09/12/2015

Alain de Benoist - O Reino de Narciso

por Alain de Benoist



"A sociedade adotou integralmente, sem o menor limite e sem o menor contrapeso, os valores femininos"; com estes termos expressou recentemente seu parecer o pediatra Aldo Naouri. Dessa feminização temos já testemunhos: a primazia da economia sobre a política, do consumo sobre a produção, da discussão sobre a decisão, o declínio da autoridade em proveito do "diálogo", também a obsessão com a proteção das crianças (ademais da sobrevaloração da palavra da criança), a exibição em praça pública da vida privada e as confissões íntimas nos "reality shows" da TV, a moda do "humanitarismo" e da caridade midiática, pôr ênfase constante sobre os problemas da sexualidade, da procriação e da saúde, a obsessão com as aparências, do querer agradar e do cuidado de si mesmo (também a assimilação da sedução masculina à manipulação e a "doença"), a feminização das profissões (docência, magistratura, psicologia, operadores sociais), a importância das tarefas da comunicação e dos serviços, a difusão das formas redondas na indústria, a sacralização do matrimônio por amor (um oxímoro). 

A moda da ideologia vitimística, a multiplicação das "células de contenção psicológica", o desenvolvimento do mercado da emotividade e da compaixão, a nova concepção da justiça que faz dela um meio não para julgar com absoluta equidade, mas para fazer pesar a dor da vítima (para lhe consentir "elaborar o luto" e "se reconstruir"), a moda da ecologia e dos "remédios doces", generalizar os valores de mercado, a sacralização do "casal" e dos "problemas de casal", a predileção pela transparência e pela mistura de conceitos, sem esquecer o telefone celular como substituto do cordão umbilical, o progressivo desaparecimento do imperativo na linguagem corrente e finalmente a globalização, que tende a instaurar um mundo de fluxos e refluxos, sem fronteiras nem pontos de referência estáveis, um mundo líquido e amitótico (a lógica do Mar e também a da Mãe).

Depois da ríguda cultura dos anos 30, nem tudo foi negativo nessa feminização, claro; mas se precipitou excessivamente no sentido inverso.

Para além de ser sinônimo de desvirilização, desembocou no cancelamento simbólico do papel do Pai, confundindo os papeis sociais masculino e feminino. 

A generalização da condição salarial e a evolução da sociedade industrial provocaram que hoje os homens não contem com tempo para dedicar a seus filhos, o Pai, progressivamente, foi reduzido a um papel econômico e administrativo.

Transformado em "papai", tende a se converter em um simples sustentáculo afetivo e sentimental, provedor de bens de consumo e executor da vontade materna, e ao mesmo tempo um assistente social familiar, um enfeito de cozinha, destinado a trocar panos e promover passeios.

Não obstante, o Pai simboliza a lei, referente objetivo que se alça por cima da subjetividade familiar. Enquanto a mãe expressa, antes de mais nada, o mundo dos afetos e das necessidades, o pai tem a função de cortar o vínculo de união entre a criança e a mãe. Fazendo funcionar a terceira instância que impulsiona a criança a sair da onipotência narcisista, consentindo-lhe o encontro com seu contexto sócio-histórico e o ajuda a se colocar dentro de um mundo em transformação. Assegura "a transmissão da origem, do nome, da identidade, da herança cultural, da tarefa a desenvolver", como escreveu Philippe Forget. Servindo de ponte entre a esfera familiar privada e a pública, limitando o desejo por intermédio da Lei, ele se revela indispensável na construção da identidade. Em nosso tempo os pais tendem a se converter em "mães como as outras". Para usar as palavras de Eric Zemmour "também eles querem ser portadores do Amor e não mais apenas da Lei".

Pois bem, a criança sem pai deve realizar um enorme esforço para acessar o mundo simbólico. Na busca de um bem-estar imediato sem obrigá-lo a afrontar a Lei, a dependência dos bens torna-se naturalmente seu modo de ser. 

Outra característica da modernidade tardia é a confusão entre as funções masculinas e femininas, que faz dos progenitores sujeitos perdidos na confusão dos papeis não distinguindo na névoa os pontos de referência. 

Os sexos são complementares-antagônicos, o que quer dizer que se atraem e se combatem simultaneamente. A indiferença sexual, buscada na esperança de pacificar as relações entre os sexos acaba fazendo desaparecer aquelas relações. Confundindo identidades sexuais (não há mais que duas) com orientações sexuais (pode haver uma multidão), a reivindicação da homoparentalidade (que retira à criança os meios de identificar sua parentela e nega a importância da filiação em sua construção psíquica) se reduz a solicitar ao Estado a fabricação de leis, para convalidar costumes adquiridos, legalizar uma pulsão ou dar uma garantia institucional a um desejo, todas funções que não lhe competem.

Paradoxalmente, a privatização da família se produz paralelamente com a invasão de parte do "aparato terapêutico" de técnicos, especialistas, conselheiros e psicólogos. Essa "colonização do mundo vivido" efetuada com o pretexto de racionalizar a vida quotidiana, reforçou simultaneamente a medicalização da existência, retirando responsabilidade dos progenitores e a capacidade de supervisão e controle disciplinar ao Estado. Em uma sociedade em dívida perpétua em relação com os indivíduos, em uma república oscilante entre comemoração e compaixão, o Estado assistencial, aprisionado na gestão lacrimejante das misérias sociais pelo trâmite de sua caricatura sanitária e de assistência social, se transformou em um Estado maternal, protetor, higienista, distribuidor de mensagens de "ajuda" a uma sociedade reclusa em um curral.

Essa sociedade dominada pelo matriarcado mercantil se indigna hoje com o "machismo" da periferia metropolitana e se surpeende ao se ver desprezada.

Tudo isso não é mais que a forma exterior de um fato social, por trás do qual se dissimula a desigualdade salarial e as mulheres violentadas.

A dureza, apagada do discurso público, retorna com mais força, a violência social se desencadeia sob o horizonte do Império do Bem.

A feminização das "elites" e o papel adquirido pelas mulheres no mundo do trabalho não o converteram em mais afetuoso, tolerante, amante do próximo, só mais hipócrita. A esfera do trabalho assalariado obedece, sempre, somente às leis do mercado, cujo objetivo é acumular retornos lucrativos, ao infinito, sobre os investimentos efetuados. O capitalismo, se sabe, constantemente impulsionou as mulheres a trabalharem com o fim de exercer uma pressão para rebaixar o salário masculino.

Cada sociedade tende a manifestar dinâmicas psicológicas que se podem observar, também, a nível pessoal. Ao fim do século XIX se advertia com frequência a histeria, ao início do século XX, a paranoia. Nos países ocidentais, a patologia mais corrente hoje parece ser um narcisismo de civilização, que se expressa em particular na infantilização dos cidadãos, em uma existência imatura, em uma ansiedade que leva muitas vezes à depressão. Cada indivíduo toma como objetivo e como finalidade de tudo, a busca de si mesmo aproveita a vantagem sobre o sentido da diferença sexual, sua relação com o tempo se limita ao imediato.

O narcisismo produz uma obsessão de autogeração, em um mundo sem lembranças nem promessas, no qual passado e futuro se encontram igualmente desdobrados sobre um eterno presente no qual cada um se assume assim mesmo como objeto do próprio desejo, pretendendo escapar às consequências de seus atos. 

05/12/2015

Kerry Bolton - A Rússia de Spengler

por Kerry Bolton



Teria sido fácil para considerar Oswald Spengler, autor do epocal O Declínio do Ocidente (volume um foi publicado no verão de 1918) como  um russófobo. Ao fazê-lo o papel da Rússia no desenrolar histórico dessa era para a frente poderia ser facilmente desprezado, oposto ou ridicularizado por adeptos de Spengler, enquanto na Rússia seus insights sobre morfologia cultural seriam compreensivelmente mal vistos como partindo de um nacionalista alemão eslavófobo. Porém, enquanto Spengler, como muitos outros da época posterior à revolução bolchevique, considerasse - parcialmente a Rússia como o líder asiatizado de uma "revolução colorida" contra o mundo branco, ele também considerava outras possibilidades.

A "Alma" da Rússia

Spengler considerava os russos como formados pela vastidão da planície terrestre, como inatamente antagônicos à Máquina, como enraizados no solo, como irrepreensivelmente camponeses, religiosos e "primitivos". Porém, quando Spengler escreveu sobre essas características russas ele estava fazendo referência aos russos como um povo ainda juvenil, em contraste ao Ocidente senil. Daí o russo "primitivo" não é sinônimo da "primitividade" como popularmente compreendida àquela época em relação a povos tribais "primitivos". Nem deve ser isso confundido com a percepção hitlerista do "eslavo primitivo" incapaz de construir seu próprio Estado.

Para Spengler, o "camponês primitivo" é a fonte da qual uma raça retira seus elementos mais saudáveis durante suas épocas de vigor cultural. A agricultura é a fundação de uma Alta Cultura, permitindo que comunidades estáveis diversifiquem o trabalho nos especialismos dos quais a Civilização procede.

Segundo Spengler, cada povo possui sua alma, uma concepção alemã derivada do Idealismo de Herder, Fichte, etc. Uma Alta Cultura reflete esta alma, seja em sua matemática, música, arquitetura; tanto nas artes como nas ciências físicas. A alma russa não é idêntica à alma faustiana ocidental, como Spengler a chama, ou à alma "magiana" da civilização árabe, ou à clássica dos helenos e romanos. A Cultura Ocidental que foi imposta sobre a Rússia por Pedro o Grande, que Spengler chama de Petrinismo, não passa de um verniz.

A base da alma russa não é o espaço infinito - como no imperativo faustiano do Ocidente (Spengler, 1971, I, 1983), mas sim a planície ilimitada (Spengler, 1971, I, 201). A alma russa expressa seu próprio tipo de infinitude, ainda que não o do ocidental que se torna até escravizado por sua própria técnica ao fim de seu ciclo vital. (Spengler, 1971, II, 502) (Ainda que poderia ser dito que o sovietismo escravizou o homem à máquina, um spengleriano citaria isso como um exemplo de petrinismo). Porém, civilizações seguem seu próprio curso de vida, e não se pode ver as descrições de Spengler como juízos morais, mas sim como observações. O encerramento para a Civilização Ocidental segundo Spengler não pode ser o de criar ainda mais formas grandiosas de arte e música, que pertencem à época juvenil ou "primaveril" de uma civilização, mas dominar o mundo sob uma mandato tecnocrático-militar, antes de decair no esquecimento como civilizações mundiais anteriores. É após este declínio ocidental que Spengler aludiu à próxima civilização mundial sendo a da Rússia.

