deleuze chamou esse fenômeno de um sistema não co-possível composto pela multiplicidade das mônadas (usando o conceito de mônadas e co-possibilidade introduzido por Leibiniz) tornando-se para Deleuze "as nômadas". Deleuze descreve a pós-modernidade como uma soma de fragmentos não co-possíveis que podem coexistir. Isso não era possível na visão leibniziana da realidade baseada no princípio da co-possibilidade. Mas dentro da pós-modernidade nós podemos ver elementos excludentes coexistindo. As mônadas não-co-possíveis ("nômadas") não-ordenadas enxameando ao redor poderia parecer o caótico, e nesse sentido nós normalmente usamos a palavra caos no linguajar quotidiano. Mas estritamente falando nós deveriamos diferenciar.

Assim nós precisamos distinguir dois tipos de caos, o "caos" pós-modernista como equivalente à confusão, um tipo de pós-ordem, e o Caos grego como pré-ordem, como algo que existe antes da realidade ordenada vir à existência. Apenas esta última pode ser considerada Caos no sentido adequado do termo. Este (que é, porém, a original) sentido do conceito de Caos deve ser examinado cuidadosamente de modo metafísico.

A visão épica da ascensão e queda do Logos no curso do desenvolvimento da filosofia ocidental e da história ocidental foi exposta por Martin Heidegger que afirmou que no contexto da cultura europeia ou ocidental o Logos não é apenas um princípio filosófico primordial, mas também a base da atitude religiosa que forma o núcleo da Cristandade. Nós podemos também notar que o conceito de kalam ou intelecto está no centro da filosofia e teologia islâmicas. O mesmo é válido para o judaísmo (ao menos na visão do judeu Filo, e principalmente no judaísmo medieval e na Cabala). Assim, na alta modernidade em que nós estamos vivendo nós testemunhamos à queda do Logos acompanhada pela correspondente queda da cultura greco-romana clássica e da religião monoteísta. Esses processos de decadência são completamente paralelos ao que Martin Heidegger considera a condição presente da cultura ocidental como um todo. Ele identifica a oridem dessa situação em algum erro oculto e dificilmente reconhecível cometido nas primeiras fases do pensamento grego. Algo de errado ocorreu no próprio início da história ocidental e Martin Heidegger vê esse erro precisamente na afirmação da posição exclusivista do Logos no pensamento enquanto tal. A transição foi feita por Heráclito, por Parmênidas, mas acima de tudo por Platão a partir do pensamento à filosofia, o que foi equivalente à instauração de uma visão de mundo de dois níveis na qual o existente era percebido como manifestação do oculto. Posteriormente, o oculto foi reconhecido como o Logos, a Idéia, o paradigma, por exemplo. Desse ponto a teoria referencial da verdade procede. O verdadeiro é o fato da correspondência do imediatamente dado à essência invisível presumível ("a natureza que gosta de esconder-se" segundo Heráclito). Os pré-socráticos estavam no início da filosofia. A explosão descontrolada da técnica moderna é seu resultado lógico. Heidegger chama a isso "Gestell" e considera ser esta a razão da catástrofe e da aniquilação da humanidade que inevitavelmente aproxima-se. Segundo ele, o próprio conceito de Logos estava errado de modo que ele propôs a revisar radicalmente nossa atitude até a própria essência da filosofia e do processo de pensamento, e encontrar um outro modo que ele chamou de "o Outro Começo".

Então o Logos apareceu primeiro com o nascimento da filosofia ocidental. A filosofia grega mais primitiva surgiu já como algo que excluía o Caos. Precisamente ao mesom tempo o Logos começou a florescer revelando um tipo esmagador de vontade de poder e a absolutização da atitude masculina frente a realidade. O devir da cultura logocêntrica aniquilou ontologicamente o pólo oposto do Logos - ou seja, o feminino Caos. Assim o Caos como algo que precedeu o Logos e foi abolido por ele e sua exclusividade foi manifestado e descartado pelo mesmo movimento. O Logos masculino expulsou o Caos feminino, a exclusividade e exclusão subjugaram a inclusividade e a inclusão. Assim o mundo clássico nasceu esticando seus limites por dois mil e quinhentos anos - até a Modernidade e a era científica racionalista. Esse mundo chegou a seu fim. Mas não obstante nós ainda vivemos em seus limites. Ao mesmo tempo no mundo da dissipação pós-moderna todas as estruturas da ordem estão se degradando, estão dispersando. É o entardecer do Logos, o fim da ordem, o último acordo da dominação exclusivista masculina. Mas ainda nós estamos dentro da estrutura lógica, mas não fora dela.

Afirmando isso, nós temos algumas soluções básicas relativas ao futuro. A primeira - o retorno ao reino do Logos, a Revolução Conservadora, a restauração da dominação masculina total em todos os âmbitos da vida - a filosofia, a religião, o quotidiano. Isso poderia ser feito espiritualmente e socialmente ou tecnicamente. Esse modo no qual a técnica encontra-se com a ordem espiritual foi fundamentalmente estudada e explorada por Ernst Jünger, amigo de Martin Heidegger. O retorno ao classicismo acompanhando pelo apelo ao progresso técnico. O esfirço para salvar o Logos decadente, a restauração da sociedade tradicional. A Ordem eternamente nova.

O segundo modo é aceitar as tendências atuals e seguir a direção da Confusão envolvendo mais e mais a dissipação das estruturas, no pós-estruturalismo e tentar alcançar o prazer do voo confortável no nada. Essa é a opção escolhida pela esquerda ou pelos representantes liberais da Pós-Modernidade. É o niilismo moderno em seu ápice - originalmente identificado por Nietzsche e explorado por Heidegger. O conceito do nada sendo o potencialmente presente no princípio da identidade próprio ao Logos não é aqui o limite do processo da decadência da ordem, mas sim o âmbito construído racionalmente da expansão ilimitada da decadência horizontal, multitudes incalculáves das flores de putrefação.

Porém, nós poderíamos escolher o terceiro caminho e tentar transcender as fronteiras do Logos e nos situarmos para além da crise do mundo pós-moderno, literalmente pós-moderno, estando fora da modernidade, onde a dissipação do Logos alcança seu limite. Assim a questão desse próprio limite é crucial. Vendo do ponto-de-vista do Logos em geral, incluindo do Logos mais decaído, para além do domínio da ordem não há nada. Então cruzar a fronteira do ser é ontologicamente impossível. O nada não é: assim diz após Parmênides toda a ontologia ocidental logocêntrica. Essa impossibilidade afirma o infinitude da fronteira do Logos e garante à decadência interna ao reino da ordem continuidade eterna. Para além da fronteira do ser não há nada e o movimento até esse limite é analiticamente infinito (aqui é totalmente válida a aporia de Zenão de Elea). Então ninguém pode cruzar a fronteira até o não-ser que simplesmente não existe.

Se nós insistirmos não obstante em fazer isso nós devemos apelar ao Caos em seu sentido original grego, como algo que precede o ser e a ordem, algo pré-ontológico.

Nós estamos diante de um problema realmente importante e crucial. Um grande número de pessoas hoje não está satisfeita com o que ocorre ao nosso redor, com a absoluta crise de valores, religiões, da filosofia, da ordem política e social, com as condições pós-modernas, com a confusão e perversão, com a era da máxima decadência.

Mas considerando o sentido essencial do devir de nossa civilização até o estado presente nós não podemos olhar para as fases precedentes da ordem logocêntrica e suas estruturas implícitas porque foi precisamente o próprio Logos que trouxe as coisas ao estado nas quais se encontram agora, portando consigo os germes da degeneração atual. Heidegger identificou com extrema credibilidade as raízes da técnica na solução pré-socrática para o problema do ser por meio do Logos. Em verdade, o Logos não pode nos salvar das condições instauradas por ele mesmo. O Logos não possui qualquer uso aqui.

Então apenas o Caos pré-ontológico pode dar uma dica sobre como ultrapassar a armadilha da pós-modernidade. Ele foi colocado de lado na alvorada da criação da estrutura lógica do ser como fundamento. Agora é sua vez de entrar em jogo. De outro modo nós estaremos fadados a aceitar a pós-modernidade dissipada pós-lógica que pretende ser eterna de algum modo porque aniquila o tempo. A modernidade matou a eternidade e a pós-modernidade está matando o tempo. A arquitetura do mundo pós-moderno é completamente fragmentada, perversa, e confusa. É um tipo de Labirinto sem saída, dobrado e torcido como a fita de Möbius. O Logos que era a garantia da retitude da ordem serve aqui para fornecer a curvatura, sendo usado para preservar a impassibilidade da fronteira ontológica com o nada contra eventuais transgressores.

Então a única maneira de nos salvarmos, de salvar a humanidade e a cultura dessa armadilha é dar um passo além da cultura logocêntrica, dirigido ao Caos.

