segunda-feira, 18 de julho de 2016

Jack Donovan - A Sociedade Masturbatória dos Bonobos

por Jack Donovan



O que aconteceria se os homens, de tão mal-acostumados, arregassem e se rendessem incondicionalmente às mulheres? Como funcionaria uma sociedade assim? 

A teoria evolutiva do investimento parental sugere que, em virtude do alto custo da reprodução, os membros do sexo que fizer o menor investimento parental disputarão o acesso sexual aos daquele que fizer o maior. No caso dos seres humanos e da maior parte dos mamíferos, as fêmeas é que se veem obrigadas a fazer o maior investimento na reprodução.

Não bastasse passarem nove meses carregando o filho no ventre, as fêmeas humanas ficam extremamente vulneráveis e têm mais dificuldades de deslocamento, nos últimos estágios de gestação. Mesmo dar à luz é uma coisa traumática, e, no passado, as mortes ocorridas durante o parto eram mais corriqueiras que hoje em dia. Depois disso, a mãe continua especialmente vulnerável por um curto período de tempo, ao passo que a criança, extremamente vulnerável nos primeiros meses, continua vulnerável por vários anos. Também a amamentação é um investimento que se exigia das mães humanas até bem pouco.

Para os machos, essas coisas comparativamente fáceis. Podemos transmitir nossos genes em questão de minutos e, depois, sumir do mapa — a não ser que sejamos persuadidos a não ir muito longe, seja pelas próprias fêmeas, pelos controles socais ou por pais de trabuco na mão.

A evolução dos machos humanos os levou a disputarem o acesso às fêmeas, por causa do prêmio valioso que é o investimento reprodutivo delas. Os machos até poderiam viver no mundo exclusivamente masculino da gangue, mas as fêmeas representam quase que literalmente o futuro. Os homens traçam um perímetro e estabelecem a segurança; criam os rudimentos de uma hierarquia, de uma ordem e de uma cultura seminal, que contrapõem nós e eles. Para perpetuarem o nós, os homens precisam de mulheres — daí tentarem bolar como consegui-las e como ter “acesso a seu investimento reprodutivo”.

Major West, personagem do filme de zumbis Extermínio, conta uma história que lembra a da fundação de Roma. Em poucas palavras, ele explica a razão para o rapto das sabinas:

“Há oito dias, eu encontrei o Jones com uma arma enfiada na boca. Ele disse que ia se matar porque não havia nenhum futuro. O que eu podia dizer para ele? Ou lutamos com os contaminados, ou esperamos até que a fome os mate... e depois? O que nove homens podem fazer a não ser esperar a própria morte? Eu os tirei do bloqueio, fiz a transmissão no rádio e prometi mulheres para eles. Porque mulheres são o futuro.”

O Código dos Homens é o Código da Gangue, mas uma gangue só de homens não tem futuro nenhum. Uma gangue exclusivamente masculina acaba junto com a morte do último homem. Os homens querem ser lembrados, querem que sua tradição sobreviva — e querem sexo. Em última instância, esses mecanismos e desejos psicológicos lhes dão a chance de transmitirem seus genes. Numa disputa por recursos, inclusive por mulheres, a melhor estratégia para uma gangue de homens é criar uma hierarquia patriarcal, eliminar as gangues rivais vizinhas, tomar suas mulheres e protegê-las das demais gangues rivais. É exatamente isso que fazem muitas tribos primitivas. Trata-se de uma estratégia básica de gangue.

E o que acontece quando a disputa por recursos é drasticamente reduzida?

O que acontece quando as mulheres fazem as coisas de seu jeito?

Dois de nossos parentes primatas mais próximos, chimpanzés e bonobos, ilustram algumas das diferenças entre os hábitos dos homens e os das mulheres.

O argumento de Richard Wrangham e Dale Peterson é que, apesar das teorias culturais deterministas e da quantidade de ilusões sobre o pacifismo dos matriarcados pré-históricos, evidências evolutivas, arqueológicas, históricas, antropológicas, fisiológicas e genéticas sugerem de forma inequívoca que os seres humanos sempre foram uma espécie patriarcal, um grupo-subgrupo unido pelos laços entre machos e envolvido regularmente em coalizões com finalidades violentas. É uma conclusão corajosa, tendo em vista que os dois autores parecem sinceramente contrários à violência. Na qualidade de autodenominados feministas evolutivos, eles oferecem sugestões de como poderíamos dar um basta à violência masculina, agora que os homens têm os meios de descarregar seu ódio de uma forma bem mais destrutiva que a que permitiam os braços fortes e armas toscas de seus primitivos ancestrais. À parte a adoção da procriação seletiva para reduzir as violentas tendências alfa dos machos — programa que parece estar em andamento, muito embora acidentalmente — e o estabelecimento de um governo mundial, eles sugerem que busquemos orientação nos dóceis macacos bonobos.

