Humanidade

"A Humanidade não é um conceito político (...). A Humanidade das doutrinas fundadas sobre o direito natural, liberais e individualistas, é uma construção social ideal de carácter universal, ou seja, englobando todos os homens da terra (...). Esta sociedade universal não conhecerá mais os povos (...). O conceito de Humanidade é um instrumento ideológico particularmente útil às expansões imperialistas e, sob a sua forma ética e humanitária, é o veículo específico do imperialismo económico (...) Tendo dado um nome tão sublime comporta certas consequências para aquele que o assume, o facto de se atribuir o nome de Humanidade, de o invocar e de o monopolizar, é manifestar uma pretensão assustadora para fazer o seu inimigo recusar a sua condição de ser humano, para o declarar fora-da-lei e fora da Humanidade e partindo a provocar a guerra até aos limites extremos do humano."
(Carl Schmitt)

29/03/2011

Meditação no Cume de uma Montanha

por Julius Evola

Está verdadeiramente desperto meu Espírito?
Quando olho para o alto, em meio ao céu azul,
O voto do existente se me apresenta como uma evidência;
E eu não temo a doutrina da realidade das coisas.
Quando volto meu olhar para o Sol e a Lua.
A iluminação se manifesta distintamente à minha consciência;
E eu não temo o embotamento, nem a torpeza.
Quando volto o olhar para o cume das montanhas,
O imutável da contemplação se apresenta distintamente à minha consciência;
E eu não temo a cessante inconstância do vão teorizar.
Quando olho para baixo, em meio aos rios,
A idéia da continuidade se apresenta distintamente à minha consciência,
E eu não temo a imprevisibilidade dos acontecimentos;
Quando vejo a imagem do arco-íris,
O vazio dos fenômenos fica experimentado no ponto central de meu ser interior;
E eu já não temo mais, nem aquilo que perdura, nem aquilo que fenece.
Quando vejo a imagem da Lua refletida na água,
A auto-liberação, desligada de todos os interesses, se apresenta diáfana à consciência.
E nenhum interesse tem já poder sobre mim.
Quando olho dentro de minha alma,
A Luz do interior do recipiente se apresenta clara à consciência:
E não temo a torpeza, nem a estupidez...



Guerra Justa

"A guerra é uma coisa feia, mas não é a mais feia das coisas: O decadente e degradado estado de sentimento moral e patriótico que acha que nada vale uma guerra é pior. Quando um povo é usado como mero instrumento humano para disparar canhões ou usar baionetas, ao serviço e para os propósitos egoístas de um dono, tal guerra degrada um povo. Uma guerra para proteger outros homens contra a injustiça tirânica, uma guerra para alcançar a vitória das suas próprias ideias de certo e bom, e que portanto é a sua própria guerra, travada de livre vontade por um propósito honesto, é frequentemente o meio de regeneração. Um homem que não tem nada pelo qual esteja disposto a lutar, nada que lhe importe mais do que o seu conforto pessoal é uma criatura miserável que não tem qualquer possibilidade de ser livre, a não ser pelos esforços de homens melhores do que ele."
(John Stuart Mill)


28/03/2011

Mística da Ação

"Fazer, fazer não importa o quê, não importa como, ser revoltoso por princípio, expressar a própria energia por todos os meios, por todas as audácias: o sangue jamais corre em vão."
(Ernst von Salomon)

27/03/2011

20 Teses

por George Ivanovich Gurdjieff

1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em si, analisando suas atitudes.

2) Aprenda a dizer não, sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3) Planeie seu dia, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de si.

4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você fatiga-se.

5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo continua sem si, excepto você mesmo.

6) Deixe de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimónias.

7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9) Tente descobrir o prazer de actos quotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo que se consegue na vida.

10) Evite envolver-se na ansiedade e tensão alheias enquanto há ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a acção.

11) A família não é você, está junto de si, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.

13) É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilómetros. Não adianta estar mais longe.

14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância subtil de uma saída discreta.

15) Não queira saber se falaram mal de si e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que disseram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é óptimo ... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

18) Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19) Não abandone as suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!

20) E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: Você é o que se fizer ser!

O Primado do Conhecimento

"Uma nação só vive porque pensa. Cogitat ergo est. A força e a riqueza não bastam para provar que uma nação vive duma vida que mereça ser glorificada na História - como rijos músculos num corpo e ouro farto numa bolsa não bastam para que um homem honre em si a Humanidade. Um reino de África, com guerreiros incontáveis nas suas aringas e incontáveis diamantes nas suas colinas, será sempre uma terra bravia e morta, que, para lucro da Civilização, os civilizados pisam e retalham tão desassombradamente como se sangra e se corta a rês bruta para nutrir o animal pensante. E por outro lado se o Egipto ou Tunis formassem resplandescentes centros de ciências, de literaturas e de artes, e, através de uma serena legião de homens geniais, incessantemente educassem o mundo - nenhuma nação mesmo nesta idade do ferro e de força, ousaria ocupar como um campo maninho e sem dono esses solos augustos donde se elevasse, para tornar as almas melhores, o enxame sublime das ideias e das formas.
(...) Se uma nação, portanto, só tem a superioridade porque tem pensamento, todo aquele que venha revelar na nossa pátria um novo homem de original pensar concorre patrioticamente para lhe aumentar a única grandeza que a tornará respeitada, a única beleza que a tornará amada; - e é como quem aos seus templos juntasse mais um sacrário ou sobre as suas muralhas erguesse mais um castelo."
(Eça de Queirós)

Direita Liberal: o pior dos inimigos

"A direita não é hoje mais do que a esquerda no culminar da sua fase senil. A guerra ao sagrado, nunca finalizada pela esquerda, é mais eficazmente conduzida pela direita ocidentalista, e não com a construção racional da ciência, mas com as bandeiras da liberdade e da democracia, duas ilusões que não têm sequer necessidade de alimentar utopias mas apenas de formal enunciação. Onde o materialismo científico falhou, o Pentágono triunfa, com o chapéu de ideias da direita liberal que impõe o modelo único do indivíduo constrangido a um único destino: o consumo. E a consumir-se a si."
(Pietrangelo Buttafuoco)

