quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Entrevista com Richard Lynn

por Alex Kurtagic


O Professor Emérito de Psicologia Richard Lynn é uma referência-chave na literatura sobre bio-diversidade humana. Filho de um renomado botânico, o professor Lynn tornou-se conhecido nos últimos vinte anos por suas pesquisas envolvendo diferenças raciais na inteligência, algo que ele combinou com seu interesse pela personalidade e o desempenho econômico. Meu primeiro contato com seu trabalho foi em 2004, através de seu livro de 2011, Eugenics: A Reassessment [Eugenia: Uma Reavaliação]. Eu me correspondi com ele pela primeira vez em meados dos anos 2000, quando me esforçava para descobrir se havia algum plano para re-imprimir o aguardado acompanhante do volume acima mencionado, Dysgenics [Disgenia] (uma edição nova e atualizada -- algo que eu lhe sugeri posteriormente -- foi publicada há poucos meses atrás). Nesta longa entrevista, descobrimos mais sobre este estudioso de espírito independente, inclusive suas recordações da Grã-Bretanha de sua juventude, o início de sua carreira e seu desenvolvimento profissional. Também temos alguns raros vislumbres de sua vida diária e de sua personalidade.

O sr. nasceu em 1930, como cidadão do Império Britânico. Como o sr. se lembra da Grã-Bretanha de sua infância e o que mais o impressiona, num nível pessoal, quando o sr. a compara com a Grã-Bretanha que o sr. conhece hoje? Quais são alguns dos aspectos da vida diária que eram tidos como obviedades nos anos 30, mas seriam inconcebíveis hoje?

Três coisas me impressionam. Primeiro, houve um imenso incremento no padrão de vida. Até por volta de 1950, telefones, refrigeradores, automóveis e até rádios eram itens de luxo com os quais apenas os muito ricos podiam arcar. Hoje, quase todo mundo possui todas estas coisas, bem como ítens novos, como televisores, telefones celulares e computadores.


Segundo: também até por volta de 1950, a Grã-Bretanha era um lugar onde a lei era levada muito a sério. As taxas de criminalidade eram cerca de 10 por cento do que são hoje. Muitos carros não tinham fechadura porque tinha-se como óbvio que ninguém tentaria roubá-los. Um tio meu ganhava a vida como comerciante de selos. Ele enviava mostruários de selos, cada um dos quais com preço, para compradores em potencial, os quais ficavam com os que queriam e mandavam os mostruários de volta, junto com um cheque por aqueles com que tinham ficado. Não há dúvida de que seria surpreendente para a geração mais jovem de hoje que fosse possível gerir um negócio deste modo.

Terceiro: também até por volta de 1950, a Grã-Bretanha era uma sociedade totalmente branca. Não me lembro de alguma vez ter visto um não-europeu antes desta época. Isto começou a mudar como resultado de dois acontecimentos.

O primeiro foi o British Nationality Act [Lei Britânica de Nacionalidade] de 1948, que conferiu cidadania e o direito de viver na Grã-Bretanha a todos os membros da Comunidade Britânica e do Império. A Comunidade Britânica incluía a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e a África do Sul, enquanto o Império consistia do sub-continente indiano, cerca de um terço da África sub-saariana, Honk Kong, Malásia, a maior parte das ilhas do Caribe e vários territórios menores. Esta lei significava que quantidades imensas de não-europeus -- cerca de 800 milhões -- tinham o direito de viver e trabalhar na Grã-Bretanha. Curiosamente, as consequências desta lei não foram lá muito debatidas na Câmara dos Comuns. Enoch Powell, na época o novo Primeiro-Ministro, levantou a questão sobre se esta era uma medida sensata e Celement Atlee, o Primeiro-Ministro do governo trabalhista, garantiu que muito poucos súditos britânicos tirariam proveito desta oportunidade. Isto estava errado, claro. Umas poucas semanas depois de esta lei ser aprovada, o primeiro barco — o Windrush— com indianos ocidentais chegou à Grã-Bretanha. A ele se seguiram muitos mais.


O segundo acontecimento responsável pela transformação da Grã-Bretanha em uma sociedade multi-racial foi a adoção da Convenção de Genebra sobre o Status dos Refugiados, de 1951, que permitiu a entrada de um grande número de pessoas em busca de asilo. O resultado destes dois acontecimentos foi que o número de não-europeus (de todas as raças) vivendo na Grã-Bretanha registrados no censo de 1951 era de 138 000. Em 1971, este número tinha aumentado para 751,000 e no censo de 2001 tinha aumentado para 3,450,000. Estes imigrantes não-europeus estão quase que inteiramente nas cidades, em muitas das quais eles hoje constituem aproximadamente metade dos habitantes.

Os tradicionalistas têm uma tendência a romantizar o passado e imaginar que o homem de antigamente era incomparavelmente mais duro, esperto, articulado e independente. Há pesquisas que trazem evidências que apoiam até certo ponto esta visão (por exemplo, o próprio livro do sr., Dysgenics). Mesmo filmes como Scott of the Antarctic (1948) mostram os ingleses em uma classe totalmente diferente daquilo que podemos esperar hoje. Mas será que a visão romântica dos nostálgicos de hoje – muitos dos quais nasceram há apenas umas poucas décadas – realmente está de acordo com as próprias observações do sr. quando jovem? Os ingleses eram realmente assim tão mais durões? A disparidade entre, digamos, um jovem moderno de 25 anos e seus pares de antigamente é realmente tão visível quanto querem que acreditemos?

Os jovens modernos de 25 anos têm um QI mais alto, mas são menos honestos que seus pares de antigamente. Se são mais ou menos durões é difícil dizer.


Quando eu estava crescendo, o ano 2000 estava distante e parecia incrivelmente futurístico. Como o sr. imaginava o futuro durante sua juventude? E, quando ele finalmente chegou, como o ano 2000 diferiu do que o sr. tinha imaginado?

Eu nunca imaginei as mudanças que ocorreram e tampouco muitos outros.

Quais são os textos e autores fundamentais que mais o impactaram durante sua juventude?

Hereditary Genius, de Francis Galton, Cyril Burt and Ray Cattell, sobre o declínio da inteligência genotípica resultante da fertilidade disgênica, e a obra de Hans Eysenck sobre a personalidade.

No fim dos anos 60, o sistema escolar aberto foi introduzido na Grã-Bretanha. Escolas abertas não selecionam em termos de aptidão, o que significou que alunos com habilidades divergentes foram jogados de qualquer jeito nas salas de aula do país e mudaram a atmosfera dentro delas. Como era a atmosfera nas escolas que o sr. frequentou durante os anos 30 e 40? Quais eram seus vícios e virtudes? Que efeito o sr. acha que isto teve na população das escolas escolas abertas, tendo em mente que atualmente elas são frequentadas por 90% dos britânicos?


Eu fui para a grammar school de Bristol, que foi e é uma escola acadêmica de elite, então a atmosfera era acadêmica. As escolas abertas diferem muito, de acordo com onde elas estão e a que população elas servem. No campo, onde as pessoas são praticamente inteiramente indígenas e bastante disciplinadas, eu acho que as esolas abertas são boas. Nas cidades, com suas populações multi-raciais, elas não são tão boas. Há muitas escolas abertas nas quais poucos dos alunos falam o inglês como sua primeira língua, ou sequer o falam, então, isto torna difícil o ensino. As crianças negras, em particular, são um problema, por causa da alta prevalência de um comportamento indisciplinado, em resultado do qual elas são expulsas ou suspensas numa taxa de aproximadamente sete vezes a dos brancos e asiáticos. Há o mesmo problema nos Estados Unidos.

Muitos dos políticos e acadêmicos do establishment que se sentem incomodados por suas pesquisas hoje são um produto direto dos anos 60. Como o senhor via os que se envolveram nas agitações e na subcultura daquela época? O sr. conseguia, como Kevin MacDonald naquele tempo, identificar qual era a daquelas pessoas?

Eu me opus ao chamado movimento "progressista" na educação, que incluía a abolição das grammar schools e sua substituição por escolas abertas, a abolição da seleção por habilidades e assim por diante. Em 1969, Brian Cox, que era professor de Inglês na Universidade de Manchester, apresentou o primeiro dos quatro Relatórios Negros sobre a Educação. Eles eram um ataque contra a educação progressista, um corpo de idéias dos anos 50 e 60 destinadas a produzirem uma sociedade mais igualitária. Os objetivos de suas políticas incluíam o uso de métodos de descoberta ao invés do aprendizado da tabuada e das somas simples pela repetição, a substituição do aprendizado da leitura pela fonética pelo método da palavra inteira, a abolição da seleção por habilidades, o fim dos exames, o desprezo pela ortografia correta como sem importância e o fechamento das grammar schools e sua substituição pelas escolas abertas. Acreditava-se que todas estas coisas tinham até então favorecido as crianças de classe média e eram, portanto, injustas. No fim dos anos 60, muitos destes objetivos progressistas tinha sido alcançado em numerosas escolas. As crianças não se sentavam mais em fileiras de carteiras e ouviam o professor. As carteiras foram jogadas fora e substituídas por mesas ao redor das quais as crianças se sentam, fazendo o que querem.

Naturalmente, selecionar as crianças por habilidade, o tracking, como é conhecido nos Estados Unidos, era desaprovado pelos educadores progressistas, porque identificava algumas crianças como mais capazes do que outras. Em muitas escolas, isto foi totalmente abolido e os professores receberam a tarefa de ensinar crianças de todas as habilidades na mesma sala. Muitos diretores reconheceram que isto era na verdade impossível e criaram vários meios de lidar com o problema.

