quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Laurent James - Eurasianismo e Espiritualidade

por Laurent James



Algumas pessoas afirmam que o Tradicionalismo é puramente conceitual e foi elaborado primariamente para justificar um antagonismo direto em relação ao mundo moderno. Nós devemos entender claramente que a situação real é a contrária: é o mundo moderno propriamente que foi construído em oposição completa em relação à Tradição, tanto por natureza e por fato. A emergência dessa oposição foi conduzida seguindo três passos: primeiro, a condenação do mundo celestial pela negação do conceito de Eternidade, a interposição de meios entre o homem e o céu objetivando o obscurecimento da luz da Luz. Essa é a assim chamada Modernidade. A força motora desse primeiro passo foi a promoção do individualismo liberal pela destruição de relações verticais. Eu desenvolverei esse ponto depois.

Após a Unidade (o mundo antigo) e a Divisão (Modernidade), veio a Dissolução. Essa era pós-moderna emergiu em 1945 com a confusão das relações horizontais entre indivíduos, conseguindo cancelar o próprio Tempo pela disposição de uma base inflexível just-in-time como modo único de comportamento, e finalmente, um modo único de vida. A Pós-Modernidade é a paródia da Pax Profundis, é Paz sem Justiça, uma era inaugurada por Israel e Hiroshima. A Pós-Modernidade é uma falsa liberação: o indivíduo não existe mais, ele é dissolvido no melaço da regressão final.

Eu creio pessoalmente que uma quarta era se abriu com a punição de Fukushima, em 11 de março de 2011 às 14:46. A pior substância tóxica já gerada pela atividade humana - o cório, altamente corrosivo e radiativo, está atualmente se derramando em direção ao centro da terra. O chão a partir de então se abriu completamente sob os pés da humanidade, de modo que a humanidade desce ao Inferno por infectá-la e sujá-la de modo irreparável, e fazendo-o, escurecendo o núcleo terrestre interno, a Luz de baixo, o sol-inverso das profundezas. Assim, talvez o mundo pós-moderno esteja finalizado - incidentalmente, ele está cercado por dois parênteses históricos japoneses: primeiro um Little Boy enriquecido com Urânio 235, e o segundo a fusão dos reatores nucleares de Fukushima Daiichii. Os dois últimos discursos públicos do Imperador do Japão foram pronunciados para esses eventos, no início e no fim da era pós-moderna, o que evidentemente denota uma profunda compreensão teológica da história pelo guia supremo do Shinto.

Nós devemos compreender que o homem é hoje muito mais satânico que o próprio Satã, já que ele chegou ao passo final de sua anti-evolução; o homem está agora infinitamente dividido contra si mesmo, o que é estritamente equivalente a não ser. O homem macula Satã.

A única questão para a elite neoplatônica não consiste em retornar à Tradição, porque ela então pareceria um tipo de escape facilmente detectável e automaticamente neutralizável pelas forças ocultas da dissolução ontológica.

Devemos penetrar nas trevas enquanto atuamos em vários níveis ao mesmo tempo: histórico, artístico (nomeadamente profético) e espiritual, para reunir as cinzas do fogo vivo que vem da força polar original da oposição, e dirigi-las pela asserção de uma linha política baseada na doutrina inquestionável de René Guénon no contexto da Eurásia, integrando profundamente em nossa carne viva o fato de que o Espírito não nasceu da história, mas a história nasceu do Espírito.

A Tradição está agora acabada, finalizada, caída. Hoje, nesse período situado para além do fim extremo da Kali Yuga, já que já entramos na era do Juízo, o ponto mais importante é liberar dentro de nós os valores tradicionais que nos permitirão dissolver nós mesmos, desde dentro, o anti-mundo liderado pelo jornalismo, pela democracia quantitativa e pelas finanças.