23/03/2011

Dois lados da mesma moeda

“Quando vi na Checoslováquia as primeiras habitações sociais, julguei estar a ver a própria manifestação do horror comunista. Só mais tarde compreendi que o comunismo me mostrava, numa versão hiperbolizada ou caricatural, os traços comuns do mundo moderno. A mesma burocratização omnipresente. A luta de classes substituída pela arrogância das instituições com os utentes. A degradação do saber artesanal. A imbecil juvenofilia do discurso oficial. As férias organizadas em manadas. A fealdade do campo donde desaparecem as marcas da mão camponesa. A uniformização. E, entre todos esses denominadores comuns, o pior de todos: a falta de respeito pelo indivíduo e pela sua vida privada…
A experiência do comunismo afigura-se-me uma excelente introdução ao mundo moderno em geral; tornou-me mais sensível aos fenómenos absurdos que estamos prontos a ver aqui como sendo de uma inocente banalidade ou como um atributo necessário da Santa Democracia.”
(Milan Kundera)

21/03/2011

O Homem, Animal Selvagem

"Se a pessoa deixar de olhar para os manuais de biologia e começar a olhar para os animais e para os homens, chegará à espantosa conclusão (no caso de ter sentido de humor e imaginação, bem como uma certa dose de frenesim e de farsa), não de que o homem se parece imenso com os animais, mas de que se parece muito pouco com eles. Aquilo que tem de ser explicado não é a semelhança, é a monstruosa escala da dissemelhança. Que o homem é parecido com os animais é, em certo sentido, um truísmo; mas que, sendo tão parecidos, eles sejam tão inconcebivelmente diferentes, isso é que é um choque e um enigma. O facto de o macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o facto de, apesar de ter mãos, ele quase nada fazer com elas: não joga ás pedrinhas nem toca violino, não esculpe o mármore nem trincha um peru. As pessoas falam da falta de gosto na arquitectura e da arte degenerada. O certo, porém, é que os elefantes não constroem templos colossais em marfim, nem sequer em estilo rococó; e que os camelos não pintam, nem sequer quadros de má qualidade, embora disponham de material que lhes permite produzir uma enorme quantidade de pincéis de pêlo de camelo. Há certos sonhadores modernos que afirmam que as formigas e as abelhas constituem sociedades superiores às nossas. Não há dúvida de que esses animais têm uma civilização; mas essa verdade apenas nos recorda que se trata de uma civilização inferior. Já alguém viu a sala de estar de uma formiga decorada com bustos de formigas famosas? Já alguém viu uma colmeia decorada com imagens de esplendorosas abelhas-mestras de antanho? Não; o abismo que existe entre o homem e as restantes criaturas poderá ter uma explicação natural; mas lá que se trata de um abismo, disso não há qualquer dúvida. Falamos dos animais selvagens; mas a verdade é que o homem é o único animal selvagem da criação. O homem foi o único animal que fugiu. Os outros animais são todos domésticos; todos eles acatam a inflexível respeitabilidade da tribo e da espécie. os outros animais são todos domesticados; o homem é o único animal que permanece por domesticar, que pode ser um devasso ou um monge."
(G.K. Chesterton, em "Ortodoxia")

20/03/2011

A Independência do Masculino

"O fato de que ao pensar no homem se destaque primeiramente seu afã pela mulher, revela, sem mais, que nessa época predominam os valores da feminilidade. Somente quando a mulher é o que mais se estima e encanta tem sentido apreciar ao varão pelo serviço e culto que a ela renda. Não há sintoma mais evidente de que o masculino, como tal, é preterido e desestimado. Porque assim como a mulher não pode em nenhum caso ser definida sem referi-la ao varão, tem este o privilégio de que a maior e melhor porção de si mesmo é independente por completo de que a mulher exista ou não. Ciência, técnica, guerra, política, esporte, etc., são coisas que o homem se ocupa com o centro vital de sua pessoa, sem que a mulher tenha intervenção substantiva. [...] É uma realidade de primeira magnituda com que a natureza, inexorável em suas vontades, nos obriga a contar.

A veracidade, pois, me força a dizer que todas as épocas masculinas da história se caracterizam pela falta de interesse pela mulher. Esta fica relegada ao fundo da vida."
(José Ortega y Gasset)

19/03/2011

Lobo da Estepe

"Não se trata aqui do homem conhecido das escolas, da economia política ou da estatística, nem do homem que aos milhões anda pela rua e não tem mais importância do que a areia ou a espuma dos mares: pouco adiantam alguns milhões a mais ou a menos; são material e nada mais. Não, nós falamos aqui do homem no sentido elevado do termo, do largo caminho da encarnação humana, do homem verdadeiramente real, dos imortais. O génio não é tão raro como em geral nos parece, nem tão frequente como pretendem as histórias literárias, a história universal e até mesmo os jornais.(…) É tão estranho e entristecedor que homens de tais possibilidades surjam como lobos da estepe e com “duas almas, ai!” e que mostrem tamanha afeição cobarde ao burguês. Um homem capaz de compreender Buda, um homem que tem noção dos céus e dos abismos da natureza humana, não deveria viver num meio em que domina o senso comum, a democracia e a educação burguesa. Só por cobardia continua a viver nele, e quando as suas dimensões o oprimem, quando a estreita cela do burguês se torna demasiado apertada, ele atribui tudo isto ao ‘ ‘lobo” e não quer aperceber-se de que, às vezes, o lobo é a sua parte melhor. Tudo o que há de feroz dentro de si ele atribui-o ao lobo e tem-no por mau, perigoso, o terror dos burgueses; mas ele que, no entanto, crê-se um artista e supõe ter sensibilidade, não é capaz de ver que fora do lobo, atrás do lobo, vivem no seu interior muitas outras coisas: que nem tudo o que morde é lobo; que dentro de si habitam também a raposa, o dragão, o tigre, o macaco e a ave-do-paraíso, e que todo este mundo é um éden cheio de milhares de seres, formosos e terríveis, grandes e pequenos, fortes e delicados, mundo asfixiado e cercado pelo mito do lobo — tanto como o verdadeiro homem que nele há é asfixiado e preso apenas pela sua aparência de homem, pelo burguês."
(Hermann Hesse, O Lobo da Estepe)

18/03/2011

Esperança

"Que se há-de fazer? Proclamar a excelência dos princípios perante a carência das pessoas, defender a herança contra o herdeiro, conforme ensinava o Mestre da Action Française. E esperar que o tempo das trevas se dissipe, porque há uma coisa que os democratas, descendentes de dinastias outrora gloriosas, não nos podem roubar - é a esperança."
(Antonio José de Brito)

