quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Aleksandr Dugin - Dia de Solidariedade com a Palestina

por Aleksandr Dugin



(29 de Novembro)

Hoje é o Dia Internacional de Solidariedade com a Palestina - uma ocasião para falar do futuro do povo palestino e do Estado de Israel.

A Palestina é uma terra sacra onde os principais santuários do Cristianismo, do Judaísmo e do Islã podem ser encontrados. Não apenas paixões políticas, mas paixões religiosas queimaram sobre a Palestina por milhares de anos. Esta terra foi deixara por Deus para Abraão, que veio de Ur, na Caldeia, para a Mesopotâmia. Moisés e Josué a reconquistaram do domínio egípcio, após o qual o Reino de Israel e da Judéia foi formado ali.

"Depois, a Palestina foi incorporada aos impérios globais - o Assírio, o Caldeu, o Persa, Grego, Romano, Islâmico e Otomano. Depois do colapso do Império Otomano, estes territórios caíram sob domínio Britânico".

Hoje, cada vez mais pessoas compreendem que as explicações materialistas, econômicas e evolucionárias da história são nada mais que um mito pobre da Modernidade. Os fatores da religião e do ethnos estão começando, novamente, a serem levados a sério e se tornando uma chave importante para o entendimento dos eventos mundiais. Portanto, a questão palestina deveria ser vista através destas lentes.

A população da Palestina é misturada. Centenas de povos habitaram, passaram por e se misturaram uns com os outros nestas terras. Os judeus a deixaram em massa após a ascensão falha do falso messias Simon bar Kokhba, em 135 d.C. Isso significou o quarto período de exílio, o Galut. O Talmude proíbe os judeus de retornarem a estas terras até a chegada do Messias. Este é um dos três principais mandamentos talmúdicos, que são: não se deve retornar a Israel, os povos entre os quais vive a Diáspora Judaica não devem ser feridos, e a construção do Terceiro Templo não deve começar até a vinda do Messias.

Durante o período da expansão do Islã, a Palestina foi conquistada dos Bizantinos romanos pelos Árabes, seguido de profunda arabização e islamização. Antes disso, a maioria da população era cristã. Na época das Cruzadas, os cruzados ocidentais tomaram de volta Jerusalém dos Sarracenos por um tempo, apenas para perdê-la novamente. Mais tarde, no começo do séc. XVI, a Palestina foi conquistada pelos Turco-otomanos.

Começando no final do séc. XIX, sob a influência da ideologia racista e nacionalista do Sionismo, um nacionalismo judeu que copiava o nacionalismo europeu, os judeus europeus começaram a migrar para a Palestina em massa e, portanto, violando os mandamentos talmúdicos.

"Os sionistas decidiram: se o Messias não está com pressa de voltar, então nós tomaremos a iniciativa nós mesmos e forçaremos o seu retorno. Nem todos os judeus concordaram com isso, então o movimento judeu antissionista conhecido como Neturei Karta se levantou, pregando que o Sionismo era uma heresia diabólica".

Em 1947, seguindo o final da Segunda Guerra, o Estado de Israel foi fundado sob a influência dos Sionistas. Na medida em que a religião judaica em sua versão sionista representa uma doutrina estritamente racista, a população palestina local - largamente árabe e muçulmana, embora também incluísse muitos cristãos - foi submetida a um verdadeiro genocídio, apartheid e limpeza étnica. Os judeus, tendo acabado de sofrer uma perseguição sem precedentes pelos nazistas no Terceiro Reich, pareciam estar descontando sua dor e ódio nos palestinos que não eram, aliás, culpados de nada. Milhões de palestinos foram deportados das terras nas quais eles viveram por anos.

Isso não aconteceu sob as conquistas árabes ou sob os Cruzados. Os sionistas não reconheceram qualquer resolução sobre o estabelecimento de um Estado Palestino nem o status internacional de Jerusalém. Constantemente citando o seu sofrimento nas mãos dos nazistas, os judeus usam isso como um pretexto para recusar a prestar atenção aos protestos dos árabes e as petições das Nações Unidas e da comunidade internacional. Afinal, por violar os mandamentos talmúdicos, os líderes sionistas essencialmente identificaram a si mesmos como o Messias. Tudo o que restou foi prosseguir e construir o Terceiro Templo. Para tal, os árabes precisam ser expulsos do Monte do Templo e o santuário Islãmico, a Mesquita de al-Aqsa, precisa ser destruída. A plenitude do genocídio dos palestinos é parte dos planos sionistas. Então, na opinião deles, o período de domínio judeu em uma escala global chegará - a Quinta Monarquia, sob a qual as nações da Terra, os gentios, reconhecerão a supremacia dos judeus e se submeterão a eles. Este é o credo pelo qual o Estado de Israel vive.

"Nesta situação, o Dia de Solidariedade com os povos da Palestina é celebrado por aqueles que não compartilham deste tipo de ideologia mística-política, racista e escatológica do Sionismo".

Para um ortodoxo, isto é claramente um reminiscente do Anticristo. Nós, igualmente, não podemos nos deleitar com a conquista islâmica da Palestina. Afinal, esta era parte da nossa terra ortodoxa, uma parte do nosso Império.

Talvez o mais justo seja devolver a Palestina para nós, cristãos. Nós não somos racistas ou fanáticos, e não queremos exclusividade. Nós garantimos o direito de ambos muçulmanos e judeus em nossa terra sagrada. Portanto, encontremo-nos na Jerusalém ortodoxa.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Eduardo Velasco - Não é Ouro tudo que Brilha, ou a Serpente que Morde a própria Cauda: Grandes Personalidades Opinam sobre a Civilização

por Eduardo Velasco



Babilônia era um cálice de ouro nas mãos do Senhor; ela embriagou a terra toda. As nações beberam o seu vinho; por isso agora, enlouqueceram. (...) Secarei o seu mar e esgotarei as suas fontes. A Babilônia se tornará um amontoado de ruínas, uma habitação de chacais, objeto de pavor e de zombaria, um lugar onde ninguém vive. O seu povo todo ruge como leõezinhos, rosnam como filhotes de leão. Mas, enquanto estiverem excitados, prepararei um banquete para eles e os deixarei bêbados, para que fiquem bem alegres e, então, durmam e jamais acordem. Eu os levarei como cordeiros para o matadouro, como carneiros e bodes.
(Jeremias 51. 7/36-40)

Chamar "melhoramento" à domesticação de um animal é algo que nos soa quase como uma brincadeira. Quem saiba o que se passa nos lugares onde se domestica animais selvagens, duvidará muito de que estes sejam "melhorados".
(Friedrich Nietzsche).

O “progresso indefinido” é uma ideia de origem iluminista, que nasceu no Oriente Próximo junto com a civilização e procurou legitimidade teórico-racional durante o iluminismo francês do século XVIII. O mesmo é baseado na noção que o ser humano procede de um passado doente, sujo, ignorante e primitivo, e que pouco a pouco dirige à um futuro saudável, limpo, culto e “avançado”. A arqueologia sugere algo contrário: que a civilização provocou a caída do ser humano do estado de graça, tornando ele doente. A ideia das tradições religiosas era similar: existiu uma “era de ouro” endênica (Satya Yuga para os hindus) em que o ser humano era mais perfeito, e pelo qual contraiu um trauma que causou a degeneração humana e a aparição da miséria e a enfermidade, culminando na "era de ferro" (Kali Yuga para os hindus). Apesar disto, a espiral industrial em que estamos afundando segue propagando que o crescimento econômico infinito é viável, que a torre de Babel pode ascender indefinidamente, que as coisas vão melhorar e, em suma, que o ser humano “melhorou”.

Ao longo de sua história evolutiva, o homem ascendeu na pirâmide alimentar desde dos arcaicos macacos frugívoros, convertendo-se em um predador cada vez mais eficaz e coroando-se acima dos demais quando, após a revolução carnívora, deixou de ser vítima doutros predadores. No entanto, com o fim da Era Glacial e o advento da Revolução Neolítica, o homem e o planeta caíram sob uma nova forma de depredação: a tecnologia e o parasitismo da Terra; dois novos fatores que violaram uma equação holística até então harmoniosa, e que transtornaram para sempre o equilíbrio ecológico do planeta e a biodiversidade e qualidade genética da espécie.