Chimpanzés e bonobos são parentes próximos dos seres humanos. Ambos têm muito comum com as pessoas, mas quando se trata de estruturas sociais, aqueles estão mais aptos a viver em subgrupos, sob a liderança de uma hierarquia de machos, ao passo que a tendência dos bonobos é viver em grandes grupos mais estáveis, com um número maior de fêmeas; e são as fêmeas que mantém coalizões, para impedir a violência dos machos. Os chimpanzés se organizam em prol dos interesses reprodutivos dos machos e os bonobos, em prol dos interesses das fêmeas. Os chimpanzés observam o Código dos Homens. Os bonobos observam o Código das Mulheres.

A ORGANIZAÇÃO DOS CHIMPANZÉS

Os chimpanzés podem se misturar em grupos maiores, se puderem fazer alianças e se houver comida farta. Chimpanzés e seres humanos preferem comida de qualidade, e os chimpanzés machos saem efetivamente à caça de carne, em especial a carne dos macacos colobus-vermelhos. Os recursos sendo escassos, eles os disputam se dividindo em subgrupos. Essa estrutura social é chamada “grupo-subgrupo”, por causa da flexibilidade no número de membros. Sob pressão, eles revertem aos subgrupos patriarcais comandados por parentes machos e aliados unidos pelos laços entre machos. As fêmeas passam (e são passadas) de subgrupo em subgrupo. Os machos disputam o acesso sexual às fêmeas, mas eventualmente também as cortejam e as escoltam para longe da violência da competição masculina. Às vezes, as fêmeas sem filhotes se juntam aos machos nas atividades de caça e incursão. Na hierarquia social dos chimpanzés, as fêmeas se subordinam aos machos e têm de demonstrar submissão. Quando o macho jovem chega à idade adulta, é comum que faça um estardalhaço e passe a querer mandar nas fêmeas, até que elas o reconheçam como macho adulto. Depois que ele consegue, para de criar caso. Contudo, os chimpanzés espancam as fêmeas, esporadicamente, para manter o prestígio e mostrar às garotas como é que a banda toca. Os machos que chegam à idade adulta passam um bocado de tempo juntos, mas também passam muito tempo disputando prestígio entre si. Essas disputas costumam ser violentas, e, em raras ocasiões, soube-se de dois machos que fizeram uma aliança para matar o macho alfa. É possível que os seres humanos reconheçam isso como parricídio ou tiranicídio. Para os chimpanzés, disputas internas importam menos que a disputa com outros grupos. Chimpanzés e seres humanos são as duas únicas famílias dos grandes primatas cujos machos formam coalizões para sair em incursões ou para eliminar os membros de um subgrupo vizinho. Em certas ocasiões, os chimpanzés alfa reúnem os outros machos, vão à fronteira de seu território e tentam capturar e matar um membro desprevenido com a estratégia de “guerra furtiva”, comum entre seres humanos primitivos também envolvidos em incursões de guerrilha. Com o tempo, os machos abatem todos os machos do subgrupo vizinho, absorvem a seu próprio subgrupo de fêmeas remanescentes e acasalam com elas. Em razão de caçarem, os chimpanzés têm de estar dispostos a pôr de lado as disputas internas e manter sólidos laços entre si. Escreve o primatólogo Frans de Waal:

“... a psique do chimpanzé macho, forjada em milhões de anos de beligerância intergrupal em seu habitat natural, se divide entre a concorrência entre eles, os machos contam uns com os outros contra o mundo externo. Nenhum macho sabe quando precisará de seu maior adversário. É claro que é justamente essa mistura de camaradagem e rivalidade entre os machos que faz com que a sociedade dos chimpanzés seja tão mais familiar para nós que a estrutura social dos outros grandes primatas.”

A ORGANIZAÇÃO DOS BONOBOS

Os bonobos se alimentam de muita coisa da qual os chimpanzés gostam, e também comem carne quando encontram. Mas uma vez que os bonobos não compartilham território com os gorilas, conseguem comer os mesmos tipos de erva de que aqueles se alimentam. Wrangham e Peterson acham que essa é uma das principais diferenças entre os chimpanzés e os bonobos. Os bonobos dispõem de uma fonte de alimentos essenciais fáceis de achar, não têm de disputar recursos nem quando muitos desses alimentos estão fora de estação — daí conseguirem relaxar parcialmente o ano inteiro, desfrutando da paz proporcionada pela fartura. Embora disputem prestígio, os machos parecem menos preocupados com essas coisas, que não dizem muito para eles. Os bonobos não disputam parceiras. Cada macho só faz esperar por sua vez, e as fêmeas recebem de bom grado qualquer um que as procure. Para os bonobos, o sexo é social, e eles mantém relações tanto heterossexuais quanto homossexuais. Os machos ignoram quais são suas crias, qualquer um dos filhotes pode ser seu. Sobra para a mãe todo o investimento parental. Os machos bonobos sabem quem são suas mães e permanecem ligados a elas a vida inteira; não raro eles as acompanham por toda parte ao longo de toda a idade adulta, e elas intervêm em conflitos em nome deles. Entre os bonobos, os machos não passam muito tempo juntos, mas as fêmeas criam sólidos laços de amizade entre si, Quando os machos começam uma encrenca, elas se juntam em bando e dão logo um chega-pra-lá. As fêmeas bonobos é que mandam. Quando um grupo entra em contato com outro, elas se encarregam de selar a paz e, em geral, passam a fazer o hoka-hoka — que é como os nativos chamam a relação entre as bonobos fêmeas. Depois, acasalam com os machos do outro grupo. Os machos de seu próprio grupo só fazem ficar ali à toa observando, dar de ombros e, por fim, entrar na dança. 