Nós não poderíamos restaurar o Logos e a ordem que deriva dele porque eles portam consigo a razão de sua eterna destruição. Em outras palavras, para salvar o Logos exclusivista nós deveríamos fazer um apelo à instância inclusiva alternativa, que é o Caos.

Mas como nós poderíamos usar o conceito de Caos e basear nele nossa filosofia se a filosofia sempre foi para nós algo lógico por definição?

De modo a resolver essa dificuldade nós deveríamos abordar o Caos não da posição do Logos, mas do próprio Caos. Isso pode ser comparado à visão feminina, o entendimento feminino da figura do outro que não é excluído mas, ao contrário, incluído na identidade.
O Logos considera a si próprio como o que é, e como o que é igual a si próprio. Ele pode aceitar as diferenças dentro de si porque ele exclui o que é diferente de si fora de si. Assim a vontade de poder está atuando. A lei da soberania. Para além do Logos, afirma o Logos, não há nada. Então o Logos excluindo tudo além de si próprio exclui o Caos. O Caos usa diferentes estratégias - ele inclui em si próprio tudo que é, mas ao mesmo tempo tudo que não é. Assim o inclusivo Caos inclui também o que não é inclusivo como ele e mais do que aquilo que exclui o Caos. Então o Caos não percebe o Logos como outro em relaçao a si próprio, ou como algo não-existente. O Logos como o primeiro princípio da exclusão está incluído no Caos, presente nele, envolvido por ele e possui lugar garantido nele. Assim a mãe que carrega o bebê carrega consigo o que é uma parte dela e não é uma parte dela ao mesmo tempo. O homem concebe a mulher como ser externo e busca penetrá-la. A mulher considra o homem como algo interno e busca pari-lo.

O Caos é eterno nascimento do outro, ou seja, do Logos.

Para resumir, a filosofia caótica é possível porque o próprio caos inclui o Logos como possibilidade interior. Ele pode livremente identificá-lo, estimá-lo e reconhecer sua exclusividade incluída em sua vida perpétua. Assim chegamos à figura do muito especial Logos caótico, que é o Logos completa e absolutamente fresco sendo eternamente revivido pelas águas do Caos. Esse Logos caótico é ao mesmo tempo exclusivo (e é por isso que é propriamente Logos) e inclusivo (sendo caótico). Ele lida com identidade e alteridade diferentemente.

O Caos pode pensar. Ele pensa. Nós deveríamos perguntar como ele o faz? Nós questionamos o Logos. Agora é a vez do Caos. Nós deveríamos aprender a pensar com o Caos e dentro do Caos.

Eu poderia sugerir, como um exemplo, a filosofia do pensador japonês Kitaro Nishida, que construiu a "lógica do basho" ou a "lógica dos locais" em contrariedade à lógica aristotélica.

Nós deveríamos explorar outras culturas diferentes da ocidental para tentar encontrar exemplos diferentes de filosofia inclusiva, religiões inclusivas, e daí em diante. O Logos caótico não é apenas uma construção abstrata. Se procurarmos bem nós encontramos as formas reais dessa tradição intelectual. Em sociedades arcaicas bem como na teologia e correntes místicas orientais.

Apelar ao Caos é o único jeito de salvar o Logos. O Logos precisa de um salvador para si. Ele não conseguiu salvar a si mesmo. Ele precisa de algo oposto a si para ser poder ser restaurado na situação crítica da pós-modernidade. Nós não conseguimos transcender a pós-modernidade. Esta não pode ser superada sem apelar a algo que havia antes da razão de sua decadência. Então nós deveríamos recorrer a outras filosofias distintas da ocidental.

Em conclusão, eu gostaria de dizer que não é correto conceber o Caos como algo pertencente ao passado. O Caos é eterno, mas eternamente coexistindo com o tempo. Então o caos é sempre absolutamente novo, e espontâneo. Ele poderia ser considerado como uma fonte de qualquer tipo de invenção e novidade porque sua eternidade possui consigo sempre algo maias do que era, é, ou será no tempo. O Logos por si mesmo não pode existir sem o Caos como o peixe não pode viver fora da água. Quando nós colocamos um peixe fora da água, ele morre. Quando o peixe começa a insistir excessivamente de que é algo distinto da água ao seu redor (mesmo que seja verdade), ele vem à praia e morre nela. É um tipo de peixe louco. Quando nós colocamos ele de volta na água, ele salta novamente. Então deixemos este morrer se ele quiser. Há otros peixes no fundo da água. Vamos segui-los.

A era astronômica que está chegando a seu fim é a era da constelação de peixe. O peixe na praia. O peixe agonizante. Então precisamos muito de água.

Apenas uma atitude completamente novo frente ao pensamento, uma nova ontologia e uma nova gnoseologia pode salvar o Logos saído da água, na praia, no deserto que cresce e cresce (como Nietzsche previu).

Apenas o Caos e a filosofia alternativa baseada na inclusividade pode salvar a humanidade moderna e o mundo das consequências da degradação do princípio exclusivista chamado Logos. O Logos expirou e todos nós podemos ser enterrados sob suas ruínas a não ser que façamos o apelo ao Caos e seus princípios metafísicos e os usemos como base para algo novo. Talvez este seja "o Novo Começo" do qual Heidegger falou.

10/12/2011

Uma "Guerra Humanitária" na Síria? Intensificação Militar Rumo a Uma Guerra no Oriente Médio?

por Michel Chossudovsky



"Conforme eu passava pelo Pentágono em novembro de 2001 um dos oficiais militares sênior estava com tempo para conversar. Sim, nós ainda estávamos programados para partir contra o Iraque, ele disse. Mas há mais. Isso estava sendo discutido como parte de um plano de campanha de cinco anos, ele disse, e havia um total de sete países, começando com Iraque, então Síria, Líbano, Irã, Somália, e Sudão". - General Wesley Clark

Uma guerra ampla no Oriente Médio tem estado nos planos do Pentágono desde meados da década de 90. Como parte desse cenário de guerra estendido, a aliança EUA-OTAN planeja travar uma campanha militar contra a Síria sob o "mandato humanitário" da ONU. A intensificação dos conflitos é parte integral da agenda militar. A desestabilização de estados soberanos através de "mudanças de regimes" está firmemente coordenada com o planejamento militar. Há uma estratégia militar caracterizada por uma sequência de teatros de guerra dos EUA-OTAN. Preparativos para atacar Síria e Irã tem estado em "um estado avançado de prontidão" há vários anos. A Lei de Responsabilidade da Síria e Restauração da Soberania do Líbano de 2003 categoriza a Síria como um "estado ilegítimo", como um país que apóia o terrorismo. Uma guerra contra a Síria é vista pelo Pentágono como parte dos planos de guerra contra o Irã. O presidente George W. Bush confirmou em suas Memórias que ele havia "ordenado ao Pentágono que planejasse um ataque contra as instalações nucleares do Irã e havia considerado um ataque secreto contra a Síria".

Essa agenda militar ampla está intimamente relacionado com as reservas estratégicas de óleo e com as rotas de óleodutos. Ela é apoiada pelos gigantes anglo-americanos do petróleo. O bombardeio do Líbano em 2006 foi parte de uma "estrada militar" cuidadosamente planejada. A extensão da "Guerra de Julho" no Líbano para a Síria havia sido contemplada pelos estrategistas militares americanos e israelenses. Ela foi abandonada após a derrota da infantaria israelense pelo Hezbollah.

A guerra israelense contra o Líbano em 2006 também buscou estabelecer o controle israelense sobre a a região costeira do norte do mediterrâneo oriental incluindo reservás de gás e óleo nas águas territoriais libanesas e palestinas.

Os planos para invadir tanto o Líbano como a Síria permaneceram nas mesas do Pentágono apesar dos contratempos de Israel na guerra de julho de 2006: "Em novembro de 2008, quase um mês antes de Tel Aviv começar seu massacre na Faixa de Gaza, o exército israelense realizou exercícios para uma guerra de duas frentes contra Líbano e Síria chamado Shiluv Zro'ot III. O exercício militar incluía uma invasão simulada massiva tanto da Síria como do Líbano".

A estrada para Teerão passa por Damasco. Uma guerra da OTAN contra o Irã envolveria, como primeiro passo, uma campanha de desestabilização ("mudança de regime") incluindo operações de inteligência em apoio a forças rebeldes dirigidas contra o governo sírio.

Uma "guerra humanitária" sob o logo de "Responsibility to Protect" (R2P) dirigida contra a Síria também contribuiría para a atual desestabilização da Síria. Caso uma campanha militar seja dirigida contra a Síria, Israel estaria diretamente ou indiretamente envolvida nas operações militares e de inteligências. Uma guerra contra a Síria levaria a uma intensificação dos conflitos no Oriente Médio.