Mais tarde, em 1969, Cox e Dyson apresentaram um segundo Relatório Negro, para o qual Sir Cyril Burt, Hans Eysenck e eu contribuímos com artigos. Eu escrevi um artigo sobre inteligência e sustentei que o sucesso educacional é determinado principalmente pela inteligência e secundariamente pelos valores adquiridos na família, que a inteligência é amplamente determinada pela genética e que há diferenças de inteligência inatas nas classe sociais que garantiriam que as crianças das famílias de classe média sempre tenderiam a se se sair melhor em qualquer sistema. Eu sustentei que a agenda progressista reduziria os padrões educacionais para os mais capazes e citei os padrões muito mais baixos das escolas abertas americanas em comparação com as seletivas escolas secundárias européias como prova disto. Também sustentei que as grammar schools eram um meio valioso pelo qual as crianças da classe trabalhadora poderiam ascender na hierarquia social. Sir Cyril Burt e Hans Eysenck também contribuíram com artigos que sustentavam teses semelhantes.

Em 1970, Cox e Dyson apresentaram um terceiro Relatório Negro, para o qual eu contribuí com um artigo sobre os argumentos contra e a favor da seleção por habilidade e orientação por aptidão para matérias em particular. Eu revisei os estudos sobre seleção e concluí que ela aumenta os padrões educacionais para todas as crianças. O quarto e último Relatório Negro apareceu em 1977. Eu contribuí com um artigo sobre os méritos e problemas da competição. É um dos artigos de fé dos progressistas que a competição é indesejável e deve ser desencorajada. Eu argumentei que, pelo contrário, a competição é natural, é um motivador para as crianças e lhes apresenta a idéia de que o esforço é necessário para o sucesso e de que o sucesso é recompensador.

Olhando agora para estas disputas dos anos 60 e 70, eu acho que todas as teses que expus em minhas contribuições eram válidas. Perdemos a batalha para salvar as grammar schools, quase todas as quais foram fechadas durante os anos 70 por Margaret Thatcher e Shirley Williams e substituídas por escolas abertas. Mas isto não trouxe a igualdade social buscada pelos progressistas. A maioria dos pais de classe média reagiram mudando-se para áreas afluentes onde as escolas abertas têm padrões relativamente altos ou mandando os filhos para escolas particulares independentes. O efeito disto foi dividir a sociedade mais rigidamente do que antes ao longo de linhas de classes sociais. Vencemos a batalha contra os métodos de jogos e descobertas dos progressistas e no que diz respeito ao tracking e seleção e, no começo do século XX, praticamente todas as escolas abertas haviam adotado o tracking e seleção ou a orientação por habilidades para Matemática, Ciência e Línguas Estrangeiras. No começo do século XX, tornou-se consenso universal entre os especialistas que a inteligência é amplamente determinada geneticamente e isto se tornou amplamente aceito pelo público informado.

Seus trabalhos iniciais foram sobre personalidade. O que o interessou sobre a personalidade? O que o fez querer estudá-la em relação com o caráter e o empreendedorismo nacionais? Percebo que um interesse pelo empreendedorismo e desempenho econômico é recorrente mesmo em seus trabalhos mais recentes.

Eu achei as teorias de Hans Eysenck sobre a personalidade eletrizantes. Elas eram tentativas muito ambiciosas de integrar a teoria da personalidade com o condicionamento pavloviano, o Behaviourismo americano e a Neuropsicologia. Por volta de 1970, eu cheguei à conclusão de que as teorias da personalidade de Hans Eysenck eram excessivamente ambiciosas e ele chegou à mesma conclusão por volta da mesma época.

Eu comecei a tratar da relação entre personalidade e caráter nacional porque em 1967 assumi um cargo no Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais de Dublin. A tarefa era trabalhar com problemas econômicos e sociais na Irlanda, então eu dei uma olhada nas características demográficas e epidemiológicas da Irlanda para ver se eu poderia encontrar problemas com que pudesse lidar. A primeira coisa que percebi foi que os irlandeses têm uma taxa excepcionalmente alta de psicoses. Eu sabia, por meu trabalho anterior sobre a ansiedade, que a ansiedade é baixa em psicóticos crônicos hospitalizados, consistindo sobretudo naqueles com esquizofrenia simples e depressão retardada. Eu me perguntei se um baixo nível de ansiedade na população poderia explicar a elevada taxa de piscose e olhei os outros dados que puderiam corroborar a teoria. Descobri que os irlandeses tinham uma taxa excepcionalmente alta de consumo calórico per capita entre todas os países, o que também é uma função de um baixo nível de ansiedade. O próximo passo foi verificar se havia uma associação entre a taxa de psicose e o consumo de calorias entre os países, então eu chequei isto examinando-os nos 18 países economicamente desenvolvidos para os quais há estatísticas confiáveis. Descobri que a correlação era de 0.58. Achei que este era um começo promissor, então comecei a procurar por outros fenômenos que pudessem dar maior substância à teoria. Olhei as taxas de suicídio. Estes são funções da elevada ansiedade, então, se os irlandeses tivessem um baixo nível de ansiedade, eles deveriam ter uma baixa taxa de suicídios. Descobri que a taxa de suicídio na Irlanda era extremamente baixa, e de novo chequei se o suicídio estava associado, entre os países, com minhas outras duas variáveis. De novo, descobri que estava. A taxa de correlação da psicose era de -0.50 e, com o consumo de calorias, era de -0.26.

Até aí, tudo parecia se encaixar na teoria, mas então esbarrei num problema. Uma variável óbvia para se olhar era o consumo de álcool e o alcoolismo. O álcool é um reconhecido redutor da ansiedade, então, em um país de ansiedade supostamente baixa como a Irlanda, as pessoas não deveriam beber muito álcool e não deveria haver muitos alcoólatras. E no entanto, afirmava-se em geral que os irlandeses tinham sérios problemas de alcoolismo. Eu chequei os fatos sobre o consumo de álcool e o alcoolismo na Irlanda. Descobri que o consumo per capita de álcool era baixo na Irlanda e que o alcoolismo medido por taxas de mortalidade devido a cirrose hepática (o índice usual para o alcoolismo) também era baixo. Então, acrescentei estes dados às variáveis para a medida de ansiedade nacional e descobri que se encaixavam bem. Por exemplo, a correlação entre as taxas nacionais de mortalidade devido à cirrose hepática e a taxa de psicose era de -0.49.

Em seguida, descobri quatro variáveis que se encaixavam na teoria. Eram elas as taxas de mortalidade por acidentes de trânsito como um índice de alta ansiedade, as taxas de mortalidade por doenças das coronárias e consumo de cafeína e cigarros como índices de baixa ansiedade. Todas elas se encaixavam na teoria. Analisei em temos fatoriais as inter-correlações e descobri um fator geral que explicava cerca de 50% da variação. Eu identifiquei este fator geral como ansiedade.

O passo final foi tratar as nações como se fossem indivíduos e usar os dados para dar a elas notas, de acordo com o fator de ansiedade. O resultado foi que a Irlanda apareceu como um país com o menor nível de ansiedade. Aí eu olhei os outros países para ver se havia um padrão geral. Era evidente que os países do norte da Europa tinham baixos padrões de ansiedade, enquanto que os países do sul da Europa e o Japão se destacavam como os países de alta ansiedade. Era impossível evitar a conclusão de que há diferenças genéticas na ansiedade entre as sub-raças do norte e do sul da Europa e entre o Japão e os europeus. Esta foi minha primeira incursão no campo espinhoso das diferenças raciais.

Com relação ao empreendedorismo, eu tenho um interesse de longa data em fatores psicológicos que contribuem para o crescimento econômico e um importante fator para isto é uma forte cultura empresarial.

Qual seu livro favorito daquela fase e por quê?


The Dynamics of Anxiety and Hysteria, de Hans Eysenck (1957), seu mais ambiciosos livro, o qual, como eu notei, tentava integrar a teoria da personalidade com o condicionamento pavloviano, o Behaviourismo americano e a Neurofisiologia. Hans Eysenck gostava de formular teorias grandiosas e eu tenho o mesmo gosto.

Como o advento do micro-computador e então da Internet mudaram o modo como o sr. escreve e pesquisa? Como era, em comparação, conduzir pesquisas científicas e escrever monografias com a extensão de livros nos anos 60 e 70? Tenha em mente que o britânico médio mal se lembra de como era o Windows 3.1, então, algumas cores pitorescas seriam desejáveis.

O micro-computador e a internet tornaram a pesquisa e a escrita muito mais fáceis. Antes deles, escrevíamos artigos e livros à mão e uma secretária os digitava. Inevitavelmente, ela cometia erros, então era preciso ler com cuidado todo o texto digitado para detectá-los e mandar a página ser re-digitada. Às vezes, novos erros apareciam na segunda digitação e a página tinha que ser novamente digitada. Tudo isto era muito incômodo e consumia muito tempo.

O sr. descobriu o QI sul-asiático oriental médio mais alto em 1977 [N. do T: deve haver um erro do entrevistador neste trecho: ele deve estar se referindo ao QI NORTE-asiático] – r sultados provisórios que foram posteriormente confirmados e que parecem ter definido sua carreira posteriormente. Como seu livro de 1988 sobre o Japão foi recebido na época?

Trata-se de Educational Achievement in Japan [Sucesso Acadêmico no Japão] e era sobre o sistema educacional japonês e como explicar os padrões muito altos, em comparação com os da Europa e Estados Unidos. Ele concluía que os principais fatores eram o QI mais alto dos japoneses, a forte motivação resultante de exames competitivos, a escolha do currículo pelo governo e o ano escolar mais longo. Ele foi quase sempre bastante bem avaliado, embora alguns resenhistas tenham ficado insatisfeitos com minha conclusão de que exames competitivos geram uma forte motivação para que se trabalhe duro pelo sucesso acadêmico.