Rebanho Humano

"...cada dia o exercício do livre-arbítrio do homem se torna menos útil e menos freqüente; circunscreve a vontade a limites cada vez mais estreitos e graduamente lhe vai retirando o gozo de si mesmo... tal poder não destrói, porém minimiza a existência; não tiraniza, porém comprime, enerva, restringe e idiotiza a um povo, até que cada nação é reduzida a nada mais que um rebanho de tímidos e industriosos animais, dos quais o governo é o pastor."
(Alexis de Tocqueville)

16/03/2011

A Revolução começa localmente

"Existem outras maneiras de utilizar o sol e o vento que não dependem de engenhocas de alta tecnologia do tipo dos painéis solares e das turbinas e, futuramente, recorreremos cada vez mais a elas. Um cavalo de carga é uma ferramenta agrícola movida a energia solar, capaz de se reproduzir, ou seja, auto-renovável. Implica, no entanto, um sistema de agricultura inteiramente diferente. Uma horta é uma actividade movida a energia solar que produz alimentos à escala familiar. Na nossa época, as hortas perderam importância, transformando-se quase em decoração de exteriores. Com o fim do petróleo, teremos certamente de produzir mais alimentos perto dos locais em que habitamos, e será isso que farão aqueles de nós que possuírem alguma terra, nem que seja um quintal numa casa citadina. A energia eólica, solar e hidráulica pode realizar muito trabalho útil, a pequena e média escala, sem recorrer aos combustíveis fósseis. Teremos certamente de recorrer mais a elas em pequena escala e a nível local, seja o que for que nos reserve o futuro."
(John Howard Kunstler)

15/03/2011

Como não possuo

por Mário de Sá-Carneiro

Olho em volta de mim. Todos possuem —
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh’alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse — ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo…
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?…

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!…

Desejo errado… Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim — ó ânsia! — eu a teria…

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Solidão Heróica

"Permanecer só, numa sociedade onde, cada dia mais, o vosso interesse evidente é o de se juntarem aos demais, é esta forma de heroísmo que vos convido aqui a saudar!"
(Henry de Montherlant)

14/03/2011

Sergey Nechayev - Catecismo de um Revolucionário

por Sergey Nechayev

DEVERES DO REVOLUCIONÁRIO PARA COM ELE PRÓPRIO:

I - O revolucionário é um homem com um destino. Não tem nem negócios ou interesses pessoais, nem sentimentos ou afeições, nem propriedade, nem mesmo um nome. Nele tudo está absorvido por um só interesse exclusivo, um só pensamento, uma só paixão: A Revolução.

II - No mais profundo do seu ser, e não somente em palavras, mas também em atos, quebrou todo o laço com a ordem burguesa e o conjunto do mundo civilizado, assim como com as leis, as tradições, a moral e os costumes que têm lugar nesta sociedade. É o inimigo implacável desta sociedade, e se aí continua a viver, é unicamente para melhor a destruir.

III - Um revolucionário despreza toda a teoria; renuncia à ciência atual e abandona-a para as gerações vindouras. Não conhece senão uma só ciência: a destruição. É para este fim, e só para este fim, que estuda a mecânica, a física, a química e, se a ocasião se apresentar, a medicina. É no mesmo propósito que se dedica, dia e noite, ao estudo das ciências da vida: os homens, os seus caracteres, as suas relações entre eles, assim como as condições que regem em todos os domínios a ordem social atual. O objetivo é sempre o mesmo: destruir o mais rapidamente e o mais seguramente possível esta ignomínia que é a ordem universal.

IV - O revolucionário despreza a opinião pública. Tem desprezo e ódio pela moral social atual, pelas suas diretivas e suas manifestações. Para ele, o que é moral, é o que favoriza o triunfo da Revolução, o que é imoral e criminoso, é o que a contraria.

V - O revolucionário é um homem que faz o sacrifício da sua vida, e que, em consequência, não é mais independente. ele não tem qualquer deferência pelo Estado principalmente, ou por toda classe cultivada da sociedade, e não deve daí esperá-las igualmente. Entre ele e a sociedade, um combate de morte é travado, uma luta aberta ou clandestina, sem tréguas e sem misericórdia. Deve estar preparado para suportar todos os tormentos.

VI - É necessário que o revolucionário, duro para com ele próprio, o seja também para os outros. Todas as simpatias, todos os sentimentos que poderiam emocioná-lo e que nascem da família, da amizade, do amor ou do reconhecimento, devem ser sufocados nele pela única e fria paixão da obra revolucionária. Para ele não existe mais que um prazer, que uma consolação, que uma recompensa, que uma satisfação: o sucesso da Revolução. Não deve haver, dia e noite, mais que um pensamento e um objetivo: a destruição inexorável. E prosseguindo com sangue frio e sem descanso a realização deste plano, deve estar pronto a morrer, mas pronto a matar com as suas próprias mãos todos aqueles que se oponham à sua realização.

VII - A natureza do verdadeiro revolucionário exclui todo o romantismo, toda a sensibilidade, todo o entusiasmo, todo o impulso. Exclui também todo o sentimento de ódio ou de vinganças pessoais. A paixão revolucionária, tomada nele um hábito constante e quotidiano, deve unir-se ao cálculo frio. Por toda a parte e sempre é necessário obedecer-lhe, não aos seus impulsos pessoais, mas ao que exige o interesse geral da Revolução.

DEVER DO REVOLUCIONÁRIO PARA COM SEUS CAMARADAS:

VIII - O revolucionário não pode ter amizade e simpatia senão por aquele que demonstrou pelos seus atos que é igualmente um servidor da Revolução. A amizade, a dedicação, as obrigações passadas para com tal camarada não se medem senão depois da sua utilidade no trabalho prático da revolução destruidora.

IX - É supérfluo falar de solidariedade entre revolucionários: é sobre ela que repousa toda força de trabalho revolucionário. Os camaradas, que atingiram o mesmo grau de consciência e de paixão revolucionária, devem, tanto quanto possível, discutir em comum as questões importantes e tomar decisões unânimes. Para executá-las cada um deve, antes de tudo, contar consigo próprio. Logo que se trate de executar uma série de atos de destruição, cada um deve operar por sua conta e risco e não reclamar ajuda ou assistência aos seus camaradas, porque isto é absolutamente indispensável para o sucesso do empreendimento.

