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sábado, 6 de outubro de 2012

O Lado Negro da Globalização

por Leonid Savin



Apesar do fato de que pesquisas sobre a globalização tem sido realizadas há décadas, uma definição clara do fenômeno, aceita por toda a comunidade científica internacional não existe. Mais ainda, não é possível pensar sobre a globalização em um campo particular de uma ciência ou disciplina em isolamento, por causa de sua natureza interconectada e complexa.

Axel Dreher propôs observar a globalização de três maneiras:

- Globalização econômica: caracterizada pelo fluxo de bens, capital e serviços a longa distância, bem como pela informação e percepções que acompanham essas trocas do mercado;
- Globalização política: caracterizada por uma difusão de políticas governamentais;
- Globalização social: expressada como a difusão de ideias, informações, imagens e pessoas.[1]

O Relatório Anual da UNESCO de 2001 afirma que, "a globalização pode ser definida como um conjunto de estruturas e processos, econômicos, sociais, tecnológicos, políticos e culturais emergindo do caráter em mutação da produção, do consumo e da troca de bens e ativos que formam a base da economia política internacional"[2].

Os promotores da globalização compartilham de muitas percepções comuns.

Zygmunt Bauman, por exemplo, tenta determinar os mecanismos de interação entre estados e nações, propondo uma transformação de organizações "inter-nacionais" existentes para o que ele enxerga como instituições verdadeiramente universais e globais. Ele não mais tem qualquer interesse na instituição social do "estado", mas, ao invés, visualiza um "planeta social"[3]. Muitos outros estudiosos e políticos que similarmente promovem a globalização em sua forma atual estão repletos de alegria e otimismo em relação ao futuro. Porém, alguma crítica é necessária para uma avaliação objetiva do fenômeno.

Jacques Derrida disse há muitos anos que o ideal ou imagem eufórica da globalização como um processo de abertura de fronteiras que torna o mundo mais homogêneo deve ser desafiado com absoluta seriedade e vigilância. Não apenas porque essa homogeneização, onde ela era feita em realidade ou suposição possui lados positivos e negativos, mas também porque qualquer aparente homogeneização muitas vezes oculta as velhas ou novas formas de desigualdade social ou hegemonia. Josef Stiglitz, que tem estado intimamente envolvido no processo de globalização de dentro, também produziu inúmeras obras criticando a globalização desde que ele deixou o Banco Mundial.

Como um todo, o processo de globalização é muito abstrato, e assim demanda uma avaliação desde dentro e entre vários campos discretos das ciências sociais. David Harvey nota que "...se a palavra 'globalização' significa qualquer coisa sobre nossa recente geografia histórica, é mais provável de ser uma nova fase exata do mesmo processo subjacente da produção capitalista do espaço"[4]. Anthony G. McGrew, um professor de Relações Internacionais na Southampton University, descreve a globalização como "um processo que gera fluxos e conexões, não simplesmente entre estados-nações e fronteiras territoriais nacionais, mas entre regiões globais, continentes e civilizações. Isso convida a uma definição da globalização como: "um processo histórico que engendra uma mudança significativa no alcance espacial de redes e sistemas de relações sociais para padrões transcontinentais ou interregionais de organização humana, atividade e exercício de poder"[5].

É muito importante notar que em muitas definições de globalização nós podemos ver a primazia da economia, particularmente do capitalismo neoliberal, bem como a distribuição de poder que assim flui e sua influência ao redor do mundo. Nodos mais rápidos, mais flexíveis e mais robustos desse poder econômico possuem uma vantagem em difundir seus próprios fluxos de produção e troca de ideias e conhecimento, em efeito, um processo normativo e definidor da realidade. Eles fazem a globalização a sua própria imagem.

É também necessário compreender a natureza híbrida da globalização, compreendendo uma economia de mercado global, desenvolvimento tecnológico, e transformação societária e homogeneização global.

David Steingard e Dale Fitzgibbons, em uma crítica acadêmica do capitalismo global como dirigindo o processo de globalização, definiu a globalização "como um construto ideológico desenvolvido para satisfazer as necessidades capitalistas por novos mercados e fontes de trabalho e propelido pela adulação acrítica da comunidade acadêmica internacional"[6]. Porém, a globalização também tem sido concebida como uma prática discursiva. Nesse sentido, ela não é o resultado de forças "reais" de mercados e tecnologia, mas ao invés um construto retórico e discursivo, formado por práticas e ideologias que alguns grupos estão impondo sobre outros por vantagens políticas e econômicas.[7] Instituições educacionais globalmente prestigiosas, como Harvard, a LSE, e a Universidade de Columbia são incubadoras para uma elite política e econômica transnacional institucionalizada com uma agenda ideológica neoliberal. Assim elas dão ao neoliberalismo como a força motora e definidora da globalização "legitimidade intelectual" e uma fachada acadêmica.