O ser humano, ou melhor, um tipo humano desenraizado, alienado, miscigenado e confuso, acredita que a razão de seu mal-estar e de seu medo era que a ordem estava mal projetada. O frio glacial penetra até a medula, oprime o coração, desmoraliza ao timorato e não permite pensar em nada mais. Os elementos e a vegetação fustigam e arranham a pele. O solo maltrata os pés. O sustento diário somente é ganho com sacrifício atroz e derramamento de sangue. As mulheres, acaparadas pelos melhores caçadores e guerreiros, são difíceis de conseguir. Cada minuto de vida é um minuto arrancado a duras penas de morte lutando contra o meio em que vive e contra si mesmo. E além disso, em cada canto espreitam as garras de um predador de uma tribo inimiga que não hesita em devorar alegremente qualquer infeliz que cair em suas mãos. Quanto à própria tribo, ela é um organismo contundente, despiadado, frio e severo. Não é uma mãe em cujo brando regaço chorar em busca de consolo e caridade, mas um pai estrito que impõe obediência, que se deleita com o sacrifício e que não perdoa o erro. Como mandos militares, os sábios anciões marginalizam aos fracos da vida reprodutiva, e premiam somente aos bons caçadores e lutadores, exigem uma lealdade e uma entrega absoluta e não vacilam em deixar morrer aos elementos menos valiosos da coletividade pelo bem do clã. Goste ou não, estes são os fatores que nos fizeram subir acima do homem-macaco e que escreveram nosso genoma como um romance com letras de gelo, pedra, sangue, sêmen, carne e suor.

“Evolua ou morra”, dizia o mundo naquela época. Mas essa lei pode resultar muito dura para as vítimas da voraz maquinaria evolutiva: viver como carne-de-canhão da seleção natural não é vida. Portanto, é necessário questionar esse horrível estado de coisas, redesenhá-los desde do zero, reorganizar a obra de Deus ― já que Ele não soube organizá-la ao gosto do homem ―, fugir do sofrimento e erigir uma messiânica “nova ordem”. Nasce a moral do escravo e uma espécie de complexo de Édipo. Se deve construir um sistema (a civilização) dentro do Sistema (a Natureza), em que o sustento diário não acarrete em tanto esforço e em que a busca do prazer e da comodidade prime sobre as virtudes alquímicas do ascetismo, sacrifício e a força de vontade. A competitividade deve ser atenuada e a ferocidade do predador deve ser suavizada pra torná-lo apto a encarar o novo molde social pseudo-matriarcal. Para alcançar semelhante meta, deve-se recrutar pessoas de origens diversas, dispostas a trabalhar por um novo bem comum ― pela persuasão ou pela força ―, e abolir sua bagagem de tradições e identidade ancestrais. Onde antes haviam apenas as profissões de mãe, caçador, guerreiro, pescador, coletor e xamã, agora surgiram ocupações totalmente novas (cerâmico, agricultor, pastor, mercador, prostituta, sacerdote, minerador, servente, escravo) que hierarquizam a sociedade em base de critérios que não estão relacionados com a qualidade dos genes: um homem fraco e covarde pode agora ser valioso caso dedique mover objetos pelas rotas comerciais; uma mulher promiscua, outrora maldita pela tribo, agora pode vender seu corpo. A nascente sociedade deve ser um ente massificado em que os fortes puxam a carroça, rebocando os fracos com o suor de seu rosto. Os valentes morrem na guerra enquanto os covardes se multiplicam na retaguarda. Não é mais necessário caçar, pois o pão substituiu a carne e o vinho o sangue. Só existe um deus universal: a civilização. Todos os demais deuses são abominações. Quem pertence a essa espécie de seita são os elegidos. Quem não pertence a ela são os pagãos, os bárbaros, os profanos, os retrógrados, os "machistas", uma massa humana cega, selvagem e impura que vive nas cavernas e que deve ser escravizado e integrada no sistema para que os eleitos possam viver sem trabalhar. O pensamento linear, racional e lógico deve crescer monstruosamente até anular o pensamento simbólico e instintivo. A civilização acabará dominante a Natureza, decifrando todos seus segredos, e dissecando-a e finalmente submetendo-a, fagocitando-a e domesticando-a integralmente, para que nada escape do controle humano e para que o sistema seja previsível, mecânico e matemático.

Essa filosofia deve ter tomado raiz inicialmente no Oriente Próximo e afetou a numerosos povos, entre eles os judeus ― que atualmente é de longe o grupo humano que leva mais tempo vivendo sob condições civilizadas. O Antigo Testamento está salpicado de testemunhos sobre o amanhecer da civilização, coletados ao longo de toda a Crescente Fértil, desde a cidade suméria de Ur até a cidade egípcia de Mênfis. O escrito hebreu Midrash Tanjuma nos brinda com um exemplo perfeito de ideologia iluminista. Supostamente ocorre antes da Revolta de Bar Kokhba. Turno Rufo, o governador romano de Judeia, debate com o líder do Sinédrio Akiva ben Yosef, e lhe pergunta: “A obra de quem é mais bela, do Santo, abençoado seja, ou do homem, de carne e osso?”. O rabino responde que a obra do homem. Perplexo, o romano replica: “mas olhe para o céu e a terra! Pode por acaso o homem fazer algo semelhante?”. Akiva manda trazer uns grãos de trigo e um bolo: “Isso é obra divina e isso é obra humana”, disse. “Não é melhor o bolo que os grãos de trigo?”. Esse tipo raciocínio não difere muito do que teria impulsionado Adão e Eva a provar do fruto da arvora da ciência... perdendo para sempre o fruto da arvora da vida.

 

Está muito estudado pela eugenia que os meios sociais civilizados ― ao preservar a vida de pessoas fracas e burras que em um ambiente natural seriam incapazes de perpetuar sua linhagem, e ao lançar os fortes e inteligentes à guerras fratricidas e ocupações abomináveis que minam sua taxa de fertilidade e desperdiçam seu sangue ― provocam irremediavelmente a degradação do código genético do ser humano. A Natureza tem maneiras muito retorcidas de vingar-se de quem lhe dá as costas ou pretende dominá-la. O registro fóssil demonstra que quando o homem deixou de caçar e adotou a agricultura, o mesmo pagou com um tremendo declínio de sua saúde e de sua qualidade biológica. Atualmente, a proliferação cada vez maior de doenças degenerativas, alergias e desordem mentais (“a investigação das doenças avançou tanto que cada vez é mais difícil encontrar alguém totalmente saudável”, dizia Aldous Huxley) é sinal mais que evidente de que não dominamos a Natureza, mas que ela nos segue dominando como sempre, só que desta vez nos ataca, porque não estamos obedecendo-a. A doença e a degeneração são as maneiras que a Natureza tem de protestar e nos fazer perceber que não estamos exercitando nossas funções humanas, que ignoramos a sabedoria reprodutiva e que estamos fazendo, respirando, comendo e bebendo coisas que não deveríamos. Se a civilização é como uma serpente que morde a própria cauda, é porque é o resultado da qualidade genética e depende dela, mas como uma maldição, se volta contra a mesma substância que o alimenta, fechando o círculo de sua própria perdição. Esse “efeito bumerangue” biológico é o verdadeiro motivo pelo qual todas as civilizações caem uma hora ou outra e isso faz suscitar uma pergunta lógica e inquietante: se a próxima civilização humana será global, o que virá depois?

O homem civilizado não experimentou a dureza do mundo real em sua carne e nunca se adaptou a Natureza ― pelo contrário, seus atos são encaminhados a adaptar a Natureza a ele, embora seja a força. Portanto, tende a ter um ego grande e um espírito pequeno, e considera que está acima da evolução. Essa nova criatura artificial, esse novo animal doméstico que é o ser humano moderno, por seu isolamento na bolha do “bem-estar digno de lástima”, desconhece a humildade perante a Criação, e é portanto a única forma de vida do planeta capaz de desviar-se das leis naturais, inverter a ordem correta e incorrer no pecado de levantar-se contra a obra de Deus. Essa soberba sacrílega e autodestrutiva, os gregos chamaram de hubris ou hybris [1]. É a causa pelo qual, apesar da civilização ter sido total, absoluta e indiscutivelmente catastrófica sob um ponto de vista estritamente evolutivo, biológico, espiritual e meioambiental, o homem se converteu num “senhorito satisfeito” de seu trabalho, tal como disse Ortega y Gasset.