Atualmente há quatro teatros de guerra diferentes: Afeganistão-Paquistão, Iraque, Palestina, e Líbia. Um ataque contra a Síria levaria à integração desses teatros de guerra separados, eventualmente levando a uma grande guerra no Oriente Médio, englobando toda uma região do Norte da África e do Mediterrâneo ao Afeganistão e Paquistão.

O atual movimento de protestos possui como objetivo servir de pretexto e justificativa para uma intervenção militar contra a Síria. A existência de uma insurreição armada é nagada. A mídia ocidental em uníssono descreve os eventos recentes na Síria como um "pacífico movimento de protesto" dirigido contra o governo de Bashar Al Assad, quando as evidências confirmam a existência de uma insurgência armada integrada por grupos paramilitares islâmicos.

Desde o início dos protestos em Daraa em meados de março, tem havido troca de tiros entre a polícia e as forças armadas por um lado e pistoleiros do outro. Atos de incêndio criminoso dirigidos contra prédios governamentais também foram cometidos. No final de julho em Hama, prédios públicos incluindo a Corte de Justiça e o Banco de Agricultura foram incendiados. Agências de notícia israelenses, mesmo descartando a existência de um conflito armado, não obstante, reconhecem que "manifestantes estavam armados com metralhadoras pesadas".  

"Todas as opções estão na mesa"

Em junho, o senador americano Lindsey Graham (que faz parte do Comitê dos Serviços Armados) insinuou a possibilidade de uma intervenção militar "humanitária" dirigida contra a Síria com o objetivo de "salvar a vida de civis". Graham sugeriu que a "opção" aplicada à Líbia sob a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU devia ser pensada no caso da Síria:

"Fazia sentido proteger o povo líbio contra Ghadafi, e isso porque eles seria chacinados se nós não tivéssemos enviado a OTAN quando ele estava nos arredores de Benghazi, a questão para o mundo é, se nós chegamos a esse ponto na Síria... Nós podemos não estar lá ainda, mas nós estamos nos aproximando, de modo que se vocês realmente se importam com a proteção do povo sírio, agora é a hora de fazer com que Assad saiba que todas as opções estão na mesa".

Após a adoção da Declaração do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria (3 de agosto de 2011), a Casa Branca clamou, em termos inequívocos, por "mudança de regime" na Síria e pela saída do presidente Bashar Al Assad:
"Nós não queremos vê-lo permanecer na Síria em nome da estabilidade, e ao contrário, nós o vemos como a causa da instabilidade na Síria", disse o representante da Casa Branca Jay Carney aos repórteres.

"E nós pensamos, francamente, que é seguro dizer que a Síria seria um lugar melhor sem o presidente Assad".

Sanções econômicas amplas geralmente constituem uma prévia de uma intervenção militar direta.
Um projeto de lei apresentado pelo senador Lieberman foi introduzido no senado americano com o objetivo de autorizar sanções econômicas extremamente amplas contra a Síria. Ademais, em uma carta ao presidente Obama no início de agosto, um grupo de mais de 60 senadores americanos pediu a "implementação de sanções adicionais...ao mesmo tempo deixando claro para o regime sírio que ele pagaria um preço cada vez mais alto por sua horrenda repressão".

Essas sanções demandariam o bloqueio de transações bancárias e financeiras bem como o "fim das compras de petróleo sírio, e o corte de investimentos nos setores de petróleo e gás da Síria".   

Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA também encontrou-se com membros da oposição síria no exílio. Ajuda secreta também foi canalizada para os grupos de rebeldes armados.

Encruzilhada Perigosa: Guerra na Síria. Ponta-de-lança para ataque ao Irã

Após a declaração de 3 de agosto pelo Presidente do Conselho de Segurança da ONU dirigida contra a Síria, o enviado de Moscou à OTAN Dmimtry Rogozin alertou sobre os perigos da intensificação do conflito:

"A OTAN está planejando uma campanha militar contra a Síria para ajudar a derrubar o regime do Presidente Bashar al-Assad com o objetivo a longo-prazo de preparar uma ponta-de-lança para um ataque ao Irã... Essa declaração significa que o planejamento da campanha militar já está ocorrendo. Poderia ser a conclusão lógica daquelas operações militares e propagandísticas, que foram realizadas por certos países ocidentais contra o Norte da África", disse Rogozin em uma entrevista ao jornal Izvestia. O diplomata russo apontou para o fato de que a aliança objetiva interferir apenas com os regimes "cujas opiniões não coincidem com as do Ocidente".

Rogozin concorda com a opinião expressada por alguns especialistas de que a Síria e depois o Iêmen poderiam ser os últimos passos no caminho para o lançamento de um ataque ao Irã. 

"A corda ao redor do pescoço do Irã está apertando. Planejamentos militares contra o Irã já estão ocorrendo. E nós estamos certamente preocupados com uma intensificação de uma guerra em larga escala nessa grande região", Rogozin disse.
Tendo aprendido a lição líbia, a Rússia "continuará a se opor a uma resolução militar da situação na Síria", ele disse, acrescentando que as consequências de um conflito em larga escala no Norte da África seriam devastadoras para todo o mundo.



Planta Militar para um Ataque à Síria
O alerta de Dmitry Rogozin foi baseado em informações concretas conhecidas e documentadas em círculos militares, de que a OTAN está atualmente planejando uma campanha militar contra a Síria. Em relação a isso, um cenário de um ataque contra a Síria está atualmente sendo pensado, envolvendo especialistas militares franceses, britânicos, e israelenses. Segundo o ex-Comandante da Força Aérea da França, General Jean Rannou, "um ataque da OTAN para neutralizar o exército sírio é tecnicamente possível":

"Os países membros da OTAN começariam usando tecnologia de satélite para detectar as defesas aéreas da Síria. Alguns dias depois, aviões de guerra, em números maiores do que na Líbia, sairia da base britânica no Chipre e gastariam umas 48h destruindo os SAMs e jatos sírios. Os aviões da aliança então começariam o bombardeio de tanques e tropas de infantaria.

O cenário é baseado em analistas do exército francês, na revista especializada britânica Jane's Defence Weekly, e no Canal 10 da TV israelense.

A força aérea síria representará pouca ameaça. Ela possui por volta de 60 MiG-29 russos. Mas o resto - uns 160 MiG-21, 80 MiG23, 60 MiG-23BN, 50 Su-22, e 20 Su-24MK - está ultrapassado.
Eu não vejo quaisquer problemas puramente militares. A Síria não possui defesa contra sistemas ocidentais...Mas seria mais arriscado do que na Líbia. Seria uma operação militar pesada", disse Jean Rannou. Ele acrescentou que qualquer ação seria improvável porque a Rússia vetaria um mandato da ONU, os bens da OTAN estão espalhados pelo Afeganistão e Líbia, e os países da OTAN estão em crise financeira.

 A Grande Rota Militar

Enquanto a Líbia, Síria, e Irã são parte da rota militar, esse deslocamento estratégico, se fosse realizado também ameaçaria China e Rússia. Ambos os países possuem investimentos, e acordos de cooperação comercial e militar com Síria e Irã. O Irã possui status de observador na Organização de Cooperação para Xangai.

A intensificação do conflito é parte da agenda militar. Desde 2005, os EUA e seus aliados, incluindo a OTAN e Israel tem estado envolvidos na disposição e armazenamento de sistemas de armas avançados. Os sistemas de defesa aérea dos EUA, dos países membros da OTAN, e Israel estão completamente integrados.

O Papel de Israel e da Turquia
Tanto Ankara como Tel Aviv estão envolvidas em dar apoio a uma insurgência armada. Essas iniciativas são coordenadas entre os dois governos e suas agências de inteligência.

O Mossad, segundo relatórios, tem dado apoio a grupos terroristas salafi, que tornaram-se ativos no sul da Síria no início dos protestos em Daraa. Relatórios sugerem que o financiamento para a insurgência salafi vem da Arábia Saudita.

O governo turco do Primeiro-Ministro Recep Tayyib Erdogan está apoiando grupos de oposição síria no exílio e ao mesmo tempo apoiando os rebeldes armados da Irmandade Islâmica no norte da Síria.

Tanto a Irmandade Islâmica síria (cuja liderança está no exílio na Grã-Bretanha) e o proibido Hizb ut-Tahrir (o Partido da Liberação) estão por trás da insurreição. Ambas organizações são apoiadas pelo MI6 britânico. O objetivo declarado tanto da Irmandade Islâmica como do Hizb ut-Tahrir é desestabilizar o Estado secular da Síria.

Em junho, tropas turcas cruzaram a fronteira no norte da Síria, oficialmente para ir ao resgate de refugiados sírios. O governo de Bashar Al Assad acusou a Turquia de diretamente apoiar a incursão de forças rebeldes no norte da Síria:

"Uma força rebelde de aproximadamente 500 combatentes atacou uma posição do exército sírio em 4 de junho no norte da Síria. Eles disseram que o alvo, um destacamento da Inteligência Militar foi capturado em um ataque de 36 horas no qual 72 soldados foram mortos em Jisr Al Shoughour, perto da fronteira com a Turquia.