Novas possibilidades de se comunicar mais rápido e de se conectar com mais pessoas não são apenas boas para interrelações pessoais e profissionais, mas para compartilhar e colaborar em experimentos científicos, pesquisas acadêmicas, etc. Nesse sentido, "a globalização deve ser entendida como a condição por meio da qual estratégias de localização se tornam sistematicamente conectadas com preocupações globais... Assim, a globalização aparece como um processo dialético (e portanto contraditório): o que está sendo globalizado é a tendência de enfatizar "localidade" e "diferença", e ainda assim "localidade" e "diferença" pressupõe o próprio desenvolvimento da dinâmica mundial de comunicação e legitimação institucionais"[8].

Em paralelo à globalização pode ser notado que, "amplas tendências econômicas, tecnológicas e científicas que diretamente afetam a educação superior e são majoritariamente inevitáveis no mundo contemporâneo. Esses fenômenos incluem a tecnologia da informação em suas várias manifestações, o uso de uma linguagem comum para a comunicação científica, e os imperativos da demanda massiva por educação superior..."[9].

Em outras palavras, a nova linguagem científica promovida pelos vencedores da globalização nivelam as diferenças culturais e solapam os aspectos tradicionais e regionais que incluem, mas não estão limitados às características religiosas, históricas, culturais e filosóficas dos povos do mundo. Também pode ser dito que a globalização através da troca de ideias também ameaça a instituição do estado soberano. Como? Tanto a troca independente de ideias como a instituição formal da educação pública são fundamentais não apenas para o desenvolvimento humano, mas também para a institucionalização, criação normativa e para a formação de legitimidade do estado. As pessoas, como capital humano, são desenvolvidas e utilizadas pelo estado moderno como qualquer outro recurso natural a sua disposição [10]. Se um governo não está envolvido no processo de educação pública e especial, há poderes externos que atuarão para preencher esse vazio. Como resultado, o capital potencial humano e a estabilidade de qualquer estado serão reduzidas.

Nós podemos também tentar ver esse aspecto da hegemonia desde o ponto de vista de outras culturas. O processo de globalização sugere simultaneamente duas imagens de cultura. "A primeira imagem engloba a extensão exterior de uma cultura particular até seu limite, o globo. Culturas heterogêneas se tornam incorporadas e integradas em uma cultura dominante que eventualmente cobre todo o mundo. A segunda imagem aponta para a compressão de culturas. Coisas previamente mantidas separadas são agora postas em contato e justaposição"[11].

Eu não considero controverso caracterizar a cultura globalmente dominante atual como uma pseudo-cultura ersatz de massa produzida nos EUA e promovida pelo consumismo global como o fruto da ideologia liberal.

O próprio liberalismo é uma criação sintética da estrutura global de poder ocidental, uma fachada humanitária por trás da qual o trabalho sujo do policiamento mundial pode seguir sem ser interrompido por espasmos idealistas no corpo político [12]. Assim, em um sentido radical "a globalização é o que nós nos Terceiro Mundo temos chamado há séculos de colonização" [13].

Finalmente, nós chegamos à questão dos valores. A globalização está ocorrendo em um paradigma de valores pós-modernos [14]. Desse jeito ela rejeita valores tradicionais e sistemas educacionais tradicionais, porque a lógica do pós-modernismo é a ausência de um centro, de um princípio absoluto. Ela, a priori, discrimina contra todas as outras culturas e ideias, e, também contra os portadores dessas ideias. Ela busca reduzir todas as outras culturas a uma caricatura clichê vazia e inofensiva que pode ser facilmente digerida e regurgitada dentro do contexto de uma cultura consumista global. É impossível para a cultura neoliberal dominante coexistir e se harmonizar com culturas tradicionais e criar um tipo singular artificial de cidadania global sem dano essencial a esses povos e sociedades. Assim a globalização se torna um processo de destruição cultural e homogeneização forçada.

O único jeito de remediar o processo de globalização é pela nivelação da disparidade de poder global e pelo estabelecimento de uma nova ordem internacional baseada na genuína multipolaridade, onde haverá diversos centros civilizacionais capazes de projetar o poder regionalmente. Isso preservará os paradigmas civilizacionais culturais e científico-educacionais, conectados com a vontade, valores e herança dos povos, e ainda ao mesmo tempo preservará a abertura para a cooperação e discurso internacionais, mas construídas sobre uma plataforma de confiança, ajuda mútua, respeito por diferenças culturais, e pelo direito ao próprio caminho histórico e de desenvolvimento de cada sociedade.

