quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Germán Gorráiz López - George Soros e a Conspiração Anti-Trump

por Germán Gorráiz López



O livro The Power Elite (1956) de Wright Mill aponta que a chave para compreender os interesses americanos se encontra na organização ao topo de sua sociedade. Assim, o establishment é “o grupo de elite formado pela união das subelites política, militar, econômica, universitária e dos mass-media dos EUA” e lobbies de pressão que estão interconectados por “uma aliança incansável baseada em seus interesses e dirigida por uma metafísica militar”. Esse conceito é baseado em uma definição militar da realidade e transforma a economia em um permanente estado de guerra cujo paradigma seria o de Rockefeller. Isso significa participação integral na indústria financeira, militar e “judaica”, da qual um dos membros, David Rockefeller, seria o impulsor da Comissão Trilateral (TC) ou Trilateral (1973).

Porém, Donald Trump, um candidato que em princípio é totalmente refratário à disciplina partidária e se tornou a “ovelha negra” do establishment, foi finalmente eleito presidente dos Estados Unidos na eleição presidencial de novembro. O seu triunfo surpresa aliado ao do Brexit irá marcar o final do “estágio” do “cenário teleológico no qual o propósito dos processos criativos eram planejados por modelos finitos nos quais a intenção, o propósito e a antecipação e os seus substitutos pela 'cena teleonômica' (estão) marcados por doses extremas de volatilidade” que irá afetar de uma maneira especial a nova ordem geopolítica mundial.

O novo inter pares geopolítico

Com Trump, iremos testemunhar o final da unipolaridade dos Estados Unidos e o seu papel como polícia global e sua substituição pela nova doutrina da multipolaridade ou “inter-paridade geopolítica” formada pela troika dos EUA, China e Rússia (G3). A União Europeia, Japão, Índia e Brasil serão convidados sólidos no novo cenário geopolítico. Assim, em um discurso dado por Trump no quartel-general da influente revista política The National Interest, Donald Trump apresentou as linhas gerais de sua política externa que poderia ser sintetizada em seu lema “América primeiro” o que de facto significa o retorno do protecionismo econômico após ter cancelado Tratado Norte-Americano de Livre Comércio com o Canadá e o México (NAFTA) assim como o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) e a Parceria Transpacífico (TPP), isto é, a peça central da administração de Obama em sua política de reafirmar o poder econômico e supremacia militar na região do Pacífico. Isso seria um golpe direto nos interesses geopolíticos conhecidos como o “Clube das Ilhas”, com ativos valendo em torno de 10 trilhões de euros e cujo líder, de acordo com o espião russo Daniel Estulin, é o financista e hábil criador de “revoluções coloridas”, George Soros.

Por outro lado, em uma entrevista com o canal de TV americano ABC, o presidente eleito Donald Trump externou a ideia de que “A OTAN é obsoleta, não serve para combater o terrorismo e custa muito aos EUA”, e exigiu que os países europeus membros da OTAN “paguem sua parte” porque a contribuição econômica desses países europeus é menor do que 2% do PIB nacional, deixando o grosso do financiamento nas mãos dos EUA (70% do orçamento total).

Trump também denunciou a “quantidade excessiva de armamentos circulando atualmente no mundo” o que iria implicar na suposição de um isolacionismo ao nível militar por parte dos EUA, e a ascensão do G-3 (EUA, Rússia e China) como “primus iguais” na governança global. Isso significaria a suspensão do programa nuclear americano com uma duração de trinta anos e o custo de um bilhão de dólares assim como a interrupção do sistema projetado para detectar mísseis cruise (JLENS) no território dos EUA , o que seria um míssil na direção do complexo industrial e militar que planejou para o estágio pós-Obama a recuperação do papel dos EUA como a polícia mundial através da quinta fase da mobilização do escudo de mísseis na Europa (euro DAM), e um aumento extraordinário das intervenções militares dos EUA no exterior (leia-se nova guerra do oriente médio).

Soros e a conspiração anti-Trump

Até Eisenhower, a CIA era a única agência central de inteligência para o governo dos Estados Unidos e estava por detrás de múltiplas tarefas de treinamento insurgente e desestabilização de governos opostos às políticas do Pentágono, mas os lobbies militar e financeiro (ambos fagocitados pelo lobby judaico) não resistiriam à tentação de criar um governo de facto que manipulasse as complexidades do poder, resultando na emergência de uma nova entidade -o complexo militar e industrial de Eisenhower- refratária à opinião pública e ao controle do congresso e senado dos Estados Unidos). No presente, a organização haveria se transformado na chamada Homeland Security¹ e a partir da CIA-Hidra teriam se originado 17 novos departamentos na forma de agências de inteligência que integrariam a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos (o quarto setor do governo de acordo com Tom Engelhardt), patógenos de natureza totalitária, tornando-se um estado paralelo, poder verdadeiro nas sombras, fagocitado pelo “Clube das Ilhas” de George Soros, e que seriam conjurados contra a proposta de Trump dos primus inter pares geopolíticos ou G3.

Essa conspiração anti-Trump teria sido projetada após a recente reunião em Washington na qual quase 200 partidários de Hillary Clinton participaram na chamada Alliance for Democracy (DA)², uma mega-organização fundado por George Soros em 2005. Essa é a primeira fase para atacar a transferência de poder de Obama à Trump através de uma “revolução patriota ou multicolorida” nos EUA. De acordo com o website Zero Hedge, o protesto popular espontâneo anti-Trump teria sido inspirado pelo website MoveOn.org, financiado por Soros sob o lema “Get up and fight for American ideals”³, e cuja segunda fase seria truncar a carreira política de Trump, resultando na ascensão do vice-presidente Mike Pence ao cargo de presidente e o retorno ao caminho das pseudodemocracias protegidas pelo verdadeiro poder nas sombras dos EUA (o quarto setor do governo).



Notas do Tradutor:

¹ Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos
² Aliança da Democracia

³ Levante-se e lute pelos ideais americanos

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