terça-feira, 6 de março de 2012

Otto Rahn e a busca pelo Santo Graal

por Alexandr Dugin

Otto Rahn (1904 – 1938), descrito como um inteligente jovem autor e historiador, foi uma das figures verdadeiramente fascinantes deste [passado] século. Antes da sua morte misterioso, aos 35 anos, ele escreveu dois livros sobre os Cátaros do sul da França: *Kreuzzug den Gral* (“Cruzada Contra o Graal”) e *Luzifers Hofgesindel* (“A Corte de Lúcifer”). Lendas continuar a cercar sua vida e a sua morte trágica. Enquato seus livros influenciaram autores como Trevor Ravenscroft e Jean-Michel Angebert, eles nunca foram traduzidos para o inglês. No best-seller de 1982 *Holy Blood, Holy Grail* (“Sagrado Sangue, Sagrado Graal”), o nome de Otto Rahn aparece em uma pequena, porém intrigante, nota de rodapé.
Otto Rahn na caverna cátara

Otto Rahn acreditava que havia achado o local da Montanha do Santo Graal, o Montsalvat da lende, no forte Cátaro da montanha de Montsegur nos Piraneses Franceses. Ele foi, diz a Prof Joscelyn Godwin, “amplamente responsável pelo complexo mitológico que associou os Cátaros e Montsegur ao Santo Graal e seu Castelo.”

Montsegur

Norma Lorre Goodrich em seu próprio trabalho altamente aclamado “The Holy Grail* (“O Santo Graal”), presta tributo ao “Cruzada Contra o Graal” de Rahn, descrevendo-o como “um livro maravilhoso, um monumento a este grande autor idealista alemão, que morreu misteriosamente durante uma descida dos Alpes.”

Segundo o seu tradutor francês, Otto Rahn acreditava com absoluta convicção que (1)os Cátaros eram os portadores perdidos do Santo Graal e (2) o Santo Graal “evaporou” quando ele morreram pelas mãos “do Papa e do Rei da França” no início do Século XIII.

A Guerra do Catolicismo Romano contra os Cátaros é descrita, por várias vezes, como a guerra em que *Roma e *Amor se colocaram em lados opostos, em que a idéia católica (‘comum’) triunfou, com chamas e espadas, sobre a idéia Cátara (‘pura’).

O Cátaros medievais acreditavam na existência de uma guerra eterna entre os princípios da Luz e da Escuridão, em que seus encontros e entraves, tudo no universo foi baseado. Escuridão era para eles a matéria escura, um imperfeito, o transitório. Eles identificavam todos os chefes do clero e governantes seculares e principalmente a Igreja Católica, como personificação da Escuridão.. Na sua mitologia, os sols simbolizavam e Luz Primordial de que toda a vida emergiu. Miguel Serrano chama a sua doutrina de: *Kristianismo Solar. Para Otto Rahn, Montsegur era o “Farol do Catarismo”.


A Busca do Graal por Rahn


Otto Rahn nasceu em 18 de fevereiro de 1904 em Michelstadt, no sul da Alemanha. Na escola secundária ele desenvolveu um fascínio pela história dos Cátaros Medievais, sua fé e a revolta contra o Rei e o Papa. De 1922 a 1926 ele estudou Ciências Jurídicas, filosofia alemã e história. Rahn pretendia escrever uma dissertação sobre Guyot, o Trovador Provençal que escreveu o poema sobre o Graal perdido, em que Wolfram von Eschenbach dizia ter basead o seu *Parzival.

O conto germânico medieval de *Parzival, revivido no Século XIX pelas operas místicas populares de Wagner, incendiaram a busca moderna de Rahn pelo Santo Graal. Ele logo juntou uma série de pistas retiradas do estudo da história dos Cátaros e do poema de Wolfram von Eschenbach, um Cavaleiro Templário do Século XII.

Insirado pelo seu profundo interesse nas lendas dos Cátaros e do Graal, entre 1928 e 1932 Rahn pesquisou e viajou amplamente pela França, Espanha, Itália e Suíça.

No início do verão de 1929, Otto Rahn apareceu pela primeira vez na região do Languedoc ao, sul da França. Ele logo se estabeleceu na vila de Lavelanet e pelos próximos três meses ele explorou, sistematicamente, a Fortaleza-Templo dos Cátaros em Montsegur, assim como as grutas e montanhas dos arredores.

Era no Languedoc que a cidade de Carcassnne, a montanha sagrada dos Cátaros (Montsegur) e a igrea de Rennes-le-Chateau se localizavam. Todos esses lugares estavam mergulhados em conhecimento Cátaro e era pra cá que as lendas do Santo Graal pareciam converger.

Em Montsegur, escreve Nigel Pennick, “Em 1244 os Cátaros hereges fizeram sua última e heróia afronta contra a cruzada católica, que finalmente triunfou com a sua destruição. Aqui, afirma a tradição, que na noite anterior ao ataque final, três Cátaros carregando as relíquias sagradas da fé, escorregaram despercebidos sobre a muralha. Eles levaram embora a quinquilharia mágica do Rei Merovíngio Dagoberto II e o cálice que se dizia ser o Santo Graal.”

A posse do Graal sempre foi o sonho das Ordens de Cavalaria. Os Cavaleiros da Távola Redonda do Rei Arthur, os Templários, até mesmo os Cavaleiros Teutônicos procuraram o receptáculo místico. Mas Otto Rahn acreditava que ele poderia triunfar onde séculos de busca falharam. Ele havia estudado a geometria sagrada de Montsegur, a sua orientação ao nascer-do-sol e sua relação com outros lugares sagrados, ele havia descoberto passagens secretas subterrâneas, onde ele pensava que o tesouro poderia estar escondido” (*Hitler’s Secret Sciences – “As Ciências Secretas de Hitler”)

O conhecimento de Otto Ranh sobre ‘geografia sagrada’, sugere Nigel Pennick, pode ser traçada aos Druídas e Templários. É falado que os Cátaros também era familiarizados com essa tradição.

Em muitos encontros com os locais (é falado que ele falava fluentemente a lingua Provençal local), Otto Rahn colheu todo tipo de informações sobre os Cátaros e o Graal.

Estas formaram a base dos relatos emocionantes de Rahn sobre a sua exploração das cavernas de Sabarthes, sul de Montsegur e especialmente as cavernas Lombrivas chamadades de “A Catedral” pelas pessoas locais. Segue o seu relato sobre a magnífica caverna:

Em tempos impenssáveis, numa época tão remota que mal foi tocada pela ciência histórica moderna, ela era usada como templo consagrado ao Deus Ibérico Illhomber, Deus do Sol. Entre dois monólitos, um que havia desmoronado, o íngreme caminho leva a um vestíbulo gigante da catedral das Lombrivas. Entre as estalagmites de calcario, entre as paredes de um marrom profundo e a rocha de cristal brilhante, o caminho desce pelas entranhas da montanha. Um hall de 260 pés de altura servia como catedral para os hereges.”

Rahn conta como “Profundamente abaldo eu andei dentre os halls de cristal e as criptas de mármore. Minhas mãos colocavam de lado os ossos dos puros e cavaleiros caídos.

Um antigo conto de pastor do Languedoc lembrado por Otto Rahn e incorporado ao seu primeiro livro, mostra um profundo simbolismo místico:

Durante o tempo em que os muros de Montsegur ainda estavam de pé, os Cátaros mantinham o Santo Graal lá. Montsegur estava em perigo. Os exércitos de Lúcifer o haviam sitiado. Ele queriam o Graal para restaurar a coroa do seu príncipe, de onde ele havia caído durante a queda dos seus anjos. Então, no momento mais crítico, caiu do céu uma pomba branca, que, com o seu bico, dividiu Tabor [Montsergur] em dois. Esclarmonde, que era o guarda do Graal, jogou a jóia sagrada nas profundezas da montanha. A montanha se partiu de novo, e dessa maneira o Graal foi salvo. Quando os demônios entraram na fortaleza, eles já estavam atrasados. Enfurecidos, eles atearam fogo em todos os Puros, não muito longe da rocha onde está o castelo, no Campo da Estaca. Todos os Puros pereceram na pira, exceto Esclarmonde de Foix.
Quando ela teve certeza que o Graal estava seguro, ele subiu ao topo do Monte Tabor, se transformou em uma pomba branca e voou em direção às montanhas da Ásia.”

Tanto “Cruzada Contra o Graal” quando “A Corte de Lúcifer” estão cheios de notáveis conhecimentos e revelações de importantes elos históricos.

Nas profundezas das grutas de Sabarthez, Rahn achou câmaras em que as paredes estavam cobertas de símbolos característicos do Cavaleiros Templários, lado a lado com os emblemas dos Cátaros. Esse achado confirmou a idéia fomentada por historiadores místicos, que os Cavaleiros Templários e os Cátaros estiverem, em algum momento, proximamente associados. Uma imagem intrigante que estava entalhada na parede de pedra da gruta era, claramente, o desenho de uma lança. Essa representação imediatamente remete à lança sangrenta que aparece de novo e de novo nas lendas Arthurianas.


Esta caverna foi o último refúgio das Pairfaits cátaras


A lenda do Graal, explica Miguel Serrano, “reaparece forçosamente cristianizada na Idade Média. Os Templários a disseminaram. É centrada na lenda do Rei Arthur (que é o Rei do Graal e também é chamado de Amfortas). É interessante de analisar que Arthur é Arthos, o Urso, que é pra ser o Ártico. Pelo qual a posição geográfica exata da maior parte do continente da primeira Idade Solar é localizada: Hiperbórea, o assento do Graal. Na Idade Média, tornou-se um cálice, quando o mito foi cristianizado, do qual Cristo disse para que seja bebido na Última Ceia, ou também do qual Joseph de Arimateia recebeu o sangue de Cristo do qual jorrou do seu flanco quando estava pendurado na cruz”.

Os cátaros que guardaram o Santo Graal no seu castelo Monstegur, Otto Rahn acreditava, foram marcados pelos druidas que converteram ao maniqueísmo. Os druidas, na Britânia, foram os precursores da Igreja Cristã Celta. Ele viu na cultura da fortaleza dos cátaros medievais do Langedoc fortes semelhanças com os druidas. Os padres aparentados aos Parfaits dos cátaros. O segredo da sabedoria cátara foi preservado pelos tardios trovadores, os poetas e cantores viajantes das cortes medievais da França.

A maioria dos trovadores, de acordo com Rahn, foram cátaros secretos. A aparente saudade e canções de saudade só raramente foram dedicadas a uma mulher em especial, seu simbolismo feminino referem-se a comunidade cátara, a Sophia, a visão dos gnósticos. Julius Evola explica no “Le Mystere du Graal”: “para fazer essa doutrina inacessível aos profanos, ela é escondida em simbolismos eróticos, semelhante ao ciclo do Graal no qual é representado por um simbolismo heróico”.

