22/02/2026

Geydar Dzhemal - Obra em Vermelho

 por Geydar Dzhemal

(2010)



«A diferença entre o espírito e a matéria é apenas uma questão de grau, e nossa tarefa consiste em transformar a matéria em espiritual e o espírito em material». - Mercurio van Helmont, alquimista.

Entre todos os revolucionários da história mundial, Lênin representa uma figura muito especial. O fenômeno do leninismo é único. A revolução leninista, o «Grande Outubro», teve sucesso, enquanto todas as outras revoluções sociais que ocorreram ficaram na fase de tentativas fracassadas, projetos inconclusos e esperanças frustradas. Qualquer revolução tem que agir contra a colossal inércia do sistema mundial. Para realizar uma revolução, é necessário que confluam tantos fatores que é mais fácil imaginar a origem da vida na Terra. Uma revolução bem-sucedida é um milagre. A de outubro é um milagre duplo: em primeiro lugar, foi realizada e, em segundo lugar, praticamente tudo o que Lênin fez durante toda sua vida pré-revolucionária para realizá-la não serviu para nada ou, em alguns casos, acabou sendo um obstáculo.

17/02/2026

Julius Evola - O Significado Espiritual da Autarquia

 por Julius Evola

(1938)



Não é incomum, em nossa época atual, que a força das circunstâncias — e essas "causas positivas" tão valorizadas em certos círculos — gerem situações que, à primeira vista, parecem extrair seu significado exclusivamente delas. No entanto, para o olhar perspicaz, tais situações prontamente se revelam suscetíveis de incorporar um valor superior e, assim, elevar-se acima do plano da mera contingência.

Usamos a palavra "suscetível" com plena intenção, desejando transmitir o sentido de possibilidade, e não de necessidade, que é próprio a essa vocação superior. Muitas vezes, o destino coloca algo ao nosso alcance sem que o percebamos ou saibamos como aproveitá-lo. E em muitas outras ocasiões, tanto na vida individual quanto na coletiva, a força das circunstâncias age como um domador que, embora possua um amor genuíno por um novo cavalo, é obrigado a chicoteá-lo repetidamente porque este não compreende sua vontade: executa cada parte do exercício com cuidado, mas invariavelmente para justamente no último passo — que, com o mínimo esforço, se apenas entendesse, poderia ser facilmente superado.

08/02/2026

Horst Mahler, Günther Mäschke & Reinhold Oberlercher - Declaração Solene sobre o Movimento de 1968

 por Horst Mahler, Günther Mäschke e Reinhold Oberlercher

(2002)


Após os discursos de Bernd Rabehl nos comícios de Munique e Bogenhausen e o apelo de Mahler por uma união nacional além da esquerda e da direita, uma declaração solene sobre o movimento de 1968 lança uma nova pedra no charco dos círculos de esquerda. Esta declaração é obra de três antigos militantes da SDS (Federação Alemã dos Estudantes Socialistas) – Horst Mahler, Günter Maschke e Reinhold Oberlercher:


Aqueles que, como funcionários e apologistas, defendem hoje o domínio estrangeiro sobre o povo alemão e, mais amplamente, a dominação "global" imperialista do capital sobre todos os povos da Terra, têm o estranho hábito de invocar o mito de 1968. Este abuso de linguagem levou os signatários a publicar esta declaração para as gerações futuras e para a História. É o testemunho de pessoas que viveram os eventos de 1968 e podem afirmar que esse movimento não defendia nem o comunismo, nem o capitalismo, nem o terceiro-mundismo, nem os valores propagados pelo Ocidente ou pelas democracias populares. O movimento de 1968 trabalhava apenas pelo direito de cada povo à autodeterminação de tipo nacional-revolucionário. Nunca defendemos a política partidária, o parlamentarismo, as coalizões vermelho-verdes ou o capitalismo político sob o disfarce da democracia. O liberalismo era tão estranho para nós quanto o conservadorismo ou o socialismo, entendidos como a dominação de uma classe sobre a sociedade. O movimento de 1968 não defendia a americanização do mundo, a destruição dos povos e das famílias pela redução de tudo e de todos ao mercado, o foco no emprego, a má música, a pornografia, as drogas, o capitalismo e o crime, mas sim o seu oposto.