Desde então, e especificamente dos anos 90 em diante, suas pesquisas se tornaram cada vez mais destemidas em lidar com temas que são inconvenientes para nossa atual safra de acadêmicos, midiocratas e políticos. Desde os anos 90, parece que de poucos em poucos anos a imprensa explode em indignação com alguma descoberta do professor Richard Lynn. O que acontece nestes dias em que a imprensa faz um zum-zum-zum sobre suas pesquisas?

Inevitavelmente, fiz muitos inimigos, mas não posso dizer que isto me incomode. William Hamilton, em sua resenha sobre meu Dysgenics, disse que eu devo ter o queixo bem duro e eu suponho que ele está correto em relação a isto.


Escrevendo para o Daily Telegraph, Steve Jones referiu-se ao sr. e a J. Philippe Rushton como 'ultrapassados', sugerindo que perspectiva do sr. pertence aos velhos dias ruins e a dele à moderna Grã-Bretanha progressista. No entanto, Jones tem 67 anos, tendo nascido durante a Segunda Guerra, e Rushton, que parece muito mais jovem, é só quatro meses mais velho. E mais, me parece que, dadas as crescentes evidências da genética, a perspectiva do sr. e de Rushton representa o futuro e a de Jones o passado. Pior: um outro proponente da igualdade, Richard Nisbett, que também apareceu no programa sobre Raça e QI do Channel 4 em que o sr. e Rushton apareceram em 2009, confia, segundo ele mesmo admite, em dados coletados nos anos 30(!) Quando eu trouxe à sua atenção a última pesquisa do sr. sobre raça, QI e cor da pele, Nisbett disse que não precisava lê-la. Quais suas impressões sobre o comportamento extraordinário exibido por estes cavalheiros?

Eu hesitaria em dizer que Steve Jones e Richard Nisbett são desonestos. Para lhes dar o benefício da dúvida, acho que eles têm fortes compromissos ideológicos que lhes impedem de ver a verdade.


Durante os últimos 15 anos, o sr. escreveu numerosos aritgos de pesquisa, nada menos do que 7 livros científicos e ainda encontrou tempo para dar entrevistas à televisão e à imprensa e falar em conferências no exterior. Isto demonstra um nível prodigioso de energia, mesmo para um homem da sua idade. Em face de tamanha produção, há dez anos eu imagino que o sr. passe cada minuto de vigília na frente do computador, um tornado humano de dados sendo analisados. Dê-nos um vislumbre de um dia típico para o professor Richard Lynn.

Eu normalmente começo a trabalhar por volta das 9 da manhã e trabalho até 1 da tarde. Então, faço um leve almoço, durante o qual eu ouço as notícias. Faço uma sesta entre cerca de 2:15 até 3:30. Então, tomo uma xícara de chá e trabalho de cerca de 4:15 até cerca de 7:30. Então, eu me junto a minha mulher, leio o jornal, às vezes assisto um pouco de TV ou leio um pouco. Dois dias por semana eu e minha mulher jogamos bridge no Bristol Bridge Club. O bridge requer uma boa memória e também a capacidade de inferência lógica e percebo que elas não se deterioraram, então o temível Alzheimer parece não ter atacado – ainda.


Do que o sr. mais gosta na vida diária no começo do século XX e o que o sr. acha mais frustrante?

Sou profundamente pessimista em relação ao futuro dos povos europeus, porque a imigração em massa do Terceiro Mundo levará estes recém-chegados a se tornarem maiorias nos Estados Unidos e na Europa Ocidental no presente século. Eu acho que isto significará a destrição da civilização européia nestes países. Acho que os cenários são apenas levemente melhores para o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia. A civilização européia pode sobreviver na Europa Oridental, incluindo a Rússia. Entretanto, a Europa Oriental não será páreo para a China. Com a introdução de uma economia de mercado, ela tem se desenvolvido rapidamente durante as últimas décadas e estima-se que ultrapasse os Estados Unidos para se tornar a maior economia do mundo em aproximadamente 10 anos e já em 20 anos o PIB chinês estará a caminho de ser o dobro dos Estados Unidos. Com seu QI médio de 105, sua poderosa economia e sua grande população de cerca de 1.3 bilhões, parece intevitável que a China se tornará a super-potência mundial em algum ponto deste século e provavelmente mais cedo do que mais tarde. Sou profundamente grato à existência dos japoneses, chineses e coreanos. A tocha da civilização passará para eles.

Seu estilo literário resume minha concepção de prosa científica: fria o bastante para congelar o hélio. E no entanto, Eugenics: A Reassessment, destaca-se de todos os outros livros no sentido de que foi escrito no estilo mais frio que se possa imaginar; se Spock tivesse sido um andróide, ele teria escrito desse jeito. Esta foi uma decisão consciente? Eu sei que os autores de The Bell Curve, por exemplo, se preocupavam com uma reação hostil a um tema controverso.

Sim, eu tento manter minha escrita tão fria e desapaixonada quanto possível. Eu acho que o falecido Stephen Jay Gould é um bom exemplo do oposto que é melhor evitar.

Muitos se sentem perturbados com a disparidade entre os padrões de vida entre os países desenvolvidos e a África sub-saariana e programas de desenvolvimento visam reduzir esta disparidade. Os esquerdistas põe parte da culpa pela performance econômica ruim da África em uma onda temporária de imperialismo europeu que terminou há meio século atrás. No entanto, eu sustentaria que os programas de desenvolvimento são uma forma de imperialismo europeu, já que uma sociedade é considerada desenvolvida na medida em que ela converge para o modelo europeu. Além disto, eu sustentaria que os povos da Áfria sub-saariana não deveriam ser de modo algum forçados a se 'desenvolverem'. Quais suas opiniões sobre o assunto? A África sub-saariana deveria ser desenvolvida ou deveríamos nos limitar a administrar um processo de desindustrialização? Ou há razões, dados os imensos depósitos minerais da África, para alguma forma de colonialismo?

Tatu Vanhanen e eu discutimos o problema da África sub-saariana em nossos livros IQ and the Wealth of the Nations [QI e a Riqueza das Nações] (2002) e IQ and Global Inequality [QI e Desigualdade Global] (2006). Somos pessimistas em relação a seu futuro e duvidamos que algum dia se desenvolverá econômica e culturalmente, porque acreditamos que seu baixo QI é amplamente determinado geneticamente e inalterável.

O seu último livro foi recentemente publicado e aborda a inteligência judaica. Fale-nos sobre este novo livro.

É o The Chosen People: A Study of Jewish Intelligence and Achievement [O Povo Eleito: Um Estudo da Inteligência Judaica e suas Realizações]. Ele resume as evidências de que os judeus ashkenazi (europeus) tem elevada renda média, sucesso educacional, saúde, status sócio-econômico e realizações intelectuais em todos os países onde estão ou estiveram presentes em números significativos e sustenta que uma grande parte da explicação para isto é que os judeus têm um elevado QI médio, que eu estimo em 110, com base em estudos na Grã-Bretanha, Canadá, Israel, Polônia, e Estados Unidos. Eu atribuo parte da explicação para o elevado QI judaico como sendo devido a práticas eugênicas, mas outros fatores estão envolvidos, e mais visivelmente a perseguição aos judeus, que extirpou os menos inteligentes.

Há mais livros em curso, ou ao menos sendo considerados?

Uma Segunda Edição Revista de Disgenia foi publicada em 1 de junho de 2011. Ela atualiza as evidências de fertilidade disgênica em países economicamente desenvolvidos e contem dois capítulos novos. O primeiro deles documenta o declínio do QI mundial resultante da elevada fertilidade das populações com um baixo QI em todo o mundo, em comparação com a baixa taxa de fertilidade em populações com um elevado QI. O segundo se ocupa dos efeitos da imigração sobre a inteligência das populações dos Estados Unidios e da Europa Ocidental, no qual eu sustento que a maioria destes imigrantes tem QIs inferiores ao das populações anfitriãs e que, portanto, à medida que suas porcentagens nas populações anfitriãs aumentarem, o QI das populações inevitavelmente declinará.

Por fim, como o sr. gostaria de ser lembrado daqui a 100 anos?

Mais ou menos do mesmo modo que Thomas Malthus, que foi enterrado na Abadia de Bath, em 1834, há cerca de 15 milhas de onde escrevo isto. Malthus ficou famoso com sua teoria de que os padrões de vida nunca poderiam subir, porque, quando isto começasse a acontecer, as populações cresceriam e consumiriam o excesso de produção, reduzindo a população a seu nível anterior de pobreza. É claro que ele estava errado sobre tudo isto. Ainda assim, foi uma boa teoria. Seu epitáfio na Abadia de Bath diz o seguinte:

Thomas Malthus foi um dos melhores homens e mais honestos filósofos de qualquer época ou país, criado pela dignidade espiritual nativa acima dos equívocos dos ignorantes e da negligência dos grandes. Ele viveu uma vida serena e feliz, devotada à busca e comunicação da verdade, amparado por uma calma porém firme convicção da utilidade de seus trabalhos, satisfeito com a aprovação dos sábios e bons. Seus escritos serão um monumento duradouro à extensão e exatidão de seu entendimento. A integridade imaculada de seus princípios, a equidade e candura de sua natureza, sua doçura de temperamento, urbanidade de maneiras, ternura de coração e sua benevolência são as recordações de sua família e amigos.
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Tradução: DEXTRA

Fonte: Wermod & Wermod
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[Fim da entrevista]

O primeiro dos comentários à entrevista de Lynn me chamou a atenção:

rickj2

Sim, os asiáticos orientais têm um QI médio mais alto que os de ascendência européia (105 vs. 100). Já escrevi que isto não é importante para o progresso de uma civilização. O que é fundamental e determinante é o número de indivíduos na categoria de "gênio". E o Ocidente tem uma variabilidade muito maior de QI contida em seu pool populacional do que qualquer outro grupo. A Curva do Sino leste-asiático exibe um gráfico mais compacto, porém mais estreito, enquanto que a dos ocidentais é mais amplo. Isto siginfica que, embora tenhamos muito mais idiotas, também temos muito mais gênios, tanto em termos absolutos quanto relativos. Para o progresso da espécie, a humanidade PRECISA do Ocidente.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Amazonas na Ásia: a História da Menina Meiramgul

As Amazonas clássicas

O historiador grego Homero foi o primeiro a registrar na história a existência de uma tribo de mulheres cujas habilidades como guerreiras eram tão grandes, ou maiores, quanto à dos homens que frequentemente entravam árduos em combate com elas; estas vorazes guerreiras foram chamadas por ele de Antianeirai – aquelas que acompanham os homens na guerra. O mesmo fato foi posteriormente registrado por outro grego, Heródoto, que chamou estas guerreiras de Androktones – aquelas que matam os homens.