UM CONFLITO DE INTERESSES

Bonobos e chimpanzés são adaptados para ambientes diversos, e suas estruturas sociais são influenciadas pelo que esses ambientes têm a oferecer. A sociedade dos bonobos privilegia o interesse das fêmeas. As coalizões entre elas prevalecem na política, e seus laços são mais importantes que os laços entre machos. Estes são ligados a suas mães e ignoram quem são seus pais. As fêmeas ficam juntas o resto da vida. Na sociedade dos chimpanzés, as fêmeas ficam meio que isoladas, e permanecem com suas crias enquanto estas forem pequenas; já os machos se dedicam tanto à rivalidade quanto à camaradagem, e permanecem com seus pais, irmãos e amigos o resto da vida. A sociedade dos chimpanzés privilegia o interesse dos machos.

Wrangham e Peterson acreditam que os bonobos oferecem um "caminho triplo para a paz", tendo em vista que conseguiram reduzir a violência entre sexos, reduzir a violência entre machos e reduzir a violência entre comunidades. Em resposta à destruição em massa inerente às guerras modernas, muitos homens têm procurado meios de abandonar o “sistema de hostilidades”, a serviço do patriarcado, e se orientado com as mulheres sobre a formação de coalizões e a descoberta de um estilo de vida mais pacífico.

Quem acredita que a hostilidade humana é de certo modo artificial não encontrará, na história das ciências, muito apoio objetivo para essa teoria. As sociedades humanas são complexas, e certos aspectos do padrão de comportamento dos bonobos e dos chimpanzés são bastante familiares. Só que a agressão masculina, a violência das coalizões masculinas e a ascendência política masculina foram todas elas identificadas como “universais humanos” — o que significa dizer que evidências desse comportamento foram encontradas, sob diferentes formas, em quase toda sociedade humana já estudada.

Em razão de se desenvolverem num território restrito e abrigado, os bonobos só passaram a ser estudados pelos cientistas como espécie à parte e distinta na década de cinquenta. O território dos chimpanzés é bem maior, e eles se adaptaram a ambientes mais diversos. É evidente que seres humanos e chimpanzés têm mais em comum, em termos de organização social. Embora os humanos sejam mais inteligentes e se organizem em arranjos sociais bem mais complexos que os dos chimpanzés, é provável que os laços entre machos e a violência das coalizões masculinas tenham sido características constantes das sociedades humanas e pré-humanas.


Interesse dos machos (Chimpanzés)
Interesse das fêmeas (Bonobos)
Recursos


Priorização da caça
Alta
Baixa
Aliança entre machos
Sim
Não
Aliança entre fêmeas
Não
Sim
Sexualidade
Para fins de acasalamento
Por prazer e para fins de socialização
Homossexualidade
Mínima, incomum
Frequente, comum
Ascendência política
Machos
Compartilhada, mas coalizações entre fêmeas exercem grande influência
Machos – laços parentais
Pai, irmãos, patrilinear, os machos passam o tempo com a mãe na juventude, com machos o resto da vida, com fêmeas para fins de acasalamento
Mães
Fêmeas – laços parentais
Mães, fêmeas podem deixar o subgrupo
Mães, matrilinear, fêmeas costumam permanecer no grupo
Machos agridem fêmeas
Sim
Não
Machos violenta fêmeas
Sim, mas raramente
Para que se incomodar?
Fêmeas reconhecem a ascendência dos machos
Sim
Não
Defesa do território
Sim
Às vezes
Incursões intergrupais
Sim
Não
Patrulhamento das fronteiras
Sim
não



Essa tabela mostra as diferenças entre os diversos aspectos das sociedades de chimpanzés e das sociedades de bonobos — ela mostra dois caminhos, dois extremos.

Alguns pesquisadores sugerem que os bonobos não assim tão pacíficos quanto Wrangham e Peterson acreditavam, mas o que de fato parece claro é que são mais pacíficos e matriarcais que os chimpanzés, e que seu estilo de vida é semelhante à minha descrição.