'Nós descobrimos que os criminosos estavam usando armas turcas, e isso é muito preocupante', disse um oficial.
Isso marcou a primeira vez que o regime Assad acusou a Turquia de ajudar a revolta... Funcionários do governo disseram que os rebeldes expulsaram o exército sírio de Jisr Al Shoughour e então assumiuram o controle da cidade. Eles disseram que prédios do governo foram saqueados e incendiados antes de outra força de Assad chegar... Um oficial sírio que conduziu a ronda disse que os rebeldes em Jisr Al Shoughour consistiam em combatentes linhados à Al Qaeda. Ele disse que os rebeldes empregaram uma grande quantidade de armas e munição turca, mas não acusou o governo de Ankara de fornecer o equipamento"

Negada pela mídia ocidental, o apoio estrangeiro a insurgentes islamistas, que "infiltraram o movimento de protestos", é, não obstante, confirmado pelas fontes de inteligência do Ocidente. Segundo o ex-agente do MI6 Alistair Crooke: "duas forças importantes por trás dos eventos na Síria são os radicais sunitas e grupos de exilados sírios na França e EUA. Ele disse que os radicais seguem os ensinamentos de Abu Musab Zarqawi, um islamista jordaniano, que objetivava criar um emirado sunita na Jordânia, Líbano, Palestina, e Síria, chamado Bilad a-Sham. Eles são guerrilheiros urbanos experientes que lutaram no Iraque e possuem financiamento estrangeiro. Eles infiltraram protestos para atacar as forças de Assad, como em Jisr al-Shaghour, onde eles causaram um grande número de baixas".
O ex-agente do MI6 também confirma que Israel e os EUA estão apoiando e financiando os terroristas: "Crooke disse que os grupos de exilados querem derrubar o regime anti-israelense da Síria. Eles são financiados e treinados pelos EUA e possuem ligações com Israel. Eles pagam a chefes tribais sunitas para que coloquem o povo nas ruas, trabalham com ONGs para fornecere histórias falsas de atrocidades para a mídia ocidental e cooperam com radicais na esperança de que a intensificação dos conflitos justificará a intervenção da OTAN".

Facções políticas dentro do Líbano também estão envolvidas. A inteligência libanesa confirmou a remessa secreta de rifles de assalto e armas automáticas aos combatentes salafi. A remessa foi realizada por políticos libaneses financiados por sauditas.



O Acordo de Cooperação Militar Turco-Israelense

Israel e Turquia tem um acordo de cooperação militar que lida de modo bastante direto com a Síria bem como a linha costeira estratégica sírio-libanesa (incluindo as reservas de gás e rotas de óleodutos nas águas territoriais libanesas).

"Já durante a Administração Clinton, uma aliança militar triangular entre EUA, Israel, e Turquia desdobrou-se. Essa 'tríplice aliança', que é dominada pelos Chefes de Estado Maior, integra e coordena decisões de comando militar entre os três países relativas ao Oriente Médio. Ela é baseada nos laços militares próximos respectivamente de Israel e Turquia com os EUA, junto com um forte relacionamento militar bilateral entre Tel Aviv e Ankara...

A tríplice aliança também está ligada a um acordo de cooperação militar entre Israel e OTAN de 2005 que inclui 'muitas áreas de interesse comum, tais como a luta contra o terrorismo e exercícios militares conjuntos. Esses laços de cooperação militar com a OTAN são vistos pelo exército israelense como um meio para 'aumentar a capacidade de retaliação israelense em relação a potenciais inimigos que a ameaçam, principalmente Irã e Síria".
Enquanto isso, as recentes mudanças dentro da alta hierarquia da Turquia reforçaram a facção pró-islamista dentro das forças armadas. No final de julho, o Comandante-em-Chefe do Exército e Chefe do Estado-Maior da Turquia, General Isik Kosaner, demitiu-se junto com os comandantes da Marinha e da Aeronáutica.

O General Kosaner representava uma posição amplamente secular dentro das forças armadas. O General Necdet Ozel foi indicado como seu substituto como Comandante do Exército.

Esses desenvolvimentos são de importância crucial. Eles tendem a apoiar os interesses americanos. Eles também indicam a uma potencial mudança dentro das forças armadas em favor da Irmandade Islâmica incluindo a insurreição armada no norte da Síria.

"Novas indicações para cargos fortaleceram Erdogan e o partido governista na Turquia...O poder militar é capaz de realizar projetos mais ambiciosos na região. É previsto que caso seja utilizado o cenário líbio na Síria é possível que a Turquia participe na intervenção militar".

A Aliança Militar Ampliada da OTAN
Egito, os estados do Golfo e a Arábia Saudita são parceiros da OTAN, cujas forças podem ser dispostas em uma campanha dirigida contra a Síria.

Israel é um membro de facto da OTAN após um acordo assinado em 2005.

O processo de planejamento militar dentro da aliança ampliada da OTAN envolve coordenação entre Pentágono, OTAN, a Força de Defesa de Israel, bem como o envolvimento miltiar ativo dos estados árabes, incluindo Arábia Saudita, os estados do Golfo, Egito: de modo geral, dez países árabes mais Israel são embros do Diálogo Mediterrâneo e da Iniciativa de Cooperação de Istambul.

Nós estamos em uma encruzilhada perigosa. As implicações geopolíticas são muito amplas.

A Síria tem fronteiras com Jordânia, Israel, Líbano, Turquia, e Iraque. Ela espalha-se pelo vale do Eufrates, ela está no ponto em que se cruzam grandes cursos d'água e rotas de óleodutos e gasodutos.

A Síria é um aliado do Irã. A Rússia tem uma base naval no noroeste da Síria.

"O estabelecimento de uma base em Tartus e o desenvolvimento rápido da cooperação de tecnologia militar com Damasco torna a Síria uma cabeça-de-ponte instrumental da Rússia e uma barreira no Oriente Médio. Damasco é um aliado importante do Irã e inimigo irreconciliável de Israel. Não é preciso dizer que o aparecimento da base militar russa na região certamente introduzirá correções na atual correlação de forças. A Rússia está colocando o regime sírio sob sua proteção. Isso quase certamente azedará as relações de Moscou com Israel. Pode até mesmo encorajar o regime iraniano e torná-lo menos tratável nos diálogos sobre o programa nuclear".

Cenário para uma Terceira Guerra Mundial

Ao longo dos últimos cinco anos, a região do Oriente Médio-Ásia Central tem estado em pé-de-guerra. 

A síria possui capacidades defensivas aéreas, bem como forças de infantaria, significativas.

A síria tem fortalecido seu sistema de defesa aéreo com o recebimento de mísseis de defesa aérea Pantsir S1 da Rússia. Em 2010, a Rússia entregou um sistema de mísseis Yakhont para a Síria. O Yakhont que opera a partir da base naval Tartus da Rússia "são designados para confrontar navios inimigos à distância de até 300km".

A estrutura de alianças militares respectivamente dos lados EUA-OTAN e Síria-Irã-OCX, sem mencionar o envolvimento militar de Israel, o relacionamento complexo entre Síria e Líbano, as pressões exercidas pela Turquia na fronteira norte da síria, apontam indelevelmente a um processo perigoso de intensificação do conflito.

Qualquer forma de intervenção militar da OTAN dirigida contra a Síria desestabilizaria toda a região, potencialmente levando a uma intensificação que abarcaria uma vasta área geográfica, englobando o leste do mediterrâneo à fronteira do Afeganistão-Paquistão com Tadjiquistão e China.

A curto prazo, com a guerra na Líbia, a aliança militar da OTAN está distendida para além de suas capacidades. Ainda que nós não possamos prever a implementação de uma operação militar a curto prazo, o processo de desestabilização política através do apoio oculto de uma insurgência rebelde muito provavelmente continuará.

09/12/2011

Alex Kurtagic - Black Metal: Revolução Conservadora na Cultura Popular Moderna

por Alex Kurtagic



Do ponto-de-vista do nacionalismo racial, o gênero musical conhecido como Black Metal é um dos fenômenos culturais populares mais significativos das últimas duas décadas. Porém, ele pouco tem sido discutido por acadêmicos e comentaristas politicamente simpáticos. Isso é surpreendente, já que o Black Metal flui em contrariedade às tendências pós-Segunda Guerra de marginalização, condenação, e psicopatologização progressivas da consciência racial entre brancos. Isso é ainda mais surpreendente quando considera-se que o Black Metal é inspirado por e sustenta as mesmas tradições culturais e literárias que informam o nacionalismo racial moderno. Ademais, o Black Metal, por meio de sua estética altamente estilizada, e francamente europeia, oferece uma arma eficiente operando no importantíssimo nível pré-racional com o qual combater o ataque à identidade branca.

