17/12/2013

Richard Wolin - Carl Schmitt: O Hábito Conservador Revolucionário e a Estética do Horror

por Richard Wolin



"A polêmica discussão de Carl Schmitt sobre o Romantismo político oculta as oscilações estetizadores de seu próprio pensamento político. Nesse sentido, também, uma similaridade de espírito com a intelligentsia fascista se revela" - Jürgen Habermas, "Os Horrores da Autonomia: Carl Schmitt em Inglês".

"O ápice da grande política é o momento em que o inimigo vem à vista na clareza concreta como o inimigo" - Carl Schmitt, "O Conceito do Político".

Apenas meses após a ascensão de Hitler ao poder, o eminentemente citável filósofo político e jurista Carl Schmitt, na obra ominosamente intitulada, Staat, Bewegung, Volk, lançou mão de um de seus ditos mais populares. Em 30 de janeiro de 1933, observa Schmitt, "pode-se dizer que 'Hegel está morto'". Na vasta literatura sobre o papel de Schmitt na conquista Nacional-Socialista do poder, pode-se encontrar muitos comentários sobre essa afirmação, que de fato diz muito. Mas tenhamos certeza de início de capturar o sentido de Schmitt, pois ele rapidamente nos lembra o que ele não quer dizer com esse pronunciamento: ele não pretende impugnar a consagrada tradição do étatisme alemão, isto é, da "Filosofia de Estado" alemã, em meio a qual Schmitt gostaria de enumerar suas próprias contribuições aos anais do pensamento político. Ao invés, é Hegel enquanto filósofo da "classe burocrática" ou Beamtenstaat que foi definitivamente ultrapassado com o triunfo de Hitler. Pois a "burocracia" (cf. a caracterização de Max Weber da "dominação burocrático-legal") é, segundo sua essência, uma forma burguesa de governo. Enquanto tal, essa classe de funcionários públicos - que Hegel na Rechtsphilosophie considera a "classe universal" - representa um fardo impermissível sobre a soberania da autoridade executiva. Para Schmitt, seu modo característico de funcionamento, que é baseado em regras e procedimentos que são fixos, pré-estabelecidos, calculáveis, a qualifica como a própria corporificação da normalidade burguesa - uma forma de vida que Schmitt buscava destruir e transcender em virtualmente tudo que ele pensou e escreveu durante a década de 20, pois a própria essência da conduta burocrática de negócios é a reverência pela norma, uma posição que não poderia existir em grande tensão com as doutrinas do próprio Carl Schmitt, que sabemos ser um filósofo do estado de emergência - do Auhsnamhezustand (literalmente, o "estado de exceção"). Assim, aos olhos de Schmitt, Hegel havia estabelecido um precedente ignominioso ao conceder a essa classe universal putativa uma posição de preeminência em seu pensamento político, na medida em que a primazia da burocracia tende a diminuir ou suplantar a prerrogativa da autoridade sobreana.

Mas por trás da crítica de Hegel e da afirmação provocativa de que a ascensão de Hitler coincidia com a morte metafórica de Hegel (uma afirmação, que ainda que verdadeira, deveria ter oferecido, a Schmitt, pouca causa para celebração) subjaz uma outra acusação, pois nas afirmações citadas, Hegel é simultaneamente percebido como defensor do Rechtsstaat, do "constitucionalismo" e do "princípio da legalidade". Portanto, na história do pensamento político alemão, as doutrinas desse filósofo extremamente alemão provam ser algo como um Cavalo de Tróia: elas representam uma avenida primária pela qual as formas burguesas de vida política alógenas infiltraram as tradições sadias e autóctones germânicas, que possui como um de seus traços uma rejeição do "constitucionalismo" e tudo que ele implica. O pensamento político de Hegel assim representa uma ameaça - e agora nós encontramos outros dos termos fundamentais de Schmitt da década de 20 - à homogeneidade alemã.

As observações contundentes de Schmitt relativas à relação entre Hegel e Hitler expressam a idéia de que uma tradição na vida cultural alemã - a tradição do idealismo alemão - chegou a um fim e um novo conjunto de princípios - baseado em efeito na categoria da homogeneidade völkisch (e tudo que isso implica para o futuro político da Alemanha - emergiu para tomar seu lugar. Ou, para expressar o mesmo pensamento em outros termos: uma tradição baseada no conceito de Vernuft ou "razão" cedeu lugar a um sistema político cuja nova raison d'être era o princípio de decisão autoritária - cuja corporificação consumada era o Führerprinzip, um dos pilares ideológicos do Estado pós-hegeliano. Certamente, a percepção de Schmitt permanece fonte de fascinação devido a sua presciência assombrosa: em uma afirmação de umas poucas palavras, ele consegue expressar a quintessência de uns 100 anos de desenvolvimento histórico alemão. Ao mesmo tempo, essa afirmação também permanece valiosa na medida em que serve como prisma pelo qual as andanças da própria biografia intelectual de Schmitt vem a um foco singular: ela representa uma declaração não ambígua de sua saciedade em relação aos experimentos alemães prévios com governo constitucional e com seu desejo por um Führerstaat em que as ambivalências do sistema parlamentar seriam abolidas de uma vez por todas. Acima de tudo, porém, sugere o quão prontamente Schmitt pessoalmente fez a transição de antagonista intelectual da democracia de Weimar a apoiador convicto da revolução Nacional-Socialista. Aqui está o que se pode chamar de paradoxo de Carl Schmitt: um homem que, nas palavras de Hannah Arendt, era um "nazista convicto", mas que "cujas engenhosas teorias sobre o fim da democracia e do governo legal ainda geram uma leitura impressionante".

O ponto focal de nossa investigação será o "hábito" (Bourdieu) intelectual distintivo que facilitou a transformação de Schmitt de respeitado jurista e acadêmico de Weimar a "jurista-mor do Terceiro Reich". Para compreender a base intelectual das visões políticas de Schmitt, é necessário apreciar suas afinidades eletivas com aquela geração de pensadores chamados conservadores revolucionários cuja visão-de-mundo foi tão decisiva em virar a maré da opinião pública contra a nascente República de Weimar. Como o teórico político Kurt Sontheimer notou: "Dificilmente seria questão controversa hoje que certas predisposições ideológicas no pensamento alemão em geral, mas particularmente no clima intelectual da República de Weimar, induziram um grande número dos eleitores alemães a considerar o movimento Nacional-Socialista como menos problemático do que ele demonstrou ser". E ainda que os Nacional-Socialistas e os conservadores revolucionários não concordassem em muitos pontos, seus respectivos planos para uma nova Alemanha eram suficientemente próximos para que uma comparação entre eles seja capaz de "lançar luz sobre a atmosfera intelectual na qual, quando o Nacional-Socialismo emergiu, ele podia ser visto como uma doutrina mais ou menos apresentável". Daí "o Nacional-Socialismo derivou lucro considerável de pensadores como Oswald Spengler, Arthur Moeller van de Bruck e Ernst Jünger", apesar de seu afastamento. Pode-se sem exageros categorizar esse movimento intelectual como protofascista, na medida em que seu efeito ideológico geral consistiu em fornecer um tipo de preparação ideológico-espiritual para o triunfo Nacional-Socialista.

O próprio Schmitt jamais foi um membro ativo do movimento conservador revolucionário, cujos representantes mais conhecidos - Spengler, Jünger e van den Bruck - foram nomeados por Sontheimer (ainda que se pudesse acrescentar Hans Zehrer e Othmar Spann). Seria justo dizer que as principais diferenças entre Schmitt esse grupo influente de intelectuais de direita similares a ele concernem mais uma questão de forma do que de substância: diferentemente de Schmitt, cujos escritos em sua maior parte apareceram em publicações acadêmicas e profissionais, os conservadores revolucionários foram, todos eles, não-acadêmicos que fizeram nomes para si mesmos como Publizisten - isto é, como escritores políticos naquele mesmo mundo febril e caleidoscópico de Offentlichkeit de Weimar que era objeto de tanto desprezo em sua obra. Mas o status de Schmitt como companheiro de viagem em relação às principais publicações do movimento (tal como o influente Die Tat de Zehrer), atividades e círculos não obstante, suas profundas afinidades intelectuais com esse grupo de antirrepublicanos convictos são impossíveis de negar. Na verdade, na literatura secundário, tornou-se mais comum simplesmente incluí-lo como membro bona fide do grupo.

O hábito intelectual partilhado por Schmitt e pelos conservadores revolucionários e em grande medida de derivação nietzscheana. Ambos subscreviam ao veredito imoderado registrado por Nietzsche sobre a totalidade dos valores ocidentais herdados: aqueles valores eram essencialmente niilistas. Liberalismo, democracia, utilitarismo, individualismo e racionalismo eram as estruturas de crença características do Ocidente capitalista decadente; eles eram manifestações de uma Zivilisation superficial, que foi incapaz de corresponder à sublimidade da Kultur alemã. Em oposição a uma sociedade burguesa vista como estando em um estado avançado de decomposição, Schmitt e os conservadores revolucionários contrapuseram os ritos nietzscheanos de "niilismo ativo". Na visão de Nietzsche, o que quer que esteja caindo deve receber um empurrão final. Assim uma das oposições conceituais próprias do hábito conservador revolucionário era aquela entre o "herói" (ou "soldado") e o "burguês". Enquanto o herói prospera no risco, no perigo e na incerteza, a vida do burguês é devotada a cálculos pequenos de utilidade e segurança. Essa oposição conceitual ocuparia posição central no que seria talvez a publicação conservadora revolucionária mais influente de todo o período de Weimar, a obra jüngeriana de 1932, Der Arbeiter (O Trabalhador), onde ela assume a forma de um contraste entre "o trabalhador-soldado" e "o burguês". Se nos voltamos, por exemplo, para o que é considerada a maior obra de Schmitt da década de 20, O Conceito do Político, em que a famosa distinção "amigo-inimigo" é codificada como a raison d'être da política, é difícil ignorar as profundas ressonâncias conservadoras revolucionárias do argumento de Schmitt. De fato, pareceria que tais ressonâncias permeiam a tentativa de Schmitt de justificar a política primariamente em termos marciais; isto é, à luz da instância última da (para usar a própria terminologia de Schmitt) Ernstfall da batalha (Kampf) ou guerra.

Uma vez que a dimensão conservadora revolucionária do pensamento de Schmitt é trazida à luz, ficará mais claro que as continuidades em sua filosofia política pré- e pós-1933 são mais fortes do que as descontinuidades. Ainda assim o próprio caminho de desenvolvimento de Schmitt de arquiinimigo da democracia de Weimar a "nazista convicto" (Arendt) é mediado por uma série sucessiva de transformações intelectuais que atestam sua crescente radicalização política durante as décadas de 20 e 30. Ele segue uma rota que é ao mesmo tempo previsível e sui generis: previsível na medida em que foi uma rota tomada por toda uma geração de intelectuais nacionalistas e conservadores alemães durante o período entreguerras; sui generis, na medida em que permanece uma originalidade e perspicácia irredutíveis aos vários Zeitdiagnosen proferidos por Schmitt durante a década de 20, em comparação com as formulações às vezes banais e familiares de seus conservadores revolucionários contemporâneos.

A designação "conservador revolucionário" é intencionada para distinguir a virada radical tomada durante o período entreguerras pelos intelectuais alemães de direita em relação à posição de suas contrapartes "conservadores tradicionais", que ansiavam por uma restauração das glórias imaginadas dos Reichs alemães anteriores e geralmente enfatizavam a desejabilidade de um retorno a formas pré-modernas de ordem social (e.g., a Gemeinschaft de Tönnies) baseadas em considerações aristocráticas de posição e privilégio. Em oposição aos conservadores tradicionais, os conservadores revolucionários (e isso é verdadeiro para Jünger, van den Bruck e Schmitt), em suas reflexões da derrota alemã na Grande Guerra, concluíram que se Alemanha quisesse ser bem sucedida na próxima grande conflagração européia, soluções pré-modernas ou tradicionais não seriam suficientes. Ao invés, o que era necessário era "modernização", porém uma forma de modernização que fosse ao mesmo tempo compatível com os (ainda que mitologizados) valores tradicionais alemães de heroísmo, "vontade" (em oposição a "razão"), Kultur, e hierarquia. Em suma, o que era desejado era uma comunidade moderna. Como Jeffrey Herf enfatizou em seu informativo livro sobre o tema, quando se busca pelas origens ideológicas do Nacional-Socialismo, não é tanto a rejeição da modernidade pela Alemanha que está em questão quanto seu abraçar seletivo da modernidade. Assim o triunfo do Nacional-Socialismo, longe de ser caracterizado por um desdém da simpliciter da modernidade, estava marcado simultaneamente por uma assimilação da modernidade técnica e um repúdio da modernidade política ocidental: dos valores do liberalismo político conforme eles emergem das revoluções democráticas do século XVIII. Isso descreve a essência da "terceira via" ou Sonderweg alemã: o caminho especial da Alemanha à modernidade que não é nem ocidental, no sentido de Inglaterra e França, nem oriental, no sentido de Rússia ou pan-eslavismo.

Schmitt começou o seu na década de 10 como conservador tradicional, nomeadamente, um filósofo católico do Estado. Enquanto tal, seus primeiros escritos revolviam uma versão do autoritarismo político em que a idéia de um Estado forte era defendido a todo custo contra a ameaça de penetrações liberais. Em sua obra mais significativa da década, O Valor do Estado e a Significância do Indivíduo (1914), o equilíbrio entre os dois conceitos centrais, Estado e indivíduo, é riscado unilateralmente em favor do primeiro termo. Para Schmitt, o Estado, ao executar suas prerrogativas legislativas, não pode permitir qualquer oposição. A conclusão antiliberal e descompromissada que ele tira dessa observação é a de que "nenhum indivíduo pdoe ter plena autonomia dentro do Estado". Ou, como Schmitt expressa inequivocamente um pensamento similar em outro lugar da mesma obra: "O indivíduo" é meramente "um meio para a essência, o Estado é o que é importante". Assim, ainda que Schmitt demonstrasse pouca inclinação para o tipo de nacionalismo jingoísta tão prevalente entre seus companheiros acadêmicos alemães durante os anos de guerra, como Joseph Bendersky observou, "era precisamente na questão do autoritarismo vs. individualismo liberal que as opiniões de muitos católicos [como Schmitt] e as de conservadores não-católicos coincidiam".

Mas como outros conservadores alemães, foi a antipatia de Schmitt pelas formas de governo liberal-democratas, associada à reviravolta política da República de Weimar, que facilitou sua transformação de um conservador tradicional  a um conservador revolucionário. Com certeza, um relato completo das minúcias da "conversão" conservadora revolucionária de Schmitt demandaria um relato ano a ano de seu pensamento político durante o período de Weimar, durante o qual a produção intelectual de Schmitt foi extremamente prolífica (ele publicou virtualmente um livro por ano). Ao invés, em nome da concisão e da fidelidade ao leitmotif do "hábito conservador revolucionário", eu escolhi me concentrar em três aspectos fundamentais da transformação intelectual de Schmitt durante esse período: primeiro, suas simpatias com a crítica vitalista (lebensphilosophisch) do racionalismo moderno; segundo, sua filosofia da história durante esses anos; e terceiro, sua doutrina conservadora revolucionária do "Estado Total". Todos os três aspectos, ademais, estão integralmente relacionados.

A crítica vitalista do racionalismo iluminista é de origem nietzscheana. Em oposição à imagem filosófica tradicional do "homem" como animal rationalis, Nietzsche contrapõe sua visão da "vida como vontade de poer". No curso dessa "transvaloração de todos os valores", as até então marginalizadas forças da vida, vontade, afeto e paixão devem reclamar a posição de primazia que elas outrora desfrutaram antes do triunfo do "socratismo". É precisamente nesse espírito que Nietzsche recomenda que no futuro, nós filosofemos com nossos afetos ao invés de com conceitos,p ois na cultura do niilismo europeu que triunfou com o Iluminismo, "a essência da vida, sua vontade de poder, é ignorada", afirma Nietzsche; "deixa-se de lado a prioridade essencial das forças espontâneas, agressivas, expansivas e doadoras de forma que dão novas interpretações e direções".

Enquanto os componentes conservadores revolucionários da visão-de-mundo de Schmitt tem sido frequentemente notados, o papel central desempenhado pela "filosofia da vida" - acima de tudo, pelo conceito de crítica cultural própria da Liebensphilosophie - sobre seu pensamento político tem escapado à atenção da maioria dos críticos. Porém, uma compreensão plena do status de Schmitt como intelectual conservador radical é inseparável de uma apreciação de um aspecto até então negligenciado de sua obra.