Tomados como uma metáfora do que ocorre aos homens que vivem na paz e na segurança proporcionadas por uma fartura como a nossa, os hábitos dos bonobos parecem assustadoramente familiares.

Então a maioria dos homens de hoje em dia não é composta de filhinhos de mamãe mimados, desprovidos de figura paterna, desprovidos das atividades de caça e combate e de laços fraternos, e cuja masculinidade só encontra vazão no sexo promíscuo?

As guerras contra outros homens são uma coisa que cada vez menos de nós conhecemos. O recrutamento obrigatório para a Guerra do Vietnã acabou no ano anterior ao de meu nascimento. Dessa época em diante, os EUA tiveram sucesso em formar uma classe de soldados profissionais, que travam combates em terras distantes no lugar do governo. O americano médio sabe mais de basquete universitário que de qualquer conflito além-mar.

Assim como os bonobos, não temos de nos preocupar com a fome. Mal e porcamente temos razões para levantar da poltrona. Até a recente recessão prolongada, era razoavelmente fácil arranjar emprego, e quase todo homem disposto a trabalhar era capaz de conseguir uma vaga. Programas de bem-estar e assistência social oferecem redes de proteção para muitas outras pessoas, e são poucos os americanos de hoje que se criaram numa casa que não tivesse televisão. Fome, pobreza e desespero de verdade, do jeito que os africanos conhecem, são raros até para quem é oficialmente considerado pobre. Doenças que dizimaram populações do passado hoje têm tratamento, e as pessoas chegam a se recuperar por inteiro de ferimentos que teriam sido fatais cem anos atrás. Se tem uma coisa que ilustra a fartura surreal de que desfrutamos hoje em dia, é o fato de enfrentarmos problemas como epidemia de obesidade. Ou seja, a pessoa consegue ficar sentada em casa, comendo, até ficar tão gorda que nem dá mais para se mexer.

Os americanos estão obesos, em parte, porque simplesmente não fazem o suficiente. É difícil encontrar um emprego no qual se tenha de fazer o tipo de trabalho estafante de nossos ancestrais. Sei disso porque sou daquele tipo de pessoa para quem um emprego temporário cavando fossos parece uma diversão. E olha que cheguei a procurar. Nosso corpo é dotado de uma tremenda capacidade de trabalho, quando estamos condicionados para isso. O corpo humano é feito para trabalhar arduamente. Quando não se tem trabalho a fazer, a saúde física deteriora. Os médicos têm de mandar as pessoas fazerem caminhadas como se fosse alguma espécie de inovação na tecnologia de exercícios físicos. Uma vez, observei assombrado um personal trainer conduzir autoritariamente uma parelha de uns quarenta e poucos adultos, numa caminhada nas imediações da própria vizinhança deles. Era um passeador de cães humanos a setenta e cinco dólares por hora.

O restante de nós vai à academia “malhar”, que é só um substituto para a execução de trabalhos físicos. Pessoas que vivem de responder e-mails vão a um prédio especial onde enganam o corpo, fazendo-o achar que elas estão de fato executando o tipo de trabalho para o qual a evolução as preparou. Atividades como treinar com sacos de areia, levantar pedras e correr descalço estão virando coqueluche. É só uma questão de tempo até aparecer alguém que bole um jeito de comercializar mais um modismo fitness, que ponha as pessoas para correr de lá para cá lanceando mamutes de mentirinha.

E, contudo, somos bons à beça em conceber formas inventivas de masturbar nossa natureza primitiva com a “segurança” de prazeres virtuais, vicários e abstratos.

O objetivo da civilização parece ser o de eliminar o trabalho e o risco, só que o mundo mudou mais que nós. Nosso corpo suplica por trabalho e sexo, nosso espírito suplica por risco e conflito.

Sempre me pareceu surpreendente que, mesmo nas mais populares de nossas concepções futuristas, não fôssemos capazes de eliminar o conflito — como na série Jornada nas Estrelas, por exemplo. Por alto, ela é um sonho modernista, feminista, igualitário. Homens, mulheres e povos de todas as raças trabalhando lado a lado numa meritocracia mundial, com o objetivo de levar a paz a todo o universo. Mas nossa fantasia é o conflito, não a paz. Se não houver conflito entre nós e eles não haverá trama. Em Jornada nas Estrelas, eles estão sempre em luta com alguém. Muita gente sente atração por essas platitudes pacifistas, iguais às que se ouvem na música “Imagine”, de John Lennon; só que as pessoas não são assim tão boas nem têm tanto interesse em imaginar um futuro sem conflito. Se escrevessem uma série de ficção científica que não tivesse conflito, será que alguém assistiria?

Nossa sociedade não tem tolerância quase nenhuma com a violência física não sancionada. Crianças são expulsas da escola quando brigam, e uma coisa historicamente banal como um arranca-rabo entre bêbados desarmados é capaz de mandar um homem para o juiz ou para a prisão.

