segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Segredo da Eurásia: A Chave para a História Oculta e os Eventos Mundiais

por Mehmet Sabeheddin



"Sob o amplo ondular da história humana fluem as correntes furtivas das sociedades secretas, que frequentemente determinam nas profundezas as mudanças que ocorrem na superfície". - A.E. Waite

Estariam as sociedades secretas e fraternidades ocultas ativas por trás das cenas dos eventos mundiais por milhares de anos? Moldariam esses guardiães de sabedoria secreta o crescimento da consciência humana e influenciariam o destino das nações? Estariam mestres secretos de conhecimento oculto fortalecendo e infiltrando certos movimentos políticos, culturais, espirituais e econômicos, cumprindo um antigo plano? Poderia ser que as maiores reviravoltas, guerras e revoluções humanas, bem como suas descobertas pioneiras na ciência, literatura, filosofia e artes, seriam resultado de uma "mão oculta"? Podemos decodificar a história e encontrar a interface misteriosa entre política e ocultismo, assim desvelando os reais motores de nosso mundo moderno?

O filósofo alemão Oswald Spengler avisou sobre uma "poderosa disputa" enter grupos de homens de "imenso intelecto" a qual o "cidadão comum nem observa nem compreende". Lá em 1930 Ralph Shirley, o editor do Occult Review londrino, o principal diário britânico de ciências esotéricas, endossou "a suspeita de que as fileiras do ocultismo estão secretamente trabalhando para a desintegração e a revolução". Prova positiva na forma de um grupo de ocultistas trabalhando com este objetivo em vistas recentemente veio à atenção do presente escritor".

O major-general Fuller, antigo discípulo de Aleister Crowley, que tinha ligações com a inteligência militar britânica, escreveu sobre uma força insidiosa usando "Magia e Ouro" buscando "alcançar o domínio global sob um Messias vingativo como previsto pelo Talmud e a Qabalah". O antigo chefe de Fuller, Crowley, trabalhou como agente secreto tanto para a Grã-Bretanha como para a Alemanha, ainda que seus contatos britânicos tenham notado sua "pouca confiabilidade" alertando que ele só devia ser usado em operações de espionagem com o maior cuidado. Durante a Primeira Guerra Mundial o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha secretamente pediu ao ocultista Gustav Meyrink que escrevesse um livro culpando os maçons da França e da Itália pelo início da guerra.

A Madame Blavatsky acreditava que a sociedade católica dos jesuítas havia transferido seu quartel-general do continente para a Inglaterra onde eles planejavam mergulhar o homem em uma ignorância passiva e instituir "Despotismo Universal". A fundadora da Sociedade Teosófica, uma mulher de intelecto imenso e experiência de primeira mão com sociedades secretas, alertou:

"Estudantes de Ocultismo deveriam saber que enquanto os jesuítas conseguiram através de seus meios fazer com que o mundo em geral, e os ingleses em particular, creia que não há tal coisa como Magia e ria de Magia Negra, esses astutos e furtivos conspiradores eles mesmos sustentam círculos magnéticos e formam correntes magnéticas pela concentração de sua vontade coletiva, e quando eles tem algum objeto especial para afetar ou qualquer pessoa particular e importante para influenciar".

A Revolução Francesa, uma das reviravoltas políticas mais importantes da Europa, foi majoritariamente a obra de lojas maçônicas dedicadas à derrubada da monarquia e a por um fim à religião católica estabelecida. Em Provas de uma Conspiração (1798), John Robinson demonstrou que os clubes políticos e comitês de correspondência durante a revolução, incluindo o famoso Clube Jacobino, nasceu dessas lojas maçônicas.

A influência do misticismo, do oculto e das sociedades secretas sobre a história é geralmente descartada por acadêmicos ocidentais. Historiadores comuns escolhem ignorar este aspecto porque eles acreditam que ele não possui qualquer importância real para a política mundial. Na verdade é somente pelo reconhecimento do papel e influência do "subterrâneo oculto" que importantes eventos globais podem ser plenamente compreendidos e colocados em sua perspectiva histórica real.

Atlantismo versus Eurasianismo

As sociedades secretas e os professores da sabedoria oculta consistentemente traçam suas origens de volta à própria aurora da civilização. Dentro da cultura judaico-cristão, as escolas secretas falam de Adão, Set, Moisés e dos Patriarcas como iniciados de uma sabedoria divina cuidadosamente transmitida de uma geração para a próxima. Outros grupos ocultistas olham para o antigo Egito e para as Escolas de Mistério da Grécia, para o continente perdido de Atlântida. Ainda outros traçam sua linhagem à Suméria ou Babilônia e às misteriosas planícies da Tartária.

Examinando os mitos, lendas e histórias arcanas da humanidade nós encontramos incontáveis referências a uma civilização primordial desaparecida. O brilhante metafísico francês René Guénon escreveu sobre uma grande cultura hiperbórea que floresceu ao redor do Círculo Ártico e seus entrepostos Shambhala no Oriente e Atlântida no Ocidente. Platão escreveu sobre Atlântida, descrevendo-a como o coração de um grande e poderoso império que, devido à mistura indiscriminada dos "filhos dos Deuses" com os "filhos dos homens", sofreu "violentos terremotos e inundações" e "desapareceu sob o mar". Segundo a tradição oculta, Atlântida chegou ao fim após um longo período de caos e desastres trazidos, nas palavras de Madame Blavatsky, porque a "raça atlante se tornou uma nação de magos malignos". Atlântida foi destruída por uma conspiração de magos malignos que havia tomado o controle do poderoso continente.