Diante de todo esse quadro surgem algumas perguntas: Seria a civilização uma guerra de morte contra a biologia e, portanto, uma revolta contra a vida, por parte das forças enfermiças, malignas e antitéticas do mundo, aquelas que estão ressentidas pelo sofrimento? O homem corre o risco de converter-se num escravo de sua própria criação, em um simples fator produtivo, em uma figura, uma estatística? Criamos um sistema com vida própria que tem subordinado nosso bem ao seu? Seria a tecnologia desumanizando e mecanizando a espécie, exterminando sua biodiversidade, provocando sua involução e chegando sua domesticação a níveis assombrosos? Seria a sociedade moderna um imenso campo de concentração, um zoológico massificado cujas jaulas definhadas, domesticou e castrou os degenerados descendentes mutantes do homem livre e caçador? Que tipo de seleção natural estamos promovendo? Que tipo humano é mais favorecido pelo "progresso"? No que se converterá o homem no dia que ele perder definitivamente sua adaptação à Natureza e esteja plenamente adaptado ao mundo industrial, comercial e tecnológico? A espécie humana chegou na senilidade ou no Alzheimer? A civilização está autodestruindo o mundo moderno em geral e a Civilização Ocidental em particular? A civilização segue sendo essa ciumenta seita oriental que exige a submissão da vida e que para conseguir isso, como toda seita, extirpa ao indivíduo de seu marco ancestral, aniquilando sua identidade e dinamitando as lealdades que possa ter fora da seita (nação, povo, raça, classe, sexo, família, região, profissão, etc.)? Este é o tipo de perguntas que fizeram os autores que veremos nesse artigo.

A civilização levou ao avanço descomunal da matéria inerte (tecnologia, comércio, consumismo, conforto), e o retrocesso absoluto da matéria viva (saúde, corpo, código genético, mente, sacrifício), para não mencionar a caída da espiritualidade. Até que os sistemas de poder não adotem uma perspectiva biocêntrica em geral e antropocêntrica em particular, e enquanto o alto da pirâmide do poder mundial siga ocupado pela elite financeira internacional (os pastores que estão domesticando, castrando, atontando e envenenando os seres humanos), a espécie seguirá degenerando-se a si mesmo e o ao planeta. Desmatar florestas inteiras para imprimir milhões de exemplares de revistas de moda sensacionalista, adoecer as pessoas para que precisem comprar medicamentos da indústria farmacológica, descartar a maternidade e a natalidade para que as mulheres trabalhem a fim de ganhar dinheiro para comprar coisas totalmente inúteis, ou arrancar milhões de pessoas do Terceiro Mundo para alimentar a maquinaria das multinacionais, são coisas que só num sistema econômico equivocado e podre poderiam ser beneficiosas ― para alguns, e só a curto prazo. Enquanto os Estados não se rebelarem contra a economia de livre mercado e o comércio internacional apátrida, e enquanto não intervenham com firmeza e decisivamente na reprodução humana para deter a involução da espécie e melhorar seu código genético, o ser humano rumará ao caminho de converter-se numa forma de vida cada vez mais ridícula e desenraizada. O mundo moderno necessita desesperadamente de uma série de revoltas populares que derrubem a economia financeira, global e de consumo, e estabeleça uma economia multipolar, austera e simples, mais baseada na autossuficiência, na autarquia de cada Estado, nos bens locais e aquilo que é estritamente necessário e em que o Estado, identificado como o povo trabalhador, se imponha aos mercadores, parasitas e prestamistas usureiros.

O atual estilo de vida não tem nada a ver com as necessidades da espécie, mas com as exigência de um sistema econômico com vida própria, e que se encontra em total contradição com a natureza humana, com seus instintos inatos e com o verdadeiro papel do homem livre no concerto da vida e do mundo.

A recompilação de passagens que são apresentadas não devem ser interpretadas como um argumento contra a civilização ou contra a tecnologia, mas sim contra a civilização mal entendida, contra a tecnologia mal utilizada, contra a economia usureira, livre-mercadista, parasitária, consumista e do crescimento indefinido, e a favor de um tipo radicalmente distinto de civilização, como por exemplo foi Esparta: um Estado, talvez o único da história, que com uma clarividência sem precedentes, percebeu que o ouro corrompe e de que a civilização é um produto nitidamente perigoso que para aproximar-se é preciso estar com o chicote nas mãos. Durante séculos, Esparta foi capaz de manter viva a natureza e a tradição de seus cidadãos, mas também pode defender seu meio geopolítico mais vulnerável da Europa contra inimigos infinitamente mais avançados economicamente e materialmente.

Ao selecionar os autores destas citações, não se discriminou por motivos de raça, religião, sexo, orientação sexual ou ideologia. Aqui veremos pessoas de diversas raças e etnias, diversas ideologias políticas e religiões, e inclusive até alguns homossexuais. A maioria tem em comum não compartilhar o infantil entusiasmo "progressista" e a olhar para a civilização com desconfiança, enquanto que paradoxalmente são considerados grandes expoentes da mesma. Se alguém conhecer mais citações semelhantes serão de grande valia nos comentários.

Cronologia de nossa evolução desde a aparição do gênero Homo até a atualidade. A civilização industrial em vermelho.

"A civilização é a vitória da persuasão sobre a força". 
(Platão, filósofo grego, 428-328 AEC).

"Qualquer tentativa de melhorar a natureza é cultura, e toda cultura é como uma doença: quanto mais culto for um homem, mais perigoso será".
(Chuang-Tzu ou Zhuāngzǐ, filósofo chinês, 369-286 AEC).

"Nascemos príncipes e o processo de civilização nos converte em sapos". 
(Públio Siro, escritor romano, 85-43 AEC).

"No início, quando os homens viviam imbuídos com sentimentos dignos de heróis, honravam aquela virtude que nos torna semelhante aos deuses; eles obedeciam às leis estabelecidas pela Natureza e, conjugando-se com uma mulher em idade apropriada, tornavam-se pais de crianças virtuosas. Mas, gradualmente, a raça caiu daquelas alturas para o abismo da luxúria, e buscou prazer por caminhos novos e errantes".
(Luciano de Samósata, escritor grego, 125-181 EC).

"Deus nunca fez o seu trabalho para o homem consertar".
(John Dryden, poeta e dramaturgo inglês, 1631-1700).

"As cidades são o abismo da espécie humana". 
(Jean Jacques Rousseau, filósofo francês, 1712-1778).

"Deus fez o campo, e o homem fez a cidade".
(William Cowper, poeta inglês, 1731-1800).

"Se nos amontoássemos em grandes cidades como europeus, vamos nos tornar seres corruptos, tal e como eles são agora, e devoraremos uns aos outros".
(Thomas Jefferson, revolucionário e presidente estadunidense, 1743-1826).

"O desvio do homem do estado em que foi originalmente colocado pela Natureza demonstrou ser uma prolífica fonte de doenças". 
(Edward Jenner, médico inglês e inventor da vacina da varíola, 1749-1823).

"As florestas precedem as civilizações, os desertos seguem-nas".
(François-René de Chateaubriand, diplomata, escritor e aristocrata francês, 1768-1848).

"Quando começa o cultivo outras artes vêm atrás. Os agricultores, portanto, são os fundadores da civilização humana". 
(Daniel Webster, estadista americano, 1782-1852).

"Rasgai ao homem civilizado e aparecerá o selvagem".
(Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, 1788-1860).

"É a civilização do homem apenas um envoltório, através do qual sua natureza selvagem ainda pode explodir, mais infernal do que nunca?"
(Thomas Carlyle, escritor escocês, 1795-1891).

"À medida que a civilização avança, a poesia declina quase necessariamente".
(Thomas B. Macaulay, aristocrata, historiador, poeta e político escocês, 1800-1859).

"A verdadeira prova da civilização não é o censo, ou o tamanho das cidades, ou as colheitas, mas o tipo humano que o país produz”. 

“O final da raça humana será quando ela eventualmente morrer de civilização". 
(Ralph Waldo Emerson, poeta e filósofo americano, 1803-1882).

"Entre os selvagens, os corpos ou as mentes doentes são rapidamente eliminados, os homens civilizados, entretanto, constroem asilos para os imbecis, os incapacitados e os doentes e nossos médicos põem o melhor de seu talento em conservar a vida de todos e cada um até o último momento, permitindo assim que se propaguem os membros fracos das nossas sociedades civilizadas. Ninguém que tenha trabalhado na reprodução de animais domésticos, terá dúvidas de que isto é extremamente prejudicial para a raça humana. É surpreendente o quão rápido uma necessidade de cuidados, ou de cuidados mal dirigidos, leva à degeneração de uma raça doméstica: mas excetuando o caso do próprio ser humano, ninguém é tão ignorante como para permitir que seus piores animais se reproduzam.

A ajuda que nos sentimos compelidos a brindar aos necessitados é principalmente um resultado incidental do instinto da simpatia, que foi adquirido originariamente como parte dos instintos sociais, mas subseguintemente tornado, da maneira antes indicada, mais terno e mais amplamente difundido". 
(Charles Darwin, naturalista inglês, 1809-1882).

"A tecnologia está regida por dois tipos de pessoas: aquelas que gerenciam o que não entendem, e aquelas que entendem o que não gerenciam".
(Mike C. Trout, membro da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, 1810-1873).