Quando Otto Rahn primeiramente estudou o Parsifal de Wolfran von Eschenbach, ele notou semelhanças marcantes entre nomes e lugares do sul da França, e suspeitou que o castelo do Graal de Parsifal Muntsalvache (Richard Wagner o chamou de Montsalvat) não foi outro senão o forte Solar dos cátaros, Montsegur. No trabalho de Eschenbach ele discerniu a influência da poesia cátara. A suposição provavelmente incorreta de que os cátaros perseguidos foram recauchutados para debaixo da terra e celebraram seus mistérios nas igrejas subterrâneas foi adotada por Otto Rahn da pesquisa do entusiasta cátaro Antonin Gabal. Gabal deu a Rahn o direito da sua biblioteca e do seu museu provado. Em cartas, Rahn o chamou de “Trevrizent” (o tio de Parsifal no trabalho de Eschenbach) e desenvolveu as proposições definidas na ‘Au Chemin du Saint Graal’ de Gabal.

A história atual de que Otto Rahn encontrou o Graal e que foi mantido até o fim da Segunda Guerra mundial no Wewelsburg, o castelo das SS perto de Paderborn, pode ser facilmente refutada. Havia um Graal em Wewelsburg, mas era somente um grande cristal rochoso. René Nelli, um importante estudioso do catarismo, mantém que o Graal não é mencionado em qualquer dos textos existentes dos cátaros, enquanto Julius Evola não pensa muito sobre as teses do Graal dos cátaros.

DE VOLTA PARA A ALEMANHA

Depois de 1933, Rah viveu em Berlim, dedicando-se à mais estudos do Graal. Sua busca por uma tradição religiosa primordial – A religião da Luz – tomou atenção do líder das SS, Heinrich Himmler, quem procurou a colaboração de Rahn em pesquisas patrocinadas. Depois de primeiro juntar-se ao patrimônio bureau, a Ahnenerbe, como um civil, seus talentos foram logo reconhecidos por seus superiores. Persuadido em unir-se formalmente às SS em 1936, em questão de semanas Otto Rahn foi promovido à SS-Unterscharführer.

Por Setembro de 1935, Rahn estava animadamente escrevendo ao chefe da Ahnenerbe sobre os lugares que tinha visitado na sua busca às tradições do Graal na Alemanha, solicitando confidência à exceção de Himmler.

Havia rumores sobre Otto Rahn de que ele teria fundado um círculo neo-cátaro junto com as SS. No verão de 1936, ele empreendeu, por ordem das SS, uma expedição à Islândia. Destaques dessa jornada fizeram parte de alguns capítulos em seu segundo e último livro “A Corte de Lúcifer”, publicado em 1937. Rahn não faz menção das SS, e o navio no qual viajou à Islândia teve uma bandeira com uma Swastika azul em fundo branco (em forte contraste ao padrão oficial do Terceiro Reich).

Nós sabemos que Otto Rahn caiu em desonra com a hierarquia SS em 1937, e por razões disciplinares lhe foi atribuído um tour imposto ao campo de concentração das SS em Dachau. No inverno de 1938/39 ele escreveu ao SS Reichführer pedindo demissão imediata das SS. Poucos meses depois ele estava morto.

Rumores abundam relativo à partida de Otto Rahn das SS. Alguns falam que ele foi um descendente de judeu homossexual, mas as evidências estão em falta. Em uma conversa, Rahn falou que ele foi traído e que sua vida estava em perigo. Em uma carta a um amigo ele falou abertamente sobre o Terceiro Reich:

“Tenho muito sofrimento no meu país. Quatorze dias atrás eu estava em Munique. Dois dias atrás eu preferi ir para as minhas montanhas. Impossível para um homem tolerante e liberal, como eu, viver na nação em que meu país se tornou.”

Col. Howard Buechner, o autor da Taça de Esmeralda, diz que Rahn “deixa ser sabido que ele se opõe à guerra pela qual a Alemanha tem sido preparada desde 1938. No lugar da guerra, ele acreditou que a Alemanha e a Europa deveriam ser tranaformadas em uma comunidade de “puros” ou cátaros. Em outras palavras, a longa associação de Rahn com a história dos cátaros e sua injusta perseguição pela igreja e pelo trono francês o levou à conversão à fé cátara. Ele foi também propondo uma “Nova Ordem” na qual os estados europeus, e talvez todas as outras nações, poderiam adotar a crença cátara em benefício da paz humana.”

Em 13 de Maio de 1939 – quase no aniversário da caída de Monstegur – Otto Rahn morreu na neve das montanhas Tirolesas. “Da maneira dos cátaros heréticos”, diz Nigel Pennick, “Rahn voluntariamente deixou um mundo o qual ele viu desintegrando”. Uns poucos anos antes, Otto Rahn escreveu “A Crusada Contra o Graal”;

“Sua doutrina permitiu o suicídio, mas demandou que não se pode pôr fim à vida por causa de desgosto, medo ou dor, mas em uma perfeita dissolução da matéria. Esse tipo de Endura foi permitido a tomar espaço no momento da visão mística da beleza e da bondade...É somente um passo ao suicídio. Para o fazer requer coragem, mas o ato final da ascese definitiva requer heroísmo. A conseqüência não é tão cruel quanto parece.”

A história da vida e do trabalho enigmáticos de Otto Rahn, simbolizando como um Grande Mistério, vai sempre fascinar tanto pesquisadores do Santo Graal como os buscadores da tradição cátara. Esse mistério pode ser discernido na seguinte citação de “Nos: Book of Resurrection” de Miguel Serrano:

“Quando falamos sobre a religião do amor dos trovadores, dos cavaleiros iniciados do Graal, dos verdadeiros Rosacruzes, nós devemos tentar descobrir o quê há por trás de sua linguagem. Naqueles dias, amor não significava a mesma coisa que nos dias de hoje. A palavra Amor era um criptograma, era uma palavra codificada. Amor de trás para frente é Roma. A palavra indicada, no sentido do qual foi escrito, é o oposto de Roma, de tudo o que Roma representava. Também, Amor dividido em ‘a’ e ‘mor’, significa Anti-morte. Para se tornar imortal, eterno, é graças à iniciação de A-mort. Uma maneira de iniciação totalmente oposta à maneira de Roma. Um Kristianismo esotérico e solar. O Kristianismo gnóstico de Meister Eckhart. E o meu. Porque eu tentei ensinar ao homem ocidental a ressurreição de Kristos na sua Alma. Porque Kristos é o Self ao homem ocidental.

“É por isso que Roma destruiu o Amor, os cátaros, os templários, os Cavaleiros do Graal, os cantores da Minne, tudo que foi originado da “Memória do Sangue Hiperbóreo” e do qual poderia ter uma origem polar e solar.

“O amor tão falado e escrito nas novelas, poesias e revistas, o amor ao próximo, o amor universal das igrejas, o amor da humanidade, não tem nada que ver com o ‘amor anti-amor’ (A-mor, anti-morte), do qual uma disciplina rigorosa, fria como o gelo, afiada como uma espada, e do qual aspira superar a condição humana a fim de alcançar o Reino dos Imortais, a Ultima Thule.”

segunda-feira, 5 de março de 2012

Desafios Pós-Modernos: Entre Fausto E Narciso

por Robert Steuckers



Nos termos de Oswald Spengler, nossa cultura Europeia é o produto de uma “pseudomorfose, isto é, do acréscimo de mentalidade estrangeira sobre nossa nativa, original e inata mentalidade. Spengler chama a mentalidade inata de “a Faustiana”.

O Confronto entre a mentalidade Inata e a Adquirida

A mentalidade estrangeira é teocêntrica, a “mágica” perspectiva nascida no Oriente Próximo. Para a mentalidade “mágica”, o ego se curva respeitosamente perante a substância divina, como um escravo diante de seu senhor. No âmbito desta religiosidade, o indivíduo deixa-se guiar pela força divina que ele absorve através do batismo ou iniciação.

Não há nada comparável ao antigo espírito Faustiano europeu, diz Spengler. O Homo europeanus, apesar do verniz mágico / Cristão cobrindo o nosso pensamento, tem uma religiosidade voluntarista e antropocêntrica. Para nós, o bom é não permitir-se guiar passivamente por Deus, mas sim, reconhecer e realizar a nossa própria vontade. "Para ser capaz de escolher", esta é a base fundamental da religiosidade nativa Europeia. No cristianismo medieval, esta religiosidade voluntarista aparece, perfurando a crosta do “magismo" importado do Oriente Médio.

Por volta do ano 1000, este voluntarismo dinâmico aparece gradualmente na arte e em épicos literários, juntamente com uma sensação de espaço infinito dentro do qual o auto de Fausto seria, e pode, se expandir. Assim, para o conceito de um espaço fechado, no qual o eu se encontra bloqueado, se opõe o conceito de um espaço infinito, no qual um aventureiro graceja por diante.

Do Mundo "Fechado" ao Universo Infinito

De acordo com o filósofo americano Nelson Benjamin, o velho sentido helênico de physis (natureza), com todo o dinamismo que isso implica, triunfou no final do século 13, graças ao averroísmo, que transmitiu a sabedoria empírica dos gregos (e de Aristóteles, em particular) para o Ocidente. Aos poucos, a Europa passou do "mundo fechado" para o universo infinito. Empirismo e nominalismo suplantou uma escolástica que havia sido inteiramente discursiva, auto-referencial e auto-fechado (self-enclosed). O Renascimento, seguindo Copérnico e Bruno (o trágico mártir do Campo dei Fiori), renunciou o geocentrismo, tornando-o seguro para proclamar que o universo é infinito, uma intuição essencialmente faustiana de acordo com os critérios de Spengler.


No segundo volume da História do Pensamento Ocidental, Jean-François Revel, que anteriormente oficiou no Ponto e, infelizmente, ilustrou a ideologia ocidentalista Americanocêntrica, escreve bastante pertinente: "É fácil entender que a eternidade o infinito do universo anunciada por Bruno poderia ter tido, sobre os homens cultos da época, o efeito traumatizante da passagem da vida no útero para o projeto vasto e cruel de um vortex frígido e sem limites”.

O medo "mágico", a angústia causada pelo colapso da certeza reconfortante do geocentrismo, causou a morte cruel de Bruno, que se tornaria, no total, uma apoteose terrível. . . Nada poderia refutar o heliocentrismo, ou a teoria da infinitude dos espaços siderais. Pascal dizia, em resignação, com o acento de arrependimento: "O silêncio eterno desses espaços infinitos me assusta."

