quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Guillaume Faye - Marte & Hefesto: O Retorno da História

por Guillaume Faye



Permita-me uma parábola "arqueofuturista" baseada no eterno símbolo da árvore, que eu compararei ao do foguete. Mas antes disso, contemplemos a dura face do século vindouro.

O século XXI será um século de ferro e tempestades. Ele não se assemelhará àqueles futuros harmoniosos previstos até a década de 70. Ele não será a aldeia global profetizada por Marshall MacLuhan em 1966, ou a rede planetária de Bill Gates ou o fim da história de Francis Fukuyama: uma civilização liberal global dirigida por um Estado universal. Ele será um século de povos em competição e identidades étnicas. E paradoxalmente, os povo vitoriosos serão aqueles que permanecerem fieis a, ou retornarem aos, valores e realidades ancestrais (que são biológicos, culturais, éticos, sociais e espirituais) e que ao mesmo tempo dominarão a tecnociência. O século XXI será aquele no qual a civilização europeia, prometeia e tráfica mas eminentemente frágil, passará por uma metamorfose ou entrará em seu irremediável crepúsculo. Será um século decisivo.

No Ocidente, os séculos XIX XX foram uma época de crença na emancipação das leis da vida, crença de que era possível continuar indefinidamente após ter ido à Lua. O século XXI provavelmente ajustará as contas e nós vamos "retornar à realidade", provavelmente por meio do sofrimento.

Os séculos XIX e XX viram o apogeu do espírito burguês, essa varíola mental, este simulacro monstruoso e deformado da ideia de uma elite. O século XXI, uma época de tempestades, verá a renovação conjunta dos conceitos de um povo e uma aristocracia. O sonho burguês vai desmoronar da putrefação de seus princípios fundamentais e promessas medíocres: a felicidade não vem do materialismo e do consumismo, do capitalismo transnacional triunfante e do individualismo. Nem da segurança, da paz ou da justiça social.

Cultivemos o otimismo pessimista de Nietzsche. Como Drieu La Rochelle escreveu: "Não há mais ordem a conservar; é necessário criar uma nova". O começo do século XXI será difícil? Todos os indicadores estão no vermelho? Melhor assim. Eles previram o fim da história após o colapso da URSS? Queremos acelerar o seu retorno: trovejante, belicoso e arcaico. O Islã volta a suas guerras de conquista. O imperialismo americano está livre para agir. China e Índia querem se tornar superpotências. E por aí vai. O século XXI será posto sob o signo duplo de Marte, o deus da guerra, e de Hefesto, o deus que forja espadas, o mestre da tecnologia e dos fogos ctônicos.

Rumo à Quarta Era da Civilização Europeia

A civilização europeia (não se deve hesitar em chamá-la de alta civilização, apesar dos acovardados xenófilos etnomasoquistas) sobreviverá ao século XXI apenas por meio de uma reavaliação agonizante de alguns de seus princípios. Ela será capaz se ela permanecer ancorada em sua personalidade metamórfica eterna: mudar permanecendo ela própria, cultivar enraizamento e transcendência, fidelidade a sua identidade e grandes ambições históricas.

A Primeira Era da Civilização Europeia inclui a antiguidade e o período medieval: uma era de gestação e crescimento. A Segunda Era vai da Era dos Descobrimentos à Primeira Guerra Mundial: é a Ascensão. A civilização europeia conquista o mundo. Mas como Roma ou o Império de Alexandre, ela foi devorada por seus próprios filhos pródigos, o Ocidente e a América e pelos próprios povos que ela (superficialmente) colonizou. A Terceira Era da Civilização Europea começa, em uma aceleração trágica do processo histórico, com o Tratado de Versalhes e o fim da guerra civil de 1914-1918: o catastrófico século XX. Quatro gerações foram suficientes para desfazer o labor de mais de quarenta. A história se assemelha às assíntotas trigonométricas da "teoria da catástrofe": é no ápice de seu esplendor que a rosa apodrece; é após um momento de claridade e calmaria que o ciclone estoura. A Rocha Tarpeia está próxima ao Capitólio!

A Europa caiu vítima de seu próprio prometeísmo trágico, de sua própria abertura ao mundo. Vítima do excesso de qualquer expansão imperial: universalismo, ignorante de toda solidariedade étnica, assim também vítima do micronacionalismo.