De fato, influências determinadas da "filosofia da vida" - um movimento que alimentaria diretamente a moda da Existenzphilosophie da década de 20 (Heidegger, Jaspers e outros) - são realmente discerníveis nos escritos pré-Weimar de Schmitt. Assim, em outra de suas obrasp ublicadas, Lei e Juízo (1912), Schmitt está preocupado com demosntrar a impossibilidade de compreender a ordem legal em termos exclusivamente racionalistas, isto é, como um sistema completo autossuficiente de normais legais ao estilo do positivismo legal. É sobre essa base que Schmitt afirma que em um caso particular não se pode alcançar a decisão correta tão somente por um processo de dedução ou generalização a partir de precedentes ou normais legais. Ao invés, ele afirma, há sempre um momento de particularidade irredutível para cada caso que desafia a subsunção sob princípios gerais. É precisamente esse aspecto do juízo legal que Schmitt considera mais interessante e significativo. Ele prossegue cunhando uma frase para essa dimensão "extralegal" que prova um aspecto inescapável de toda tomada de decisão legal propriamente dita: o momento da "indiferença concreta", a dimensão de adjudicação que transcende a norma legal previamente estabelecida. Em essência, o momento de "indiferença concreta" representa para Schmitt um tipo de substrato vital, um elemento de "pura vida", que eternamente se opõe ao formalismo de leis enquanto tal. Assim no coração da sociedade burguesa - seu sistema legal - se encontra um elemento de particularidade existencial que desafia a coerência do silogismo racionalista ou razão formal.

Esse relato de indiferença concreta é uma questão de mais do que interesse passageiro ou acadêmico na medida em que prova um precursor crucial da posterior teoria decisionista da soberania de Schmitt, por sua desvalorização das normais legais existentes como base para tomada de decisões judiciais, a categoria da indiferença concreta aponta para a natureza imperativa da decisão judicial em si como base autossuficiente e irredutível de adjudicação. A dimensão vitalista da filosofia do direito inicial de Schmitt se trai em sua denigração constante do normativismo legal - pois as normas são um produto do intelectualismo árido (Intelligenz) e, enquanto tal, hostil à vida (lebensfeindlich) - e a crença concomitante de que apenas a decisão é capaz de estabelecer a ponte entre a abstração da lei e a plenitude da vida.

As simpatias vitalistas incipientes da obra de Schmitt alcançaram plenitude em seus escritos da década de 20. Aqui, o texto fundamental é Teologia Política (1922), em que Schmitt formula sua teoria decisionista da política, ou, como ele ressalta na muito citada primeira fase da obra: "Soberano é aquele que decide o estado de exceção [Ausnahmezustand]".

Seria tentador afirmar a partir dessa definição inicial, porém lapidar, de soberania, pode-se deduzir a totalidade do pensamento político maduro de Schmitt, pois ela contém o que conhecemos como sendo as duas palavras-chave de sua filosofia política durante esses anos: decisão e exceção. Ambas no léxico de Schmitt estão longe de possuírem valor neutro ou serem meramente conceitos descritivos. Ao invés, ellas ambas possuem valor inequivocamente positivo na economia de seu pensamento. Assim um dos traços da filosofia política de Schmitt durante aos anos de Weimar será uma privilegiação do Ausnahmezustand, ou estado de exceção, vis-à-vis normalidade política.

É minha posição de que a celebração do estado de exceção por Schmitt acima de condições de normalidade política - que ele essencialmente equipara com o positivismo legal e o "parlamentarismo" - tem sua base na crítica vitalista do racionalismo iluminista. Em sua justificação inicial do Ausnahmezustand na Teologia Política, Schmitt não deixa dúvidas no que concerne o pedigree histórico de tais conceitos. Assim seguindo a conhecida definição de soberania citada previamente, ele imediatamente sublinha seu status como um "conceito limítrofe" - Grenzbegriff, um conceito "pertencendo à esfera mais exterior". É precisamente essa fascinação com situações limítrofes ou extremas (Grenzsituationen-K. Jaspers - aqueles momentos únicos de perigo existencial que se tornam campo de provação da "autenticidade" individual) - que caracteriza a crítica avassaladora da "quotidianidade" burguesa pela Lebensphilosophie. Daí na Grenzsituationen, o Dasein vislumbra a transcendência e é assim transformado de possível em Existenz real. De modo paralelo, Schmitt, ao conceder primazia ao "estado de exceção" em oposição à normalidade política, tenta investir a situação emergencial de um significado superior, existencial.

Segundo a lógica interna desse esquema conceitual, o "estado de exceção" se torna a base para uma política de autenticidade. Em contraste com as condições de normalidade política, que representam o reino do "mediano", do "medíocre", e do "quotidiano", o estado de exceção se prova capaz de reincorporar uma dimensão de heroísmo e grandeza que é extremamente ausente na conduta rotinizada e burguesa da vida política.

Consequentemente, a superioridade do Estado como o árbitro decisionista final sobre a situação de emergência é uma questão que, aos olhos de Schmitt, não precisa ser discutida, pois segundo ele, "cada interpretação racionalista falsifica a imediatidade da vida". Ao invés, em sua opinião, o Estado representa uma verdade existencial fundamental, irrefragável, como o faz a categoria "vida" na filosofia de Nietzsche, ou, como Schmitt afirma com fibra característica na Teologia Política, "A existência do Estado é prova indubitável sobre sua superioridade sobre a validade da norma legal". Assim, "a decisão sobre o estado de exceção se torna instantaneamente independente de substanciação argumentativa e recebe valor autônomo".

Mas como Franz Neumann observa em Behemoth, dada a falta de coerência da ideologia Nacional-Socialista, as razões fornecidas para a prática totalitária eram muitas vezes fundadas especificamente em termos vitalistas ou existenciais. Nas palavras de Neumann, "o que sobra como justificativa para o Reich? Não o racismo, nem a idéia de Sacro Império Romano, e certamente não qualquer baboseira como soberania popular ou autodeterminação. Apenas resta o próprio Reich. Ele é sua própria justificativa. As raízes filosóficas do argumento devem ser encontradas na filosofia existencial de Heidegger. Transferido ao reino da política, o existencialismo afirma que poder e força são verdadeiros: o poder é uma base teórica suficiente para mais poder".

12/12/2013

Bernard Lugan - O Outro Lado de Mandela

por Bernard Lugan



Nascido a 18 de Julho de 1918 no antigo Transkei e falecido a 5 de Dezembro de 2013, Nelson Mandela não corresponde à imagem piedosa transmitida mundialmente nestes dias pelo politicamente correto. Para lá das emoções ternas e das homenagens hipócritas, é importante não perder de vista o seguinte:

1) Aristocrata xhosa da linha real dos Thembu, Nelson Mandela não era um 'pobre negro oprimido'. Com uma educação europeia proporcionada por missionários metodistas, começou os seus estudos superiores em Fort Hare, universidade destinada aos filhos das elites negras, completando-os em Witwatersrand, no Transvaal, o coração do que era na altura o "país boer". Instalou-se de seguida como advogado em Joanesburgo.

2) Não era bem o gentil reformista que a imprensa lamechas gosta de tratar como "arcanjo da paz", lutando pelos direitos do homem como um novo Gandhi ou um novo Martin Luther King. Com efeito, Nelson Mandela foi acima de tudo um revolucionário, um combatente, um militante que pôs "a sua pele antes das suas ideias", não hesitando em derramar o sangue de outros e a arriscar a sua própria pele.

Foi um dos fundadores do Umkonto We Sizwe, "a ponta de lança da nação", braço armado do ANC, que co-dirigiu em conjunto com o comunista Joe Slovo, planeando e coordenando mais de 200 atentados e sabotagens pelos quais foi condenado a prisão perpétua.

3) Não foi o homem que permitiu uma transição pacífica de poder entre a "minoria branca" e a "maioria negra", evitando um banho de sangue na África do Sul. A verdade é que foi levado ao poder pelo presidente De Klerk, que aplicou à letra o plano de resolução da questão da África austral definido por Washington. Pelo caminho Mandela traiu todas as promessas feitas ao seu povo, tais como:

- Desintegrar o exército sul-africano, com o qual o ANC não era capaz de lidar;

- Impedir as criação de um Estado multi-racial descentralizado, alternativa federal ao jacobinismo marxista e dogmático do ANC;

- Travar as negociações secretas mantidas entre Thabo Mbeki e os generais sul-africanos, negociações que envolviam o reconhecimento, pelo ANC, de um Volkstaat em troca do abandono da opção militar pelo general Viljoen.

4) Nelson Mandela permitiu o esgotamento das fontes sul-africanas de leite e mel e o fracasso económico do país é hoje total. Segundo o Relatório Económico Africano para o ano 2013, redigido pela Comissão Económica da ONU para África e pela União Africana para o período 2008-2012, a África do Sul é classificada como um dos cinco países «com pior desempenho» do continente, em função do crescimento médio anual, apenas à frente das Comores, Madagáscar, Sudão e Suazilândia.

Segundo dados oficiais, o desemprego atingiu 25,6% da população activa no segundo trimestre de 2013, embora na realidade ultrapasse os 40%. Os rendimentos do segmento mais pobre da população negra, que representa mais de 40% da população sul-africana, é actualmente 50% inferior ao valor verificado no regime branco anterior a 1994. Em 2013, quase 17 milhões de negros numa população de 51 milhões de habitantes só garantiram a sua subsistência graças a ajudas sociais, denominadas Social Grant.

5) Nelson Mandela falhou também politicamente e o ANC acumula hoje graves tensões entre etnias Xhosa e Zulu, entre doutrinários pós-marxistas e tecnocratas capitalistas, entre africanistas e apoiantes de uma linha "multi-racial". Da mesma forma, um conflito de gerações opõe a velha guarda composta por "Black Englishmen" e os jovens lobos que defendem uma «libertação racial» e o confisco dos agricultores brancos, tal como foi levado a cabo no Zimbabwe.

6) Nelson Mandela não pacificou a África do Sul, país que actualmente se encontra entregue à lei da selva, com uma média de 43 homicídios diários.

7) Nelson Mandela não facilitou as relações inter-raciais. Entre 1970 e 1994, ou seja 24 anos, enquanto o ANC estava "em guerra" contra o "governo branco", foram assassinados cerca de 60 agricultores brancos. Desde Abril de 1994, data da chegada ao poder de Nelson Mandela, mais de 2000 agricultores brancos foram massacrados perante a total indiferença da imprensa europeia.

8) Por fim, o mito da "nação arco-íris" estilhaçou-se perante as realidades regionais e étnico-raciais e o país está hoje mais dividido e fragmentado do que nunca, fenômeno que é visível em cada eleição, quando o voto é claramente "racial": negros votam no ANC, brancos e mestiços votam na Aliança Democrática.

Em menos de 20 anos, Nelson Mandela, presidente da República entre 10 de Maio de 1994 e 14 de Junho de 1999, e os seus sucessores, Thabo Mbeki (1999-2008) e Jacob Zumba (desde 2009), transformaram um país que foi em tempos uma excrescência europeia na extremidade austral do continente africano num Estado de "terceiro mundo" à deriva num oceano de carências, corrupção, miséria social e violência, realidade em parte ocultada por alguns sectores de grande desempenho, mas cada vez mais reduzidos, na maior parte dirigidos por brancos.

Poderia ser de outra forma quando a ideologia oficial é baseada na rejeição da realidade, no mito da "nação arco-íris"? Esse "chamariz" destinado à imbecilidade ocidental impede ver que a África do Sul não constitui uma nação, mas antes um mosaico de povos reunidos pelo colonizador britânico, povos cujas referências culturais são estrangeiras, e em alguns casos irreconciliáveis, para uns e outros.

O culto planetário e quase religioso que hoje foi prestado a Nelson Mandela, o hino ultrajante cantado por políticos oportunistas e jornalistas incultos ou formatados não vai mudar esta realidade.

09/12/2013

Geydar Dzhemal - A Sociedade e o Tempo: O Mecanismo Global da Alienação

por Geydar Dzhemal



Sociedade Atual: Ausência dos Beneficiários Visíveis no Espaço Social Aberto

A absoluta maioria dos homens se encontra hoje sob uma duríssima pressão por parte da sociedade atual, que eles percebem como a pressão do meio social, com seus desafios diários. Hoje, essa pressão se estende amplamente, tomando diversas formas. Antes, nos tempos burgueses anteriores à chegada do lumpen global e da lumpenização e burocratização das assim chamadas "regras de jogo", o dinheiro em grande medida ajudava a nos protegermos das desgraças externas: a gente rica estava mais ou menos protegida dessa pressão, tinha algumas possibilidades a mais. Porém hoje a situação mudou radicalmente: o dinheiro deixa de possuir sua força política independente, sua própria autoridade (se é que tal autoridade não foi um mito desde o princípio, relacionado com o significado oculto do ouro). Mais ainda, está mudando a relação entre as pessoas e sua propriedade, particularmente, entre as pessoas e seu dinheiro. Hoje o Estado enredou até tal ponto todos os aspectos das relações humanas, que inclusive na sociedade liberal capitalista, que proclama os valores liberais capitalistas, ninguém pode afirmar com toda segurança que possui seus bens, seu dinheiro de uma maneira confortável, legal. Chega, os inspetores financeiros, os inspetores de renda, a polícia fiscal; o dinheiro que passa de uma conta a outra, se segue, se registra. Devido a que o campo do direito se tornou instável e virtual, em qualquer momento e, não importa contra quem, se pode inventar uma acusação e com o mesmo êxito demonstrar que a acusação não se sustenta, ou, ao contrário, demonstrar que se trata de um grave delito - tudo depende da conjuntura política. Assim se pode retirar dinheiro de uma pessoa e enfiá-la no cárcere.

Jodorkovski (oligarca russo encarcerado) foi um exemplo periférico do que realmente está ocorrendo no mundo inteiro. Nos EUA, sobre os muitos que creem, por ignorância ou ingenuidade, que aí existem outro tipo de relações entre o homem e seu dinheiro, o homem e o Estado, aos homens de muito maior peso que Jodorkovski lhes encerravam nos manicômios, enquanto estes se desviavam "um passo à esquerda, um passo à direita". É pelo que pensar que atualmente o dinheiro constitui uma capa defensora frente ao mundo exterior é um erro. Mais exatamente representa uma carga acrescentada e uma preocupação para aquele a quem este dinheiro se adjudica.

Suponhamos que a alguém lhe "comprem" uma propriedade de um valor de mil milhões de dólares. Essa pessoa em certo sentido em seguida se converte em perseguida: tem a enorme responsabilidade de pagamentos ao Estado, a todo tipo de fundos benéficos, tem que pagar continuamente ao sistema, que lhe chantageia utilizando inclusive aos paparazzi, que se metem em sua vida privada. Como resultado tem que viver enclausurado, rodeado de empregados contratados, protegido por guarda-costas, etc. Sua vida se converte em uma existência bastante problemática.

Ademais, a vida do homem rico atual está plena de todo tipo de deveres: deve se vestir de uma maneira determinada, comer determinada comida, passar o tempo livre de uma maneira determinada, se encontrar com determinadas pessoas. Para comparar, o homem rico do século XVIII ou XIX era um autêntico déspota, amo todo-poderoso, ao qual os familiares obedeciam sem hesitar, os servos baixavam as vozes ante sua presença, ante quem o prefeito da cidade se inclinava na rua. Enquanto que o homem rico de agora não é mais que um palhaço, um ator, que cumpre um papel estritamente definido pela sociedade.

Pudera parecer que as pessoas que não possuem semelhante propriedade, sobre as quais não pesa tamanha responsabilidade, são mais livres, seguramente essas pessoas pensam que são livres. Funcionários, aposentados: quem pode ser mais livre? Porém, em realidade, também eles estão atados por uma multidão de vínculos invisíveis, veste o "papagaio" social invisível que dificulta seus movimentos, também eles tem um programa, relacionado com sua autoidentificação. O aposentado, se é um aposentado rico que pertence ao "bilhão dourado" (assim batizara na Rússia ao bilhão de seres humanos que, segundo Fukuyama, tem nível suficiente de desenvolvimento para seguir adiante no "barco do progresso", o resto da humanidade fica excluída) está obrigado a viajar a Chipre duas vezes por ano, a passear na orla com bermuda e câmera fotográfica, tem determinadas relações com seus netos, com outros aposentados, com os fundos de pensão, etc.

Está claro que seu tempo é de alguma maneira um pouco mais livre: tem menos contatos, menos responsabilidades, menos desafios imediatos, porém, por outro lado, paga porque seu tempo está vazio. O aposentado atual é um cadáver andante, está marginalizado e expulso da vida. Sim, a sociedade do bem-estar social não lhe permite morrer, mais ainda, lhe paga um enorme imposto, devido ao qual o aposentado de classe média atual é considerado hoje quase como o principal parasita - a classe dirigente reorienta a indignação da classe média para os aposentados que, presumidamente, vivem à custa dos que trabalham. Poderia parecer que esse aposentado vive para desfrutar. Porém se olhássemos no interior de sua existência, veríamos que o aposentado é um cadáver social, cada segundo de sua vida está desprovido de sentido. Não tem objetivo, não tem missão, não tem tarefa, não influencia em nada, é um homem virtual. Passeia pelas beiras das praias passando o tempo até o crematório.

Se lançamos a vista aos jovens desempregados, na melhor das hipóteses alguém poderia invejar esses capitães dos descampados, que se divertem golpeando uma lata vazia ao invés da bola, pensando em como forçar o fechamento de um quiosque, ou em conseguir alguma droga para passar o momento. Porém, sua existência é todavia mais terrível, é a mais terrível de todas, porque as pessoas jovens ativas possuem um gigantesco potencial temporal e energético, potencial do tempo, carga de vontade, de energia biológica, cujo sentido lhe é roubado.