X - Todo o militante revolucionário deve ter à sua disposição alguns revolucionários de segunda ou terceira categoria, quer dizer, aqueles que ainda não foram admitidos em definitivo. Deve considerá-los como uma parte do capital comum posto à sua disposição. Deve gerir a sua parte de capital com economia e retirar o máximo de benefício. Deve-se considerar a si próprio como um capital necessário ao triunfo da revolução, capital que não pode, contudo, dispor sozinho e sem consentimento do conjunto dos outros camaradas.

XI - Todas as vezes que um camarada se encontra em perigo, o revolucionário, para saber se o deve salvar ou não, não tem que consultar o seu sentimento pessoal, mas só e unicamente o interesse da causa revolucionária. Também lhe é necessário pensar por uma parte na utilidade que representa o seu camarada, por outra parte no dispêndio de forças revolucionárias que exigirá a sua libertação, e agir no sentido para onde pende a balança.

DEVERES DO REVOLUCIONÁRIO PARA COM A SOCIEDADE:

XII - Um novo membro, depois de ter feito as suas provas, não em palavras, mas em atos, não pode ser admitido na Associação senão por unanimidade.

XIII - Um revolucionário penetra no mundo do Estado, no mundo das classes, neste mundo que se pretende civilizado, e aí vive pela única razão de que acredita na sua próxima e total destruição. Não é um revolucionário, se ainda alguma coisa o prende a este mundo. Não deve recuar, se se trata de quebrar algum laço que o una a este mundo decrépito, ou de destruir alguma instituição ou algum indivíduo. É-lhe necessário odiar igualmente tudo e todos. O pior para ele, é de ter ainda neste mundo laços de parentesco, de amizade ou de amor: não é um revolucionário, se semelhantes laços podem prender o seu braço.

XIV - O revolucionário pode e deve frequentemente, viver no seio da sociedade, em vista da sua implacável destruição, e dar ilusão de ser totalmente diferente do que realmente é. Um revolucionário deve procurar entradas em toda a parte, na alta sociedade como na classe média, nos comerciantes, no clero, na nobreza, no mundo dos funcionários, dos militares e dos escritores, na polícia secreta e até no palácio imperial.

XV - Toda esta ignóbil sociedade se divide em categorias. A primeira corresponde aqueles que são para suprimir sem demora. Os camaradas terão de fazer listas dos seus condenados, classificados, tendo em conta as suas maleficências relativas e os interesses da obra revolucionária, de tal modo que os primeiros números sejam liquidados antes dos outros.

XVI - A feitura destas listas e o estabelecimento das categorias não devem depender do caráter pernicioso de tal ou tal indivíduo, nem do ódio que inspira aos membros da organização ou do povo. Este caráter pernicioso e este ódio podem mesmo ser úteis numa certa medida para empurrar o povo para a revolta. Deve-se somente ter em conta o grau de utilidade que representa a morte de tal ou tal pessoa para a obra revolucionária. É necessário executar primeiramente os indivíduos mais perigosos para a organização revolucionária, e aqueles cuja morte violenta e súbita é a mais apropriada para assustar o governo e enfraquecer sua força, privando-os dos seus auxiliares mais enérgicos e mais inteligentes.

XVII - A segunda categoria compreende aqueles a quem se deixa provisoriamente a vida, e cujos atos sublevarão a indignação do povo e o conduzirão inevitavelmente à revolta.

XVIII - A terceira categoria é composta por um grande número de bestas brutas altamente colocadas, que não brilham nem pela inteligência, nem pela energia, mas que possuem, em razão da sua situação, riquezas, altas relações, de influência e de poder. É necessário explorá-los por todos os meios possíveis, agarrá-los nas nossas redes, fazer-lhes perder o controle, penetrar até o fundo dos seus segredos desonestes, e assim fazer deles os nossos escravos. Desta maneira o seu poder, as suas relações, a sua influência e a sua riqueza serão para nós um tesouro inesgotável e um precioso socorro nos múltiplos empreendimentos.

XIX - A quarta categoria compreende toda a espécie de funcionários ambiciosos, assim como os liberais das diferentes tendências. Pode-se conspirar com estes últimos adotando o seu próprio programa fazendo-lhes acreditar que o seguem cegamente. É necessário tomar bem em mãos, apoderar-se dos seus segredos, comprometê-los a fundo para lhes tornar impossível qualquer retirada, e servir-se deles para provocar perturbações no Estado.

XX - A quinta categoria compreende os doutrinários, os conspiradores, os revolucionários, todas as pessoas que tagarelam nas reuniões ou escrevem no papel. É necessário, sem cessar, empurrá-los, comprometê-los com manifestações práticas e perigosas: o resultado será o desaparecimento do maior número, enquanto que alguns se revelarão os verdadeiros revolucionários.

XXI - A sexta categoria é de uma grande importância: trata-se das mulheres, que convém dividir em três classes. A primeira compreende as mulheres superficiais, sem espírito e sem coração, de que é necessário servir-se da mesma maneira como os homens da terceira e quarta categorias. Incluímos na segunda classe as mulheres inteligentes, apaixonadas, prontas a dedicarem-se, que não estão ainda nas nossas fileiras, porque elas não chegam ainda a uma inteligência revolucionária prática e sem verborragia. É necessário utilizá-las como aos homens da quinta categoria. Vem enfim, as mulheres que estão completamente conosco, quer dizer, que estão totalmente integradas e aceitaram integralmente o nosso programa. Devemos considerá-las como o nosso tesouro mais precioso e a sua ajuda é indispensável em todos os nossos empreendimentos.

DEVERES DA ASSOCIAÇÃO PARA COM O POVO:

XXII - A associação não tem outro objetivo que a emancipação total e a felicidade do povo, quer dizer, da parte da humanidade constrangida a trabalhos duros. Mas, persuadido que esta emancipação e esta felicidade não podem ser atingidas senão através de uma revolução popular que destruirá toda a sociedade, a associação colocará tudo em curso para aumentar e multiplicar os males e os sofrimentos que encolerizarão a paciência do povo e desencadearão a sua revolta massiva.