A Quarta Era da Civilização Europeia começa hoje. Essa será a era do renascimento ou da perdição. O século XXI será para essa civilização, herdeira dos povos fraternos indo-europeis, o século fatídico, o século da vida ou morte. Mas o destino não é simplesmente fado. Contrariamente às religiões do deserto, o povo europeu sabe no fundo de seus corações que destino e divindades não são onipotentes em relação à vontade humana. Como Aquiles, como Ulisses, o homem europeu original não se prostra ou ajoelha perante os deuses, mas se ergue reto. Não há inevitabilidade na história.

A Parábola da Árvore

Uma Árvore tem raizes, tronco e folhas. Quer dizer, princípio, corpo e alma.

1) As raízes representam o "princípio", a fixação biológica de um povo e seu território, sua pátria. Elas não nos pertencem; são transmitidas. Elas pertencem ao povo, à alma ancestrai, e vem do povo, o que os gregos chamavam de ethnos e os alemães Volk. Elas vem dos ancestrais; elas devem ir para as novas gerações. (É por isso que qualquer miscigenação é uma apropriação indébita de um bem que deve ser transmitido e, portanto, uma traição). Se o princípio desaparece, nada mais é possível. Se cortamos o tronco da árvore, ela pode crescer novamente. Mesmo ferida, a Árvore pode continuar a crescer, desde que ela recupere fidelidade com suas próprias raízes, com sua própria fundação ancestral, o solo que nutre sua seiva. Mas se as raízes forem arrancadas ou o solo poluído, a árvore está acabada. É por isso que a colonização territorial e a amalgamação racial são infinitamente mais sérias e mortais que a escravidão política ou cultural, das quais um povo pode se recuperar.

As raízes, o princípio dionisíaco, cresce e penetra o solo em novas ramificações: vitalidade demográfica e proteção territorial da Árvore contra ervas daninhas. As raízes, o "princípio", jamais são fixas. Elas aprofundam sua essência, como Heidegger viu. As raízes são ao mesmo tempo "tradição" (o que é transmitido) e "arche" (fonte vital, eterna renovação). As raízes são, assim, manifestação da memória mais profunda do ancestral e da eterna juventude dionisíaca. Esta remete ao conceito fundamento do aprofundamento.

2) O tronco é seu "soma", o corpo, a expressão cultural e psíquica do povo, sempre inovadora, mas nutrida pela seiva das raízes. Ela não é solidificada. Ela cresce em camadas concêntricas e se ergue rumo ao céu. Hoje, aqueles que querem neutralizar e abolir a cultura europeia tentam "preservá-la" na forma de monumentos do passado, como em formol, para estudiosos "neutros", ou simplesmente abolir a memória histórica das gerações mais jovens. Eles fazem o trabalho de lenhadores. O tronco, sobre a terra que o porta, é, era após era, crescimento e metamorfose. A Árvore da velha cultura europeia é desenraizada e removida. Um carvalho de 10 anos não se assemelha a um de mil anos. Mas é o mesmo carvalho. O tronco, que resiste ao relâmpago, obedece ao princípio jupiteriano.

3) A folhagem é extremamente frágil e bela. Ela morre, apodrece e reaparece como o sol. Ela cresce em todas as direções. A folhagem representa psyche, i.e., civilização, a produção e profusão de novas formas de criação. Ela é a raison d'être da Árvore, sua presunção. Ademais, a que lei o crescimento de folhas obedece? Fotossíntese. Quer dizer, "a utilização da força da luz". O sol nutre as folhas que, em troca, produzem oxigênio. A folhagem eflorescente, assim, segue o princípio apolíneo. Mas observe: se ela cresce desordenadamente e anarquicamente (como a civilização europeia, que queria se tornar o Ocidente global e se estender sobre todo o planeta), ela será pega pela tempestade, como uma vela de barco má amarrada, e arrancará e desenraizará a Árvore que a carrega. A folhagem deve ser podada, disciplinada. Se a civilização europeia quiser sobreviver, ela não deve se estender sobre toda a Terra, nem praticar a estratégia dos braços abertos... como a folhagem que é intrépida demais se superestende, ou se permite ser sufocada por vinhas. Ela terá que se concentrar em seu espaço vital, i.e., Eurossibéria. Daí a importância do imperativo etnocêntrico, um termo politicamente incorreto, mas que é melhor do que o modelo "etnopluralista" e, na verdade, multiétnico que ludibria ou esquemas propostas para confundir o espírito de resistência da elite rebelde da juventude.

Pode-se comparar a metáfora tripartite da Árvore com a daquela extraordinária invenção europeia, o Foguete. O motor corresponde às raízes, com fogo ctônico. O corpo cilíndrico é como o tronco da árvore. E a cápsula, a partir da qual satélites ou naves alimentadas por paineis solares são arremessados, traz à mente a folhagem.