Foram colocados na mesma situação que aos aposentados, são cadáveres caminhantes, porém jovens. Se ao aposentado restam poucos anos para a tumba, para eles, desde a perspectiva da juventude, é como se fosse aberta a eternidade inteira. Quantos anos terão que seguir golpeando essa lata nesses terríveis descampados entre os dentes de concreto dos arranhacéus em construção? Ou as grandes casas, protegidas por arame farpado e muros de vegetação, de modo que não só não te podes aproximar, senão que nem mesmo pode lançar um olhar por trás desses altos muros.

Quantos anos? Desde a ótica de um rapaz de dezessete anos é como se toda a eternidade em seu sem-sentido vazio se lançasse sobre ele. O horror é tal, que a única coisa que pode fazer para corrigir a situação, é pegar uma faca ou roubar uma pistola e sair para ganhar a vida, criar um brutal acontecimento contra o sistema, levar a cabo uma ação brusca, que de alguma maneira, ainda que seja aparente, detenha essa eternidade e, inclusive através de sua morte, de seu sacrifício, devolva algum sentido a esse vegetar vazio, sem sentido.

Assim é o contorno da sociedade atual. É o contorno de uma sociedade em que permanecem presas de uma estranha escravidão tanto o oligarca, como o aposentado, ou o rapaz desempregado dos subúrbios, o mesmo que o policial que está perseguindo esse rapaz desempregado. Nessa sociedade parece que não estão os que recebem os dividendos. Todos pagam, porém em que bolso vai parar tudo?

Três Modelos Sociais: Tribal, Tradicional em forma de pirâmide e Atual

A sociedade atual representa o quadro em que o esquema da sociedade tradicional se voltou a embaralhar e foi reestruturado de uma determinada maneira. Existem dois tipos principais de sociedade: sociedade tradicional e sociedade moderna. Se bem existem diferentes variantes, há diferentes sociedades tradicionais. A sociedade tradicional da China medieval, a primeira vista, não se parece à sociedade tradicional da Europa medieval; e ambas não se parecem ao Califado Abássida, ou à Índia Mogol.

Não obstante, se olhamos desde o ponto de vista da estrutura, descobriremos que toda a variedade das sociedades tradicionais se reduz ao mesmo esquema.

Na sociedade moderna, que é como chamamos o espaço social ocupado pelos bilhões de habitantes que vivem nos assim chamados países civilizados, quase todos os elementos do esquema tradicional foram recolocados.É como se pegássemos o esqueleto humano e mudássemos de posição seus ossos - por exemplo, a caixa torácica substitui a pélvis, a pélvis sobe, os braços mudam de posição com as pernas - esse é o modelo da sociedade contemporânea. Só a cabeça permanece em seu lugar, a cabeça segue acima como estava. O resto está ligeiramente mudado.

Existe um modelo a mais de existência social, é o modelo da tribo primitiva, da que se diz que é a vida tribal, mas que não é uma sociedade, nem no sentido tradicional, nem no atual.

O que é o modelo tribal? É fácil de imaginar lembrando o monte de filmes sobre as selvas amazônicas ou similares. Imaginem um quadro esquematizado: jovens guerreiros, o chefe da tribo, os anciãos, acima está o xamã. Tudo está à vista, tudo está aqui: o xamã está à mão, é possível chamá-lo, os anciãos estão sentados, falando, o chefe trabalha com os jovens guerreiros. Os jovens guerreiros estão sempre dispostos, olham com confiança, com brilho nos olhos, assim que é possível guiá-los, dirigi-los, eles lhe seguirão, dispararão com seus arcos, arremessarão as lanças. O chefe recebe instruções dos sábios anciãos. Melhor dito, se senta com eles, estão discutindo, porém a opinião coletiva do conselho de anciãos é a que manda. Porém os anciãos são o corpo, seu espírito é o xamã, a quem se pode convidar em alguns casos extraordinários, ele entra em transe e vê o que há que fazer. Todo o esquema está aqui.

Ocultação do Sacerdote à Diferença do Xamã Tribal

Tanto a sociedade tradicional como a atual tem a mesma cúspide: instituição sacerdotal desenvolvida, que se encontra fora da autêntica intercomunicação com o espaço social. A diferença principal consiste em que o "xamã" - ou mais exatamente a instituição sacerdotal corporativa em sua função própria fechada - não é visível. Face ao público só ensina sua parte social, mais representativa, separada dos assuntos verdadeiramente "xamânicos". Claro que podemos contemplar como o Papa de Roma uma vez ao ano vestido de branco saúda com a mão um milhão de peregrinos que se ajoelham; em trinta idiomas pronuncia alguma fórmula da paz e, sem dúvida, é o "xamã". Porém não o vemos aqui em sua função realmente "xamânica": observar a verdade do mais além e levá-la aos anciãos, que formularão o objetivo político que será apresentado ao chefe. Vemos as funções de sua autoridade estritamente representativa. O ancião vestido de branco forma o contorno de uma sacralidade nebulosa-lunar, que desperta em milhões de corações o desejo difuso da verdade e da beleza, do bem e do significado, graças aos quais a vida a seus olhos cobra algum sentido e, talvez, vale a pena arrastar seu peso... Nem tudo está tão mal, existe a verdade, o resplendor do bem nesse mundo, concentrado nesse belo ancião, portador do bem e da bondade, ao qual contemplamos de longe vestido de branco, que nos saúda desde as esferas superiores, nos acena com a mão. "Assim que a vida tem sentido", pensam milhões de pessoas, dos quais, na melhor das hipóteses, se não tivessem a este ancião diante de si,  dez por cento se suicidaria e o resto, por exemplo, se poria a quebrar tudo. Unicamente lhes detém uma coisa: como vou dar rédeas soltas a meu destrutivo "Id" e me converter em mau, se aqui na pessoa desse ancião tenho o "Superego" encarnado?

Assim que todos nós, pegos pelas mãos, devemos nos comportar como cidadãos exemplares da grande família humana.

De modo que o xamã aparece muito raramente perante a sociedade civilizada, o xamã é coletivo, muito complexo, ao qual é impossível ver e testemunhar em sua plenitude ontológica.

Por trás desse ancião estão as hierarquias de pessoas invisíveis (as quais, de modo geral, já não são pessoas) diretamente conectadas com a verdade, desconhecida para os seres humanos simples. Os "xamãs" a veem, a conhecem, eles não falam com gente simples, eles tratam exclusivamente com os senhores da vida.

Os sacerdotes falam com aqueles - todavia não os nomeamos - que são os principais beneficiários dos dividendos dessa sociedade.

Os três tipos de sociedade: a tribo arcaica, a pirâmide social tradicional, e por último, a sociedade atual de hierarquia complexa com seu parlamento e sua democracia - são todas instrumentalizações do poder de "Grande Ser". Sob este termo entendemos o modelo arquetípico da humanidade coletiva, cuja manutenção e realização corre a cargo da superelite, que se encontra em comunicação direta com o estamento sacerdotal que representa ao "Grande Ser" em nosso mundo real.

A Realidade do "Grande Ser" e o Poder das Superelites

O que é o poder? Do poder se dizem coisas muito distintas. Pelo geral, se diz que o poder é quando eu te ordeno e tu obedeces. Quer dizer que o poder vem do senhor em relação a seu servo ou seu escravo. Alguém deve obedecer e alguém dá a ordem. Porém tenho uma pergunta: essa descrição do poder me parece demasiado superficial, porque o poder constitui um estado interior fundamental, existencial. Darei um exemplo. Suponhamos que um homem na rua tenha sido rodeado por um par de delinquentes armados com canivetes, eles lhe ordenam algo e sob a ameaça para sua vida está obrigado a fazer algo. Nesse caso se diz: está em poder dos delinquentes. Certamente, muitos filósofos, incluído Hegel, diziam que as relações entre o amo e o escravo são de tal índole, que o escravo se vê obrigado a trabalhar para o senhor com a ameaça de sua vida. Estou convencido de que se trata de uma séria simplificação da situação. Quando me apontam com uma pistola ou me põem o canivete no pescoço, e me dizem: me dá a carteira - sim, claro, entregarei minha carteira, talvez, porém não considero que me encontro em poder desse rapaz e que ele tem o poder. Porque me colocou em uma situação puramente externa que agora é assim, e amanhã ele na melhor das hipóteses se distrai e lhe tomo o canivete, ou ele ouve passos, solta o canivete e sai correndo.

Se consideramos o poder por esse lado, não me convence a situação em que alguém me pode obrigar externamente a fazer algo. Por exemplo, acaso se pode dizer que o cliente no restaurante tem poder sobre o camareiro? Ele ordena: traga-isso, traga-me aquilo. A função do camareiro é tomar nota, trazer o pedido e cobrar. Porém acaso se pode dizer que o cliente exerce seu poder sobre o camareiro? Se o poder se reduz a isso, é simplesmente ridículo. Porém o camareiro traz os pedidos. Alguns vão ao restaurante para experimentar a sensação do poder. Entendem o poder de tal maneira que lhes basta com a capacidade de ordenar ao camareiro para sentir-se no ápice da vida, como senhores. Mas isso é ridículo!

O que é o poder? O poder, em seu sentido superior, e desde o ponto de vista arquetípico da nobreza tradicional, é um estado de independência, autossuficiência, plenipotência e liberdade, em que todos os possíveis estados estão unidos. Quer dizer que se trata do ser íntegro, autossuficiente e livre, que encontra em si mesmo seu fundamento, seu sentido e sua idéia. Assim era o poder para Platão, para Sócrates e também para Nietzsche, que, seguramente, foi o filósofo moderno mais sério a expressar o problema da vontade e o problema do projeto da elite atual. Projeto que essa elite pensa realizar a qualquer preço.

Nietzsche é o filósofo mais agudo dos que se ocuparam do aspecto existencial do poder. Ele acreditava que Goethe, figura chave da cultura alemã, foi quem mais se aproximou ao ideal do super-homem, cujo estado interior encarna esse estado de poder. Ademais, César Bórgia se parecia em parte ao super-homem, como um pouco Napoleão e, provavelmente, César. Não obstante, todos eles eram super-homens aproximados, incompletos, e o autêntico super-homem foi precisamente Goethe. Goethe uniu em si a razão e os sentimentos, se elevou sobre eles, fundiu em sua personalidade única todos os aspectos, convertendo-se em seu dono. Venceu a seu ego, a seu "eu" inferior elemental, se elevou por cima das paixões, controlou o transcorrer de seu pensamento, uniu todos os elementos de seu ser e permaneceu absorvido em uma luminosa e bem-aventurada autossuficiência, como se estivesse situado fora do tempo. E, segundo Nietzsche, assim é o super-homem.

Se nos fixamos a quem representa Goethe na filosofia nietzscheana, se paramos para pensar na mensagem de Goethe, no que expressa sua doutrina, sua cultura, se nos fixamos também em "Fausto", a obra mais poderosa e profunda escrita por Goethe, compreenderemos que se trata do estado do "Grande Ser" (como diziam os iluminados) ou do "Ser Supremo" (em expressão dos jacobinos), que na tradução monoteísta islâmica se denomina Iblís. Iblís, também conhecido como Lúcifer, Ahura Mazda, Apolo, segundo o monoteísmo é o ser criado primeiro, da protoenergia primária ("fogo"). Se encontra em oposição absoluta em relação ao "Deus dos profetas" - centro de subjetividade inapreensível situado fora do ontológico, cujo agente exterior e representante, segundo a teologia monoteísta, é o homem físico. O estado de Iblís era o estado ideal em que Iblís permanecia, até que foi arrojado por desobedecer ao Altíssimo quando se negou a se inclinar perante Adão. Como o primeiro ser, que unia em si a luz e o calor - dois atributos principais do fogo primordial, Iblís se sentia em total plenitude, unindo todos os possíveis estados em perfeito equilíbrios, que para a metafísica tradicional representa a "liberdade".

O super-homem como imagem do ser supremo, como um ideal, que Nietzsche definiu como o objetivo da nova humanidade ou, mais exatamente, dos autênticos homens, é a projeção de Iblís sobre a terra. E é no que em perspectiva óptima querem se converter os senhores da vida, aqueles seres que estão acima da sociedade. Porém entre eles e Iblís existe um intermediário, já que Iblís é um ser sobrenatural. Iblís é o ser que, seguindo a indicação do Altíssimo, se encontra "na frente, atrás, à direita e à esquerda" e em muito supera ao homem por suas possibilidades "físicas" e "sutis". O contato direto com ele ou a orientação à ele são extremamente difíceis, por isso e com esse fim existem os intermediários - xamãs ou sacerdotes. Todos os sacerdotes e xamãs, independentemente das confissões, independentemente do método empregado para a intermediação, independentemente de suas declarações, se orientam precisamente a Iblís, que representa o ponto universal de intermediação em que se unem todas as estruturas e manifestações que se possam realizar. O homem não tem forma, porque pode adotar qualquer forma. Pode se identificar como queira. Seu corpo obviamente tem forma, porém é a forma inferior, física, que nesse caso não tem importância. Falamos da verdadeira forma, quando o homem crê pertencer a uma determinada raça, estamento, casta, status hierárquico dentro da pirâmide, etc. Todos os modelos que elege para si são formas que, em realidade, já estão contidas em sua natureza, e sob a influência de tais ou quais condições já pode se posicionar como tal ou qual. Chamamos forma àquilo que o homem se dá como ser espiritual, quer dizer os estados que pode viver e adquirir.

De modo que os sacerdotes veem a Iblís como o ser global total, que possui as possibilidades e o controle sobre todas as formas e todos os estados. Este conhecimento e essa postura dos sacerdotes finca suas raízes na distância dos tempos, arranca da Idade de Ouro e, após sofrer diferentes modificações, chega até nossos dias. Inclusive subsiste instalada profundamente a nível do inconsciente coletivo da casta sacerdotal. Ademais, a casta sacerdotal possui aptidões e capacidades que superam em muito as possibilidades do homem corrente. Essa gente é a dona de seu tempo e tem o talento ou a aptidão para a contemplação, uma capacidade única, da que está desprovida a maioria dos humanos. Ou, sendo sinceros, não sentem a inclinação ou o interesse por ela. A maioria dos seres humanos passa o tempo ganhando a vida, se ocupando de sua família ou resolvendo problemas. Não tem ocasião para se abstrair em simples contemplação abstrata. E enquanto tanto, na simples contemplação abstrata está contida uma força colossal. As pessoas capazes de se entregar a semelhante contemplação e que a praticam, reúnem tal energia, tal autoridade e peso de personalidade, que praticamente exercem uma influência mágica sobre aqueles que se aproximam. As pessoas capazes simplesmente de meditar sem entrar em transe, quer dizer de contemplar de maneira ativa, se convertendo no espelho de todo o ser, os que possuem essa capacidade de maneira inata, são muito poucas, porém existiram sempre entre todos os povos e em todas as épocas da humanidade. E precisamente são eles os eleitos como os intermediários entre o princípio escuro sobrenatural que tenta ao homem, e os homens como tecido social. A sociedade não é mais que um simples mecanismo, em que se encarna o poder que se esconde por trás da contemplação, o poder da tentação, expandido por este espaço cinzento entre o céu e a terra.

Anatomia Comparativa das Sociedades

Falamos brevemente sobre o que representa a tribo, em que tudo se encontra à vista: guerreiros, chefe, anciãos, que nessa estrutura arcaica não se sentem como os marginalizados-aposentados, senão como os verdadeiros senhores do tempo - gerontocratas. Os anciãos possuem um status especial porque estão a ponto de se reunir com o conjunto dos antepassados, a igreja invisível da tribo, porque a primeira e natural religião de todas as tribos pagãs é o culto dos antepassados. O antepassado, uma vez morto, se liberta do transcurso do tempo, se converte em eterno, passa à categoria das causas, em relação aos quais os vivos são tão somente a consequência, se trata da vitória mais evidente sobre o tempo. Ademais, cada um desses homens sabe que se deixa descendência, será eterno em sua memória e se unirá a essa igreja invisível. É por isso que os anciãos possuem o poder como os intermediários entre os antepassados e os vivos.

Passemos à sociedade tradicional. Sua estrutura é similar aos substratos de barro mais grosseiro e mais claro, mais sutil, que se sobrepõem um sobre o outro em três camadas, nas quais o refinado, a sutileza aumenta de baixo para cima. Abaixo, como se sabe, está o escalão mais primitivo. É a parte de baixo do triângulo: os trabalhadores mais simples, camponeses, os servos inferiores; sobre eles estão os pequenos comerciantes; por cima deles se situam os pequenos artesãos. É o triângulo mais simples da sociedade tradicional medieval. O segundo triângulo situado no meio começa embaixo pelos habitantes livres da cidade - proprietários; acima deles estão os comerciantes, que já tem a possibilidade de viajar, os cambistas, financistas, que tem contatos fora dessa localidade ou da região; sobre eles se situam os cavaleiros, guerreiros. E a continuação o triângulo superior: abaixo está o aparato do monarca, aparato do Estado; sobre ele estão os governadores ou representantes; sobre eles o próprio monarca, faraó, césar, etc. Assim são os três triângulos - três componentes hierárquicos fundamentais que constituem a base da hierarquia social tradicional.

Para compreender o segredo interior que caracteriza a estes componentes da anatomia social, há que se imaginar a cada um desses triângulos postos diante de um espelho: a imagem no espelho fecha o triângulo real até convertê-lo em um quadrado virtual. Nesse "espelho" hipotético se manifesta o quarto ponto, contido em cada um dos triângulos, porém invisível no espaço real: esse quarto ponto é a presença oculta sacerdotal dentro de cada capa hierárquica da pirâmide social que analisamos como triângulo. O fator sacerdotal invisível converte cada triângulo - sempre relativamente instável - na figura geométrica inerte mais estável: o quadrado.