A arquitetura russa ortodoxa não representa o infinito na direção do espaço que está simbolizado pelas torres das catedrais góticas da Alta Cultura do Ocidente, nem o espaço fechado da mesquita da Cultura Magiana, (Spengler, 1971, I, 183-216) mas a impressão de assentar-se sobre um horizonte. Spengler considerava que esta arquitetura russa "não era ainda um estilo, apenas a promessa de um estilo que despertará quando a verdadeira religião russa despertar". (Spengler, 1971, I, p.201) Spengler estava escrevendo sobre a cultura russa como um forasteiro, e ele mesmo reconhecia as limitações disso. É, portanto, útil comparar seus pensamentos sobre a Rússia com os de russos notáveis.

Nikolai Berdyaev em A Ideia Russa afirma o que Spengler descreve:

"Há aquilo na alma russa que corresponde à imensidão, à vagueza, à infinitude da terra russa, a geografia espiritual corresponde com a física. Na alma russa há um tipo de imensidão, uma vagueza, uma predileção pelo infinito, tal como a que é sugerida pela grande planície da Rússia". (Berdyaev, 1).

"Socialismo Russo"

No que concerne a alma russa, o ego e vaidade do homem e cultura ocidentais estão ausentes; a persona busca crescimento impessoal no serviço, "no mundo-irmão da planície". O Cristianismo Ortodoxo condena o "Eu" como "pecado". (Spengler, 1971, I, 309) O conceito russo de "nós" ao invés de "Eu", e de serviço impessoal à vastidão da própria terra implica outra forma de socialismo distinto do marxismo. É talvez neste sentido que o stalinismo procedeu segundo linhas às vezes antitéticas ao bolchevismo pensado por Trótski et al. (Trotski, 1936)

Um comentário de uma visitante americana à Rússia, Barbara J. Brothers, parte de uma delegação científica, afirma algo similar à observação de Spengler:

"Os russos possuem um senso de conexão consigo e com outros seres humanos que simplesmente não é parte da realidade americana. Não é que a competitividade não existe; a questão é que simplesmente sempre parece haver mais consideração e respeito pelos outros em qualquer dada situação".

Do ethos tradicional russo, intrinsecamente antitético ao individualismo ocidental, incluindo suas relações de propriedade, Berdyaev escreveu:

"De todos os povos no mundo, os russos possuem o espírito de comunidade; no mais alto grau o modo de vida russo e as maneiras russas são desse tipo. A hospitalidade russa é uma indicação desse senso de comunidade". (Berdyaev, 97-98)

Taras Bulba

A literatura nacional russa partindo de 1840 começou a expressar conscientemente a alma russa. Primeiramente, o Taras Bulba de Nikolai Vasilievich Gogol, que junto com a poesia de Pushkin fundou uma tradição literária russa; isto é, verdadeiramente russa, e distinta da literatura anterior baseada na alemã, na francesa e na inglesa. John Cournos fala disso em sua introdução a Taras Bulba:

"A palavra falada, nascida do povo, deu alma e asa à literatura; apenas vindo à terra, à terra nativa, lhe foi permitido voar. Vindo da Pequena Rússia, a Ucrânia, com sangue cossaco nas veias, Gogol injetou seu próprio vírus saudável em um corpo fraco, soprou seu próprio espírito viril, o espírito de sua raça, em suas narinas, e deu ao romance russo sua direção até o dia de hoje.

Taras bulba é um conto sobre a formação do povo cossaco. Nessa formação popular o inimigo exterior desempenha um papel crucial. O russo foi formado fundamentalmente como resultado de batalhas ao longo de séculos contra tártaros, muçulmanos e mongois".

Sua sociedade e nacionalidade eram definidas pela religiosidade, como as do Ocidente pelo Cristianismo Gótico durante sua época "primaveril", em termos spenglerianos. O recém-chegado a um Setch, ou aldeia permanente, era saudado pelo Chefe como um cristão e como um guerreiro: "Bem-vindo! Você crê em Cristo?" - "Sim", respondia o recém-chegado. "E você crê na Santíssima Trindade?" - "Sim" - "E você vai à igreja?" - "sim". "Agora faça o sinal da cruz". (Gogol, III)

Gogol retrata o desprezo que se tinha pelo comércio, e quando o comércio havia penetrado entre os russos, ao invés de ser mentido confinado a não-russos associados ao comércio, isso é considerado como um sintoma de decadência:

"Eu sei que a ignomínia encontrou seu caminho para nossa terra. Os homens só se importam em ter suas pilhas de grãos e feno, e seus rebanhos de cavalos, e que seu hidromel possa estar seguro em seus porões; eles adotam, sabe-se-lá que costumes muçulmanos. Eles falam de forma desprezível com suas línguas. Eles não se importam em falar seus reais pensamentos com seus compatriotas. Eles vendem suas próprias coisas a seus próprios camaradas, como criaturas desalmadas em um mercado... . Que eles saibam o que irmandade significa em solo russo!" (Spengler, 1971, II, 113)

Aqui podemos ver um socialismo russo que está a um mundo de distância do materialismo dialético adumbrado por Marx, o sentimento místico de "nós" forjado pela vastidão das planícias e pelo imperativo de irmandade acima da economia, imposto por aquela paisagem. O sentimento de missão de mundo da Rússia possui sua própria forma de messianismo, seja expressa pela Ortodoxia cristã ou pela forma não-marxiana de "revolução mundial" sob Stálin, ou ambas em combinação, como sugerido pela reaproximação posterior entre Stalinismo e a Igreja a partir de 1943 com a criação do Conselho para Assuntos da Igreja Ortodoxa Russa (Chumachenko, 2002). Em ambos os sentidos e mesmo nas formas embrionárias tomando lugar sob Putin, a Rússia é consciente de uma missão mundial, expressa hoje no papel da Rússia em forjar um mundo multipolar, com a Rússia tendo um papel principal na resistência ao unipolarismo.

O comércio é preocupação para estrangeiros, e as intrusões trazem com elas a corrupção da alma russa e de sua cultura em geral: na fala, na interação social, no servilismo, solapando a "irmandade" russa, o sentimento russo de "nós" que Spengler descreveu. (Spengler, 1971, I, 309)

A irmandade cossaca é retratada por Gogol como o processo formativo na construção do povo russo. Este processo não é um biológico, mas espiritual, transcendendo até o laço familiar. Spengler similarmente tratou a questão racial mais como uma de alma do que uma de zoologia. (Spengler, 1971, II, 113-155) Para Spengler a paisagem era crucial para determinar o que se torna "raça", e a duração de famílias agrupadas em uma paisagem particular - incluindo nômades que possuem uma extensão definida de deslocamento - formam "um caráter de duração", que era a definição spengleriana de "raça". (Spengler, II, 113) Gogol descreve este processo formativo "racial" entre os russos. Longe de ser um nacionalismo racial agressivo, é uma irmandade mística em expansão sob Deus:

"O pai ama seus filhos, a mãe ama seus filhos, os filhos amam seu pai e mãe; mas isto não é como aquilo, irmãos. A besta selvagem também ama sua prole. Mas um homem pode se relacionar apenas por similaridade de mente ao invés de sangue. Tem havido irmandades em outras terras, mas nunca nenhuma irmandade tal como a que há em nosso solo russo". (Gogol, IX)

A alma russa nasce no sofrimento. O russo aceita o destino da vida a serviço de Deus e de sua Pátria. Rússia e fé são inseparáveis. Quando o velho guerreiro Bovdug é mortalmente ferido por uma bala turca suas palavras finais são exortações à nobreza do sofrimento, após o que seu espírito alça voo para se unir a seus ancestrais. (Gogol, IX) A mística da morte e do sofrimento pela Pátria é descrita na morte de Taras Bulba, quando ele é capturado e executado, suas palavras finais sendo de ressurreição:

"Aguardem, o tempo virá quando vocês aprenderão o que é a fé ortodoxa russa! O povo já o fareja longe e perto. Um czar surgirá do solo russo, e não haverá poder no mundo que não se submeterá a ele!". (Gogol, XII)

Pseudomorfose

Um elemento significativo da morfologia cultural de Spengler é a "Pseudomorfose Histórica". Spengler traçou uma analogia a partir da geologia. Quando cristais de um mineral estão embutidos em uma camada de rocha, onde "fissuras e rachaduras ocorrem, a água se infiltra, e os cristais são gradualmente trazidos para fora de modo que no devido tempo apenas seu molde oco permanece". (Spengler, II, 89)

"Pelo termo 'pseudomorfose histórica' eu proponho designar aqueles casos em que uma Cultura estrangeira mais velha jaz tão massivamente sobre a terra que uma Cultura jovem, nascida nessa terra, não consegue respirar e falha não só em atingir formas de expressão puras e específicas, mas até mesmo em desenvolver sua própria consciência plena de si. Tudo que emerge das profundezas da alma jovem é lançado nos velhos moldes, sentimentos jovens se endurecem em obras senis, e ao invés de se empinar em seu próprio poder criativo, ele só pode odiar o poder distante com um ódio que cresce até se tornar monstruoso". (Ibid.)

Uma dicotomia tem existido por séculos, começando com Pedro o Grande, de tentativas de impôr um verniz ocidental sobre a Rússia. Isso é chamado de Petrinismo. A resistência a essas tentativas é o que Spengler chamou de "Velha Rússia". (Spengler, 1971, II, 192) Spengler também descreveu essa dicotomia.

Nikolai Berdyaev escreveu em termos similares aos de Spengler: "A Rússia é uma seção completa do mundo, um Leste-Oeste colossal. Ela une dois mundos, e dentro da alma russa dois princípios estão sempre engajados em uma luta - o oriental e o ocidental". (Berdyaev, 1).

Com a orientação da política russa na direção do Ocidente, a "Velha Rússia" foi "forçada a uma história falsa e artificial". (Spengler, II, 193) Spengler pensou que a Rússia havia sido dominada pela cultura ocidental tardia:

"Artes e ciências de um período tardio, iluminismo, ética social, o materialismo das cidades globais, foram introduzidos, ainda que neste tempo pré-cultural a religião fosse a única língua pela qual o homem compreendia a si e ao mundo". (Spengler, 1971, II, 193)

Em 1863, escrevendo para Dostoievski, Ivan Sergyeyevich Aksakov (fundador do grupo "Eslavófilo" anti-petrinista) notou que "A primeira condição de emancipação para a alma russa é que ela deve odiar Petersburgo com toda sua força e toda sua alma". Moscou é santa, Petersburgo satânica. Uma lenda popular apresentava Pedro o Grande como o Anticristo.