Em muitos murais e em antigas peças de cerâmica vindas da península Ática são retratadas cenas de combates dos povos desta região com uma valente raça de mulheres guerreiras, que normalmente são representadas combatendo os homens de forma árdua e direta. A mais conhecida destas imagens foi achada no Parthenon – templo que foi construído em honra à deusa Athena, que além de ser a divindade da guerra, também é da sabedoria, estratégia, razão, etc. Nesta imagem, reproduzida no escudo da estátua da deusa, é representada a cena de um violento combate entre os gregos e estas guerreiras. Este tipo de arte que retratava as guerras entre os gregos e as guerreiras amazonas foi nomeado de Amazonomachy – a batalha das amazonas.

Heródoto reconheceu esta tribo de mulheres que batalhavam com os homens como sendo habilidosas e valentes guerreiras, e, em seus registros, narrou que nem sempre os exércitos vindos da Grécia saíam vitoriosos do combate contra esta raça de mulheres.
Exemplos de Amazonomachy. A primeira é o escudo de Athena, e, ao lado está uma imagem que mostra as amazonas combatendo em sua montaria. De acordo com registros dos historiadores citados, juntamente com outras fontes, as amazonas eram exímias cavaleiras, e quando seus cavalos morriam em combate, estas faziam cerimônias de cremação para eles.

Na epopéia de Tesseu – presente no conto referente aos doze trabalhos de Hércules –, as guerreiras amazonas são novamente citadas, principalmente sua rainha Hipólita, como sendo grandes guerreiras, que proporcionaram combates extremamente violentos ao exército deste herói, e, além disso, eram capazes de lutar de forma igualitária com qualquer um de seus guerreiros.

Outros antigos relatos citam que as valentes guerreiras certa vez tentaram invadir a península Ática, mas não foram capazes de vencer os combates, sendo derrotadas pelos exércitos desta região; o que talvez tenha acarretado na decadência de seu povo e de sua cultura. Sendo elas grandes adoradoras de Artemis, a deusa virgem da caça, e do deus Ares, da guerra em sua forma mais brutal; alguns relatos também contam que estas amazonas eram descendentes diretas do próprio deus Ares.

Acima: Nos registros posteriores aos dos gregos, vindos dos romanos, ainda se encontram referências a estas guerreiras combatendo brutalmente contra os legionários romanos.

Registros de guerreiras amazonas na América

Além destes relatos da antiguidade clássica, existem também vários relatos de guerreiras com estas mesmas características no período pré-colombiano da America do Sul em variados lugares, como no Peru, Bolívia e até mesmo no Brasil; fato que o antropólogo e historiador francês, Jacques de Mahieu estuda em seu conhecido livro “Os Vikings no Brasil”.

Mesmo após a chegada dos primeiros exploradores espanhóis, que seguiam o curso do rio que hoje conhecemos como “amazonas”; que foi primeiramente chamado de “Rio de Orellana”, em honra ao explorador espanhol, Francisco de Orellana; mas que, por sua vontade, quando retornou à sua pátria, pediu para que os cartógrafos que gravavam os mapas do recém descoberto continente americano retirassem seu nome da denominação do rio, pois, frente aos vários relatos vindos de diversas fontes de bravas guerreiras de pele alva e cabelos claros às margens das águas, preferiu que este rio recebesse o nome de “amazonas”, em referência às antigas crônicas clássicas que falavam de guerreiras com estas mesmas características das que foram encontradas no novo mundo.

Uma nova visão da história

Durante muito tempo acreditou-se que estas histórias de valentes guerreiras amazonas não passassem de uma antiga lenda proveniente dos gregos, até que a arqueóloga americana Jeannine Davis-Kimball, que durante muito tempo estudou detalhadamente a saga completa destas guerreiras, seguindo os registros deixados por Heródoto. Um destes registros relata o fato de que no século 5 a.C., os gregos derrotaram estas guerreiras na batalha de Thermodon, e que após este feito, elas foram escravizadas pelos vencedores. Mas durante a viagem de navio, de regresso à Grécia, local onde seriam vendidas como escravas comuns, as guerreiras tomaram o controle da embarcação e, após isso, mataram todos os marinheiros que as tinham mantido cativas. Mas logo após este feito, uma grande tempestade as surpreendeu dentro de sua embarcação, e elas foram parar em uma praia, onde encontraram o povo de Scyths, com quem estabeleceram uma paz duradoura, que, como resultado, fez com que algumas destas guerreiras se unissem aos homens desta tribo. Heródoto relatou que este povo finalmente se refugiou em um lugar desconhecido para os povos Gregos, e assim, para todo o mundo; pensamento que permaneceu ativo até que Jeannine descobriu a localização do local de repouso destas guerreiras, que se situava ao sul da Rússia, próximo à fronteira com o Cazaquistão.

Utilizando as pistas deixadas por Heródoto, a americana chegou a um local chamado de Pokrovka, onde junto com uma equipe de arqueólogos, começaram a procurar no solo indícios arqueológicos destas guerreiras da antiguidade.

Neste local, a arqueóloga deparou-se com várias tumbas subterrâneas com formatos circulares, sendo todas perfeitamente ordenadas, e que juntas somavam um total de mais de cem túmulos. As escavações duraram por mais de quatro anos, e a equipe de Jeannine, juntamente com a Academia de Russa de Ciências, neste período fizeram grandes descobertas de valor inestimável. Todos os túmulos encontrados eram do século 6 A.C. e continham, além dos esqueletos, vários adereços utilizados por este povo. Mas a descoberta mais chocante foi a de que todas as tumbas presentes eram de mulheres, exceto por um único túmulo, e que todas as mulheres tinham pernas arqueadas, sinal de que passavam grande parte de seu tempo cavalgando.

Acima: O padrão das tumbas encontradas, juntamente com a imagem de uma Guerreira em sua tumba, com pernas arqueadas, fato que prova que esta mulher passava muito tempo sobre um cavalo.

Acima: O único túmulo pertencente a um homem, que foi enterrado pelas mulheres com honras, e ao lado dele se encontra um esqueleto de criança.

Muitas destas mulheres encontradas nas tumbas apresentavam grandes marcas de fraturas e contusões de origem em batalhas, e todas elas foram enterradas juntas às suas jóias, armas e outros pertences. Outra evidência do caráter guerreiro desta tribo são as centenas de pontas de flechas encontradas juntamente com adagas, armaduras e escudos.

Um dos achados mais interessantes foi o de conchas cuja origem era nos mares salgados que se encontram a milhares de quilômetros do sítio em que elas foram encontradas, o que demonstra que estas guerreiras eram uma tribo que tinha vindo do mar, e que ainda possuía muitos laços com este passado marítimo, apesar de estarem longe dele. Também foram encontrados artefatos que demonstram que além de terríveis combatentes, estas mulheres eram vaidosas; dentre estes artefatos estão colares, jóias de ouro, espelhos, brincos, e também alguns estranhos e complexos adornos de ouro que demonstram que não se tratava de apenas uma tribo de bárbaras selvagens, mas sim de um povo que possuía o conhecimento para produzir tais complexos adornos, e não apenas para guerrear.

Imagens guerreira enterrada com jóias; conchas e pontas de lanças encontradas; complexo adorno feito completamente em ouro; punhal encontrado em uma das tumbas.

Acima: Outros artefatos encontrados. Destaca-se o espelho à direita, que demonstra que estas mulheres também possuíam outros conhecimentos, além daqueles bélicos, para produzir artefatos como estes.

A Grande Surpresa

Para ter-se completa certeza da identidade dos esqueletos descobertos, algumas amostras de material biológico foram coletadas e mandadas para laboratórios de DNA, na intenção de serem testadas para finalmente ter-se certeza do sexo e, principalmente, para descobrir as características específicas daquela raça perdida de guerreiras. Após muitos testes descobriu-se que aquela população não pertencia a nenhum grupo genético conhecido daquela região. As mulheres pertenciam não somente a uma cultura desconhecida, mas a um grupo genético completamente desconhecido, de origem Indo-Européia.

Com estas novas descobertas, Jeannine continuou seguindo as pistas deixadas por Heródoto, que diziam que algumas destas Amazonas recusaram-se a deixar sua cultura nômade, e que ao contrário das outras guerreiras que se assentaram; este grupo descrito por Heródoto continuou com seu antigo costume nômade até sua extinção. A equipe da arqueóloga então foi à Mongólia, onde até os dias atuais a cultura nômade é preservada, procurando por todos os acampamentos destas características, tentando encontrar algum sinal cultural ou genético, por menor que aparentasse desta tribo perdida de um passado distante. Em algumas destas populações, achavam-se mulheres que eram grandes peritas no arco e flecha, mas nada que comprovasse alguma ligação com as antigas guerreiras.