A presença sacerdotal invisível acompanha a cada nível da pirâmide social. Abaixo também estão presentes os iniciados e ocultos ustaz, os sheij que atuam a nível dos pequenos comerciantes, pequenos artesãos; eles se encarregam de atar os de baixo nas redes específicas das estruturas de patronato, mantendo a estabilidade e explicando-lhes os problemas e as injustiças desse mundo. Os cavaleiros tem suas próprias ordens de cavalaria. E o estrato mais alto dos sacerdotes trabalha com o faraó, que representa a personificação do "Ser Supremo" aqui, entre os homens. Em última instância o faraó se identifica diretamente com o "Ser Supremo" e diz ao povo: "Sou vosso senhor supremo" (Corão 79:24).

César também se acreditava deus e obrigava todos os povos a lhe prestarem sacrifícios em seus templos, inclusive tentou obrigar aos judeus. Com César trabalha o nível sacerdotal mais alto, o que realiza a intermediação direta com o Ser Supremo.

Assim é a sociedade tradicional, que tem uma só finalidade, um só objetivo - extrair às pessoas de baixo para cima seu tempo, seu sentido, sua energia e transmiti-los para cima até o faraó e os sacerdotes, que alimentam com esse recurso essencial da humanidade o "Ser Supremo", no qual se realiza o equilíbrio de todas as forças que forma o grande cosmo. O "Cosmo" é um lugar em que cada instante seguinte contém menos que o anterior, e está submetido aos princípios da termodinâmica - o esfriamento, a entropia. Apesar disso, o objetivo da sociedade consiste em continuar sua existência. Quer dizer que a cada momento seguinte há que compensar a diminuição e esfriamento do meio ao redor da sociedade humano. Isso se compensa com a energia e o fluido vital que se espreme das pessoas desde baixo. O fluxo direto para cima, para o faraó: esse é o canal pelo qual se leva a cabo a compensação da entropia do meio natural para que a sociedade possa seguir existindo apesar da agressão do zero absoluto.

Porém quanto se pode receber de simples escravos, servos, artesãos, quanto se pode cobrar dos que possuem seu tempo físico, 25 horas e um círculo próximo elementar: 2-3 vizinhos, uns quantos parentes próximos, o amo-contratista e o vigia - um mundinho muito estreito e um espaço humano muito pobre. Seu trabalho físico não vale quase nada. Metaforicamente falando, semelhante sociedade pode mandar para cima cem rublos. Quando cada momento seguinte da existência da sociedade custa mais caro: amanhã terá que pagar cento e dez, depois de amanhã duzentos, no dia seguinte trezentos. A exigência do cosmo ao espaço humano cresce em progressão geométrica. A entropia atua como um aspirador que absorve a energia, absorve o fluido das pessoas e essas não podem dar mais de si, mais do que permite seu estado social de fato, sua infraestrutura social, suas forças produtivas. Resulta que faz falta o "progresso" para poder "pagar" ao cosmo. Os donos e organizadores do espaço humano, os sacerdotes, decidem realizar a reestruturação sistêmica da sociedade tradicional, que iniciam desde cima, porém o fazem de tal maneira que pareça que se produz desde baixo de modo orgânico. Eles realizam revoluções preventivas para renovar radicalmente a composição humana, modificar as posições que ocupam diferentes classes de seres humanos, e permitir que o barro mais tosco, que na ordem tradicional deve permanecer abaixo, por baixo do mais fino, suba para cima, para que se coloque em meio dessa pirâmide. Dessa maneira se produz a intensificação dos processos humanos, sutilização ou aperfeiçoamento das camadas que sobem de baixo, mobilização do recurso humano global. Não obstante, aqueles que governavam à humanidade em seu formato tradicional, ficam onde estavam e seguem governando à nova sociedade, depois de modificar ligeiramente e encobrir sua presença. Em outras palavras, em todos os tempos, independentemente dos níveis do desenvolvimento das forças produtivas, na civilização tradicional o mesmo que na época pós-industrial do pós-modernismo sempre manda a mesma elite, o mesmo sujeito do domínio, que organiza a alienação que de época em época vai crescendo. É importante compreender ademais, que essa elite não só possui a continuidade espiritual e metafórica, senão também física que atravessa as aparências cambiantes das épocas que se sucedem.

Agora falemos sobre como surge a sociedade contemporânea. O triângulo situado em meio da hierarquia tradicional se volta com a cúspide para baixo e desce até o fundo do novo sistema formado que chamamos a sociedade atual. Quem estava naquele triângulo tradicional? Acima, na cúspide do triângulo estavam os cavaleiros, no meio do triângulo os mercadores, e na base do triângulo os cidadãos livres, habitantes da cidade. O que ocorre quando esse triângulo está invertido e lançado para baixo, olhando com sua cúspide para o subterrâneo pré-humano? Aí onde estavam os cavaleiros, surge o proletariado das diásporas, os habitantes das favelas. Uma coisa une esse proletariado com seus predecessores medievais de armaduras de ferro, e que antanho haviam pertencido à cúspide social: a vivência religiosa da violência, em cujo nome vivem e sofrem a infâmia e a inutilidade de sua existência. Essa gente assim como os cavaleiros medievais está disposta a matar e a morrer e instintivamente sentem tal predisposição como o núcleo mesmo de sua religião. Esse proletariado da violência - lumpencavalaria da época contemporânea - é o combustível para o fogo da resistência permanente pela força da humanidade frente ao Sistema, agora e no futuro.

Por cima deles nesse triângulo invertido está situado o nível que na sociedade tradicional correspondia aos comerciantes. Na época contemporânea, dentro desse triângulo invertido que foi para baixo, os comerciantes se convertem em elementos do crime organizado. Os comerciantes da sociedade tradicional eram os aventureiros, os exploradores, intermediários entre terras distintas. Na sociedade tradicional pagavam o tributo aos cavaleiros, que com a mão de ferro lhes retiravam o dinheiro pelo direito de atravessar seus feudos. No sistema atual, esses aventureiros se convertem na máfia organizada, que "corta a tela" das favelas: recruta sicários e vende droga nas ruas. Por último, aqueles que no espaço tradicional eram os cidadãos livres, subordinados aos comerciantes e situados muito abaixo da casta dos guerreiros, se converteram hoje na classe dos funcionários públicos, financiados com as rendas do Estado: policia, distintos serviços especiais, trabalhadores sociais, tudo aquilo que organiza a fusão complexa da parte de massas da sociedade civil com a baixa burocracia. Os funcionários públicos encarna hoje o sistema nervoso da megalópole moderna, como regra, estão próximos ao crime organizado, ou fundidos com ele e juntos oprimem o proletariado sem direitos das favelas - os "cavaleiros caídos".

É a situação do triângulo do medo dentro da escada de três degraus da hierarquia tradicional que agora se converte na camada de baixo da sociedade. O que ocorre com o degrau que antes estava abaixo? Sobre para cima para ocupar o lugar do triângulo do meio, mas também invertido, quer dizer, a base para cima e o cume para baixo. No triângulo inferior de antes, acima se encontravam os artesãos independentes, sobre os quais se apoiava a camada seguinte constituída pelos cidadãos livres dos burgos. Hoje se converteram na boêmia sem classe, que como classe está acima dos que vivem das rendas estatais: policiais, professores, enfermeiras, dos quais já falamos. Herdam dos artesãos o espírito e a estilística da criatividade marginal, porém dentro da sociedade contemporânea começam a exercer as funções de alta cultura (pintores, atores, escritores, jornalistas). Aqueles que antes estavam situados na metade do triângulo de baixo, os pequenos comerciantes, hoje estão colocados na metade do triângulo do meio - se poderia dizer que no centro matemático de toda a hierarquia pós-industrial! - hoje foram o setor de serviços, que entre outros inclui o show-business, que controla estritamente a boêmia criativa.

A conversão mais interessante ocorre com os habitantes do fundo tradicional - servos, trabalhadores desqualificados, camponeses de toda índole. Hoje ocupam a parte de cima do triângulo do meio (recordemos que ao estar ao contrário, é sua base). De servos se converteram nos empregados das corporações - os yuppies. Uma gigantesca quantidade de absurdos habitantes de escritórios absurdos - managers, executivos e assessores de todo tipo - todos aqueles cujos antepassados espirituais pertenciam à servidão inferior. Sublinhemos que não se tratam dos clerks tradicionais (empregados) que tanto então quanto agora forma parte da burocracia, senão da fauna humana que representa uma camada parasitária precisamente dentro da parte trabalhadora da população. Esses parasitas são as células orgânicas das quais se compõem os corpos das corporações e, como é sabido, as corporações, não produzem nada por si mesmas, senão que se apropriam e capitalizam o produto produzido por alguém em alguma parte.

Por último, o triângulo superior da sociedade tradicional segue sendo o triângulo superior da sociedade contemporânea, porém também se dá a volta. Na sociedade tradicional, como recordamos, acima estava o rei, em meio a aristocracia, representantes do rei, governadores, etc., abaixo do aparato, os ditos clerks. Em sua forma invertida hoje a coisa está do seguinte modo. Acima ao invés do rei os clerks, o aparato estatal, a burocracia onipresente. No meio, no lugar dos representantes do rei, os governadores agora estão os partidos políticos, e abaixo de tudo, aí onde a cúspide aponta para as corporações que se encontram mais abaixo, estão os políticos individuais, representantes pessoais da nomenclatura, que hoje representam o princípio pessoal que no passado unicamente se realizava na figura do monarca.

E o que ocorreu com a aristocracia e os sacerdotes, acima de tudo com esses últimos, que na sociedade tradicional representavam dentro de cada triângulo o quarto ponto invisível, convertendo-o no quadrado virtual? Os verdadeiros reis que seguem sendo reis (e não suas imitadores para as massas humanas em forma de políticos) agora junto com seu círculo aristocrático próximo estão por cima da sociedade. Ao igual que a igreja separada do Estado ainda que em muitos casos seguem sendo nomeados nas constituições e simbolizam a soberania, porém já estão sacados fora da zona de responsabilidade. A nobreza mundial tomou nota do assassinato dos reis e depois do ocorrido com Carlos I da Inglaterra começou a construir o clube universal dos senhores, cuja sobrevivência estivera assegurada frente a qualquer sobressalto histórico. Quanto aos sacerdotes hoje formam uma casta ecumênica completamente fechada, cuja atuação já não acompanha a vida imediata dos triângulos descritos: essa casta agora serve como ponte diretamente entre superelite e o "Grande Ser". E ainda que a sociedade segue sendo o instrumento de alienação do recurso interior humano, agora já não leva o selo de sacralidade geral, própria do "mundo tradicional". Se a sociedade tradicional incluía o elemento espiritual, que acompanhava a cada camada que o compunha, a sociedade atual simplesmente se converteu em um golem de barro.

A Crise da Alienação e os Problemas do Movimento Global 

O que ocorre na realidade? Uma ingente quantidade dos camponeses, granjeiros, serventes, gente das camadas sociais baixas de ontem, hoje se transformaram em empregados corporativos, em yuppies, que se deslocam com seus trajes e seus computadores portáteis para os escritórios, passam ali as horas combinadas, realizam ações totalmente virtuais sem produzir nada, e entram em uma quantidade colossal de relações humanas que lhes determinam. Eles entregam enorme quantidade de energia. Não se trata da energia que se gasta arrastando pedras e que é fácil medir em joules. Trata-se da energia sutil do tempo interior que nas gentes de baixo, se pode dizer, que se concentra em uma porcentagem especialmente alta. Quando são promovidas à classe média se convertem em funcionários, que desempenham intermináveis papeis sociais: devem educar seus filhos, manter relações sociais, pagar quantidade de seguros de todo tipo e outros pagamentos, participar em uma multitude de iniciativas políticas locais, municipais e outras. Sua vida consiste em dar mais voltas que um esquilo colocado dentro de uma roda. Seu tempo se gasta em dezenas e centenas de direções distintas.

Dessa maneira o custo sobre a exploração da classe média a sociedade atual segue "pagando" ao segundo princípio da termodinâmica, ao cosmo, ao princípio do resfriamento, ao princípio do destino, ao tempo. Não obstante, esses recursos chegam a seu fim: ainda que o "bilhão dourado" (o número de seres humanos, habitantes do núcleo do sistema capitalista que, segundo Fukuyama, poderão seguir no "barco do progresso") se converteram em esquilos uqe correm dentro das rodas do tempo sem sentido, ainda ficam aproximadamente cinco bilhões de seres humanos, cujo tempo transcorre em um ritmo parecido ao da sociedade tradicional. São pobres e estão desnudos, ganham uma mísera diária com o esforço pessoal bastante primitivo para manter uma existência minimalista. Para poder aumentar o fluxo da alienação que provém dessa enorme massa de baixo, há que elevá-la ao nível do desenvolvimento da classe média ocidental. Mas para converter chineses, brasileiros, mexicanos, indianos, habitantes do Oriente Médio nos yuppies de Paris ou de Washington com suas gravatas e carteiras há que investir uma enorme quantidade de meios dos quais não dispõem os mestres da ordem mundial. As classes dirigentes os devoraram através da economia especulativa, através das futures transactions, através das transações com base em tecnologias que ainda não foram lançadas e que com cada vez maior frequência resultam ser fictícias. As classes superiores graças à pura especulação devorou os recursos que teriam podido transformar essas lebres que correm libres pelo campo em servos da sociedade que se pode esgotar.

O que significam recursos reais? No ano de 1917 na Rússia czarista viviam aproximadamente três milhões de representantes da nobreza e da intelligentsia e cento e cinquenta milhões de arcaicos mujik - camponeses. Em vinte anos em sua maioria esses camponeses foram convertidos em operários, funcionários, membros do partido, etc. Se reuniam em distintos comitês, gastavam seu tempo, entravam em contatos sociais, aprenderam a ler e escrever, derramavam uma torrente de energia que a URSS extraía e convertia em distintos projetos. No projeto de GOELRO (eletrificação do país), no projeto atômico, o projeto espacial. De onde surgiu tudo aquilo? Trata-se da conversão direta da energia humana. Para poder converter em vinte anos camponeses analfabetos em funcionários, personagens públicos, cidadãos com educação média, engenheiros, etc., dos que se podia sacar mil vezes mais que da Rússia czarista, havia que investir todos os ativos reais que houvesse no território do Império czarista. Arrancar os brilhantes dos corsets das princesas, confiscar os quadros do Ermitage, vender Rafael, tomar os grãos dos camponeses - tudo o que havia de real, tudo foi investido nesse projeto. E certamente, 20 anos depois, pelo território da Rússia andava outro homem completamente distintos, que desfilava com o moletom esportivo nos eventos oficiais, agitava a bandeira, participava nas Espartaquiadas, era membro da DOSAAF (Sociedade Voluntária de Ajuda ao Exército, Aeronáutica e Marinha), etc. E todavia seu avô ou seu pai com suas enormes barbas cavaram a terra com arado de madeira. Porém hoje não há esse dinheiro. Assim que ninguém pensa elevar aos cinco bilhões ao status "áureo". Ao invés disso os senhores da vida decidiram nos lançar pela beira do barco do progresso e passar à sociedade da informação, que promete se converter na mais férrea ditadura policial em toda a história da humanidade. Perante nós se abre a perspectiva da terceira sociedade - já falamos de outras duas, a tradicional e a moderna - a sociedade informacional-virtual, em que a antiga classe média será convertida em robôs, nos terminais dos fluxos de informação. E os outros cinco bilhões de seres humanos serão arremessados abaixo ao puro deserto, e se tentarem se sublevar como ocorreu na França, a policia especial em suas naves os massacrará desde o espaço com raios laser. Semelhante perspectiva não é uma novela fantástica, é o rumo com o qual teremos que nos confrontar amanhã. E é pelo que hoje nós - o proletariado, as diásporas - os que fomos cavaleiros de ontem, convertidos no novo proletariado, devemos nos ocupar de nossos direitos, de nossa sobrevivência política e histórica.

07/12/2013

Troy Southgate - Manifesto Nacional-Anarquista

por Troy Southgate



INTRODUÇÃO

“O único meio de fortalecer o intelecto é não ter uma opinião rígida sobre nada – deixar a mente ser uma estrada aberta a todos os pensamentos.” John Keats.

Pode parecer difícil de acreditar, mas houve um tempo em que as pessoas comuns tinham mais controle sobre suas vidas e habitavam um mundo em que a vasta maioria dos indivíduos eram capazes de viver em comunidades estreitamente ligadas com seus semelhantes, longe do ambiente vazio dos supermercados comuns, caçando ou cultivando alimentos para consumo próprio, conversando e fazendo música em uma sociedade sem televisão ou jogos de computadores, e até mesmo transmitindo valores tradicionais para os seus próprios filhos sem a influência perniciosa das escolas do sistema e meios de comunicação de massa. Então, o que deu errado?