O ódio do "Ocidente" e da "europa" é o ódio por uma Civilização que já havia atingido um estágio avançado de decadência no materialismo e buscava impôr sua primazia pela subversão cultural ao invés dep elo combate, com sua perspectiva urbanita e monetarista, "envenenando a cultura ainda não nascida no ventre da terra". (Spengler, 1971, II, 194) A Rússia era ainda uma terra em que não havia burguesia e nenhum sistema de classes verdadeiro, mas apenas senhor e camponês, uma visão confirmada por Berdyaev, escrevendo: "As várias linhas de demarcação social não existiam na Rússia; não havia classes preponderantes. A Rússia nunca foi um país aristocrático no sentido ocidental, e igualmente não havia burguesia". (Berdyaev, 1)

As cidades que emergiram vomitaram uma intelligentsia, copiando a intelligentsia do Ocidente Tardio, "ávidos por desvendar problemas e conflitos, e abaixo, um campesinato desenraizado, com todo aquele pesar e ansiedade metafísicas...perpetuamente nostálgicos pela terra aberta e odiando amargamento o mundo cinzento e pétro no qual o Anticristo os havia tentado. Moscou não tinha alma adequada". (Spengler, 1971, II, 194) Berdyaev ressalta de forma similar sobre o petrinismo da classe superior que "a história russa era um conflito entre Oriente e Ocidente dentro da alma russa". (Berdyaev, 15)

Messianismo Russo

Berdyaev também afirma que enquanto o petrinismo introduziu uma época de dinamismo cultural, ele também colocou um fardo pesado sobre a Rússia, e uma desunião de espírito. (Ibid.) Porém, a Rússia possui seu próprio senso religioso de Missão, que é tanto universal quanto a do Vaticano. Spengler cita Dostoievski que escreveu em 1878 que "todos os homens devem se tornar russos, primeiro e fundamentalmente russos. Se a humanidade geral é o ideal russo, então todo mundo deve em primeiro lugar se tornar russo". (Spengler, 1963, 63n) A ideia messiânica russa encontrou uma expressão de força Os Possuídos de Dostoiévski, onde, em uma conversa com Stavrogin, Shatov diz: 

"Reduzir Deus ao atributo de nacionalidade?...Ao contrário, eu elevo a nação a Deus... O povo é o corpo de Deus. Cada nação é uma nação apenas na medida em que tenha seu próprio Deus particular, excluindo todos os outros deuses na terra sem qualquer reconciliação possível, desde que creia que por seu próprio Deus ele conquistará e expulsará todos os outros deuses da face da terra... A única nação 'portadora de Deus' é a nação russa..." . (Dostoievski, 1992, Parte II:I:7,265-266)

Spengler viu a Rússia como estando fora da Europa, e mesmo como "asiática". Ele até mesmo via um renascimento ocidental vis-à-vis a oposição à Rússia, que ele considerava como liderando a "revolução colorida" contra os brancos, sob o manto do bolchevismo. Porém também havia outros destinos que Spengler viu no horizonte, que haviam sido previstos por Dostoievski.

Uma vez que a Rússia houvesse derrubado suas intrusões estrangeiras, ela poderia olhar com outra perspectiva sobre o mundo, e reconsiderar a Europa não com ódio e vingança mas em parentesco. Spengler escreveu que enquanto Tolstoi, o petrinista, cuja doutrina foi precursora do bolchevismo, era a "Rússia passada", Dostoievski era a "Rússia vindoura". Dostoievski como representante da "Rússia vindoura" "não conhece" o ódio da Rússia pelo Ocidente. Dostoievski e a velha Rússia são transcendentes. "Seu poder apaixonado de viver é suficientemente compreensivo para abarcar todas as coisas ocidentais também". Spengler cita Dostoievski novamente: "Eu tenho duas pátrias, Rússia e Europa". Dostoievski como o portador de uma alta cultura russa "passou para além tanto do petrinismo como da revolução, e de seu futuro ele olha para trás por sobre elas com ode longe. Sua alma é apocalíptica, desejosa, desesperada, mas de seu futuro ele está certo". (Spengler, 1971, II, 194)

Para os "Eslavófilos", dos quais Dostoievski era um, a Europa é preciosa. O Eslavófilo aprecia a riqueza da alta cultura europeia, ao mesmo tempo que percebe que a Europa está em um estado de decadência. Berdyaev discutiu o que ele considerou uma inconsistência em Dostoievski e nos eslavófilos em relação a Europa, mas uma que é compreensível quando consideramos a diferenciação crucial de Spengler entre Cultura e Civilização:

"Dostoieviski chama a si mesmo de um eslavófilo. Ele pensava, como o fazia também um grande número de pensadores sobre o tema da Rússia e da Europa, que ele sabia que a decadência estava se estabelecendo, mas que um grande passado existe nela, e que ela fez contribuições de grande valor para a história da humanidade". (Berdyaev, 70)

É notável que enquanto essa diferenciação entre Kultur e Zivilisation é atribuída a uma tradição filosófica particularmente alemã, Berdyaev comenta que ela estava presente entre os russos "muito antes de Spengler", ainda que derivando de fontes alemães:

"É de ser notado que muito antes de Spengler, os russos traçaram a distinção entre 'cultura' e 'civilização', que eles atacaram a 'civilização' mesmo quando permaneciam apoiadores da 'cultura'. Essa distinção na verdade, apesar de expressa em uma fraseologia distinta, seria encontrada entre os eslavófilos". (Ibid.)

Dostoievski era indiferente ao Ocidente tardio, enquanto Tolstoi era um produto dele, o Rousseau russo. Imbuídos com ideias do Ocidente tardio, os marxistas buscavam substituir uma classe governante petrina por outra. Nenhuma das duas representava a alma da Rússia. Spengler observou: "O verdadeiro russo é o discípulo de Dostoieviski, ainda que ele possa não ter lido Dostoievski, ou qualquer outro, não, talvez porque ele não possa ler, ele é ele próprio Dostoievski em substância". A intelligentsia odeia, o camponês não. (Ibid.) Ele eventualmente derrubaria o bolchevismo e qualquer outra forma de petrinismo. Aqui nós vemos Spengler inequivocamente afirmando que a civilização pós-ocidental será russa:

"Aquilo pelo que esse povo desassentado anseia é sua própria forma vital, sua própria religião, sua própria história. O Cristianismo de Tolstoi foi um equívoco. Ele falava de Cristo, mas queria dizer Marx. Mas ao Cristianismo de Dostoievski os próximos mil anos pertencerão". (Ibid.)

Sobre a verdadeira Rússia, como Dostoievski a expressou, "nem uma única nação já foi alguma vez fundada sobre princípios da ciência ou da razão". (Dostoievski, 1872, II:I:VII)

À época em que Spengler publicou A Hora da Decisão em 1934 ele concluiu que a Rússia havia derrubado o petrinismo e as vestimentas do Ocidente tardio, e ainda que ele chamasse a nova orientação da Rússia de "asiática", ele disse que ela era "uma nova Ideia, e uma ideia com um futuro também". (Spengler, 1963, 60) Esclarecendo, a Rússia olha para o "Oriente", mas enquanto o ocidental assume que "Ásia" e Oriente são sinônimos de mongol, a etimologia da palavra "Ásia" vem do grego Aσία, ca. 440 a.C., se referindo a todas as regiões a leste da Grécia. (Ibid. 61) Durante seu tempo Spengler viu que na Rússia,

"raça, língua, costumes poulares, religião, em sua forma presente...todos ou qualquer um deles pode e será fundamentalmente transformado. O que vemos hoje, então, é simplesmente o novo tipo de vida que uma vasta terra concebeu e irá fazer emergir presentemente. Não é definível em palavras, nem está seu portador consciente disso. Aqueles que tentam definir, estabelecer, ditar um programa, estão confundindo a vida com uma frase, como o faz o bolchevismo governante, que não é suficientemente consciente de sua própria origem cosmopolita, racionalista e euro-ocidental". (Ibid.)

Na Rússia Spengler já via em 1934 que "de marxismo genuíno há pouco, excetuando nomes e programas". Ele duvidava que o programa comunista seja "realmente levado a sério ainda". Ele via a possibilidade dos vestígios de bolchevismo petrino serem derrubados, para ser substituído por um tipo oriental "nacionalista" que atingiria "proporções gigantescas". (Spengler, 1963, 63) Spengler também se referiu à Rússia como paradoxalmente o país "menos perturbardo pelo bolchevismo", (Ibid., 182) e sugeriu que a "face marxiana só foi trajada para benefício do mundo exterior". (Ibid., 212) Uma década após a morte de Spengler a direção da Rússia sob Stálin havia perseguido definições mais claras, e o bolchevismo petrino havia se transformado da maneira que Spengler previu. (Brandenberger, 2002)

Conclusão

Como na época de Spengler, como séculos antes, continuava a existir duas tendências na Rússia: a Russa Antiga e a Petrina. Nem um, nem o outro espírito domina atualmente, ainda que sob Putin a Velha Rússia lute para ressurgir. Spengler em uma palestra publicada para a Convenção de Negócios Reno-Vestfaliana em 1922 se referiu ao "antigo, instintivo, difuso, inconsciente e subliminar impulso que está presente em todo russo, não importa o quão metodicamente ocidentalizada sua vida consciente possa ser - um anseio místico pelo Sul, por Constantinopla e Jerusalém, um espírito cruzado genuíno similar ao espírito que nossos ancestrais góticos tinham em seu sangue, mas que dificilmente podemos apreciar hoje". (Spengler, 1922)

O bolchevismo substituiu uma forma de petrinismo por outra forma, limpando o caminho "para uma nova cultura que algum dia surgirá entre Europa e Ásia. É mais um início do que um começo". O campesinato "algum dia se tornará consciente de sua própria vontade, que aponta em uma direção totalmente diferente". "O campesinato é o verdadeiro povo russo do futuro. Ele não se permitirá perverter ou sufocar". (Ibid.).