Eu já escrevi antes sobre a necessidade de criar um universo paralelo fora da cultura dominante contemporânea, e isso envolve não apenas escolher nossos próprios tópicos de estudo, mas antecipar sua definição por apropriação pelos estudiosos conformistas do próprio establishment. Eu escrevo, portanto, esperando introduzir o Black Metal como tópico de análise acadêmica dentro da tradição anti-igualitária.

O Black Metal não tem sido completamente ignorado pelos acadêmicos do sistema. Ele é discutivo, por exemplo, em Extreme Metal: Music and Culture on the Edge por Keith Kahn-Harris, fundador do Novo Centro de Pensamento Judaico; em The Meaning and Purpose of Leisure: Habermas and Leisure at the End of Modernity, por Karl Spracklen; em Commodified Evil's Wayward Children: Black Metal and Death Metal as Purveyors of an Alternative Form of Modern Escapism por Jason Foster; e em Black Sun: Aryan Cults, Esoteric Nazism, and the Politics of Identity por Nicholas Goodrick-Clarke. Ele também tem sido discutido por alguns poucos escritores populares, incluindo Michael Moynihan e Didrik Soderlind, cujo Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground está disponível em livrarias populares.

Enquanto Moynihan e Soderlind baseiam-se em arquétipos junguianos para o que é, por outro lado, uma análise sensacionalista e jornalística do Black Metal, os outros textos baseiam-se em esquemas analíticos derivados da tradição acadêmica freudo-marxista, que inclui teóricos marxistas como Louis Pierre Althusser, pós-modernistas como Jacques Derrida e Michel Foucalt, teóricos críticos como Max Horkheimer e Theodor Adorno, e daí em diante. Não é difícil ver que interpretações da cultura vindas desses setores, ainda que contenham muitas compreensões astutas, são necessariamente limitadas e distorcidas pela inquestionável crença desses teóricos na igualdade como um bem em si, por sua rejeição de perspectivas evolucionistas como nefastas e ideológicas, e por suas atitudes alienadas - quando não meramente alienígenas - em relação à cultura ocidental tradicional.

As limitações e distorções construídas nesse corpo teórico são exarcebadas por seu status na academica ocidental como a ortodoxia institucional, um universo teórico fechado em que perspectivas alternativas - ou seja, não-igualitárias, evolucionistas - são rejeitadas de antemão como desacreditadas, ultrapassadas, preconceituosas, ou carentes de rigor acadêmico. Quando o tema de estudo é um fenômeno cultural que explicitamente rejeita os princípios fundamentais sobre os quais esse corpo teórico é construído, há sempre o perigo de a análise degenerar em uma incompreensão moralista.

Dissidência como um Estilo

O que é Black Metal? O Black Metal é um fruto radical do Heavy Metal. Durante a década de 80 bandas tocando formas comercializadas de Heavy Metal penetraram na cultura dominante, conseguindo posições confortáveis nas tabelas musicais e vendendo milhões de álbuns. Isso incitou elementos "fundamentalistas" dentro da cena Heavy Metal a reclamar o estilo como uma praxis underground desenvolvendo variantes extremas da sonoridade Heavy Metal, percebidas como estando mais conectadas com os valores originais anti-comerciais e contraculturais do gênero. O Black Metal foi uma dessas variantes. É considerado "Black" Metal porque ele originalmente definiu-se em termos de temas e estéticas satânicas e ocultistas.

O Black Metal não soa como o Heavy Metal. Ambas formas musicais apoiam-se nos mesmos componentes sonoros básicos (guitarra, baixo, bateria, e vocais); ambos são caracterizados por intensidade sonora, performances vocais extremas, e pelo uso de guiterras distorcidas e bastante amplificadas. Músicos do Heavy Metal, porém, tendem a favorecer estruturas musicais previsíveis (verso, refrão, verso, refrão, solo, verso, refrão), bem como vocais cantados/gritados melódicos. Ademais, guitarristas no Heavy Metal, apesar de muitas vezes incorporarem influências da música clássica em seu estilo, tocam de modo que ainda evidencia as raízes do Heavy Metal no Rhythm and Blues. As letras no Heavy Metal tendem a lidar com questões relativamente superficiais associadas com a juventude: amor, amadurecimento, sexo, rebelião, diversão, beber, etc.

O Black Metal, por outro lado, é muito mais sombria e extremo, favorecendo uma guitarra com uma sonoridade muito mais crua, barulhenta, e áspera; estruturas musicais imprevisíveis; melodias de influência clássica que sugerem lugubridade, misticismo, pesar, e ódio misantrópico; e urros inumanos, demoníacos como vocais, ininteligíveis e extremamente reverberados. Ademais, as letras do Black Metal tendem a ser sérias e arcanas, lidando com ocultismo, mitologia pré-cristã, orgulho pagão, guerra, misantropia, genocídio, e ódio ao cristianismo.

O Black Metal também difere significativamente do Heavy Metal esteticamente. O Black Metal favorece o negro acima de qualquer cor. Logos de bandas de Black Metal tendem a ser tortuosos e elaborados, sempre ilegíveis, e cercados com símbolos ocultistas e/ou pagãos, como runas, suásticas, cruzes invertidas, pentagramas, e mjölnirs. Letras góticas tortuosas são quase sempre onipresentes. Os músicos usam nomes de palco esotéricos ou mitológicos e distorcem suas faces com pintura facial cadavérica em preto e branco. Eles aparecem em seus álbuns em ambientes noturnos, florestais, medievais ou invernais, trajados em couro negro e envoltos em cartucheiras. Não é incomum que as bandas mais extremas e misantrópicas pratiquem auto-mutilação (usualmente com facas de caça, nos braços e torso) e se fotografem cobertos de sangue depois de realizar tais atos. O objetivo é sempre criar imagens capazes de inspirar medo e horror entre observadores da cultura dominante - ainda que isso seja meramente "pregar para o coral", claro, um esforço de se distinguirem o mais radicalmente possível da desprezada cultura dominante, pois de qualqeur outro modo o Black Metal é quase invisível fora de seu milieu subcultural.

Origens do Black Metal

As primeiras bandas de Black Metal foram Bathory, da Suécia, e Venom, da Inglaterra. O Venom tem o crédito de inventar o termo "Black Metal", que primeiro apareceu como título de seu álbum de 1981. O Bathory, porém, provou ser muito mais influente. Ainda que as primeiras obras do Bathory estejam dominadas por temas e estética satânicas, essas foram gradualmente substituídas pela infusão de elementos da música clássica (particularmente do período romântico) e por uma crescente fascinação com a mitologia e história escandinavas pré-cristãs. Albuns como Blood Fire Death (1989), Hammerheart (1991), e Twilight of the Gods (1992) eventualmente inspiraram o desenvolvimento de todo um novo gênero, agora conhecido como Viking Metal.

Similarmente influente foi o trio suíço, Hellhammer, e sua subsequente incarnação, Celtic Frost. O Hellhammer foi um protótipo de derivados do Heavy Metal dos anos 80 como o Thrash Metal, Death Metal, e Black Metal, mas não pode ser categorizado como qualquer um deles. Através de suas letras esotéricas e bastante poéticas e composições musicais cada vez mais elaboradas (chegando ao ápice em 1987 com Into the Pandemonium), o Hellhammer/Celtic Frost foi pioneiro em transformar o Heavy Metal em uma forma de arte popular sofisticada.

Em uma época em que o Heavy Metal parecia basicamente procupado com excessos mundanos e hedonistas (cerveja, mulheres, festas), os álbuns do Celtic Frost lidavam com deuses e civilizações antigas, e os do Bathory com Asatru, vikings, e Segunda Guerra Mundial. A banda de Thrash Metal britânica, Skyclad, também foi significativa, instigando o desenvolvimento do Folk Metal, um gênero que incorpora música folclórica tradicional em uma moldura Black Metal, e cujos músicos possuem ligações com as cenas de Black Metal e Viking Metal.

O Black Metal moderno há muito deixou de ser caracterizado puramente pelo satanismo. De fato, desde o final da década de 80, alguns músicos do Black Metal recusaram-se conscientemente a serem definidos por uma tradição monoteísta estrangeira (ou seja, não-europeia). Não há Satã, porém, sem Cristianismo. Definindo-se contrário ao Cristianismo, o Satanismo meramente inverte valores cristãos ao invés de rejeitá-los desde o início e abraçar uma visão-de-mundo autenticamente europeia. 

Muitos músicos do Black Metal, como resultado, reconheceram então a superficialidade e futilidade de continuar a "guerra contra o (Judaico-)Cristianismo" que era central à cena Black Metal durante o início da década de 90. Ademais, e ao menos parcialmente como consequência, o Black Metal desde muito fragumentou-se em uma variedade de subgêneros veementemente pagãos, tais como os já mencionados Viking Metal e Folk Metal, e - o mais radical de todos - o National Socialist Black Metal (NSBM).

