18/06/2020

Juntem-se ao Canal da Legio Victrix no Telegram!

pelos Editores do Legio Victrix


Atualmente, o portal Legio Victrix, que acreditamos ser o maior arquivo virtual de textos dissidentes, conquistou um público fixo que acompanha as nossas postagens novas e pesquisa os nossos artigos mais antigos. 

Infelizmente, porém, o Facebook tem se tornado cada vez menos viável enquanto plataforma de divulgação das nossas novas publicações. Dos quase 6 mil seguidores da página do Legio Victrix no Facebook, nem 5% recebe as publicações da página em sua feed de notícias. 

Por isso, a pedido dos seguidores do Legio Victrix, para facilitar o acesso aos nossos artigos, criamos um canal no Telegram onde serão sempre divulgadas as postagens novas que fizermos por aqui. 

Assim, entrem no canal da Legio Victrix no Telegram: https://t.me/legiovictrixoficial

17/06/2020

Sofia Metelkina - Foucault em Quarentena: O Coronavírus visto por Filósofos Liberais e de "Esquerda"

por Sofia Metelkina



Uma pandemia é um congelamento do tempo, uma ampla reflexão sobre o que está acontecendo no mundo. Tendo se encontrado em um regime incomum de fechamento e restrição, a maioria dos filósofos em diversos flancos políticos – de conservadores a esquerdistas e liberais – se referiu de uma forma ou de outra ao famoso filósofo francês Michel Foucault, que descreveu os mecanismos disciplinares do poder, a biopolítica e a regulação da vida privada da “biomassa global”.

Consideremos as opiniões de alguns filósofos atuais no espectro esquerdista e liberal e vejamos que insights e erros eles têm cometido em suas avaliações.

15/06/2020

Sergio Fritz Roa - Entrevista com Claudio Mutti: Sobre Julius Evola

por Sergio Fritz Roa

(2004)


Como você conheceu a obra de Julius Evola?


Li "Revolta Contra o Mundo Moderno" quando tinha dezoito anos. Fui um líder da seção italiana da Jeune Europe, uma organização de que era membro na altura, que me deu um exemplar do livro. O pragmatismo de Jean Thiriart e a sua concepção maquiavélica da política não nos satisfiziam completamente, de modo que em nós, jovens "nacional-europeus" de quarenta anos atrás, a exigência de uma visão integral do mundo e de uma verdadeira consagração da ação política permanecia viva. O trabalho de Evola representava, portanto, para mim e para outros, a porta de entrada para uma Weltanschauung espiritualmente fundamentada.

Qual é a importância de Julius Evola para o mundo ocidental?


Em primeiro lugar, é necessário limpar o terreno do mal-entendido que tal sintagma ("mundo ocidental") inevitavelmente supõe. Se é verdade que nos séculos passados existiu de fato uma "civilização ocidental", hoje a mesma denominação serve para indicar uma Zivilisation spengleriana que, além de se espalhar por uma área geográfica muito mais ampla, tendo seu próprio epicentro e paradigma nos Estados Unidos da América, se configura como uma verdadeira pseudo-religião idólatra, cujos principais dogmas são o Mercado, os Direitos Humanos e a Democracia. Desta forma, o Ocidente, este Ocidente que adquiriu dimensões quase planetárias, é a manifestação mais monstruosa do que podemos chamar, evolutivamente, de Anti-Tradição. Tanto a Europa como a América Latina podem extrair do trabalho de Evola, e do seu apelo ao valor fundamental da Tradição, os pontos de referência essenciais para o seu despertar e para uma luta coerente contra esta "civilização ocidental" antinatural e anti-humana.

13/06/2020

Yann Vallerie - Entrevista com Alain de Benoist: Será uma Crise Econômica tão Grande quanto a de 1929

por Yann Vallerie


Antes de mais nada, o que você acha da liderança do governo, que parece realmente não saber onde enfiar a cabeça desde o começo desta pandemia? Michel Onfray evoca um possível fim do regime como resultado, você então acredita que as pesquisas de opinião sobre Emmanuel Macron e Edouard Philippe nunca foram tão positivas?


