quarta-feira, 3 de maio de 2017

Michael O'Meara - Raça como Destino



Nota: O trecho a seguir é de um artigo mais longo, com rodapé, intitulado [em tradução livre] "O imperativo racial da liberdade: um argumento heideggeriano para a autoafirmação dos povos de ascendência européia", publicado no Outono de 2006. Pequenas alterações foram feitas por causa deste formato. 

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Desde o fim da Guerra Fria, Martin Heidegger tem sido alvo de uma campanha contínua de estigmatização e quarentena, pois agora é claro que ele não era apenas um fervoroso defensor da Revolução Nacional de 1933, mas um convicto (embora idiossincrático) nacional socialista.

Surpreendentemente, entretanto, os inquisidores que desconstroem as forças suspeitas que animam o pensamento de Heidegger enfatizam que não há "nenhum rastro de racismo biológico" (George Steiner) em suas obras publicadas.

De fato, é uma questão de registro que Heidegger se opôs ao que Julius Evola e Francis Parker Yockey, juntamente com Leon Trotsky, chamaram de "materialismo zoológico" associado ao "racismo nazista".

Como os profetas italiano e norte-americano do imperium europeu, Heidegger acreditava que o caráter filisteu, positivista, incluso liberal e modernista do chamado "racismo científico" era sintomático de tudo que a Revolução Conservadora dos anos 20 (da qual o nacional-socialismo era um desdobramento) tinha combatido. 

É contraditório, então, argumentar que o conceito heideggeriano de liberdade tem um imperativo racial?

Contra a maior parte dos comentários contemporÂneos, deve-se insistir que o "antibiologismo" de Heidegger não era o de um nacionalista indiferente à raça, mas sim de um que subsumia os aspectos espirituais e demográficos da nação dentro de uma única noção de ser - uma noção que pode ter privilegiado o primeiro a expensas deste último, mas, no entanto, uma que pressupõe a manifestação do espírito dentro de uma comunidade biocultural específica ou Volk.

Enfatizando a história, o destino e a linha de descendência que faz de um povo uma nação, o nacionalismo latente no pensamento de Heidegger é uma reminiscência do que Walker Connor chama de "nacionalismo em seu sentido primitivo", na medida em que designa "um povo que acredita ser ancestralmente [i.e, biologicamente] relacionado".

Embora o corpo de um homem seja submisso a uma análise puramente biológica, Heidegger argumenta que ele nunca é simplesmente biológico, mas "algo essencialmente diferente de um organismo animal".

Este "outro" pertence ao Dasein do homem, isto é, à sua qualidade como expressão situada do Ser num mundo particular num determinado momento do tempo e, portanto, tem "um modo de ser fundamentalmente diferente do da natureza".

"Vivendo, nosso corpo se exprime como uma onda no fluxo do caos - ele é o que vem a conhecer, alcançar e dominar o mundo".

A biologia desta maneira entra na história e torna-se historicamente significativa.

O corpo do homem enquanto tal não é equivalente a um organismo vegetal ou animal, mas parte do ser-no-mundo do homem, situado na rede de significados, relações e histórias que compõem seu mundo e que nenhuma ciência pode com sucesso ou adequadamente reduzir a uma representação ou avaliação empírica.

Para o anticientificista Heidegger, a essência de uma nação (ou Volk) não reside na genética, mas no destino nascido de sua experiência coletiva de Ser e tempo - ou o que em seu "Contribuições à Filosofia" descreve como pertencimento a um deus que ordena que o povo vá além de si mesmo para se tornar o ser inscrito em seu destino.

A essência de um povo encontra-se assim menos em suas manifestações orgânicas (vida) do que no ser que o torna o que é (viver): Encontra-se no ser que forja sangue e espírito numa identidade definida por um destino específico.

Uma concepção puramente biológica, ao contrário, reduz uma "raça" de homens a um dos objetos abstratos e fixos de Descartes - a algo compreensível factualmente ou empiricamente, como se as raças humanas fossem análogas às das formas de vida inferiores.