Pensamento Völkisch e a Revolução Conservadora

Alguns dos aspectos mais fascinantes do Black Metal são seus paralelos com as idéias e sensibilidades da Revolução Conservadora e do movimento völkisch (populista) mais amplo que varreu a Alemanha no século XIX e início do XX. Essas similaridades são tão notáveis que o Black Metal pode muito bem ser considerado, senão a continuação, então ao menos como o ressurgimento da Revolução Conservadora no plano da cultura popular moderna.

O Black Metal é, ademais, parte de uma crescente subcultura de resistência ao sistema anti-branco. Essa subcultura consiste em uma constelação de gêneros e subgêneros musicais, práticas religiosas, pensadores e escolas filosóficas e políticas, sítios virtuais, livrarias, publicações, e atividades culturais, como reencenações de batalhas, interligadas. Essa subcultura sustenta-se dando a seus membros uma identidade positiva que não é dependente do sistema de recompensa de status mantida pela distribuição política e sociocultural atual. Ademais, se, como Jacques Attali propôs, a música do presente é o barulho do futuro, então, de modo codificado, o Black Metal poderia muito bem ser mais sintomático das coisas por vir do que das coisas como elas são.

A Revolução Conservadora foi inteiramente diferente do conservadorismo americano moderno, que é meramente uma forma de liberalismo clássico aliado com opiniões socialmente conservadoras. Conservadores americanos acreditam em progresso, democracia, igualdade perante a lei, e livre mercado; sua ideologia deriva do Iluminismo como formuldo por John Locke e Adam Smith. Eles estão fortemente associados com o libertarianismo. Eles consideram o homem um indivíduo racional, soberano, e eles tendem a ter uma concepção linear e progressivista da história. Os Conservadores Revolucionários alemães, como outros movimentos völkisch, estavam reagindo contra o racionalismo do Iluminismo, e, em termos americanos, tem muito em comum com os agrarianistas sulistas. Seus inimigos comuns eram a modernidade, o urbanismo, e o industrialismo.
O pensamento völkisch é caracterizado por um foco romântico no "orgânico"; folclore germânico, história local, sangue e solo, e misticismo natural. O termo deriva da palavra alemã Volk, que corresponde a "povo", mas com as conotações adicionais de folclore, raça, e nação. Entre os românticos alemães, "Volk" "significava a união de um grupo de pessoas com uma essência transcenental", a fusão do homem com a natureza (particularmente sua paisagem nativa, seguindo Wilhelm Riehl), com o mito, ou com o cosmo, onde o homem encontra "a fonte de sua criatividade, sua profundidade de sentimento, sua individualidade, e sua unidade com outros membros do Volk". Um conceito relacionado é "Volkstum", um termo que combina as noções de folclore e etnicidade.

O pensamento völkisch emergiu do nacionalismo romântico do início do século XIX, particularmente aquele de Johann Gottlieb Fichte, que, junto com Ernst Moritz Arndt e Friedrich Ludwig Jahn, "começou a conceber o Volk em termos heróicos durante as guerras de liberação contra Napoleão". O pensamento völkisch emergiu em uma épica quando a Alemanha existia como uma coleção de principados semi-feudais. Como a unidade política eludiu-os por mais de meio século, os pensadores völkisch foram forçados a enfatizar as dimensões culturas e espirituais, ao invés de políticas dessa unidade. Então eles vieram a idealizar, até mesmo mistificar, o conceito de nacionalidade. Esse processo alcançou tamanho ímpeto que quando a unificação política finalmente chegou em 1871, a natureza prosaica da Realpolitik de Bismarck levou a uma enorme sensação de desapontamento.

O pensamento völkisch também coincidiu com a Revolução Industrial e a crescente destruição da paisagem natural alemã, o deslocamento de populações, a obsolescência de artes e ferramentas tradicionais, a alienação social, as efervescências políticas (e.g., as revoluções de 1848), e crises econômicas. Essas levaram eventualmente ao desencantamento e finalmente a uma rejeição total da sociedade industrial e da modernidade, que veio a ser vista como materialista, desalmada, desenraizada, abstrata, mecânica, alienante, cosmopolita, e irreconciliável com a auto-identificação nacional. O pensamento völkisch era uma busca pelo enraizamento, pela "correspondência interna entre o indivíduo, o solo nativo, o Volk, e o universo". Daí os chamados para uma "'revolução germânica' para liquidar os novos desenvolvimentos perigosos e guiar a nação de volta a seu propósito original". Não surpreendentemente, ideólogos völkisch viam a "política tradicional como exemplificando o pior aspecto do mundo no qual viviam", e "rejeitavam os partidos políticos como artificiais", favorecendo ao invés um "elitismo que derivava de suas concepções semi-místicas da natureza e do homem".

A rejeição völkisch da modernidade era às vezes combinada com doutrinas ocultistas e esotéricas racialistas exempliicadas pelo runologista Guido von List, autor de The Secret of the Runes. A leitura racialista de List sobre a Teosofia de Helena Blavatsky provou ser influente nos círculos ocultistas. A Sociedade Guido von List (Guido-von-List-Gesellschaft), que ele fundou, incluía entre seus membros o sexo-racialsita Jörg Lanz von Liebenfels, autor de Theozoologie, fundador da ordem esotérica, Ordo Novi Templi (Ordem dos Novos Templários), e fundador e editor da revista Ostara. Lanz glorificava a raça ariana como Gottmenschen e advogava a esterilização dos inaptos e das raças inferiores. A "teozoologia" de Lanz eventualmente evoluiu em "ariosofia" - o estudo da sabedoria oculta referente aos arianos. Outros discípulos de List tornaram-se envolvidos no Reichshammerbund e na Germanenorden, organizada por Theodor Fritsch, um proeminente ativista no movimento antissemita alemão.

Quando a Germanenorden partiu-se em duas facções cismáticas (a Germanenorden e a Germanenorden Walvater do Santo Graal), Hermann Pohl, o primeiro líder da Ordem, uniu-se a Rudolf von Sebottendorff, um maçom que também era um admirador de List e de Liebenfels. Sebottendorff eventualmente contactou Walter Neuhaus, líder da Germanenorden e cabeça da Sociedade Thule, um grupo de estudos germânicos. Sebottendorff adotou o nome desse grupo de estudos como nome de cobertura para a loja de Munique da Germanenorden Walvater, que era comandada conjuntamente por ambos. Com o tempo a Sociedade Thule veio a organizar o Deutsche Arbeiterpartei (DAP), que foi renomeado Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP) em 1920, meses após Adolf Hitler, um dos leitores da revista de Liebenfels Ostara, unir-se ao partido.

Esse ramo ocultista do pensamento völkisch, que durante os anos pós-Segunda Guerra produziu escritores como Savitri Devi e Miguel Serrano, adotou elementos da mitologia oriental: uma visão cíclica da história (espelhada na metahistória de Oswald Spengler) baseada no modelo hindu das quatro eras degenerativas sucessivas, ou Yogas; enquanto a suástica, onipresente na Índia e no Extremo Oriente, foi adotada por numerosas organizações antes do NSDAP, da Sociedade Teosófica de Blavatsky ao Ordo Novi Templi de Lanz (a primeira a usar a suástica em um contexto arianista), da Germanenorden de Fritsch à Sociedade Thule de Sebottendorf.

Apesar de ignorada por alguns pensadores völkisch, a questão judaica adquiriu importância crescente durante esse período. Como um povo do deserto, os judeus vieram a ser "vistos como superficiais, áridos, 'secos'...desprovidos de profundidade e totalmente carentes de criatividade". Isso contrastava com os alemães, "que, vivendo nas escuras e enevoadas florestas, eram profundos e misteriosos". Ademais, porque os judeus prosperava no contexto liberal, secular, comercial, e urbano, eles vieram a ser vistos como a incarnação da modernidade, e daí um estranho corrupto e conspirador, um agente insidioso da dissolução. De fato, os judeus haviam tornado-se fortemente ligados aos liberais no caminho da emancipação e, em particular, a Revolução de 1848.

Por causa de suas ligações com o judaísmo, o Cristianismo também caiu sob escrutínio: "em comum com a maioria dos pensadores völkisch, Paul de Lagarde culpava São Paulo por ter envolvido o Cristianismo puro na estéril lei judaica" e adovagava uma religião germânica através da qual um "realinhamento das forças espirituais poderia realizar uma verdadeira unidade do Volk". O ataque de Nitzsche ao Cristianismo como um agente debilitador foi influenciado pelo antijudaico, porém ainda assim cristão, Lagarde. Por volta da época em que Savitri Devi escreveu Defiance e Gold in the Furnace, pouco após a Segunda Guerra Mundial, porém, a hostilidade radical ao Cristianismo estava fortemente ligada a sentimentos anti-judaicos radicais.