Do Logos Teocrático à Razão Fixa

Para substituir o pensamento mágico de "logos teocrático," o crescente e triunfante pensamento burguês, seria elaborado um pensamento centrado na razão, uma razão abstrata perante a qual é necessário se curvar, como as pessoas do Oriente Próximo se curvam diante de seu deus. O aluno "burguês" desta “razão mesquinha", virtuoso e calculista, ansiosos para suprimir os impulsos de sua alma ou do seu espírito, encontra assim uma finitude confortável, um espaço fechado e seguro. O racionalismo deste tipo virtuoso humano não é o aventureiro, audacioso, ascético e criativo descrito por Max Weber, o qual educa o homem interior, precisamente para enfrentar a infinitude afirmada por Giordano Bruno. 

A partir do final da Renascença, Duas Modernidades são justapostas

O racionalismo mesquinho denunciado por Sombart domina as cidades por rigidificarem o pensamento político, restringindo construtivos impulsos ativistas. O genuíno racionalismo Faustiano e conquistador descrito por Max Weber, impulsionaria a humanidade europeia para fora dos seus limites territoriais iniciais, dando o impulso principal para todas as ciências do concreto.

A partir do final da Renascença, assim descobrimos, por um lado, uma modernidade rígida e moralista, sem vitalidade, e, por outro lado, uma modernidade aventureira, conquistadora e criativa, assim como estamos hoje no limiar de uma pós-modernidade suave ou de uma pós-modernidade vibrante, auto-confiante e potencialmente inovadora. Ao reconhecer a ambiguidade dos termos "racionalismo", "racionalidade", "modernidade" e "pós-modernidade", entramos em um nível de domínio das ideologias políticas, até mesmo um militante Weltanschauungen.

A racionalização saturada com arrogância moral descrita por Sombart em seu famoso retrato do "burguês", gera os messianismos moles e sentimentais das grandes narrativas tranquilizantes das ideologias contemporâneas. A racionalização conquistadora descrita por Max Weber provoca as grandes descobertas científicas e o espírito metódico, o refinamento engenhoso da conduta de vida e crescente domínio do mundo externo.

Esta racionalização conquistadora também tem seu lado negativo: Desencanta, drena e esquematiza excessivamente o mundo. Embora especializados em um ou outro domínio da tecnologia, a ciência, ou o espírito, sendo totalmente investidos ali, os "Faustianos" da Europa e América do Norte muitas vezes levam a um nivelamento de valores, um relativismo que tende a mediocridade porque nos faz perder o sentimento do sublime, da mística telúrica, e isola cada vez mais os indivíduos. No nosso século, a racionalidade elogiada por Weber, se positiva no início, entrou em colapso com um americanismo quantitativista e mecanizado que instintivamente levou como forma de compensação, para o suplemento espiritual do charlatanismo religioso combinando o proselitismo mais delirante e a religiosidade lamurienta.

Esse é o destino do "faustinianismo" quando cortado dos seus fundamentos míticos, das suas mais antigas memórias, de seu solo mais profundo e fértil. Este rompimento é sem dúvida o resultado da pseudomorfose, o enxerto "mágico" no tronco Fausto / europeu, um enxerto que falhou. O "Magismo" não poderia imobilizar a unidade perpétua Faustiana; para isso, deve-se - e isso é mais perigoso – cortá-la de seus mitos e de sua memória, condená-la a esterilidade e dessecação, como observado por Valéry, Rilke, Duhamel, Céline, Drieu, Morand , Maurois, Heidegger, ou Abellio.

Racionalidade Conquistadora, Racionalidade Moralizante, Dialética do Iluminismo, as "Grandes Narrativas" de Lyotard

A racionalidade conquistadora, se arrancada de seus mitos fundadores, da sua base étnico-identitária, da sua matriz indo-europeia, cai - depois de ataques impetuosos, inertes, vazios - nas armadilhas de um racionalismo mesquinho e na ideologia imatura das "grandes narrativas" do racionalismo e do fim da ideologia. Para Jean-François Lyotard, a "modernidade" na Europa é essencialmente a "Grande Narrativa" do Iluminismo, na qual os heróis do conhecimento trabalham pacificamente e moralmente para alcançarem um final ético-político feliz: a paz universal, onde não haveria nenhum antagonismo. A "modernidade" de Lyotard corresponde à famosa "Dialética do Iluminismo" de Horkheimer e Adorno, os líderes da famosa "Escola de Frankfurt". Na visão deles, a ação do político ou o trabalho do homem de ciência, deve ser submetido a uma razão racional, um corpo ético, uma autoridade moral fixa e imutável, a uma catequese que retarda a sua unidade, que limita o seu ardor Faustiano. Para Lyotard, o fim da modernidade, portanto, o advento da "pós-modernidade", é a incredulidade - progressiva, astuta, fatalista, irônica, zombeteira - em relação a esta metanarrativa.

Incredulidade também significa um possível retorno do dionisíaco, o irracional, o carnal, o turvo, e áreas desconcertantes da alma humana reveladas por Bataille ou Caillois, tal como previsto e esperado pelo professor Maffesoli, da Universidade de Estrasburgo, e pelo alemão Bergfleth, um jovem filósofo não-conformista; ou seja, é possível que vejamos um retorno do espírito fáustico, um espírito comparável com o qual nos legou o gótico ardente, de uma racionalidade conquistadora que tem sido reconectada com a velha e dinâmica mitologia européia, como Guillaume Faye explica em Europa e Modernidade.



 A Metanarrativa Encistada. . .

Uma vez que a metanarrativa Iluminista foi estabelecida - "encistada"- na mente ocidental, as grandes ideologias seculares progressivamente apareceram: o liberalismo, com sua idolatria da "mão invisível", e do Marxismo, com seu forte determinismo e metafísica da história, contestada no alvorecer do século 20 por Georges Sorel, a figura mais sublime do socialismo militante europeu. Após Giorgio Locchi, quem ocasionalmente chama a metanarrativa de "ideologia" ou "ciência" - pensamos que este complexo "metanarrativa / ideologia / ciência” não há mais regras por consenso, mas por constrangimento, na medida em que há uma resistência muda (especialmente na arte e na música) ou um desuso geral da metanarrativa como uma das ferramentas de legitimação.

A metanarrativa liberal-iluminista persiste por golpe de força e propaganda. Mas na esfera do pensamento, poesia, música, arte, ou letras, esta metanarrativa não diz e nem inspira nada. Ela não impulsionou uma grande mente por 100 ou 150 anos. Já no final do século 19, o modernismo literário expressou uma diversidade de línguas, uma heterogeneidade de elementos, uma espécie de caos desordenado que o "fisiologista" Nietzsche analisou e que Hugo von Hoffmannstahl chamou de “die Welt der Bezuge” (o mundo das relações).

Estas inter-relações e sobredeterminações onipresentes nos mostram que o mundo não é explicado por uma história simples, limpa e arrumada, nem submete-se à regra de uma autoridade moral desencarnada. Melhor: eles nos mostram que as nossas cidades, nosso povo, não podem expressar todas as suas potencialidades vitais no âmbito de uma ideologia determinada e instituída uma vez para tudo e para todos, nem podemos indefinidamente preservar a instituições resultantes (o corpo doutrinário derivado da "metanarrativa do Iluminismo ").

A presença anacrônica da metanarrativa constitui um freio sobre o desenvolvimento do nosso continente em todas as áreas: ciência (informática e biotecnologia), economia (o apoio dos dogmas liberais dentro da CEE), militares (o fetichismo de um mundo bipolar e servilismo em relação aos Estados Unidos, paradoxalmente um inimigo econômica), cultural (a mídia concussiva afavor de um cosmopolitismo que elimina a especificidade Faustiana e visa o advento de uma grande aldeia de convívio global, executa os princípios da "sociedade fria" à maneira dos queridos Bororos para Lévi-Strauss).

A Rejeição do Neo-Ruralismo, Neo Pastoralismo...

A desordem confusa do modernismo literário no final do século 19 teve um aspecto positivo: o seu papel era para ser o magma que, gradualmente, torna-se o criador de uma nova luta Faustiana. É Weimar a arena do criativo e fértil confronto do expressionismo, neo-marxismo, e a "revolução conservadora" - que nos legou, com Ernst Jünger, uma idéia de modernidade "pós-metanarrativa" (ou pós-modernidade, se chama "modernidade" da Dialética do Iluminismo, posteriormente teorizada pela Escola de Frankfurt). O modernismo, com a confusão que inaugurou, devido ao progressivo abandono da pseudo-ciência do Iluminismo, corresponde um pouco com o niilismo observado por Nietzsche. Niilismo deve ser superado, ultrapassado, mas não por um retorno sentimental, então negado, por um passado completo. O niilismo não é superado pela Wagnerismo teatral, fulminado por Nietzsche, tal como hoje o naufrágio da "Grande Narrativa" marxista não é superado por um pseudo-rústica neoprimitivismo.

Em Jünger- o Jünger do Tempestades de Aço, O Trabalhador, e Eumeswil – não se encontra referência alguma sobre o misticismo do solo: apenas uma admiração sóbria pela perenidade do camponês, indiferente a perturbações históricas. Jünger nos diz da necessidade de equilíbrio: se houver uma recusa total do rural, do solo, da dimensão estabilizadora da Heimat, o futurismo construtivista Faustiano já não terá uma base, um ponto de partida, uma opção reserva. Por outro lado, se é dada muita ênfase na base inicial, no ponto de lançamento, sobre o nicho ecológico que dá origem ao povo Faustiano, então eles estão envoltos em um casulo e privados de influência universal, prestados cegos para a chamada do mundo, impedidos de saltarem para a realidade em toda sua plenitude, o "exótico" incluído. O regresso tímido à pátria priva o faustinianismo de sua força de difusão e relega seus "vasos humanos" para o nível dos "eternos camponeses a-históricos" descrito por Spengler e Eliade. O equilíbrio consiste em desenhar internamente (a partir das profundezas do solo original) e difundir externamente(em relação ao mundo exterior).

Apesar de toda nostalgia para o "orgânico", rural, ou pastoral –apesar do sereno, idílico e da beleza estética que recomendam Horace ou Virgil - Tecnologia e Trabalho são a partir de agora as essências do nosso mundo pós-niilista. Nada escapa por muito tempo da tecnologia, tecnicidade, mecânica, ou da máquina: nem o camponês que ara com o seu tractor, nem o padre que conecta um microfone para dar mais impacto para sua homilia.


