segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Aleksander Dugin - Igor Strelkov: O Nome do Mito Russo

por Aleksandr Dugin


Devemos compreender que o papel de Igor Strelkov é fundamental. Que é um tipo de idealista russo, de conservador e verdadeiro patriota que destruiu o abismo entre princípios e ações; este abismo que é o flagelo paralisante do nosso patriotismo. Quando os russos percebem agudamente que os seus valores estão sendo ridicularizados, que os seus interesses estão sendo vendidos, e que o seu governo está sendo apropriado não pelo melhor, mas pelo mais ignóbil, o que eles fazem? Eles anseiam, lamentam, culpam as elites intelectuais (como por Augustin Cochin), bebem, claro, e formam movimentos menores os quais o Sistema desmembra rapidamente. Os mais apaixonados mergulham em brigas, agressões, juntamente com violência sem sentido e sem sacrifício. Alguns são subornados para propósitos técnicos da oposição, outros ficam sob a curadoria da polícia e do serviço secreto. Este é um círculo vicioso. Ninguém atinge o inimigo real, ninguém afirma os próprios propósitos, ninguém percorre todo o caminho até o fim, com firmeza e com a cabeça erguida. Depois se sacrificam jovens, nacionalistas russos, nacionais-bolcheviques ou os "partisans de Primorsky", morrendo em batalha ou acabando presos, sem propósito nem significado. Isso não aflige ninguém. Os filisteus russos continuam com seus sonhos de todos os dias. Outros passam décadas em palavrório sem sentido e ostentação. Uma visão patética.

E é então que Strelkov aparece. Russo. Severo. Ingênuo e tímido. Um idealista. Com princípios. Em tempos de paz, algo que provável não se demanda e que parece de alguma forma fora de lugar. E assim ele vai para as linhas de frente da Guerra do Povo (Narod - em russo, Volk - em alemão). Por sua própria vontade. Assim, ele quebra os grilhões da impotência, a névoa de medo, o desespero e a depressão da incapacidade de traduzir ideais em ação. Tivesse ele ficado na Criméia ou sido morto nos primeiros dias defendendo Slavyansk, não teríamos aprendido nada sobre ele. Foi assim que outras grandes pessoas caíram: foram heróis, também, assim como ele é, outros russos, tendo rompido os grilhões das trevas. Alguns deles eram meus amigos. Mas Strelkov resistiu a isso e criou um exército. Ele se tornou o centro de nossas esperanças, nossa vontade e nossa transformação. Os outros não foram menos bons, corajosos e um pouco desairosos como todos os russos, mas foi Strelkov que tocou em algo dentro da nossa alma, dentro do nosso sentimento nacional. E o mito russo brilhou sobre ele, a nossa sede de um herói. Ele estava simplesmente cumprindo o seu dever. Sim. Mas este não é o dever de um profissional ou de um homem que encontrou-se em circunstâncias difíceis apanhado pelo destino. Este é o SEU dever. Este é seu dever como RUSSO, que superou a apatia, o medo, a indiferença e a apreensão. É esse, precisamente, o ponto: Strelkov fez tudo ELE MESMO. Isto é o que é mais importante: era ELE MESMO. E através dele, nós nos aproximamos de NÓS MESMOS. Nós vimos do que nós somos realmente capazes. Os soldados que lutaram no Afeganistão e na Chechênia também foram heroicos. Mas eles não foram para lá por sua própria vontade. Eles cumpriram um tipo diferente de dever, em nome do que é o Estado. Strelkov, por outro lado, realizou um dever chamado de Ideia. A Idéia Russa. Ele rompeu as barreiras dentro da nossa alma. Ele nos emancipou. Strelkov corrigiu algo em nós e o curou. Nós pensamos que isso não seria mais possível: um destemido Guerreiro Russo Ortodoxo se dirigir a uma Guerra Sagrada pela sua própria vontade. Mas ele o fez. E começou a vencer. E com cada um de seus triunfos, com cada instrução da linha de frente, fomos nós que fomos vitoriosos. A Rússia triunfou.

Esta não é uma questão das suas convicções políticas ou mesmo das suas virtudes como um comandante militar. É algo muito mais profundo do que isso. Ele se tornou o nosso mito. E ele já não pertence a si mesmo, ao serviço militar, ou ao Estado, mas apenas a este mito, o mito russo sobre o que nós uma vez fomos e, como se vê, podemos ser novamente a qualquer momento.

O ódio de Strelkov é aquele por uma raça inimiga, não no sentido biológico, mas no sentido espiritual. A raça dos tecnólogos, vigaristas, burocratas, manipuladores e comerciantes. Werner Sombart costumava dizer que existem dois tipos de pessoas: a raça dos comerciantes e a dos heróis. A Europa da Modernidade é o resultado do triunfo dos comerciantes (capitalismo) sobre a raça dos heróis (Idade Média). Strelkov é a Idade Média Russa. Afinal, a própria Ortodoxia não pode ser "moderna": esta seria uma paródia, um simulacro. Ela poderia ser Antiga ou Medieval. A "Modernidade" é o patrimônio do Anticristo. Assim, Strelkov advém daquilo que é uma vez passado. Mas não daquilo que uma vez passou e não é mais, mas sim do que realmente foi e continua sendo, como o núcleo de nossas almas, como um centro arcano da identidade Russa.

Ainda precisamos compreender na totalidade o que Strelkov realmente significa para nós. Mas o tipo de raiva que ele inspira em todos os tipos de espíritos malignos, o tipo de inveja que figuras rasas experimentam com ele, o ódio que ele provoca no Ocidente e na junta, tudo aponta para o fato de que ele não é um acaso. Mais uma vez, não como uma pessoa, num nível individual, mas como o portador do arquétipo russo. Um verdadeiro russo compreende tudo sobre Strelkov. Ele somos nós. Um Narod (Povo - Volk). Um Narod que está despertando.

Eu realmente gostaria de pedir a quem ouve as minhas palavras que trate desta figura com carinho. Ele é nossa herança cultural de enorme valor. É por isso que muitos o queriam matar, livrar-se dele, minimizar a sua importância e o vulgarizar, e agora o derrubar ainda mais. Se permitirmos que isso aconteça, nós somos inúteis.

Os Mitos devem ser defendidos, na maneira que Strelkov lutou e está lutando pela Novorússia, pela Grande Rússia, e por cada um de nós.

Que Cristo esteja contigo, Igor…

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