Muito antes do fim de Atlântida, grandes migrações ocorreram em direção a diferentes centros terrestres. Em uma lenda nos é falado sobre um remanescente justo viajando do Círculo Ártico para Shambhala, na remota vastidão da Ásia Central. Outras lendas sugerem que sobreviventes atlantes estabeleceram a antiga civilização egípcia.

Victoria LePage, autora de um dos mais amplos estudos sobre Shambhala explica como Atlântida e Shambhala são mais do que meros locais geográficos:

"No folclore Atlântida e Shambhala estão implicitamente ligadas como imagens carismáticas do desejo do coração, duas miragens que se situam no horizonte mais longínquo do anseio humano, inalcançáveis, sempre recuando conforme tentamos alcançá-las; na melhor das hipóteses não mais do que estados ideais de consciência jamais realizados. Mas sua associação parece ter uma base bem mais real e historicamente concreta do que isso. A tradição iniciática afirma que ambas genuinamente existiram, uma no mar ocidental, a outra nas montanhas orientais, como eixos centrais do que foi outrora uma rede de centros de sabedoria localizados em uma grande rede de poder abarcando o globo. Ademais, Shambhala ainda existe dentro de um âmbito que aguarda reativação".

De modo a identificar atividades históricas de sociedades secretas nós precisamos apreciar a origem de uma idéia assaz poderosa. As tradições ocultas falam de Shambhala como o centro positivo da Fraternidade da Luz, e Atlântida como o centro negativo dos magos negros, a Fraternidade da Sombra. Onde quer que olhemos nós vemos a divisão de sociedades secretas e empenhos ocultos nessas duas "Ordens" opostas. Todos os movimentos e ensinamentos ocultos inevitavelmente servem ou à "Ordem da Eurásia" ou à "Ordem do Atlantismo", com seus respectivos centros simbólicos de Shambhala e Atlântida. Ocultas por trás de uma multidão de diferentes formas e representados por uma gama de insuspeitos agentes de influência, estes dois centros - Shambhala e Atlântida - representam dois diferentes impulsos na evolução humana.

Visto da perspectiva da geografia sagrada, em nosso ciclo histórico atual, o Atlantismo é o triunfo dos elementos mais destrutivos e diabólicos na civilização ocidental. Uma autoridade moderna em geografia sagrada e geopolítica observa:

"A geografia sagrada com base em 'simbolismo espacial' tradicionalmente considera o Oriente como 'a terra do Espírito', a terra paradisíaca, a terra de uma completude, abundância, a 'terra nativa' sagrada em seu tipo mais pleno e perfeito. Em particular, essa idéia é espelhada no texto bíblico, onde a disposição oriental do 'Éden' é tratada.

Precisamente tal compreensão é peculiar também a outras tradições abraâmicas (Islã e Judaísmo) e também a muitas tradições não-abraâmicas - chinesa, hindu e iraniana. 'O Oriente é a mansão dos Deuses', afirma a fórmula sagrada dos antigos egípcios, e a própria palavra 'Oriente' ('neter' em egípcio) significa ao mesmo tempo "Deus". Do ponto de vista do simbolismo natural, o Oriente é o lugar onde o sol se ergue, Luz do Mundo, símbolo material da Divindade e do Espírito.

O Ocidente possui o significado simbólico oposto. É o 'país da morte', o 'mundo sem vida', o 'país verde' (como os antigos egípcios o chamavam). O Ocidente é 'o império do exílio', 'o poço dos rejeitados', segundo a expressão de místicos islâmicos. Ocidente é 'anti-Oriente', o país da decadência, transição de degradação do manifesto ao imanifesto, da vida para a morte, da completude à carência, etc. O Ocidente é o lugar onde o sol desce, onde ele 'afunda'."



Rússia e o Universo Mágico

A Rússia, geograficamente o maior país da terra, ocupa uma posição única no estudo da história humana nos fornecendo uma janela para o mundo das sociedades secretas, professores ocultos e correntes políticas subterrâneas.

Idéias e práticas tiradas da magia e do oculto sempre foram parte da vida russa. No século XVI o Czar Ivan IV consultou magos e tinha consciência do significado oculto das pedras preciosas de seu cajado. Seu reino era a culminação do sonho de construir uma civilização profética e religiosa na tradição cristã oriental de Bizâncio. Cercado por ordens secretas de monges apocalípticos, Ivan se via como o herdeiro dos reis israelitas e tentou transformar a vida russa segundo sua visão mágica da realidade. Ivan estava convencido de que a nação russa tinha uma missão especial a realizar, nada menos que a redenção do mundo.