Spengler, o antimarxista arquiconservador, seguindo a tradição alemã de realpolitik, considerava a possibilidade de uma aliança russo-alemã em seu discurso de 1922, o Tratado de Rapallo sendo um reflexo dessa tradição. "Um novo tipo de líder" despertaria na adversidade, para "novas cruzadas e conquistas lendárias". O resto do mundo, repleto com um anseio religioso, mas que cai sobre chão infértil, está "rasgado e cansado suficiente para lhe permitir subitamente assumir um novo caráter sob as circunstâncias adequadas". Spengler sugeriu que "talvez o próprio bolchevismo mude dessa maneira sob novos líderes". "Mas a Rússia silenciosa e profunda" voltaria sua atenção para o Oriente Próximo e Extremo, como um povo de "grandes extensões interiores". (Ibid.)

Ainda que Spengler postulasse os ciclos orgânicos de uma Alta Cultura passando pelas fases vitais de nascimento, vigor, maturidade, velhice e morte, deve-se ter em mente que um ciclo de vida pode ser perturbado, abortado, rompido ou acometido por doença, a qualquer momento, e findar sem se realizar. Cada um tem sua analogia na política, e há muitos russófobos ávidos por aleijar o destino da Rússia com contaminações políticas, econômicas e culturais. O bloco soviético caiu por contágio interno e externo.

O que Spengler previu para as possibilidades da Rússia, ainda a realizar sua missão histórica, messiânica e de escopo mundial, pode agora estar se desabrochando se a Rússia conseguir aparar pressões de dentro e de fora. A revogiração da Ortodoxia é parte desse processo, como o estilo de liderança de Putin, distinto de um Ieltsin, por exemplo. Do que quer que a Rússia seja chamada externamente, seja monárquica, bolchevique ou democrática, há uma Rússia interior - eterna - que perdura e aguarda a sua hora no palco histórico mundial.

Referências

Nikolai Berdyaev, The Russian Idea, MacMillan Co., New York, 1948

D Brandenberger, National Bolshevism: Stalinist culture and the Formation of Modern Russian National Identity 1931-1956. Harvard University Press, Massachusetts, 2002

T A Chumachenko, Church and State in Soviet Russia, M. E. Sharpe Inc., New York, 2002

H Cournos,‘ Introduction’, N V Gogol, Taras Bulba & Other Tales, 1842, http://www.gutenberg.org/files/1197/1197-h/1197-h.htm

Dostoyevski, The Brothers Karamazov, 1880

Dostoyevski, The Possessed, Oxford University Press, 1992

Spengler, Prussianism and Socialism, 1919

Spengler, ‘The Two Faces of Russia and Germany’s Eastern Problems’, Politische Schriften, Munich, 14 February, 1922

Spengler, The Hour of Decision, Alfred A Knopf, New York, 1963

Spengler, The Decline of The West, George Allen & Unwin, London, 1971

Leon Trotsky, The Revolution Betrayed: what is the Soviet Union and where is it going?, 1936

28/11/2015

Aleksandr Dugin e Sheikh Imram Hosein - Encontro e Diálogo Interreligioso: Aliança de Muçulmanos e Cristãos Ortodoxos

por Aleksandr Dugin e Sheikh Imram Hosein



O 1 de julho de 2013 marca o encontro e o início de uma colaboração entre dois intelectuais ilustres; Aleksandr Dugin, teórico russo de confissão cristã ortodoxa, Doutor em História das Ciências e Doutor em Ciência Política; e o Sheikh Imran Nazar Hosein, erudito islâmico especializado em escatologia islâmica, filósofo, e doutor em estudos econômicos.

Esta reunião em Moscou é o resultado de um convite recebido por um grande número de intelectuais russos, para o trabalho mútuo e o estabelecimento de um novo diálogo interreligioso entre a comunidade cristã ortodoxa e o mundo muçulmano. Portanto, esta ligação entre muçulmanos e cristãos ortodoxos, inspira e permeia suas duas escatologias, islâmica e cristã, ou seja, a unificação dos dois pólos principais atualmente resistentes a um único inimigo em comum, a chamada "Ordem atlantista neoliberal" por alguns e, "Aliança sionista judaico-cristã” para outros.

Por que a Rússia?

Os Cristãos Ortodoxos de hoje são originarios do Império Bizantino, conhecido no Islã sob o nome Rum.

Os Rums (ou cristãos bizantinos) foram mencionados no Alcorão, precisamente na Sura Rum ("Os romanos"). Ademais, aqui eles são divididos em dois pólos diferentes de cristãos. Cristãos católicos no Ocidente, que escolheram Roma (Vaticano) como sede, e os cristãos ortodoxos orientais, que optaram por Constantinopla (hoje Istambul), e mais especificamente, a Catedral de Santa Sofia, como sede.

Esta Catedral funcionou por muito tempo como sede da ortodoxia cristã, até a queda do último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo, quando Constantinopla é conquistada pelo sultão otomano Mehmet II. Sendo a sede da Ortodoxia, a antiga Catedral de Santa Sofia foi transformada em mesquita pelos otomanos; os cristãos ortodoxos mudam sua sede para o Patriarcado de Moscou, que assim se torna a nova sede do cristianismo ortodoxo. 

A primeira sede da ortodoxia cristã, a antiga Catedral de Santa Sofia, finalmente é transformada em um museu a mando de Mustafa Kemal, após a queda do Império Otomano.

Isso faz com que a Rússia se torne o berço atual do Cristianismo Ortodoxo.

Hoje, e desde a queda da União Soviética e do comunismo, e ao final de um longo período de Guerra Fria, a Rússia mostra um retorno claro e significativo para o cristianismo ortodoxo. Essa mudança se reflete em todos os níveis da sociedade russa, incluindo o governo, demonstrando um compromisso significativo com os valores do cristianismo ortodoxo.

A sociedade russa não é uma sociedade secular, comparada com as outras sociedades ocidentais. (Ver a conferência: “Christianisme et politique” de Aleksandr Dugin). 

E isso é o que reafirma a Rússia agora como uma forte ressitência contra o polo atlantista ocidental, e a aliança sionista.

E é bem nesse sentido que os muçulmanos, pelo menos aqueles que entenderam, e os cristãos ortodoxos, estão unidos na mesma resistência contra o mesmo inimigo, o pólo ocidental sionista.

Deve-se notar, que para resistência e a luta comum entre cristãos ortodoxos e muçulmanos, contra a fúria e a opressão do sionismo, o braço armado do Dajjal (Anticristo), que é de extrema importancia que os representantes destas duas religiões unam os seus esforços mútuos contra este opressor universal da humanidade.

Da teoria à prática

Isso faz com que os muçulmanos e os cristãos vejam a necessidade de formar uma aliança contra a Nova Ordem Mundial. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) profetizou que uma aliança entre cristãos e muçulmanos iria começar na luta contra um inimigo em comum.

Ademais, os muçulmanos devem saber absolutamente à luz do Alcorão, do Profeta e das profecias e tendo em conta os acontecimentos históricos e geopolíticos, como identificar um bom aliado, um aliado profetizado! O verdadeiro cristão aliado do muçulmano é aquele que luta contra o opressor, o mesmo impostor, o mesmo blasfemo, o mesmo inimigo universal, o sionismo!

ستصالحون الروم صلحا آمنا وتغزون أنتم وهم عدوا من ورائكم
الراوي: حسان بن عطية المحدث: الألباني المصدر: صحيح أبي داود الصفحة أو الرقم: 2767
خلاصة حكم المحدث: صحيح

"Vocês (muçulmanos) fará certamente uma aliança segura com Rum, combatiréis e venceréis juntos contra o inimigo comum que os persegue! Profeta Maomé paz e bênçãos sobre ele".

Allah revela no Alcorão como reconhecer sinais que proíbem uma aliança. Refere-se a um grupo de cristãos e um grupo de judeus que se aliaram entre eles. Esta aliança efetivamente realizada em agosto de 1897 (no Congresso Sionista), depois de milhares de anos de animosidade entre cristãos e judeus. Os cristãos nunca perdoaram os judeus pelo evento da Cruz. Esta aliança subversiva entre cristãos e judeus não teria sido possível sem a criação do movimento sionista, cujo objetivo era a criação do Estado impostor de Israel, e que todos nós sabemos que é para ser a sede do Anticristo. Deus também adverte os muçulmanos contra as consequências da adesão a esta aliança, o que inevitavelmente leva a perda da participação na comunidade do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).

"Você que têm fé (em Deus), não tome judeus e cristãos como aliados (que) sejam (eles mesmos) aliados entre si. E se algum de vocês os levarem como aliados, então vão se tornar um deles. Deus não se dirige aos ímpios". (Alcorão, Sura al-Maa'idah, v.51)

Em outras palavras, aquele que se liga à aliança sionista judaico-cristã, torna-se imediatamente um deles, como Allah nos diz neste verso. Será agora parte dessa aliança e não fazerá mais parte da Comunidade do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele).

Enquanto nem todos os cristãos e judeus sejam sionistas, já que a aliança sionista é composta por um grupo de judeus e cristãos estreitamente aliados sob a bandeira do sionismo, também deve ser notado que os muçulmanos não são todos necessariamente anti-sionistas! Ele que faz amizade com a aliança sionista judaico-cristã, torna-se um deles, diz o Alcorão! (Ver artigos recentes sobre este assunto em Inglês: We have no beef with Israel, Syrian Islamist rebel group says)

Portanto, agora temos dois Rums. A Rum ocidental católica com sede em Roma (o Vaticano), com os países cristãos que se aliaram ao sionismo. E a Rum do polo cristão-ortodoxo do oriente com sede em Moscou, e que se opõe firmemente ao sionismo.

É importante para os muçulmanos identificar qual dessas duas Rums é um bom aliado nestes últimos tempos, "uma aliança sem risco", como já dizia o Profeta.

Eleger a Rum do pólo ocidental cristão sionista é tornar-se um de seus aliados, como é o caso de hoje em dia na maioria dos governos muçulmanos, mais cedo ou mais tarde, os muçulmanos sofrerão a traição de Rum sionista ocidental.

Isto torna de vital importancia que, hoje, os muçulmanos têm que levar a sério (e não literalmente) e estudar o Alcorão e todas as profecias do Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e com isso estudar história, a fim de compreender os desafios das implicações presente e futuras.

O Dia do Juízo final não será quebrado por um muçulmano que traiu as ordens que Allah - o Altíssimo - deu no Alcorão!

"Agora você deve saber escolher o lado certo da história!" .

