Considerações críticas a partir da visita de Alain de Benoist
Na Argentina há visitas intelectuais que, como a de Ortega y Gasset em 1916, despertam não só um grande interesse mas também uma participação ativa na marcha do pensamento. É necessário dizer em primeiro lugar que aos argentinos nos invade um especial entusiasmo quando aterrisa em nossa terra o intelectual estrangeiro ou quando fazemos nós a viagem que nos permitirá conhecê-lo. E isso vai mais além da importância e estatura do personagem em questão, pois temos em realidade a sensação de que a duras penas nos tornamos pensadores sem a aprovação do estrangeiro. Por exemplo, segundo esta perspectiva a filosofia de Carlos Astrada ostenta um plus de valor por sua relação discipular com Martin Heidegger e Max Scheler. Nenhum mérito do próprio Astrada poderia, segundo esta visão, suprir o que lhe foi dado pelo contato pessoal com os mestres alemães. Esta visão fetichista que em boa medida atravessa quase todos os argentinos é um efeito de nossa situação periférica, para superar a qual não basta cantar loas à liberação dos oprimidos. Como diria Nietzsche, ser livre não é um valor em si mesmo. O importante é para quê se quer liberdade e se temos realmente a força para fazê-lo.