Em concordância com sua natureza que consiste em imitar a Deus e à Santíssima Trindade, a Tríade do Mal está dividido em Lúcifer (a negação cósmica de Deus), Satã (a negação terrena de Jesus) e Samaël (a negação pneumatológica do Espírito ou do Arcanjo Miguel). João o Evangelista claramente os designa em seu Apocalipse: Lúcifer é o Dragão, "O Grande Dragão que ludibria todo o mundo" (XII.9), que faz guerra contra os filhos da Mulher coroada com estrelas; Satã é a Besta do Mar: "E foi dado a ele fazer guerra aos santos, e sobrepujá-los: e poder foi dado a ele sobre todas as raças, e línguas e nações" (XIII.7). A Besta do Mar é o Anticristo político, o Império do Mal, a negação terrena do Reino de Jesus, o Mundo Ocidental, imperial e niilista. A Besta da Terra emerge no verso 11 do mesmo capítulo 13: "E eu vi outra besta vindo da terra; e ela tinha dois chifres como um cordeiro, e ela falou como um dragão". Ela possuía dois chifres como um cordeira, porque parodia a religião cristã, enquanto realiza falsos milagres. Ela é Samaël o antiprofeta. Esses três espíritos impuros reaparecem três capítulos depois, quando os sete frascos dourados repletos da ira de Deus são derramados:

"16:13 E eu vi três espíritos impuros como sapos saindo da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta.

16:14 Pois eles são os espíritos dos demônios, fazendo milagres, que vão aos reis da terra e de todo o mundo, para reuni-los para a batalha daquele grande dia do Senhor".

Esses três sapos são claramente visíveis na Carta XV do Tarô de Marselha. O dragão, a besta e o falso profeta também designam claramente a anti-Trindade social que substituiu e inverteu o papel da trifuncionalidade tradicional: o Profeta (aqueles que sabem), o Sacerdote (aqueles que oram) e o Rei (aqueles que lutam).

O Profeta objetivava revelar o Invisível em prol do povo; ele foi substituído pelo Jornalista, que objetiva ocultar o Visível para iludir o povo. Nietzsche escreveu: "Mais um século de jornalismo e o mundo inteiro irá feder".

O Sacerdote era um doutor espiritual que cuidava de pessoas inválidas, ele orava pela salvação do mundo; ele foi substituído pela democracia quantitativa, que progressivamente mata todas as pessoas sadias.

O Rei era o mais forte dos guerreiros; sua soberania foi substituída pela substância solvente do burguês, pela força mais fraca de todos os tempos: o dinheiro.

Em todos os domínios, o intermediário entre o homem e Deus (o metaxu, como disse Platão) é substituído pela tela que oculta Deus, e que acaba ocultando o próprio homem. Usando o pretexto da destruição de todos os intermediários e da promoção da liberdade individual, a anticivilização das telas conseguiu isolar completamente qualquer ser humano para poder dissolvê-lo.

Derrotar esse antimundo só será possível fazendo emergir esse Oriente místico que existe dentro dos corações vivos, um Oriente que fica muito além do Norte, como mencionado por Henry Corbin.

Pessoalmente, minhas divisas são as seguintes: beleza, competência, transcendência, precisão, hierarquia, seleção, trabalho, fé, amor, verdade, virtude, aristocracia, fanatismo, demandas, pureza, disciplina, absolutismo, luz. Pelo contrário, nossa vida diária é programada por centralização, pela falta de qualquer senso de responsabilidade, pela dissolução e pela infantilização.

O escritor francês Jean Parvulesco falou sobre a necessidade de elaborar uma "dialética da autossuperação por meios supra-históricos e nupciais". É claro, as elites políticas estão hoje completamente apodrecidas; mas, isso não é razão para prescrever uma assim chamada democracia real, como na Suíça por exemplo, pela simples razão de que o regime democrático não pode fazer outra coisa que inevitavelmente levar a uma sociedade em que as elites políticas estão apodrecidas. Apenas a renovação das elites pode ser verdadeiramente efetiva e revolucionária. Uma elite genuína, estruturalmente animada pelo movimento tríplice descrito por Ibn'Arabî: criação-reação-reabsorção na Unidade, disposta a se sacrificar para corrigir as pessoas e ensiná-las a essência do amor usando golpes com uma vara. No final, a divindade transcendental não salvará o mundo, mas sim o julgará.

O Reino do Ser deve se confrontar com o Império do Não-Ser. O casamento vesperal entre vida e morte deve ser celebrado sob a intoxicação fornecida pelo reavivamento completo do mundo. A morte não é intrinsecamente ruim, cada destruição é uma benção para o equilíbrio do mundo quando uma reconstrução vem logo em seguida. Mas o Império do Não-Ser é uma exaltação do advento totalitário da morte: somente morte, sem qualquer reconstrução, nomeadamente o oposto teológico do sexo.