Entre 500 e 850 EC, não muito tempo depois da desprezada ocupação romana da Grã-Bretanha vir a um fim abrupto, as invasoras tribos germânicas se estabeleceram e gradualmente começaram a adicionar seus próprios sabores para a ilha. Em pouco tempo, ela tornou-se relativamente descentralizada e eventualmente se dividiu entre sete reinos distintos. As coisas estavam longes de serem perfeitas, é claro, mas como resultado desse balanço crucial de poder, as tribos dos anglos, saxões e jutos puderam desfrutar um alto grau de autodeterminação. Quando os normandos chegaram em 1066, contudo, a recém-criada nação inglesa havia se transformado em uma terra de servos, como o livro Domesday prova sem qualquer dúvida, cruelmente explorada por seus recursos valiosos e as coisas nunca mais foram as mesmas.

No momento em que a Idade Média surgiu, aventureiros imperialistas como Edward I e outros monarquistas belicistas pela Europa estavam a tomar emprestadas grandes quantias de dinheiro de financiadores judeus, mergulhando o país em um débito crescente. Mas enquanto Edward encontrou uma desculpa conveniente para deportar essas pessoas usurárias da costa da Inglaterra, assim salvando a si mesmo de uma quase certa falência, pelo século XVI os eventos foram mudando dramaticamente com a Reforma Protestante varrendo a infraestrutura socioeconômica existente e inevitavelmente causando a expulsão de milhares de pessoas de hospitais monásticos, abrigos religiosos e outros locais de refúgio que, naquela época, eram mantidos pela Igreja Católica. De acordo com o radical comentarista social, William Cobbett, antes da Reforma a palavra "pobreza" não havia entrado na língua inglesa.

Junto com as grandes mudanças religiosas do século XVI, veio o florescimento artístico da Renascença e os valores menos positivos do Iluminismo humanista. Enquanto o Cristianismo havia servido como a corrente predominante na Inglaterra por centenas de anos, as novas ideias do resto da Europa que varreram a Inglaterra agora posicionavam o homem firmemente no centro do universo e, portanto, era inevitável que a espiritualidade - deixando o cristianismo sozinho - fosse declinar rapidamente e ser substituída pelos valores materialistas da nova ordem mercantil. Essas profundas mudanças, que levaram, na Inglaterra, para a guerra civil do século XVII e do triunfo dos parlamentares do Cromwell sobre a monarquia de Charles 1, logo abriram o caminho para a revolução francesa.

Em 1789, a monarquia francesa foi atacada por uma burguesia ressentida e Louis XVI foi vítima, como muitos outros, da diligente lâmina da guilhotina. Uma vez que os pseudorevolucionários do final do século XVIII chegaram ao poder, a vida da ordinária população francesa logo se agravou e os transitórios valores do regime brutal mostraram-se inteiramente falsos. De fato, seguindo a inauguração de uma nova classe dominante, os laços orgânicos do passado foram completamente extinguidos assim como títulos raciais, culturais e espirituais foram considerados obsoletos e totalmente desencorajados.  Isso, é claro, foi o primeiro passo para o processo de globalização dos séculos XX e XXI e as ideias da Revolução Francesa passaram a liderar o crescimento de muitas ideologias destrutivas, como o nacionalismo, comunismo e a democracia-liberal.

Enquanto isso, de voltas às Ilhas britânicas, uma explosão de tecnologia científica permitiu uma combinação de aristocratas e novos ricos a aproveitarem a força indomável que levou à Revolução Industrial. Isso resultou no deslocamento de comunidades rurais do país, com milhões de pessoas deixando sua terra e se movendo para as cidades em expansão para trabalharem nas usinas e fábricas sem alma. Esta estratégia de escravização em massa viu pessoas forçadas a descer em minas e subirem chaminés para gerar lucros para os ricos.

Durante esse período, as ricas famílias bancárias como os Rothschilds e outros foram capazes de assumir o controle de vários países europeus, bem como fomentar guerras e revoluções para seus próprios fins. Vários movimentos de protesto tentaram lutar por justiça e melhores condições, mas em 1917 os comunistas tomara o poder em Moscou e foram saudados como uma potente 'alternativa' ao capitalismo, apesar de ir e assassinar e reprimir centenas de milhões de pessoas tanto na Rússia, Leste Europa e no Extremo Oriente. A realidade, é claro, é que enquanto o capitalismo explorou as pessoas comuns para ganhos privados, o comunismo era simplesmente uma forma de capitalismo de Estado administrado por uma nova classe dominante. Para piorar a situação, o comunismo proveu os capitalistas, como também os nacional-capitalistas da Alemanha Nazista e Itália Fascista, com um novo impulso e assim preparou o caminho para a vitória da democracia-liberal e o bloco comercial econômico conhecido como Ocidente. O resto, como dizem, é história.

O você está prestes a ler foi projetado para lhe dar um gosto do que a vida poderia ser em comunidades descentralizadas nacional-anarquistas. Tenha em mente, contudo, que este é apenas um esboço muito breve e que nós fornecemos uma série de leituras para ajudá-lo a explorar vários tópicos mais profundamente. Uma vez que você se familiarizar com a nossas posições em vários assuntos, você vai encontrar informação relacionada a como você pode se envolver com o Movimento Nacional Anarquista (N-AM). Nosso trabalho é oferecer a você a visão de um futuro melhor. Se você gostar do que ver, você pode nos ajudar a tornar esse futuro uma realidade.

ANTISSIONISMO

"Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota pisando em um rosto humano - para sempre." - George Orwell.

Embora as pessoas ao redor do mundo estejam bastante cientes da influência desproporcional de grupos judeus dentro dos vários apêndices governamentais e da mídia popular da Europa e América do Norte, a maioria dos quais estão completamente sob seus controles, poucos estão preparados para sair e dizer isso por medo de perseguição ou ocorrência de ameaças habituais de 'anti-semitismo'. É um fato, contudo, que desde os ambiciosos monarcas europeus que primeiramente nos mergulharam no vortex de dívida internacional, uma confraria de elite judaica e seus aliados têm efetivamente manipulado os eventos mundiais para seus próprios interesses. Isso foi alcançado não simplesmente pela usura, mas também como resultado do envolvimento judeu no contrabando e extorsão criminosa na América dos anos 1930, algo que finalmente passou a financiar a aquisição sionista da indústria cinematográfica de Hollywood e, em 1948, trouxe o estabelecimento do estado-bandido de Israel.

Nacional-Anarquistas não 'odeiam' judeus comuns e nem querem prejudicá-los como um povo com sua própria identidade religiosa e cultural, mas o que nós não iremos tolerar, todavia, é a escravização permanente de nosso povo por uma minoria de parasitas vampíricos com a intenção de esculpir os recursos do mundo em uma tentativa de criar um mercado único, global. Acreditamos que o caminho para combater o sionismo é continuar a expor a hipocrisia daqueles que, por um lado, usam o 'holocausto' nazista para evocar simpatia, e, por outro lado, brutalmente reprimem o longo sofrimento dos palestinos em sua própria terra. Mais de 90% dos judeus modernos são descendentes de um povo semi-turco que, confrontados com a intolerância sectária de seus vizinhos ortodoxos cristãos e muçulmanos, se converteram ao judaísmo em massa quando faziam parte do império Khzar, que atravessava a área entre o mar Negro e Cáspio, durante o século VIII. Na verdade, eles não possuem nenhuma conexão racial ou territorial autentica com o Oriente Médio. Nacionais-anarquistas apoiam a intifada palestina, assim como grupos judaicos como Neturai Karta e outros vários opositores do Sionismo que estão procurando expor as múltiplas mentiras e distorções perpetuadas pelo regime israelense, assim como seu braço de inteligência, o Mossad, e a organização central que opera bem no coração do governo dos Estados Unidos. Sionismo é o inimigo de todos povos e deve ser vencido.

ANARQUISMO

"A liberdade do homem consiste tão somente nisso, de que ele obedeça as leis da natureza as quais ele por si próprio reconhece enquanto tais, e não porque elas foram impostas externamente sobre ele por qualquer vontade exterior, humana ou divina, coletiva ou individual." - Mikhail Bakunin.

"Eu preciso criar um sistema ou serei escravizado por outro homem. Eu não vou raciocinar nem comparar: eu vou criar." - William Blake.

"A sociedade busca ordem na anarquia." - Pierre Joseph Proudhon. 

Aos olhos de muitas pessoas, a palavra "anarquismo" conjura imagens chocantes de um carrancudo Johnny Rotten desencadeando o caos e a destruição sobre a sociedade contemporânea. Anarquistas supostamente devem ser qualquer coisa de niilistas de cabelos longos e demônios drogados hedonistas utópicos completamente fora de contato com o mundo real. A representação do século XIX do anarquista médio, ao menos daqueles que se propuseram à sátira ou difamação na mídia controlada, era a de um louco estereotipado, invariavelmente barbudo ou sujo, segurando uma bomba ou um pedaço de explosivo. Mas o anarquismo verdadeiro não tem nada a ver com a decadência e a degeneração, ou com violência e terror gratuitos, ele pode realmente fornecer uma alternativa real e tangível para o declínio contínuo da civilização ocidental.

Anarquia se origina do termo grego archos, que significa 'nenhuma regra' ou 'sem regra'. Isso não deve implicar, no entanto, que os anarquistas acreditam em desordem porque, neste caso, o termo 'regra' é associado com a maneira pela qual a sociedade está organizada de acordo com uma específica forma de comportamento ou conduta. Então, sugerir que uma comunidade não deva ter "nenhuma regra', portanto, não significa que se deve descer ao casos absoluto, pois a própria norma diz respeito a uma apreciação da ordem natural e se recusa a reconhecer as constitucionais leis humanas ou costumes estabelecidos por impérios, estados ou outras formas de controla administrativo ou governamental. Mas isso não significa que comunidades anarquistas são incapazes de aderir a um conjunto de crenças, valores ou princípios, pelo contrário, simplesmente significa que a ordem natural prevalece sobre todos os momentos. De fato, a ordem natural é a mais orgânica forma de organização social no planeta, porque permite que o homem viva de uma maneira que a natureza em si pretendia. Não como animai selvagens ou em ignorância cega, pois o homem se encontra em posse de uma inteligência superior, mas certamente satisfazer nossas mais básicas necessidades, instintos e desejos estão em causa. Leis e sistemas procura nos escravizar, mas dentro de um ambiente mais natural e propício podemos cumprir nossos destinos verdadeiros e redescobrir essa ligação há muito esquecida com o ambiente.

Em vez de trabalhar sob um sistema em que a 'regra' é imposta pela força, Nacional-Anarquistas acreditam na autoridade natural. Hierarquia é um fato básico da natureza, mas algo que é bastante diferente do artificial sistema de classes que pode ser encontrado em todas as sociedades ocidentais contemporâneas. Liderança, por exemplo, deve ser encorajada, mas também vem com a responsabilidade e dentro de um contexto anarquista ou tribal, o chefe ou macho alfa é tão forte quanto a comunidade. Nas palavras de Rudayard Kipling, 'a força da alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia'. Ao contrário do enorme abismo entre aqueles que governam e os que são governados hoje, os dois são inseparáveis e necessariamente complementares.

Quando Marx e Engels publicaram o Manifesto Comunista, em 1848, os trabalhadores e camponeses da Europa acreditavam que eles tinham finalmente encontrado um resposta para a ganância e a crueldade do capitalismo. Mas Marx defendia uma forma crua de totalitarismo que ele chamou de 'ditadura do proletariado', algo que apenas levou à criação de uma nova classe dominante e, portanto, à perpetuação da escravidão assalariada. Mas os comunistas não foram os únicos 'adversários' do capitalismo, na mesma época um francês chamado Pierre-Joseph Proudhon tinha havia lançado um ataque contra o capitalismo e o comunismo, firmemente acreditando esse último minava a individualidade humana. Consequentemente, vários anarquistas russos, entre eles Mikahil Bakunin e Peter Kropotkin, também tentaram expor a futilidade do marxismo e escreveram de um futuro descentralizado mundo de coletivos onde cada pessoa poderia ter mais autonomia e expressar sua própria identidade. Durante o século XX, contudo, as fileiras anarquistas foram infiltradas por comunistas e o que começou como um ideal nobre caracterizado por uma ideia de liberdade e identidade se degenerou em uma burocracia de esquerda e o tipo de politicamente correto que somos tão familiares hoje em dia. Não há dúvida que a esquerda têm arrastado os banners orgulhosos da anarquia no meio da lama e que a imagem do anarquismo foi severamente manchada como resultado, mas isso é precisamente porque o mundo está agora pronto para um novo ideal: Nacional-Anarquismo. Mas o que distingue o Nacional-Anarquismo do fenômenos anarquistas mais amplo e o que ele tem a oferecer?

Nossa visão, em poucas palavras, é uma de pequenas aldeias-comunidades em que pessoas ocupam seu próprio espaço para viver de acordo com seus próprios princípios. Estes princípios dependem da natureza das pessoas que formam a comunidade em primeiro lugar, pois a última coisa que queremos fazer é impor um sistema rígido ou dogmático de qualquer tipo. Em teoria, portanto, Nacional-Anarquistas podem ser cristãos ou pagãos, agricultores ou artesão, heterossexuais ou homossexuais. O importante, porém, é que as comunidades nacional-anarquistas sejam autossuficientes. Eles devem ser mutualistas também, ao invés de coercitivos. Em outras palavras, as pessoas devem ser livres para ir e vir em todos os momentos. Se você está descontente com o princípio unificador de uma comunidade nacional-anarquista, então simplesmente mude-se para outra. Por outro lado, as comunidades devem ser respeitosas com seus vizinhos e estarem preparadas para se defender de intrusos.

Finalmente, ao contrário das cada vez mais desesperadas calúnias de nossos inimigos tanto na direita como à esquerda do espectro político, não estamos usando anarquismo como uma tática conveniente ou para esconder uma agenda fascista secreta de qualquer tipo - nós estamos falando sério. Além disso, como mutualistas nós nos atemos na filosofia 'viva e deixe viver'. Pessoas são diferentes e possuem diferentes valores. Nas pluralísticas sociedade modernas, esses valores tendem ao conflito e é inevitável que alguns valores irão substituir e até mesmo erradicar outros. Achamos que determinados valores valem a perda ser preservados para as futuras gerações e é por isso que nós desejamos criar um clima onde isso é possível. Nacional-Anarquismo, então, é um anarquismo sui generis. Uma anarquia do seu próprio tipo. 

A FALHA DA ESQUERDA

“A única diferença econômica entre um rebanho de russos subservientes e uma multidão de livres ingleses em uma fábrica de manhã é que o últimos são explorados pelo lucro privado, e o primeiro pelo Estado de forma comunal. O motivo dos mestres russos é estabelecer uma burocracia confortável para si e seus amigos fora do trabalho proletário. O motivo dos mestres ingleses é aumentar suas fortunas privadas fora do trabalho proletário. Mas nós queremos algo diferente dos dois." - Hilaire Belloc.

"Karl Marx, que passou a maior parte de sua vida na sala de leitura da Biblioteca do Museu Britânico, provavelmente esteve em pouco em contato com a natureza, uma vez que era possível fazer isso e permanecer vivo. O resultado foi que sua filosofia ignora tudo o que não é humano absolutamente por completo. Estava ciente de (apenas) que a comida vinha do país. Ele sabia que devia haver alguém lá fora que a cultiva. Era seu objetivo resgatar essas pessoas imaginárias do que ele chamava de "idiotice de vida rural”. O que é isso com a idiotice de desperdiçar toda sua vida na Biblioteca do Museu de Londres?" - John Seymour.

As teorias de Karl Marx que apareceram em meados do séculos XIX, eventualmente tornaram-se realidade durante a Revolução Russa de 1917. Em todo o curso dos noventa dos mais brutais e sangrentos anos da história humana, a assassina experiência comunista centrada no Leste Europeu e Extremo Oriente tornou-se tão odiada e desprezada como seu gêmeo capitalista no Ocidente. 

Os esquerdistas modernos alegam que depois da morte de Vladimir Illyich Lenin em 1924, sua revolução foi sequestrada por Josef Stalin. No entanto, permanece o fato de que o herói sempre popular da brigada anti-stalinistia, Leon Trotsky, havia sido financiado por financiadores de Wall Street. O terreno comum, é claro, não era ideologia mas etnia. Ricos banqueiros judeus de Nova York tinham poucos escrúpulos em ajudar suas contrapartes na Rússia Czarista, especialmente quando isso significaria que havia uma chance de eliminar a monarquia russa e criar novos mercados maduros para exploração. O link racial entre capitalismo e comunismo é irrefutável. Em 1918, o Partido Bolchevique foi quase totalmente controlado por ativistas revolucionários de origem judaica (Khazar). De acordo com Robert Wilton, o correspondente russo dos jornal The Times, "de 556 importantes funcionários do Estado Bolchevique, haviam, em 1918-1919, 17 Russos, 2 Ucranianos, 11 Armênios, 35 letões, 15 Alemães, 1 Húngaro, 10 Georgianos, 3 Poloneses, 3 islandeses, 1 checo, 1 karaim, 457 Judeus. Se o leitor é surpreendido ao encontrar a mão judaica em todo o caso de assassinato na Família Imperial Russa, deve ter em mente a enorme preponderância numérica de judeus na administração soviética. "[Les Derniers Jours des Romanov, Thornton Butterworth, 1920, p. 29]. As declarações de Wilton são validadas por Hilaire Belloc que, em 1937, escreveu que "para qualquer pessoa que não sabe que o atual movimento revolucionário bolchevique é judeu na Rússia, só posso dizer que ela deve ser um alguém que aceita os abafamentos de nossa imprensa deplorável". [G. K. ‘s Weekly, February 4th, 1937]. Winston Churchil também observou o caráter decididamente judaico do bolchevismo no Illustrated Sunday Herald de 8 de fevereiro de 1920, quando disse: "Não há necessidade de exagerar o papel desempenhado na criação do bolchevismo e do alcance real da Revolução russa por esses internacionais e em sua maior parte judeus ateus. É certamente um dos grandes, provavelmente supera todos os outros.” [Illustrated Sunday Herald, February 8th, 1920].