Na Rússia nós podemos ver o início de algumas tentativas de teorizar e construir os precursores de um novo sistema de educação como resposta para os milagres sombrios do pós-modernismo. O professor Aleksandr Dugin da Universidade Pública de Moscou propôs a ideia de uma estrutura educacional eurasiana que reflete a situação contemporânea global e a interdependência de países e nações, bem como o reconhecimento da necessidade de manter nossas tradições vivas e a proteger nossos povos da destruição criativa promovida pelo liberalismo ocidental.

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[1] Dreher A. Does Globalization Affect Growth? Empirical Evidence from a New Index. Applied Economics 38 (10), 2006. P. 1091-1110.
[2] United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO), MOST Annual Report 2001, seehttp://www.unesco.org/most/most_ar_part1c.pdf.
[3] Zygmunt Bauman. From Agora to Marketplace, and where to from Here? //Journal of Globalization Studies Vol. 2, Num. 1, May. 2011, p.13-14.
[4] David Harvey, Spaces of Hope (Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 2002), p. 54
[5] Anthony G. McGrew, “Global Legal Interaction and Present-Day Patterns of Globalization”, in V. Gessner and A. C. Budak (eds.), Emerging Legal Certainty: Empirical Studies on the Globalization of Law (Ashgate: Dartmouth Publishing Company, 1998), p. 327
[6] David Steingard and Dale Fitzgibbons, “Challenging the Juggernaut of Globalization: A Manifesto for Academic Praxis”, Journal of Organizational Change Management, Vol. 8, No. 4, 1995, pp. 30-54
[7] C. Walck and D. Bilimoria, “Editorial: Challenging ‘Globalization’ Discourses”, Journal of Organizational Change Management, Vol. 8, No. 4, 1995, pp. 3-5.
[8] Cesare Poppi, “Wider Horizons with Larger Details: Subjectivity, Ethnicity and Globalization”, in Alan Scott (ed.), The Limits of Globalization: Cases and Arguments (London: Routledge, 1997), p. 285.
[9] Philip G. Altbach, “Globalization and the University: Realities in an Unequal World”, Occasional Papers on Globalization, Vol. 2, No. 1, 2005, Globalization Research Center, University of South Florida, see http://www.cas.usf.edu/globalresearch/PDFs/Altbach.pdf.
[10] Volker H. Schmidt. Modernity, East Asia’s modernization and the New World Order
[11] Mike Featherstone, Undoing Culture, Globalization, Postmodernism and Identity (London: Sage, 1995), pp. 6-7
[12] Eric Norden, “The Tender Tyranny of American Liberalism,” The Realist, June 1966, 1-6, http://www.ep.tc/realist/a-b-set/09.html
[13] J. A. Scholte, “The Globalization of World Politics”, in J. Baylis and S. Smith (eds.), The Globalization of World Politics, An Introduction to International Relations (New York: Oxford University Press, 1999), p. 15.
[14] Endre Kiss. The dialectics of Modernity. A theoretical Interpretation of globalization//Journal of Globalization Studies Vol. 1, Num. 2, Nov. 2010, p. 16

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Leonid Savin - A Necessidade da Quarta Teoria Política

por Leonid Savin


A atual crise financeira mundial marca a conclusão do dano feito pela ideologia liberal que, tento aparecido durante a época do Iluminismo Ocidental, por décadas dominou a maior parte do planeta.

Vozes perturbantes e criticismo começaram durante o final do último século, com o nascimento de fenômenos como a globalização e o unimundialismo. Este criticismo soou não somente de oponentes externos – conservadores, Marxistas e povos indígenas –, mas começou dentre o campo da comunidade Ocidental. Pesquisadores perceberam que o moderno choque de globalização é a conseqüência do liberalismo universal, que se opõe a qualquer manifestação de distinções. O programa último do liberalismo é a aniquilação de quaisquer distinções. Por isso, o liberalismo mina não somente o fenômeno cultural, mas também o próprio organismo social. A lógica do liberalismo Ocidental contemporâneo é aquela do mercado universal desprovido de qualquer cultura que não seja aquela do processo de produção e consumo. [1]

A experiência histórica provou que o mundo liberal Ocidental tentou forçosamente impor sua vontade sobre todos os outros. De acordo com esta idéia, todos os sistemas públicos no Mundo são variantes do sistema – liberal – Ocidental [2], e suas características distintas devem desaparecer antes da aproximação da conclusão desta época mundial. [3]