Em 1586, o Czar Boris Godunov ofereceu o enorme salário de 2.000 libras inglesas por ano, com uma casa e todas as provisões de graça, para John Dee, o mago inglês e mestre espião, para que o servisse. O filho de Dee, Dr. Arthur Dee, que como seu pai era um alquimista e rosacruz, foi para Moscou trabalhar como médico. Mikhail Romanov, o primeiro Czar da dinastia Romanov, supostamente ascendeu ao trono com a ajuda do Dr. Arthur Dee e do serviço secreto britânico. Antes de sua ascensão ao poder os Romanov eram acusados por seus inimigos de praticarem magia e possuírem poderes ocultos.

O lendário Conte de Saint-Germain, descrito como alquimista, espião, industrialista, diplomata e rosacruz, se tornou envolvido em diversas intrigas políticas na Rússia e era, segundo Nicholas Roerich, "um membro da irmandade do Himalaia". Em 1755 ele viajou pela Eurásia para estudar doutrinas ocultas, e pode até ter visitado o Tibet. É dito que enquanto estudava ocultismo na Ásia Central o Conte foi introduzido aos ritos secretos da magia sexual tântrica que forneceram a ele uma técnica para prolongar sua juventude. Ele também participou de operações de espionagem contra a notória Companhia Britânica das Índias. Saint-Germain fundou duas sociedades secretas chamadas Confrades Asiáticos e Cavaleiros da Luz. Tão cedo quanto 1780 ele alertou Maria Antonieta que o trono francês estava em perigo pro causa de uma conspiração internacional dos "Irmãos das Sombras". Rumores continuaram a circular por muitos anos após sua suposta morte de que Saint-Germain ainda estava vivo trabalhando por trás das cenas na política européia ou estudando doutrinas ocultas na Ásia Central.

Ocidente encontra Oriente

"Poderes ocultos parecem ser uma questão de temperamento nacional...a Rússia tende a produzir magos - homens ou mulheres que impressionam por sua autoridade espiritual; nenhuma outra nação possui um equivalente espiritual de Tolstói e Dostoévsky, ou mesmo de Rozanov, Merezhkovsky, Soloviev, Fedorov, Berdaev, Shestov. Certamente nenhuma outra nação chegou perto de produzir alguém como Madame Blavatsky, Gregory Rasputin ou George Gurdjieff. Cada um é completamente único". - Colin Wilson, The Occult

O processo de síntese das tradições ocultas do Oriente e Ocidente é visto na obra de Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica e o autor do magnum opus A Doutrina Secreta. Nascida Helena von Hahn, a filha de uma família militar russa e prima do futuro Primeiro-Ministro russo Conde Witte, ela é uma verdadeira emissária da Ordem Eurasiana. Nevill Drury diz da ocultista russa: 

"Sua principal contribuição ao pensamento místico era a maneira na qual ela buscava sintetizar filosofia e religião oriental e ocidental, assim fornecendo uma estrutura para entender a doutrina oculta universal".

Madame Blavatsky viajou pela Ásia e Europa, se uniu à milícia revolucionária nacional de Garibaldi, lutando na batalha de Mentana, na qual ela foi gravemente ferida. No final da década de 1870, pouco após a publicação de seu primeiro livro Ísis Desvelada, uma convincente acusação à religião ocidental contemporânea como falida espiritualmente, ela se mudou dos EUA para a Índia onde o quartel-general da Sociedade Teosófica permanece até hoje.

Em 1891 o futuro Czar Nicolau II, na companhia do estudioso místico eurasiano Príncipe Ukhtomsky, visitou o quartel-general da Sociedade Teosófica em Adyar. A descrição da Sociedade pelo Príncipe Ukhtomsky:

"À insistência de Blavatsky, uma senhora russa que sabia e havia visto muito, brotou a idéia da possibilidade, e mesmo necessidade, de fundar uma sociedade de teosofistas, de buscadores da verdade no sentido mais amplo da palavra, para o propósito de alistar adeptos de todos os credos e raças, de penetrar mais fundo nas doutrinas mais sagradas das religiões orientais, de trazer asiáticos a uma verdadeira comunhão espiritual com estrangeiros educados no Ocidente, de mantar relações secretas com diferenças sacerdotes, ascetas, magos, e daí em diante".

Madame Blavatsky queria unificar Ásia Central, Índia, Mongólia, Tibet e China, de modo - com o envolvimento da Rússia - a criar uma grande potência eurasiática para se opor às ambições britânicas. Viajando pela Índia Blavatsky agitou contra o governo britânico e se viu acusada pelas autoridades coloniais de ser uma espiã russa. O Príncipe Ukhtomsky via apoio para a Eurásia na "prontidão dos indianos em se agruparem sob o estandarte da estranha mulher do norte". Ele acreditava que Madame Blavatsky havia sido forçada a abandonar a Índia pelas "suspeitas dos ingleses".

Tão cedo quanto 1887 H.P. Blavatsky havia se tornado tópico de debate na "Petersburgo mística" e recebido o apoio prestigioso do amigo de Ukhtomsky, o misterioso tibetano Dr. Badmaev, que logo se tornaria notório pelo favor que ele recebeu na corte imperial russa e por sua relação com Rasputin. A irmã de Blavatsky insistia que o Metropolita Ortodoxo Russo de Kiev havia reconhecido o dom psíquico da jovem Helena, e a havia alertado a usar seus poderes com discrição, já que ele tinha certeza de que eles haviam sido dados a ela para algum propósito superior.