Na imensidão das planícies mongóis, Jeannine procurou por muito tempo algum perfil que lembrasse, mesmo que de forma distante, alguma característica deste povo perdido. E após esta longa procura, achou o que estava procurando. Em uma destas pequenas aldeias de costumes nômades, ela encontrou a pessoa que parecia diferente de todas as outras do local; a pessoa que destoava dentre todas as tribos que hoje ocupam aquela distante região, e esta pessoa foi encontrada justamente em um grupo de antigos nômades, que estão a centenas, talvez milhares de anos vagando pela imensidão das estepes da Mongólia.

Esta pessoa que destoava dentre todas as outras era uma menina; Meiramgul era o seu nome, e possuía características completamente distintas daquelas do povo nômade no qual habitava; seus cabelos eram loiros e seus olhos, azuis. Nem sua mãe, nem qualquer um de seus familiares conseguiam explicar a razão disto; porque esta menina tinha nascido tão diferente de seus pais, avós, e de todos ao seu redor.

Meiramgul era considerada uma aberração por todos aqueles ao seu redor; o que provavelmente era agravado pelo fato desta menina saber montar o cavalo de uma maneira excepcional, sendo até mesmo melhor do que muitos dos homens adultos, detentores de uma grande experiência na montaria, que conviviam no acampamento juntamente com ela. Jeannine, assim como toda sua equipe, ficaram perplexos; eles não sabiam como isto era possível; não esperavam encontrar alguém que destoasse tanto daquela população nômade do local.

Para esclarecer o mistério da existência de alguém tão diferente naquela comunidade nômade, que aparentava ser completamente homogênea, foram coletadas amostras de DNA da menina, que foram logo enviadas para testes nos mesmos laboratórios em que foram realizados os testes de DNA das tumbas das antigas guerreiras encontradas ao sul da Rússia.

Após alguma espera, a resposta finalmente chegou, e foi mostrado que o DNA mitocondreal colhido de Meiramgul, uma menina nômade da mongólia, era o mesmo contido nos esqueletos das guerreiras descobertas por Jeannine ao sul da Russia, que haviam morrido há mais de dois mil anos!

Meiramgul é uma descendente direta daquelas amazonas de milênios atrás, que através de suas grandes habilidades no combate, geraram um grande e genuíno respeito por parte dos gregos, que reconheceram-nas como duras e valentes guerreiras em sua mitologia e em suas crônicas. Meiramgul, que é a representação viva da herança de suas ancestrais e de seus genes, que ficaram adormecidos durante milhares de anos, mas que, de alguma forma, maravilhosamente se manifestaram nesta menina loira de olhos azuis, que habita a vastidão das planícies e estepes mongóis, e cavalga da mesma forma grandiosa, assim como suas ancestrais faziam há milênios no passado.

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Fonte: Revista Cultural Tholf 4

domingo, 2 de outubro de 2011

Quem é agora o inimigo da Europa? Yockey e a Pinça Judaico-Islâmica

por Matthew Neville

1 - Introdução: Uma nota pessoal

Eu tenho lido "O Inimigo da Europa" de Francis Parker Yockey (escrito em 1948, revisado em 1953) diversas vezes por 10 anos, junto com seu "Imperium" (1948). Nesse tempo, eu tomei a mensagem dos livros para o coração em tal medida que eu já internalizei-as completamente. Ambos livros são, para mim, como a tabuada, e uma vez aprendidos, jamais são esquecidos.

Se eu tivesse que recomendar dois livros para qualquer nacionalista, seriam esses dois. Por quê? Porque, mais ou menos, eles englobam todos os desenvolvimentos no pensamento nacionalista ocidental desde a guerra. Neles, pode-se encontrar racialismo (com um interessante capítulo em "Imperium" sobre o "problema" do "Negro Americano"); hostilidade frente a imigração não-branca; Revisionismo do Holocausto ("Imperium" contém, a meu saber, a primeira instância de Revisionismo impressa); provavelmente um dos primeiros relatos a respeito do Plano Morgenthau e de outras atrocidades perpetradas pelos Aliados e Soviéticos contra os alemães, no pós-Segunda Guerra; antissemitismo; denúncias do regime Roosevelt; um revisionismo aplicado à Guerra Civil Ameriana, com simpatias pelo Sul; apoio à raça branca, ao casamento e às famílias grandes; bons argumentos, a partir de uma perspectiva nacionalista, contra o Freudianismo, o Marxismo, o Darwinismo e o neoliberalismo; reflexões sobre o caráter nacional e a história americanas; e Pan-Europeísmo, misturado com vitriol contra os políticos demo-liberais da União Européia.

Algo que destaca-se, é claro, é o caráter neofascista da obra ("Imperium" é dedicado a "O Herói da Segunda Guerra Mundial", ou seja, a Adolf Hitler) e não é necessário dizer que Yockey é um partidário fanático tanto do Nacional-Socialismo alemão como do Fascismo italiano. O que faz da obra de Yockey "neofascismo" (em oposição ao "velho" fascismo das décadas de 30 e 40) é sua nova abordagem à teoria política. Ele mais ou menos abandona as teorias de Hitler, Rosenberg e Mussolini, e cria uma nova ideologia, retornando às idéias de dois grandes intelectuais alemães do período Weimar, Oswald Spengler e Carl Schmitt. (Spengler votou no NSDAP em 1933, mas foi atacado pelos intelectuais do NSDAP e censurado. Um destino similar recaiu sobre Carl Schmitt, que uniu-se ao NSDAP em 1933 e ajudou a desenvolver a "lei de concessão de plenos poderes" após o incêndio no Reichstag; infelizmente, ele, também, caiu das graças dos intelectuais do NSDAP e foi forçado a afastar-se da política). O resultado é uma espécie de revisionismo político: este é o "Hitler revisado" (assim como os marxistas europeus revisariam Marx nas décadas de 50 e 60). Eu estou quase tentado a chamar a posição de Yockey de "Pós-Nazismo".

O resultado é uma tábula rasa. Yockey não é um "Nacional-Socialista" do mesmo jeito que Savitri Devi e George Lincoln Rockwell são; o que ele conseguiu, intelectualmente, é uma nova síntese. Nesse sentido, sua obra assemelha-se àquela de Julius Evola, outro simpatizante fascista que forjou uma nova síntese, não a partir de Spengler, mas da doutrina oculta do Tradicionalismo.

A obra de Yockey sofre de um grande defeito: é, em muitos pontos, muito desatualizada. Tendo morrido em 1960, ele nunca viveu para ver os grandes desenvolvimentos culturais, demográficos, políticos e tecnológicos das décadas de 60 e 70. Evola, pelo menos, teve a vantagem de viver até 1973, e estava atualizado em relação às mudanças culturais da época, fazendo referências frequentes (e insultosas) às culturas hippie e beatnik em seus últimos escritos. Seria o Yockeyismo, e a estratégia básica definida em "Inimigo da Europa", relevante para a situação política atual? Essa é a questão que esse artigo irá explorar.

2 - Yockey e o Judeu Americano

Como leitores de Yockey sabem, Yockey pega de seu mentor, Spengler, a idéia de que as civilizações mundiais são "Culturas" - organismos que nascem, vivem e morrem. Culturas passam por mudanças comparáveis às estações: assim, a Cultura Ocidental passou por uma primavera, um verão, um outono e está agora, seguno Spengler, passando por um inverno. A democracia e o liberalismo estão entrando em declínio, e logo serão abolidas. O Ocidente será unido em um império, ou "Imperium", sob o mando autoritário de "Césares", que, segundo os escritos de Spengler, são ditadores que, ainda que populistas, possuem, ao mesmo tempo, desprezo pelas massas. Após o período dos "Césares" e do "Imperium", o Ocidente entrará em um declínio terminal pelos próximos séculos. Veremos a ascensão de uma "segunda religiosidade"; isto é, os ocidentais tornar-se-ão absorvidos pela religião novamente (pela primeira vez desde o período medieval). Mas isso não será um retorno ao Cristianismo de outrora, mas ao invés, um interesse em (pelo que parece) um ocultismo plebeu e New Age. Finalmente, o Ocidente, com suas grandes conquistas políticas, intelectuais e culturas por trás, seguirão o caminho de todas as coisas, e unir-se-ão às fileiras das civilizações "mortas" - incluindo as (outrora grandes) Culturas da antiga Índia, China, Roma e Grécia, Babilônia, e Oriente Médio. O capítulo final na história do Ocidente será escrito, a história Ocidental chegará a um fim. Os ocidentais tornar-se-ão "fellahin" - isto é, o que resta após uma grande Cultura deixar de existir.

Tudo isso parece um pouco pessimista, mas para Yockey, não era. Yockey acreditava na inevitabilidade histórica do "Imperium" no Ocidente tanto quanto o marxista acreditava na inevitabilidade histórica do socialismo. Uma das inovações de Yockey foi que ele viu a correlação entre a ascensão do fascismo, nas décadas de 20 e 30, e a ascensão do Cesarismo previsto por Spengler. Sobre essa base, a derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial não foi mais que um revés temporário. Ainda que a democracia liberal tenha sido restaurada na Europa, através do poder bélico americano, e o comunismo tenha sido imposto na metade oriental, ambas ideologias apodreceriam. Yockey previu que os "Césares" fascistas reapareceriam, porque a teoria de Spengler previa isso.