Jean Baudrillard também declara que este não é o choque de civilizações, mas a quase resistência inata entre uma cultura homogênea universal e aqueles que resistem a esta globalização. [4]

Ideologias Universais

Além do liberalismo outras duas ideologias são conhecidas por terem tentando atingir a supremacia mundial: Nomeadamente, o Comunismo (isto é, o Marxismo em seus vários aspectos) e o Fascismo/Nacional-Socialismo. Como Aleksandr Gelyevich Dugin bem observa, o Fascismo surgiu após as duas outras ideologias e desapareceu antes delas. Após a desintegração da URSS, o Marxismo que nasceu no século XIX foi definitivamente desacreditado também. O liberalismo, baseado principalmente em uma sociedade individualista e atomista, nos direitos humanos e no Estado-Leviatã, descrito por Hobbes, emergiu por conta do bellum omnium contra omnes [5] e há desde então se manteve a isso.

Aqui é necessário analisar a relação das ideologias supracitadas no contexto da época e locos dos quais elas emergiram.

Sabemos que o Marxismo foi de certa forma, uma idéia futurística – o Marxismo profetizava a futura vitória do comunismo em uma época que, contudo, permaneceu incerta. Neste respeito, é uma doutrina messiânica por ver a inevitabilidade de sua vitória, que conduziria à culminação e ao fim do processo histórico. Mas Marx foi um falso profeta, e a vitória nunca aconteceu.

O Nacional-Socialismo e o Fascismo, ao contrário, tentaram recriar a abundancia de uma mítica Era Dourada, mas com uma forma modernista [6]. Fascismo e Nacional-Socialismo foram tentativas de inaugurar um novo ciclo, lançando as bases para uma nova Civilização como conseqüência do que foi visto como o declínio cultural e a morte da Civilização Ocidental (assim, de forma mais apropriada com idéia do Reich de Mil anos). Isto foi abortado também.

O Liberalismo (como o Marxismo) proclamou o fim da história, mais convenientemente descrita por Francis Fukuyama (o Fim da história e o último homem) [7]. Tal fim, contudo, nunca aconteceu; e temos, ao invés disso, um tipo nômade de “sociedade da informação”, composta de indivíduos egoístas atomizados [8], que consomem avidamente os frutos da técno-cultura. Além disso, colapsos econômicos tremendos acontecem em todo o mundo; conflitos violentos ocorrem (muitas revoltas locais, mas também guerras de longo termo em escala internacional); e assim, o desapontamento domina nosso mundo ao invés da utopia universal prometida em nome do “progresso” [9].

A Quarta Teoria Política e o Contexto do Tempo

Como deveriam os especialistas da nova quarta teoria política enquadrar suas análises no contexto das épocas do tempo histórico? Deveria ser a união com a eternidade, sobre a qual o teórico conservador-revolucionário Arthur Moeller van den Brück expõe em seu livro Das Dritte Reich.

Se os humanos considerarem a si mesmos e ao povo ao qual pertencem não como algo momentâneo, entidades temporais, mas em “perspectiva da eternidade”, então eles serão libertados das desastrosas conseqüências da abordagem liberal para a vida humana, onde os seres humanos são considerados a partir de um ponto de vista estritamente temporal. Se a premissa de A. Moeller van den Brück for alcançada, nós devemos ter então uma nova teoria política, cujos frutos serão simultaneamente conservadores e portadores dos novos valores que nosso mundo desesperadamente necessita.

De tal perspectiva histórica, é possível entender os elos entre a emergência de uma ideologia dentro de uma época histórica particular; ou o que foi chamado de zeitgeist, “espírito da era”.

O Fascismo e o Nacional-Socialismo perceberam as fundações da história no estado (Fascismo) ou na raça (Nacional-Socialismo Hitlerista). Para os Marxistas era a classe trabalhadora e as relações econômicas entre as classes. O Liberalismo, por outro lado, vê a história em termos do indivíduo atomizado, separado de um complexo de herança cultural, contato inter-social e comunicação. Contudo, ninguém considerou como sujeito da história o Povo como um Ser, com toda a riqueza dos elos interculturais, traduções, características étnicas e cosmovisão.

Se considerarmos as várias alternativas, até mesmo países nomeadamente “socialistas” adotaram mecanismos e modelos liberais que expuseram regiões com um modo de vida tradicional a uma acelerada transformação, deterioração e obliteração total. A destruição do campesinato, religião e laços familiares pelo Marxismo foram manifestações deste rompimento das sociedades orgânicas tradicionais, seja na China Maoísta ou na URSS sob Lênin e Trotsky.

