terça-feira, 31 de julho de 2012

A "Primavera Árabe" Está Vindo para a América Latina?

por Adrian Salbuchi



Uma onda de protestos está estourando na Venezuela, Equador e Bolívia – países de forte oposição às políticas dos EUA e de seus aliados na região. Será que estamos testemunhando uma “Primavera Latino-americana”?

Como arquitetar uma violenta insurgência ainda não parece estar na agenda dos Poderosos Senhores Globais, há sinais de crescente atividade de guerra psicológica por agências e ONG's “pró-democracia”, “pró-direitos humanos” e “de ajuda”, atuando através de seus atores locais alinhados com os interesses dos EUA/Reino Unido/União Europeia.

Acendendo o Fósforo

Será que está sendo pavimentado o caminho para coisas bem piores? Aqueles que “riscam o fósforo” que inflama a agitação e os protestos populares já aprenderam muito bem, a partir da sua experiência com a “Primavera Árabe”, como soprar estas chamas que conduzem a catastróficas explosões sociais...

Alguns alarmes estão começando a disparar em países como Venezuela, Equador e Bolívia, cujos presidentes – Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, respectivamente – não tocam a melodia dos EUA e seus aliados, que por mais de um século têm exercido dominação econômica colonial sobre a América Latina.

A Venezuela, a Bolívia e o Equador insistem em manter estreitas relações com países, que os EUA e seus aliados definiram como “estados desonestos”, notadamente o Irã, a Síria e, até o assassinato público de Muammar Kadafi, a Líbia. Será que eles estão destinados a serem cabeças de ponte para uma possível “Primavera Latino-americana” de insurreição programada?

A chamada “Primavera Árabe” também começou com a erupção de uma grande variedade de queixas populares que evoluíram para demonstrações em massa e rapidamente transformaram-se em violência social descontrolada de todos os lados.

Um sinal de que este tipo de “fósforo” está sendo riscado pode ser visto no Equador onde um jornal de Quito, “El Telégrafo”, revelou que o chamado “Projeto Cidadania Ativa” para “treinar jornalistas de oposição”está recebendo 4,3 milhões de dólares em fundos da USAID – a Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos, que também destina fundos para os grupos de oposição locais como o Faro e o Fundamedios com o pretexto declarado de “reforçar a democracia” através de oficinas, fóruns, e projetos de vigilância da mídia.

Redes de Poder

Para entender como este complexo sistema de dominação realmente funciona, precisamos também olhar para a atividade do setor privado, que é instrumento para a obtenção do controle sobre os países da região.

Por exemplo, uma entidade privada como a “Sociedade das Américas” presidida por David Rockefeller – fortemente ligada ao Conselho de Relações Exteriores que está bem em frente do outro lado da luxuosa Park Avenue na cidade de Nova York – recentemente foi capaz de catapultar um de seus membros, Juan Manuel Santos, como presidente da Colômbia, um tradicional aliado dos EUA na região.

Outros membros da Sociedade das Américas incluem poderosos líderes políticos e empresariais regionais e globais, como o presidente do Congresso Mundial Judaico Eduardo Elsztain (empresário argentino sócio de George Soros) e, Gustavo e Patricia Cisneros, proprietários de um poderoso conglomerado multi-mídia da oposição venezuelana.

Co-presidindo a Sociedade das Américas com David Rockefeller está John Negroponte, que serviu como embaixador do governo George W. Bush na ONU e no Iraque, e que também era seu Conselheiro de Segurança Nacional.

Frequentemente, são fatos pouco conhecidos como estes que ajudam a “ligar os pontos” e permitem mostrar onde de fato o poder se encontra, mas que a mídia ocidental toda ignora.

Assim como também ignora o fato de que os Poderosos Senhores Globais impuseram Mario Monti como presidente da conturbada Itália que também “por acaso” é o Presidente europeu da Comissão Trilateral Rockefeller-Rothschild com sua extensa lista de grandes banqueiros como membros.

Ainda bem que o mundo está acordando para o fato de que a chamada “Primavera Árabe” não é mais do que um método para impor o estilo ocidental de “democracia” a todos os países muçulmanos, enfraquecendo assim todos os estados soberanos.

É evidente que isto está sendo arquitetado e financiado com a cumplicidade da Elite de Poder que astutamente tira vantagem das divisões internas e sequestra genuínas reivindicações das populações locais em seu proveito próprio.

Ela usa todas as armas de que dispõem –geralmente através de operativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Também inclui guerra psicológica midiática local que espalha informação falsa/distorcida sobre o que realmente está acontecendo em cada país e por quê.

Guia dos Sete Passos Para Destruir um País

Escrevendo para a RT no ano passado a respeito da“Primavera Árabe”, descrevemos um processo de ‘Sete Passos' através do qual a Elite Ocidental pode provocar tumultos até a destruição total.

Como nuvens estão se formando sobre a América Latina e outras regiões, faremos bem em revisar este processo:

1. Eles começam apontando um país que consideram pronto para uma “mudança de regime”, frequentemente carimbando-o como “Estado Covarde”,então...

2. Espalham mentiras deslavadas através de seus noticiários e jornalistas pagos e, chamam a isso de “preocupações da Comunidade Internacional”, então...

3. Financiam e promovem contendas e tumultos internos, geralmente evoluindo para fornecimento de armas e treinamento de grupos terroristas locais pela CIA, MI6, Mossad, Al-Qaeda e membros de cartéis de drogas, e os chamam de “Rebeldes Pela Liberdade”, então...

4. Tentam encenar Resoluções do Conselho de Segurança da ONU permitindo que a OTAN despeje morte e destruição sobre milhões de pessoas, e chama a isso de “Sanções Para Proteger a População Civil”,então...

5. Invadem e começam a controlar o país escolhido, e chamam a isso de
“Liberação”, então...

6. Quando o dito país cai sob seu controle, eles fraudulentamente impõem pérfidos governos fantoches e chamam a isso de “Democracia”,até que finalmente...

7. Eles roubam o petróleo, os minérios e a produção agrícola entregando-os aos Banqueiros e Corporações globais, também impõem Dívidas Soberanas desnecessárias, e chamam a isso de ”Investimento Estrangeiro e Reconstrução”.

Portanto, Equador, Venezuela e Bolívia – e até mesmo Argentina: abram os olhos!

Aprendam a ver através do uso secreto e violento da força e da hipocrisia em público da Elite de Poder.

Porque quando os Poderosos Senhores Globais decidirem vir atrás de vocês, eles dirão que é tudo em nome da “liberdade de expressão”,da “democracia”, da “paz”, dos “direitos humanos”, da “não discriminação”e outras frases de efeito.

Não caiam nessa!

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