- Sheikh Imran Nazar Hosein

"Estamos firmemente nos opondo a qualquer tipo de confronto entre as diferentes crenças religiosas ... guerras e tensões interreligiosas que trabalham para uma causa: o estabelecimento do Reino do Anticristo, que tenta dividir todas as religiões tradicionais para impor a sua própria pseudo-religião , uma paródia da escatologia".

- Prof. Aleksandr Dugin - o livro A Quarta Teoria Política.

27/11/2015

Arthur Lima - A Quarta Ideologia

por Arthur Lima

Texto para trabalho da disciplina de Introdução ao Direito do curso de Ciência Política da UNB





Com o fim da Guerra Fria, a vitória dos Estados Unidos levou a ideologia liberal a ascender como a ideologia dominante no mundo levando ao fim do mundo bipolar e iniciando o mundo unipolar. O sistema econômico internacional torna-se mais liberal e há uma enorme difusão do sistema democrático. 

As ideologias derrotadas, o fascismo e o comunismo, mesmo que ainda possuam apoio atualmente, se rastejam mais do que vivem. Além disso, partes dessas ideologias se misturaram com as ideias liberais após a Guerra fria (exemplo da direita e esquerda consumista, liberal economicamente e individualista). Francis Fukuyama em sua obra “O Fim da História e o Último Homem” argumentou que o advento do sistema liberal democrático americano foi o sinônimo do fim da evolução histórica humana, o fim da história política. 

Fukuyama defendeu sua tese na crença de que não haveria mais teorias ideológicas com forças a se opôr ao liberalismo. O que não era esperado era um nascimento de uma nova ideologia, a Quarta Via Política.

A Quarta Via Politica foi idealizada por Alexander Dugin, filósofo, ativista e cientista político russo, já participou de diversos movimentos indentitários e nacionalistas. Dugin é reconhecido também como um dos principais ideólogos do Eurasianismo. Em sua obra, Dugin apresenta uma nova solução contra o liberalismo, uma ideologia tradicionalista, antiglobalista e multipolar.
      
O liberalismo como inimigo

Dugin inicia com críticas ao liberalismo, mostrando os motivos de sua vitória perante as outras duas ideologias do século XX. Dentre as três ideologias modernas, o liberalismo foi aquele que se adequou melhor ao mundo moderno, mostrou-se aquele que se opõe aos regimes totalitários das duas ideologias modernas (os regimes soviético e alemão). Entretanto, a vitória do liberalismo mostrou que ele não é aquele que se opõe ao totalitarismo, e sim o terceiro totalitarismo. Dugin tocou em um ponto interessante, com a chegada do mundo unipolar, a ideologia liberal se espalhou para todas as dimensões sociais, econômicas, políticas e culturais. Diferentes sociedades foram bombardeadas pelos preceitos liberais e suas ideologias, povos que não possuíam conceitos como o de indivíduo sofreram drásticas e forçadas mudanças. O indivíduo está acima de tudo na visão liberal, com isso ele se sobrepõe à sociedade, sua cultura, valores e todas as conquistas e construções desta. Não existe mais uma sociedade, existem indivíduos reunidos, perdidos e sem identidade, vivendo uma vida ao estilo ocidental. Aqueles povos que resistem são mal vistos, e alguma hora recebem a visita da democracia liberal e se rendem ao sistema.

César Garavito expõe bem um caso da intervenção estadunidense na Colômbia. Os Estados Unidos, por meio da USAID (Agencia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), financiaram a tentativa de uma reforma no sistema judicial e penal colombiano ao modelo estadunidense. A USAID investiu mais de 3 milhões de dólares no sistema e no seu fortalecimento e assim manter mais uma zona de controle norte-americano.

Os Estados Unidos investiram nos regimes militares latino-americanos, como foi exposto no documentário “O Dia que durou 21 anos” (no caso do Brasil) e na obra “A Doutrina do Choque” aonde Naomi Klein mostrou os danos sociais das politicas neoliberais nos países latino-americanos, além de suas relações com grandes grupos árabes no Oriente Médio eu seu interesse estratégico na rica zona de petróleo. Isso prova como os Estados unidos e o seu regime liberal, travestido de democracia, que impôs sua cultura e seus interesses perante outras nações em nome da falsa liberdade, são o terceiro totalitarismo. 
   
A questão do conservadorismo 

A Quarta Teoria Politica é uma teoria que se encontra além das três teorias modernas por estar além da modernidade. Para superar o liberalismo ela propõe seguir além da modernidade e da pós-modernidade. Críticos da quarta teoria questionam como é possível um movimento revolucionário de caráter tradicionalista e conservador, assim Dugin lança a pergunta “o que é conservadorismo?”, desse questionamento, ele nos apresenta três tipos de conservadorismo: conservadorismo liberal, conservadorismo tradicional e o conservadorismo revolucionário.  

O primeiro conservadorismo, o de cunho liberal, é o conservadorismo daqueles que dizem “sim” às mudanças liberais e o avanço do mundo moderno unipolar, mas de uma forma desacelerada. O conservador liberal acredita nos preceitos liberais da modernidade, mas para os preceitos da pós-modernidade é um pouco cedo. Entretanto, ele não negará a pós-modernidade e seus danos, eles de qualquer forma ocorrerão. 

Os conservadores tradicionais são aqueles que negam completamente a modernidade e a pós-modernidade, não apenas suas teorias e caráter liberal, mas tudo vivido nela. O conservador tradicional deseja voltar ao mundo tradicional, antes do moderno.  É o conservadorismo retrógado, e perigoso, não apenas pelo simples fato de negar a ciência, a filosofia, os avanços do tempo, ele pretende voltar a um mundo aonde começava a doença do liberalismo, é viver o problema todo de novo. 

O terceiro conservadorismo, o Conservadorismo Revolucionário é aquele que mais chega perto a Quarta Teoria Politica. Os conversadores revolucionários são aqueles que negam os preceitos liberais do mundo moderno, mas também negam um retrocesso, sabem da necessidade de seguir além, logo não nega a modernidade por completo, como a ciência e seus avanços. O conservadorismo revolucionário é crítico ao fascismo, ideólogos como Julius Evola já fizeram obras criticando o sistema, além de terem participado de movimentos antifascistas. O que o caracteriza como conservadorismo é sua defesa das identidades nacionais, culturais e morais dos diversos povos, algo que se encaixaria na visão multipolar. 

A Quarta Teoria é conservadora por defender que as nações devem proteger seus valores e identidade culturais e nacionais. É importante notar quando se diz nacional e não patriota, aonde não necessariamente temos casos de identidade cultural ou nacional de um povo, exemplo de países sem identidade formada como Panamá e nações sem país como a Catalunha. Em um mundo multipolar os diferentes pólos de influencia se relacionariam, mas manteriam suas identidades, seus valores e leis, como disse Dugin “Se trabalharmos juntos, afirmando fortemente nossas diferentes identidades, seremos capazes de encontrar um mundo equilibrado, justo e melhor, um Grande Mundo em que qualquer digna cultura, sociedade, fé, tradição e criatividade humana encontrarão seu próprio e merecido lugar”.

22/11/2015

Stephen Lendman - "A Verdadeira História do Clube Bilderberg" e o que eles podem estar planejando agora

por Stephen Lendman



Por mais de 14 anos, Daniel Estulin tem investigado e pesquisado a ampla influência do Clube Bilderberg sobre negócios e finanças, política global, guerra e paz, e o controle dos recursos globais e seu dinheiro.

Seu livro, "A Verdadeira História do Clube Bilderberg", foi publicado em 2005 e foi atualizado em uma edição de 2009. Ele afirma que em 1954, "os homens mais poderosos do mundo se encontraram pela primeira vez" em Oosterbeek, Holanda, "debateram o futuro do mundo", e decidiram se encontrar anualmente em segredo. Eles se chamaram Clube Bilderberg com uma lista de membros representando um "quem é quem" das elites globais, principalmente da América, Canadá e Europa Ocidental com nomes familiares como David Rockefeller, Henry Kissinger, Bill Clinton, Gordon Brown, Angela Merkel, Alan Greenspan, Ben Bernanke, Larry Summers, Tim Geithner, Lloyd Blankfein, George Soros, Donald Rumsfeld, Rupert Murdoch, outros chefes de Estado, senadores influentes, congressistas e parlamentares, oficiais do Pentágono e da OTAN, membros da realeza europeia, figuras seletas da mídia, e outros convidados - alguns discretamente, segundo relatos, como Barack Obama e muitos de seus principais burocratas.

Sempre bem representadas estão figuras centrais do Conselho de Relações Exteriores, do FMI, do Banco Mundial, da Comissão Trilateral, da União Europeia, e poderosos banqueiros centrais da Reserva Federal, Jean Claude Trichet do Banco Central Europeu, e Mervyn King do Banco da Inglaterra.

Por mais de meio século, nenhuma agenda ou tópico de discussão se tornou público, nem qualquer cobertura de mídia foi permitida. Os poucos convidados do Quarto Estado e seus chefes juram manter segredo. Não obstante, Estulin ingressou em uma "jornada investigativa" que se tornou a obra de sua vida. Ele afirma:

"Lentamente, uma por uma, eu penetrei nas camadas de segredo que cercam o Clube Bilderberg, mas eu não poderia ter feito isso sem a ajuda de 'objetores de consciência' de dentro, bem como de fora, da lista de membros do Clube". Como resultado, ele mantém seus nomes em segredo.

Qualquer fosse sua missão inicial, o Clube é agora um "governo mundial nas sombras...ameaçando tomar nosso direito de dirigir nossos destinos, criando uma realidade perturbadora", fundamentalmente danosa para o bem-estar público. Em resumo, os bilderbergers querem suplantar a soberania nacional individual com um governo global onipotente, controlado por corporações e mantido no lugar pela imposição militar.

"Imagine um clube privado em que presidentes, primeiro-ministros, banqueiros internacionais e generais sentam lado a lado, onde chaperones monárquicos cheios de graça garantem que todos se deem bem, e onde as pessoas que controlam as guerras, os mercados, e a Europa (e a América) dizem o que jamais ousariam falar em público".

Cedo em sua história, os bilderbergers decidiram "criar uma 'aristocracia de propósito' entre a Europa e os EUA para atingir consenso para governar o mundo em questões de política, economia, e estratégia". A OTAN foi essencial para seus planos - para garantir "guerra perpétua e chantagem nuclear" a serem usadas conforme necessário. Então prosseguem ao saque do planeta, alcançam riqueza e poder fabulosos e esmagam toda oposição para mantê-los.