À medida que as coalizões femininas, os políticos alcoviteiros e os homens acovardados se organizam para nos proteger de nosso mundo, para criminalizar as armas e regulamentar os esportes violentos, os homens recuam para redutos de masculinidade virtual e vicária, como videojogos e simulações de jogos de futebol americano, que é tudo o que sobrou para eles.

As pessoas também estão buscando outras formas não violentas de risco simulado e aventura “segura”. De paraquedismo e bungee-jumping a montanhismo guiado e corrida de aventuras, homens e mulheres têm bolado um número cada vez maior de simulacros da vida humana primitiva. Homens e mulheres são dotados de impulsos semelhantes, mas em graus diferentes — e o que percebi, quando participei de corridas de 5K, dos CrossFit e da “Warrior Dash”,[1] é que, depois que a novidade esfria, é comum a presença ser cada vez mais feminina. Mesmo que algumas mulheres participem de forma competitiva, um número bem maior atribui à experiência um caráter social e emocional, parando a meio caminho para animar as amigas e incentivar seu esforço. Minha impressão é a de que muitos maridos e namorados reconhecem a natureza masturbatória, “de bem com a vida”, dessas atividades e dão de ombros, se perguntando porque eles deveriam atravessar correndo um lamaçal a uma temperatura de mais de 30º, sem razão nenhuma. Do ponto de vista evolutivo, faz sentido as mulheres tenderem a preferir e se sentir mais satisfeitas com simulações de risco “seguras" e “divertidas”, enquanto os homens desejam disputas reais, com riscos reais e a possibilidade real de ganhar prestígio. Raramente o exercício que é cuidadosamente orquestrado, higienizado, acolchoado, segurado e autorizado se compara à fantasia de ação viril e risco significativo.

Nos videojogos os homens pelo menos vivenciam uma morte virtual.

À medida que foi diminuindo a disputa física por recursos, o sexo foi se tornando cada vez mais social [2] — que é o que acontece com os bonobos. Homens e mulheres se juntam para satisfazer seu impulso primitivo de reprodução. Para o desgosto dos reformistas da masculinidade, as mulheres ainda respondem sexualmente àqueles traços e comportamentos “alfa” que teriam feito dos homens bons caçadores e combatentes. Para as mulheres, as demonstrações de força, coragem e destreza são sinais de superioridade genética e de um acentuado prestígio masculino — inclusive para aquelas que não têm planos de reproduzir. Os homens estão atrás de mulheres que pareçam amáveis e férteis, e elas empulham o cérebro de macaco deles com batom, lipoaspiração e seios de silicone. Hoje em dia, o sexo é cada vez mais desconexo do acasalamento, e para muitos virou uma questão de “se masturbar com o corpo do outro".

Em muitos casos, o que esse corpo tem a oferecer é desapontador, se comparado ao sexo isento de riscos que os homens podem ter virtual e vicariamente, com pornografia de alta qualidade e acesso imediato. Em 2003, a feminista Naomi Wolf e o escritor David Amsde disseram que a experiência da simulação de sexo estava fazendo os homens se desinteressarem do sexo com mulheres de verdade, que se sentiam obrigadas a disputar a atenção deles com a pornografia.

2003... Não faz tanto tempo assim que as pessoas ainda pagavam efetivamente por pornografia, e arquivos de um gigabyte ainda pareciam enormes. Hoje em dia, os jovens podem baixar pornografia de alta definição em segundos e assistir na mesma TV deslumbrante, de tela enorme, que compraram para assistir ao Super Bowl (Campeonato nacional de futebol americano). A New York Magazine investigou esse assunto em 2011, com a reportagem “He’s just not that into anyone”, na qual o autor relata que tinha fingido um orgasmo numa relação sexual real, mas que não tinha problema nenhum em atingi-lo quando assistia a pornografia. Alguns homens entrevistados para a matéria disseram que vinham sofrendo com disfunção erétil durante as relações sexuais reais, outros contaram que tinham de se recordar de cenas de pornografia para conseguir gozar, quando trepavam com as esposas. O cantor John Mayer confessou à revista Playboy que, certos dias, antes de se levantar da cama, era provável que ele já tivesse visto fotos de umas trezentas vaginas.

Nosso mundo não está oferecendo aos homens outros meios de obterem um desempenho viril, nem uma experiência vital.

O que o mundo moderno tem a oferecer ao homem comum são mil e um métodos seguros de enxotar seu cérebro de macaco para o esquecimento.

Não é de surpreender que alguns homens, naqueles momentos de lucidez entre uma e outra masturbação inspirada por diversas formas vicárias de sexo e violência, se façam a mesma pergunta que, segundo Betty Friedan, as donas de casa instruídas andavam se fazendo na década de cinquenta:

— É só isso?

