17/04/2011

Urgeist - Black Metal Como Exercício Espiritual

por Urgeist


Um dos muitos benefícios da consciência atingidos através de estudo intensivo de certas disciplinas meditativas (como Zazen) é uma percepção da e competência em lidar com a dor. Apesar disso poder parecer sinistro, a idéia básica não é. Zazen por exemplo requer, se praticado seriamente, sentar em silêncio na postura de lotus por 90 minutos. Estudantes zen sérios (eu incluso) fazem isto regularmente (talvez 4 vezes no ano) 5 vezes num dia (com intervalos) além de nosso regime meditativo semanal padrão. Estas são chamadas de noites zen em alguns dojos e não se pode completar uma noite zen sem ter que silenciosamente sentar, meditando em seu corpo doloroso. Em algum estágio durante a noite zen, a dor física irá atingir um pico e o estudante terá que exercer sua vontade. A atenção é levada para a respiração e eventualmente a dor física irá desvanescer. A pessoa entra em um novo e para muitos desconhecido nível de consciência.

Muitos dos indivíduos que eu conheci que estiveram por extensas partes de suas vidas profundamente absorvidas no Black Metal possuem uma certa força e habilidade de confrontar problemas que falta em outros indivíduos. Black Metal, como zazen, é um exercício espiritual. Nosso gênero ensina as pessoas a ir além de pensamentos imediatos que podem surgir em circunstâncias difíceis, para concentrar na situação até que se torne bela.

Esta disposição para lutar é uma característica fundamental de qualquer cultura elevada. Não para parecer chauvinista, de fato, o próprio Friedrich Nietzsche se opôs à guerra pelo simples fato de que ela age como uma distração do que é realmente importante: auto cultivação. Auto dominação. Nossa sociedade perdeu o contato com este princípio. Se você olhar para qualquer coisa de culinária à mais valorizada realização cultural de nosso tempo você irá encontrar um elemento de artificialidade que é baseado em moldar o mundo no que é conveniente. Não para dizer que isto é uma razão para rejeitar toda a “sociedade moderna” – Eu tiro o meu chapéu para qualquer um que tenha entendido as origens históricas deste experimento muito interessante – mas esta observação patente clama por uma solução. Os raros e talentosos indivíduos sempre exemplificam certo grau de perfeição artística e pessoal que eles tentam tacitamente comunicar em seus trabalhos. As pessoas hoje, independentemente do quão estúpidas ou inteligentes são, geralmente esqueceram de apreciar a busca da perfeição. Da política, pelo cinema até a indústria musical, todos os quais lembram uns aos outros em que estão bem longe de qualquer coisa que possa ser chamada de meritocracia, não são nada além de tentativas de conformar para os mais convenientes padrões de comportamento como experimentados pela maioria das pessoas. Este desleixo espiritual se estendeu até os consagrados corredores do conhecimento. Psicologia como uma disciplina chegou até a definir os indivíduos saudáveis baseados em estudos de homens e mulheres comuns como opostos aos excepcionais. Nossos filósofos, pessoas como Peter Singer, confiantemente dizem que “prazer é a única coisa de valor intrínseco”. O ser humano ideal hoje é o preguiçoso definitivo e Friedrich Nietzsche sabia disto quando ele escreveu que “democracia é a tirania dos homens maus”.

Black metal como um gênero permanece “como uma pedra no rio de nosso tempo” para usar as palavras de Evola. E o que torna alguma música melhor que outra? Como nós justificamos nosso elitismo orgulhosamente explicado? Black metal não é amigável. Nós não somos uma cultura que quer ser feliz. É do eterno que estamos atrás. Músicos que irão escrever álbuns ainda apreciados em gerações que virão, indivíduos tão saudáveis que irão viver mais que os outros, mentes tão absortas na história do pensamento que não podem ser chamadas de subjetivas. Nas palavras de DJ Goat de KCUF radio: “Mire na eternidade e você irá encontrar o fim: o fim da vida, o fim da visão, o fim da própria existência.” Para nós, esta é a mais bela visão. É esta união do bem e mal que faz do black metal um exercício espiritual. Nós lutamos para sermos imortais e nos regozijamos nesta impossibilidade.