XXIII - Pelo nome de "Revolução Popular" a nossa sociedade não entende um movimento de tipo clássico ocidental, que não atinge em nenhum caso nem propriedade privada, nem a ordem social transmitida pela dita civilização e a pretensa moralidade, e que se limitou até agora a suprimir um sistema político para o substituir por um outro e fundar um Estado dito revolucionário. Só pode trazer a salvação ao povo uma revolução que condene absolutamente toda a idéia de Estado, perturbe completamente na Rússia as tradições, as instituições e as classes sociais do Estado.

XXIV - Neste objetivo a Associação não tem de modo algum a intenção de impor ao povo qualquer organização vinda de cima. A futura organização sairá, sem dúvida, do movimento da vida popular, mas isto será obra das gerações vindouras. A nossa tarefa é de destruir, uma destruição terrível, total, implacável, universal.

XXV - Também é necessário, aproximar-nos do povo, procurar, antes de tudo, a aliança com estes elementos da vida popular, que, desde a fundação do Estado moscovita, são, sem cessar, educados contra todos os auxiliares diretos ou indiretos do Estado: nobreza, burocracia, clero, grandes e pequenos comerciantes, e numa palavra, contra todos os exploradores do povo. É necessário aliarmo-nos com o mundo dos aventureiros e dos bandidos, que são, na Rússia, os únicos verdadeiros revolucionários.

XXVI - Reunir todos estes elementos para fazer uma força única, invencível e capaz de destruir tudo: tal é a razão de ser de toda a nossa organização, de toda a nossa conspiração, de todo o nosso empreendimento.

Intolerância ou Fanatismo

"A intolerância pode definir-se, aproximadamente, como a virtude do homem que carece de convicções. A intolerância é a resistência com a qual recebe as idéias definidas uma massa de gente cujas idéias resultam indefinidas em extremo. A intolerância poderia ser considerada como o horrível pânico dos indiferentes. Este pânico dos indiferentes é, em realidade, algo terrível; algo que tem gerado perseguições monstruosas e duradouras. Nesse sentido, nunca foi a gente muito consciente a que se dedicou a perseguir; a gente muito consciente nunca foi o bastante numerosa. Os que encheram o mundo de fogo e de opressão foram aqueles que não se importavam com nada. Foram as mãos dos indiferentes as que prenderam as tochas; foram as mãos dos indiferentes as que acionaram o aparelho de tortura. Houve algumas perseguições surgidas da dor de uma certeza apaixonada, porém essas não produziram intolerância, mas sim fanatismo, algo muito diferente e em certo sentido admirável. 

A intolerância, em geral, tem sido sempre a onipotência constante daqueles que com nada se importavam, para confinar na escuridão e no sangue as pessoas com convicções".
(G.K. Chesterton)

13/03/2011

Nostalgia do Ideal

"Se não percorremos as ruas de Paris, nem andamos sob os tectos da Escola Normal, nem discutimos desde Deus até à L’Action Française com Bardeche, Thierry Maulnier, José Lupin, o certo é, porém, que na fantástica e encantada Coimbra, por noites de Inverno e noites de Verão, falávamos de omne re scibili e, igualmente, Maurras e os seus estavam presentes nas nossas furiosas controvérsias [...] Não colaboramos num Je Suis Partout com Pierre Antoine Cousteau, Lucien Rebatet, Alain Laubreaux, Henri Lebre, André Algarron, Robert Andriveau, André Nicolas; contudo, alinhavámos prosas em pequenos jornais de polémica e doutrina a que demos o melhor do nosso esforço, do nosso entusiasmo, da nossa fé.

Não convivemos com Charles Maurras ou Henri Massis. No entanto, se não visitámos o autor da Anthinea na prisão, ouvindo-o discorrer acerca do comunismo, da Provença e da França, e se não percorremos as ruas de Montmartre com o ensaísta da Defense de l’Occident, que evocava os pintores barbudos de 1900 e recordava Péguy e Barres, ali, na Madre de Deus, no poente de algumas tardes de Outono, escutávamos quem muito bem podia ombrear com eles: Alfredo Pimenta; com frases despretensiosas, mas incisivas, expunha-nos o seu próximo comentário político para A Nação, descrevia-nos a fundação da Acção Realista, falava-nos da Europa vencida e iluminava-nos as rotas do pensamento e da acção.

Não presenciámos la dure floraison dês jeunesses nationalistes, não percorremos a Espanha em guerra, a Itália de Mussolini, nem estivemos no Congresso de Nuremberga, nem na Frente Leste com a Legião de voluntários franceses antibolchevista; não deparámos com o fascismo nas suas horas altas de triunfo, imensa maré-cheia que invadia o continente com os seus desfiles imensos, as saudações de braço estendido, a oratória inflamada, as milícias armadas, os cânticos e os estandartes multicolores, os campos de trabalho e as viagens, a mística da nação e do chefe. De tudo isso só guardamos umas vagas lembranças relativas ao conflito espanhol: os cortejos com donativos para Franco, a notícia de alguns compatriotas que partiam para a luta, o cerco do Alcazar, a criação da Legião e da Mocidade Portuguesa, as atrocidades vermelhas.

De qualquer modo, porém, foi para nós o fascismo, como o foi para Brasillach, encontro supremo, a revelação inesquecível da nossa juventude: sim, esse fascismo que víamos caluniado, prostrado, perseguido, difamado, humilhado, e não sob o sol exaltante da glória, e que nos importava isso! Vencedor ou vencido, era sempre o mesmo fascismo, com o seu ethos de camaradagem viril, o seu gosto da grandeza, o seu desdém dos valores burgueses, a sua apologia da coragem e da disciplina, o seu alto idealismo, a sua exaltação do que é sóbrio, sadio, nobre, a sua aspiração à unidade, à totalidade, ao universal.

No fascismo encontrámo-nos plenamente com Brasillach, ao comungarmos todos, por inteiro, na atmosfera daquela revolução que foi a revolução do século XX e que, seja o que for que as propagandas digam ou proclamem, representa um dos mais altos momentos da história do espírito humano."
(Antonio José de Brito)

12/03/2011

Iniciação

"Sei que fiquei pendurado durante nove noites em uma árvore varrida pelo vento, ferido pela minha própria espada para Odin, eu mesmo como oferenda para mim mesmo, atado à árvore cujas raízes nenhum homem sabe para onde correm.