O Dr. Stephen Hoeller, um estudioso de religião comparada e Bispo Gnóstico, nos lembra que Blavatsky "era uma verdadeira filha da Mãe Rússia. Alguns sentiam que sua vida e caráter correspondem fortemente ao arquétipo tradicional russo do santo andarilho, conhecido como staretz (literalmente "ancião"), denotando um asceta andarilho não-clerical, ou peregrino, que viaja pelo interior, exortando as pessoas em relação a questões espirituais, algumas vezes de uma maneira decididamente heterodoxa".

Após a morte de Blavatsky em Londres em 1891, a Sociedade Teosófica ficou sob o firme controle dos ocultistas ingleses Annie Besant e C.W. Leadbeater, um convicto imperialista britânico. A orientação eurasiática dada pela Teosofia primitiva de Blavatsky foi comprometida pela influência da maçonaria britânica e pelo anglicanismo esotérico de Leadbeater. No grande conflito dos magos o impulso eurasiático encontro novos agentes históricos no Ocidente, entre eles o celebrado mago francês Papus.



Grande Batalha de Magos

"Quando o século XIX tiver chegado ao fim, um dos Irmãos de Hermes virá da Ásia para reunificar a humanidade". - Nosstradamus

Papus, junto com Oswald Wirth e De Guaita, sonhava em unir ocultistas de todos os lugares em uma fraternidade rosacruciana revivida, uma ordem oculta internacional na qual eles esperavam que o Império Russo desempenharia um papel de liderança como ponte entre Oriente e Ocidente.

Papus era o pseudônimo do Dr. Gerard Encausse (1865-1916), um discípulo de Joseph Saint-Yves d'Alveydre (1842-1910), um iniciado da Igreja Gnóstica Francesa e não raro o instigador de muitos dos grupos ocultistas de seu tempo. Um dos mais famosos ocultistas da virada do século, ele foi o fundador da Escola Hermética em Paris, que atraiu muitos estudantes russos, e dirigiu a principal revista ocultista francesa, L'Initiation. Papus era também o líder de duas sociedades secretas, a L'Ordre du Martinisme e a L'Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix.

Quando o Czar e a Czarina russos visitaram a França em 1896, foi Papus que lhes enviou uma saudação em nome dos "espiritualistas franceses", esperando que o Czar "imortalizaria seu Império por sua união total com a Divina Providência". Essa saudação era reminiscente das esperanças de místicos à época da Santa Aliança do Czar Alexandre I.

Papus fez sua primeira visita à Rússia em 1901 e foi apresentado ao Czar. Ele rapidamente organizou uma loja de sua Ordem Martinista em São Petersburgo com o Czar como o presidente dos "Superiores Desconhecidos" que a controlavam. O historiador James Webb diz que Papus "estava meramente revivendo uma devoção a uma filosofia que havia florescido na Rússia na virada dos séculos XVIII e XIX antes de ser suprimida".

Como o principal estudante de Saint-Yves d'Alveydre, Papus sabia do papel fundamental a ser desempenhado pela Rússia na unificação da Eurásia e seu destino oculto como o Império do Fim, a manifestação externa do poder enigmático da "Shambhala Nórdica".

Através de Papus, a família imperial passou a conhecer seu amigo e mentor espiritual Mestre Philippe (Nizier Anthelme Philippe). Um místico cristão sincero, ele recebeu título e honras do Czar russo, e manteve contato com a corte imperial até sua morte em 1905.

Papus voltou a São Petersburgo em 1905 onde corria o rumor de que ele, na presença do casal imperial, invocou o espírito do pai do Czar, Alexandre III, que ofereceu conselhos práticos sobre como lidar com uma crise política.

Tanto Mestre Philippe como Papus tiveram um importante papel político na corte russa. Eles não só aconselhavam o Czar em questões de Estado como mantinham contato com influentes iniciados russos da Ordem Martinista, entre eles dois tios do Czar e vários parentes. O ocultista alemão Rudolf Steiner, que tinha seus próprios discípulos entre o Estado-Maior alemão, seguiu a missão dos dois franceses, perturbado pela "grande influência de Papus na Rússia". Um forte defensor de uma aliança entre França e Rússia, Papus alertou o Czar de uma conspiração internacional objetivando a dominação mundial.

"Ele acreditava que o vasto Império Russo era a única potência capaz de evitar a conspiração dos 'Irmãos da Sombra'. Ele também urgiu o Czar a se preparar para uma futura guerra com a Alemanha, então sendo planejada por forças sinistras em Berlim. Segundo um relato, ele prometeu à família imperial que a monarquia Romanov estaria protegida enquanto ele, Papus, estivesse vivo. Quando notícias de sua morte alcançaram Alexandra em 1916, ela enviou uma nota a seu marido (à época comandando os exércitos russos no front na Primeira Guerra Mundial) contendo as palavras 'Papus está morto, nós estamos perdidos!'"