"O efeito de toda civilização levada ao extremo é a substituição do espírito pela matéria e da ideia pela coisa".
(Théophile Gautier, escritor e fotógrafo francês, 1811-1872).

"Embora a civilização tenha melhorado as nossas casas, não melhorou igualmente os homens que as habitam. Ela criou palácios, mas não foi tão fácil criar nobres e reis".

"A maioria dos luxos e muitas das ditas comodidades não somente são indispensáveis, mas são obstáculos para a elevação da humanidade". 

"Os homens tornaram-se as ferramenta de suas ferramentas".

"É a preocupação com a posse, mais do que qualquer outra coisa, que impede os homens de viver livremente e nobremente".

"Vida na cidade: milhões de seres vivendo juntos na solidão". 
(Henry D. Thoreau, poeta e filósofo americano, 1817-1862).

"O progresso, essa grande heresia da decadência".
(Charles Baudelaire, poeta e escritor francês, 1821-1867).

"A produção de muitas coisas úteis resulta em muitas pessoas inúteis".

"A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas".

"O desenvolvimento da civilização e da indústria em geral mostrou-se tão ativos na destruição das florestas que, em face disso, tudo o que inversamente se fez para a sua conservação e produção é insignificante em comparação". 
(Karl Marx, ideólogo judeu-alemão, 1818-1883).

"A barbárie é necessária a cada quatrocentos ou quinhentos anos para trazer o mundo de volta à vida. Caso contrário, morreria de civilização".
(Edmond H. de Goncourt, escritor francês, 1822-1896).

"A civilização tem ido cada vez mais longe do chamado "homem natural", que usa todas as suas faculdades: percepção, invenção e improvisação".
(Robert G. Ingersoll, veterano de guerra, político e orador americano).


"A civilização é o que te faz doente". 
(Paul Gauguin, pintor francês, 1848-1903).

"A civilização é uma ilimitada multiplicação de necessidades desnecessárias". 
(Mark Twain, escritor americano, 1835-1910).

"O bruto paganismo da civilização geralmente destruiu a natureza, a poesia e tudo o que é espiritual".
(John Muir, naturalista americano, 1839-1914).

"O indivíduo tornou-se uma mera engrenagem de uma enorme organização de coisas e de poderes que arrancam de suas mãos todo progresso, espiritualidade e valor para transformá-los de sua forma subjetiva em uma forma de vida puramente objetiva".
(Georg Simmel, sociólogo e filósofo de origem judeu-alemão, 1858-1918).

"Parece-me que a civilização tende mais a lapidar o vício que aperfeiçoar a virtude".
(Edmond Thiaudière, filósofo e poeta francês, 1837-1930).

"A civilização é uma planta terrível que só vegeta e floresce quando a regam com lágrimas e sangue".
(Arturo Graf, poeta ítalo-alemão, 1848-1913).

"Provisoriamente pelo menos, toda civilização de base militar resulta muito superior ao que se chama civilização. Esta última, em sua forma atual, é a forma mais baixa que se conheceu até agora"

"Quem nos contará a história completa dos narcóticos? É quase a história da civilização, o que chamamos de civilização superior".

"Quem pouco possui, tanto menos pode tornar-se possuído. Louvado seja a pequena pobreza!"

"Também me enoja essa grande cidade (...) Ai dessa grande cidade – E eu gostaria de já enxergar a coluna de fogo em que ela arderá! Pois tais colunas de fogo devem preceder o grande meio-dia. Mas esse tem seu tempo e seu destino".

"Esta enfermidade da vontade não se estendeu pela Europa de um modo uniforme. Onde mais afetou e onde mais complicada aparece é naqueles lugares em que a civilização há mais tempo lançou raízes, enquanto que vai desaparecendo na medida em que, sob a descuidada roupagem da cultura ocidental, o 'bárbaro' segue reivindicando (ou volta a reivindicar) seus direitos"

"A má consciência é a dolência maior, a mais sinistra, uma dolência da qual a humanidade não se curou até hoje, o sofrimento do homem pelo homem, por si mesmo, resultado de uma separação violenta de seu passado animal, resultado de um salto e uma queda, resultado de uma declaração de guerra contra os velhos instintos nos quais até este momento repousavam sua força, seu prazer e sua fecundidade". 

"O 'cultivo' do ser humano correu sempre lado a lado com o debilitamento, isto é, com a desagregação e o decaimento enfermiço da força de vontade".
(Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, 1844-1900).

"O grande problema da civilização é assegurar um aumento relativo daquilo que tem valor, quando comparado aos elementos menos valiosos ou nocivos da população. O problema não será resolvido sem uma ampla consideração e imensa influência da hereditariedade".
(Theodore Roosevelt, presidente americano, 1858-1919).

"Nossa civilização vive nos princípios dos sofistas atenienses denunciados por Platão, ou seja: ter os desejos mais violentos possíveis e encontrar o meio de satisfazê-los".
(Juan José Dardo Rocha y Arana, político, militar, advogado e periodista argentino, 1838-1921).

"A civilização senta tão mal ao corpo que alguns a chamaram de enfermidade, apesar das artes que mantém vivos os corpos adoentados até idades médias mais avançadas, e de nossa maior proteção de enfermidades contagiosas e microbiais"
(George S. Hall, psicólogo americano, 1844-1924).


"O descontentamento é a primeira necessidade do progresso".
(Oscar Wilde, poeta anglo-irlandês, 1854-1900, e Thomas Edison, inventor americano, 1847-1931).

"Civilizar um povo não é outra coisa senão fazê-lo sentir novas necessidades".
(Charles Gide, economista francês, 1847-1932).

"O progresso da civilização corresponde com a expansão da náusea generalizada".
(Edgar E. Saltus, escritor americano, 1855-1921).

"A civilização é o processo de reduzir o infinito ao finito".
(Oliver Wendell Holmes, Jr., veterano de guerra e jurista americano, 1841-1935).

"O fim prático da civilização consiste em obrigar à morte a fazer a cada dia mais comprida a antessala diante de nossa alcova"
(Santiago Ramón y Cajal, médico espanhol, Premio Nobel de medicina, 1852-1934).

"A ascensão do homem primitivo e incivilizado está sujeita às mesmas leis que prevalecem em todo o reino animal, até que a civilização humana intervém e interfere com a ordem natural das coisas. Assim, quando o homem começa a se especializar e as raças humanas começam a se miscigenar, a Natureza perde o controle. Parece que as melhores raças humanas, assim como as melhores raças animais, surgiram quando a Natureza tinha o controle total, e que o homem civilizado está perturbando a ordem divina da origem humana e do progresso".
(Henry F. Osborn, geólogo, paleontólogo e eugenista americano, 1857-1935).

"É impossível desprezar o ponto até o qual a civilização é construída sobre uma renúncia ao instinto".
(Sigmund Freud, médico judeu-austríaco, criador da psicanalise, 1856-1939).

"O que chamamos de 'progresso' é a troca de um incômodo para outro incômodo".

"A maior tarefa perante a civilização no presente é fazer das máquinas o que elas deveriam ser, as escravas, ao invés de mestras de homens".
(Henry H. Ellis, médico inglês, 1859-1939).

"Onde o ambiente é muito suave e luxuoso e nenhuma luta é necessária para a sobrevivência, não só as estirpes e indivíduos fracos são autorizados a sobreviver e incentivados a procriar, mas os tipos fortes também engordam mentalmente e fisicamente".
(Madison Grant, advogado e eugenista americano, 1865-1937).

"Nós [os seres humanos modernos e civilizados] promovemos a degeneração racial pela nossa negligência, através da criação de uma nova espécie horrivelmente depreciada, monstros físicos e morais que estão corrompendo o sangue da raça e ameaçando sua própria extinção".
(John H. Kellogg, médico e eugenista americano, 1852-1943).

"Uma longa experiência cirúrgica provou-me conclusivamente que há algo radical e fundamentalmente errado com o estilo de vida civilizado, e acredito que, a menos que os atuais costumes dietéticos e de saúde da raça branca sejam reorganizados, a deterioração social e a deterioração da raça são inevitáveis".
(Sir William Arbuthnot Lane, cirurgião escocês, 1856-1943).


"O progresso, sob cujos pés a grama lamenta e a floresta se transforma em papel a partir do qual as plantas do jornal crescem, subordinou o propósito da vida aos meios de subsistência e nos transformou nas porcas e parafusos para nossas ferramentas".
(Karl Kraus, escritor, periodista, poeta e dramaturgo judeu-austríaco, 1874-1936).

"O homem sensato adapta-se ao mundo. O homem insensato insiste em tentar adaptar o mundo a si. Sendo assim, qualquer progresso depende do homem insensato".
(George B. Shaw, escritor irlandês, 1856-1950).

