29/07/2026

Julius Evola - Uma Linguagem Codificada na Divina Comédia

 por Julius Evola

(1954)



Data de 1927 uma obra que deveria ter marcado uma revolução no campo dos estudos dantescos, mas que, após algumas discussões num âmbito restrito, hoje parece ter deixado mais ou menos as coisas no ponto em que estavam: sinal, este, da obtusa força de inércia própria aos hábitos e aos cânones de certa crítica oficial firmemente instalada nos postos de comando da cultura e do ensino italiano. A obra a que aludimos tinha por título: Il linguaggio segreto di Dante e dei Fedeli d’Amore e autor era Luigi Valli, nobre figura de pensador, de erudito e de homem político (foi também um dos primeiros expoentes militantes do nacionalismo), que viria a morrer não muitos anos após a saída daquele livro quase na linha de combate: no decurso de uma das suas numerosíssimas e apreciadas conferências destinadas a defender e a elucidar as suas teses. Estas dizem respeito a uma dimensão secreta e ignorada não só de Dante, mas também da literatura que se costuma designar como a dos «Fiéis do Amor» e que tem estreitas relações com o «doce estilo novo». A dizer verdade, as teses de Valli não eram novas e inusitadas senão com referência à Itália, e ao plano de rigorosa crítica em que vinham agora formuladas.

18/07/2026

Julius Evola - Enquadramentos Dantescos

 por Julius Evola

(1939)


Quem examinasse a obra recentíssima de Merezhkovsky sobre «Dante», que viu pela primeira vez a luz traduzida para o italiano por Küfferle (Ed. Zanichelli, Bolonha, 1939), receberia uma impressão oposta à que pode dar outra obra do mesmo escritor, saída também há pouco na Itália, sobre «Tolstói e Dostoiévski». 

Com efeito, ao ler esta segunda obra, podia-se ser incentivado unicamente pelo nome do autor: mas, uma vez enfrentada a leitura, fica-se agradavelmente surpreso ao constatar que Tolstói e Dostoiévski, como também os seus personagens e os seus problemas, no fundo não servem a Merezhkovsky senão como pretexto, como pontos de partida para enfrentar grandes problemas espirituais que certamente transcendem o plano da simples literatura. Na obra sobre Dante, pelo contrário, nós vemos que o autor no fundo fica aquém do argumento a analisar e a interpretar. Isto, pode-se dizê-lo no entanto de um ponto de vista todo particular. Se se tem em vista o nível dos chamados «estudos dantescos», pode-se sem dúvida dizer que a obra de Merezhkovsky está «em ordem», é rica de sugestões felizes, de efetivas dramatizações, de enquadramentos que já remetem a problemas espirituais e religiosos gerais. As coisas, porém, passam-se de outro modo, se se tem em vista não o Dante da comum exegese literária, teológica ou psicológica, o Dante dos vários Passerini, D’Ovidio, Papini e companhia, mas aquele Dante secreto, que já começou a ser pressentido por um Aroux, por um Rossetti, depois por um Pascoli e com traços sempre mais claros por um Guénon e por um Valli. No que diz respeito à interpretação de Merezhkovsky ser «esotérica» perante as comuns avaliações dantescas, ainda assim ela aparece em grande medida profana quando é este segundo Dante que se tem em vista. 

12/07/2026

Aleksandr Dugin - O Tempo de Lyapunov

 por Aleksandr Dugin

(1995)


Na física moderna, que explora principalmente “as condições não controladas” e os sistemas caóticos, há um termo técnico para se referir a isto – “o tempo de Lyapunov”. Este termo designa um momento, quando em um certo processo (físico, mecânico, quântico, e inclusive biológico) se ultrapassa seus limites precisos (ou probabilísticos) de previsibilidade e se entra em uma etapa caótica. Em outras palavras, a trajetória de um certo processo está subordinada a leis estritas apenas durante um certo momento em tempo real. Além deste momento, a “normalidade” se acaba e o “tempo de Lyapunov” paradoxalmente se apodera dele (ou para ser mais preciso, o “tempo positivo de Lyapunov”). As características deste “tempo” são muito curiosas. Ao contrário do tempo físico-mecânico normal, o qual é visto pela física clássica como uma quantidade essencialmente reversível (isto quer dizer que o tempo é fundamentalmente um eixo estático, adicionando uma quarta dimensão às três dimensões do espaço; em referência ao modelo educacional de Einstein), o “tempo de Lyapunov” flui irreversível, apenas em uma direção, e, consequentemente, não consiste em uma trajetória definitiva (em um espaço de quatro dimensões), mas em eventos, movimentos completamente imprevisíveis, alguns dos quais são arbitrários, acidentais, irregulares. Os processos que ocorrem durante o “tempo de Lyapunov” são caóticos em contraste com os da mecânica clássica.