Papus promoveu sua Ordem Martinista como uma oposição às lojas maçônicas que, ele acreditava, estavam a serviço do imperialismo britânico e dos sindicatos financeiros internacionais. De seus escritos é sabido que ele forneceu documentação às autoridades russas sobre atividades maçônicas na Rússia e na Europa. Papus condenou a Maçonaria como ateísta em contraste ao cristianismo esotérico da Ordem Martinista. Ele atacou "nossa época de ceticismo, de adoração de formas materiais, tão vitalmente carente de uma reação verdadeiramente cristã, independente de todos os sacerdócios". Pouco após retornar de sua primeira visita à Rússia em 1901, uma série de artigos apareceu na imprensa francesa pelos quais Papus era o principal responsável. Eles alertavam sobre uma "conspiração oculta" sobre cuja existência o público estava totalmente inconsciente e sobre as maquinações de um sindicato financeiro sinistro tentando romper a aliança franco-russa. O público é cego para as forças reais da história:

"Ele não vê que em todos os conflitos emergindo dentro ou entre nações, há ao lado dos atores aparentes motores ocultos que por seus próprios cálculos interessados tornam esses conflitos inevitáveis...

Tudo que acontece na confusa evolução de nações é assim preparado em segredo com o objetivo de garantir a supremacia de uns poucos homens; e são esses poucos homens, às vezes famosos, às vezes desconhecidos, que devem ser procurados por trás de todos os eventos públicos.

Agora, hoje, a supremacia é garantida pela posse de ouro. São os sindicatos financeiros que seguram nesse momento os fios secretos da política européia...

Poucos anos atrás foi assim fundado na Europa um sindicato financeiro, hoje onipotente, cujo objetivo supremo é monopolizar todos os mercados do mundo, e que de modo a facilitar suas atividades tem que adquirir influência política".

Os inspirados artigos de Papus em Echo de Paris revelavam o papel do Serviço Secreto Britânico, que era exposto como estando por trás da maçonaria britânica, de isolar e enfraquecer a Rússia. Na França, agentes britânicos concentravam-se na propaganda anti-russa, enquanto na Rússia eles faziam uso de "truques financeiros" para se infiltrarem em todos os níveis da sociedade. Cada esforço era necessário para "preservar o Imperador russo - tão leal e generoso - dos males...dos sindicatos financeiros...que atualmente controlem os destinos da Europa e do mundo".



O Tibetano Misterioso

"São Petersburgo...em 1905 era provavelmente o centro místico do mundo" - Colin Wilson, The Occult

Shamzaran (Pyotr) Badmaev era um mongol buriat que havia crescido na Sibéria e se convertido à ortodoxia russa com Alexandre III como seu padrinho. Ele adquiriu considerável influência no Ministério de Relações Exteriores e o Czar lhe deu o título de Conselheiro Privado. Badmaev era renomado como um doutor de medicina tibetana, herbalista e curandeiro que tratava pacientes das alta sociedade em sua famosa clínica de "Medicina Oriental em São Petersburgo. Descrito por um historiador russo como "uma das personalidades mais misteriosas do dia", e um "mestre de intriga", Badmaev desfrutava de uma forte associação com o curandeiro místico Rasputin.

Conhecido como "o Tibetano", Badmaev sonhava com a unificação da Rússia, da Mongólia e do Tibet. Ele se envolveu em incontáveis projetos objetivando a criação de um grande império eurasiático. A missão histórica da Rússia, ele acreditava, se encontrava no Oriente, onde ela estava destinada a unificar os povos budistas e muçulmanos, como uma oposição ao colonialismo ocidental. Badmaev delineou sua visão em um relatório de 1893 ao Czar Alexandre III chamado "As Tarefas da Rússia no Leste Asiático". Seu conhecimento político considerável garantiram o apoio das tribos mongóis na Guerra Russo-Japonesa.

Em uma carta de 19 de dezembro de 1896, Badmaev escreveu para o Czar Nicolau II: "...minhas atividades tem o objetivo de que a Rússia deveria ter maior influência do que outras potências sobre o Oriente mongol-tibetano-chinês". Badmaev expressou particular preocupação com a influência da Inglaterra no Oriente, afirmando em um memorando especial:

"O Tibet, que - como mais alto plateau da Ásia - reina sobre o continente asiático, deve sem dúvidas estar nas mãos da Rússia. Comandando este ponto, a Rússia certamente será capaz de tornar a Inglaterra mais condescendente".

Badmaev conhecia a lenda, popular na Mongólia, China e Tibet, do "Czar Branco" que viria do Norte (da "Shambhala Nórdica") e restauraria as tradições decadentes do verdadeiro Budismo. Ele relatou ao Czar Nicolau II como "buriats, mongóis e especialmente lamas...estavam sempre repetindo que o tempo havia chegado para estender as fronteiras do Czar Branco no leste..."

Badmaev tinha uma forte associação com um lama tibetano bem posicionado, Agvan Dordzhiyev, o tutor e confidente do XIII Dalai Lama. Dordzhiyev equiparava a Rússia com o vindouro Reino de Shambhala antecipado nos textos Kalachakra do Budismo Tibetano. O lama abriu o primeiro templo budista na Europa, em São Petersburgo, significativamente dedicado à doutrina Kalachakra. Um dos artistas russos que trabalhou no templo de São Petersburgo foi Nicholas Roerich, que havia sido introduzido à lenda de Shambhala e ao pensamento oriental pelo lama Dordzhiyev. George Gurdjieff, outro homem de mistério que teve um impacto tremendo no esoterismo ocidental, conhecia o Príncipe Ukhtomsky, Badmaev e o lama Dordzhiyev. Teria sido Gurdjieff, acusado pelos britânicos de ser um espião russo na Ásia Central, um pupilo dos misteriosos tibetanos?