“Não se pode conseguir nenhum progresso verdadeiro querendo facilitar as coisas".
(Hermann Keyserling, filósofo e cientista alemão, 1880-1946).

"Dor e calamidade indizíveis afligiram o homem porque perdeu em um falso intelectualismo este conhecimento profundamente enraizado no instinto".
(Adolf Hitler, líder alemão, 1889-1945).

"No frio, tremente crepúsculo, precedendo o amanhecer da civilização, a emoção dominante do homem era o medo".
(Paul Harris, advogado americano, 1868-1947).

"A superstição do progresso é o veneno que corrói nosso tempo".
(Simone Weil, filosofa judia-francesa, 1909-1943).

"Os homens não podem seguir adiante o curso atual da civilização moderna, porque estão degenerando. Eles ficaram fascinados pela beleza das ciências da matéria inerte. Eles não compreenderam que seu corpo e consciência estão sujeitos a leis naturais, mais obscuras, mas tão inexoráveis como as leis do mundo sideral. Nem compreenderam que não podem transgredir essas leis sem serem punidos".

"A civilização moderna, com a ajuda da higiene, conforto, boa comida, vida fácil, hospitais, médicos e enfermeiras, permitiu viver muitos indivíduos de má qualidade. Esses seres fracos e seus descendentes contribuem, em grande medida, para o enfraquecimento da raça branca. Talvez deveríamos renunciar a essa forma artificial de saúde e buscar exclusivamente a saúde natural, que provem da excelência das funções adaptativas e da resistência inerente à doença".


"Aparentemente, não há adaptação possível à agitação incessante, dispersão intelectual, alcoolismo, excessos sexuais precoces, ruído, ar poluído e alimentos adulterados. Se for esse o caso, devemos modificar nosso modo de vida e nosso meio ambiente, mesmo à custa de uma revolução destrutiva. Afinal, o propósito da civilização não é o progresso da ciência e das máquinas, mas o progresso do homem".

"Parece que as modernas organizações empresariais e a produção em massa são incompatíveis com o pleno desenvolvimento do ser humano. Se for esse o caso, então a civilização industrial, e não o ser humano, deve desaparecer".
(Alexis Carrell, biólogo, médico e eugenista francês, 1873-1944).

"Eu erradicaria as máquinas da face da terra novamente, e acabaria com a época industrial absolutamente, como um erro negro".
(D. H. Lawrence, escritor inglês, 1885-1930).

"A cultura contemporânea requer autômatos. Uma coisa é muito certa, que a escravidão do homem cresce e aumenta. O homem está se tornando um escravo voluntário que não necessita mais de correntes. Ele começa a gostar de sua escravidão, e até orgulhar-se dela. E esta é a coisa mais terrível que pode acontecer a um homem".
(George I. Gurdjieff, místico e esoterista armênio, 1872-1949).

"A metáfora fatal do progresso, que significa deixar coisas para trás, obscureceu completamente a ideia real de crescimento, que significa deixar coisas dentro de nós".
(G. K. Chesterton, escritor inglês, 1874-1936).

"Você acha que uma parede tão sólida quanto a terra separa a civilização da barbárie. Eu lhes digo que a divisão é um fio, uma folha de vidro. Um toque aqui, um empurrão ali, e você traz de volta o reinado de Saturno".
(John Buchan, aristocrata, novelista e político escocês, 1875-1940).

"A civilização avança ao ampliar o número de operações que podemos realizar sem que precisemos pensar nelas".
(Alfred North Whitehead, matemático e filósofo inglês, 1861-1947).

"O luxo é uma das influências mais incômodas que existem. Começa pela comodidade e, passando pelo relaxamento e afeminação, conduz à degeneração física, intelectual e moral. Sendo, ao princípio, sedutor, conclui finalmente em paixões debilitantes que produzem a ruína total de todas as energias sãs e fortes da vida. Constituiria um tema especial estudar as mútuas relações entre o luxo e a desmoralização, e o resultado final seria que a causa fundamental de ambas aparências converte em uma e a mesma força".
(Henry Ford, magnata industrial americano, 1863-1947).

"A civilização é uma competição entre a educação e a catástrofe".
(H. G. Wells, escritor inglês, 1866-1946).

"A civilização, como o Universalismo e o Cristianismo, é anti-evolutiva em seus efeitos; ela trabalha contra as leis e condições que regulavam os estágios iniciais da ascensão do homem".
(Arthur Keith, anatomista e antropólogo escocês, 1866-1955)

"Se a tecnologia continuar progredindo nesse ritmo, o homem irá atrofiar todos os seus membros exceto o dedo para pressionar o botão".

"Olhar o corte transversal do mapa de uma grande cidade é como olhar a secção de um tumor fibroso".
(Frank Lloyd Wright, arquiteto americano, 1867-1959).


"O brilho da civilização nos cegou a tal ponto no que tange a compreensão de verdades interiores que as coisas, que durante muito tempo acreditamos que, à medida que a civilização progredia, a qualidade da estirpe humana encarregada na sua construção também progrediu. Em outras palavras, imaginamos que vimos uma raça melhor, enquanto que tudo o que realmente vimos foi uma raça expressando-se sob melhores condições. Uma perigosa ilusão isso!"
(Lothrop Stoddard, politólogo, historiador, periodista, eugenista, antropólogo e estudioso americano do Islão, 1883-1950).

"A civilização moderna aparece na História como uma verdadeira anomalia. Entre todas que conhecemos, é a única que se desenvolveu num sentido puramente material". 
(René Guénon, matemático, esoterista e filósofo francês, 1886-1951).

"Repete-se insistentemente que a civilização é a causadora da degeneração das raças, por transformar as características de domesticação em características de degeneração, conservando-se nessa forma variantes extremas que se teriam eliminado por seleção natural. Tal decadência é, em certa medida, de origem hereditária, pois os esforços da higiene e da medicina conservaram progenitores cujas condições biológicas são de má qualidade para a geração, debilitando-se a raça pela sobrevivência de tais reprodutores".
(Coronel Antonio Vallejo-Nájera, médico, militar, eugenista e psiquiatra espanhol, 1889-1960).

"A longo prazo, podemos descobrir que a comida enlatada é uma arma mais mortal do que a metralhadora".
(George Orwell, escritor inglês, 1903-1950).

"Qualquer um pode ser um bárbaro; mas requer um tremendo esforço permanecer um homem civilizado".
(Leonard Sidney Woolf, autor judeu-britânico e esposo da escritora Virginia Woolf, 1880-1969).

"Diga, antes, que a culpa é da civilização. Deus não é compatível com as máquinas, a medicina científica e a felicidade universal. É preciso escolher. Nossa civilização escolheu as máquinas, a medicina e a felicidade".

"O progresso tecnológico apenas nos forneceu meios mais eficientes para retroceder".

"Toda civilização é, entre outras coisas, um arranjo para domesticar as paixões e colocá-las a fazer um trabalho útil".

"A civilização é, entre outras coisas, o processo pelo qual os rebanhos primitivos são transformados num análogo, grosseiro e mecânico, das comunidades orgânicas dos insetos sociais".
(Aldous Huxley, escritor inglês, 1894-1963).

"A verdadeira liberdade está na selvageria, não na civilização".
(Charles Lindbergh, aviador, engenheiro e político americano, 1902-1974).

"A humanidade está adquirindo toda a tecnologia certa por toda as razões erradas".
(Richard Buckminster Fuller, arquiteto, inventor e designer americano, 1895-1983).


"A civilização existe por consentimento geológico, sujeito a mudanças sem aviso prévio".

"A civilização nasce com a ordem, cresce com a liberdade e morre no caos".

"Toda civilização é um fruto da árvore robusta da barbárie, e cai na maior distância do tronco".
(Will Durant, filósofo e historiador americano, 1885-1981).

"A civilização, clemente com os genes defeituosos, provoca o surgimento do mal biológico. Geneticamente, estamos pagando muito alto o preço do progresso médico e social". 

"O fraco, como o velho, é um produto da civilização".
(Jean Rostand, biólogo e filósofo francês, 1894-1977).

"Estamos tão envoltos em racionalização e ocultação que não podemos apenas reconhecer os profundos impulsos primários que nos motivam".
(James Ramsey Ullman, escritor e alpinista americano, 1907-1971).

"A educação faz máquinas que agem como homens e produzem homens que agem como máquinas".