Moral Plebéia ou Ética Aristocrática

"Duas filosofias disputam entre si o mundo, nas que conseguiram assentar seu império. Uma, feminina em seu gênio, se funda no inverificável. Nascida no Oriente, deu origem à utopia que originou a desordem. Alexandrinismo, messianismo, cristianismo, bizantinismo, Reforma, conceitos de liberdade e progresso, Revolução Francesa, humanitarismo, e seus sub-produtos (liberalismo, cosmopolitismo, pacifismo), bolchevismo... A outra, viril, está fundada na natureza e na razão: Espírito e Corpo. Alcançou sua expressão mais completa na Roma antiga, após a conquista da Grécia. Inspirou o catolicismo romano, o Renascimento, os conceitos de tradição e autoridade, o classicismo, os nacionalismos, os protecionismos materiais e morais."
(Henry de Montherlant)


16/04/2011

Pseudo-Ciência Econômica

"A economia é uma pseudo-ciência projectada pelas preocupações materialistas . No início, a economia contentava-se em estimar os volumes de produções e de trocas; a medida destes movimentos forneciam índices válidos sobre a actividade de uma época ou de uma região. Mas com o tempo, os índices tornaram-se mais importantes que a actividade que deviam medir; a natureza das trocas e das produções deu lugar à escala dos valores, ao seu volume. É aí que estamos actualmente. A inquietação gera a estagnação da economia quando a taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) aumenta menos de dois por cento por ano; ora este número não indica mais que o volume das actividades e nada diz sobre a sua qualidade ou distribuição. Se mais pessoas adoecerem e comprarem mais medicamentos, se mais casais se divorciarem e recorrerem a advogados para conduzir os processos judiciais, se mais maçãs forem produzidas, se a água dos aquedutos se tornar mais poluída, tudo isso contribui para o aumento do PIB."
(Serge Mongeau)


15/04/2011

Os Únicos que Servem ao Povo!

"Se fosse absolutamente necessário situar e catalogar o fascismo em termos parlamentares, então este último poderia, sem mais, colocar-se a igual distância da extrema-direita e da extrema-esquerda, por detrás da bancada do Presidente da Assembleia, de costas para o Parlamento e com o rosto e o coração voltados para o povo e a sociedade."
(Robert Aron e Arnaud Dandieu)


14/04/2011

A Arte de Alphonse Maria Mucha























Contra a ideologia da felicidade

"Com a teoria da felicidade, ou do bem-estar, como finalidade principal da existência, tão só formaremos homens egoístas, adoradores do material, que arrastarão as velhas paixões dentro da nova ordem das coisas e a corromperão em poucos meses. Devemos, pois, encontrar um princípio de educação superior a tal teoria, que guie os homens a melhores objetivos, lhes instrua na constância e no auto-sacrifício e os una a seus compatrioras sem torná-los dependentes das idéias de um só homem ou da força de todos."
(Giuseppe Mazzini)


13/04/2011

Salve-se quem puder!

por Leonardo Arruda

Um aspecto interessante da campanha de desarmamento nacional que podemos observar é que os desarmamentistas, para justificá-la, só utilizam o número de homicídios causados por armas de fogo. Mesmo neste caso, não fazem nenhuma distinção se as vítimas foram atingidas por armas da polícia, de bandidos ou por cidadãos agindo em legítima defesa. Da mesma forma, não se preocupam com os homicídios causados por outros tipos de arma que, aliás, são a maioria no Brasil.

Para nós, que defendemos o direito à Legítima Defesa, muito mais importante que o número de homicídios é o número de crimes contra a propriedade. Eu explico: dificilmente a arma particular da vítima conseguirá impedir um sujeito decidido a matá-la. Os criminosos que cometem estes crimes têm fortes motivações pessoais (quando não são profissionais a soldo de alguém) e se valem de tocaias e outros meios de surpreender a vítima, de forma que é muito difícil fazer uma proteção eficaz, seja com defesas ativas ou passivas.