Então qual foi a causa da derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial? A intervenção americana pelo lado dos Aliados, trouxe o que Yockey chama de Distorção Cultural (outra de suas adições à teoria Spengleriana). Quando uma Cultura impõe-se sobre outra, ela distorce-a, dobra-a para fora de sua forma, politicamente, economicamente, culturalmente e de todos os outros modos. No caso da América, são os Judeus - que pertencem à Cultura Medio-Oriental, Semítica (chamada "Magiana" por Spengler) e que inclui o Islã e o Cristianismo Copta - que são os Distorcedores Culturais. Yockey escreve:

"A América agora deve ser contada entre os inimigos da Europa, já que eticamente e politicamente ela é dominada pela Cultura alienígena da entidade Igreja-Estado-Nação-Sociedade-Raça dos Judeus. Como essa dominação ocorreu é de menos interesse para a Europa do que o seu fato. Os eventos objetivos da história mundial desde 1933 (quando a administração judaica de Roosevelt chegou ao poder) mostram que em nenhuma instância a América perseguiu uma política nacionalista americana, mas exclusivamente uma política nos interesses da entidade judaica.

A entidade judaica é uma forma-global cultural de estampa própria, e jamais poderá ser assimilada pela Cultura Ocidental.

Nesse período da história, a América e a Judiaria formam uma Simbiose. A cabeça do organismo é a entidade judaica, o corpo é a América." (Yockey, "O Inimigo da Europa", no capítulo "Os Inimigos Externos da Europa")

Yockey escreve, penetrantemente, que na América, "Para propósitos políticos, a 'elite' é a entidade judaica, que possui um monopólio do poder em tudo que importa mas que é especialmente conspícua na direção das relações externas". Quando olha-se para a influência dominante do lobby israelense em Washington D.C., e a autoridade dada aos neoconservadores na época de Bush Jr., isso é especialmente verdadeiro. Isso é tudo autoevidente para a maioria dos nacionalistas no Ocidente, que compreendem a idéia da influência judaica na América profundamente (e alguns poucos não-nacionalistas na América estão começando a compreender também, especialmente em relação ao lobby israelense). A questão que a maioria dos nacionalistas perguntarão a Yockey, porém, é os americanos brancos resistirão ou não a essa influência judaica. Yockey pensa que não:

"Para propósitos político práticos, a 'América Branca' que ainda existia com força na década de 20 hoje já cessou de existir. Se esse espírito submerso emergirá de novo em algum futuro remoto é algo imprevisível. Em todo caso, a Europa não pode permitir-se o luxo de sonhar que uma revolução na América pelos elementos pró-europeus levará à liberação da Europa".

A triste verdade é que os americanos brancos estão desmoralizados demais pela Distorção Cultural e pela propaganda multirracialista para verem a Judiaria Americana como um inimigo:

"A tese interior principal do regime (judaico) de Washington - que não mudou desde 1933 - é que os americanos devem ser 'tolerantes' em relação aos elementos alienígenas (que agora são aproximadamente 50% da população), já que, afinal, esses alienígenas são 'irmãos'. 'Fraternidade' é glorificada em todas as ocasições públicas, por todos os funcionários públicos, é ensinada nas escolas e pregada nas igrejas, que foram coordenadas no plano-mestre do regime culturalmente alienígena de Washington. Jornais, livros, revistas, rádio, televisão, filmes - todos vomitam a mesma 'Fraternidade'. A propaganda da 'Fraternidade' é uma caricatura grotesca da idéia cristã da Paternidade de Deus e da Irmandade do Homem, mas não há qualquer intenção religiosa na propaganda. Seu único propósito é destruir qualquer exclusivismo, sentimento nacional, ou instinto racial que possam ainda existir na população americana após vinte anos de lepra nacional. O resultado da campanha de 'tolerância' e 'fraternidade' é que os alienígenas possuem uma posição superior na América - ele pode demandar ser 'tolerado'. O americano não pode demandar nada. O fato trágico é que a atenuação dos instintos nacionais foi tão longe que não é possível visualizar como uma Revolução Nacionalista poderia até mesmo ser possível na América."

Yockey conclui:

"Enquanto a América foi dominada por homens de linhagens do solo cultural europeu, a América foi uma colônia européia, ainda que às vezes vocalmente rebelde. Mas a América que foi distorcida pela Revolução de 1933 está perdida para a Europa. Que nenhum europeu sonhe com ajuda ou cooperação daquele lado."

Yockey era, em relação a propaganda "fraternal" americana presciente. A América ainda era um país fundamentalmente branco quando ele escreveu isso acima, e o Exército Americano na Segunda Guerra Mundial era um Exército etnicamente homogêneo e racialmente segregado. Churchill e Roosevelt eles mesmos eram um pouco racistas. Mas Yockey conseguiu ver as tendências existentes na sociedade americana - tendências para o multirracialismo e para a "fraternidade" - nos fins da década de 40 e início da década de 50, e já pronunciou que essas tendências tornar-se-iam dominantes.

3 - A Resposta de Yockey

"O Inimigo da Europa" de Yockey cobre, dentro de suas poucas páginas, muitos tópicos. Mas seu principal impulso é delinear uma estratégia para os nacionalistas europeus. A Europa, na época, estava dividida por duas forças culturalmente alienígenas: A União Soviética e a Americana . Os nacionalistas, Yockey sentia, tinham que escolher entre as duas no caso de uma Terceira Guerra Mundial. Os velhos fascistas, como Oswald Mosley e León Degrelle, aconselharam apoiar os americanos em seu novo anticomunismo pós-guerra. Esses homens acreditavam que o anticomunismo americano era um reconhecimento tardio, pela América, de que os fascistas sempre estiveram certos a respeito da União Soviética. Yockey, por outro lado, insistia que os nacionalistas europeus deveriam saudar uma ocupação soviética da Europa Ocidental no evento de uma vitória na Terceira Guerra Mundial (que, como para muitos intelectuais de seu tempo, ele acreditava inevitável). Seus argumentos eram complexos e muitos. É suficiente dizer, "O Inimigo da Europa" é um longo panfleto de propaganda convocando os nacionalistas (principalmente aqueles do Partido Socialista do Reich, da Alemanha, para os quais o livro foi escrito) a assumirem uma linha pró-soviética por razões estratégicas. Eu não vou perder tempo analisando a posição de Yockey aqui (e eu acho que Yockey, aqui, faz uma ótima defesa, afinal, ele era advogado), pela razão de que ela é desatualizada. Como nós sabemos, o Ocidente, particularmente a América, passou por um renascimento político na década de 80, enquanto a União Soviética e o Bloco do Leste afundaram - tornando-se, politicamente e economicamente, tão velhos e antiquados quanto seu equipamento militar sub-standard. O resultado foi que a Terceira Guerra Mundial de Yockey nunca aconteceu, e a América pegou toda a Alemanha, e a Europa Oriental, sem disparar um único tiro. (Tem-se que imaginar se, caso Yockey tivesse sobrevivido até os fins da década de 70, se ele teria mantido sua tese pró-soviético, caso ele tivesse visto o estado esclerótico no qual a URSS caiu na época de Brezhnev).

A noção de Yockey de uma América judaizada - particularmente em sua política externa - é ainda válida, é claro; em verdade, um dos principais desenvolvimentos políticos do século XX foi que Israel tornou-se a nação soberana no eixo Washington-Tel Aviv. Yockey escreve, "Independência significa ser capaz de agir sozinho... Soberania significa não responder a ninguém a não ser a si mesmo", e a América, após Bush Jr., foi incapaz de agir sem considerar os interesses de Israel em primeiro lugar, e incapaz de formular um curso claro de ação em situações políticas nas quais os interesses israelenses não estivessem diretamente envolvidods. Mas essas notícias são velhas. Todo o mundo sabe que Israel não presta (uma pesquisa recente com 26.000 pessoas colocam a Alemanha como o país "mais popular" no mundo, e Israel quase em último em termos de popularidade, junto com Paquistão e Coréia do Norte) e possui um entendimento razoável da política no Oriente Médio, incluindo a despossessão do território palestino, etc.; todos sabem que os EUA está desproporcionalmente preocupado com os interesses israelenses, e que os EUA estão sozinhos, entre todas as nações do mundo, nisso (os EUA foram o único país a vetar uma recente resolução da ONU categorizando os assentamentos israelenses como ilegais). Alguns setores da elite americana educada e não judaica - como Jimmy Carter, e Mearsheimer e Walt - até mesmo ousam afirmam isso na imprensa. Em resumo, o mundo, em 2011, em grande medida alcançou Yockey.

Onde Yockey foi realmente ultrapassado pelos eventos foi no que concerne os desenvolvimentos da própria Cultura Ocidental, particularmente nas décadas de 60 e 70: a legalização do homossexualismo, da pornografia e do casamento interracial; os direitos femininos; a dessegregação; crescentes números de crianças brancas nascidas de adultério; e, mais significativamente, a migração em massa de não-brancos para o Ocidente. Yockey ficaria assombrado pelas mudanças demográcias no Ocidente, particularmente na América ( Yockey chamava a presença de imigrantes "culturalmente alienígenas" de "Parasitismo Cultural". Parasitismo Cultural é o que ocorre quando grandes números de imigrantes de outra Cultura (ou mesmo de um país que ainda não desenvolveu-se em uma Cultura completa, p.ex., Rússia) fundem-se em uma Cultura e começam a subtrair recursos vitais dela e para si próprios. O Parasitismo Cultural apenas torna-se Distorção Cultural quando o grupo alienígena começa a impor ativamente seus mores sobre a sociedade hospedeira e dobrar sua política em uma direção antinatural. Yockey diria que a massiva imigração hispânica para a América é um caso de Parasitismo Cultural, enquanto a judaização da política externa americana é Distorção Cultural). O fato de que as elites ocidentais, e o homem branco leigo ocidental, internalizaram a "propaganda fraternalista", e agora cantam elogios à imigração não-branca, ao multirracialismo, e à miscigenação, deixariam-o perplexo.