"Eu estou treinando homens jovens em duas capitais - Pequim e Petersburgo - para outras atividades", escreveu o Dr. Badmaev para o Czar Nicolau II.



Anarquismo Místico

A influência do "Tibetano" se estendia para além da corte imperial até a intelligentsia russa e mais ainda até o mundo subterrâneo da espionagem e da política revolucionária. Um dos movimentos intelectuais à época dos tumultos políticos de 1905 era chamado de "Anarquismo Místico". Dois de seus principais expoentes eram o poeta e escritor Viacheslav Ivanov e George Chulkov, ambos associados do Dr. Badmaev. Chulkov, como o "Tibetano", é descrito como um medium inconsciente transmitindo forças misteriosas.

Uma doutrina política radical objetivando reconciliar liberdade individual e harmonia social, o Anarquismo Místico se inspira nas idéias de Friedrich Nietzsche. Isso não é surpreendente quando consideramos a visão positiva de Nietzsche sobre a Rússia como a antítese do Ocidente decadente, e a apreciação do filósofo alemão pelo budismo e pela cultura oriental.

Segundo a historiadora Bernice Glatzer Rosenthal, os anarquistas místicos, convictos de que "forças invisíveis estavam guiando eventos aqui na Terra, acreditavam que a revolução política refletia realinhamentos na esfera cósmica, e que um novo mundo de liberdade, beleza e amor era iminente".

"Defendendo a abolição de todas as autoridades externas e todas as restrições sobre o indivíduo - governo, lei, moralidade, costume social - eles eram indiferentes a direitos legais como meras "liberdades formais" e se opunham a constituições e parlamentos em favor do sobornost. Por sobornost eles queriam dizer uma comunidade livre unida por amor e fé cujos membros preservavam sua individualidade (como distinto de individualismo, auto-afirmação à parte ou contra a comunidade)...

Eles fundavam esse ideal em sua noção de 'pessoa mística', a alma ou psiquê, que busca união com outros e se reconhece como um microcosmo do macrocosmo, como distinto da 'pessoa empírica', o Eu ou ego, que se afirma à parte ou contra outros. Evocar e desenvolver essa 'pessoa mística' tornaria possível uma 'nova sociedade orgânica' unida por laços invisíveis de amor (eros, não agape), 'experiência mística', e sacrifício - o exato oposto da sociedade liberal, baseada no contrato social e no auto-interesse mútuo e caracterizada pelo discurso racional".

O Anarquismo Místico é uma idéia sociopolítica totalmente eurasiana. Aqui nós temos um motivo assaz arcano em uma forma moderna: A grande luta da civilização empírica, plutocrática e ocidental contra a cultura mística, sacrificial da Eurásia. Em termos ocultos é o conflito do impulso de "Shambhala" com os renegados da "civilização atlante". A Fraternidade da Luz Nórdica combatendo os Irmãos das Sombras, manifestação externa da longa guerra entre os agentes do Ser e do Não-Ser.

Nicholas Berdyaev, Dmitri Merezhkovsky, Zenaida Hippius, Valerri Briusov, Mikhail Kuzmin, Alexandre Blok, Vasili Rozanov, junto a uma hoste de outros poetas, escritores e artistas russos, transmitiram diferentes aspectos do Anarquismo Místico e da visão eurasiana. Quando nos anos antes da Revolução o mestre sufi Inayat Khan visitou a Rússia, ele encontrou muito a ser elogiado no "tipo oriental de discipulado que é natural à nação".

Merezhkovsky viu a possibilidade de evoluir uma "nova consciência religiosa" dos dois tipos peculiarmente russos representados por Tolstói e Dostoévski. Tolstói representava um misticismo panteísta da carne, e Dostoévski valores espirituais mais ascéticos. "Nessa Rússia o 'Homem-Deus' será manifesto ao mundo ocidental, e o 'Deus-homem' pela primeira vez para o oriental, e será, para aqueles cujo pensamento já reconcilia ambos hemisférios 'Um em Dois'".

Após a Revolução Bolchevique, Blok contrastou a nova Rússia com o Ocidente. Ele chamou a Rússia de a "Cita", ou seja, uma nação jovem e fresca cujo destino era desafiar o Ocidente decadente:

"Nós somos os citas, nós somos os asiáticos...séculos de vossos dias não são mais do que uma hora para nós, Ainda assim como escravos obedientes, Nós seguramos um escudo entre duas raças hostis - Europa, e as hordas mongóis...Da guerra e horror venham aos nossos braços abertos, O abraço de parentes, Coloque a velha espada longe enquanto há tempo, Nos saúdem irmãos...Ah, Velho Mundo, antes que pereças, una-se a nosso banquete fraternal".

O poeta Nikolai Kliuev e seu jovem amigo Sergei Esenin incluíam imagens ocultistas e temas eurasianos em suas obras. Ao fim de 1917 Kliuev (1887-1937), um profeta e emissário da Eurásia, escreveu:

"Nós somos a hoste dos portadores-do-sol
No centro do universo
Ergueremos uma casa flamejante de cem andares
China e Europa, Norte e Sul
Virão à câmara em uma dança-de-roda de amigos
Para unir Abismo e Zênite
Seu padrinho é o próprio Deus e sua Mãe
É a Rússia".