Embora o anarquismo primitivo tivesse muito a oferecer para aqueles que viviam abaixo do calcanhar das antigas monarquias europeias e, consequentemente, da nova classe que emergiu da Reforma e do Iluminismo, o crescimento da esquerda levou a uma completa infiltração do Anarquismo. Os grupos que dirigem o movimento "anti-capitalista" são geralmente liderados por dogmáticos de esquerda e de loucos por controle que gostam de alegar que nacional-anarquistas estão tentando subverter o anarquismo para seus próprios fins. Mas isso é falso. Como já dissemos em outro lugar, várias e várias vezes, nós não somos 'racistas' ou 'supremacistas brancos' com algum tipo de agenda secreta, nós formulados um programa para combater a degeneração contínua da sociedade ocidental e garantir que coisas como a diversidade, a identidade e o patrimônio cultural sobrevivam ao colapso iminente.

Infelizmente, todavia, a maioria das pessoas na esquerda não irão descansar até que possam organizar todos os aspectos da vida das pessoas. É uma doença autoperpetuada. É por isso que esquerdistas falam do 'direito ao trabalho', quando - como Bob Black observa com razão - o real problema é o trabalho em si. A esquerda, assim como a direita totalitária, se recusa a tolerar qualquer um que tente optar por sair de sua visão de uma sociedade plenamente inclusiva. Alguns de nós, no entanto, não querem participar disso e só serão 'socialistas' entre nós e nossos semelhantes. A este respeito, nós somos um movimento elitista que levanta firmemente a noção de meritocracia. O que não aceitamos, no entanto, é que todos são 'iguais'.

A questão do igualitarismo é um dos principais obstáculos da esquerda contemporânea e decorre de teorias mal concebidas de John Locke acerca da tábula rasa. Esta é uma ideia absurda de que os humanos entram no mundo como uma "folha em branco" e absorvem tudo ao seu redor como uma esponja. Mas nós não somos meramente influenciados por fatores ambientais ou pela impressão que nós recebemos por nossos ambiente mais imediato, também herdamos muitas características genéticas de nossos pais, avós e bisavós. Até certo ponto, então, nós já fomos formados antes mesmo de sair do útero e isso pode ter um grande impacto em que tipo de pessoa nós eventualmente nos tornaremos. O clima socioeconômico em que nasce alguém tem um impacto na maneira em que ela se desenvolve, é claro, mas seus fatores genéticos superam considerações ambientais e não devem ser ignorados.

Supor, portanto, que os seres humanos são de algum modo 'iguais' é bastante ridículo. Por outro lado, isso não significa que as pessoas que são menos inteligentes ou fisicamente deficientes devam ser tratados com desdém ou crueldade. Aqueles que exibem uma capacidade superiora em determinadas áreas têm uma responsabilidade com aqueles quem possuem menos. A humanidade - como o resto da natureza - é hierárquica e as fantasias da esquerda progressista sobre o mundo em que todos adquirem a mesma pontualmente, inevitavelmente, se manifesta como um processo de nivelamento em que leis opressivas são usadas para arrastar o forte até o nível do mais ressentido e fraco. Nacional-anarquistas acreditam em incentivar as pessoas a expressar todo o seu potencial, não forçá-los a afundar a um denominador comum.

Políticas de esquerda inevitavelmente descem para barbárie e totalitarismo e é por isso que o capitalismo tem sido autorizado a prosperar na medida em que tem feito. Sempre que a esquerda sobre ao poder, simplesmente administra o capitalismo em uma forma ligeiramente modificado, através dos burocráticos órgãos do Estado. As estratégias de esquerda, no entanto, tem sido muitas vezes altamente eficazes e não há razão para que táticas como entrismo, sabotagem industrial, linhas de piquete, captação de recursos e ação comunitária não sejam utilizadas por Nacionais-Anarquistas.

Para concluir, Nacional-Anarquistas rejeitam tanto o capitalismo estatal quanto o privado e desejam garantir que o poder emerja das raízes e se canalize para cima. Essa visão é um longo caminho desde a desumanização da ala esquerdista de "trabalhadores estatais", no qual pessoas são retratadas, não como indivíduos, mas como unidades econômicas propícias à exploração. Não se engane, a esquerda não tem alternativa alguma a oferecer e deve ser rejeitada.

COMUNIDADE CONTRA O ESTADO

“Haverá uma transformação qualitativa, uma nova maneira de viver, uma revelação que será como dádiva de vida, um novo paraíso e uma nova Terra, um mundo jovem e poderoso no qual todas as nossas atuais dissonâncias serão resolvidas, transformando-se num todo harmonioso.” – Mikhail Bakunin.

“Um bom homem e um bom cidadão não são exatamente a mesma coisa.” – Santo Agostinho.

Nós não temos que depender de escândalos de gastos ministeriais, corrupção nas altas esferas e dos políticos que mentem para nos convencermos que a democracia parlamentar é uma farsa, o sistema em si está podre por dentro.

No passado, o processo político envolvia pequenos grupos de caciques, guerreiros e homens santos, cada um dos quais se reuniam regularmente para discutir as necessidades e aspirações de suas respectivas comunidades, particularmente em relação à segurança e bem-estar. A política sempre foi aberta à abusos, é claro, mas a tradição anglo-saxônica (germânica) de Witenagemot - também conhecida como Witan - foi um dos exemplos mais descentralizados de como nossos ancestrais exerceriam uma forma de autoridade política que foi canalizada para cima a partir das bases. Os envolvidos sentiam um senso de dever e responsabilidade com seus povos, bem diferente dos políticos de hoje, com seus narizes firmemente enfiados na sarjeta.

O Witenagemot começou como um fenômeno tribal distinto e até mesmo o local de encontro para essas reuniões populares era esporádico e indeterminado. Infelizmente, no entanto, na sequência da invasão normanda da Inglaterra em 1066, o Witenagemot foi transformado no mais elitista Curia Regis, que serviu como órgão consultor para a monarquia e logo tornou-se o primeiro parlamento. Esta mudança sutil tornou muito conveniente para o sistema normando centralizar o poder nas mãos de um número cada vez menor de pessoas. Após a Guerra Civil Inglesa do século XVII, o poder da monarquia foi reduzido e o parlamento se tornou poderoso. Mas ao invés de facilitar para as pessoas comuns manifestarem suas opiniões sobre assuntos do dia, ele se tornou uma ferramenta para os latifundiários e classes dominantes.

O principal problema com a democracia parlamentar é o fato de que é representativa. De fato, embora seja possível que as pessoas votem por um partido político e possam eleger um político de sua imediata localização, o indivíduo não pode ser substituído por vários anos - dependendo do país em questão e do sistema parlamentar em questão.

Contudo, como sabemos muito bem, políticos não são muito bons em manter suas promessas e tendem a ser eleitos e fazerem uma série de voltas traiçoeiras. Então mesmo que um político diga que representa seus interesses, ele ou ela de fato representam os interesses do partido. O termo 'partido' se refere a uma parte do todo, então apesar de um membro do parlamento supostamente representar as pessoas residentes de uma área específica, somente uma pequena fatia da comunidade - i.e aqueles que votaram no membro em primeiro lugar - será capaz de ter seus desejos expressados. E isso sem levar em conta que uma minoria de pessoas sequer se importam de votar em primeiro lugar, isolando o fato que os políticos raramente se preocupam em cumprir suas promessas.

Em vez de democracia representativa, por meio da qual políticos servem seus próprios interesses em detrimento da comunidade em nome do Estado, Nacional-Anarquistas acreditam na participação. Em outras palavras, em vez de votar em políticos a cada poucos anos e, em seguida, lhes permitindo ir adiante e agir exatamente como querem, nós acreditamos que próprio povo deve ter um papel ativo na política. Não em escala nacional, mas dentro de suas próprias localidades. Em vez de políticos, Nacional-Anarquistas favorecem delegados, pessoas que devem ou refletir os desejos das pessoas ou serem substituídos imediatamente. Esse processo seria uma proteção contra corrupção e impunidade e se certificaria que as pessoas tenham uma voz real no funcionamento de suas próprias áreas. Isso marcará o retorno, se quiser, do antigo sistema Witenagemot. E enquanto Nacional-Anarquistas não aceitamos uma aplicação centralizada como "regra", aceitamos que a verdadeira forma de tomada de decisão é algo que será exclusivo de cada comunidade. E comunidade é a palavra-chave.

O fato de que as pessoas têm tanto poder nas mãos do Estado faz com que as tradições e valores de nossas comunidades estejam sendo corroídas em um ritmo alarmante. As leis nacionais e constituições são um fenômeno relativamente moderno e supor que humanos são incapazes de se organizarem em comunidades extremamente ligadas é entregar toda a responsabilidade para o Estado. Pense nisso, você realmente deseja deixar as coisas para empresários, políticos, vereadores, juízes, oficiais de justiça, cobradores de impostos, latifundiários, soldados, a polícia e os professores, ou você prefere ver poder, riqueza e as armas devolvidos às comunidades aos quais pertencem? Quanto menos dependermos do Estado e suas instituições, mais ele se tornará irrelevante. Uma vez que isso ocorra, é claro, ele se tornará supérfluo e será varrido. Nós lutamos, portanto, pela comunidade contra o Estado.

SEPARATISMO RACIAL

“A luta de nosso tempo é de concentrar, não dissipar; para renovar a nossa associação com a sabedoria tradicional; para reestabelecer uma vital conexão entre o indivíduo e a raça. É, em uma palavra, uma luta contra o liberalismo."  - T.S. Eliot.

Até a medida em que a esquerda está envolvida, o Nacional-Anarquismo é simplesmente uma forma de fascismo genérico ou, de acordo com algumas teorias mais paranoicas, uma conspiração de direita dedicada à subversão da própria esquerda. Desnecessário dizer, essa interpretação é incorreta e Nacional-Anarquistas se opõem fortemente ao estatismo assim como a reação em todas suas formas.  Ao mesmo tempo, o componente 'nacional' do termo Nacional-Anarquismo foca-se no fato de que somos separatistas raciais. Sem necessidade de dizer, enquanto nós desejamos formar comunidades anarquistas que sejam etnicamente orgânicas, nós também nos opomos às atitudes negativas e contra produtivas que encorajam ódio racial e violência irracional. A política baseada na raça têm sido quase sempre domínio das organizações de direita. Mas o fato de Nacional-Anarquistas estarem preparados para lidar com essa questão espinhosa não deve levar as pessoas a nos interpretar erroneamente como mais uma organização de direita comprometida em promover a "supremacia branca", porque o próprio Nacional-Anarquismo transcende tanto esquerda quanto direita. Nós não somos supremacistas, racistas, estatistas ou totalitários. Além disso, os nacional-socialistas alemães e os fascistas italianos do século XX se aliaram com grandes interesses bancários e traíram o aspecto mais 'socialista' dos seus programas. Nós somos genuínos anarquistas e com orgulho.

Organizações de direita que recomendam ou um endurecimento das leis de imigração atuais ou advogam que as pessoas de ascendência não-europeia deveriam ser repatriadas aos seus países de origem étnica, inevitavelmente tentam reproduzir o sistema em seu próprio jogo e consequentemente sempre ficam em segundo lugar. A razão para isso é simples. Não só eles se tornaram seduzidos e corrompidos pelo sistema parlamentar e acabaram por ter de comprometerem-se a fim de gerar progresso eleitoral, eles também reforçam as realidades sem sentido dos modernos Estados-nação ao completamente falhar em entender a diferença entre cidadania e etnia.

Como mencionamos na introdução, a Revolução Francesa de 1789 transformou uma nação de assuntos monárquicos em cidadãos de uma nova república, mas além do fato de que as palavras de ordem "liberdade, igualdade e fraternidade" nunca terem sido postas em prática, também tornou possível para indivíduos tornarem-se parte da nação através somente da cidadania, em vez de ser um resultado da etnicidade francesa. Esta mudança sutil já preparou o caminho para os capitalistas modernos trazerem na economia imigrantes do Terceiro Mundo que, ao que parece, eram tão 'franceses', 'ingleses', ou 'alemães' como aqueles de nós com uma linhagem que se estende por milhares de anos atrás. As "nações" de hoje, então, são completamente falsas. Ao dar credibilidade a essas entidades artificiais, a direita na verdade reforça o mito liberal-democrático.

No entanto, devido à imigração em massa e mudanças demográficas, as populações das contemporâneas 'nações' ocidentais estão mudando o tempo todo e, portanto, o sistema faz um esforço determinado para redefinir constantemente todo o conceito de nacionalidade. As populações multirraciais da Europa e América do Norte não podem ser consideradas "nações" de maneira alguma. Pessoas de origem não-europeia podem muito bem ser cidadãos nacionais e possuíram um passaporte válido informando que eles se 'naturalizaram', mas, na realidade, a verdadeira nacionalidade é baseada em considerações étnicas. Nomes como "Inglaterra", "França", "Alemanha" já foram relacionados com tribos específicas e elas dificilmente eram mouras, beduínas ou zulus, então o fato de que Estados-nação modernos já não refletem a identidade étnica dessas tribos indo-europeias originais - ou pelo menos não totalmente - faz a coisa toda ser uma farsa total. É o norte de Paris, com sua grande população africana, ainda francês? E os turcos que se instalaram na Alemanha seguem sendo alemães? Claro que não.

Raça define quem nós somos, nos fornece uma identidade e existe por uma bela razão. Sem a manutenção dessa diversidade essencial, algo que você pode encontrar por toda natureza, o mundo se tornará cada vez mais sombrio, padronizado e monótono e as únicas pessoas restantes no planeta irão inevitavelmente formar uma massa disforme de cor café de uniformidade humana. Nacional-Anarquistas desejam preservar as diferentes raças da terra e acreditam que o multirracialismo termina com a dissolução de todas as raças. Separatismo racial é a única maneira pelo qual o equilíbrio orgânico pode ser restaurado. Temos consciência de que é impossível separar as pessoas nas grandes cidades, a maioria das quais têm filhos racionalmente mistos ou desejam viver entre as populações estrangeiras, e também não devemos tentar fazer isso. Na verdade, acreditamos que os estados-nação do ocidente tendem a entrar em um colapso nas próximas décadas e que nossos respectivos países vão começar a se fragmentar em linhas raciais e culturais. Então não há claramente nenhuma necessidade de tratar pessoas desumanamente levando-as como gado para campos ou deportando-as da maneira que nazistas e soviéticos fizeram no último século; algo que terminou desastrosamente para os interessados. Nacional-anarquistas devem formar novas comunidades baseadas em seus próprios valores raciais e culturais. A máxima do futuro será o respeito com os outros e a unidade da diversidade.

AUTARQUIA ECONÔMICA

"Se vocês querem continuar a ser escravos dos banqueiros e pagar o custo de sua própria escravidão, então deixe os banqueiros continuarem a criar dinheiro e controlar o crédito.” - Sir Josiah Stamp.

"Permita-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação, e eu não me importo com quem faz suas leis." - Meyer Amschel Rothschild.

"Cada vez menos, então, o malabarismo das finanças terá poder sobre nós; pois não importa o que eles chamam de contadores quando você está trocando presuntos por lenços, ou porcos por pianos". G.K. Chesterton.

Os últimos anos têm visto os corretores internacionais e bancos de rua se tornarem cada vez mais materialistas, mesmo indo tão longe ao ponto de engolirem uns aos outros em uma predatória guerra de todos contra todos. Não existe sentimento no mundo dos negócios, é claro, mas dinheiro nem sempre foi usado para ganho pessoal e começou como um meio de troca. Ao mesmo tempo, é claro, pessoas trocaram vários itens sem dinheiro algum. Desde então, no entanto, o dinheiro se tornou uma mercadoria em si, e os especuladores gananciosos e intermediários devoraram nossas comunidades como uma piranha financeira. Ao emprestar dinheiro a taxas exorbitantes de juros, os usurários modernos, agiotas e seus credores, intensificaram seu aperto ao redor dos pescoços de nossas economias nacionais. Mas enquanto os credores podem criar seu próprio financiamento com o simples toque de uma caneta ou alguns toques em um teclado, seus clientes têm que devolver o dinheiro em termos reais - incluindo os interesses. Independentemente de quanto dinheiro real ou barras de ouros estão escondidas nos cofres, os bancos simplesmente entregam um cheque de papel e, em seguida, esperam que você pague-os com dinheiro vivo durante um período de tempo acordado. Se você perder seu emprego, por outro lado, ou você achar que é incapaz de acompanhar os pagamentos por qualquer outra razão, os oficiais de justiça chegam para tomar suas posses e, em muitos casos, sua casa.