Nascemos na fartura proporcionada pela paz, numa economia de prazer, numa sociedade masturbatória de bonobos.

O futuro que a elite de nossos adestradores nos reserva só apregoa mais do mesmo, ou seja, mais prazer indiferente, menos risco, liberdade da necessidade, mais masturbação. Os reformadores da masculinidade nos oferecem a oportunidade de combatermos batalhas metafóricas, mas, no mundo real, as batalhas mais importantes serão “travadas” entre a elite da burocracia e os gestores especialistas e abastados, que acham que sabem o que é melhor, enquanto o resto de nós se arrasta num emprego tedioso, isento de riscos, no qual fazemos um trabalho idiota e ficamos de olho no relógio, ansiosos para voltar para casa e nos render furiosamente a qualquer forma de experiência primitiva vicária ou virtual que nos proporcione um orgasmo.

Jornalistas cosmopolitas de escolas de elite, tipo Betty Friedan, encheram a cabeça das mulheres, fazendo-as fantasiar carreiras empolgantes na cidade grande, mas que poucas delas poderiam ter esperança de um dia conseguir. Para cada mulher que hoje vive essa fantasia, há uma penca de outras mulheres registrando mercadorias na caixa de alguma grande rede varejista, ou fazendo um trabalho repetitivo de preenchimento de fichas em algum escritório cinzento. No Oriente, elas estão atendendo a nossas chamadas telefônicas ou executando tarefas monótonas na linha de montagem de alguma fábrica. A isso se dá nome de “progresso”. É provável que, para muitas dessas mulheres, melhor seria passarem mais tempo participando ativamente da vida dos filhos — mas elas já não têm a opção de ficar em casa.

O custo da civilização é a progressiva permuta com a própria existência vital. É a troca do real pelo artificial, pela fraude convincente, que a gente faz pela promessa de segurança e de barriga cheia.

Sempre foi assim.

A questão é: “Quando é que essa troca passa dos limites?

No futuro que globalistas e feministas conceberam para eles mesmos, só umas poucas pessoas chegarão a fazer alguma coisa que valha a pena. Alguns serão cientistas, encarregados de desvendar os mistérios do universo. Alguns serão engenheiros, daqueles que concebem, projetam e resolvem problemas. Alguns farão parte de uma classe gestora privilegiada de financistas e de burocratas, responsável por tomar as decisões importantes em nome de todos os demais. São eles que estarão à frente de companhias e departamentos, e erguerão seus enormes leviatãs a partir de documentos legais e de sorrisos fingidos. Assim como hoje em dia, também haverá uma classe criativa glamorosa, encarregada do planejamento de nossos divertimentos sedentários. Haverá gladiadores e corridas de carruagens. Haverá encenações e gente de teatro, e haverá os mexericos da aldeia global.

Só que não dá para todo mundo ser cacique — e a maioria de nós ficará mesmo é com o papel de índio. Os produtos precisam de hordas de consumidores, vendedores, atendentes, balconistas, estoquistas, assistentes de prevenção de perdas, vigias noturnos. Qualquer um que esteja no lado esquerdo da curva de sino [3], qualquer um que faça a escolha errada na hora errada, qualquer um que não seja submetido a duras provas ou não se comporte com correção, qualquer um que não tenha sido “adequadamente socializado”, qualquer um que decline das opções erradas pelas razões corretas, acabará ganhando uma merreca para trabalhar feito um burro de carga. Como observa Matthew B. Crawford, até o chamado “trabalho de conhecimento” dos colarinhos brancos está “sujeito à rotinização e à degradação, a se seguir a mesma lógica que atingiu o setor industrial cem anos atrás, ou seja, os elementos cognitivos do trabalho são expropriados dos profissionais, aduzidos num sistema ou processo e, depois, restituídos a uma nova classe de trabalhadores — os funcionários — que substituem os profissionais”. Ter leitura e escrita de nível superior não significa que, para fazer o que você faz, seja necessária uma capacidade de raciocínio ou de solução de problemas graves muito maior que a necessária para ser um gerente do McDonald’s. Só vai poupá-lo da testa oleosa.

Só algumas centenas de anos atrás, muitos homens hoje destinados ao funcionalismo teriam aprendido um ofício com os pais e adquirido destreza nele, fosse a agricultura ou outro tipo de trabalho interessante do qual pudessem se orgulhar. Teriam sido membros valorosos de uma reduzida comunidade de pessoas, que se importariam se estavam vivas ou mortas. Alguns passariam a vida com grupos de homens, a bordo de alguma embarcação, mas a maioria estaria destinada a prover e a proteger suas famílias — seu pequeno clã pessoal. Era um acordo factível entre a vida de gangue e a vida em família. Algumas gerações atrás, esses homens teriam responsabilidades significativas, e seus atos teriam o potencial de causar estragos maiores que meramente ferir os sentimentos de alguém ou causar incômodo. Eles teriam razões prementes para se esforçar em serem bons em serem homens, mas também em serem bons homens. Não muito tempo atrás, esses homens teriam dignidade e honra.