Ninguém me deu pão ou água. Mirei para os abismos, até que avistei as Runas. Lançando um grito as tomei, para logo cair aturdido e débil. Adquiri bem-estar e sabedoria. Cresci e me regozijei com meu crescimento: De palavra em palavra fui levado à Palavra, de uma ação a outra ação."
(Edda Poética)

11/03/2011

Política Eterna

"Não existe política velha, não existe política nova: existe a política eterna, aquela que se funda na experiência histórico, no conhecimento dos homens e dos povos."
(Jacques Bainville)

10/03/2011

O Trem do Ocidente

"O trem de nossa civilização, por causa de seus políticos e seus filósofos, descarrilha. É necessário voltar a colocá-lo em uma grande via, voltar a dar-lhe uma direção, porque a velha locomotiva, que data de 1789, renovada em 1945, já não serve. Devemos construir uma nova locomotiva, moderna, sólida, insensível à covardia. Nossa vida é a Ação que nos anima e que dá um sentido universal e coletivo a ela. Todo o que vive luta pela ascenção. O que não luta morre prematuramente. É a lei natural. Fugir ao combate é escolher o inescolhível. Admiti-lo e prepará-lo, na comunidade de vanguarda fraternal de luta com nossos camaradas de todos os países da Europa, é atuar sobre o curso da história do mundo, e deixar uma pegada: a liberação européia."
(Yves Bataille)

09/03/2011

A caricatura da liberdade

(Por Rodrigo Nunes)

Quando recentemente o jornal dinamarquês Jyllands-Posten decidiu publicar umas caricaturas de Maomé, seguido posteriormente por mais alguns jornais de outros países, a Europa assistiu ao despoletar de uma série de problemas com as comunidades islâmicas. À vontade de provocar de uns correspondeu a esperada irracionalidade e fanatismo de outros.

Perante o costumeiro radicalismo dos islâmicos ergueram-se uns quantos defensores de ocasião do Ocidente (muito de ocasião) em defesa de uma presumida ideia de liberdade tomada como valor civilizacional da Europa. O direito de caricaturar um profeta religioso e abordar livremente as questões da fé foi então tornado a bandeira simbólica da oportunidade de livre expressão que distinguiria as democracias ocidentais do «obscurantismo» de outras partes do mundo.

Por vezes a roçar o histerismo esses defensores de ocasião do Ocidente, que quando toca a defendê-lo integralmente se encontram sempre ausentes, asseguraram-nos que os movia simplesmente a apologia da «liberdade», que se tratava de uma questão de valores… a liberdade seria uma condição fundacional da «Europa democrática» e eram limitações a esses valores base que estavam em causa e não poderiam em consciência aceitar.

Na segunda-feira, 10 de Abril, Pedro Varela, proprietário da Livraria Europa, em Barcelona, foi detido pela polícia da Catalunha. Segundo as forças de autoridade o objectivo principal seria a Associação Cultural Editorial Ojeda, sedeada na referida livraria. Na operação foram confiscados vários milhares de livros. As acusações dirigidas a Pedro Varela foram de «delito contra o exercício de direitos fundamentais e liberdades públicas» e «delito contra as liberdades públicas por apologia do genocídio». A sustentar as acusações apresentaram-se os livros editados pela Ojeda e vendidos na livraria, desde obras de ficção a livros nacional-socialistas, revisionistas ou estudos sobre diferenças raciais (1).

Esta detenção de Pedro Varela – que não foi a primeira – não choca os defensores da tal liberdade que dizem valor civilizacional da Europa, pelo menos a julgar pelo silêncio generalizado a que os outrora histéricos defensores dos «valores fundacionais do Ocidente» se remeteram neste caso e noutros semelhantes. Em qualquer livraria podemos encontrar obras que apresentam visões revisionistas sobre os crimes do comunismo, e muito bem, acrescento, uma vez que considero ter o direito de conhecer outras opiniões para além das que são correntemente aceites como verídicas. As pessoas têm o direito de avaliar posições distintas e em posse de informação variada tomarem as suas decisões e fazer os seus julgamentos sem que uma qualquer autoridade lhes passe atestados de menoridade mental legislando o que podem ou não ler, o que podem ou não escrever ou pensar. Mas isto não é válido para a História da II Guerra Mundial ou para questões que abordem o tema racial, aí essa «coisa» da liberdade de expressão transforma-se frequentemente em «apologia do genocídio».

Varela foi preso por vender livros. Onde estão as boas consciências que lembram que a censura ou confiscação de livros é um sinal inequívoco de se estar na presença de Estados autoritários e inimigos da liberdade? As mesmas que criticam a censura literária em Cuba ou que falam da destruição de obras na Alemanha nazi como sinal profético do que estaria para vir? Afinal não vivemos em democracias cujo valor central é a possibilidade de dissidência e de livre opinião? Não é sempre essa a diferença fulcral que apresentam na defesa da superioridade democrática ocidental? Pois… estão de férias agora os defensores dos «valores civilizacionais do Ocidente» que há alguns meses se insurgiam energicamente na defesa do direito à liberdade de expressão, esse dogma das nossas democracias de «homens livres».

Esta «liberdade ocidental» cujos limites são impostos pelo poder político dominante, que decide em função dos seus interesses os critérios do que podemos dizer e escrever é a mais cínica negação do conceito. Ninguém é livre se não puder aceder a informação diferente e for forçado a aceitar as teses únicas da verdade institucionalizada, pois essa é a verdadeira limitação que impede o livre juízo e a decisão autónoma.

De facto, o «homem livre» europeu é como uma criança de 6 anos a quem o poder político, fazendo o papel de adulto responsável pela sua educação, estabelece os limites do que pode ou não saber, e, tal como um adulto faz com uma criança, justifica a sua acção para o próprio bem desse «homem livre» europeu, em boa verdade infantilizado. A liberdade apregoada por alturas da polémica em torno das caricaturas de Maomé quando comparada com a sua negação em tantos outros casos de que Pedro Varela é apenas o exemplo mais recente faz lembrar a liberdade que se permite aos fedelhos: que façam umas caricaturas, uns bonecos e uns rabiscos, mas não se intrometam nos assuntos sérios dos adultos; eles é que sabem o que é melhor para a criançada, incapaz de raciocinar por si.