A Era da “Tecnologia”

A tecnologia mobiliza totalmente (Total Mobilmachung) e impulsiona o indivíduo para uma infinitude inquietante, em que nós não somos nada mais que engrenagens intercambiáveis. A metralhadora, nota o guerreiro Jünger, dizima o bravo e o covarde com uma igualdade perfeita, como no total material de guerra inaugurado em 1917 em batalhas de tanques da Frente francesa. O “Ego” Faustiano perde sua introversão e se afoga em um vórtice incessante de atividade. Este Ego, tendo modelado o rendilhado de pedra e pináculos do Gótico exuberante, caiu no quantitativismo Americano, ou, confuso e hesitante, adotou as inundações de informações do século XX, sua avalanche de fatos concretos. Isso foi nosso niilismo, nossa indecisão congelada, devido à um subjetivismo exacerbado, que nos mira na bagunça enlameada dos fatos.

 Cruzando a “linha”, como Heidegger e Jünger dizem, a mônada Faustiana (sobre o quê Leibniz falou) cancela seu subjetivismo e encontra o puro poder, puro dinamismo, no universo da Tecnologia. Com a chegada Jüngeriana, o círculo é fechado de novo: como o universo fechado da “magia” foi substituído pelo pequeno e não-autêntico mundo da burguesia – sedentário, tímido, embalsamado na esfera utilitária – assim o dinâmico “Faustiano” universo é substituído com uma arena Tecnológica, despojando esse tempo de subjetivismo.

A Tecnologia Jüngeriana varre a falsa modernidade da metanarrativa Iluminada, a hesitação modernismo literário do fim do século XIX, e a trompe l’oeil do wagnerismo e do neopastoralismo. Mas essa modernidade Jüngeriana, perpetuamente mal entendida desde a publicação do Der Arbeiter (O Trabalhador) em 1932, permanece como uma escritura morta.

O Babbitt com o paradoxo Sartreano

Em 1945, o tom do debate tecnológico foi estabelecido pelas ideologias vitoriosas. Nóspoderíamos escolher o liberalismo Americano (a ideologia do Sr. Babbitt) ou o Marxismo, uma alegada versão burguesa da metanarrativa. A Grande Narrativa assumiu responsabilidade, caçou qualquer filósofo ou movimento “irracionalista”, manteve uma polícia do pensamento, e, finalmente, brandindo o bicho-papão do feroz barbarismo, inaugurou uma área completamente vazia.

Sartre e seu elegante existencialismo parisiense deve ser analisado na luz da sua restauração. Sartre, crente no seu “ateísmo”, sua recusa em privilegiar um valor, não acreditou nas fundações do liberalismo ou Marxismo. Por fim, ele não estabeleceu a metanarrativa (na sua versão mais recente, o Marxismo vulgar dos partidos Comunistas) como uma verdade, mas como um “inevitável” imperativo categórico, pelo qual se deve militar caso não se quer ser um “bastardo”, i.e., um desses desprezíveis seres que veneram “ordens petrificadas” Isso é o paradoxo por inteiro do sartreanismo: por um lado, nos estimula não adorar “ordens petrificadas”, o quê é propriamente faustiano, e, por outro lado, nos determina “magicamente” a adorar uma “ordem petrificada” do Marxismo vulgar, já derrubada por Sombart e De Man. Portanto, pelos anos cinqüenta, a idade dourada do sartreanismo, o consenso é de fato um constrangimento, uma obrigação ditada pelo pensamento cada vez mais midiatizado. Mas um consenso alcançado pelo consentimento, pela obrigação de acreditar sem discussão, não é um consenso eterno. Por isso, o contemporâneo esquecimento do sartreanismo, com seus excessos e exageros.

O Anti-Humanismo Revolucionário de Maio de 1968

Com o Maio de 68, o fenômeno de uma geração, “humanismo”, o atual rótulo da metanarrativa, foi agredido e destruído pelaas interpretações francesas de Nietzsche, Marx e Heidegger. No sulco da revolta estudantil, acadêmicos e popularizadores tanto proclamaram o humanismo uma ilusão “petite-bourgeois”. Contra o Ocidente, o navio geopolítico da metanarrativa Iluminista, os rebeldes de 68 alçados a montagem das barricadas, tomando lados, algumas vezes com um ingênuo romantismo, em toda luta dos anos 70: Vietnã espartana contra o imperialismo americano, guerrilhas latino-americanas (“Ché”), o separatismo basco, o patriotismo irlandês, ou os palestinos.

A irritabilidade faustiana, incapacitada de ser expressada por modelos autóctones, foi transposta para uma exótica: Ásia, Arábia, África, ou Índia. O Maio de 68, em si mesmo, pela sua fixação resoluta na Grande Política, pelo seu ethos de guerrilha, pela sua opção de luta, apesar de tudo tomou uma dimensão muito mais importante que os bloqueios tensos do sartreanismo ou a grande regressão do contemporâneo neo-liberalismo. Na direita, Jean Cau, escrevendo seu maravilhoso livro sobre Che Guevara, entendeu essa questão perfeitamente, considerando que a direita, a qual é fixada em seus dogmas e memórias da esquerda, não queria ver.

Com a geração de 68 – combativa e politizada, consciente das grandes questões geopolíticas e econômicas do planeta – os último fogos históricos queimaram no espírito público francês antes do grande surgimento da pós-história e pós-política representadas pelo narcisismo do neoliberalismo contemporâneo.

A tradução dos escritos da “Escola de Frankfurt” anunciam o Advento do Neo-Liberalismo Narcisista

A primeira fase do ataque neo-liberal contra o anti-humanismo político do Maio de 68 foi a redescoberta dos escritos da Escola de Frankfurt: nascida na Alemanha, antes da chegada do Nacional Socialismo, amadureceu durante o exílio da California de Adorno, Horkheimer, e Marcuse, e estabeleceu-se como um objeto de veneração na Alemanha Ocidental do pós-guerra. Em Dialektik der Aufklärung, um pequeno e conciso livro que é fundamental para entender a dinâmica do nosso tempo, Horkheimer e Adorno clamam que há duas “razões” no pensamento Ocidental que, no sulco de Spengler e Sombart, somos tentados a nomear “razão faustiana” e “razão mágica”. O molde, para os dois antigos exílios na Califórnia, é o pólo negativo da “razão complexa” na civilização Ocidental: essa razão é puramente “instrumental”; é usada para acrescentar o poder pessoal daqueles que utilizam. É razão científica, a razão que doma as forças do universo e coloca nas mãos de um líder ou de um povo, um partido ou um Estado. Com isso, de acordo com Herbert Marcuse, é de Prometeu, não Narcisista/órfico. Para Horkheimer, Adorno, e Marcuse, esse é o tipo de racionalidade que Max Weber teorizou.

Por outro lado, a “razão mágica”, de acordo com a terminologia genealógica de Spengler, é, amplamente falada, a razão da metanarrativa de Lyotard. É uma autoridade moral que dita uma conduta ética, alérgica à uma expressão de poder, e assim a qualquer manifestação da essência da política. Na França, a redescoberta da teoria da razão de Horkheimer-Adorno próximo do fim dos anos 1970 inaugurou a era da despolitização, a qual, substituindo disconexão generalizada por história concreta e tangível, deu-se para a “era do vazio” descrita tão bem pelo professor de Grenoble Gilles Lipovetsky. Segundo a efervescência militante do Maio de 68, chegou uma geração a qual atitudes mentais são caracterizadas justamente por Lipovetsky como apatia, indiferença (também para a metanarrativa na sua forma crua), abandono (dos partidos políticos, especialmente do Partido Comunista), dessindicalização, narcisismo, etc. Para Lipovetsky, essa resignação e abdicação generalizada constitui uma oportunidade de ouro. Essa é a garantia, ele fala, que a violência irá recuar, portanto nenhuma “totalitarismo”, vermelho, preto, ou marrom, será possível de ganhar poder. Essa fácil mudança fisiológica, unida à uma indiferença narcisista, constitui a idade “pós-moderna”.

Há Várias Definições Possíveis de “Pós-Modernidade”

Por outro lado, se nós compreendemos – contrário ao costume de Lipovetsky – “modernidade” ou “modernismo” como expressões da metanarrativa, assim como quebra a energia faustiana, a pós-modernidade irá necessariamente ser um retorno para a política, uma rejeição de criacionismo para-normal e suspeita anti-política que emergiu depois do Maio de 68, no sulco de especulações na “razão instrumental” e “razão objetiva” descritas por Horkheimer e Adorno.

A complexidade da situação “pós-moderna” fez ser impossível dar uma única definição de “pós-modernidade” que possa ser exclusiva. No limiar do século XXI, várias pós-modernidades se tornam incultas, lado a lado, diversos modelos sociais pós-modernos potenciais, cada uma com base em valores fundamentalmente antagônicos, preparados para o confronto. Essas pós-modernidades diferem – na linguagem ou no seu ‘estilo’ – das ideologias que as procedem; elas são, não obstante, unidas com os eternos, antiqüíssimos, valores que permanecem sobre elas. Conforme a política entra na esfera histórica pelas confrontações binárias, confrontos de clãs opostos e a exclusão das minorias, ousam evocar a dicotomia possível do futuro: uma pós-modernidade neo-liberal Ocidental Americana contra uma brilhante pós-modernidade faustiana e nietzscheana.

A “Geração da Moral” & a “Era do Vazio”

Essa pós-modernidade neo-liberal foi triunfantemente proclamada, com delírio messiânico, por Laurent Joffrin em sua imposição da revolta dos estudantes de Dezembro de 1986 (Un coup de jeune [Um golpe da Juventude], Arlea, 1987). Para Joffrin, quem previu a morte da extrema esquerda, do proletarianismo militante, o Dezembro de 86 é o precursor de uma “geração da moral”, combinada em uma mentalidade levemente de esquerda, coletivismo de preguiça cultural, e egoísmo neo-liberal, narcisista, e pós-político: o modelo social dessa sociedade hedonista centrada na praxis comercial, que Lipovetsky descreveu como a Era do Vácuo. Um vazio político, um vazio intelectual, e um deserto pós-histórico: essas são as características do espaço bloqueado, o horizonte fechado característico do neo-liberalismo contemporâneo. A pós-modernidade constitui um impedimento preocupante para a grande Europa que deve emergir assim que tenhamos um futuro viável e preso a lenta decadência anunciada pelo desemprego massivo e pelas demografias declinantes que espalham devastação sob a luz abatida das ilusões consumistas, a grande mentira dos anunciantes, e os sinais de néon que louvam os méritos de uma fotocopiadora japonesa ou de uma linha aérea americana.