O mesmo não acontece no caso dos crimes contra a propriedade (roubos e furtos). Estes crimes têm forte componente de oportunismo e objetivos pecuniários. Por este motivo são avaliados pelos criminosos como um empreendimento econômico como outro qualquer. O economista Gary Becker ganhou o prêmio Nobel de Economia de 1993 justamente defendendo a tese de que os criminosos avaliam a relação custo / benefício e o tamanho do risco de suas ações criminosas. Nestas avaliações, percebe-se que a presença de uma arma de fogo com a vítima em potencial aumenta substancialmente o risco do empreendimento e torna-se um fator inibidor do crime.

O gráfico abaixo é muito interessante. É baseado em fontes oficiais do governo americano: o Bureau of Alcohol Tobacco and Firearms (BATF) – órgão que controla as armas nos EUA, e o Bureau of Justice Statistics – um departamento do ministério da justiça. Nele vemos a curva dos crimes contra a propriedade ocorridos por domicílio nos EUA, versus o crescimento do inventário de armas curtas em poder da população. 



Podemos observar que num intervalo de 20 anos (entre 1974 e 1994), o número de crimes nos EUA diminui em relação direta com o aumento do número de armas na sociedade, que salta de 185 milhões para 330 milhões no período. O gráfico relaciona apenas as armas curtas, dado que a presença de armas longas (fuzis, carabinas, espingardas, etc.) em crimes ou na função de proteção individual é mais rara.

Podemos fazer um exercício interessante: se integrarmos a área acima da curva de crimes, considerando-se um total de domicílios de 70 milhões (4 pessoas por domicílio para uma população de 280 milhões de pessoas), veremos que, aproximadamente, 170 milhões de crimes deixaram de ser cometidos no período. Ou seja: é uma relação de quase um para um - a cada arma nova que entra na sociedade americana, um crime a menos deixa de ser cometido.

É por este motivo que as organizações anti-armas só falam dos homicídios e nunca mencionam os crimes contra a propriedade. Este é o tipo de crime que mais sofre influência da presença de armas. Na verdade, intuitivamente todo mundo já sabia disso. A grande virtude do gráfico é mostrar este fato com números.

E no Brasil, será que os criminosos brasileiros comportam-se como seus congêneres do norte?

Os números mostram que sim. No Rio de Janeiro, comparando-se os meses de outubro de 2003 (antes da entrada em vigor do estatuto do desarmamento) e outubro de 2004 (quase um ano depois), observamos que houve um aumento de 151% dos roubos em coletivos e 55% em roubos a transeuntes (fonte: O GLOBO de 08/dez/04). Comparando-se os mesmos índices em maio de 2004 e maio de 2005 (últimos números disponíveis), notamos que os assaltos a transeuntes aumentaram 78,8% e os assaltos em ônibus aumentaram 154,6% (fonte: O GLOBO de 02/jul/05).. Ou seja: ano a ano e mês a mês os aumentos tem sido contínuos desde que diminuiu o número de pessoas portando armas nas ruas. Os homicídios também sofreram aumentos, porém com índices bem menores.Comparando-se março de 2004 com março de 2005, os homicídios aumentaram “apenas” 28,9% - como era previsível (fonte: O GLOBO de 02/jul/05).

O gráfico abaixo, pubicado no jornal O GLOBO de 02/set/05 retrata a evolução dos roubos contra transeuntes. Observem o cescimento no ano de 2004. 


Na realidade, a bem da verdade, não houve uma redução real nos portes de arma no Rio de Janeiro. Desde o primeiro governo Brisola o porte de armas por cidadãos comuns têm sido sistematicamente negado. Com o governo Garotinho, praticamente só funcionários públicos portam armas no estado (os chamados portes funcionais). O que aconteceu é que a campanha de desarmamento alardeou essa situação para todos os marginais. Gerou uma expectativa positiva para as ações criminosas e os bandidos corresponderam – como era previsível.


