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sábado, 12 de maio de 2012

A moral de Marx nos ingleses




A moral marxista é também de origem inglesa. O marxismo revela em cada frase que os processos de pensamento a partir do qual nasceram foram teológicos e não políticos. Sua teoria econômica é o resultado de uma atitude moral fundamental, e a visão materialista da história é simplesmente o capítulo final de uma filosofia com raízes na Revolução Inglesa, cujos humores bíblicos permaneceram dominantes no pensamento inglês.

É por isso que os conceitos básicos de Marx são sentidos como alternativas morais. As palavras "Socialismo" e "Capitalismo" são os termos para o bem e o mal desta religião irreligiosa. O "burguês" é o diabo, o assalariado é o anjo de uma nova mitologia, e necessita-se de apenas uma amostra vulgar dos caminhos do Manifesto Comunista, para reconhecer-se por trás da máscara literária, um "Cristianismo dos Independentes". A evolução social é "a vontade de Deus." O "objetivo final", em uma idade anterior, era a salvação eterna, o colapso "da civilização burguesa"costumava ser chamado de Juízo Final.

Marx conseguiu pregar o desprezo pelo trabalho. Talvez ele mesmo não tenha percebido isso. O trabalho (longo, duro, cansativo) é para ele uma desgraça, e o ganho sem esforço uma bênção. Por detrás do desprezo tipicamente Inglês para com o homem que vive com o suor de seu próprio rosto, é que podemos sentir o instinto do Viking, cuja vocação é a pirataria e não remendar velas. Por este motivo, o trabalhador manual é mais escravo na Inglaterra do que em qualquer outro lugar. E a sua escravidão é moral, ele sente que sua profissão se opõe ao que ostenta o título de "Gentleman". Os conceitos de "burguesia" e "proletariado" geralmente refletem a preferência do inglês para os negócios, em vez do trabalho manual. [20] O primeiro é uma bênção, o último uma calamidade, um é nobre, o outro, plebe. Mas, com seu ódio os infelizes dizem: "O negócio é a ocupação do mal, o trabalho manual do bom." (20. Mas é claro que não sobre trabalho mental. Assim como o intelectual Inglês foi por escolha, quer um Tory ou um Whig, ele teve de escolher entre os dois novos grupos econômicos. Sendo um "Gentlemen", ele naturalmente optou pelos grandes negócios.)

Esta é a explicação para a atitude mental que deu origem à crítica social de Marx e que o tornou tão catastrófico para o verdadeiro socialismo. Ele sabia a natureza do trabalho apenas do ponto de vista Inglês, como um meio de ficar rico, como um meio carente de toda profundidade moral. Só sucesso e dinheiro, os sinais visíveis e tangíveis da graça de Deus, foram importados da ética. O inglês não tem noção da dignidade do trabalho duro. Para ele, o trabalho é uma coisa humilhante, uma necessidade feia. Vê de maneira compassiva a pobre alma que não tem nada além do trabalho, que não possui nada além de mais e mais trabalho, mas que acima de tudo, nunca terá riqueza no futuro! Se Marx tivesse entendido o significado do trabalho na Prússia, da atividade de sua própria causa, de serviço em nome da totalidade, pois "todos juntos" e não para si mesmo, do dever que enobrece, independentemente do tipo de trabalho realizado, se tivesse sido capaz de compreender estas coisas, seu Manifesto provavelmente nunca teria sido escrito.

