domingo, 19 de junho de 2011

Parvoíce Antitradicionalista

"Se as idéias antitradicionalistas valessem mais que nossa tradição, esta teria tornado-se uma espécie de pré-história, mas apenas um pouco melhor conhecida. Isso é o que se tem desejado fazer nesses anos ao chamarem 'homens das cavernas' aos espanhóis amantes das glórias do passado. Porém quando pergunta-se pelos títulos das idéias que julgam-se novas, os inimigos hão de guardar silênico, se não preferem envolver-se em retórica inane. Porque a árvore é conhecida por seus frutos e os seus não aparecem. Nem uma filosofia que sustente-se, nem um sistema de Direito satisfatório, nem o bem-estar do povo, nem uma grande arte, nem história, nem poesia. Um trágala perpétuo, uma ameaça incessante, um insulto permanente. São estes os títulos das novas idéias? A arte pela arte? Não produziu uma única grande obra em país algum. A economia individualista? É a mãe dos problemas sociais. O socialismo? Arruina aos povos. A democracia? É a incapacidade para o governo. O liberalismo espiritual? É o triunfo da difamação. O bacharelado enciclopédico? Como quase todo o cômputo de Instrução pública não serve senão para infiltrar nos espíritos o horror ao trabalho. Repitamo-nos para consolar-nos, que a maioria dessas coisas foram-nos trazidas por gente de boa-fé, que lançaram-se a buscar pelo mundo o que necessitávamos. Porém não esqueçamos que acompanhavam-nas e empurravam-nas os ressentidos, os negadores, os anormais, que não moviam-se senão por impulsos destrutivos, que, pelo visto não satisfizeram-se em despedaçar o que foi o mais generoso e humano de todos os Impérios que houveram no mundo."
(Ramiro de Maeztu)



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