Nós podemos compreender o recente fenômeno da migração islâmica em massa para a Europa, porém, usando a estrutura de Yockey. Segundo a visão de Yockey, o Islã é parte da "Cultura Magiana", que inclui os judeus: "A entidade judaica vem da Cultura Magiana e sempre pertencerá a ela espiritualmente, àquela Cultura Magiana que durante sua existência deu origem aos povos arábicos, persas, nestorianos e parsi, entre outros". Yockey consideraria a presença de 17 milhões de muçulmanos nos países membros da União Européia como "Parasitismo Cultural"; mas ele também veria o potencial para Distorção Cultural.

Como essa Distorção Cultural Islâmica faz-se sentir? Em um artigo sensacionalista para o tablóide britânico Daily Mail, um jornalista identifica como grupos islâmicos realizam sua agenda impondo seus valores, usando de coerção, nas comunidades ao seu redor:

"Mas os islamistas raramente querem assumir o controle da máquina governamental; eles tem pouco interesse em estabelecer impostos ou política energética. A influência que eles buscam é a do totalitarismo cultural.
Desprovidos de soluções razoáveis - ou mesmo práticas - para os males reais que assolam suas sociedades, eles querem islamizar a sociedade a partir de baixo...

Os eventos na Tunísia são apenas um eco do que tem acontecido na região por uma década. No Iêmen, os islamistas tem estado há muito tempo atacando bordéis e fazendo campanha contra todas as outras formas do que eles denunciam - equivocadamente - como decadência ocidental importada.

No Barein, também, os islamistas tem explicitamente dedicado-se a acabar com a prostituição e a venda de álcool.

Na Tunísia e no Egito, os islamistas rapidamente desistiram de concorrer à presidência. Eles não buscam liderar um governo, porque com poder vem responsabilidade e prestação de contas.

O que eles precisam é de um governo suficientemente fraco para permitir-lhes impor sua tirania cultural - e para terem sucesso, eles não precisam do apoio da maioria. Tudo que os islamistas requerem é serem mais barulhentos, mais impositivos e melhor organizados que seus oponentes." (Daily Mail, "Sex, brothels and the REAL tyranny threatening the Arab world", 26/02/2011).

Esses são comentários penetrantes. É o "totalitarismo cultural" que está fazendo-se sentir nas ruas de Paris, Amsterdã, Londres, Estocolmo e outras cidades européias. A Europa está presa entre duas pinças: enquanto grupos judaicos poderosos nos altos escalões políticos da Europa advogam um bombardeio do Irã pela OTAN, e demandam mais e mais monumentos para o Holocausto (ele próprio um conceito religioso judaico), nas ruas, grupos islamistas radicais, florescendo nas isoladas e etnicamente coesas comunidades da diáspora muçulmana, demandam a islamização compulsória, não apenas para suas comunidades, mas para as populações euro-ocidentais hospedeiras também.

Finalmente, porém, os povos da Europa estão começando a dar sinais de resistência, não através da maneira militantes que Yockey teria preferido, mas através do apoio eleitoral a partidos de extrema-direita na Finlândia, Suécia, França, Holanda e Dinamarca. Do mesmo modo, nos Estados Unidos, o movimento popular contra a imigração mestiça ilegal é um desenvolvimento positivo, e é o primeiro movimento nativista americano popular que apareceu em muitas décadas.

Uma falha é que tanto as tendências americanas como européias enquadram seus argumentos contra a imigração usando termos liberais. Os americanos afirmam não serem "racistas", mas apenas contrários a pessoas quebrando as leis; similarmente, os europeus dizem que eles são contra a oposição islâmica aos valores liberais democráticos e aos valores europeus de liberalismo, tolerância, pluralismo e direitos femininos. Mas alguma coisa é melhor que nada, a questão é se é ou não tarde demais.

4 - O Significado do Neofascismo no século XXI
Após a Segunda Guerra Mundial, escreve Yockey, "Os oponentes do Herói (ou seja, Hitler) daquela Guerra ainda estavam compelidos por sua personalidade... Ou eles assumiam suas idéias e declaravam-as próprias, ou eles continuavam a lutar contra ele". Continuando nesse sentido, ele escreve:

"Foi Cromwell que inspirou gerações de líderes muito após sua morte e subsequente desgraça, e não os Stuarts que fizeram com que seu corpo fosse desmembrado por cavalos selvagens. Foi Napoleão que inspirou todo um século de líderes depois dele, não Luís XVIII, nem Metternich, nem Talleyrand. Por volta de 1840, Napoleão triunfou, ele cujo nome só poderia ser elogiado na Europa vinte anos antes sob grande risco. A Idéia de Napoleão conquistou o reino político-espiritual, sua personalidade o reino heróico. Quem poderia reprová-lo agora com o fato das batalhas perdidas de Leipzig e Waterloo?"

Assim será com o Herói da Segunda Guerra Mundial. Ele representou um novo tipo ético que inspirará e formará interiormente todos os futuros líderes significativos do Ocidente. A deploração de seus 'erros' após a Segunda Guerra Mundial foi simplesmente desprezível. Cada jornalista e cada presunçoso sabe mais que o grande homem - eles não teriam cometido este erro ou aquele. De fato, eles jamais estariam no lugar para fazer o que seja!

O heroísmo é e jamais pode ser desperdiçado. Enquanto homens sobrevivam a um Herói, eles serão influenciados por ele e sua lenda..."

A BBC reportou que vendas de livros, na Grã-Bretanha ano passado, sobre Hitler e Nacional-Socialismo fizeram milhões de libras; na Alemanha, uma exibição sobre Hitler em Berlin atraiu milhares. A fascinação com o fascismo alemão, e com o "Herói" de Yockey e seu exército, no Ocidente não dá sinais de acabar. Em comparação, Roosevelt, Churchill e seus exércitos não dão-se tão bem. Livros sobre a Luftwafe, os ases de Hitler, e sobre o tanque Tiger desaparecem das estantes, enquanto livros sobre a divisão US 1st Marine, o tanque T-34 e os bombardeiros genocidas Lancaster da Grã-Bretanha continuam lá (para a decepção da Judiaria, pode ter certeza). Tudo isso ocorre porque as audiências ocidentais concordam, inconscientemente, com a tese de Yockey, e veem a trágica ascensão e queda da Alemanha Nacional-Socialista como um dos pontos de virada da história do Ocidente. Tanto quanto Napoleão definiu o século XIX, Hitler definiu o XX. Nas mentes do público ocidental, há uma questão, abrindo caminho das profundezas do subsconsciente: "Dizem-nos que Normandia e V-E Day foram grandes vitórias para o Ocidente e para a humanidade, mas essas mesmas vitórias produziram Obama, David Cameron, Sarkozy e Israel. Mas e se estivermos errados?".

O que aconteceu é que o significado do fascismo alemão mudou. Contrariamente às crenças da Judiaria, o objetivo primário do fascismo não era destruir a Judiaria européia, mas o comunismo soviético. Mas, é claro, o comunismo soviético não existe mais. Agora, Hitler e o Nacional-Socialismo alemão representa outra coisa nas mentes do público: "racismo". Hitler é, erroneamente, retratado como o mais racista de todos os políticos - apesar do fato de que Churchill e Roosevelt, e seus contemporâneos no mundo anglo-saxão, olhassem com reprovação para quaisquer conquistas morais e econômicas dos negros, por exemplo. Hitler, é verdade, baseou sua Cosmovisão na pureza racial alemã; mas suas doutrinas (se lermos sua obra cuidadosamente) foram desenhadas para prevenir os alemães de misturarem-se com judeus. Mas, no século XXI, após uma avalanche de imigração não-branca na Europa, o significado daquela Cosmovisão racial mudou. Na esquerda e na direita, políticos, intelectuais, jornalistas, são todas contra o "racismo", em qualquer forma ele apareça, e mudaram a história de modo a fazer de Hitler não apenas o pior "racista" de todos os tempos, mas também o único político "racista" dos últimos 100 anos. Quando a questão racial é empurrada para a consciência do europeu médio, todo dia, e essa questão está rapidamente tornando-se a mais importante para o Ocidente no século XXI - então uma figura histórica super "racista" vai acabar tornando-se mais e mais atrativa, apesar das condenações por parte do establishment político e o lobby judaico.

Significa isso que o neofascismo, ou "Socialismo Prussiano Autoritário", como Yockey chama, está prestes a emergir no palco político de novo, com coturnos, uniformes, bandeiras, estandartes e tudo? Sim e não. Há grupos com fortes influências neofascistas na Europa: A EDL na Grã-Bretanha (que é um tipo de grupo pós-Mosley neo-Camisas-Negras) e Jobbik na Hungria. Mas, em geral, o neofascismo expressa-se no nível de uma subcultura underground. Pode-se comprar música, insígnias, pôsteres, bandeiras, estandartes, flâmulas, adesivos, roupas. (Até algumas músicas foram inspiradas por Yockey.) Mas nada disso é político - ou seja, concorrer em eleições e competir com os liberal-democratas por poder político.