Por outro lado, a pós-modernidade que rejeita e velha metanarrativa anti-política do Iluminismo, com suas metamorfoses e metástases; que afirma a audácia de um Nietzsche ou de um ideal metálica de um Jünger; que cruza a “linha”, como Heidegger estimula, deixando para trás o dandismo estéril de tempos niilístas; a pós-modernidade que reune o aventuroso, para um programa político ousado concretamente implica a rejeição dos blocos de poder existentes, a construção de uma economia autárquica e Eurocêntrica, enquanto luta selvagemente e sem concessões contra todos estilos antigos de religiões e ideologias, desenvolvendo o eixo principal de uma diplomacia independente de Washington; a pós-modernidade que carregará voluntariamente seu programa e negar as negações da pós-história – essa pós-modernidade terá nossa total adesão.

 Nesse breve ensaio, eu gostaria de provar que há uma continuidade na confrontação das mentalidades “faustiana” e “mágica”, e que essa continuidade antagônica é refletida no debate decorrente da pós-modernidade. O Ocidente centro-americano é o realce do “magismo”, com o seu cosmopolitismo e facções autoritárias. A Europa, a herdeira do faustianismo muito abusado pelo pensamento “mágico”, reafirmar-se-á a si mesma com uma pós-modernidade que recapitulará os temas inexpressivos, recorrentes mas sempre novos, do intrínseco faustianismo para a alma Européia.

sábado, 3 de março de 2012

Jung e a Gnose

por Stephen Hoeller



Desde o princípio de sua carreira psicanalítica até a morte, Jung manteve um vivo interesse e uma profunda simpatia pelos gnósticos. Já em 12 de agosto de 1912, Jung escreveu uma carta a Freud a respeito dos gnósticos, na qual qualificou a concepção gnóstica de "Sofia" de reaproveitamento de uma antiga sabedoria, que poderia aparecer uma vez mais na moderna psicanálise. Não lhe faltava literatura capaz de estimular seu interesse pelos gnósticos, porque os eruditos do século XIX na Alemanha (embora quase que em nenhum outro país) devotavam-se diligentemente aos estudos gnósticos. Todos os biógrafos de Jung mencionaram seu profundo interesse por tais assuntos. Uma das declarações mais reveladoras a esse respeito é citada por uma de suas ex-colaboradoras, Bárbara Hannah, que lhe reproduz as palavras sobre os gnósticos: "Senti como se finalmente tivesse um círculo de amigos que me entendessem". A mesma biógrafa também ressalta que Jung desenvolveu um interesse por Schopenhauer, justamente porque o grande filósofo alemão lembrava-lhe os gnósticos e a ênfase que colocavam no aspecto do sofrimento do mundo; além disso, ele aprovava de todo o coração o fato de Schopenhauer "não falar nem da providência onisciente e todo-misericordiosa de um Criador, nem da harmonia do cosmo", mas ter afirmado abertamente "...que uma falha fundamental subjazia ao triste curso da história humana e à crueldade da natureza: a cegueira da Vontade criadora do mundo..."

Que essas são afirmações completamente gnósticas não é preciso dizer. Como seu interesse por Schopenhauer remonta à infância, podemos considerar Jung, sob muitos aspectos, como um gnóstico "natural", possuidor de uma postura gnóstica mesmo antes de familiarizar-se com alguns dos ensinamentos do gnosticismo. Apesar de Jung ter tido acesso a certo volume de literatura poética e erudita bem cedo na vida, ele não contou com quase nenhum material de natureza gnóstica procedente de fontes originais à sua disposição. Como muitos outros, para informar-se sobre os gnósticos, Jung teve de se basear nos relatos fragmentados e, sobretudo, deslealmente distorcidos dos padres da igreja anti-gnóstica, em particular Irineu e Hipólito. As pesadas engrenagens da erudição acadêmica apenas começavam, com extrema lentidão, e mesmo relutância, a dedicar-se aos três códices coptas Codex Agnew, Codex Bruce e Codex Askew, que na época mofavam em vários museus, esperando para serem traduzidos e publicados. Pode-se considerar algo miraculoso que Jung tenha sido capaz de obter tanta compreensão e extrair tanta informação valiosa, favorável ao gnosticismo, das polêmicas dos padres caçadores de hereges da Igreja. A contribuição de Jung aos estudos gnósticos em geral e a uma esclarecida interpretação contemporânea do gnosticismo em particular é pouco menos que notável em alcance e importância. É lamentável que essa contribuição não seja ainda apreciada por um número crescente de especialistas em gnosticismo, dentro do campo de estudos bíblicos, embora isso não seja particularmente surpreendente, em vista do fato de que a maioria desses eruditos provém de escolas de teologia e de religião com tendências ortodoxas. Além disso, muitos deles carecem por completo de qualquer apreciação séria da psicologia, especialmente do tipo de psicologia que Jung proclamou. A falta de atenção e respeito é ainda mais inacreditável, considerando-se que a influência de Jung consiste praticamente na única responsável pelo projeto vital de publicação do maior acervo de escritos gnósticos originais descobertos na história: a Biblioteca de Nag Hammadi.

Os gnósticos foram prolíficos escritores da tradição sacra. Seus inimigos observaram com desaprovação que os seguidores do instrutor gnóstico, Valentino, costumavam escrever um novo evangelho a cada dia, e que nenhum deles era muito estimado, a menos que desse uma nova contribuição à sua literatura. Entretanto, de toda essa profusão de textos, muito pouco sobreviveu, devido à incansável supressão e destruição da literatura gnóstica a que se dedicaram os queimadores de livros e caçadores de hereges da Igreja que, com o apoio do poder constituído, obtiveram predominância sobre os seus rivais. Durante muitos séculos não se soube da existência de nenhuma literatura gnóstica original. Foi somente nos séculos XVIII e XIX que viajantes, como o destemido e romântico escocês James Bruce, começaram a trazer para a Europa, do Egito e localidades vizinhas, fragmentos de papiros antigos contendo textos. Embora talvez escritos originariamente em grego, esses haviam sido traduzidos pelos escribas gnósticos para o copta, a língua popular do Egito helênico. Sendo realmente raros os eruditos coptas e demais pessoas interessadas em gnosticismo, a tradução desses textos procedeu-se muito lentamente. Então, um quase milagre aconteceu. Em dezembro de 1945, pouco após o término da II Guerra Mundial, um camponês egípcio encontrou uma coleção inteira de manuscritos gnósticos enquanto cavava para extrair fertilizantes na vizinhança de algumas cavernas, na caldeia montanhosa de Jabal al-Terif, próximo ao Nilo, no Alto Egito. Aparentemente, esses tesouros fizeram parte, em certa época, da biblioteca do vasto complexo fundado na região pelo pai do monasticismo cristão, o monge copta São Pacômio. 


Como seus predecessores, a descoberta de Nag Hammadi custou muito a se concretizar. Os métodos lentos dos acadêmicos foram, entretanto, bastante acelerados pela influência de um homem que não era nem erudito copta nem especialista bíblico, mas simplesmente um arqueólogo da alma humana. Esse homem era, é claro, Carl Jung. Ele se interessou pela descoberta de Nag Hammadi desde o princípio; foi um antigo amigo e colaborador de Jung, o professor Gilles Quispel, que tomou a iniciativa de traduzir e publicar os livros de Hag Hammadi. Em 10 de maio de 1952, embora a crise política e a dissensão acadêmica paralisassem todos os trabalhos relativos aos manuscritos, Quispel adquiriu um dos códices em Bruxelas, e desta porção da grande biblioteca realizou-se a maior parte das primeiras traduções, envergonhando assim a comunidade erudita, que se viu na contingência de apressar o trabalho longamente adiado. Esse documento - intitulado Jung Codex - foi apresentado ao Instituto Jung de Zurique por ocasião do octogésimo aniversário do Dr. Jung, tornando-se o primeiro item da descoberta de Nag Hammadi a ser abertamente examinado por eruditos e leigos fora do turbulento ambiente não-cooperativo do Egito dos anos 50. O próprio professor Quispel declarou ter sido Jung uma peça-chave no despertar da atenção sobre os manuscritos e na publicação da valiosa coleção de Nag Hammadi.

Qual era a verdadeira visão de Jung a respeito do gnosticismo? Ao contrário da maioria dos eruditos até bem recentemente, ele jamais acreditou que se tratasse de uma heresia cristã dos séculos II e III. Também nunca deu importância às infindáveis disputas de especialistas a respeito das possíveis origens do gnosticismo: indiana, iraniana, grega e outras. Antes de qualquer outra autoridade no campo dos estudos sobre os gnósticos, Jung reconheceu-se por aquilo que eram: videntes que produziram criações originais e primordiais, a partir do mistério que ele chamou de inconsciente. Quando, em 1940, perguntaram-lhe se o gnosticismo era filosofia ou mitologia, ele respondeu com seriedade que os gnósticos lidavam com imagens reais e originais e não eram filósofos sincretistas, como muitos supunham. Jung reconheceu que imagens surgem ainda hoje nas experiências interiores das pessoas, ligadas à individualização da psique: nisso ele via evidência do fato de que os gnósticos expressavam imagens arquetípicas reais que, como se sabe, persistem e existem independentemente do tempo ou de circunstâncias históricas. Ele identificou no gnosticismo uma poderosa e absolutamente primordial e original expressão da mente humana, uma expressão dirigida para a mais profunda e importante tarefa da alma, ou seja, a obtenção de sua plenitude. Os gnósticos, como Jung os percebia, interessavam-se acima de tudo por uma coisa – a experiência da plenitude do Ser.

Considerando que isso incorporava seu interesse pessoal e também o objetivo de sua psicologia, é incontestável sua afinidade com os gnósticos e com sua sabedoria. Essa visão do gnosticismo não se confinou aos trabalhos psicológicos de Jung, e logo entrou no mundo dos estudos gnósticos por intermédio do supracitado colaborador, Gilles Quispel, que em seu importante trabalho Gnosis als Weltreligion (1951) apresentou a tese de que o gnosticismo não expressa nem uma filosofia nem uma heresia, mas uma experiência religiosa específica, que então se manifesta como mito e (ou) ritual. É de fato lamentável que, após mais de 25 anos da publicação desse trabalho, tão poucos tenham apreciado suas significativas implicações.

Em vista dessas considerações, pode-se compreensivelmente indagar: Jung era um gnóstico? Pessoas mal informadas responderam sim a essa pergunta, querendo dizer com isso que Jung não era nem um cientista respeitável nem um bom homem, de acordo com o significado religioso ortodoxo do termo. Em virtude do uso pejorativo da expressão "gnóstico", muitos dos seguidores de Jung, e ocasionalmente o próprio Jung, negaram que ele fosse um gnóstico. Um exemplo bem típico dessas evasivas foi a declaração de Gilles Quispel, segundo a qual "Jung não era um gnóstico no sentido comum do termo". Por outro lado, é muito duvidoso que jamais tenha havido um único gnóstico no sentido comum do termo.