No futuro concebido por globalistas e feministas, para a maioria dos homens só haverá mais funcionalismo e mais masturbação. Só haverá mais pedidos de desculpa, mais submissão, mais solicitações de permissão para serem homens. Só haverá mais exames, certificações, requisitos obrigatórios, processos de triagem, inquéritos pessoais, testes de personalidade e diagnósticos de caráter político. Só haverá mais medicação. Só haverá mais ocasiões de confiarem a sua secretária um frasco quentinho de sua própria urina. Haverá alongamentos matinais obrigatórios, e apresentações de segurança em vídeo, e folhas rubricadas para seu arquivo. Haverá mais capacetes, e óculos de proteção, e arneses, e uniformes alaranjados chamativos com tarjas refletivas. É inevitável que haja mais aconselhamentos e mais treinamentos de sensibilidade. Haverá mais empecilhos administrativos a superar, para quem quiser abrir o próprio negócio e pô-lo para funcionar. Haverá mais apólices de seguro obrigatórias. Não restam dúvidas de que haverá mais impostos. É provável que haja mais leis e políticas corporativas contra o assédio sexual, caracterizadas pela bizantinice, e ainda mais recursos graças aos quais tanto mulheres quanto grupos identitários privilegiados poderão acusá-los de conduta imprópria. Haverá mais rotinas microgeridas, e regulamentos mais insignificantes, e multas mais pesadas, e penalidades mais severas. Haverá mais meios deles se meterem em encrenca com a lei e mais meios da sociedade preservar suas doces ilusões, varrendo-os para debaixo do tapete. Em 2009, nos EUA, havia quase cinco vezes mais homens na condicional ou cumprindo pena nas prisões que na ativa em todas as Forças Armadas.

Se você for um bom rapaz e seguir as regras, se souber falar num tom passivo e inofensivo, se for capaz de convencer algum outro pobre paspalho inadvertido de que você está tomado de um desejo quase doentio de fornecer um serviço excepcional de atendimento ao consumidor ou de aumentar a eficiência operacional aperfeiçoando os processos internos e tornando mais efetiva a comunicação organizacional, se conseguir repetir babaquices estúpidas como essa sem cair na gargalhada, se seu histórico conferir e seu mijo cheirar bem — você poderá conseguir um E-M-P-R-E-G-O. Quem sabe você não vira o sujeito que aplica o exame ou que autoriza a apólice de seguros? Quem sabe você não vira o sujeito que ajuda alguma corporação global desnaturada a fazer um dinheirinho? Quem sabe você não recebe um afago por ter tido a brilhante ideia de mandar uma penca de outros rapazes para o olho da rua, terceirizando os empregos entediantes deles e entregando para gente de outro lugar, disposta a trabalhar mais e ganhar menos? Seja lá o que você faça, não importa o que as pessoas comentem, não importa a quantas atividades de formação de equipa você compareça, nem quantos cartões de aniversário receba da secretária de não-sei-das-quantas, você saberá que é só uma unidade de trabalho, completamente substituível, no grande esquema das coisas.

Nenhuma burocracia pervasiva nem corporação global jamais cairão de amores por você. Elas contam com dotações orçamentárias para seus setores de relações públicas e com departamentos de recursos humanos para proteger os interesses e os lucros delas. Não há um “nós”. Não cabe a uma entidade legal se importar se você vive ou morre, nem se você é feliz.

Se você for um bom rapaz, se vestir com esmero, tiver um EM-PRE-GO e souber dizer a coisa certa, quem sabe não acaba convencendo uma garota legal a permitir que você dê a ela um bebê e ajude a custeá-lo? Mas se essa não for sua praia, você pode gastar seu dinheiro enchendo a caveira ou ocupar seu tempo no esforço de conseguir trepar com o primeiro traseiro que mexer com sua imaginação. Afinal de contas, nesta sociedade masturbatória de bonobos, o sexo é social. Você desfrutará do “direito” arduamente conquistado de se esfregar em qualquer coisa que o faça sentir-se bem — contanto que siga as regras.