“A grande promessa de progresso ilimitado – a promessa de dominar a natureza, de abundância material, da maior felicidade para o maior número de gente, e a liberdade individual sem peias – manteve a fé e as esperanças de gerações após gerações desde o início da era industrial. Certamente, nossa civilização começou quando a espécie humana assumiu o domínio ativo da natureza de forma ativa; mas aquele domínio permaneceu limitado até o advento da era industrial. Com o progresso industrial, mediante a substituição da energia humana e animal pela energia mecânica e depois pela nuclear, e a mente humana pelo computador, percebeu-se que o homem podia tudo, caminhando para a produção ilimitada e, por conseguinte, de consumo ilimitado; que a técnica nos faria onipotentes; que a ciência nos faria oniscientes. Estava a caminho de se tornar deuses, seres supremos com o poder de criar um segundo mundo, utilizando o mundo natural apenas como matéria-prima para nossa nova criação.

Os homens, e, cada vez mais as mulheres, viveram um novo sentido de liberdade; tornaram-se senhores de suas próprias vidas: as amarras feudais foram rompidas e podia-se fazer o que quisesse, livre de qualquer entrave. Pelo menos se pensava assim. (...) Supunha-se que a realização de riquezas e comodidades para todos redundaria em irrestrita felicidade para todos. A trindade “produção ilimitada, liberdade absoluta e felicidade irrestrita” formava o núcleo de uma nova religião: o Progresso, e uma Nova Cidade do Progresso vinham substituir a Cidade de Deus. Não admira que essa nova religião nutrisse seus crentes de energia, vitalidade e esperança.

A grandiosidade da Grande Promessa, as fabulosas realizações materiais e intelectuais da época industrial devem ser encaradas a fim de se compreender o trauma que a percepção de seu fracasso está produzindo hoje. A época industrial, de fato, deixou de cumprir sua Grande Promessa, e cada vez mais se constitui o consenso de que:

- A satisfação irrestrita de todos os desejos não é conducente ao bem-estar, nem é a via para a felicidade ou mesmo para o máximo prazer.

- O sonho de sermos senhores independentes de nossas vidas terminou quando despertamos para o fato de que todos nos tornamos peças ínfimas da máquina burocrática, com nossos pensamentos, sentimentos e gostos manipulados pelo governo, pela indústria e pelas comunicações em massa que controlam tudo.

- O progresso econômico continuou restrito às nações ricas e o fosso entre nações ricas e pobres amplia-se cada vez mais.

- O próprio progresso tecnológico ensejou perigos ecológicos e riscos de guerra nuclear, cada um dos quais ou ambos os quais podem acabar com toda a civilização e possivelmente com toda a vida.

(...)

Na verdade, pensava-se que a máquina econômica era uma entidade autônoma, independente das necessidades e da vontade humana. Foi um sistema que decorreu naturalmente e de acordo com as suas próprias leis. (...) O desenvolvimento deste sistema econômico não era já determinado pela pergunta: ‘O que é bom para o homem?’, mas por uma outra: “O que é bom para o crescimento do sistema?”.

Tratava-se de ocultar o inflamado desse conflito supondo que o que era bom para o desenvolvimento do sistema (ou ainda para uma só grande empresa) também era bom para o povo. Essa interpretação se viu reforçada por uma interpretação subsidiária: que as qualidades mesmas que o sistema requeria dos seres humanos (egoísmo e avareza) eram inatas à natureza humana; por isso, não só o sistema, mas a própria natureza humana as fomentava; se supunha que as sociedades em que não existia o egoísmo e a avareza, eram 'primitivas', e seus habitantes eram como 'crianças'. As pessoas se negaram a reconhecer que estes traços que haviam dado o ser à sociedade industrial não eram impulsos naturais, mas produto das circunstâncias sociais. Não é menos importante este fator: a relação das pessoas com a natureza se tornou muito hostil... Nosso espírito hostil e de conquista nos cega ao fato de que os recursos naturais tem limites e podem se esgotar, e que a natureza lutará contra a rapacidade humana...

A necessidade de uma profunda mudança humana não só é uma demanda ética ou religiosa, nem só uma demanda psicológica que impõe a natureza patógena de nosso atual caráter social, mas é também uma condição para que sobreviva a espécie humana...

É possível que tenhamos perdido o mais forte de todos os instintos, o de conservação?"
(Erich Fromm, psicanalista americano de origem judeu-alemão, 1900-1980).

"A civilização é horrivelmente frágil...não há demasiado entre nós e os horrores de baixo, só uma camada de verniz"

"A tecnologia é uma coisa estranha: com uma mãe te traz grandes presentes, e com a outra te apunhala pelas costas".
(Charles P. Snow, químico e romancista inglês, 1905-1980).

"A quantidade de lazer real que uma sociedade desfruta tende a estar em proporção inversa à quantidade de maquinaria que economiza trabalho que emprega".

"O sistema da Natureza, do qual o homem é parte, tende a ser auto-equilibrado, auto-ajustável, auto-limpável. Com a tecnologia, não é assim".
(Ernst F. Schumacher, economista germano-britânico, 1911-1977).


"A distância entre a civilização e a barbárie é tão fina quanto o papel do tabaco".
(Antonio Robles, escritor espanhol, 1895-1983).

"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente".
(Jiddu Krishnamurti, filósofo indiano, 1895-1986).

"O verdadeiro perigo não é que os computadores vão começar a pensar como homens, mas que os homens vão começar a pensar como computadores".
(Sydney J. Harris, periodista americano, 1917-1986).

"A sociedade ocidental aceitou como inquestionável um imperativo tecnológico que é tão arbitrário quanto o tabu mais primitivo: não apenas o dever de fomentar invenções e de criar constantemente novidades tecnológicas, mas também o dever de se render incondicionalmente a essas novidades, só porque elas são oferecidas, sem respeito às suas consequências humanas".

"O homem ainda tem, todavia, em seu interior, recursos suficientes para alterar a direção da civilização moderna, portanto, não devemos considerar o homem como a vítima passiva de seu próprio desenvolvimento tecnológico irreversível".
(Lewis Mumford, sociólogo e historiador americano, 1895-1990).

"A máquina não isola o homem dos grandes problemas da Natureza, mas mergulha-lo mais profundamente eles".
(Antoine Saint-Exupéry, aristocrata, aviador e escritor francês, 1900-1944).

"Lamento dizer que há muito sentido na piada de que a vida está extinta em outros planetas porque seus cientistas eram mais avançados do que os nossos".
(Dennis Gabor, físico húngaro, Premio Nobel por inventar a holografia, 1900-1979).

"Se continuarmos a desenvolver a nossa tecnologia, sem sabedoria ou prudência, nosso servo pode vir a ser o nosso carrasco".
(Omar Bradley, militar americano, 1893-1981).

"O mundo, em geral, está caminhado em uma direção cada vez mais devastadora para a meta absurda do extermínio – ou melhor, para ser mais exato – das cidades, campos e povos do hemisfério norte que desenvolveram nossa civilização".
(Alva Myrdal, diplomática, eugenista e socialdemocrata sueca, Premio Nobel da paz, 1902-1986).

"Em nossa civilização de consumidores ricos nós criamos casulos ao nosso redor e somos possuídos por nossas posses".
(Max A. Lerner, periodista americano, 1902-1992).


"A tecnologia é a habilidade de organizar o mundo de tal forma que não precisamos experimentá-lo".
(Max Frisch, escritor e arquiteto suíço, 1911-1991).

"A única esperança é que nossa civilização desmorone em certo ponto, como sempre acontece na História. Então, pela barbaridade, um renascimento".
(Pierre Schaeffer, compositor francês, 1910-1995).

"O progresso é a injustiça cometida por cada geração em relação aos seus predecessores".
(Emile M. Cioran, filósofo romeno, 1911-1995).

"O aspecto mais triste da vida agora é que a ciência reúne conhecimento mais rápido do que a sociedade reúne sabedoria".
(Isaac Asimov, escritor americano de origem judeu-bielorrusso, 1920-1992).

"A civilização é o processo em que se aumenta gradualmente o número de pessoas incluídas no termo ‘nós’ e, ao mesmo tempo, diminui aqueles no termo 'você’ ou 'eles', até que não haja mais ninguém nessa categoria".
(Howard Winters, arqueólogo americano, 1923-1994).

"A civilização é a arte de viver em cidades de tal tamanho que todos não conhecem todos os outros".
(Julian Jaynes, psicólogo americano, 1920-1997).

"As gerações nascidas nas mais monstruosas aglomerações humanas, como Nova Iorque, Londres, Paris ou, por que não, Madri, começam a gerar um alto número de jovens inadaptados, sujos, melancólicos, sujos, irascíveis, toxicômanos e com uma expressiva sintomatologia psíquica muito parecida à do animal de experimentação arrancado prematuramente de seu biotipo e enjaulado".

"A entrada do neolítico é a do abuso e da subjugação, e nela seguimos, inadaptados".
(Félix Rodríguez de la Fuente, médico e ambientalista espanhol, 1928-1980).