O gnosticismo não constitui um conjunto de doutrinas, mas a expressão mitológica de uma experiência interior.

Em termos de psicologia junguiana, poderíamos dizer que os gnósticos deram expressão, em linguagem poética e mitológica, às suas experiências dentro do processo de individualização. Ao fazê-lo, eles produziram uma profusão do mais significativo material, contendo profundas percepções da estruturada psique, do conteúdo do inconsciente coletivo e da dinâmica do processo de individualização. Como o próprio Jung, os gnósticos não descreveram apenas os aspectos conscientes e pessoais inconscientes da psique humana, mas exploraram empiricamente o inconsciente coletivo e forneceram descrições das várias imagens e forças arquetípicas. Como afirmou Jung, os gnósticos foram muito mais bem sucedidos do que os cristãos ortodoxos na descoberta de expressões simbólicas adequadas do Ser, e essas expressões assemelham-se às formuladas por Jung. Embora Jung não tenha se identificado abertamente com o gnosticismo como escola religiosa (da mesma forma que não se identificou com nenhuma seita religiosa), pouca dúvida pode existir de que ele fez, mais do que qualquer outra pessoa, lançar luz sobre o impulso central das imagens e da prática simbólica gnósticas. Ele viu no gnosticismo uma expressão particularmente valiosa da luta universal do homem para readquirir a plenitude. Embora não fosse prático nem modesto que ele o dissesse, não há dúvida de que essa expressão gnóstica do anseio pela plenitude só foi reproduzida uma vez na história do Ocidente, e isso se deu no próprio sistema da psicologia analítica de Jung.

Que tipo de gnóstico era Jung? Certamente, não um seguidor literal de nenhum dos antigos mestres da Gnose, o que teria sido um empreendimento impossível, diante da insuficiência de informações detalhadas a respeito desses e de seus ensinamentos. Por outro lado, como os gnósticos do passado, ele formulou pelo menos os rudimentos de um sistema de transformações ou individualização, que se baseava não na fé, numa fonte exterior (seja Jesus ou Valentino), mas na experiência interior natural da alma, que sempre representou a fonte de toda verdadeira Gnose.

A definição léxica de gnóstico é conhecedor, e não seguidor de alguém que pode ser um conhecedor.

Jung sem dúvida era um conhecedor, se é que já houve algum. Negar que ele era um gnóstico nesse sentido equivaleria à negação de todos os dados reconhecidos sobre sua vida e seu trabalho. A mais provável indicação desse caráter, especificamente da linha seguida por Jung, no entanto, não é outra senão o tratado intitulado Sete Sermões aos Mortos, o qual, segundo admitem proeminentes Junguianos, constituía a fonte e a origem de seu trabalho posterior. Quem, a não ser um gnóstico, escreveria ou poderia escrever uma obra como esses sermões? Quem optaria por revestir suas revelações arquetípicas pessoais, que formam o esqueleto do trabalho de sua vida, com a terminologia e o estilo mitológico da Gnose Alexandrina? Quem preferiria eleger Basílides, em vez de qualquer outro vulto, como autor dos Sermões? Quem usaria com versada compreensão e finesse termos como Pleroma e Abraxas para simbolizar estados psicológicos altamente abstratos? Há apenas uma resposta para essas perguntas: somente um gnóstico faria essas coisas. Como Carl Jung realizou tudo isso e muito mais, podemos considerá-lo gnóstico, tanto no sentido geral de um verdadeiro conhecedor das mais profundas realidades do ser psíquico como no sentido mais estrito de moderno restaurador do gnosticismo dos primeiros séculos da era cristã.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A Filosofia Juche é uma Filosofia Revolucionária Original

Discurso publicado em Kulloja, Revista Teórica do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coréia

26 de Julho de 1996

KIM JONG IL

Uma opinião tem recentemente sido erguida que alguns dos nossos cientistas expressou uma visão errada e contrária à idéia do nosso Partido, ao explicar a filosofia Juche, e que esse ponto de vista tem sido disseminado no exterior.

Esses cientistas sociais ainda tentam explicar os princípios básicos da filosofia Juche do ponto de vista da lei geral do desenvolvimento do mundo material, ao invés de explicá-la de forma a esclarecer a lei do movimento social. Os proponentes dessa visão dizem que seu argumento é imparcial em dizer que a filosofia Juche é um desenvolvimento novo também da dialética marxista materialista. Ao explicar e propagar a filosofia Juche não precisamos convencer pessoas de que a filosofia Juche é um novo desenvolvimento da dialética marxista materialista. É verdade que nosso partido não tinha uma aproximação às dialéticas marxistas, mas analisado do ponto de vista Juche e tendo dado novas explanações a um número de problemas. Entretanto, alguns desenvolvimentos do materialismo e da dialética não constituem o conteúdo básico da filosofia Juche.

A filosofia Juche é uma filosofia original que foi envolvida e sistematizada com seus próprios princípios. A contribuição histórica feita pela filosofia Juche ao desenvolvimento dos pensamentos filosóficos não está no avanço da dialética materialista marxista, mas no esclarecimento de novos princípios filosóficos centrados no homem.

A filosofia marxista trouxe a relação entre o material e o consciente, entre ser e pensar, como a questão fundamental da filosofia e provou a primazia do material, a primazia do ser, em seu fundamento, elucidou que o mundo é feito de matéria e mudou e desenvolveu pelo movimento materialista. A filosofia Juche ergueu a relação entre o mundo e o homem, e a posição e a função do homem, como a questão fundamental da filosofia, esclarecendo o princípio filosófico de que o homem é o maior de todas as coisas e de que ele decide tudo e, nessa base, iluminou absolutamente o meio certo de dominar o destino humano. A filosofia marxista levantou como sua maior meta o esclarecimento da essência do mundo material e a lei geral do movimento, enquanto que a filosofia Juche tem como importante meta a elucidação das características essenciais do homem e a lei do movimento social, movimento do homem. Portanto, a filosofia Juche é uma filosofia original que é fundamentalmente diferente da filosofia anterior, em meta e princípios. Esso é o porque não deveríamos entender a filosofia Juche como uma filosofia que desenvolveu dialéticas materialistas, nem deveria nos tentar provar a originalidade e as vantagens da filosofia Juche argumentando de um jeito ou de outro sobre a essência do mundo material e da lei geral do seu impulso que seria esclarecido pela filosofia marxista. Não se pode explicar a filosofia Juche no quadro da filosofia anterior porque é uma filosofia que esclareceu novos princípios filosóficos. Se você tentar, você não apenas irá falhar em provar a originalidade da filosofia Juche, mas também a tornará obscura, e falhará em compreender a essência da filosofia Juche corretamente.

Tendo definido as qualidades essenciais do homem dos primeiros tempos da história, a filosofia Juche tornou o homem o mais qualificado e mais poderoso ser do mundo e adiantou uma nova idéia no mundo de que o mundo é dominado e transformado pelo homem.

O novo panorama no mundo estabelecido pela filosofia Juche não nega o panorama do mundo do materialismo dialético. A filosofia Juche considera o panorama do mundo dialético como sua premissa. O ponto de vista da filosofia Juche de que o mundo é dominado e transformado pelo homem é inconcebível separadamente da compreensão da dialética materialista da essência do objetivo mundo material e a lei geral do seu movimento. Do ponto de vista idealista de que o mundo é misterioso não se pode extrair a conclusão de que o homem domina o mundo, e do ponto de vista metafísico de que o mundo é imutável não se pode inferir que o homem pode transformar o mundo. O ponto de vista em relação ao mundo de Juche de que o mundo é dominado e transformado pelo homem pode somente ser estabelecido quando se der a compreensão da dialética materialista de que o mundo é feito de matéria e que incessantemente as mudanças e os desenvolvimentos são reconhecidos. Apesar de um número de limitações e imaturidades das dialéticas materialistas marxistas, seus princípios básicos são científicos e válidos. É por isso que dizemos que a filosofia Juche considera as dialéticas materialistas como premissa.

Que o panorama do mundo das dialéticas materialistas é premissa para a filosofia Juche não significa que a filosofia Juche tem meramente herdado e desenvolvido as dialéticas materialistas. Embora seja impossível adquirir uma compreensão científica do mundo e transformá-lo sem a compreensão da dialética materialista do mundo real material, não se pode extrair a conclusão de que o homem é o dominador do mundo e toma um papel decisivo em transformar o mundo simplesmente de sua proposição do materialismo de que o mundo é feito de matéria, e dos princípios dialéticos de que o mundo incessantemente desenvolve e muda. Somente na base do esclarecimento das qualidades essenciais do homem que distinguem o homem radicalmente de todos os outros seres materiais pode o bem conhecido homem se posicionar e tomar partido como um dominador do mundo capaz de transformar o mundo. Somente na base das qualidades essenciais do homem como um ser social com independência, criatividade, e consciência, como cientificamente esclarecido pela filosofia Juche, tem o princípio básico de que o homem é o dominador do mundo e possui papel decisivo na transformação do mundo.

Estabelecendo o panorama Juche em história social, a visão Juche da história, na base do princípio filosófico centrado no homem, a filosofia Juche tem superado as limitações da precedente visão sócio-histórica, e efetuou uma radical mudança na visão e no ponto de vista sócio-históricos.

A filosofia marxista estabeleceu a visão sócio-histórica do materialismo dialético, materialismo histórico, através da aplicação da lei geral do desenvolvimento do mundo material à história social. Claro, nós não negamos o mérito histórico do materialismo histórico. O materialismo histórico fez uma importante contribuição em derrotar a visão reacionária e não-científica, que foi baseada no idealismo e na metafísica. Acrescentando, desde que o homem vive no mundo e na sociedade reais materiais é totalmente ligado á natureza, a lei geral do desenvolvimento dos atos do mundo material no fenômeno social. Entretanto, se negligenciar o movimento social sendo governado por sua própria lei e aplicar a lei geral do desenvolvimento do mundo material mecanicamente ao fenômeno social, não se pode evitar de adquirir uma compreensão unilateral da história social.

O movimento social muda e desenvolve de acordo com sua própria lei.

O movimento social é o movimento do homem que domina e transforma o mundo. O homem transforma a natureza para dominar e transformar o mundo real material. Transformando a natureza o homem cria riqueza material e condições de vida material. Transformar a natureza e criar riquezas materiais é o empenho para satisfazer as demandas sociais das pessoas, e isso pode somente ser feito através da cooperação social das pessoas. As pessoas transformam a sociedade para melhorar e aperfeiçoar as relações da cooperação social. É o homem quem transforma tanto a natureza quanto a sociedade. Enquanto transforma a natureza e a sociedade, o homem transforma e desenvolve a si mesmo continuamente. A dominação e a transformação do mundo pelo homem são realizadas depois de toda transformação da natureza, sociedade, e a si mesmo, e as massas populares são a força motora dessa empresa. As massas populares criam toda riqueza material e cultural da sociedade, e desenvolve relações sociais.