Se você for um bom rapaz, pode se enroscar na segurança uterina de seu apartamentinho de condomínio em estilo soviete-nouveau, com seus trastes confortáveis, e desfrutar de suas indulgências meticulosas, sua dieta gourmet, sua cerveja exclusiva. Pode ocupar o tempo procurando se adestrar na arte de reduzir suas emissões de carbono, ou fazer sua parte indo de bicicleta para o trabalho, costurando displicentemente no meio de uma barragem de caminhões e de carros capazes de esmagá-lo por puro prazer. Quem sabe você não faça aulas e obtenha uma autorização, e, depois de outro funcionário confirmar que você é competente o bastante para merecer uma licença e a devida cobertura do seguro, não se habilite a fazer uma coisa fora do normal, tipo andar de moto? Quem sabe você não pague a alguém para deixá-lo disputar um jogo, ou participar de uma corrida, ou se meter num arnês de segurança e escalar pedras falsas? Caso contrário, nada impede que você assista a alguém fazer isso na TV. Quem sabe você não fique revoltado com alguma iniquidade ou injustiça à toa e participe de uma resistência pacífica? Quem sabe você não se convença de que está fazendo a diferença quando marca com outras pessoas de se encontrarem em algum lugar para dirigir gritos enraivecidos contra uma gente que não está nem aí? Se preferir, pode entrar na internet e dar largas a sua fúria confusa, impotente e vangloriosa assumindo a identidade daquele casca-grossa anônimo que vive em algum blog ou fórum. Ou pode só tocar um foda-se e gastar todo o dinheiro em videogames que proporcionem a sensação vicária de enfrentar hordas carniceiras de “outros”, cheios de agressividade. Você pode ficar obcecado com o time de futebol de seus sonhos. E não podemos esquecer dos hobbies. Você pode arranjar uma atividade inútil e inofensiva para passar o tempo. Jardinagem, talvez. Você pode formar uma banda ou mexer com carros. Virar um cinéfilo. Você pode pintar estatuetas de guerreiros. Você pode até vestir uma fantasia e jogar RPG na modalidade live action.

Seja lá o que você faça, arrume um jeito de se manter ocupado.

Não há nada de errado com essas coisas, todas elas são “divertidas”. E o que é “diversão”, se não dar uma masturbadinha em seu cérebro primitivo? Eu gosto de me “divertir”. Não há mal nenhum em se permitir um pouco de “diversão” — daí a gente chamar de “diversão”, em vez de alguma coisa extremamente grave, tipo “sobrevivência” ou “guerra”.

Mas se isso é tudo, se sua vida se resume a sair à cata de “diversão”, será que é o bastante?

Será que este patamar de civilização — toda esta paz e esta fartura — vale o que estamos pagando?

Por quanto tempo os homens se satisfarão em reviver e reinventar os dramas conflituosos do passado por meio de livros, filmes e jogos, sem esperança de passar por qualquer conflito significativo em suas próprias vidas? Quando será que nos cansaremos de ouvir histórias de grandes homens há muito falecidos?

Por quanto tempo os homens tolerarão esse estado de relativa desonra, sabendo que seus ancestrais eram mais fortes, mais resistentes, mais sabendo que essa força que herdaram continua viva neles, mas que seu próprio potencial para as virtudes masculinas, para a glória, para a honra, será desperdiçado?

Já sabemos como era o Código dos Homens.

Será que viver uma vida de bonobos foi só o que nos restou?

NOTAS

[1] Corridas de cinco quilômetros são promovidas em todos os EUA e disputadas majoritariamente por atletas amadores. Os CrossFit Games são uma competição com diferentes provas, que testam a força e a resistência dos participantes. A Warrior Dash é uma corrida de obstáculos, também com extensão de cinco quilômetros; é a ela que o autor se refere ao falar em “lamaçal”, mais adiante.

[2] Donovan dissertou melhor sobre esse assunto nesse texto.

[3] O gráfico de distribuição normal (cognominado curva de sino, devido a seu traçado) descreve eventos que oscilam em torno de um Valor médio. Estar “no lado esquerdo da curva de sino” é estar abaixo da média.

4 comentários:

  1. Texto incrível , me faz refletir de diversas maneiras como a figura masculina está cada vez mais "passiva".

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  2. O texto nos mostra o quão distante da realidade estamos, onde o raciomalismo positivista nos levou. Vivemos em uma sociedade presa a uma pseudorealidade, uma matrix. Este é o Reino da Quantidade que anuncia uma pós-humanidade.

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    1. Amaro, não entendo como o racionalismo positivista influencia em algo que está escrito no texto, explique-me, por favor.

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  3. O texto em questão é um capítulo da Bíblia. Hrum... hrum.. melhor dizendo... é um capitulo do livro The Way of Man, do autor. Que no Brasil foi publicado com o título de O Código dos Homens pela editora Simonsem.

    Basicamente se queremos resolver os problemas do mundo tudo que precisamos fazer é eliminar a comida, promover a fome entre os nossos, a miséria, o desespero, o horror e o caos. Destruir a civilização para assim construir um mundo melhor.

    Felizmente nada disto precisa ser feito, já que estamos indo exatamente nesta direção, acho que disto ninguém discorda. O atual apocalipse alegre que testemunhamos se encarregará de criar um mundo de escassez, onde o atual homem bonono não mais terá o Estado é a Sociedade para lhe defender.

    Retornaremos ao mundo dos chimpanzés, preparem -se, se quiserem viver. Se não quiserem, então está tudo bem, não vivam.

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