Se nacionalistas querem envolver-se com política real, eles tem que (na Europa) votar e trabalhar com os partidos populistas. Os nacionalistas realmente não tem qualquer outra opção, por causa do que Kevin MacDonald chama o "terror abjeto" que "a maioria dos brancos tem de estarem associados com...Nacional-Socialismo, Antissemitismo, ou sentimentos racialistas". Para nós nacionalistas, racialismo, antissemitismo, etc., é o próprio ar que respiramos; nosso movimento tende a atrair pessoas individualistas que gostam de ignorar as convenções da sociedade (e bem agora, o multirracialismo e o holocaustianismo são as convenções). Mas, por causa de nossa absorção com a subcultura nacionalista underground, nós costumamos falhar em notar que o "socialismo ético prussiano" de Yockey é, para não dizer muito, desagradável para muitas das pessoas brancas normais que queremos atrair. Nós nacionalistas somos impetuosos e subversores, enquanto a massa de pessoas brancas no Ocidente é passiva, conformista, e cautelosa ao ponto da covardia. Não há meio-termo. É por isso que o eleitorado europeu expressa seu apoio apenas pelos partidos nacionalistas de extrema-direita "seguros", que dizem todas as coisas certas sobre a questão judaica (até a ponto de colocar coroas de flores para os milhões supostamente gaseados em Auschwitz) e enquadram todos os seus argumentos anti-imigração de um jeito liberal e superficial. Mesmo assim, pode ter certeza, o francês ou sueco médio é muito tímido, e não ousa admitir que ele votou para o Front National, ou para os Democratas Suecos, respectivamente.

Então esses são os dois cursos que os nacionalitas podem tomar, as duas possibilidades: nacionalistas trabalhando ao nível "simbólico", ficando ao nível de uma subcultura; ou envolvendo-se em ativismo político com os partidos populistas de extrema-direita. Eu particularmente sou simpático a ambos cursos de ação.

Ao mesmo tempo, discartando o "Socialismo Prussiano Autoritário" de Yockey, estamos desistindo de uma potencial fonte de força. O problema que o Ocidente enfrenta, no século XXI, é uma falta de dureza. Muitos cidadãos do Terceiro Mundo consideram a vida humana barata, mas entendem, ao mesmo tempo, que os ocidentais são os maiores humanistas do mundo. Um imigrante só tem que dizer a palavra mágica, "asilo", e ser admitido na Europa com todos os direitos e privilégios. Os países da Europa estão apenas agora, após a crise dos imigrantes tunisianos, começando a endurecer seus corações e dizer "Não". Mas será necessário muito mais para impedir o influxo vindouro de imigrantes, ilegais e legais, e expulsar os que já estão lá.

Ironicamente, o Ocidente pode não ter mais a Vontade - e eu digo ironicamente, porque, aos olhos dos marxistas, e de muitos no próprio Terceiro Mundo, os europeus brancos são os piores exploradores e assassinos da história, com mãos manchadas com o sangue dos povos de cor.

A verdade é que as nações anglo-saxãs cometerem terríveis crueldades - contra outros brancos, os alemães, no pós-Segunda Guerra. Os campos de concentração de hoje na Europa para imigrantes ilegais são uma versão de luxo dos campos de Eisenhower para prisioneiros alemães, nos quais morreram centenas de milhares através de fome e das intempéries. É como se os anglo-saxões tivessem gasto toda sua capacidade para crueldade e violência naquele período, e depois, não sejam capazes de convocar nem mesmo uma pequena fração dela, exatamente quando eles mais precisam (particularmente a Grã-Bretanha). (Na verdade, os anglo-saxões cometeram sim atrocidades após a guerra, mas não com a consciência limpa que eles tinham enquanto maltratavam alemães).

O que traz-nos de volta a Yockey. Sua ideologia é uma ideologia marcial e intolerante. A imagem que o público tem de Hitler é aquele de um homem duro e um guerreiro - um rei-guerreiro. (Nós precisamos apenas olhar para nossa história para ver, em que medida, o Ocidente idolatra reis-guerreiros: Napoleão, Bismarck, Rei Artur, Carlos Magno...). O Ocidente vê o "supremacista branco", "neonazista", e "antissemita" como uma criatura temível, que coloca-se fora dos limites do comportamento aceitável e está preparado para sacrificar sua carreira, seus confortos, e mesmo sua vida, por suas crenças, e como alguém que está, acima de tudo, preparado para lutar. Essa imagem - quer seja verdadeira ou não - é uma fonte de poder e força, especialmente agora que nós brancos vivemos em um Ocidente que seria, aos olhos de Yockey, frouxo, covarde e afeminado. (Em contraste, Israel e os muçulmanos radicais cometem diariamente atos de violência feroz contra seus oponentes políticos). Nós estamos diante, no século XXI, de uma alternativa tipicamente yockeyista: lutar, ou não lutar, de modo a defender o Ocidente contra a ameaça exterior.

sábado, 1 de outubro de 2011

Espíritos Livres e Cultivados

por Dominique Venner

Os homens sempre tem sentido necessidade de perscrutar o futuro. Os gregos perguntavam à Pítia de Delfos. A obscuridade dos pronunciamentos do oráculo permitia-lhes múltiplas interpretações. Inclinando-se ao costume, Alexandre consultou-a antes de dar início a conquista da Ásia. Como ela estava demorando a retornar a seu tripé, o impaciente macedônio arrastou-a lá pela força. Ela exclamou: "Não dá para resistir a você...". Tendo ouvido essas palavras, Alexandre deixou-a ir, dizendo: "Essa previsão é o bastante para mim". Ele era um sábio.

Cada era tem seus profetas, videntes, arúspices, astrólogos, futurólogos, e outros charlatãos. Hoje usamos computadores. Outrora, eles usavam médiuns. Catarina de Médici consultava Nostradamus. Cromwell ouvia William Lilly. Stalin questionava Wolf Messing. Hitler questionava Eric Hanussen. Briand e Poincaré partilhavam dos talentos de Sra. Fraya... O destino de um indivíduo, porém, é uma coisa; o destino de uma civilização é outra.

Precedido pelo otimismo herdado do Iluminismo, o século XX começou com promessas de um futuro brilhante, na certeza de que a ciência e o conhecimento levariam ao progresso e à sabedoria. O homem tornar-se-ia realmente "Mestre e possuidor da Natureza" e também adquiriria autodomínio. Após a vitória sobre as coisas, a paz e a harmonia entre os homens estabelecer-se-ia.

O impiedoso século XX despedaçou essas ilusões. Ninguém, ou quase ninguém, havia previsto as consequências catastróficas do assassinato em Sarajevo no verão de 1914. Todos os beligerantes esperavam uma guerra curta, fácil e alegre. Ela foi interminável, terrível e moral como nunca antes. Foi o presente imprevisto do progresso industrial e da democracia de massa à humanidade - dois novos fatores que transformaram a própria natureza da guerra. Começando como um conflito tradicional entre Estados, terminou como uma cruzada ideológica, derrubando toda a velha ordem européia, encarnada nos três grandes impérios do Centro e do Leste. E a chacina européia e as condições impostas aos vencidos após 1919 carregavam o germe de uma outra guerra catastrófica.

Na alvorada de um novo século e um novo milênio, as ilusões do progresso foram parcialmente dissipadas, tanto que ouve-se falar em "progresso fatal" ou "horror econômico". O marxismo e suas certezas afundaram no colapso do sistema ao qual ele deu início. O otimismo de outrora muitas vezes rende-se a um tipo de pessimismo sobrepujante, nutrido pela ansiedade por um futuro que temos todas as razões para temer. Volta-se à História em busca de respostas.

Mas a interpretação da História não escapa nem das modas nem das idéias reinantes. Assim sempre precisa-se de força mental e de caráter para libertar-se do peso do próprio tempo. Com um pouco de impulso, qualquer espírito curioso, livre e cultivado pode compreender o caráter imprevisível da História, que os últimos cem anos de fatos torna inevitavelmente claro, e ver através das teorias deterministas resultantes da visão hegeliana.
Em 22 de janeiro de 1917, um Lênin que era quase desconhecido e permanentemente exilado, falou diante de um círculo de estudantes socialistas: "Nós homens velhos", ele falou de si mesmo, "talvez jamais vejamos as batalhas decisivas da Revolução...". Sete semanas depois, o czarismo havia asido derrubado, e Lênin e os bolcheviques não tiveram nada a ver com isso. As "batalhas decisivas" nas quais ele não mais acreditava estavam começando, para o azar da Rússia e do resto do mundo. Eu conheço poucas anedotas tão reveladoras da dificuldade das previsões históricas. Essa está em uma classe toda própria.

Durante o ano acadêmico de 1975-1976, Raymond Aron, uma das mentes mais perspicazes de nossos tempos, deu um curso no Collège de France sobre "O Declínio do Ocidente", que já era todo um currículo. Aqui está sua conclusão: "o declínio dos Estados Unidos de 1945 a 1975 emergiu de forças irresistíveis". Notemos a palavra "irresistível". Em suas Memórias, publicadas no ano de sua morte, em 1983, Aron retornou a essa reflexão e amplificou-a: "O que eu tenho observado desde 1975 foi a ameaça de desintegração da zona imperial americana..." Àqueles que vivem sob a sombra do império global americano, essa análise poderia fazer-se questionar a lucidez do autor. E porém, ele nunca duvidou de si mesmo. Nosso assombro é devido ao fato de que a História avançou desconhecida para nós, mostrando-nos um mundo hoje que é muito diferente do que era vinte anos atrás, e que ninguém previu.

De modo algum eu sugiro ignorarmos as ameaças pairando em nosso horizonte: globalização devoradora, explosões demográficas, imigração massiva, a poluição da natureza, a engenharia genética, etc. Durante uma era de ansiedade, é saudável repelir ilusões alegres; é salubre praticar as virtudes do pessimismo ativo, aquelas de Tucídides ou Maquiavel. Mas é tão necessário quanto rejeitar o tipo de pessimismo que torna-se fatalismo.

O primeiro erro no que concerne ameaças futuras seria considerá-las como inescapáveis. A História não é o domínio do destino, mas o do imprevisto. Um segundo erro seria imaginar o futuro como uma prolongação do presente. Se algo é certo, é que o futuro será diferente de como imaginamos ele hoje. Um terceiro erro seria perder esperança na inteligência, na imaginação, na vontade, e finalmente em nós mesmos.

Goldman Sachs governa o mundo?

O Externsteine