Junto à dominação militar, controlar o dinheiro do mundo é crucial porque com isso vem o controle absoluto como a poderosa família Rothschild entendeu no século XIX. Como disse o patriarca Amschel Rothschild uma vez: "Dê-me o controle do dinheiro de uma nação e eu não me importo com quem faz suas leis".

Os bilderbergers compõem o clube mais exclusivo do mundo. Ninguém consegue comprar ingresso. Apenas o Comitê Diretor do grupo decide quem convidar, e em todos os casos os participantes são aderentes à governança unipolar das elites.

Segundo as regras do Comitê Diretor:

"os convidados devem vir sozinhos; sem esposas, namoradas, maridos ou namorados. Assistentes pessoais (significando seguranças, guarda-costas, protetores da CIA ou de outros serviços secretos) não podem participar da conferência e devem comer em um salão separado. Os convidados estão explicitamente proibidos de dar entrevistas e jornalistas ou divulgar qualquer coisa que ocorrer nos encontros.

Os governos-sede fornecerão segurança geral para manter os penetras longe. 1/3 dos convidados são figuras políticas. Os outros são da indústria, finanças, academia, trabalho e comunicações.

O procedimento dos encontros segue as Regras da Chatham House deixando os convidados livres para que expressem suas opiniões em uma atmosfera relaxada, sabendo que nada dito será citado ou revelado ao público. Os encontros são sempre francos, mas não concluem sempre em consensos".

A participação consiste em convidados anuais (por volta de 80 dos mais poderosos do mundo) e outros convidados apenas ocasionalmente por causa de seu conhecimento ou envolvimento em tópicos relevantes. Aqueles mais valorizados são convidados novamente, e alguns marinheiros de primeira viagem são escolhidos por sua possível utilidade posterior.

O governador do Arkansas Bill Clinton, por exemplo, que participou em 1991. "Ali, David Rockefeller lhe disse porque a NAFTA era uma prioridade do Bilderberg e que o grupo precisava que ele desse apoio. No ano seguinte, Clinton foi eleito presidente", e em janeiro de 1994 a NAFTA entrou em vigor. Vários outros exemplos são similares, incluindo quem é selecionado para posições de governo, militares e outras centrais.

Objetivos do Bilderberg

O grande projeto do Clube é o de "Um Governo Mundial (Corporação Mundial) com um único mercado global, policiado por um único exército mundial, e financeiramente regulado por um único Banco Mundial, usando uma moeda global". Sua "lista de desejos" inclui:

- "Uma única identidade internacional observando um único conjunto de valores";

- Controle centralizado de populações mundiais através de "controle mental"; em outras palavras, controlar a opinião pública mundial;

- Uma Nova Ordem Mundial sem classe média, apenas "governantes e servos", e, é claro, sem democracia;

- "Uma sociedade de crescimento zero" sem prosperidade ou progresso, apenas mais riquezas e poder para os governantes;

- Crises manufaturadas e guerras perpétuas;

- Controle absoluto da educação para programar a mente pública e treinar os escolhidos para vários papeis;

- "Controle centralizado de toda política doméstica e externa"; um único "tamanho de sapato" para todos;

- Usar a ONU como governo mundial de facto impondo uma taxa da ONU sobre os "cidadãos globais";

- Expandir a NAFTA e a OMC globalmente;

- Tornar a OTAN um exército mundial;

- Impor um sistema jurídico universal; e

- "Um Estado de Bem-Estar Social global no qual escravos obedientes serão recompensados e inconformistas serão alvo de extermínio".

Parceiros Secretos do Bilderberg

Nos EUA, o Conselho de Relações Exteriores é dominante. Um de seus fundadores em 1921, Edward Mandell House, era conselheiro-chefe de Woodrow Wilson e dizia-se à época que ele era o real governante de 1913 a 1921. Sob seus olhos o Ato da Reserva Federal foi aprovado em dezembro de 1913, dando aos banqueiros o poder de criação de dinheiro, e a 16ª Emenda foi ratificada em fevereiro criando o imposto de renda federal para fornecer uma fonte de renda para pagar pela dívida governamental.

Desde seu início, o Conselho de Relações Exteriores tem estado comprometido com "um governo mundial baseado em um sistema financeiro global...". Hoje, o CRE possui milhares de membros influentes (incluindo membros na mídia corporativa), mas mantém um perfil público discreto, especialmente em relação a sua verdadeira agenda.

O historiador Arthur Schlesinger Jr. o chamou de "organização de fachada para o coração do Establishment Americano". Ele se reúne em privado e só publica o que deseja que o público saiba. Seus membros são exclusivamente americanos. 

A Comissão Trilateral (discutida abaixo) é um grupo similar que "reúne mediadores globais". Fundada por David Rockefeller, ele também é um importante bilderberger e Presidente Emérito do CRE, organizações que ele continuar a financiar e apoiar.

Seus membros passados atuais refletem seu poder:

- quase todos os candidatos presidenciais de ambos os partidos;

- importantes senadores e congressistas;

- membros importantes do Quarto Estado e seus chefes; e

- oficiais de alto escalão do FBI, CIA, NSA, da defesa e de outras agências governamentais, incluindo estado, comércio, judiciário e tesouro.

De sua parte, "o CFR tem servido como agência de emprego para o governo federal tanto sob democratas quanto sob republicanos". Quem quer que ocupe a Casa Branca, "o poder e agenda do CFR" permanecem imutáveis desde sua fundação em 1921.

Ele defende um Superestado global com a América e outras nações sacrificando sua soberania em prol de um poder central. O fundador do CRE Paul Warburg foi um membro do "truste cerebral" de Roosevelt. Em 1950, seu filho, James, disse ao Comitê de Relações Exteriores do Senado: "Nós teremos um governo mundial, quer vocês queiram ou não - por conquista ou consenso".

Depois, no encontro do Clube Bilderberg em 1992, Henry Kissinger disse:

"Hoje, americanos ficariam ultrajados se tropas da ONU entrassem em Los Angeles para restaurar a ordem; amanhã, eles ficarão agradecidos. Isto é especialmente verdadeiro se lhes fosse dito que havia uma ameaça externa, fosse real ou promulgada, que ameaçasse nossa própria existência. É então que todos os povos do mundo implorarão aos líderes mundiais para que eles os livrem dessa mal...direitos individuais serão voluntariamente entregues em troca da garantia de seu bem-estar oferecida por seu governo mundial".

O CRE planejava uma Nova Ordem Mundial antes de 1942, e "a ONU começou com um grupo de membros do CRE chamado de Grupo da Agenda Informal". Eles rascunharam a proposta original da ONU, a apresentaram a Franklin Roosevelt que então a anunciou publicamente no dia seguinte. Quando de sua fundação em 1945, membros do CRE compunham mais de 40 dos delegados dos EUA.

Segundo o professor G. William Domhoff, autor de Quem Governa a América, o CRE opera em "grupos pequenos de aproximadamente 25, que reúnem líderes das seis categorias conspiratórias (industrialistas, financistas, ideólogos, militares, especialistas profissionais - advogados, médicos, etc. - e trabalho organizado) para discussões detalhadas de tópicos específicos na área das relações exteriores". Domhoff acrescentou:

"O Conselho de Relações Exteriores, ainda que não financiado pelo governo, trabalha tão próximo dele que é difícil distinguir ações do Conselho estimuladas pelo governo de ações autônomas. Suas fontes de renda mais importantes são as maiores corporações e fundações". As Fundações Rockefeller, Carnegie e Ford, só para nomear três, e elas são dirigidas por membros fundamentais.

Parceiros Midiáticos Dominantes

O ex-presidente da CBS Richard Salant (1961-64 e 1966-79) explicou o papel central da mídia: "Nosso trabalho é dar às pessoas não o que elas querem, mas o que decidimos que elas devem querer".

A CBS e outros gigantes midiáticos controlam tudo que vemos, ouvimos e lemos - através da TV, rádio, jornais, revistas, livros, filmes e grandes porções da internet. Seus principais funcionários e alguns jornalistas frequentam reuniões do Bilderberg - com a condição de não reportarem nada.

A família Rockefeller exerce enorme poder, ainda que seu patriarca reinante, David, vá fazer 94 anos em 12 de junho e esteja certamente perto do fim de sua dominância. Porém, por anos "os Rockefellers (liderados por David) adquiriram grande influência sobre a mídia. Com ela, a família adquiriu controle sobre a opinião pública. Com o pulso da opinião pública, eles adquiriram profunda influência sobre a política. E com esta política de corrupção sutil, eles estão assumindo o controle da nação" e agora objetivam dominação mundial total.

O esquema Bilderberger-Rockefeller é tornar suas perspectivas "tão atraentes (camuflando-as) que elas se tornam política pública e podem pressionar líderes mundiais para que se submetam 'às necessidades dos Mestres do Universo'." A "imprensa do mundo livre" é seu instrumento para disseminar "propaganda previamente combinada".

Controle do Gabinete do CRE

"O Ato de Segurança Nacional de 1947 estabeleceu o ofício de Secretário de Defesa". Desde então, 14 Secretários do Departamento da Defesa foram membros do CRE.

Desde 1940, cada Secretário de Estado, com exceção de James Byrnes, foi membro do CRE e/ou da Comissão Trilateral.

Pelos últimos 80 anos, "virtualmente todo conselheiro importante de Segurança Nacional ou das Relações Exteriores foi um membro do CRE".

Quase todos os generais e almirantes de mais alta patente tem sido membros do CRE.

Muitos candidatos presidenciais foram/são membros do CRE, incluindo Herbert Hoover, Adlai Stevenson, Dwight Eisenhower, John Kennedy, Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter (também membro da CT), George H.W. Bush, Bill Clinton, John Kerry e John McCain.

Inúmeros diretores da CIA foram/são membros do CRE, incluindo Richard Helmes, James Schlesinger, William Casey, William Webster, Robert Gates, James Woolsey, John Deutsch, George Tenet, Porter Goss, Michael Hayden e Leon Panetta.

Muitos Secretários do Tesouro foram/são membros do CRE, incluindo Douglas Dillon, George Schultz, William Simon, James Baker, Nicholas Brady, Lloyd Bentsen, Robert Rubin, Henry Paulson e Tim Geithner.

Quando presidentes nomeiam candidatos à Suprema Corte, o "Grupo Especial, Time Secreto" do CRE ou seus conselheiros os avaliam por sua aceitabilidade. Os presidentes, na verdade, são orientados sobre quem indicar, incluindo candidatos à Suprema Corte e da maioria dos tribunais inferiores.