Após a Primeira Guerra Mundial, a ideologia völkisch, "adquiriu uma base política de massa", propelida pela angústia da derrota militar alemã em um contexto em que idéias völkisch há muito haviam sido disseminadas dentro das instituições alemães. A Revolução Conservadora emergiu nessa época como um movimento predominantemente völkisch: ela pensava organicamente ao invés de mecanicamente, enfatizava qualidade em oposição a quantidade, valorizava a comunidade popular (Volksgemeinschaft) em oposição à luta de classes, acreditavam no Führerprinzip em oposição à oclocracia e ao parlamentarismo, glorificava a guerra em oposição ao economicismo anti-heróico, e rejeitava o liberalismo progressivo, o igualitarismo, e a cultura comercial banal da civilização industrial urbana.

Os Conservadores Revolucionários eram revolucionários porque eles perceberam que a cultura estava ameaçada não apenas pelo liberalismo e pelo comunismo, mas por toda a ordem política, que tinha que ser substituída - usando meios revolucionários caso necessário - por uma nova ordem baseada em princípios conservadores. Apesar de que o termo existia antes do fim da Primeira Guerra Mundial, ele entrou em uso geral apenas após ter sido popularizado por Hugo von Hoffmannstahl e Edgar Julius Jung durante a República de Weimar. Oswald Spengler, Ernst Jünger, e Carl Schmitt, junto com Arthur Moeller van den Bruck (que criou o termo "Terceiro Reich") foram representantes desse movimento. Idéias völkisch possuíam considerável proeminência social e legitimidade institucional mesmo muito antes de os nacional-socialistas chegarem ao poder. Elas foram, porém, marginalizadas e suprimidas pelo regime aliado de ocupação após a derrota militar alemã em 1945.

Black Metal e o Retorno do Pensamento Völkisch

Como as idéias völkisch ressurgiram na cultura popular? Já por volta dos anos 60 o Cristianismo havia entrado em uma fase de decadência no Ocidente, após um longo período de crescente ceticismo bem como hostilidade de ideologias políticas tanto da Direita como da Esquerda. Como tem sido o padrão no Ocidente desde o quarto século, o decínio da religião dominante coincidiu com um interesse renovado em espiritualidades alternativas, religiões exóticas, e em ocultismo.

Muito desse interesse encontrou expressão na cultura popular moderna, especialmente na música popular moderna. Talvez o exemplo mais notável dessa confluência seja a música dos pioneiros do Heavy Metal, Led Zeppelin, cujas letras misturam Aleister Crowley, J.R.R. Tolkien, e folclore pagão nórdico e anglo-saxão. Artistas como Black Sabbath, Black Widow, e Coven também incorporaram temas ocultistas e seguiram influenciando ondas subsequentes de artistas mais explicitamente satânicos, como King Diamond e Mercyful Fate.

Influenciados pelo Black Sabbath, pelo Motörhead, e pelo punk rock, o Bathory emergiu nesse milieu. Nós já vimos como os temas satânicos dos primeiros albuns do Bathory foram substituídos por temas nórdicos e pagãos. Thomas Forsberg do Bathory articulou a opinião de que o Cristianismo era uma religião estrangeira, uma forma de conquista espiritual judaica que buscava esmagar e erradicar o paganismo europeu indígena. Durante a década de 90, essa opinião tornou-se extremamente influente na subcultura Black Metal, especialmente na Escandinávia.

Perspectivas anti-cristãs dentro da cena Black Metal usualmente encaixam-se em duas categorias: nietzscheanas (muitas vezes mediada pelo "satanismo" de Anton LaVey) e neo-pagãs. Os nietzscheanos denigrem o Cristianismo como uma religião igualitária da fraqueza, humildade, penitência, confissão, e auto-negação. Os neo-pagãos geralmente concorda com os nietzscheanos, mas enfatizam o caráter estrangeiro e a influência dissolvente do Cristianismo comparado com a herança europeia pagã mais autêntica. Essa perspectiva é explicitamente völkisch, evocando a unidade de sangue e solo, de raça e nação, e de espiritualidade e Volk. A cena Black Metal também tende a ser antissemita pelas mesmas razões völkisch que eles são anti-cristãos. Alguns músicos eram tão militantemente anti-cristãos que durante o início da década de 90, embarcaram em uma campanha de incêndio de igrejas.

No mundo do Black Metal, a espiritualidade genuína e a profundidade de expressão artística remetem ao mergulho corajoso na escuridão da alma humana. Daí as canções sombrias repletas de ódio, medo, melancolia, miséria, e depressão. Black Metal - "true" Black Metal - busca colocar a maior distância possível entre si e a sociedade de massa do capitalismo, que ele percebe como sem sentido, banal, materialista, acéfala, conformista, não criativa, e hipócrita.

A subcultura Black Metal glorifica a guerra e o espírito marcial. Cenas de batalha são comuns em capas de álbum de Black Metal, e músicos normalmente fotografam a si mesmos portando machados ou espadas e usando cartucheiras, pulseiras com espetos, e, ocasionalmente, cotas de malha. Similarmente, as letras celebram guerra e conflito, geralmente heróicos, sempre sangrentos. Esse militarismo normalmente está envolto em misticismo. Títulos típicos incluem "Sunwheel on the Helmet of Steel", no álbum Alone Against All do Capricornus, "Nine Steps to Eternity"no álbum Fidelity Shall Triumph do Thor's Hammer, e "Fire and Snow" no álbum Will Stronger than Death do Graveland.

Artistas do Black Metal também enfatizam a natureza e as paisagens naturais, mas uma sensibilidade mórbida e mística é evidente mesmo aqui. Seja por inspiração do pensamento völkisch, ou do mero ocultismo satânico, a natureza é sempre concebida em termos espirituais, místicos, e românticos. A estética do Black Metal dita que a noite e o inverno são eternos. Florestas coníferas são preferíveis aos campos trabalhados e aos pomares cuidados. Onde a glorificação da guerra funde-se com o misticismo natural, a ênfase reside nesta. Bandas de Viking Metal e Folk Metal, em contraste, adotam uma abordagem mais obviamente völkisch e geralmente enfatizam o idílico em oposição ao Sturm und Drang contra-iluminista.

A sensibilidade Black Metla não rejeita a cultura em favor da natureza, mas ao invés valoriza cultura e natureza, ambas concebidas organicamente, acima da civilização, que é concebida em termos mecanicistas e materialistas. No universo do Black Metal, cidades nunca foram construídas, a Revolução Industrial nunca ocorreu, e a modernidade nunca chegou. Apesar de toda sua beligerância, o Black Metal é inerentemente nostálgico, uma negação compreensiva da modernidade.

Essa negação é aparente mesmo na sonoridade do Black Metal, que obviamente seria impossível sem a sociedade tecno-industrial que o Black Metal rejeita. Assim a fonte tecnológica do Black Metal - que o conecta à modernidade - é oculta na mesma medida em que ela é exaltada na música techno: bandas de Black Metal "cru" preferem uma sonoridade extremamente pouco produzida, "necro", que deliberadamente evita a mídia de alta-fidelidade ou busca emular mídias de baixa-fidelidade - em contraste a outros gêneros que preferem uma sonoridade primitiva, o efeito desejado não é "crédito de rua" (como no punk rock) mas um senso de obscuridade quase oculta; bandas mais sofisticadas a nível instrumental usam camadas de sintetizadores para gerar uma atmosfera mística volatilizada que obscurece o ato da performance, enquanto bandas com uma orientação veementemente pagã (como o Nokturnal Mortum), acrescentam instrumentos folclóricos tradicionais a sua mistura para evocar uma sensação terrena de Volkstum.

O efeito desejado é sempre de que o ouvinte perca-se no som, que entre em um quase-transe, erguido acima do tédio da mundaneidade; o músico do Black Metal aspira à hipnose e, no caso do Black Metal especificamente pagão, ele busca criar a união espiritual - com a terra, com o inconsciente coletivo, com a alma pagã perdida, com o espirito heróico perdido do passado distante - que era buscada pelos autores völkisch há cem anos.

A rejeição da modernidade está associada com a rejeição do progressivismo. Como os pensadores völkisch, black metallers, sejam pagãos, satanistas, ou meramente suicidas, são pessimistas culturais. Seu pessimismo está geralmente aliado com a adoção explícita da visão indo-européia cíclica tradicional da história, na qual a história começa com uma Era de Ouro e então decai por eras de Prata e Bronze até a atual Era do Ferro ou Era das Trevas (Kali Yuga), que está fadada a perecer por suas próprias corrupções ou através de uma batalha final cataclísmica, por meio da qual uma nova Era de Ouro nascerá.