Alguns intelectuais reacionários pensam que nossa sociedade é dominada pelo sexo. Eles estão absolutamente errados, já que é a imagem do sexo, a paródia do sexo que é onipresente (pela propaganda, pela pedofilia e pela homossexualidade), ajudando a morte a governar por todo lugar. Estatisticamente, um homem de quarenta anos de idade vivendo em uma das nossas capitais ocidentais faz amor muito ocasionalmente, em comparação com alguém da Idade Média. Julius Evola demonstrou que uma sociedade tradicional não possui qualquer tipo de problema com a questão do sexo. Mas hoje, a necessidade derrota o desejo.

Há ainda alguns países cuja estrutura de alguma forma corresponde à antiga funcionalidade tripla, em que o poder político governa a sociedade no esquema de uma constituição ordenada pela autoridade espiritual: Irã, talvez Rússia, alguns países africanos como Senegal (em que o presidente eleito deve prestar lealdade ao imã de Touba), etc. Dessa maneira, o poder temporal e a autoridade espiritual estão claramente distintas, conforme a primeira é vassala da segunda.  Nossa era pós-moderna é um período de confusão entre política e religião. Os comentaristas explicam que essa confusão lembra as idades das trevas da humanidade, quando na verdade, ela jamais aconteceu antes em toda a história, e pelo contrário é um dos sinais mais evidentes da verdadeira idade das trevas, nomeadamente da Kali Yuga! Essa confusão entre política e religião objetiva à completa destruição tanto da política como da religião, tudo em auxílio à finança.

O modelo tradicional da relação entre poder e autoridade deve ser reinvestido e amplificado a nível continental, firmando-se nos pensamentos metateológicos emanando do movimento revolucionário do prof. Dugin bem como da experiência de guerra da aliança escatológica no Líbano entre o Hezbollah e o General Aoun.

O desafio da era de Aquário é a ressurreição da pedra funeral enterrada sob a terra da grande Eurásia continental, a construção de uma casa amarela em que o modelo de vida será idêntico ao da Atlântida original, com uma grande diferença não obstante: nós temos agora que entrelaçar os princípios de religiões justificadas ao redor de um eixo solar perpetuamente em chamas. Após a queda da civilização atlante, o aparecimento da era neolítica foi acompanhado pela invenção do Rei, cujo papel era manter vivas as sociedades abaladas pela difusão do comércio e pela concomitante mistura - e desaparecimento - de grupos étnicos. Amanhã, de forma bastante análoga, após a queda da civilização ocidental, o aparecimento da era de Aquário terá que ser acompanhada pela invenção de um círculo interno de Sacerdotes, cujo papel será manter vivas as sociedades abaladas pela difusão do liberalismo e pela concomitante mistura - e desaparecimento - das religiões.

As chaves da Tradição permitirão o acesso a um pergaminho, em que está eternamente escrita em ambos os lados a constituição do Reino Eurasiático do Fim. Esse Reino será abençoado pelo círculo interno de Sacerdotes, esse Cenáculo de Sacerdotes, os guias das principais religiões que irrigam todo o Continente à maneira de veias pulmonares incandescentes: Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Espiritualidades Hiperbóreas e Celtas, todas elas profundamente animadas por um ritmo celestial similar cujo domínio é a coroação cósmica da Deusa Mãe Suprema, a Abençoada Virgem Armada, a Mãe fundadora da espiritualidade profunda do coração de nosso continente.

Alguns escritores tem estudado a origem hiperbórea das religiões indo-européias. Permitam-me recomendar o livro "Dácia Hiperbórea", publicado em 1936 pelo diplomata romeno Vasile Lovinescu, sob o pseudônimo Geticus. Usando o método analítico de René Guénon, ele evoca a migração do centro primordial desde o Pólo Norte à Pelasgia grega, antes de passarem ao Oriente. Geticus estuda as raízes profundas do folclore romeno, detectando a presença de Apolo e Ártemis em alguns personagens e desvelando o Rei do Mundo sob os traços do Velho Natal, bem como a geografia sagrada do país.