Programando a Mente Pública

Segundo o sociólogo Hadley Cantril em seu livro de 1967, A Dimensão Humana - Experiências em Pesquisa de Política:

"Operações psicopolíticas são campanhas de propaganda construídas para criar tensão perpétua e manipular diferentes grupos de pessoa para aceitar o clima particular de opinião que o CRE busca atingir no mundo".

O escritor canadense Ken Adachi (1929-1989) acrescentou:

"O que a maioria dos americanos crê ser 'opinião pública' é na realidade propaganda cuidadosamente desenhada e redigida para gerar uma resposta comportamental desejada do público".

E o notório acadêmico e ativista australiano Alex Carey (1922-1988) explicou os três desenvolvimentos mais importantes do século XX - "O crescimento da democracia, o crescimento do poder corporativo e o crescimento da propaganda corporativa como meio de proteger o poder corporativo contra a democracia".

Teia de Controle

Inúmeros think-tanks, fundações, grandes mídias e outras organizações importantes são geridos por membros do CRE. A maioria de seus membros vitalícios também pertence ao TC e ao Clube Bilderberg, operam secretamente, e manejam poder enorme sobre questões globais e americanas.

A Comissão Trilateral foi fundada pelos Rockefeller.

Na página 405 de suas memórias, David Rockefeller escreve:

"Alguns até mesmo acreditam que somos parte de uma cabala secreta trabalhando contra os melhores interesses dos EUA, caracterizando minha família e eu como 'internacionalistas' e conspirando com outros ao redor do mundo para construir uma estrutura econômica e política global integrada - um único mundo, digamos assim. Se esta é a acusação, eu sou culpado, e tenho orgulho disso".

Em aliança com o Bilderberg, a CT também "desempenha um papel vital no esquema da Nova Ordem Mundial de usar a riqueza, concentrada nas mãos de poucos, para exercer controle mundial". Membros do CT partilham de opiniões em comum e todas elas estão ligadas a dominação global incontestável.

Fundada em 1973 e sediada em Washington, seus poderesos membros americanos, europeus e asiáticos buscam seu objetivo operativo fundacional - uma "Nova Ordem Econômica Internacional", agora simplesmente uma "Nova Ordem Mundial" governada por elites globais dessas três partes do mundo com membros menores admitidos de outros países.

Segundo o sítio virtual da CT, "cada grupo regional possui um presidente e vice-presidente, que juntos constituem a liderança do Comitê. O Comitê Executivo reúne mais 36 indivíduos dentre os membros", proporcionalmente representando os EUA, a UE e a Ásia em seus primeiros anos, agora ampliado em uma direção global.

Membros do Comitê se encontram várias vezes anualmente para discutir e coordenar seu trabalho. O Comitê Executivo seleciona membros, e a qualquer dado momento 350 deles para um período renovável de três anos. Todo mundo é alguém com conhecimento profundo em negócios, finanças, política, questões militares, ou mídia, incluindo ex-presidentes, secretários de estado, banqueiros internacionais, executivos de think-tanks e fundações, presidentes de universidades e acadêmicos selecionados, bem como ex-senadores e congressistas, entre outros.

Apesar de seus relatórios anuais estarem disponíveis para compra, seus trabalhos internos, objetivos atuais, e operações são secretas - com boa razão. Seus objetivos prejudicam o público, portanto não devem ser revelados. O autor de Trilaterais sobre Washington Antony Sutton escreveu:

"este grupo de cidadãos privados está precisamente organizado de uma maneira que garante que suas perspectivas coletivas tenham impacto significativo sobre a política pública".

Em seu livro, Trilateralismo: A Comissão Trilateral e o Planejamento da Elite para o Gerenciamento Global, Holly Sklar escreveu:

"Figuras poderosas na América, Europa e Ásia permitem que os ricos salvaguardem os interesses do capitalismo ocidental em um mundo explosivo - provavelmente desencorajando o protecionismo, o nacionalismo ou qualquer resposta que coloquem as elites de um país contra as elites de outro, em sua busca comum por domínio global".

O trilateralista Zbigniew Brzezinski (cofundador da CT) escreveu em seu Entre Duas Eras - O Papel da América na Era Tecnocrática:

"pessoas, governos e economias de todas as nações devem servir às necessidades de bancos e corporações multinacionais. A Constituição é inadequada...o velho esquema da política internacional, com suas esferas de influência...a ficção da soberania...claramente não são mais compatíveis com a realidade..."

A CT hoje agora é global, com membros de países tão diversos quanto Argentina, Ucrânia, Israel, Jordânia, Brasil, Turquia, China e Rússia. Em seu Trilaterais Sobre a América, Antony Sutton acredita que o objetivo da CT é colaborar com os bilderbergers e o CRE para "estabelecer objetivos de política pública a serem implementados pelos governos ao redor do mundo". Ele acrescentou que "trilateralistas tem rejeitado a Constituição americana e o processo político democrático". Na verdade, a CT foi estabelecida para responder a uma "crise na democracia" - cujos excessos tinham que ser contidos.

Um relatório oficial da CT estava temeroso sobre "a crescente participação e controle populares sobre instituições sociais, políticas e econômicas estabelecidas e especialmente uma reação contra a concentração de poder do Congresso e do governo local".

Para lidar com isso, o controle midiático era essencial para exercer "contenção do que jornais (e TV e rádio) poderiam publicar". Então, segundo Richard Gardner na edição de julho de 1974 da revista Foreign Affairs (publicação do CRE):

A liderança do CRE deve promover "um esgotamento da soberania nacional, dilapidando-a pedaço por pedaço", até que a própria noção desapareça do discurso público.

O sucesso bilderberger/trilateralista/CRE depende de encontrar "uma maneira de nos fazer render nossas liberdades em nome de alguma ameaça ou crise comum. As fundações instituições educacionais e think-tanks de pesquisa apoiados por essas organizações obrigam financiando supostos 'estudos' que são então usados para justificar cada excesso. As desculpas variam, mas o alvo sempre é a liberdade individual. Nossa liberdade" e muito mais.

Bilderbergers, trilateralistas e membros do CRE querem "um monopólio abrangente" - sobre o governo, o dinheiro, a indústria e a propriedade, que seja "auto-perpetuante e eterno". Em Confissões de um Monopolista (1906), Frederick C. Howe explicou seus trabalhos na prática:

"As regras do grande negócio: consiga um monopólio; deixe a Sociedade trabalhar por você. Enquanto continuarmos vendo revolucionários internacionais e todos os capitalistas internacionais como inimigos implacáveis um do outro, então olvidaremos um ponto crucial...uma parceria entre o capitalismo monopolista internacional e o socialismo revolucionário internacional é para seu benefício mútuo".

No Arquivo Rockefeller, Gary Allen escreveu:

"Ao fim do século XIX, os santuários internos de Wall Street compreendiam que a maneira mais eficiente de adquirir um monopólio era dizer que isso era para o 'bem público' e 'interesse público'."

David Rockefeller aprendeu o mesmo de seu pai, John D. Jr., que aprendeu de seu pai, John D. Sr. Eles odiavam competição e impiedosamente labutaram para eliminá-la - para David em uma escala global através de uma Nova Ordem Mundial.

Nos anos 70 e 80, trilateralistas e membros do CRE colaboraram no "Projeto 1980", a maior iniciativa do CRE a mover eventos globais "rumo a um resultado futuro desejável em particular envolvendo a total desintegração da economia". Por quê? Essa é a pergunta.

Porque por volta das décadas de 50 e 60, crescimento industrial global significava mais competição. Era também um modelo a ser seguido, e "tinha que ser estrangulado no berço" ou pelo menos contido. Na América também, a partir dos anos 80. O resultado foi uma transferência de renda dos pobres para os ricos, o encolhimento da classe média e um plano para sua eventual extinção.

A União Norte-Americana (UNA)

A ideia emergiu durante a administração Reagan no início dos anos 80. David Rockefeller, George Schultz e Paul Volker disseram ao presidente que Canadá e EUA poderiam ser fundidos economicamente e politicamente ao longo dos próximos 15 anos exceto por um problema - o Quebec francófono. Sua solução - eleger um Primeiro-Ministro bilderberger, separar o Quebec das outras províncias, e então tornar o Canadá o 51º estado americano. Quase funcionou, mas deu errado quando um referendo de 1995 sobre secessão foi derrotado - 50.56% a 49.44%, mas não a ideia de fusão.

Em um encontro em 23 de março de 2005, em Waco, Texas, na qual compareceram George Bush, o presidente mexicano Vincente Fox e Paul Martin do Canadá, a Parceria de Prosperidade e Segurança (PPS) foi lançada, também conhecida como União Norte-Americana (UNA). Era um acordo secreto para uma Força-Tarefa Independente da América do Norte - um grupo organizado pelo Conselho Canadense de Executivos, pelo Conselho Mexicano de Relações Exteriores e pelo CRE com os seguintes objetivos:

* Contornar os legislativos dos três países e suas Constituições;
* Suprimir conhecimento ou consideração públicas; e
* Propor uma maior integração política, econômica, social e de segurança americana, canadense e mexicana com grupos secretos de trabalho formados para desenvolver acordos não-debatíveis e não-votados para que sejam imodificáveis e cogentes.

Em resumo, um golpe de Estado corporativo contra a soberania de três países imposto por uma militarização linha-dura para suprimir a oposição.

Caso aprovada, isso criará uma América do Norte sem fronteiras, controlada por corporações, sem barreiras para comércio ou fluxo de capital para os gigantes do mercado, principalmente americanos e muito mais - o acesso americano a recursos vitais, especialmente petróleo e à água potável canadense.

Secretamente, mais de 300 iniciativas da PPS foram construídas para harmonizar as políticas do continente sobre energia, alimentação, drogas, segurança, imigração, manufatura, meio ambiente, e saúde pública, além de militarizar as três nações para garantir a imposição.