O protegido de Kliuev, Esenin (1895-1925), desejava o fim do velho mundo e sua substituição por um novo, e até mesmo proclamou uma nova tendência religiosa chamada "Aggelismo", com claras raízes no gnosticismo russo. Ele saudava tanto Cristo como Gautama o Buda como gênios porque eles eram homens de "palavra e ação". Em uma carta a um amigo, Esenin escreveu:

"Povo, olhai para si, não emergiu Cristo de vós, e vós não podeis ser Cristos? Não posso eu com força de vontade ser um Cristo...? Quão absurda é toda nossa vida. Ela nos distorce desde o berço, e ao invés de pessoas verdadeiramente reais algum tipo de monstro emerge".

Ele alertou os Estados Unidos, para ele o símbolo de todas as fontes não-russas e racionalistas, para não cometer o erro da "descrença" e ignorar a nova "mensagem" da Rússia, já que o caminho para a nova vida é somente através da Rússia. Um amigo escreveu como Esenin e seus companheiros poetas "citas" queria um "aprofundamento da revolução política ao nível social" e passaram a considerar o marxismo russo como "áspero". Antes de sua morte, Esenin se tornou convicto de que "forças malignas" haviam usurpado a Revolução e que os Bolcheviques traíram a missão da Rússia.

O famoso poeta Nikolai Kliuev conhecia tanto o Dr. Badmaev como Grigory Rasputin, e como este havia sido iniciado em uma escola secreta de misticismo sexual cristão com similaridades ao Tantra tibetano e o Shivaísmo indiano. "Eles me chamaram de um Rasputin", escreveu Kliuev em um poema de 1918. A espiritualidade de Kliuev era profundamente enraizada na tradição dos dissidentes religiosos russos como os Velhos Crentes, os Khlysty e Skoptsy, que formavam um verdadeiro rio subterrâneo entre as pessoas comuns. Kliuev admitiu como ao ser desafiado por um ancião Khlyst a se "tornar um Cristo", ele foi apresentado à comunidade secreta dos "irmãos da Pomba". Com a ajuda de "várias pessoas de identidade secreta", Kliuev viajou por toda a Rússia participando de rituais secretos e bebendo das tradições ocultas do Leste russo.

Em seus poemas Kliuev buscava transmitir o espírito místico da Eurásia. Ele era um profeta de Belovodia, o nome dado pelos Velhos Crentes russos ao aguardado paraíso terreno similar a Shambhala. Kliuev visualizava uma transformação radical da Rússia que traria uma sociedade sem classes em que a cultura campesina triunfaria sobre o industrialismo, o capitalismo, e a mecanização geral da vida. Ele expressou sua preocupação pelos perigos da civilização desalmada ocidental em uma carta de 1914 a um amigo:

"Todo dia eu vou ao bosque - e lá me sento perto de uma pequena capela - e o velho pinheiro, há tão somente uma polegada do céu, eu penso em você...eu beijo seus olhos e seu querido coração...oh, mãe natureza! Paraíso do espírito...quão odioso e negro parece todo o assim-chamado mundo civilizado e o que eu não daria, que Golgotha eu não suportaria - para que a América não arremetesse sobre a aurora azul...sobre a cabana de contos de fada".

O filósofo russo Nicholas Berdyaev articulou a visão partilhada pelos pensadores russos pré-revolucionários bem como pela elite cultural, quando ele escreveu do fim do racionalismo ocidental e do nascimento de uma nova era do espírito que testemunharia o conflito do Cristo e do Anticristo. Ele viu a popularidade de doutrinas místicas e ocultas como prova da aproximação dessa Nova Era, e pediu por uma "nova cavalaria".  "O homem não é uma unidade no universo, formando parte de uma máquina irracional, mas um membro vivo de uma hierarquia orgânica, pertencendo a um todo vivo e real". Os ataques de Berdyaev contra os valores materialistas ocidentais somente refletiam uma visão amplamente partilhada pela sociedade russa. Escrevendo em exílio no início da década de 30 ele observou:

"O individualismo, a 'atomização' da sociedade, a aquisição desordenada do mundo, a superpopulação indefinida e a inesgotabilidade das necessidades do povo, a falta de fé, o enfraquecimento da vida espiritual, essas e outras são as causas que contribuíram para construir aquele sistema capitalista industrial que mudou a face da vida humana e rompeu seu ritmo com a natureza".

Jornada para Shambhala

"Nicholas Roerich foi um homem que trouxe glória para nosso povo russo; ele é um representante de nossa civilização e de sua cultura, um de seus pilares". - Mikhail Gorbachev

Nikolai Konstantinovich Roerich (1874-1947) havia sido introduzido à idéia de Shambhala enquanto trabalhava na construção do primeiro templo budista já construído na Europa. Pessoalmente próximo à intelligentsia pré-revolucionária da Rússia, Roerich se tornou um artista altamente respeitado e prolífico. Um estudando das obras de Madame Blavatsky, Roerich acreditava na unidade transcendente de religiões - na noção de que um dia o budista, o muçulmano e o cristão perceberiam que seus dogmas separados eram cascas ocultando a verdade interior. Entre 1925 e 1928, Roerich realizou cinco notáveis expedições pela Ásia Central, focando ma região misteriosa entre os Urais e o Himalaia, a área considerada como o coração da Eurásia. As tradições e lendas encontradas por Roerich em suas viagens são descritas nos livros Altai-Himalaya, Coração da Ásia e Shambhala.