Nós temos que operar um trabalho longo e lente de recuperação para reatingir os espaços mais antigos de nossas fundações raciais e espirituais, e a escavação da rede tectônica de nosso centro eurasiático metafísico será tão exaustiva quando excitante. Em particular, devemos estabelecer novamente uma conexão viva e ativa entre Celtismo e Cristianismo, liberar esses dois mundos arcaicos e antimodernos de sua camada morta exterior de modo a celebrar seu casamento heróico e regenerativo.

Dois mil anos após a extensão e coroação das espiritualidades da era de Áries (Javé, Júpiter, Thor, Taranis) pelo Cristo, nós devemos agora apertar novamente o cinto do Tempo, provocar uma nova ascensão do Ser, deixar reaparecer dentro de nós a seiva incandescente dos Deuses Antigos; que seus hálitos flamejantes incendeiem nossa coluna, e que nossa pele se torne uma interface entre o incêndio interior de nossos órgãos vitais e a língua de fogo celestial do Paráclito.

O poeta francês André Suarès escreveu, há cem anos atrás: "Finalmente, é uma questão de sermos deuses dentro de Deus. Mas temos que merecê-lo, irmãos. A última palavra é: remover-se de tudo".

Nós devemos processar uma transmutação interna dos Deuses Antigos sob a égide do Cristo, convocar os Deuses Antigos para elaborar um exército escatológico final contra o mundo ocidental, uma vanguarda militar composta de ksatriyas arcaico-futuristas: berserkers odinistas, lobisomens disciplinados, banshees cavalheirescos, todos eles situados sob o estandarte da Igreja.

De fato, a Grande Obra dos alquimistas, o Magnum Opus de nossos tempos pós-modernos consiste em reativar, prolongar e intensificar a luta metapolítica dos templários (quebrados pela França e pelas nações emergentes). Eles constituíam um poderoso elo entre a Europa Celta, Roma e o Oriente Próximo. Os templários foram o ápice do Cristianismo celta. Seu pensamento supra-histórico estava centrado na luta contra as nações modernas, unificando irmãos iniciados na guerra e na oração, e no estabelecimento de um Reino espiritual supranacional sob a égide da Virgem Maria.

Aqui seguem alguns exemplos da profunda presença de celtismo nos templários.

Os primeiros nove cavaleiros fizeram seus votos perante o patriarca Teocletes, 67º sucessor de João o Evangelista. Fundada em Lyon no ano de 160 por São Irineu, a Igreja de João tinha seu próprio rito, favorecia o Paráclito, e estava baseada nos escritos de São Clemente de Alexandria que considerava tanto Platão como os Evangelhos como manifestações do Logos. O rito dos templários era grego e bizantino.

A Ordem foi estabelecida seguindo as regras de Santo Agostinho, emitida desde concepções bélicas, heróicas e solares. O herói é bem mais considerado que o mártir.

A regra cisterciente que foi imposta em 1128 (dez anos após a criação da Ordem) foi inspirada por São Bernardo de Clairvaux, o cavaleiro da Virgem Maria, muitas vezes descrito como monge celta, um druida cristão. A religião dos templários era armada e militante, e se fundiu com o Cristianismo oriental: maronitas, coptas, alguns grupos gnósticos orientais. Eles trouxeram a descoberta da alquimia para a Europa, após formar fortes relações com druzes, ordens xiitas (hashashin), e mesmo Saladino.

A estrutura da Ordem estava baseada na trifuncionalidade indo-européia (Oratores: capelões, Bellatores: cavaleiros, Laboratores: sargentos).

A entrada à Casa do Templo era governada por um ritual iniciático, na presença do comandante e doze membros do capítulo. Doze é o número da Idade de Ouro (12 signos estelares). Cabeças cortadas foram introduzidas em certos ritos templários.