"Nós criamos uma civilização global em que a maioria dos elementos cruciais dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também criamos uma ordem em que quase ninguém compreende a ciência e a tecnologia. É uma receita para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara".
(Carl E. Sagan, cientista americano, 1934-1996).

"O progresso é a capacidade do homem para complicar simplicidade".
(Thor Heyerdahl, biólogo marinho e explorador norueguês).

"Nossa sociedade se dirige mais e mais rumo ao consumismo desnecessário. É um círculo vicioso que eu comparo com o câncer... Deveríamos eliminar o sofrimento e as enfermidades? A ideia é bonita, mas quiçá não seja benéfico a longo prazo. Não deveríamos deixar que nosso horror pela enfermidade ponha em perigo o futuro de nossa espécie".
(Jacques Cousteau, oficial naval e explorador francês, 1910-1997).

"Não viestes à terra para por diques e ordem na maravilhosa desordem das coisas. Viestes para nomeá-las, para comungar com elas sem erguer cercas para sua glória".
(José Hierro, poeta espanhol, 1922-2002).

"A tecnologia é muito divertido, mas podemos afogar em nossa tecnologia. A névoa de informação pode expulsar conhecimento".
(Daniel J. Boorstin, historiador, advogado e professor americano de origem judeu-russo, 1914-2004).

"Estamos nos tornando servos, no pensamento e na ação, da máquina que criamos para nos servir".
(John Kenneth Galbraith, economista americano, 1908-2006).

"Se um aborígene redigisse um teste de QI, presumidamente toda a Civilização Ocidental se sairia mal".
(Stanley Garn, professor americano de antropologia física, 1922-2007).


"Os seres humanos serão mais felizes – não quando eles curarem o câncer ou chegar a Marte ou eliminar o preconceito racial ou liberar o Lago Erie, mas quando eles encontrarem maneiras de habitar as comunidades primitivas novamente. Essa é minha utopia".
(Kurt Vonnegut, escritor e veterano de guerra americano, 1922-2007).

"Quanto mais rapidamente progride uma civilização, mais rápido morre para que outra ascenda em seu lugar".
(Edward T. Hall, antropólogo americano, 1914-2009).

"O governo federal financiou uma pesquisa que produziu um tomate que é perfeito em todos os sentidos, exceto que não se pode comê-lo. Nós devemos fazer todo esforço para garantir que essa doença, não raro referida como 'progresso', não se espalhe".
(Andy Rooney, roteirista americano de radio e TV, 1919-).

"Com a civilização passamos do problema do homem das cavernas ao problema das cavernas do homem".
(Edgar Morin, filósofo e político judeu-francês de origem sefardita, 1921-).

"Nós podemos chegar ao ponto em que a única maneira de salvar o mundo será que a civilização industrializada entre em colapso"
(Maurice Strong, empresario canadense e ex-Secretario General da ONU, 1929-).

"Cada nova geração nascida, é na verdade, uma invasão da civilização por pequenos bárbaros, que devem ser civilizados antes que seja tarde demais".

"Se a batalha pela civilização se resumir aos fracotes versus os bárbaros, os bárbaros vão ganhar".
(Thomas Sowell, economista liberal americano, 1930-).

"Parece claro que a imagem hobbesiana, segundo a qual os seres humanos primitivos levavam uma vida 'solitária, pobre, desagradável, bestial e curta' (ideia que sustentavam muitos antropólogos do século XIX, e inclusive alguns do século XX), não responde em absoluto a uma descrição exata do estilo de vida caçador-coletor. Em realidade, como veremos, existem razões de preso para crer que na atualidade a vida humana moderna mostra, em média, muito poucas melhores em relação a de nossos antepassados primitivos".
(Bernard Grant Campbell, professor e antropólogo inglês1930).

"O progresso tem vindo a significar simplesmente mais poder, mais lucro, mais produtividade, mais prosperidade de papel, todos os quais são conversíveis em padrões preocupado apenas com o tamanho ou magnitude, em vez de qualidade ou a excelência".
(Alex Campbell, político canadense, 1933-).

"A fé mais central e irracional entre as pessoas é a fé na tecnologia e no crescimento econômico. Seus sacerdotes acreditam até a morte que a prosperidade material traz alegria e felicidade – embora todas as provas da história tenham mostrado que apenas a falta e a tentativa fazem uma vida digna de ser vivida, que a prosperidade material não traz nada além do desespero. Estes sacerdotes acreditam na tecnologia ainda quando se asfixiam em suas máscaras de gás".
(Pentti Linkola, pescador e ecofascista finlandês, 1932-).

"A civilização arruína o planeta do fundo do mar até a estratosfera”.
(Richard Bach, escritor e piloto americano, conhecido autor de "Fernão Capelo Gaivota", 1936-).

"Uma vez que a tecnologia te atropela, se não és parte da niveladora, és parte da rua".
(Steven Brand, militar, autor e editor americano, 1938-).

"A barbárie é o estado natural da humanidade. A civilização é antinatural. É um capricho das circunstâncias. E no final, a barbárie sempre triunfará!"

"Homens civilizados! Eles envenenam tudo à sua volta e definem isso como progresso!"
(Conan da Ciméria, personagem de ficção literária, por Robert E. Howard e Roy Thomas).

"Durante muito tempo, éramos simplesmente pessoas. Mas isso foi antes de começarmos a ter relações com sistemas mecânicos. Envolva-se com uma máquina e, mais cedo ou mais tarde, você será reduzido a um fator".
(Ellen Goodman, periodista judia-americana, 1941-).

"A Revolução Industrial e suas consequências foram um desastre para a raça humana".

"Desde o começo da civilização, as sociedades organizadas vêm oprimindo seres humanos em favor do funcionamento do organismo social. O tipo de pressão variou muito de uma sociedade para outra. Algumas foram físicas (parca alimentação, trabalho excessivo, poluição ambiental), outras psicológicas (ruído, massificação, ajustar o comportamento humano à sociedade). No passado, a natureza humana manteve-se constante, ou variou apenas em certos aspectos. Consequentemente, as sociedades foram capazes de controlar as pessoas até certos limites. Quando se ultrapassa o limite da resistência humana, as coisas começam a sair fora das engrenagens: há o incremento de rebeliões, crimes, corrupção, evasão do trabalho, taxa decrescente de nascimentos e daí em diante, de forma que a sociedade também colapsa, seu funcionamento se torna demasiado ineficiente ou é (rápida ou gradualmente) substituída por alguma outra forma mais eficiente de sociedade".
(Theodore Kaczynski, também conhecido como Unabomber, superdotado, matemático, professor de universidade e terrorista americano de origem polaca, escreveu "A sociedade industrial e seu futuro", também conhecido como "Manifesto Unabomber", 1942-).

"Os progressos da civilização facilitam as condições de existência e modificam também as leis de seleção biológica originais".

"Quanto mais consegue um grupo humano dominar e transformar as condições de sua área de vida pelo estabelecimento de uma cultura fiel à lei da vida, mais facilmente consegue o indivíduo se preservar e evitar a eliminação. As leis de seleção e eliminação, severas em sua origem, desaparecem pouco a pouco e se atenuam. Quanto mais envelhece uma cultura e alcança o estado das épocas civilizadas tardias, mais perde seu vigor. Ela produz, inclusive, o processo inverso. Indivíduos fracos e enfermos podem assim sobreviver e se reproduzir: tipos raciais diferentes se misturam. A lei criadora da espécie já não parece atuar (...) Quando a cultura apresenta já as características de uma ação civilizadora tardia, a 'seleção' por si mesma já se transformou em uma espantoda contrasseleção".
(Caderno SS Nº7, "O sentido biológico da seleção", 1942).

"A cultura nos levou a trair nosso próprio espírito aborígene e integridade, em troca de um mundo cada vez mais degradado de distanciamento sintético, isolador e empobrecedor. O que não quer dizer que não haja mais prazeres cotidianos, sem os quais perderíamos nossa humanidade. Mas à medida que nossa problemática situação se aprofunda, vislumbramos o quanto deve ser erradicado para a nossa redenção".
(John Zerzan, escritor americano de origem checa, 1943-)


"Hoje a programação é uma corrida entre os engenheiros de software para tentar construir maiores e melhores programas à prova de idiotas, e o Universo tentando produzir maiores e melhores idiotas. Até agora, o Universo está ganhando".
(Rick Cook, escritor americano, 1944-).

"Os esforços modernos nos campos da educação e do treinamento são similares a tentar conseguir que o motor do velho automóvel Modelo T seja capaz de alcançar as 200m/h simplesmente colocando nele um melhor óleo de motor e gasolina de octanagem maior. Se poderia dizer que a civilização realmente desgasta o motor e que quando suas partes são desgastadas, se substituem por metal menos robusto, até que finalmente, o motor é incapaz de funcionar".
(David Duke, político e escritor americano, 1950-).