Sobre este assunto ele era auxiliado por seu instinto racial, que ele mesmo caracterizou em seu ensaio sobre a questão judaica. A maldição do trabalho físico se pronunciou no início da Gênesis, a proibição da profanação do Sabbath pelo trabalho, essas coisas fizeram-no receptivo ao pathos do Antigo Testamento e a sensibilidade inglesa. Daí o seu ódio àqueles que não precisam trabalhar. O socialismo de Fichte iria acusar essas pessoas de preguiça, iria marcá-los como irresponsáveis, preguiçosos e parasitas dispensáveis. Mas o instinto marxista os inveja. Eles estão muito bem desta meneira, portanto, eles [marxistas] devem se revoltar contra esta situação. Marx inoculou o seu proletário com um desprezo pelo trabalho. Seus discípulos fanáticos querem destruir toda a cultura, a fim de diminuir a quantidade de trabalho indispensável. Martin Luther elogiou a atividade manual mais simples como agrado a Deus, Goethe escreveu sobre a "demanda do dia." No entanto, Marx sonhava com o proletariado "Feácio" que possuiria tudo sem nenhum esforço. Isto é, afinal, o significado da expropriação do abençoado. E, tanto quanto o o instinto inglês se envolveu, ele estava correto. O que o inglês chama de felicidade, negócios de sucesso que poupa trabalho físico e, portanto, faz um "Gentlemen", é bom para todos os ingleses. Para nós, é obsceno. E cheira a mafiosos e esnobes.

Oswald Spengler in Prussianismo e Socialismo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Marxismo é Religião

A segurança de que a história estava ao seu lado foi um grande fomento para os revolucionários. Eles aprenderam com júbilo que a causa pela qual eles estavam impelidos de qualquer modo, por motivos desde um senso de injustiça até ressentimentos invejosos, estavam predestinados ao triunfo. Essa crença é essencialmente uma fé religiosa. Não obstante todas as suas possibilidades como instrumento analítico, o marxismo tornou-se, acima de tudo, uma mitologia popular, baseada em uma visão da história que postulava que os homens estavam fadados pela necessidade, porquanto suas intituições estavam determinadas por métodos de produção evolutivos; baseava-se também na fé de que a classe trabalhadora era o povo eleito, cuja peregrinação por um mundo terrível terminaria com o estabelecimento de uma sociedade justa na qual as necessidades da lei de ferro deixariam de existir. Os revolucionários poderiam, assim, ficar confiantes de possuírem argumentos cientificamente irrefutáveis em direção a um progresso irrefutável para um novo milênio socialista, enquanto se empenhando em um ativismo social que parecia mesmo desnecessário. (...)

Essa nova religião foi uma inspiração para a organização da classe trabalhadora; a primeira organização internacional de trabalhadores surgiu em 1863. Embora composta por muitos que não seguiam as idéias de Marx (anarquistas, entre outros), sua influência era grande nela (ele próprio era seu secretário). Seu nome assustava os conservadores, dentre os quais havia aqueles que o culpavam pela Comuna de Paris. Quaisquer que fossem seus motivos, seus instintos estavam corretos. O que se deu após 1848 foi que o socialismo tomou a tradição revolucionária dos liberais, e a crença no papel histórico da classe trabalhadora industrial, ainda pouco visível fora da Inglaterra (sem falar longe de ser predominante noutros países), estava baseada na tradição que mantinha que, de modo geral, a revolução não teria erro. Formas de pensar a Política que evoluíram da Revolução Francesa foram assim transferidas para sociedades nas quais elas mostrar-se-iam crescentemente inapropriadas. Quão fácil tal transição poderia ser mostrava-se pelo modo como Marx tomou o drama e a exaltação mítica da Comuna de Paris para o socialismo. Numa poderosa brochura ele a anexou a suas próprias teorias, embora ela fosse, na verdade, o produto de muitas forças complicadas e diversas, expressando pouco no sentido de igualitarismo, muito menos de socialismo ‘’científico’’. A Comuna emergiu, ainda, em uma cidade na qual, embora enorme, não era um grande centro manufatureiro, para os quais Marx predisse que a revolução proletária se desenvolveria. Os proletários, em vez disso, mantiveram-se persistentemente quiescentes. A Comuna foi, de fato, o último e maior exemplo do radicalismo revolucionário tradicional parisiano, que resultou em um grande fracasso (e o socialismo sofreu por isso, em virtude das medidas repressivas decorrentes), que não dissuadiu Marx de fazê-la ponto central na mitologia socialista.

(ROBERTS, J.M. ''History of The World'')