Esta oposição fundamental à tradição, incorporada em ambos, liberalismo e Marxismo, pode ser entendida pelo método de análise histórica considerado acima: tanto o liberalismo quanto o Marxismo emergiram do mesmo zeitgeist na instância destas doutrinas, do espírito do dinheiro [10].

Alternativas ao Liberalismo

Muitas tentativas de criar alternativas ao neoliberalismo são agora visíveis – o socialismo Libanês de Jamahiria, o Xiismo político no Irã, onde o principal objetivo do estado é aceleração para a chegada do Mahdi e a revisão do socialismo na América Latina (as reformas na Bolívia são especialmente indicativas). Estas respostas anti-Liberais, no entanto, são limitadas dentro das fronteiras do Estado-Nação singular em questão.

A antiga Grécia é a fonte de todas as três teorias da filosofia política. É importante entender que no principio do pensamento filosófico, os Gregos consideravam primeiramente a questão do Ser. Contudo, eles arriscaram o ofuscamento pelas nuances das altamente complicadas relações entre o ser e o pensamento, entre o puro ser (Seyn) e sua expressão na existência (Seiende); entre o ser humano (Dasein) e o próprio ser em si (Sein). [11]

Por isso, a renúncia ao (neo) Liberalismo e a revisão das antigas categorias e, talvez, de toda Filosofia Ocidental são necessárias. Nós deveríamos desenvolver uma nova ideologia política que, de acordo com Alain de Benoist, será o Novo (Quarto) Nomos da Terra. O filósofo Francês está certo em sua observação de que a reconsideração positiva da identidade coletiva é necessária; para o nosso inimigo não é “o outro”, mas uma ideologia que destrua todas as identidades. [12]

É digno de nota que três ondas de globalização foram os corolários das três teorias políticas supramencionadas (Marxismo, Fascismo e Liberalismo). Como resultado, depois disso nós precisamos de uma nova teoria política, que geraria a Quarta Onda: o restabelecimento do Povo (todos eles) com seus valores eternos. E, é claro, após a consideração filosófica necessária, a ação política deve acontecer.

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Fonte: Necessity of the Fourth Political Theory

Leonid Savin é o Administrador Chefe do “Movimento Eurasiano Internacional”; Editor Chefe da “Geopolítica do pós-modernismo”, internet media (www.geopolitica.ru); Especialista Sênior no Centro de Pesquisa Geopolítica e Parceiro no Centro de Estudos Conservadores da Faculdade de Sociologida da Univercidade Estadual de Moscou.

Publicado na revista Ab Aeterno No. 3.

[1] Gustav Massiah, “Quelle response a la mondialisation”, em Après-demain (4-5-1996), p.199.

[2] Por exemplo, a insistência que todos os estados e povos deveriam adotar o sistema parlamentar Inglês de Westminster como um modelo universal, independentemente de tradições ancestrais, estruturas sociais e hierarquias.

[3] “Les droits de l´homme et le nouvel occidentalisme”, em L’Homme et la société (numéro spécial [1987]), p.9

[4] Jean Baudrillard, Power Inferno, Paris: Galilée, 2002. Também veja, por exemplo Jean Baudrillard, “The Violence of the Global”. ().

[5] Em Português: A guerra de todos contra todos.

[6] Por isso o criticismo do Nacional-Socialismo e do Fascismo por Tradicionalistas de Direita como Julius Evola. Ver K. R. Bolton, Thinkers of the Right, (Luton, 2003), p.173.

[7] Francis Fukuyama, The End of History and the Last Man , Penguin Books, 1992.

[8] G Pascal Zachary, The Global Me, NSW, Australia: Allen and Unwin, 2000.

[9] Clive Hamilton, Affluenza: When Too Much is Never Enough, NSW, Australia: Allen and Unwin, 2005.

[10] Este é o significado da declaração de Spengler, de que “Herein lies the secret of why all radical (i.e. poor) parties necessarily become the tools of the money-powers, the Equites, the Bourse. Theoretically their enemy is capital, but practically they attack, not the Bourse, but Tradition on behalf of the Bourse. This is as true today as it was for the Gracchuan age, and in all countries…” Oswald Spengler, The Decline of the West (London: George Allen & Unwin, 1971), Vol. 2, p. 464.

[11] Note Martin Heidegger nestes termos.

[12] – Ален де Бенуа (Alain de Benoist), Против Либерализма (Contra o Liberalismo), São Petersburgo: Амфора, 2009, pp.14 -15.