Os usurários também manipulam governos inteiros ao acorrentá-los em uma dívida nacional. Isso é constituído por aqueles países que pediram dinheiro emprestado para ir à guerra ou para amparar suas vacilantes economias que fraqueiam, mas que têm de ser reembolsados através de aumento de impostos e isso leva inevitavelmente a um declínio nos serviços públicos e afeta as pessoas mais pobres da sociedade. Então, quais são as alternativas econômicas?

Nós previmos a muito tempo que o sistema internacionalista irá colapsar sob seu próprio peso, mas você pode nos ajudar a acelerar esse processo certificando-se de operar fora da atual infraestrutura econômica o tanto quanto você puder. Há sempre um mercado negro, é claro, mas existem maneiras mais legais de evitar bancos, as empresas de empréstimo e os cobradores. Uma maneira disso ser alcançado é através do sistema de troca ou pela criação de serviços locais comerciais de intercâmbio (LETS), que permitam que as pessoas troquem habilidades e serviços. Isso funciona criando um esquema de crédito que é bastante similar à maneira que o dinheiro era usado antes do sistema o corromper. Se alguém corta seu cabelo, por exemplo, você pode querer usar o sistema de escambo e retornar o favor cortando o gramado ou dando aulas de piano para filha dessa pessoa. Com ideais dos LETS, por outro lado, você pode receber um corte de cabelo e se perceber não está atualmente em condições de oferecer nada em troca. Talvez seu trabalho seja sazonal, por exemplo. Este problema pode ser facilmente superado com a nomeação de uma nota de transações comunitária. Se alguém deve a outra pessoa por receber um serviço de algum tipo, a pessoa que proveu o serviço recebe ou uma nota de crédito ou uma forma de moeda local. Mas não há interesse envolvido. Em Londres, por exemplo, há a "libra de Brixton", e milhares mais comunidades em toda Europa e ao redor do mundo possuem seus próprios sistemas de comércio de troca locais. Moedas alternativas reduzem burocratas do governo e coletores de impostos, porque o povo está operando fora dos parâmetros econômicos oficiais e assim fortalecem a comunidade em detrimento do Estado.

Nacional-anarquistas também podem estabelecer negócios alternativos. Tudo o que se precisa são pessoas para cultivar a própria comida ou fazer seus próprios bens e estabelecerem um sistema cooperativo e participativo de trocas de bens e serviços com outros nacional-anarquistas na comunidade. Ao invés de pagar com a moeda nacional, contudo, os compradores devem usar uma moeda alternativa ou prestar um serviço ou habilidade em retorno. Esses esquemas podem ser tão bem sucedidos que muitas vezes o dinheiro raramente muda de mãos em absoluto e todo mundo se beneficia da liberdade econômica que isso gera. Lembre-se: não temos que nos envolver na estrutura econômica atual, veja o que você pode fazer para retirar-se do fraudulento sistema financeiro e viver uma vida mais independente e autossuficiente.

REABASTECIMENTO VERDE

"Uma avenida de árvores havia estado lá. Elas foram todas embora. E olhando com desânimo para a estrada em direção à Bolsão, eles viram à distância uma chaminé alta de tijolo. Estava despejando fumaça preta no ar da noite." - J.R.R. Tolkien.

"O capitalismo não pode ser mais 'persuadido' a limitar o crescimento do que um ser humano pode ser persuadido a parar de respirar. As tentativas do capitalismo verde, de torná-lo ecológico, estão condenadas pela própria natureza do sistema, como um sistema de crescimento sem fim." - Murray Bookchin.

“Um dia os esgotos das cidades cessarão de serem despejados nos rios, e irão voltar à terra, para dar origem a boa comida para as pessoas. Um dia o salmão saltará novamente nas águas cristalinas de um rio de Londres; e o trabalho humano será criativo, e jovial. Um dia a alma do homem, fechada em si mesma durante longos séculos de luta económica, surgirá na luz do sol de verdade.” – Henry Williamson.

Enquanto o mundo moderno parece estar em um estado de enorme desordem, a perpétua relevância da natureza, tanto como guia como fonte de inspiração, continua a convidar o nosso mais profundo respeito e admiração. Infelizmente, contudo, a vasta maioria das pessoas tornaram-se alienadas de suas origens, desprendidas da sua herança racial e cultural, e decepadas das suas raízes.

No passado, o homem teve um laço inextricável com a terra. Não só era de grande importância a sua herança racial, como sabia também o quanto essencial era “esculpir” e defender um território no qual pudesse dar expressão aos seus próprios valores e anseios. Infelizmente, porém, devido à imensa destruição que na atualidade tem sido forjada no ambiente, não apenas nos países superpovoados da Europa e América do Norte, é impossível viver em harmonia com a natureza sem nos afastarmos das cidades e nos conduzirmos para o campo.

Houve muitos movimentos de “regresso-à-terra” ao longo dos séculos, alguns religiosos e outros politicamente idealistas ou mesmo desastradamente utópicos. Mas a visão Nacional-Anarquista de uma revolução rural não é minimamente utópica, inexequível ou ilusória. Nós compreendemos que qualquer tentativa para estabelecer e manter as comunidades Nacional-Anarquistas será extremamente difícil, mas temos que iniciar o processo agora antes que seja tarde demais.

A vida nas nossas cidades modernas é incrivelmente frágil e as pessoas são completamente dependentes de recursos externos. Gás, eletricidade, alimentos e água: tudo tem ser trazido de fora. Porém, na eventualidade de uma grande catástrofe ou de uma situação na qual o Estado decide retirar ou cortar as provisões, não será possível “dar um pulo” no supermercado local por uma bandeja de carne de porco cortada aos cubos ou esperar que a água saia da torneira quando rodamos o manípulo. A existência moderna e a sua cultura do desperdício está baseada na conveniência, mas isto torna as pessoas extremamente frágeis e em tempos de crise perceberão que perderam a habilidade para executar as tarefas mais simples e básicas essenciais à sobrevivência.

Os Nacional-Anarquistas desejam terminar com esta dependência passiva do Estado e reintroduzir as pessoas no mundo orgânico e real. Para alguns, isto será algo completamente impossível e muitos são incapazes de adquirir proximidade com tal ambiente. Mas um tempo houve em que as pessoas nas aldeias rurais eram totalmente autossuficientes e não tinham nenhuma necessidade de recorrer a estranhos ou de apoiar um governo que obteve a sua riqueza e poder declarando constantemente guerra a países de terceiro-mundo e roubando os seus recursos. O ambiente natural contém todos os recursos que nós alguma vez precisemos.

O colapso económico que é provável que venha a acontecer no Ocidente resultará em desordem e pânicos completo. Milhões perecerão como resultado da sua fé no Estado. Nós temos que ter a certeza que somos incluídos entre esses que podem resistir a tal emergência, mas a menos que comecemos já a construir as nossas próprias aldeias-comunidades, simplesmente afundaremos como todos os demais. O primeiro passo é ir para longe das áreas urbanas e começar a descentralizar. Tente-se pensar nas coisas que verdadeiramente nos ajudará a nós e a nossa família a sobreviver, em vez do que é talvez desnecessário ou excessivamente extravagante. Estas coisas são muitas vezes uma questão de escala e muitas das coisas que se consideram serem importantes na atualidade ficarão obsoletas no futuro. Por outro lado, a sobrevivência nunca será obsoleta: é definitivamente essencial.

Migrar para a realidade rural é apenas o primeiro passo para ajudar a “recarregar” a ordem natural e viver de acordo com a natureza. O passo seguinte é ser economicamente autossuficiente e isso significa encontrar uma fonte de rendimento que nos permitirá permanecer no campo e evitar ser “sugado” ao centro, que foi o que aconteceu durante a Revolução Industrial. Em outras palavras, ao estabelecer certos tipos de alternativas económicas – permutas, esquemas comerciais de trocas locais, cooperativas, etc. – começaremos a fortalecer a nossa família e o resto da comunidade local. Isto pode soar como algo assustador a pessoas que têm pouca ou nenhuma experiência de trabalho no campo, mas há já centenas comunidades alternativas em todo o mundo que se tornaram autossuficientes. Tudo depende da seriedade de cada um e se se consegue aprender a estabelecer prioridades.

A habitação no mundo contemporâneo envolve frequentemente contrair hipotecas de bancos ou alugar propriedade cara de proprietários exploradores, mas os Nacional-Anarquistas acreditam que há outras formas de construir casas para nós e para as nossas famílias. Agrupando os seus recursos, alguns anarquistas compraram pequenas porções de terra e construíram as suas próprias habitações alternativas. Casas podem ser feitas, não apenas de tijolos e outros materiais de edifício caros, mas também de terra batida, palha enfarda e materiais reciclados. Na verdade, enquanto o desenho interior de tais casas é tão funcional e atraente como nas casas modernas, elas são feitas de materiais muito baratos e isto abre imensas oportunidades para pessoas que operam em orçamentos muito menores e que desejam ser economicamente independentes. Habitações deste tipo podem também ser construídas de forma subterrânea, ou utilizar energia do vento, água ou sol.

O Movimento Nacional-Anarquista está também comprometido a restabelecer as nossas artes rurais e aquilo que ficou conhecido como “indústria caseira”. Em certo tempo, artes rurais e tradições do folclore popular floresceram por toda a Europa e incluíram a arte do ferreiro, tecelagem, remendagem, construção e trabalhos em pedra, cerâmica, refeições caseiras, ervanária, carpintaria, colmagem, decapagem, encadernação de livros, fabrico de vestidos, fabrico de cerveja, bronzeamento e centenas de outros métodos que se sustentaram nos recursos que as pessoas tinham à mão. Muitas destas coisas continuam a existir hoje em áreas rurais, mas até certo ponto mesmo eles acabaram por se tornar dependentes de fornecedores exteriores e é discutível se são ou não completamente autossuficientes. Alguns destes exemplos podem parecer bastante pitorescos e antiquados, mas isto acontece porque eles foram submergidos por uma barragem de lixo comercial e subprodção. A independência econômica nos torna mais fortes.

Entre outros benefícios, se incluir uma vida social ocupada. Os Nacional-Anarquistas são incisivos a promover uma indústria de música alternativa e a encorajar mais tempo desocupado no qual as pessoas podem organizar eventos esportivos, tocar música e arquitetar o seu próprio entretenimento. Parece incrível que algumas das coisas mais naturais do mundo precisem agora de ser revitalizadas devido à dependência do indivíduo moderno nos passatempos mais voyeurísticos como a televisão, vídeo games e redes cibernéticas.

Até que aqueles entre nós que estão envolvidos na luta ecológica possam aprender a apreciar a realidade espiritual que liga o homem ao seu meio ambiente, os reacionários, liberais e esquerdistas (todos eles semelhantes) continuarão a atrasar o carregamento da ordem natural. Nós, os revolucionários, só podemos revitalizar e reformar de vez o mundo natural das engrenagens do capitalismo quando descobrimos o que há dentro de nós mesmos. É vital para nós chegarmos à conclusão que de fato nós saímos da terra e estamos destinados a lá voltar no término da nossa curta estadia nesta terra. Assim, sem um reconhecimento das nossas qualidades raciais inerentes e um território onde expressar nossa identidade tribal, alguns dos quais poderão ter de ser forjados em outro local, nós permaneceremos como uma espécie ameaçada tal como o rinoceronte branco, o panda gigante ou a grande borboleta azul. Como a Europa e a América do Norte lutam para lidar com os resultados catastróficos da habitação dentro da cidade e a suicida mistura de raças, os Nacional-Anarquistas não podem esquecer que nós, os humanos, somos os guardiões naturais da terra e nossa extinção seria possivelmente o maior desastre ecológico de todos. Esta é a razão pela qual nós temos que procurar nos restabelecer no coração das zonas rurais.

EDUCAÇÃO ALTERNATIVA

“Os homens estariam melhor sem educação do que sendo educados pelos seus governantes, por essa educação ser meramente a quebra do boi ao jugo, a mera disciplina do cão de caça, que por força da severidade é feito a renunciar o instinto mais forte de sua natureza e, invés de devorar sua presa, se apressar com ela aos pés do mestre.” – Thomas Hodgkins.

“Aquele que não ousa aplicar novos remédios deverá esperar que novos males apareçam.” - Roger Bacon.

Uma das principais razões pelas quais as pessoas escolhem se envolver em atividades políticas é devido a uma preocupação crescente com o tipo de mundo que nossos filhos serão obrigados a herdar no futuro. Como oponentes do capitalismo privado e estatal, nós todos gostaríamos de ver uma nova geração de jovens incorporados com nossos próprios valores saudáveis, mas em um sistema que permite que seus padrões morais e intelectuais sejam fixados pela sociedade de massa - de modo que individualidade e participação sejam desencorajados - isso se torna uma demanda subversiva.  Estamos lutando uma batalha perdida ou podemos de alguma forma garantir que nossa mensagem de descentralização política, social e econômica seja passada para os jovens de amanhã?

É nossa visão que os objetivos políticos e econômicos do Movimento Nacional-Anarquista devem ser precedidos de uma revolução espiritual que começa nos corações e mentes dos indivíduos e então se espalha pelo exemplo. Se não podemos mudarmos a nós mesmos, então não podemos jamais esperar encorajar outros a compartilhar nossa visão de mundo e, assim, ajudar a construir alternativas ao modelo presente. Além disso, se nós não servimos de exemplo para nossas crianças, então nós vamos inevitavelmente perdê-los para a anti-cultura prevalente dos games shows de televisão, aborto, gangsta rap, vício em drogas e apatia conformista. A única maneira de ter sucesso, portanto, é rejeitando o sistema em si e fazendo a educação da nossa juventude uma prioridade.

Desde a segunda metade do século XIX e a gradual expansão do proletariado, os pais não mais têm a tarefa de educar seus filhos e a maioria acaba depositada em escolas estatais ou subvencionadas. Mas é certo que uma mãe que se opõe à escravidão assalariada e servidão econômica deve ir empurrada ao local de trabalho, enquanto seus filhos são doutrinados pelo mesmo sistema que ela e seu esposo se opõem? É claro que não. Imagine a cena com uma criança de quinze anos que é ensinada por seus pais que as sociedades de caçadores-coletores da periferia estão sendo minadas pelos ricos exploradores no núcleo industrial. Pouco depois, a mesma criança é informada pelo seu professor na sala de aula que o Iluminismo e a Revolução Industrial são responsáveis pela melhoria da sociedade como um todo e que ela deve escrever um ensaio sobre A Riqueza das Nações de Adam Smith para a próxima terça-feira. Fora ir até a escola a cada dois ou três dias, para reclamar com o diretor que um certo professor está contradizendo suas crenças, há muito pouco que os pais das crianças podem fazer nessa situação. A única alternativa para os pais é tirar seus filhos completamente da escola e educá-los em casa.

De acordo com uma fonte, "há dois grandes grupos de educadores domiciliares: aqueles com uma filosofia e aqueles com um problema". Mas enquanto muitas crianças estão constantemente expostas ao assédio moral e vários outros problemas, devemos primeiramente nos interessar em como nossas crianças estão se desenvolvendo ideologicamente. Com o declínio gradual de padrões acadêmicos na sociedade moderna, muitos pais estão a explorar a opção de ensino doméstico como uma forma de garantir uma boa educação para seus filhos. Esta ideia está se tornando muito popular entre certos grupos religiosos, especialmente pais pagãos e muçulmanos que têm vindo a perceber que a forma mais segura de garantir que seus filhos recebam a educação baseada em seus respectivos valores tradicionais e étnicos é ensiná-los em primeira-mão. Temos de garantir que aqueles de nós com crianças façam pleno uso desta opção vital.

Ensino doméstico não é certamente um conceito novo. Afinal, antes do advento das escolas ou sistemas de ensino era considerado perfeitamente natural que os pais educassem e alimentassem seus próprios filhos, com muitos deles vendo isso como uma tarefa sagrada. Hoje em dia, muitos pais estão acordando para o fato de que, enquanto as pessoas variam e possuam diferentes necessidades, o currículo nacional apenas demonstra como um sistema educacional burocrático é incapaz de atender a todos os gostos. Na verdade, todos os currículos estão impregnados de propaganda e aqueles pais que acreditam na independência e criatividade estão se tornando ansiosos para que seus filhos tenham uma oportunidade de explorar um conjunto alternativo de questões políticas ou espirituais. Também é um fato que quanto menos dependermos das instituições do Estado, mais liberdade nós podemos ter sobre nossas próprias vidas.

Uma vez que você começar a explorar as opções, irá descobrir que existem muitos grupos de autoajuda por aí que podem lhe dar conselhos importantes sobre como proceder. Poucas pessoas estão cientes de que lares educacionais não têm de seguir o currículo nacional. Na verdade, eles não têm que fazer testes ou exames, não têm que ter um calendário, não precisam de um tutor qualificado para ensiná-los, não precisam trabalhar durantes habituais horas escolares e não precisam trabalhar em um número específico de horas por semana. Os próprios pais podem adaptar seus próprios currículos e materiais de ensino, até porque na maioria dos países o Estado se recusa a dar qualquer tipo de assistência financeira.