É realmente um acidente que as cinco grandes séries de foguetes espaciaias construídas por europeus, incluindo expatriados nos EUA, foram respectivamente chamadas Apollo, Atlas, Mercúrio, Thor e Ariadne? A Árvore é o povo. Como o foguete, ela se ergue aos céus, mas parte de uma terra, um solo fértil onde nenhuma outra raiz parasita pode ser permitida. Sobre uma base espacial, se garante uma proteção perfeita, uma clareira total para o local de lançamento. Da mesma maneira, o bom jardineiro sabe que se a árvore deve crescer alta e forte, ele deve limpar sua base das ervas daninhas que parasitam suas raízes, livrar seu tronco do aperto de plantas parasitárias, e também podar os galhos pendentes e prolixos.

Do Crepúsculo ao Amanhecer

Este séclo será o do renascimento metamórfico da Europa, como a Fênix, ou de seu desaparecimento enquanto civilização histórica e sua transformação em uma estéril e cosmopolita Luna Park, enquanto os outros povos preservarão suas identidades e desenvolverão seu poder. A Europa é ameaçada por dois vírus relacionados: o do esquecimento de si mesmo, da dessecação interior, e o da excessiva "abertura ao outro". No século XXI, a Europa, para sobreviver, terá que se reagrupar, i.e., retornar a sua memória, e perseguir suas aspirações faustianas e prometeicas. Essa é a demanda da coincidentia oppositorum, a convergência de opostos, ou a necessidade dupla de memória e vontade de poder, contemplação e criação inovadora, enraizamento e transcendência. Heidegger e Nietzsche.

O início do século XXI será a meia-noite desesperadora do mundo sobre a qual Hölderlin falou. Mas é sempre mais escuro antes do amanhecer. Sabe-se que o sol retornará, sol invictus. Após o crepúsculo dos deuses: o amanhecer dos deuses. Nossos inimigos sempre acreditaram no Grande Entardecer, e seus estandartes portam as estrelas da noite. Nossas bandeiras, ao contrário, são brasonadas com a estrela do Grande Amanhecer, com raios fulgurantes; com a roda, a flor do sol ao Meio-Dia.

Grandes civilizações podem passar da escuridão do declínio para o renascimento: Islã e China provam isso. Os EUA não são uma civilização, mas uma sociedade, a materialização global da sociedade burguesa, um cometa, com um poder tão insolente quanto transitório. Eles não tem raízes. Eles não são competição verdadeira no palco da história, apenas um parasita.

O tempo de conquista acabou. Agora é o tempo de reconquista, interior e exterior: a reapropriação de nossa memória e nosso espaço: e que espaço! 14 zonas horárias sobre as quais o sol nunca se põe. De Brest aos Estreitos de Bering, é verdadeiramente o Império do Sol, o próprio espaço do nascimento e expansão do povo indo-europeu. Para o sudeste estão nossos primos indianos. Para o leste está a grande civilização chinesa, que pode decidir ser nossa inimiga ou nossa aliada. Para o oeste, do outro lado do oceano: América, cujo desejo sempre será o de impedir a união continental. Mas ela sempre será capaz de impedi-la?

E então, para o sul: a principal ameaça, ressurgindo das profundezas das eras, aquela com a qual não podemos nos comprometer.

Lenhadores tentam cortar a Árvore, entre eles muitos traidores e colaboracionistas. Defendamos nossa terra, preservemos nosso povo. A contagem regressiva começou. Temos tempo, mas pouco.

E então, mesmo que eles cortem o tronco ou a tempestade o derrube, as raízes permanecerão, sempre férteis. Só uma brasa já basta para reacender um fogo.

Obviamente, eles podem cortar a Árvore e desmembrar seu corpo, em uma canção crepuscular, e europeus anestesiados podem não sentir a dor. Mas a terra é fértil, e apenas uma semente já basta para começar a crescer novamente. No século XXI, preparemos nossos filhos para a guerra. Eduquemos nossa juventude, mesmo que seja uma minoria, como uma nova aristocracia.

Hoje precisamos de mais do que moralidade. Precisamos de hipermoralidade, i.e., da ética nietzscheana dos tempos difíceis. Quando se defende o próprio povo, i.e., os próprios filhos, defende-se o essencial. Aí então se segue a regra de Agamêmnon e Leônidas, mas também de Charles Martel: o que prevalece é a lei da espada, cujo bronze ou aço reflete o brilho do sol. A árvore, o foguete, a espada: três símbolos verticais lançados do chão aos céus, da Terra ao Sol, animados por seiva, fogo e sangue.

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