Nota:

1. A este propósito será bom que o professor J.P. Rushton, que recentemente publicou um estudo cientifico mostrando que as diferenças de QI entre os diferentes grupos raciais são sobretudo genéticas e que o ambiente social e educacional não tem um impacto superior a 20% nos resultados ou, para o efeito, o professor Richard Lynn que em «Race Differences in Intelligence: An Evolutionary Analysis» concluiu existirem diferenças de inteligência significativas que separam as raças, evitem passar por Barcelona, não vá dar-se o caso de acabarem detidos por incitamento ao genocídio.

O sentido da Honra

O verdadeiro sentido da honra é a recusa em pactuar com o que é feio, baixo, vulgar, interesseiro, não gratuito; uma recusa de se vergar perante a força só por ser a força, perante a paz só por ser a paz, perante o bem-estar só por ser o bem-estar. A honra implica, naquele que a possui, um sentido altivo e resoluto do risco, do jogo onde se arrisca perder a vida ou ganhar a estima dos pares, um sentido do trágico do destino e também da dignidade do infortúnio.
 
(Lucien Febvre)

08/03/2011

A contradição fatal

(por Marco Tarchi)

Sobre o movimento anti-globalização pesa uma contradição fatal: a pretensão de combater sobre o terreno meramente económico um fenómeno que ao mesmo tempo é promovido e engrandecido em todos os seus aspectos culturais. Quem não entender que a imigração massiva desde os países pobres e a premissa de construir uma sociedade multi-étnica baseada na assimilação dos hóspedes e na sua cultura são parte integrante — e actualmente preponderante — do processo de ocidentalização do mundo, parte para o combate sem armas nem munições. A intensificação de uma industrialização exagerada, a exploração de uma mão-de-obra escassamente sindicalizada e disposta a contentar-se com condições de vida degradantes, a posterior explosão do consumismo, a uniformização dos hábitos e dos gostos, o agravamento da catástrofe ecológica consequência da conjunção de todos estes fenómenos, têm como motor a transferência dos "braços sobrantes" das zonas de alta natalidade e baixo rendimento.

06/03/2011

Legiões Romanas

O Exército Romano

A expansão do povo romano foi lenta e morosa: desde o século V a.C. até ao século II d.C. altura em que o Império Romano atingiu o seu apogeu.

As unidades que formavam o exército romano chamavam-se legião. No princípio as legiões eram formadas apenas por cidadãos romanos a cumprir o serviço militar. Com a alargamento das conquistas as guerras passam a ser demoradas e o campo de batalha muito afastado de Roma. Torna-se então necessário recrutar homens nos quatro cantos do império. Um grande número destes homens eram voluntários que passavam assim a soldados profissionais e apesar de não serem cidadãos romanos passavam a sê-lo, por direito, quando, no fim da carreira, deixavam o exército. A carreira militar oferecia muitas regalias: o legionário era totalmente sustentado, alimentado e alojado durante o tempo de serviço, recebia um salário relativamente elevado para além dos prémios. Terminado o tempo de serviço recebia uma reforma e um pedaço de terra. Os veteranos eram sempre homens respeitados na sociedade. Graças a tantos privilégios Roma não tinha dificuldade em arranjar homens voluntários para a sua legião. Mas seria apenas isto o que motivava estes homens? Não seria também a guerra e a conquista uma forma de romper com a rotina da vida, que, através de duras provas, lhes oferecia a ocasião de descobrir o “herói” que existe em cada um e a descoberta de um conhecimento da vida em função da morte?

Todo o romano acreditava que Roma e o seu império se deviam a forças divinas, a religião estava presente em todos os actos da vida e por consequência abarcava também a experiência guerreira. Talvez só assim se compreenda como um tão grande número de homens, sem necessidade de “terra” ou “pátria” fossem arrastados cada vez mais longe, de conquista em conquista, de país em país. Nenhuma batalha se deveria realizar sem que os signos místicos tivessem indicado o momento oportuno. A essência da arte augural (adivinhação) praticada pelo patriciado romano não era descobrir o “destino”, mas pelo contrário, descobrir antecipadamente os pontos de conjugação com influências invisíveis, para concentrar as forças dos homens e as tornar mais poderosas com o fim de ultrapassar todos os obstáculos. O romano atribuía a vitória dos seus “dirigentes” mais a uma força transcendente, que se manifestava através deles no seu heroísmo, do que às suas qualidades simplesmente humanas. Os romanos acreditavam em génios, espíritos unificadores que ligavam grupos de povo conjuntamente; o grupo podia ser uma mera família, uma legião ou uma nação. Nas legiões estes espíritos eram personificados quase naturalmente nos estandartes. Foi por esta razão que os estandartes eram tão reverenciados e que era uma grande desgraça perder um estandarte em batalha.

Todo o soldado voluntário era submetido a um exame médico que garantia a sua robustez. Era duramente treinado para a marcha e o combate. O novo recruta era ensinado a marchar; durante os seus anos de serviço podia marchar cerca de 30 km por estrada três vezes por mês. Era ensinado como construir um acampamento e era exercitado duas vezes por dia (o legionário pronto tinha de fazer exercícios uma vez por dia). Era-lhe dado um treino geral de arremesso de pedras com a funda, natação e de montar. Contudo o seu principal treino era no uso das armas. Do seu equipamento faziam parte: A lorica (couraça de couro espesso, reforçada por uma chapa de metal no peito) ou, no caso dos oficiais, uma cota de malha metálica, o elmo que protege o crânio a nuca e as orelhas (enfeitado com um penacho de cor), o escudo e as armas de ataque (espada, gládio de dois gumes e o pilum ). Os legionários combatiam a pé.

A Organização do Exército

Recrutado e equipado, um novo legionário integrava uma unidade de legião. Os soldados dividiam-se em três grupos:
- Hastati (os mais jovens e vigorosos que combatiam na 1ª linha);
- Principais (combatiam na 2ª linha);
- Triari (soldados veteranos que só intervinham se a batalha corria mal).
Numa legião existiam ainda os cavaleiros.

A disciplina era rigorosa nas legiões. Cada soldado prestava ao general – chefe juramento solene de obediência e coragem, o juramento era renovado em cada dia do Ano Novo. Todas as faltas eram consideradas traições ao juramento.
Um dos seus lemas era – “A fidelidade é mais forte que o fogo”.
 