Pesquisas mostraram que muitas crianças que estudam em casa estão dois anos à frente daqueles educados em escolas e são consideravelmente mais auto motivadas. Os pais são capazes de construir interessantes programas para seus filhos usando uma ampla variedade de fontes, de seletivas transmissões escolares na televisão até museus locais. A escolha se estende a aulas formais, programas de computador, ler, jogar, música, cozinhar, praticar artesanato, esportes e atividades ao ar livre. Alguns pais podem estar preocupados que o ensino doméstico vai resultar na exclusão de seus filhos da universidades e faculdades quando eles se aproximarem da idade de abandono escolar, devido ao fato de que não os preparam para testes e exames. Contudo, as universidades são receptivas ao pedido de alunos que estudam em casa e acreditam que esses estudantes primeiramente possuem uma paixão por conhecimento, independência e autonomia que lhes permite sobressair nos desafiantes programadas de estudo. Por isso, escolas sem dúvida cairão no plano de fundo quando toda a comunidade se tornar uma rede de centros de aprendizagem com as próprias pessoas tendo total controle sobre a educação de seus filhos.

Um argumento usado pelos opositores liberais do ensino domiciliar é que crianças criadas em tais ambientes crescerão "protegidas" ou "socialmente ingênuas". No entanto, essa acusação facilmente pode ser refutada apontando que o ensino doméstico essencialmente protege a inocência da infância das devastações da sociedade de massa em nos encontramos. De fato, por que não deveriam os pais procurar a defender a sua prole das armadilhas do capitalismo-liberal? Outro argumento favorito proposto pelos defensores dos métodos de ensino em massa relaciona-se com a questão da socialização. Mas considerando que crianças precisam socializar com outras crianças, isso não é razão para escolas de qualquer modo, as escolas devem estar ali para educar as crianças, não para forçar um padrão específico de comportamento. Os pais que praticam ensino doméstico com seus filhos já asseguram que seus jovens tenham contato com outras pessoas através de clubes, sociedades e associações. A escolarização em casa permite que as crianças socializem com sua própria comunidade, invés de serem submetidas à tirania forçada de grupos de pares adolescentes. De acordo com a edição de março de 1996 da revista infantil Child Education (p.68): “Vários estudos sobre crianças educadas em casa descobriram que elas têm melhores habilidades sociais e são mais socialmente ajustadas do que crianças da mesma idade que são educadas em escolas. Crianças educadas em casa tendem a ter mais experiência com pessoas que são mais velhas e mais novas do que elas. Além disso, elas possuem um benefício particular de aprendizado por conserva e contato pessoal próximo. Com que frequência crianças em uma sala de trinta ou mais escutam individualmente, conversam pessoalmente e são elogiadas e incentivadas? “. Alta aprovação de um jornal produzido pelo sistema educacional!

Se pais nacional-anarquistas são capazes de introduzir suas crianças em famílias de mentalidade similar na mesma área, é possível proibir 'invasores' de possuírem qualquer influência que seja sobre suas vidas. De fato, por manter um grupo de trinta ou quarente crianças da mesma idade em uma sala, escolas inevitavelmente criam um ambiente artificial. Esse processo raramente prepara jovens para as duras realidades da vida externa. Além disso, a escola é projetada para transformar jovens em uma força de trabalho padronizada e longe de familiarizá-los com suas tradições culturais e históricas, adota uma abordagem de linha de produção a fim de prepará-los para o servilismo chato do chão de fábrica ou de um computador terminal. Os pais sentem que lá está cheio de tempo para se familiarizar com as realidades sombrias e repetitivas dos trabalhos. De fato, eles podem escolher educação domiciliar por não quererem que seus filhos aceitem tais limitações. Talvez eles esperem fomentar desenvoltura e individualismo que irá prepará-los para mais interessantes e aventurosas vidas.

Finalmente, muitos de nós já estão envolvidos em tais iniciativas e, no futuro, esperamos construir uma rede de educação domiciliar alternativa. A descrente desconfiança que os pais possuem para com a incompetência do ensino estatal é uma rachadura na armadura do inimigo que está esperando para ser explorada. Os pais conscientes instintivamente sabe que alo está errado com o sistema e estão procurando uma maneira de sair dele. Tais pessoas precisam de nosso exemplo e incentivo, e não há razão para que nacional-anarquistas não possam ser tornar principais proponentes da educação domiciliar. Nós devemos estabelecer centros de aprendizagem prática, onde as ferramentas e equipamentos estarão disponíveis para aqueles que desejem pegá-los emprestados; nós devemos instaurar livrarias alternativas onde crianças possam ter acesso a livros alternativos, fitas, filmes e exibições; nós devemos criar centros comunitários que envolvam as pessoas locais em práticas esportivas, música, drama e eventos sociais; e devemos criar grupos de aconselhamento familiar, onde pais e filhos podem encontrarem-se para discutir métodos de ensinos úteis e, se necessário, potenciais problemas ou dificuldades. Nesse meio tempo, se você é um pai que está despreparado para ver seu filho ser alimentado por uma dieta de "politicamente correto" e "discriminação positiva", então você deve seriamente considerar as formas alternativas de educação que estão gradualmente se tornando disponíveis. Nós nunca devemos perder de vista o fato de que nosso futuro alternativo reside na juventude.

DEFESA

"Uma sociedade armada é uma sociedade gentil. Bons modos têm valor quando todos sabem que podem pagar com a vida por seus atos." - Robert A. Heinlein.

Nacional-Anarquistas não supõem por um momento que comunidades alternativas que fizeram uma ruptura com sistema poderão permanecer imunes aos ataques de maneira permanente. A natureza humana é tal que, inevitavelmente, sempre haverão potenciais intrusos que queiram causar problemas ou roubar nossos recursos. Embora sejamos descentralistas, muitos outros não são e, portanto, nossa terra e propriedade deverão ser vigorosamente defendidas como em qualquer outra comunidade. Nós rejeitamos o utopismo e acreditamos que nós devemos sempre olhar para as coisas de forma realista, porque nossas vilas e comunidades terão de se armar apropriadamente a fim de sobreviver. Isso não requer, contudo, a existência de um exército permanente ou força policial.

De acordo com John E. Pfeiffer, escrevendo no The Emergence Of Man (Harper & Row, 1969), "quando um grupo excede 500 pessoas, isso exige alguma forma de policiamento". A razão é, 500 é o número máximo de pessoas que um único indivíduo pode conhecer pessoalmente e, portanto, se pessoas em áreas Nacional-Anarquistas são comparativamente mais familiares com seus vizinhos, então isso resultará em uma comunidade mais pacífica e estável. Ao contrário das anônimas, atomizadas, sociedades urbanas de hoje, onde a maioria das pessoas raramente se comunicam com seus vizinhos, ou tentam evitar fazê-lo o máximo possível, o crime irá reduzir como resultado do fato de que residir entre a própria família extensa (tias, tios, avôs e avós etc) tende a manter a paz através de um processo conhecido como "vergonha". Em outras palavras, pessoas são naturalmente desencorajas a praticar crimes contra seus vizinhos se eles são conhecidos pela comunidade em geral sendo, portanto, propensas a enfrentar um grau de vergonha e embaraço se forem pegas. Isso não fará crimes se tornarem inexistentes, obviamente, mas fará com que tais incidentes sejam mais isolados. Isso significa que não há absolutamente nenhuma necessidade de polícia, pois as comunidades nacional-anarquistas se policiarão elas mesmas da maneira que vilas costumavam ser antes do estabelecimento da força policial no período vitoriano. E até isso veio surgir como resultado de superpopulação e falta de iluminação na rua, o que levou as grandes cidades e vilas à desordem. O momento em que um policial coloca seu uniforme é a instância precisa onde ele se divide do resto da comunidade em geral e isso nunca deve ser permitido que ocorra.

O mesmo vale para um exército permanente, porque enquanto Nacional-Anarquistas terão claramente a necessidade de defender a si mesmos em rede com comunidades semelhantes, isso pode ser conseguido através de uma boa cooperação regional ao invés de manter armas nas mãos de um órgão centralizado. Ao contrário, propomos que as comunidades nacional-anarquistas formem uma confederação vagamente organizada de milícia composta por indivíduos que têm outros papéis na sociedade mas que também sejam treinados nos métodos de autodefesa e, se necessário, na guerra. Na Europa Medieval, por exemplo, os agricultores e artesões serviam no exército privado do seu senhor feudal por um determinado número de dias por ano. Nós não estamos sugerindo que as pessoas sirvam a um barão local ou membro da nobreza, obviamente, mas o nosso sistema será similar em que os membros comuns do público - especialmente os jovens - estarão operando em uma dupla capacidade e, assim, ser capaz de prover algum tipo de serviço militar em regime intermitente ou infrequente. Isso vai exigir uma boa comunicação e treinamento, mas com a determinação certa e comprometimento poderá ser possível prover uma força defensiva efetiva em um contexto mais descentralizado. Finalmente, não faz falta dizer que as armas estarão nas mãos da própria comunidade. Este sistema tem se operado com muito sucesso na atual Suíça por muitos anos e embora a posse de armas venha com muitas responsabilidades, crimes em si são extremamente raros. Nacional-anarquistas acreditam em fornecer ajudar e conselhos sobre sobrevivencialismo, artes marciais e outras formas de defesa, todas as habilidades importantes que estão se tornando vitais com a sociedade contemporânea continuamente deslizando para o caos e as ruas se tornando mais e mais perigosas.

REVOLUÇÃO

"Nada, nada mas a guerra, a guerra sem misericórdia, levará a alguma solução." - Peter Kropotkin.

"A paixão por destruição é também uma paixão criativa." - Mikhail Bakunin.

"Aquilo que está caindo, deve também ser empurrado." - Friedrich Nietzsche.

"O futuro pertence aos poucos de nós ainda dispostos a sujar as mãos." - Joseph Tommasi.

"Devemos nos envolver com paixão no conflito imediato." - Herbert Read.

O significado preciso da palavra "revolução" é muitas vezes altamente contestado. Pode significar a derrubada violenta da ordem existente, ou talvez uma súbita ruptura com as correntes atuais. O fato de que a revolução contém a raiz da palavra 'revolve", por sua vez, indica que ela também se refere a um retorno de algum tipo. Pense na maneira que uma bússola possui uma cópia de seu ponto de partida original, por exemplo. Para nós, há várias definições em torno da palavra 'revolução' e cada uma tem um papel importante a desempenhar em seu próprio direito.

A maioria das revoluções que ocorreram através da história levaram a uma traição cruel e sistemática de homens e mulheres comuns. Milhões de pessoas perderam suas vidas e muitas outras foram cinicamente usadas para derrubar uma classe dominante de uma igualmente corrupta e invejosa burguesia. Os Nacional-anarquistas são vigorosamente contra as injustiças artificiais do sistema imposto de classes e creem, não na 'igualdade marxista' e sua política de 'igualitarismo', mas sim numa meritocracia natural que reflita adequadamente a verdadeira natureza da pessoa e seu papel da sociedade. Tem havidos muitos exemplos positivos de atividade revolucionária, entre eles os Ludistas de 1812, os motins de Swing e os Mártires de Tolpuddle da década de 1830, o movimento cooperativo estabelecido pelos pioneiros de Rochdale, as experiências comunais de Robert Owen na Escócia e nos Estados Unidos, a Comuna Francesa de 1871 e as agriculturas cooperativas que foram criadas pelos anarquistas durante a guerra civil espanhola em meados de 1930. Os esquerdistas tratam de dizer que estas correntes revolucionárias são deles, mas eles não detém um monopólio sobre o que luta contra o capitalismo e, como discutimos anteriormente, eles muitas vezes acarretam em um capitalismo em uma levemente modificada. Os exemplos citados acima são parte de uma longe tradição de luta e o nacional-anarquismo é a última de uma longa linha de genuínas correntes revolucionárias que buscam autoexpressão política, liberdade econômica e justiça social.

Embora já discutimos várias maneiras em que o Nacional-anarquismo pode se envolver em atividades revolucionárias dentro da barriga da besta, por assim dizer, bem aqui no Ocidente, nós também apoiamos a estratégia da revolução na periferia. Em outras palavras, nós acreditamos que grupos revolucionários no terceiro mundo estão em uma luta contra a ganância capitalista e a exploração. Por isso, nós oferecemos apoio crítico para todos os grupos e organizações que lutam na linha de frente contra a chamada Nova Ordem Mundial e que buscam manter ou recuperar sua independência econômica ou racial e sua identidade cultural. É importante lembrar que a revolução no Ocidente é um assunto extremamente arriscado, ao menos se o povo tratar de ser armar e tomar o sistema nessa etapa do jogo. A resistência armada no Terceiro Mundo, contudo, ajuda a enfraquecer o núcleo globalista porque tanto impede ou atrasa a exportação de cultivos, minerais e vários outros recursos para o Ocidente. No presente, o Ocidente é capaz de comprar líderes corruptos dos governos do Terceiro Mundo, muitos dos quais foram mergulhados em dívidas através da guerra e endividamento - para que os recursos africanos e asiáticos fossem saqueados e enviados ao exterior. Isso obviamente resulta em fome e miséria para os povos indígenas. Mas se o Ocidente encontrar mais dificuldade para extrair o que quer dos outros países da periferia, ele irá começar a murchar e morrer da mesma forma que o antigo Império Romano começou a colapsar como resultado do sobrecarregamento de buscar permanentemente por territórios, mão de obra e recursos naturais estrangeiros. Qualquer coisa que enfraquecer o Ocidente, portanto, deve ser bom para aqueles de nós que vivem sob a bota do capitalismo internacional e que desejam uma mudança real.

A tarefa a que nós lançamos é das grandes. A luta por cultura, identidade e autodeterminação econômica é uma causa que nos dá um grande senso de propósito e destino. E, no entanto, para aqueles que são chamados para essa luta no futuro imediato, nós podemos apenas oferecer um caminho longo e difícil, que muitas vezes é caracterizado pela decepção e dor. Devido ao fato de que o caminho do revolucionário é tão difícil, muitos dos que juntam a nós simplesmente caem no esquecimento, incapazes de viver com os ideais. Tais pessoas inevitavelmente citam uma infinidade de razões para a desistência, de problemas familiares ao medo de serem 'expostos' como Nacional-anarquistas. Mas por trás das desculpas encontra-se uma única razão: o fato de que eles não estão preparados para fazer até mesmo o menor dos sacrifícios dentro de suas próprias vidas para ajudar-nos a obter a vitória. Desnecessário dizer, nós passamos muito bem sem essas pessoas. No lugar de pessoas como essas, nós procuramos um novo tipo de indivíduo, alguém que está preparado para colocar seus ideais antes de qualquer coisa. Aqui está a marca de um verdadeiro revolucionário, um ativista no serviço altruísta da nação e da raça. E, com certeza, nunca a nossa visão precisou tanto desses indivíduos.

Nesta era moderna o conceito de sacrifício é um anátema para praticamente todos. O homem moderno ri da ideia do sacrifício. Ele proclama "Se eu faço um trabalho eu quero ser pago por isso. Nunca faço nada por nada". Tal homem não tem compreensão de valores elevados e conhece menos ainda sobre como lutar por eles. É por causa de tais pessoas e seu egocentrismo que nossa civilização está em tal decadência. Uma notável exceção a esse declínio no idealismo é dada a nós por combatentes do Hamas que travam uma guerra de liberação na terra palestina ocupada pelos sionistas e, em particular, os homens dentro de suas fileiras que estão dispostos a morrer por suas crenças. Tal heroísmo em face de todas as adversidades é inspirado. Nos mostra que o conceito de sacrifício pessoal em busca de metas políticas não está morto. Também nos mostra que onde tal ideia é aproveitada e usada, torna-se uma força mortal que não pode ser batida. Judeus sionistas sabem tudo sobre as consequências do levante palestinos e, não se enganem, eles o temem.

Se quisermos ganhar então devemos seguir tal exemplo, um exemplo nascido na pureza do pensamento e ação. Devemos esforçar-nos por esse caminho pois é o único que nos levará à vitória. Nossos ideais devem inspirar em nós o mesmo nível de dedicação e fanatismo, eles devem nos dar a mesma força interior que gera invencibilidade. Somente se conseguirmos alcançar isso nos tornaremos a força capaz de confrontar e derrotar nossos inimigos. Na busca dessa meta existem dois objetivos que devem ser alcançados por todos. Em primeiro lugar, não devemos ser como os outros homens e mulheres, pessoas que são apenas o produto de anunciantes corporativos, de propagandistas da mídia, da agenda liberal e do ethos materialista. Somente quando formos ideologicamente livres do sistema podemos atacá-lo com a clareza de visão necessária para derrotá-lo. Em segundo lugar, nosso objetivo deve ser o de lutar. Sempre a lutar. Se estamos lutando, então estamos ganhando. Se nós abaixarmos a espada, então já perdemos. A luta demanda lealdade e demanda comprometimento. Se nós não estamos preparados para dar nosso sangue, suor e lágrimas então não alcançaremos nada. Não haverá progresso e vitória. Nada é mais certo.

O ideal de sacrifício não é novo. Nós revolucionários somos comprometidos com o relacionamento entre sacrifício e vitória já a muitos anos. Mas enquanto no passado essas palavras pareciam cair em ouvidos surdos, elas estão agora sendo interpretadas seriamente por revolucionários dedicados. Isso é um testemunho da força do revolucionário nacional-anarquista que depois de todas as traições dos últimos anos, emergiu com um novo modo de fanatismo dedicado e tenaz. Pelo bem das comunidades futuras e seus habitantes, a oportunidade deve ser aproveitada.