Michel Onfray disse, com mais talento do que eu, tudo que tinha de ser dito sobre a desastrosa gestão da atual crise de saúde pela equipe de Emmanuel Macron. Escrevi, anos atrás, que é na situação excepcional que se pode tomar a medida completa do personagem. Agora sabemos do que se trata. Um estadista decide, ordena e requisita. Macron, contudo, confia no conselho dos “especialistas” que, como sempre, discordam entre si. Ele redescobriu as virtudes da “soberania nacional e europeia”, porém após multiplicar reformar liberais que favoreceram as realocações e a dependência das importações. Ele saúda e agradece àqueles que lutam e se dedicam, mas ninguém esquece que antes da chegada do COVID-19, Macron se recusou a escutar suas reivindicações.

Isto é evidenciado pelo estado lamentável de nossos serviços de saúde, sobre o qual foram impostas metas míopes de rentabilidade e cuja dilapidação está sendo medida hoje: falta de máscaras e de testes de triagem, leitos removidos, equipe de enfermagem à beira do colapso, serviços hospitalares saturados. Queríamos incluir na lógica do mercado um setor que, por definição, está fora do mercado. Os serviços públicos foram sistematicamente enfraquecidos e destruídos. Estamos pagando o preço. E este é apenas o começo, porque o confinamento durará semanas, senão meses. Não estamos no fim do começo, muito menos no começo do fim.

10/06/2020

Rébellion - Entrevista com Pierre de Brague: A situação é catastrófica, mas não por causa do coronavírus

por Rébellion


Com a livre circulação e a abertura de fronteiras, a globalização mundialista é responsável por esta catástrofe sanitária para você? Você acha que os ultraliberais vão finalmente calar a boca?


Como eu já disse em “On nettoyerie l’info”: “Sim, a situação é catastrófica, mas não por causa do vírus!”.

Não acho que haja uma grande crise sanitária por conta do coronavírus, mas sim uma gigantesca operação de mistificação orquestrada pela propaganda da mídia e pelos laboratórios da Big Pharma que pressionam os governos (alguns deles encontram lá seus relatórios) com estatísticas distorcidas, tudo para mascarar a imensa crise sistêmica que se vem cozinhando há pelo menos duas décadas.

A hipócrita mundialização liberal, que na realidade mascara o globalismo mais monopolista, é de fato o terreno mais propício para este tipo de “cenário”. Em essência, esse sistema entrega os povos a todas as predações possíveis (instabilidade, precariedade, uniformização) e a verdadeira questão do momento é a revelação e a busca ou não dessa estratégia de dominação pelas finanças e o desmembramento da economia produtiva e da solidariedade social. Deve-se notar também que os países socialistas estão gerenciando a epidemia muito melhor.

05/06/2020

Strategika - Entrevista com Robert Steuckers: A Geopolítica do Coronavírus

por Strategika


Lemos muitos elementos contraditórios segundo diferentes fontes de informação disponíveis ou de acordo com opiniões dos profissionais de saúde. Para você, qual é, de fato, a realidade desta pandemia?


Não podemos excluir uma origem natural da pandemia (embora eu permaneça cético perante a fábula do pangolim e do morcego), mas devemos aceitar discutir uma outra hipótese: isso é um ato de guerra bacteriológica dirigida contra a China, o Irã e a Europa, os três principais focos da doença. O vírus mutante, porque o vírus é, ao que parece, mutante, poderia também ter escapado de um laboratório chinês, ou outro, mas então por que ele atinge os rivais da hegemonia, quase excluindo outras regiões do globo? Se a hipótese de uma guerra bacteriológica se revelar exata, poderíamos estabelecer o seguinte cenário: o centro nevrálgico da China foi atingido, sua indústria impulsionada pelas deslocalizações neoliberais no resto do mundo, sobretudo na Europa, fica reduzida, o que tem um efeito sobre sua moeda, capaz, a médio prazo, de suplantar o dólar. Ademais, essa recessão ou essa sabotagem trava a realização das famosas “rotas da seda”. O Irã, inimigo número um de certos círculos neoconservadores, é, por sua vez, atingido, país que então poderia facilmente se tornar o principal fornecedor de hidrocarbonetos para a China e um parceiro comercial mais importante da Europa, como no fim do regime do último Xá, com os acordos EURATOM, em particular. Essa é a tese de Houchang Nahavandi, ex-ministro do Xá e autor de livros muito importantes sobre a história recente e antiga do Irã, cuja leitura recomendo enfaticamente.