A PPS representa outro passo rumo ao objetivo bilderberger/trilateralista/CRE para um Governo Mundial, dando um passo de cada vez. Uma "Europa Unida" era outro, resultado de vários tratados e acordos econômicos:

* A Comunidade Europeia de Aço e Carvão de dezembro de 1951, entre seis nações;
* O Tratado de Roma estabelecendo a Comunidade Econômica Europeia de março de 1957, entre seis nações;
* Também a Comissão Europeia de Energia Atômica por um segundo Tratado de Roma;
* A Corte de Justiça Europeia de outubro de 1957 para resolver disputas comerciais regionais;
* A Associação Europeia de Livre-Comércio de maio de 1960;
* A Comunidade Econômica Europeia de julho de 1967, fundindo as organizações anteriores em uma única organização;
* A União Alfandegária Europeia para abolir alfândegas e estabelecer taxas de importação uniformes entre países da CEE;
* A Unidade Monetária Europeia de 1978;
* O Ato Europeu Singular, de fevereiro de 1986, que revisou o Tratado de Roma, estabelecendo o objetivo de formar um Mercado Comum até 31 de dezembro de 1992;
* O Tratado de Maastricht de fevereiro de 1992, criando a União Europeia em 1 de novembro de 1993; e
* O nome "euro" foi adotado em dezembro de 1995; foi introduzido em janeiro de 1999, substituindo a Unidade Monetária Europeia; euros começaram a circular em janeiro de 2002; eles agoram são a moeda oficial em 16 dos 27 países da UE.

Por mais de meio século, os passos acima custaram aos membros da UE sua soberania "na medida em que de 70 a 80% das leis aprovadas na Europa envolvem apenas carimbar regulamentos já redigidos por burocratas anônimos em 'grupos de trabalho' em Bruxelas ou Luxemburgo".

A UE e a UNA partilham de características em comum:

* Defesa por um porta-voz influente;
* Uma união econômica e, depois, política;
* Segurança linha-dura, e para a Europa, pôr fim a guerras no continente entre países-membros;
* O estabelecimento de uma consciência coletiva para substituir o nacionalismo;
* A dissolução de fronteiras e a criação de um "supragoverno"; um Super-Estado;
* Arranjos secretos para mascarar objetivos reais; e
* A criação de uma moeda comum, eventualmente global;

Passos para uma União Norte-Americana:

* O Acordo de Livre-Comércio de 4 de outubro de 1988 entre EUA e Canadá, finalizado no ano anterior;
* O Encontro Bilderberg de 1991, quando David Rockefeller conseguiu o apoio do governador Bill Clinton para a NAFTA se ele se tornasse presidente;
* Aprovação da legislação da OMC pelo Congresso em 1 de janeiro de 1994, sem debate;
* Na primeira Cúpula das Américas em dezembro de 1994, 34 líderes hemisféricos comprometeram suas nações com um Acordo de Livre-Comércio das Américas até 2005 - até agora não realizado;
* Em 4 de julho de 2000, o presidente mexicano Vincente Fox pediu um mercado comum norte-americano em até 20 anos;
* Em fevereiro de 2001, a Casa Branca publicou uma declaração conjunta de George Bush e Vincente Fox chamada "Proposta Guanajuato"; ela pedia uma parceria de coprosperidade entre EUA, Canadá e México (ou seja, União Norte-Americana);
* Em setembro de 2001, Bush e Fox concordaram com uma "Iniciativa de Parceria para a Prosperidade;
* O ataque de 11 de setembro de 2001 deu cobertura para incluir "segurança" como parte de uma futura parceria;
* Em 7 de outubro de 2001, um encontro do CRE ressaltou "O Futuro da Integração Norte-Americana Após os Ataques Terroristas"; pela primeira vez, "segurança" se tornou parte de uma "parceria para prosperidade" no futuro; também, o Canadá seria incluído em um acordo "norte-americano";
* Em 2002, o Fórum Norte-Americano sobre Integração foi estabelecido em Montreal "para discutir as questões levantadas pela integração norte-americana, bem como identificar novas ideias e estratégias para reforçar a região norte-americana";
* Em janeiro de 2003, o Conselho Canadense de Executivos (composto pelos  150 maiores CEOs) lançou a "Iniciativa de Prosperidade e Segurança Norte-Americana" pedindo integração continental;
* Em abril de 2004, o primeiro-ministro canadense Paul Martin anunciou a primeira política de segurança nacional do país, chamada "Garantir uma Sociedade Aberta";
* Em 15 de outubro de 2004, o CRE estabeleceu uma Força-Tarefa Independente sobre o Futuro da América do Norte - para uma união continental futura;
* Em março de 2005, um relatório do CRE chamado Criando uma Comunidade Norte-Americana pediu integração continental até 2010 "para garantir prosperidade e oportunidade para todos os norte-americanos"; e
* Em 23 de março de 2005, em Waco, Texas, os líderes dos EUA, Canadá e México lançaram a Parceria de Prosperidade e Segurança - também conhecida como União Norte-Americana.

Negociações secretas continuam. O debate legislativo é excluído, e a inclusão e debate públicos estão fora da questão. Em maio de 2005, a Força-Tarefa Independente Sobre o Futuro da América do Norte publicou um relatório de acompanhamento intitulado Construindo uma Comunidade Norte-Americana - propondo uma união de três nações sem fronteiras até 2010.

Em junho e julho de 2005, na República Dominicana - Acordo de Livre Comércio da América Central passou no Senado e na Câmara, que estabelece as regras de comércio aprovados pelas corporações para empobrecer ainda mais a região e avançar mais um passo para a integração continental.

Em março de 2006, o Conselho de Competitividade da América do Norte (NACC) foi criado na Segunda Cúpula da PPS em Cancun, México. Composto pelos 30 maiores CEOs norte-americanos, ele serve como um grupo de trabalho trilateral oficial SPP.

Reuniões governamentais e empresariais secretos continuam, por isso não há maneira de confirmar o status atual da PPS ou se Barack Obama está continuando perfeitamente a agenda de George Bush. Em um artigo anterior, este escritor disse:

Os esforços da PPS pausaram durante a transição de Bush a Obama, mas os planos de "integração profunda" permanecem. O Instituto Fraser do Canadá propôs mudar o nome da iniciativa para Área Regulatória e de Padrões da América do Norte para disfarçar sua verdadeira finalidade. Ele disse que a "marca PPS" é manchada por isso o re-branding é essencial - para enganar o público até que seja tarde demais para que importe.

Os líderes bilderbergers, trilateralistas e do CRE dão apoia como mais um passo em direção à integração global e não vão "parar até que o mundo inteiro está unificado sob os auspícios e o guarda-chuva político de uma Uma Única Corporação, um mundo sem fronteiras de pesadelo comandado pela camarilha mais poderosa do mundo "- composta por membros-chave elitistas dessas organizações dominantes.

Em abril de 2007, o Conselho Econômico Transatlântico foi estabelecido entre a América e a União Europeia para:

* Criar um "órgão governamental internacional oficial" - por decreto executivo;

* Harmonizar os objetivos econômicos e regulamentares;

* Avançar em direção a um mercado comum transatlântico; e

* Dar mais um passo para um Governo Mundial dirigido pelos interesses corporativos mais poderosos do mundo.

Insights sobre a reunião de 2009 do Grupo Bilderberg

De 14 a 17 de maio bilderbergers realizaram a sua reunião anual em Vouliagmeni, Grécia, e de acordo com Daniel Estulin tem planos terríveis para as economias globais.

De acordo com suas fontes pré-reuniões, eles estão divididos em duas alternativas:

"Ou uma prolongada e angustiante depressão econômica que condene o mundo a décadas de estagnação, declínio e pobreza (ou) uma intensa mas mais curta depressão que abra o caminho para uma nova ordem mundial sustentável, com menos soberania, mas mais eficiência."

Outros itens da agenda incluíram:

- "O futuro do dólar norte-americano e da economia dos EUA;"

- Continuar a mentir sobre sinais de fim da recessão e recuperação econômica;

- Suprimir o fato de que os testes de estresse dos bancos foram uma farsa e foram projetados para enganar, não uma avaliação precisa da saúde dos bancos principais;

- Projetar o desemprego nos Estados Unidos como atingindo 14% no final do ano - muito acima de previsões atuais, o que significa que o verdadeiro número será o dobro, no mínimo, com todas as categorias incontáveis ​​incluídos; e

- Um impulso final para conseguir que o Tratado de Lisboa seja aprovado, para uma adoção pan-europeia de regras neoliberais, incluindo maiores privatizações, menos direitos dos trabalhadores e benefícios sociais, comércio de fronteira aberta favorecendo Estados desenvolvidos acima dos emergentes, e uma maior militarização para suprimir liberdades civis e direitos humanos.

Após o encontro, Estulin conseguiu um relatório de 73 páginas sobre o que foi discutido. Ele observou que "Uma das principais preocupações do Bilderberg...é o perigo de que seu zelo para mudar o mundo engendrando caos (em direção) a sua agenda a longo prazo pode fazer com que a situação espirale para fora de controle e, eventualmente, levar a um cenário onde o Bilderberg e a elite global em geral fiquem sobrecarregadas por eventos e acabem perdendo seu controle sobre o planeta."

Estulin também observou algumas divergências consideráveis ​​entre a "linha dura" que quer um "declínio dramático e uma grave depressão, de curto prazo contra outros que pensam que as coisas foram longe demais" para que "a precipitação da cataclismo econômico global" não pode ser sabida previamente, pode ser maior do que o previsto, e pode prejudicar os interesses bilderbergers. Além disso, "alguns banqueiros europeus expressaram grande alarme sobre seu próprio destino e chamaram a atitude em questão de 'insustentável'".

Houve uma combinação de acordo e medo de que a situação continua dramática e que o pior da crise está pela frente, principalmente por causa do nível de endividamento extremo da América que deve ser resolvido para produzir uma recuperação sustentável saudável.

Tópicos também incluiu:

- A criação de um Departamento do Tesouro Mundial e o Banco Central Global, possivelmente em parceria com ou como parte do FMI;

- Uma moeda global;

- Destruição do dólar através do que o analista de longa data do mercado Bob Chapman chama de "um default furtivo da dívida americana, pela continuação de emissões de enormes quantidades de dinheiro e de crédito e no processo desvalorização do dólar", um processo que ele chama de "fraude";

- Um sistema jurídico global;

- Explorar o susto da gripe suína para criar um departamento global da OMS; e

- O objetivo geral de um governo global e o fim da soberania nacional.

No passado, fontes de Estulin se provaram exatas. Anteriormente, ele previu a crise imobiliária e o declínio do mercado financeiro de 2007-2008, precedido pelo tipo de crise financeira desencadeada pelo colapso do Lehman Brothers. Fique atento para mais atualizações dele conforme novas informações vaza sobre o que as elites do poder do mundo tem planejado enquanto avançam.