quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Seria a Desintegração dos EUA Iminente?

por William van Nostrand

Em seu livro de 1981, As Nove Nações da América do Norte, Joel Garreau afirma que, por causa das vastas diferenças ente diversas partes da América do Norte, as muitas fronteiras nacionais são irrelevantes, e, que de fato, os EUA e o Canadá não são apenas duas nações, mas nove nações. Em seu tempo, o livro foi saudado como um texto clássico sobre a atual regionalização da América do Norte por intelectuais americanos.

A noção de Garreau de que fronteiras são essencialmente artificiais deve ser tomada em seu devido contexto; ela não deve ser usada em um sentido sentimental que a tornaria facilmente apropriável por pessoas que defendem a imigração maciça entre as nações. Ao contrário, a idéia de Garreau estabelece o oposto: que em desafio à idéia amplamente aceita de superestados imensos englobando diversos povos, um nacionalismo menor e localizado, mantendo o caráter local do povo é necessário.

De fato, as fronteiras dos EUA e Canadá são artificiais, com ainda menos justificativa história do que o domínio russo sobre a Sibéria, ou o da China sobre suas várias regiões. No caso dessa última, a Rússia permite que certas áreas formem repúblicas autônomas, muitas das quais possuem o direito limitado de nulificação, ou o direito de legislar em contrariedade à constituição federal. A China permite certa autonomia nas regiões mais distantes desginando-as como "regiões autônomas". Os EUA, incorporando terra anteriormente pertencente aos índios à nação recém-formada. O sistema americano também diferente consideravelmente, com um governo federal inchado que mantém uma perspectiva unidimensional sobre sua autoridade. Em realidade, então, os "Estados Unidos" são apenas isso: 50 Estados soberanos em uma união, e essa união pode ser dissolvida exatamente como fez a URSS.



Talvez, a natureza dos americanos, como observado por Francis Galton, seja quase uma receita para desastre quando combinada com um governo tirânico, porém incompetente. Como Galton uma vez disse:

"O povo norte-americano foi gerado a partir da classe mais incansável e combativa da Europa. Onde quer que um partido político ou religioso tenha sofrido derrota, seus membros proeminentes, fossem eles os melhores, ou apenas os mais barulhentos, foram aptos a emigrar para a América... Cada patife conspirador, e cada bruto rufião, que temia o braço da lei, também voltou seus olhos na mesma direção. Camponeses e artesãos, cujo espírito revoltava-se contra a tirania da sociedade e a monotonia de sua vida diária, e homens de uma posição mais elevada, que exasperavam-se sob restrições convencionais, todos ansiavam pela América. Assim as disposições dos pais do povo americano foram as mais variadas, e usualmente extremas, mas em um sentido elas quase universalmente concordavam... Eles eram empreendedores, desafiadores, e melindrosos; impaciantes em relação a autoridade; políticos furiosos; muito tolerantes como fraude e violência; possuindo um espírito altivo e generoso, e algum sentimento religioso verdadeiro, mas fortemente viciados em papo-furado".

Uma das principais possibilidades para a desintegração é a divisão política cada vez mais radical entre americanos. Alguns poucos americanos são opostos ao atual regime Obama e a favor de intervenção governamental limitada sobre os direitos de propriedade, alguns americanos são a favor do status quo de guerras continuadas e intervenções que tem continuado desde o fim da Segunda Guerra Mundial, enquanto outros ainda desejam usar as condições atuais para fazer passar todo tipo de legislação socialsita, como leis contra a liberdade de expressão, confisco de armas, leis de imigração, medicina socializada, ativismo social e agendas de humanismo secular nas escolas. Tais pessoas também querem expandir a autoridade do estado de bem-estar social e transformá-lo em um regime secular freudo-marxista, ao mesmo tempo aumentando os poderes do estado-babá policial e regulações que subvertem liberdades individuais garantidas pela Constituição Americana.

A economia americana não está em boa-forma. Em uma sociedade que é materialista e na qual as pessoas demandam pão e circo, isso traduz em uma confiança cada vez menor nas habilidades do governo americano. Gastos deficitários inconsequentes fizeram com que nosso governo federal acumulasse uma dívida de 14 trilhões de dólares. O dólar americano perdeu seu valor significativamente em décadas recentes, reduzindo em 1000% desde 1950. Em outras palavras, bens que custavam 10 dólares para comprar em 1950 custam hoje 1000 dólares. Com uma dívida dessas, gastos excessivos com guerras e programas sociais, a economia americana não pode ser sustentada. Aqueles que dependem de doações governamentais para seu pão também revoltar-se-ão contra o governo.

Em algum ponto no futuro não muito distante eu suponho que uma porção significativa da população vai se rebelar contra esse governo. Outra rachadura na represa americana é notada por Toynbee, o famoso historiador britânico, que observou que:

"Primeiro a Minoria Dominante tenta manter pela força - contra todo direito e razão - uma posição de privilégio herdado que ela cessou de merecer; e então o Proletariado retribui injustiça com ressentimento, medo com ódio, e violência com violência quando ele executa seus atos de secessão. Porém todo o movimento termina em atos positivos de criação - e isso da parte de todos os atores na tragédia da desintegração. A Minoria Dominante cria um ódio universal, o Proletariado Interno uma igreja universal, e o Proletariado Externo um rebanho de bárbaros".

Existem hoje na América, na verdade, muitas minorias dominantes que estão voluntariamente subvertendo os interesses dos EUA para seus próprios propósitos. Certamente, a América também está dividindo-se em fronteiras raciais. Mesmo sob o regime Obama, pessoas de diferentes grupos étnicos estão achando difícil coexistir, como evidenciado pela criminalidade desenfreada nas cidades americanas. Latinos passaram a dominar o sudoeste americano e mostram mais lealdade a seus confrades hispânicos através da fronteira do que aos EUA. Nativos americanos, talvez as maiores vítimas do governo federal, também possuem motivação para secessão, bem como a antiga Confederação. The Catholic Knight afirma que os movimentos secessionistas já afloraram por todo o país.


Como seria um hipotético mapa redesenhado da América? Por um lado, ele poderia parecer com a Europa durante a Idade das Trevas: um vasto continente composto por muitos pequenos estados e feudos. Conforme a União entre em colapso, e estados separem-se, diferentes nações podem surgir, citando comunalidades em estilos-de-vida regionais. Por exemplo, a antiga Confederação pode vir a formar uma nação, enquanto alguns estados da Costa Oeste podem formar outra. Algumas províncias canadenses podem unir-se com antigos estados americanos, mas Quebec certamente se tornaria uma nação. Todo o sudoeste poderia ser absorvido pelo México, ou certos estados do norte do México poderiam se separar do México e se juntar ao sudoeste hispânico. Nações indígenas também poderiam separar-se. Não há como dizer em quantas nações a América poderia se dividir, e é certamente possível que Garreau foi bastante amável a fazer suas previsões.

Aqueles que são suficientemente azarados para testemunhar esse colapso terão que resistir à tempestade inicial de violência e desordem social antes de sociedades mais estáveis e localizadas sejam formadas. Tal evento pode levar gerações. Eventualmente, um equilíbrio pode ser estabelecido, ou esses estados recém-formados podem degenerair em conflitos ainda mais violentos. Se as gerações futuras forem afortunadas, alguns séculos de paz e prosperidade poderão emergir dessas nações menores, forçando as pessoas a retornarem a nichos ecológicos menores. Infelizmente, a história é demonstrada como sendo cíclica e não linear, e talvez um dia no futuro, uma nova União dos Estados da América do Norte será formada às custas do povo que lá vive, assim iniciando o ciclo novamente.

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