Referências a pessimistas culturais como Nietzsche e Spengler e a autores mais misticamente inclinados como Julius Evola, Savitri Devi, Miguel Serrano, e H.P. Lovecraft, são comuns no Black Metal. Daí títulos como "Decline of the West (Europe Will Rise" no álbum Aryan Rebirth do Pantheon, "Eve of the Kali Yuga" no álbum Knigths of the Eternal Sun do Arkthos, "The Gathering of the Elite to Destroy both the Modern World and Demiurge" no álbum Aryan Cult of A-Mor do Beyond the North Winds, "Desecration of Our Fatherland" no álbum Awakening of the Ancient Past do Darkthule, "Melancholy of the Inaccomplished Vengeance" no álbum Death of the White Race do Sons of North, "Among the Ruins" no álbum Beyond the North Winds do SIG:AR:TYR, "Sons of the Fatherland" no álbum The Last European Wolves do Hordak, "A Golden Age Turns to Rust" no álbum The Fallen Years do Drowning the Light, e "Exiles of the Golden Age", no álbum Weltenfeind, split com Absurd, Grand Belial's Key, e Sigrblot.

Referências explícitas ao pensamento völkisch são raras, mas elas ocasionalmente aparece: há uma banda finlandesa chamada Armanenschaft; o EP Blood and Fire da banda Hate Forest contem a canção "Aryosophia"; a banda Vril lançou uma fita demo chamada "Once and Again Thule"; a faixa "Vrilmacht" da banda Werewolf aparece em seu EP Fidelity of Ideology; há o EP Blood and Soil do Apriaxia; e o álbum Wer is der Starke von Oben do Adalruna mostra uma fotografia de Guido von List em pé no Heltentor com membros da Guido-von-List-Gesellschaft em 1911.

Referências a esoterismo e misticismo especificamente nacional-socialistas também não são infrequentes: há os EPs Ahnenerbe e Hyperborea do Bilskirnir, e a música "Reconquering the Atlantean Supremacy" no álbum Wotansvolk, o EP Centurions of Thule do Hakenkreuzug, a música "Jewel of Atlanteans" no álbum Memory and Destiny do Graveland, e a música "Hyperborean Ascention" no álbum Detritus da banda Contra Ignem Fatuus, entre outras.

A emergência de Black Metal explicitamente nacional-socialista não deveria surpreender, pois a corrente völkisch original foi a incubadora das tendências da Revolução Conservadora, incluindo o Nacional-Socialismo, e por volta de meados dos anos 90 o Black Metal havia recriado a mesma lógica cultural que levou ao Nacional-Socialismo 80 anos antes. Mas a prontidão com a qual o Black Metal veio a abraçar uma perspectiva e sensibilidade tão amplamente estigmatizada após a vitória aliada em 1945 precisa ser explicada.

A resposta está na natureza da gênese do Heavy Metal após o colapso da subcultura musical popular da década de 60. Deena Weinstein identifica duas correntes dentro dessa gênese, uma idealista, e uma conservadora, que fundiram-se na incepção do Heavy Metal.

O Heavy Metal emergiu em uma épca em que sua núcleo demográfico original - homens brancos do proletariado - estavam passando por um crescente deslocamento social, cultural, econômico, político, e demográfico, graças a maré crescente de feminismo radical; ativismo negro beligerante; legislação discriminatória na educação e no emprego favorecendo minorias; imigração não-branca do terceiro mundo; e uma séria crise econômica que colocou os brancos mais marginalizados contra a parede. Esses desenvolvimentos ajudaram na formação de uma comunidade implicitamente branca que era fortemente etnocêntrica, e que, em um mundo no qual sua raça era cada vez mais marginalizada, veio a ser um distintivo de honra de sua marginalidade negativa: os fãs do Heavy Metal são aquilo que Weinstein chama "párias orgulhosos".

A cultura Heavy Metal foi definida por suas raízes proletárias, e a cultura proletária é por natureza conservadora, com papéis masculinos e femininos bem definidos, uma prontidão para expressar emoções fortes, e uma desconfiança do governo e das corporações. É uma cultura que está decididamente em descompasso com o liberalismo dominante. Não surpreendentemente, então, o Heavy Metal tendeu a resistir a mudanças radicais em sua forma, celebrava a masculinidade heróica, e estava fundado em um ethos de integridade e autenticidade que deplorava sua própria comercialização. De fato, "para fãs, talvez a pior coisa que pode ser dita sobre uma banda de heavy metal é que ela 'virou comercial'". Não obstante, o Heavy Metal ganhou muitos fãs da classe média baixa, e derivados subsequentes seguiram esse padrão. A classe média baixa é o mesmo corpo demográfico que Mosse identificou como formulando as críticas völkisch da modernidade um século atrás, e de fato as características centrais da cultura Heavy Metal são altamente compatíveis com aquelas críticas.

Mesmo em suas formas mais cruas, o Black Metal tende a apelar a uma sensibilidade mais elitista e culturalmente sofisticada do que seu gênero paterno, mas ele não mudou radicamente a perspectiva anti-moderna, anti-liberal, anti-comercial, e anti-cosmopolita que herdou do Heavy Metal. Ele apenas o tornou mais sério: aprofundou-o ideologicamente, elaborou-o artisticamente, e radicaluzou-o metapoliticamente. Desde o início os black metallers foram párias orgulhosos no mundo moderno, e, como tais, foram receptivos a ideológias anti-sistema que fossem compatíveis com a própria constituição do Black Metal.

Em suma, uma boa porção das características intelectuais e estéticas do Black Metal são völkisch. Crowley, Satanismo, e Tolkien também fervem no caldeirão do Black Metal, com certeza, mas esses também foram apropriados na medida em que sejam consistentes com a visão-de-mundo völkisch. Portanto, pode-se plausivelmente caracterizar o Black Metal como um renascimento da Revolução Conservadora, profundamente transformando no contexto de uma subcultura musical moderna, mas reconhecível não obstante.

Lições

Minha caracterização do Black Metal inevitavelmente levará elementos radicais dentro do movimento nacionalista branco a perguntar: "Como usamos o Black Metal para começar a revolução?". Aqueles que fazem essa pergunta provavelmente estarão pensando em como o rock na década de 60 ajudou a disseminar e popularizar entre os jovens as idéias "progressivas", liberais, e anti-ocidentais que estavam rastejando nas catacumbas da academia desde a década de 30, ou mesmo antes.

Eu não estou convicto de que o Black Metal tenha qualquer aplicação nesse sentido político. A música da década de 60 possuía um apelo amplo, enquanto o Black Metal busca e festeja sua própria marginalidade e obscuridade. Participação estudantil na política radical durante a década de 60 é espelhada apenas pela esquerda moderna, e possuía, como hoje, um apoio midiático e institucional extremamente amplo. Fãs de Black Metal, por outro lado, detestam a política ainda mais que os Conservadores Revolucionários: a sua estratégia é uma de negação e fuga da mundaneidade.

A Anti-Geldof Compilation que eu patrocinei e lancei através da minha gravadora permanece até agora o único exemplo de participação em questões atuais e política quotidiana na cena Black Metal - e mesmo nesse caso foi baasicamente uma resposta emocional da parte dos artistas participantes contra a santa hipocrisia dos rock stars indulgentes. Isso é significativo quando se considera que a Encyclopedia Metallum lista atualmente mais de 17.000 bandas de Black Metal. Mas, novamente, a maioria dos artistas participantes eram associados com a cena NSBM, e, como sabemos, um aspecto que distinguia dos nacional-socialsitas dos conservadores revolucionários na Alemanha era sua vontade de participar na política de massa.

Na melhor das hipóteses, nós podemos ver o Black Metal como prova de que é possível para um espaço cultural existir, mesmo hoje, onde o pensamento anti-igualitário pode encontrar expressão artística honesta e forjar uma identidade alternativa positiva entre os brancos através de uma práxis estilística. Nossa tarefa é compreender os mecanismos que permitiram a partes significativas da cena Black Metal a existir como uma comunidade branca explícita em primeiro lugar. Nossa tarefa também é criar outros espaços desse tipo, para expandir a constelação de atividades estilizadas, de modo que possamos eventualmente construir um universo cultural paralelo a partir do qual eles possam receber apoio institucional e assim ganhar ímpeto e se consolidar, assim que o sistema liberal entre em colapso com o peso de sua própria corrupção e falência ideológica.

Essa é uma tarefa importante, porque haja vista que os artistas do Black Metal desenvolveram e inspiraram um estilo ou estética evocativas que (implicitamente ou explicitamente) é singularmente branca e europeia e/ou celebra essa identidade em toda sua diversidade de história e herança, o Black Metal é um objeto genuíno de estudo no contexto de uma guerra cultural em que a facção oposta busca suprimir, difamar, e erradicar a identidade branca. Humanos são animais sentimentais e emocionais, mais aptos a serem persuadidos por um estilo apelativo do que por um argumento racional, então vencer a guerra cultural demandará mais do que fatos científicos e lógica superior. Demandará que nós sejamos bem sucedidos em apelar a sentimentos e emoções nos tornando mestres de estilo. O Black Metal contém lições importantes nesse sentido.