Na Europa, as calamidades se abatem sobre os elos mais fracos e sobre o principal motor da economia europeia, a Alemanha. A Grécia deve enfrentar a crise dos refugiados na sua fronteira trácia, enquanto sua saúde econômica e financeira está vacilante há uma década, na sequência da crise de 2008. Ela ainda escapa amplamente do coronavírus mas… Wait and see… A Itália, recorde-se, assinara acordos especiais, fazendo dela o trampolim da China na UE. A Espanha igualmente recebeu a crise da pandemia em cheio, porque ela também é uma economia fragilizada que pode levar à ruína o projeto europeu, favorecido pelos Estados Unidos nas décadas de 1940 e 1950, em seguida considerado concorrencial e colocado, nomeadamente pela doutrina Clinton, como “alienígena”, ou seja, como inimigo potencial, se não inimigo declarado. A França também foi afetada, ainda que, oficialmente, seja considerada aliada desde Macron, presidente formado intelectualmente por uma escola americana. Ela está sendo progressivamente esvaziada de seus expoentes industriais (Alsthom, Latécoère…) e pesadamente infestada pelo coronavírus, tudo simplesmente porque o hiperliberalismo a debilita desde a presidência de Sarközy, cortada nos setores essenciais, não mercadológicos, incluindo o setor médico. Sem um setor médico forte, bem estruturado, prevenindo todas as formas de pandemia, compreendendo aquelas que poderiam ser desencadeadas por um ataque bacteriológico, um país é o alvo ideal para esse tipo de operação.

02/06/2020

Thibault Isabel - Quem Pagará o Preço da Crise? As Classes Populares ou a Finança Mundial?

por Thibault Isabel



O choque para a economia mundial causado pela pandemia de Covid-19 foi mais rápido e mais grave do que a crise financeira de 2008 ou mesmo a Grande Depressão de 1929. Durante esses dois episódios, as bolsas de valores caíram pelo menos 50%, os mercados de crédito foram paralisados por falências em cascata, as taxas de desemprego subiram mais de 10% e o PIB contraiu a uma taxa anualizada de 10% ou mais. Este processo levou cerca de três anos. Em março de 2020, foram necessárias apenas três semanas para prever um resultado igualmente desastroso.

A Crise no Sistema


Seria errado analisar a situação pensando que esta crise é a conseqüência exclusiva da pandemia de coronavírus. A pandemia foi apenas um gatilho, que veio para parar a máquina já engasgada do sistema econômico global. Muitos especialistas há muito nos advertiam do risco de estouro das bolhas financeiras, e as aberrações de mercado se tornaram aparentes quando, após uma delirante supervalorização dos ativos em janeiro, foram tomadas por um pânico sem precedentes quando foram anunciadas as primeiras medidas de contenção, experimentando um tímido renascimento apenas quando novas intervenções públicas foram anunciadas, como se o setor privado agora esperasse tudo dos governos para salvá-lo.

O contexto é tanto mais dramático na medida em que o custo intrínseco da crise econômica e financeira será adicionado ao custo de gestão da crise sanitária. O relançamento de uma economia global, que está paralisada há meses, representará um esforço titânico, enquanto a maioria dos Estados já está fortemente endividada pela crise de 2008, que ainda não foi digerida pelas contas públicas (enquanto os mercados financeiros estão novamente colhendo lucros fabulosos há vários anos). Segundo as estimativas atuais, o endividamento dos principais Estados ocidentais aumentará em cerca de 25% nos próximos três anos.

30/05/2020

Aleksandr Dugin - Coronavírus e os Horizontes do Mundo Multipolar: As Possibilidades Geopolíticas da Epidemia

por Aleksandr Dugin

(2020)



A pandemia mundial do coronavírus tem enormes implicações geopolíticas. O mundo nunca mais voltará a ser o mesmo. No entanto, é cedo para dizer que tipo de mundo irá se tornar. O surto não passou: nem sequer alcançou o auge. As perguntas mais importantes permanecem sem resposta:

– Que tipo de perdas a humanidade sofrerá em última instância, quantas mortes?