Recuperar o Celtismo é orientar, isto é, uma maneira de encontrar o Oriente. A matriz da Europa escatológica é celta, a raça astral e divina dos Tuatha Dé Danann. Deixe-me lembrá-los da existência da Igreja Ortodoxa Celta, fundada no ano de 7 por José de Arimatéia em Glastonbury, poucos anos após sua chegada em Marselha com Maria Madalena. José realizou uma jornada de Provença à Cornualha seguindo o caminho inverso da famosa rota do estanho. A Igreja Ortodoxa Celta perdeu sua soberania no século XIII, e foi restaurada em 1866 pelo patriarca Pierre-Ignace IV, Metropolita da Igreja Ortodoxa Síria. Duas outras igrejas similares também existem: a Igreja Ortodoxa Francesa e a Igreja Ortodoxa dos Gauleses. Essas três igrejas se uniram em 2007. Elas se baseiam em um rito ocidental, com elementos do rito de São João Crisóstomo. Elas adoram ao Cristo Pantocrator, a força de Cristo no Espírito. Alguns papas até mesmo afirmam que Jesus visitou a Grã-Bretanha em Sua juventude.

Em oposição aos mundos germânico e romano, o espiritual prevalece sobre o político no mundo celta. Nos países celtas que foram menos romanizados, tal como Irlanda e Escócia, as elites espirituais se converteram ao Cristianismo muito mais facilmente do que na Gália. As igrejas celtas eram monásticas e intelectuais, monges liam Platão e Plotino. A Irlanda era dita uma ilha de santos e sábios. Alguns deles foram bastante influentes: Escoto Erígena, monge celta da Irlanda no século IX, promoveu o estudo da patrística grega em relação à patrística latina, na corte de Carlos II (Rei e Imperador).

Há muitas características comuns entre os cristianismos oriental e celta: o sentimento profundo pela Trindade; o senso de glória do Deus oculto nos seres humanos, nenhuma separação escolástica entre a alma e o mundo; o papel supremo da liberdade humana na salvação (ver Jean Cassien, que foi acusado de semipelagianismo); uma concepção iniciática do destino da alma (Epectase), ilustrada pela navegação de São Brandão (com São Malo) até o Canadá no século VII. O indivíduo não é uma alma prisioneira dentro do corpo, mas uma alma em permanente transformação que recuperará sua plenitude no tempo da ressurreição. Para o pensamento cristão ortodoxo, que rejeita cada dualismo, o mundo é uma dádiva de Deus que será transformada pelo Espírito Santo.

Para mim, há uma grande analogia entre as duas relações: a relação entre a comunidade igualitária primitiva da Idade de Ouro e a sociedade Tradicional organizada em uma hierarquia estrita, e a relação entre ortodoxia (popular) e catolicismo (aristocrático). O segredo da suprema junção entre ortodoxia e catolicismo se encontra no dogma da coroação da Virgem Maria aliado ao amor intangível do Paráclito. E no que concerne a própria Europa, o segredo de todas as supremas junções reside no renascimento do Celtismo.

Joachim de Fiore: "Tanto quanto o Velho Testamento parece pertencer ao Pai, por uma certa propriedade de similaridade, e ao Filho a carta do Novo Testamento; bem como a inteligência espiritual, que procede de ambos, pertence ao Espírito Santo. De tudo isso, a era em que as pessoas se unem em casamento foi o reino do Pai; a era dos pregadores é o reino do Filho; e a era dos monges, ordo monachorum, a última, deverá ser o reino do Espírito Santo. A primeira antes da lei [Touro e Áries], a segunda sob a lei [Peixes], e a terceira com a graça [Aquário]".

A Eurásia é a ressurreição de nossa civilização prévia, a reativação da Instituição Sagrada do Paleolítico. É a melhor maneira de curar o trauma do fim de Atlântida, através da aliança elitista entre as religiões ativas e justificadas de nosso continente.

O Reino Eurasiano é a Cidade Santa profetizada por muitas espiritualidades européias. A Cidade SAnta é a vitória da Unidade sobre a uniformidade.

Os herdeiros dos Templários iluminarão o Reino Eurasiano com a clareza da Estrela Interior, para estabelecer de forma definitiva esse Reino Espiritual total governado pela Ordem da Madama Santa Maria, universal, unificadora e supratradicional. Os homens então serão capazes de partilhar suas refeições com Deus, como previsto por François Rabelais ao fim de seu Terceiro Livro. O escritor francês Jean Parvulesco falou sobre a necessidade de uma revolucionária Imaculada Concepção para a realização final da Unidade transcendental, e do Reino Eurasiano do Fim dos Tempos.

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