Refletindo cheguei à uma conclusão: Gustavo Barro foi extremamente fracassado como historiador, se não foi maléfico.
Por
que? Porque é de se notar à primeira vista ( como na coleção do Brasil
no ciclo de Guerras Platinas e no livro " A História Secreta do Brasil")
que suas "análises" históricas são produto de uma intenção puramente
ideológica que cria uma história que seja compatível com a doutrina
integralista, inventado, mascarando, e até mesmo dando palpites pessoais
em casos ocorridos na história ( em alguns casos, como as descrições
dos líderes platinos, Barroso usa como fonte de descrição da
personalidade de tais líderes os escritos da oposição, mostrando seu
não-valor histórico), produzindo um compilamento histórico que só
existiu na cabeça dos integralistas e das forças armadas brasileiras,
sendo apenas uma peça de museu e um obstáculo para aqueles que realmente
buscam entender o que se passou nas realidades de outrora.
É
interessante ver, também, que a mesma tendência que se encontra em
Gilberto Freyre de depreciar tudo, mesmo que de forma extremamente culta
e sutil, aquilo que não representa a glória passada do atual nordeste
decandente e miserável, é possível ser vista na obra de Barroso, onde as
"glórias" brasílicas, de acordo com o esquema historicista barrosiano,
só pertencem ao Nordeste e à Monarquia brasileira fixada no Rio de
Janeiro, usando isto, pois, como presuposto para interpretar o Brasil,
um país continental e recheado de nações, apenas pela visão do eixo
Fluminense-Nordestino.
Barroso como poeta, tradutor, romancista,
analista político e literário sem dúvida alguma é um homem universal,
mas qualquer livro de Oliveira Viana, de Alfredo Varela, de Euclides da
Cunha, ou até mesmo do separatista paraibano Allyrio Meira Wanderley,
vale por toda a obra historicista de Barroso.
Diferentemente de
Gustavo Barroso, a função do historiador perante o comportamento do
Estado é a de procurar a integração da Pátria e não o monopólio de uma
região, uma relação amistosa com os países vizinhos e jamais falsear os
erros passados para que o futuro do Estado não se torne tirânico e
caótico.Se Barroso foi contaminado pelo positivismo unitarista ( que é
fruto das revoltas jacobinas, que Barroso tanto criticou ), e tão
inocentemente desenvolveu suas teorias, já é outra discussão. O que vale
lembrar é que Gustavo Barroso não é Deus, não é a Verdade e nem o
Orgulho da Raça ( como Camões & Cervantes ), por isso não deve
existir receio em criticar-lo.
Com tal reflexão podemos entender o
porquê de muita coisa, inclusive a prostração política e social do
Brasil em mãos de alguns imbecis e boçais defensores de algo que nunca
existiu, que não existe e que nunca existirá.
Por isto o
dissidente deve buscar, por obrigação, uma análise crítica
desconstrutivista que vá ao cerne das questões mais fundamentais e
descobrir quem é e quais são as intenções daqueles que criam os
discursos político-culturais, caso queira modificar a realidade criando
uma nova realidade, chutando e desmentindo tudo aquilo que não possui
utilidade e nem beleza, e desestabilizar o poder político hegemônico,
criando um terreno de dissenso e não de consenso.

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