– Quem poderá deter a propagação do vírus, e como?

– Quais são as consequências reais para aqueles que ficaram doentes e os que sobreviveram?

Ninguém pode responder essas perguntas com exatidão, e portanto, nem sequer podemos imaginar vagamente o dano real. No pior dos casos, a pandemia conduzirá a uma grave diminuição da população mundial. No melhor dos casos, o pânico será prematuro e sem fundamento.

Porém, já nos primeiros meses da pandemia, algumas mudanças geopolíticas globais já são bastante óbvias e em grande medida irreversíveis. Não importa como se desenvolvam os eventos posteriores, algo mudou na ordem mundial de uma vez por todas.

27/05/2020

Hans Thomas Hakl – Deificação como Tema Central nas Obras Esotéricas de Julius Evola

por Hans Thomas Hakl

(2018)




Os Primeiros Anos


Os esforços de Evola para superar as condições ordinárias da vida podem ser detectados quando ele ainda era um homem jovem. Isso logo o levou a uma exploração de reinos transcendentais não circunscritos por limites materiais.  Em sua "autobiografia espiritual", escrita em 1963, ele observou que seu impulso decisivo para a transcendência "se manifestava" nele "desde os primeiros anos".[1] Isso também pode ser visto claramente em seu período artístico, de 1915 a 1923, quando se tornou um dos mais renomados dadaístas da Itália. Em sua brochura “Arte astratta” [Arte Abstrata], escrita em 1920, quando tinha 22 anos, ele o expressou da seguinte maneira: 

“Eu vejo a arte como uma criação desinteressada que vem da consciência superior de um indivíduo e é, portanto, capaz de transcender as paixões e as cristalizações que são baseadas em experiências comuns, e que é independente delas”.[2]

Outro sinal do anseio de Evola pela transcendência é a recorrência do simbolismo alquímico em sua arte abstrata.[3] Esse desejo de ser diferente do homem comum também se manifesta em sua luta por uma autossuficiência absoluta do Eu como condição necessária para a liberdade genuína. Não depender de nada fora de si mesmo era o seu objetivo último.  Foi o jovem filósofo italiano Carlo Michelstaedter (1887-1910) que o guiou nesta direção, e Evola continuou a trabalhar para este fim pelo resto de sua vida. “Assim” - dizia ele – “o valor real só se encontra naquilo que existe para si mesmo, que não demanda o princípio da vida interior e do poder pessoal de nada ou ninguém – na autarquia”.[4]

23/05/2020

Israel Lira - A Origem Medieval da Quarentena

por Israel Lira

(2020)



No mundo contemporâneo, e agora mais do que nunca com a atual pandemia, estamos acostumados com os termos isolamento e quarentena, conceitos de diferentes escopos, aliás. Nosso governo, no entanto, optou pela noção abrangente de “isolamento social obrigatório”, que nos remete às declarações de nosso próprio presidente, que, ao se referir a esta idéia, argumentou que preferia o uso desta, à palavra quarentena, devido à carga cognitiva que ela traz consigo. Sem prejuízo disso, não muda o fato objetivo de que estamos em quarentena, e aí vem precisamente a distinção, que geralmente é abordada no plano internacional. Para citar um exemplo específico, a Divisão de Saúde Pública do Estado de Delaware, diferencia o isolamento da quarentena pelo sujeito a quem é imposta a ação restritiva, ou seja, quando o sujeito é uma pessoa infectada por alguma doença contagiosa, o confinamento da mesma ocorre para impedi-lo de infectar outros. Em outras palavras, o sujeito ativo do isolamento é uma pessoa infectada, e o sujeito passivo que se busca proteger com essa ação é a pessoa saudável. Não obstante, é esta última que nos remete à quarentena, que está ligada ao isolamento em situações pandêmicas, e é quando o sujeito passivo torna-se ativo, ou seja, objeto de cumprimento de restrições.