"A tecnologia corrói o caráter humano. Nos separa da natureza, que diminui o nosso ser natural. Fora do contato com a natureza, nos comportamos egoisticamente, estupidamente. Nos tornamos consumidores em vez de receptores. Nos tornamos artificiais. Levado ao extremo, nos comportamos como máquinas. A tecnologia nos faz gananciosos, infelizes, impacientes, insensíveis e cheios de arrogância".
(Kevin Kelly, editor e escritor americano, 1952-).

"Todas as maiores invenções tecnológicas criadas pelo homem – o avião, o automóvel, o computador – dizem pouco sobre sua inteligência, mas falam bastante sobre sua preguiça".
(Mark Kennedy, homem de negócios e político americano, 1957-).

"Talvez a preocupação com o progresso tecnológico tenha ofuscado nossa preocupação com o progresso humano".
(Wynton Marsalis, trompetista americano de jazz, 1961-).

"O 'trem de vida' dos guerreiros e das primeiras hordas primitivas se foi apaziguando. Começam a se gestar as primeiras civilizações sedentárias e isso acarreta, ainda que relativamente, uma menor aspereza e brutalidade na luta pela existência; paralelamente os maus genes antes eliminados de maneira expeditiva pelas mesmas condições do meio, começam a se manifestar cada vez com menos travas, se convertem em um perigo latente"
(E. Aynat, "A eugenia: breves notas históricas").

"A tecnologia possibilita que as pessoas tenham controle sobre tudo, exceto sobre a tecnologia".
(John Tudor).

"Civilização: um fino verniz cobrindo o barbarismo"
(John M. Shanahan, escritor americano).

"Me choca a tendência insidiosa, computadorizada, de tirar as coisas do domínio da atividade muscular e colocá-las no domínio da atividade mental. Essa transferência não está compensando. Claro, os músculos não são confiáveis, mas representam vários milhões de anos de finura acumulada".
(Brian Eno, compositor inglês de música eletrônica, 1948-).

"Nós somos todos prisioneiros, e a maioria de nós tem sido desde a introdução da agricultura – em algum ponto na Idade de Pedra".
(Varg Vikernes, músico e compositor norueguês, 1973-).

"Como o clube de luta faz com trabalhadores de escritório e office boys, o projeto Mayhem destruirá a civilização para que possamos fazer do mundo algo melhor. (...) Este era o objetivo do projeto Mayhem, disse Tyler, a completa e imediata destruição da civilização"
(Tyler Durden, personagem de ficção literária no romance "Clube da Luta", de Chuck Palahniuk).

"Rejeite os pressupostos básicos da civilização, especialmente a importância das posses materiais".

"Imagine (...) você, caçando alces nas florestas úmidas do cânion formado pelas ruínas do Rockfeller Center (...) Você vai usar roupas de couro que vão durar a vida toda e escalar as trepadeiras grossas como um pulso enroladas na Sears Tower. Como João e o pé de feijão, você vai atravessar a copa das árvores e o ar será tão limpo que verá pessoinhas batendo milho e estendendo tiras de carne de veado para secar nos acostamentos vazios de uma autoestrada com oito pistas e milhares de quilômetros de extensão".
(Tyler Durden no filme "Clube da Luta", de David Finch).



NOTAS

[1] Essa palavra procede do latim hybrida, do qual procede por sua vez a palavra "hibridar", isto é, cruzar duas variedades.

sábado, 26 de novembro de 2016

Andrea Virga - Geração Donbass

por Andrea Virga



No rio de infantis banalidades arrojadas pelos gurus do pensamento único liberal-progressista, que resultam francamente ofensivas, sem levar em conta sua opinião, para qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, a pior dessas banalidades é, quiçá, a do mito da chamada "Geração Erasmus", anunciada e enfurecida como se fosse um dos diversos e com que os apátridas tentam preencher o vazio de suas almas. Um culto que agora tem seus mártires: desde os frequentadores do Bataclam às estudantes mortas no acidente de ônibus em Tarragona (e ninguém se importa com o motorista sexagenário obrigado a trabalhar turnos esgotadores por uns poucos euros).

Os muezzins progressistas chamam à oração, Saverio Tommasi e Roberto Saviano à frente, e os salafistas dos gizes coloridos respondem: há uns 2 dias (juro!), vi exibida com orgulho no facebook uma tese de doutorado dedicada a Giulio Regeni e a Valeria Solesin. É objetivamente surpreendente como pessoas formalmente equipadas com conhecimentos especializados (bachareis, doutores, investigadores) podem adotar acriticamente essa mistura de coletivismo individualista e cosmopolita, que nega qualquer diferença para afirmar somente uma massa de átomos humanos desenraizados e nômades, feliz de ser forçado pelo peristaltismo do Capital a se mover constantemente para trabalhar, estritamente mal pagos e sem garantias, não importando onde e como.

Não obstante, aqui, como em todas as mentiras, há um núcleo positivo: "caminhos da Europa, cansados, sujos, mas felizes" cantava uma nossa velha canção. Claro, não é uma novidade: precisamos lembrar que Codreanu estudou em Weimar, Jena e Genebra? Que a Falange Espanhola tinha uma seção em Milão já em 1935? Que Lênin e o jovem Mussolini passaram muito tempo na Suíça? Agora, não obstante, se poderia dizer, é muito mais fácil: uma moeda comum, nem visto, nem passaporte, passagens de avião baratas; com umas centenas de euros se gira pela Europa.

Os horrendos carniceiros de Marne e da Polônia já haviam ensinado a nossos avós a sangrente inutilidade do chauvinismo fratricida, impulsionado pelo provincialismo burguês em benefício dos barões do carvão e do aço. "No more brother wars" era a palavra de ordem a partir de 1945. Segue sendo a mesma, para os que bem sabem que Erasmo era um holandês "bárbaro" que tratava de teologia dogmática e direito romano em latim e grego clássicos, e não um semestre de alcoolismo, maconha e putaria. E então é justo recordar que existe hoje outra geração de jovens europeus, que viaja levando suas próprias raízes no coração, para conhecer e amar à grande Mãe da qual sua pequena pátria não é mais que uma peça: a Europa de cinco mil anos de história, da qual a sexagenária UE é só uma paródia.

O autor, como simples exemplo nada excepcional, viveu pelo menos dois meses em Dresden, Lyon, Berlim, Madri: 21 meses no estrangeiro com várias bolsas, sem a necessidade de programas Erasmus. Bebeu da fonte Castalia de Delfos e se banhou nos lagos alpinos. Foi de carona até a tumba de Nietzsche nas planícies da Saxônia e entrou nas catacumbas abaixo de Paris. Rezou sob a Cruz no Vale dos Caídos e saudou à loba romana na costa do Mar Negro. Ele escreveu poemas para Jan Palach e rendeu homenagem aos soldados do Exército Vermelho em Treptower Park.

Pulsou seu coração em uníssono com os tambores da Guarda Real britânica e do Tercio espanhol. Admirou ao vivo as armas de nossos antepassados: as armaduras dos hussardos alados de Jan Sobieski e as espadas de ferro da antiga Micenas, as armaduras equestres de Carlos V e os caças da Luftwaffe. Bebeu cerveja com jovens patriotas nas vielas da parte antiga de Lyon e marchou para a Revolução no primeiro de maio em Kreuzberg. Desceu pelas ruas com bandeiras dos povos atacados e marchou com tochas e a Tricolor em memória dos caídos. Cruzou antebraço com os que haviam abandonado seus lares para lutar no Donbass, junto a seus irmãos da Eurásia.

Essa é a geração a que pertencemos, que apesar de tudo e todo, não nos resignamos ao pensamento único liberal-democrata, aos defensores do politicamente correto baixados de cima para baixo para justificar o capital-consumismo pós-moderno da atualidade, como se fosse o melhor dos mundos possíveis. E a luta contra a opressão da junta de serviço atlantista ucraniana conduzida pelas populações de Donetsk e Lugansk com o apoio de voluntários europeus e eurasiáticos, é um dos casos mais próximos e evidentes dessa resistência.

Isso se aplica aos que foram lutar em pessoa, mas também para aqueles que apoiam essa luta com artigos ou demonstrações de solidariedade; para aqueles que viajam a Europa saboreando a diversidade de tradições locais e evitando McDonald's e Starbucks como se tratasse da peste; para os que, obrigados a emigrar, não se esquecem de sua própria terra e de seu próprio sangue. Somos nós, irredutíveis aos modelos semicultos ocidentais, a Geração Donbass.