O movimento social, a força guiadora da qual é a massa popular, tem características que são diferentes daquelas do impulso natural. O impulso não-material toma lugar espontaneamente através da interação de elementos materiais que existem imparcialmente, enquanto que o movimento social é causado e desenvolvido pela ação volitiva e comanda a força guiadora. Portanto, se aplicar os princípios da dialética materialista que explicam a lei geral do desenvolvimento do mundo material mecanicamente à histórica social, não se pode esclarecer corretamente a essência da sociedade e a lei do movimento social. A maior limitação da concepção materialista da história é que é falha em corretamente expor a lei peculiar do movimento social e em explicar os princípios do movimento social, principalmente em base do caráter comum do impulso da natureza e do movimento social em que em ambos são impulsos de matéria.

A concepção materialista marxista da história dividiu a sociedade em seres sociais e consciência social e atou, determinando significância ao ser social; isso também destrói a estrutura social em força produtiva e relações de produção, fundação e superestrutura, e ligou significância decisiva à produção material e relações econômicas. Isso significa uma aplicação não-alterada do princípio da dialética materialista à sociedade, o princípio de que o mundo é de material e muda e desenvolve de acordo com a lei geral do impulso material. O mundo, visto pelos fundadores do marxismo quando aplicada a lei geral governando o mundo material à história social, é uma integridade de não somente natureza, mas também homem e sociedade na qual eles são seres materiais. Se se considerar o homem como parte do mundo, uma integridade material, não como um ser social com independência, criatividade e consciência, e aplicar a lei geral do movimento do mundo material à história social, não se pode evitar de ver o movimento sócio-histórico como um processo da história da natureza.

É claro, a sociedade também muda e desenvolve de acordo com a determinada lei, não pelo desejo do homem. Mas a ação da lei na sociedade é fundamentalmente diferente daquela da lei da natureza. Na natureza, a lei funciona espontaneamente, independentemente da atividade do homem, mas na sociedade a lei funciona através das atividades independentes, criativas e conscientes, do homem. Algumas das leis da sociedade governam toda a sociedade em geral independente de sistemas sociais, e algumas delas governam uma sociedade em particular. Por causa de que todas as leis sociais funcionam pela atividade do homem, elas podem funcionar sem problemas ou suas ações serem restringidas ou limitadas dependendo da atividade do homem.

Quando eu digo que as leis sociais funcionam através da atividade do homem, não nego o caráter real das leis sociais e possível espontaneidade no movimento social. Se uma certa condição sócio-econômica é criada, uma lei social, correspondendo a funções inevitáveis e portanto assume um caráter imparcial como a lei da natureza faz. Espontaneidade no movimento social é devido ao nível relativamente baixo de independência, criatividade, e consciência, do homem, e a ausência do sistema social sob a qual o povo pode dispô-las por completo. Com o crescimento da independência, criatividade, e consciência, do homem, e com o estabelecimento do sistema social que garante uma total disposição dessas qualidades, o homem funcionará melhor em manter com as leis naturais, e a série de espontaneidades estreitará. O desenvolvimento social é o processo do desenvolvimento da independência, criatividade, e consciência, das massas. Com o crescimento dessas qualidades e com a consumação do sistema social capaz de encontrar seus requerimentos, a sociedade se desenvolverá mais e mais através das significativas e conscientes atividades das massas populares. Isso significa que a lei peculiar ao movimento social, que muda e desenvolve pela ação volitiva e comanda a força volitiva, funcionará em larga escala.

Embora os fundadores do marxismo estabeleceram o conceito de dialética materialista da história social aplicando a lei geral do desenvolvimento do mundo material à história social, eles vieram através de muitos problemas no movimento social prático, problemas que não poderiam ser resolvidos somente pela lei geral do desenvolvimento do mundo material. Então eles tentaram superar a unilateralidade do conceito da dialética materialista da história social, desenvolvendo algumas teorias, por exemplo, que apesar de que a consciência social emerge como reflexão das condições econômicas e materiais, reage nessas condições e que embora a política seja definida pela economia, reage na economia. Entretanto, o conceito materialista marxista da história é, em essência, uma visão da história social que considera o caráter comum do impulso da natureza e o movimento social como fator principal. Essa teoria foi incapaz de evitar a limitação de identificar o processo do desenvolvimento social com aquela da história natural.

A diferença fundamental entre a filosofia Juche e a filosofia anterior resulta, na análise final, em uma compreensão diferente do homem.

A filosofia marxista definiu a essência do homem como o conjunto de relações sociais, mas falhou em corretamente expor as características do homem como um ser social. A teoria anterior explicou o princípio do movimento social, principalmente na base da lei geral do desenvolvimento do mundo material, porque falhou em esclarecer as qualidades essenciais do homem social. Pela primeira vez, a filosofia Juche deu uma perfeita elucidação das qualidades únicas do homem como um ser social.

Como esclarecido nos documentos do nosso Partido, o homem é um ser social com independência, criatividade, e consciência, e ninguém expressou dúvidas quanto a isso. Entretanto, alguns cientistas sociais mantêm uma visão equivocada ao compreender como o homem se torna um ser social com essas qualidades. Considerando a questão das características sociais do homem como a questão do nível desse desenvolvimento como um ser material, eles ainda afirmam que a origem da independência, criatividade, e consciência, do homem deveria ser visto na diversidade dos componentes materiais e a complexidade da sua combinação e estrutura. Isso é, de fato, uma visão que considera as qualidades essenciais do homem como extensão dos atributos naturais e biológicos, como seu desenvolvimento e consumação. Quando falar sobreo homem como um organismo, pode-se considera-lo em comparação com outros organismos, ou discutir as características dos seus componentes biológicos e sua combinação e estrutura. Entretanto, o homem que é deliberado pela filosofia Juche não é somente um organismo altamente desenvolvido, mas também vive e trabalha sua independência, sua criatividade, e sua consciência, que nenhuma outra criatura tem adquirido. A origem das qualidades essenciais do homem não deve ser vista no desenvolvimento de suas características comuns com aqueles de outros seres materiais, mas nas características únicas a ele. O homem adquiriu independência, criatividade, e consciência, porque é um ser social que forma um coletivo social, e vive e trabalha em uma relação social. Essas qualidades do homem são atributos sociais que são formados e desenvolvidos pelo processo sócio-histórico de seu trabalho, na relação social. Claro, essas qualidades seriam inconcebíveis sem seu corpo orgânico altamente desenvolvido. No senso de seu corpo orgânico altamente desenvolvido, o homem pode ser dito como o mais alto produto da evolução e o ser material mais desenvolvido. Entretanto, se o homem não tem formado um coletivo social e não tem vivido e trabalhado em relação social, ele não pôde ter se desenvolvido como um ser independente, criativo, e consciente, não importa o quão desenvolvido seu corpo orgânico seja. Sem vida física o homem não pode ter integridade social e política. Entretanto, não é a vida física em si que dá nascimento á sua integridade social e política. Igualmente, sem seu corpo orgânico sua independência, criatividade, e consciência, seria inconcebível, mas suas características biológicas não produzem seus atributos sociais. Os atributos sociais do homem podem tomar corpo e desenvolver somente pelo seu processo de emergência e desenvolvimento como um ser social, em outras palavras, através do processo do desenvolvimento histórico de sua atividade social e sua relação social. A história do desenvolvimento social é a história do desenvolvimento da independência, criatividade, e consciência. Isso significa que a independência, criatividade, e consciência, são atributos sociais que são formados e desenvolvidos social e historicamente. Portanto, a consideração filosófica do homem deve começar no fato de que o homem é um ser social.

Não obstante, alguns dos nossos cientistas sociais argumentam sobre os componentes materiais e sua combinação e estrutura, e relacionam às qualidades essenciais do homem, pregando que os fatores biológicos constituem a maior parte da filosofia Juche. Seu argumento é um desvio que explica a filosofia Juche dentro do quadro dialético materialista marxista. É só na tentativa de justificar a visão evolucionária errada, que considera as qualidades essenciais do homem como o desenvolvimento e a consumação dos atributos biológicos.

Considerando as qualidades essenciais do homem, é importante ter uma compreensão correta do ser social. Os fundadores do marxismo, enquanto eleva-se a questão da essência do homem na relação social, usam a frase do ser social como um conceito, significando que as condições materiais e relações econômicas da vida social existem imparcialmente e são refletidas na consciência social. Desde que eles consideraram o homem como um componente de forças produtivas, como um conjunto de relações sociais, a frase do ser social que eles usaram implica ao homem bem. Entretanto, eles não usaram como tendo o significado particular que define as qualidades essenciais do homem.

Sistematizando a filosofia Juche, nós usamos o termo ser social como tendo um significado particular que define as qualidades essenciais do homem. Na teoria da filosofia Juche, o homem é o único ser social do mundo. Alguns cientistas sociais, entretanto, ainda insistem que a riqueza social e as relações sociais deveriam também ser incluídas no ser social, obscurecendo a diferença entre homem e riqueza social, e relações sociais. Riqueza social e relações sociais são criadas e desenvolvidas pelo homem. Portanto, elas não podem ser incluídas no conceito que define as qualidades essenciais do homem. Quando referindo-se à filosofia marxista, a frase ser social pode, claro, ser usada como fundadores do significado marxista. Mas, se compreendermos o termo ser social no seu significado convencional, quando referindo-se à filosofia Juche, resultará no obscurecimento da compreensão das qualidades essenciais do homem. A filosofia Juche é uma filosofia nova que tem seu próprio sistema e conteúdo, logo suas categorias não devem ser compreendidas no significado convencional.

Algumas das principais razões do porquê esses cientistas sociais cometeram um desvio ao explicar e propagar a filosofia Juche é que eles não estudaram os problemas filosóficos do ponto de vista do requesito da prática revolucionária.

A teoria deve ser baseada na prática e servir a prática. Uma teoria divorciada da prática não pode corretamente elucidar a verdade, e também é inútil. O grande líder e camarada Kim Il Sung sempre estudou os problemas filosóficos procedendo da demanda da prática revolucionária e envolveu a filosofia Juche no curso de dar respostas científicas aos urgentes problemas ideológicos e teóricos crescentes na prática revolucionária. Nosso Partido generalizou os ricos e profundas experiências de prática revolucionária, sistematizada a filosofia Juche em um meio compreensivo e desenvolvido em profundidade.