Heidegger não diz isso explicitamente, mas a volta de seu pensamento sugere que embora o sangue de um povo possa ser básico para sua formação biológica, seus determinantes enquanto povo, mesmo geneticamente, residem em outros lugares, fora da biologia, nesse Ser cuja força inexplicável molda um corpo de seres humanos semelhantes em uma entidade destinada.

Para contemporizar um pouco, pode-se dizer que para Heidegger a constituição biológica do homem (hereditariedade) o dispõe para certas potencialidades culturais e outras, mas estas últimas nunca são meros ramos da natureza.

História, argumenta ele, não é biologia e cultura não é zoologia aplicada - exceto para uma consciência cientificista inconsciente de tudo o que distingue o homem do animal.

Uma analogia aqui pode ajudar. Não se pode afirmar que a essência do The Torchbearer [O Portador da Tocha] de Arno Breker ou "O Sonho de Lancelot" de Burne-Jones é o material do qual foi esculpido ou pintado.

A essência do Volk alemão - ou qualquer uma das nações da Europa - também não é o constituinte de DNA de seu genótipo.

Em vez disso, é o espírito que a anima, tornando-a um povo com uma história, uma origem e um destino.

Ao forçá-lo a vivenciar o mundo de uma maneira própria, esse espírito não é a superestrutura cultural familiar ao antropólogo ou sociólogo, mas algo parecido com "o poder que vem de preservar, no nível mais profundo, as forças que estão enraizadas no solo e sangue de um Volk, o poder de despertar mais internamente e sacudir mais extensivamente a existência do Volk".

É este espírito que nutre a alma de um povo e infunde seu sangue com uma vontade de destino.

A defesa ontológica de Heidegger do homem europeu pode, portanto, rejeitar o racismo científico do materialismo burguês, com seu abstrato conceito desenraizado do ser humano, mas ele dificilmente poderia ser considerado indiferente à herança racial da Europa, pois embora enfatizando Volk  de caráter espiritual ou destinação, ele também vê que este implica uma expressão corporal específica do Ser.

No mundo histórico do homem europeu, a biologia humana e o ser humano são de fato um, com o biológico, o ôntico, subsumido ao domínio ontológico da autoafirmação - como o material subsumido na visão do artista.

Juntos, eles compreendem o Dasein do homem e Volk, o sangue e a herança de um povo. Pois, como o "e" em Ser e Tempo, o "e" em "Sangue e Herança" não é aditivo, mas unitário. Os dois diferem como termos, representando coisas diferentes, mas não há herança fora de um grupo sanguíneo específico e nenhum grupo sanguíneo sem herança.

"Tudo o que é 'orgânico' é estranho à lei da história, tão estranho quanto o que é 'lógico' na razão".

A biologia humana é, portanto, mais ontológica do que zoológica, mais um produto do Ser do que uma faceta da natureza.

Isso é evidente em termos como "descendência", "linhagem", "herança" - juntamente com noções relacionadas de "criação", "educação", "desenvolvimento", "educação", "refinamento" e "cultura" Evocando não instinto animal ou mesmo consciência humana, mas sim uma transmissão biocultural específica da existência.

Um povo, neste sentido heideggeriano, não é um objeto biológico autônomo, objeto biológico ahistórico, nem sequer é especificamente um conjunto de genes, mas um modo de Ser cuja origem, história e autocompreensão particular são essenciais para o que é - mesmo fisiologicamente.

Para não ser mal interpretado, deixe-me enfatizar que não estou desafiando a importância ou mesmo a primordialidade da raça como uma categoria zoológica, mas subordinando nossa compreensão da identidade destinadora da raça à maior apreciação ontológica de seu significado.

O que Heidegger chama de "concepção naturalista do ser humano" (ou seja, o entendimento puramente biológico da raça humana) tem sido parte integrante da modernidade liberal e da história do declínio do homem branco.