Com o referendo de 23 de outubro próximo, além de consolidar a proibição da venda de armas novas, será proibida também a venda de munição. Isto significa que em pouco tempo todas as armas de fogo nos lares do país ficarão inoperantes. Quando os marginais se derem conta disso, devemos esperar também um sensível aumento nas invasões de residências, mesmo com os moradores em seu interior, dado que foi eliminada a possibilidade de encontrar uma reação armada.
Que Deus tenha piedade de nós!

Escravos da Televisão

"Ver televisão é a actividade de lazer (ou melhor não-actividade) preferida de milhões de pessoas em todo o mundo. O americano médio, aos sessenta anos, passou quinze anos em frente a um ecrã de televisão. Passa-se o mesmo em muitos outros países.

Muitas pessoas acham que ver televisão é "relaxante". Observe de perto e perceberá que quanto mais tempo o ecrã for o centro da sua atenção, mais a sua actividade mental se torna suspensa, e nos longos períodos em que está a ver um "talk-show", um concurso, uma comédia, ou até publicidade, não há qualquer pensamento gerado na sua mente. Não apenas não se lembra mais dos seus problemas, como se torna temporariamente livre de si mesmo - o que poderá ser mais relaxante que isso?

Ver televisão cria um espaço interior? Torna-o presente? Infelizmente, não. Apesar de, por longos períodos a sua mente possa não gerar qualquer pensamento, está ligada ao "show" televisivo. A sua mente está inactiva apenas no sentido em que não produz pensamentos. Continua, no entanto, a absorver continuamente pensamentos e imagens que atravessam o ecrã de televisão. Isto induz a uma espécie de transe, um estado passivo de alta susceptibilidade, não muito diferente da hipnose. Por isso, a televisão está ligada à manipulação da "opinião pública". Políticos e grupos de interesse, assim como publicitários, sabem-no e, por isso, pagam milhões de dólares para apanhar o espectador nesse estado de receptividade descuidada. Eles querem que os seus pensamentos se tornem os pensamentos do espectador, e normalmente conseguem."
(Eckhart Tolle)


12/04/2011

Trocou Finita Vida por Divina, Infinita e Clara Fama

por Luís Vaz de Camões

− Não passes, caminhante! − Quem me chama?
− Uma memória nova e nunca ouvida,
De um que trocou finita e humana vida
Por divina, infinita e clara fama.

− Quem é que tão gentil louvor derrama?
− Quem derramar seu sangue não duvida
Por seguir a bandeira esclarecida
De um capitão de Cristo, que mais ama.

− Ditoso fim, ditoso sacrifício,
Que a Deus se fez e ao mundo juntamente!
Apregoando direi tão alta sorte.

− Mais poderás contar a toda a gente
Que sempre deu na vida claro indício
De vir a merecer tão santa morte.


11/04/2011

A Estratégia Vitoriosa

"Porém frente a eles, ou melhor dito junto a eles, o Movimento seguiu vivo, seguiu sendo jovem, e acima de tudo aceitou a idéia básica do pensamento evoliano: aceitar a realidade moderna, viver nela sem temor, porém não deixar-se dominar por ela; assumir sua decadência como premissa para uma luta e uma restauração acima de tudo espirituais. Frente ao ativismo cego e muitas vezes anarcóide, cheio de contínuas querelas e decepções, desde este filão cultural se propôs sucessivamente a importância da vida (e da via) espiritual, a necessidade de uma batalha metapolítica frente aos mitos culturais do adversário, a oportunidade de encarnar essa batalha en pequenas comunidades (principalmente juvenis), a conveniência de selecionar e formar na contemplação e na ação os líderes futuros de um movimento popular amplo, variado, diverso, aberto, porém com uma coluna vertebral nacional - popular muito perceptível."
(Gianni Alemanno)