Na tradição do Budismo Tibetano, Shambhala é a terra oculta em que os ensinamentos da escola tântrica Kalachakra ("Roda do Tempo) são mantidas em sua forma mais pura. Roerich descobriu que a Shambhala do Budismo Tibetano não é muito diferente da lenda de Belovodia preservada pelos místicos cristãos russos. Um ancião da seita dos Velhos Crentes confidenciou a Roerich:

"Em terras distantes, para além dos grandes lagos, para além das montanhas mais altas, há um lugar sagrado onde toda verdade floresce. Lá é possível encontrar o conhecimento supremo e a futura salvação da humanidade. E esse lugar é chamado Belovodia, significando águas brancas".

Nicholas Roerich escreveu sobre como em uma visita à capital mongol Ulan-Bator na década de 20, ele ouviu soldados revolucionários cantando:

"A guerra da Shambhala Nórdica
Morramos nessa guerra
Para renascermos de novo
Como Cavaleiros do Governante de Shambhala".

Por "Shambhala Nórdica" se quer dizer Rússia-Eurásia. Em seu livro Coração da Ásia, Roerich definiu Shambhala não tanto quanto um reino vindouro como um evento - uma nova época para a humanidade da qual Shambhala e Belovodia eram símbolos atemporais:

"Você notou que o conceito de Shambhala corresponde às aspirações de nossa pesquisa científica ocidental mais séria... Em sua busca, os discípulos orientais de Shambhala e as melhores mentes do Ocidente, que não temem olhar para além de métodos desgastados, estão se unindo".

Roerich jamais duvidou do papel crucial que a Rússia teria em unir a mais nobre sabedoria tanto do Oriente como do Ocidente. Na Rússia uma nova síntese emergiria e um novo dia raiaria para a humanidade, nem exclusivamente ocidental nem totalmente oriental, mas verdadeiramente eurasiana. Em 1940, conforme o mundo se viu lançado em uma guerra, Roerich discerniu os primeiros vislumbres de uma Nova Era e escreveu:

"O povo russo empilhou grandes pedras. Para a admiração de todos eles não construíram uma Torre de Babel mas uma Torre russa. Um Kremlin de Portadores-do-Sol com uma centena de torres!... Ouçam - este é o futuro, e quão radiante ele é!".

Um ano depois em 1941 ele comentou:

"Todo o mundo caminha rumo ao Armageddon. Todos estão confusos. Todos estão inseguros em relação ao futuro. Mas o povo russo encontrou seu curso e com uma poderosa enchente estão nadando rumo a seu radiante futuro".

"Você deve prestar Atenção em Mim, para poder Me Ver"

O futuro radiante da humanidade, como Shambhala, se situa no limiar. Um colégio invisível de homens e mulheres de cada era e cada nação o vislumbraram e responderam ao impulso. Vivendo nos primeiros anos de um novo milênio nós estamos testemunhando o desdobramento de um antigo plano. Assim como não há dia sem noite, também não há uma autêntica Nova Era sem sua contraparte. E assim como as trevas devem ceder lugar à nova aurora, também nossa atual Era das Trevas passará sob a grande luz da "Shambhala Nórdica".

Por trás do emaranhado dos eventos atuais a antiga batalha está sendo concluída. "Em tempos de guerra", disse o emissário do Atlantismo Winston Churchill, "a verdade é tão preciosa que ela deve ser sempre atendida por uma guarda de mentiras". Fortalecidas pelos magos malignos de Atlântida, as sociedades secretas ocidentais estão em um estado de guerra oculta com a Ordem da Eurásia.

Nós aguardamos a chegada da Nova Era de Shambhala, a derrubada dos Irmãos das Sombras dos centros governamentais e financeiros da terra, e o fim do karma maligno herdado das trevas de Atlântida.

Alice Bailey, que descreveu Shambhala como "o centro vital da consciência planetária" e a relacionou à Segunda Vinda do Cristo, também profetizou o papel especial da Rússia em trazer a verdadeira Nova Era:

"A partir da Rússia...emergirá aquela nova e mágica religião sobre a qual eu lhe falei. Ela será o produto da grande iminente Aproximação que ocorrerá entre a Humanidade e a Hierarquia. Desses dois centros de força espiritual, em que a luz que sempre brilhou no Oriente e a partir do Oriente irradiará o Ocidente; todo o mundo será inundado com o brilho do Sol da Retidão. Eu não estou aqui me referindo, em conexão com a Rússia, à imposição de qualquer ideologia política, mas ao aparecimento de uma grande e espiritual religião, que justificará a crucificação de uma grande nação e que se demonstrará e se focará em uma grande e espiritual Luz que será mantida no alto por um expoente russo vital de verdadeira religião - aquele homem por quem muitos russos tem procurado, e que será a justificativa de uma muito antiga profecia".



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