As raízes dessa concepção são reconhecidamente antigas. Aristóteles foi o primeiro a ver o homem como um tipo especial de animal - o animal racional (zoon logikon). Com o Iluminismo do século XVIII e o advento da modernidade liberal, quando a "razão alcançou sua plena posição metafísica", esse conceito "humanista" tornou-se hegemônico, introduzindo uma era que confundiu o homem, um ser fora de si, com algo "presente à mão" (isto é, com a substância descontextualizada de uma ciência quantificadora indiferente às qualidades específicas de um ser).

Como o Ser desta concepção cientificista se retira do ser humano, este último é esgotado, reduzido a uma ontologia unidimensional adequada a um animal que se move em quatro patas - não para uma afirmação de Ser capaz de produzir Homero, os templos gregos, ou o invencível hoplita.

É pertinente aqui ressaltar que o "racismo científico", especialmente sua destilação darwiniana, se originou como um ramo do pensamento liberal e que a "metafísica" zoológica deste racismo (na compreensão da existência humana no nível animal) desempenhou um papel não-insignificante levando-nos para a situação que nos ameaça atualmente.

Nesse sentido, não parece coincidência que a compreensão dos liberais do "animal mais elevado" exclua qualquer entendimento de que os humanos diferem dos animais não apenas na razão ou consciência, mas no cuidado do Ser de seu ser.

Além disso, a ciência natural, a inspiração para o racismo científico, trata o corpo abstratamente, objetificando, descontextualizando e arrancando-o do ser humano - em prol da abstração e da objetificação.

Contra a concepção naturalista, Heidegger sustenta que o corpo humano não é simplesmente um veículo de pulsões e instintos, mas algo ligado à afirmação humana do Ser.

A ciência pode ter o poder de manipular as propriedades físicas do mundo, mas para Heidegger ela ignora a "transposição peculiar do homem no círculo contextual abrangente dos seres vivos". Ele, consequentemente, perde o que é mais distinto e essencial para ele.

Por conseguinte, o Dasein de um Volk, como o de um indivíduo, não se manifesta na biologia (pelo menos não diretamente), mas sim nas decisões que toma e nos objetivos que estabelece para si.

Como ele existe no mundo em que ele é lançado, como se apropria do passado que lhe é legado, as possibilidades que persegue a medida que se aproxima o futuro, a chamada do destino que presta atenção, a morte que inevitavelmente enfrenta - estes são o que fazem um Volk o que é.

Não há, aliás, nada arbitrário ou subjetivo nisso. Dasein não é apenas Ser-aí, mas Ser-com (Mitsein). Pois a individualização mais radical do Dasein está sempre situada dentro de um contexto coletivo maior - da história e da cultura, com certeza, mas também dos parentes, da comunidade e do Volk.

"Cada homem," escreve Heidegger, "está em cada instância em diálogo com seus antepassados ​​e talvez ainda mais, e de maneira mais oculta, com aqueles que vêm após ele".

Porque o destino de um indivíduo, como o destino de uma nação, é moldado por sua herança específica, o Dasein individual é invariavelmente um co-acontecimento com uma comunidade ou povo, mesmo se ele se rebelar contra as tendências sociais dominantes ou negar suas crenças.

Ao contrário do impulso quantitativo e atomizador da modernidade liberal, que separa o "eu" do "nós" e trata o primeiro como se fosse um ego monádico desprovido da história e do patrimônio que o situava e o definia como uma forma distinta de Ser, a abordagem de Heidegger dissolve limites individuais.

A individualização de um indivíduo torna-se conseqüentemente uma co-historicização com um povo.

Embora potencialmente uma força para a conformidade, Mitsein é uma condição necessária para a realização autêntica do Dasein .

O homem e a nação, Dasein e Mitsein, são livres somente na medida em que se abrem ao que é inerente à sua herança comum - ao que constitui a história de sua experiência relacionada do Ser - ao que forma seu destino.

Se um Volk existe como um Volk, então o grupo sanguíneo, a história e o destino são um, porque ontologicamente eles constituem uma experiência única e abrangente do tempo e do Ser.

Nesse sentido, a essência de um povo transcende o puro "orgânico", como afirma seu Dasein como um destino distinto.

Caso contrário, deixa de "ser" em qualquer sentido significativo.

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