(por Legião Vertical)

Os Novos Deuses

Envelhecemos, e como os velhinhos gostamos das nossas comodidades. Tornou-se um crime ser-se mais e ter-se mais do que os outros. Devidamente privados dos entusiasmos fortes, tomámos em horror tudo o que seja poder e virilidade; a massa e o igualitarismo, são estes os nossos novos deuses. Uma vez que a massa não pode modelar-se pela minoria, que pelo menos o pequeno número se modele pela massa. A política, o drama, os artistas, os cafés, os sapatos envernizados, os cartazes, a imprensa, a moral, a Europa de amanhã, o Mundo de depois de amanhã: explosão de massa. Monstro de mil cabeças à beira dos grandes caminhos, espezinhando o que não pode engolir, invejosa, nova-rica, má. Uma vez mais, o indivíduo sucumbiu, mas não foram os seus defensores naturais os primeiros a traí-lo?

(Ernst Jünger em “A Guerra como Experiência Interior”, Ulisseia (2005).

05/03/2011

E enquanto isso...

(por Pierre Chatov)

O poder de sideração dos meios de comunicação é indiscutivelmente ilimitado. Assim, através da sua "Obamania" compulsiva, a esfera mediática teve êxito em fazer de uma eleição estrangeira, que se joga entre dois peões do sistema especulador mundial, um objecto de paixão e entusiasmo para os povos europeus em geral e para o povo francês em particular. É verdade que o futebol e a realidade começavam a não desviar suficientemente a atenção dos franceses das dificuldades do seu quotidiano e da incerteza do seu futuro. Era por isso necessário um novo objecto de diversão e de interesse artificial. O messias Obama terá desempenhado este papel, assistindo-se hoje com alguma surpresa e incompreensão ao júbilo de muitos dos nossos compatriotas com essa eleição que não mudará rigorosamente nada do que quer que seja (pode mesmo pensar-se que a pobre comunidade negra americana será a primeira a dar-se conta...), principalmente no que diz respeito aos problemas e perigos que ameaçam a existência dos europeus. Porque durante este tempo, a indústria automóvel anunciou a dispensa de funcionários para compensar a diminuição de encomendas. Os pára-quedas dourados dos grandes ladrões continuam a abrir-se tranquilamente. A insegurança tornou-se uma banalidade tal, que é encarada pelas pessoas como uma fatalidade que nunca terá fim, não valendo mais a pena mencionar o assunto. Preparam-se planos sociais em numerosos sectores da economia.

A escola não produz mais que ignorantes e bárbaros. Deixem por isso a geostratégia de café e as histerias colectivas aos ociosos. Os nossos principais campos de acção são o desenvolvimento de uma imprensa que escape ao consenso ideológico totalitário a que assistimos todos os dias entre as televisões e a "imprensa de referência", a multiplicação de estruturas comunitárias, tipo Vlaams Huis, que oferençam uma alternativa concreta à atomização liberal, a instauração de sistemas educativos alternativos, o desenvolvimento de uma economia militante assente na ética e no localismo, a produção de obras de verdade contra-cultura enraízada e, como sempre, a formação intelectual e política. Cada alma salva da desculturização e das patologias materialistas é uma vitória mais importante que todas as eleições do mundo, sobretudo aquelas em que o resultado é decidido nos bastidores de Wall Street.

Modernidade

"O sufocamento dos desejos pela satisfação das necessidades, tal é a economia sórdida, destilando facilidades para que nos oprimam as máquinas, que acabarão com nossa Raça. A abundância dos importados mata as paixões. Saturada de conservantes, se cria na boca do homem uma química maligna que corrompe as palavras. Mais religiões, mais artes, mais línguas. Entediado, o homem não diz nada."
(Pierre Drieu la Rochelle)

02/03/2011

"O melhor e o mais valente cavaleiro do mundo" Você?

Disse Evola que não basta que o cavaleiro se mostre como “o melhor e o mais valente cavaleiro do mundo” e com um coração de aço – “ein stählernes Herz” – em cada tipo de aventuras naturais e sobrenaturais: ele deve também “estar livre de orgulho” e deve “conquistar a sabedoria”. O cavaleiro – o militante de natureza mais elevada diríamos – vence diariamente seu orgulho e suas preferências individuais imediatas. “O sentido desta prova é a realização de uma força pura, de uma virilidade espiritual; é a transposição da qualificação heróica sobre um plano separado de tudo o que é caos e violência”. “A cavalaria terrestre deve converter-se em cavalaria celeste”. Se trata de algo assim. O núcleo de todo movimento de ressurreição espiritual há um núcleo de guerreiros que aspiram à perfeição, e que tem uma visão ampla e superior da batalha; e que por ter-la vivem consagrados à batalha, em comunidade, como núcleo reator e germinal exemplar do Movimento, como embrião do futuro Estado.

(Roldanus, 2002.)

O Estudo da História



Nossa escolas tratam a história como uma forma de ENTRETENIMENTO, em vez de um campo científico. Aqueles que se especializam em história são conhecidos como HISTORIADORES, mas ninguém os considera como CIENTISTAS, e eles quase não conseguem oportunidades de emprego, porque todos consideram sua formação INÚTIL. Muitos se importam tão pouco com a história que não se incomodam que ela seja DISTORCIDA. Contudo, se professores de química quotidianamente mentissem para alunos sobre sua matéria, muitos estudantes e pais ficariam FURIOSOS.

A mente humana tem uma caracterísica que devemos prestar atenção. A mente humano-animal foi criada para fazer DECISÕES RÁPIDAS, de acordo com as informações disponíveis; nós NÃO fomos feitos para ficar horas pesquisando e discutindo um assunto. Como resultado, assumimos que aquilo que sabemos é tudo que precisamos. Se alguma informação está faltando, nós simplesmente ESPECULAMOS SOBRE O QUE ESTÁ FALTANDO.

Devemos levar em conta, ainda, que alguns líderes políticos, como Joseph Stalin e alguns antigos egípcios, foram apontados como DESTRUIDORES de informações históricas, para sua própria promoção e também de suas filosofias. Isso nos deveria fazer pensar se documentos históricos foram destruídos sem que estejamos cientes disso.

A história poderia ser uma campo MUITO ÚTIL de conhecimento. Historiadores poderiam ver-se como geólogos e zoólogos, mas, em vez de estudarem pedras e animais, eles estudariam OS HOMENS PELO TEMPO. Eles estudariam cultura humana, nossa ‘’tecnologia social’’; eles poderiam nos ajudar a entender como nos chegamos à ‘’situação cultural’’ na qual estamos agora.

(Eric Hufschmid)