Prática revolucionária é uma luta a realizar independência para as massas populares e é massa quem faz parte da luta. Portanto, é importante no estudo da filosofia refletir as demandas e aspirações das massas populares corretamente, envolver a teoria generalizando suas experiências de luta e fazê-la a teoria das massas populares. Na sociedade exploradora a regra reacionária faz uso da filosofia para defender e racionalizar seu sistema de regra reacionária, tentando torna-la o monopólio da filosofia que age como porta-voz dos seus interesses. Eles consideram as massas populares pessoas ignorantes que não possuem nada em comum com a filosofia.

Com um ponto de vista e atitude de que as massas populares são os dominadores de tudo e as pessoas mais sábias, nosso Partido se envolveu na filosofia Juche, refletindo sua demanda e aspirações, e generalizando as experiências de luta, mais desenvolvida em profundidade e feita como instrumento de luta. Essa é a razão do porque a filosofia Juche é uma verdade absoluta que encontra o desejo do povo e aspirações à independência e uma filosofia popular que as massas facilmente compreendem e consideram como sua própria arma de luta.

Entretanto, alguns dos cientistas sociais estão argumentando sobre as questões que são de pouca significância prática em iluminar o caminho da formação do destino das massas populares. Nós estudamos filosofia essencialmente com o propósito de esclarecer os princípios e metodologia pela qual desenvolver a sociedade e guiar o destino das massas populares. O desenvolvimento da sociedade é guiado por políticos e não é outra senão a filosofia Juche que esclarece os princípios básicos da política que comandam o desenvolvimento social no caminho mais reto. Nesse sentido, a filosofia Juche pode ser chamada de filosofia política.

Alguns cientistas sociais dizem que eles têm explicado a filosofia Juche como uma filosofia que desenvolveu o materialismo dialético do marxismo para apresentar a idéia Juche servindo as características do mundo exterior. Devemos dar uma clara compreensão da filosofia Juche como uma nova filosofia revolucionária, não como mero desenvolvimento da filosofia anterior. É um erro explicar a filosofia Juche no quadro da filosofia anterior sobre os motivos que apresentou vestir a característica do mundo exterior ou disseminar a filosofia Juche com idéias que não estão de acordo com o princípio fundamental da filosofia Juche. Ainda mais, por que deveríamos argumentar sobre questões que não são de importância política e dificilmente de qualquer significado prático teórico, fechando olhos para a demanda da realidade na arena internacional, quando internacionalmente nós temos muitas questões teóricas e práticas que urgentemente esperam respostas corretas a serem dadas na base dos princípios da filosofia Juche? Ao apresentar a idéia Juche para o mundo exterior, nós devemos explicar corretamente em relação ao atual problema que a filosofia Juche é inteiramente original e uma nova filosofia revolucionária. Devemos nos livrar de tais desvios não somente na disseminação externa, mas também na pesquisa, estudo e educação, da filosofia Juche.

A filosofia Juche é uma filosofia revolucionária e filosofia política de nosso Partido que ilumina a base filosófica da idéia Juche e os princípios fundamentais da revolução. Como aproximar a filosofia Juche não meramente interessa as teorias filosóficas, mas é relacionado ao ponto de vista e à atitude em relação à ideologia do Partido. Devemos aceitar a ideologia do Partido como verdade absoluta, defende-la resolutamente e mantê-la como convicção revolucionária, e assim compreender, interpretar e propagar a filosofia Juche corretamente.

Devemos sentir um grande orgulho e confidência em ter uma tal grande filosofia política como a filosofia Juche, profundamente compreender seus princípios e aplica-los nas atividades práticas da revolução e da construção. Devemos analisar e julgar todo fenômeno social pela base dos princípios da filosofia Juche e dinamicamente acelerar a revolução e construção unindo as massas populares solidamente ao redor do Partido e melhorar o papel da força natural conforme a filosofia Juche requer.

Nossos cientistas e nosso povo devem estudar e seguir a filosofia Juche, mas eles também devem saber as idéias filosóficas do marxismo-leninismo. Os cientistas sociais, em particular, devem familiares com a filosofia anterior. Ao estudar a filosofia anterior, é importante distinguir limitações e imaturidade, ao longo dos aspectos progressivos e positivos. Somente quando sabemos corretamente não somente suas realizações históricas, mas também limitações do período, e imaturidade ideo-teórica, podemos prevenir desvios da atitude dogmática em relação às teorias anteriores uma profunda compreensão da originalidade e superioridade da filosofia Juche. Cientistas sociais devem estudar e dominar a filosofia Juche, e nos seus fundamentos e na luz dos seus princípios, dar uma profunda atenção para ver claramente as limitações e imaturidade da filosofia anterior ao longo dos seus méritos.

Acrescentando, devemos guardar estritamente contra todas tendências heterogêneas de filosofia que são contrárias à filosofia Juche, e assegurar a pureza da filosofia Juche. A filosofia Juche é a mais vantajoso e a mais viável filosofia que reflete a demanda da prática, da verdade, e da validade, revolucionária, que tem sido provada pela prática revolucionária. O fato de que a filosofia Juche está atraindo mais atenção na arena internacional e os seguidores da idéia Juche estão crescendo em números claramente demonstra que a filosofia Juche dá repsostas absolutamente corretas às questões da prática revolucionária. Nossos cientistas sociais devem ter uma convicção inabalável da precisão, da veracidade, originalidade, e superioridade, da filosofia Juche, e analisar e julgar todas teorias com a filosofia Juche como linha guia, assim prevenindo infiltração de qualquer tendência heterogênea de filosofia na filosofia Juche.

Todos os cientistas sociais devem estudar a filosofia Juche em profundidade e horizontalidade e propaga-la em linha com a intensão do Partido, e, dessa forma, exaltar sua grandiosidade e aumentar seu encanto.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Desaparecimento Gradual da Grande Arte

por Voltaire Schilling
O Estado e a Religião, por séculos, foram os verdadeiros patrões das artes, pelo menos da Grande Arte. Das pirâmides de Gizé ao Pártenon de Atenas, do palácio de Dario em Persépolis à catedral de São Pedro em Roma, da escultura de Zeus em Olímpia à estátua eqüestre de Marco Aurélio, dos murais de Giotto no Santuário de Assis à pintura da Capela Sixtina do Vaticano feita por Miguel Ângelo, todas elas foram expressão estética da grandeza do Estado ou o da Religião. Será possível ambicionar-se que a Grande Arte possa vir algum dia a ocorrer em sociedades democráticas em que aqueles dois poderes não existem mais na mesma dimensão?

O artista, o estado e a religião

Não foi somente os que lidavam com cinzéis, pincéis e formões, como se deu no caso dos escultores e pintores tais como Fídias, Policleto , Agatarco, Appeles, quem se avassalou frente ao Estado e à Religião, pois quem empunhava a pena e o papel também o fizeram. O poeta Homero eternizou os príncipes bárbaros da Grécia Arcaica, os filósofos Platão e Aristóteles redigiram constituições para tiranos e reis: o orador Cícero serviu à República Romana, o magistral Dante criou a epopéia do cristianismo enquanto Shakespeare encenou a crônica trágica dos reis bretões. Das mãos e dos cérebros deles é que se gerou a Grande Arte, aquele que atravessou os tempos e imortalizou seus autores e patrocinadores.

Da arte popular, aquela feita pelo povo para o seu usufruto, o tempo, o vento e a areia trataram de fazer desaparecer. Aqui e ali, nas escavações arqueológicas no Egito, na Turquia, na Grécia ou na Itália, encontra-se uma ânfora, um vaso, um copo de estanho, uma lasca de cerâmica, quase mais nada. Bem pouco disso é relevante sob o ponto de vista da estética e da própria historia da arte.

Houve, assim, ao longo da história, uma íntima relação entre os dois maiores patrocinadores, o imperador e o papa, com a Grande Arte, que é a realmente significativa e que se mostrou capaz de sobreviver aos vandalismos, às guerras e às demais agressões das intempéries. A quem, pois, estaria a Grande Arte a serviço quando tais colossos do Ocidente, a coroa e a mitra, começaram a declinar juntamente com o poder da aristocracia? A quais novos patrocinadores o artista se colocaria então à disposição?

A Era da Soberania do Artista

A revolução Francesa, é consenso, inaugurou uma nova era na história ocidental. Do mesmo modo que emancipou o servo das obrigações feudais e o vassalo em relação ao suserano, emancipou por igual o artista dos seus patrocinadores históricos: o Estado e a Religião.

O contraditório da nova situação deles na modernidade viu-se pelo fato de que pela primeira vez em que os artistas ficaram totalmente livres dos seus antigos patronos, inaugurando a Era da Soberania do Artista, eles sentiram-se totalmente desamparados (a triste fama do artistas solitário, esfaimado e meio doido, tipo Van Gogh, Gauguin ou Modigliani, destruídos pelo álcool e pela incompreensão, surgiu justo naquele época). A liberdade estética deles cobrou seu preço, reduzindo muitos deles a uma vida de privações e doenças.O sentimento de orfandade os acompanhou para sempre.
Nietzsche enxergou nisso o maior perigo para a Grande Arte pois a ausência dos patrocinadores históricos, obrigava o artista a seguir o gosto popular, abrindo assim o caminho para o mau gosto: o império do kitsh.

Duas tentações passaram desde então a rondar os artistas contemporâneos. De um lado, a exigência de dedicarem-se à arte engajada, de colocar o seu métier "a serviço das causas sociais", transformando o artista em "companheiro de viagem" dos novos evangelistas, em defensores das reivindicações dos operários e dos pobres em geral (o ápice desse comprometimento da arte com uma ideologia político-social foi atingido durante os regimes totalitários do século 20 , como por exemplo foi o caso do "realismo socialista" dos stalinistas, e da "arte ariana" dos nazi-fascistas, ambos com pretensões de expressarem a estética do povo comum).

Hermético, incompreensível, inatingível

A outra alternativa era alienar-se das coisas da política. Manter-se à inteira disposição do mercado, em atender aos inconstantes gostos, crescentes e insaciáveis, da sociedade de consumo. Fazer da arte uma mercadoria (como Andy Warhol fez com o seu pôster da sopa Campbell, de 1968) ou um entretenimento ligeiro, como é o caso da novela policial e da historinha de amor.

Os que se negaram a seguir a "Causa" ou ao Mercado, entregues a si mesmo, posam como eremitas modernos, caso foi o caso de Marcel Duchamp. Estes se refugiam numa espécie de limbo estético crescentemente inacessível ao público usual de arte, cultivando um conceptualismo hermético e cada vez mais indecifrável.

Seja como for a Grande Arte parece ter-se ido para sempre do cenário artístico do Ocidente.