terça-feira, 12 de julho de 2016

Gregory Hood - Nacional-Bolchevismo, Rússia e o Papel das Ideias

por Gregory Hood



O que acontece conosco quando morremos? Os grandes filósofos, teólogos e acadêmicos do passado debateram essa questão por séculos. Ninguém conhece a verdade definitiva, e é impossível pensar que conforme cambaleemos na beira da eternidade no momento de nossa morte, que pelo menos uma pequena porção de medo vai se misturar com esperança pela vida eterna. Talvez a busca por sentido seja o próprio sentido. Quem pode saber com certeza? Uma coisa, porém, podemos dizer com certeza. Se Adolf Hitler e Josef Stalin ainda existem, em algum lugar, de alguma forma, e eles vissem esse vídeo, eles ficariam realmente, realmente, realmente confusos.

Onde começar? A reação óbvia de americanos estúpidos como eu seria imaginar o que raios são esses nazi-comunistas.

Ao mesmo tempo, esse tipo de riso é artificial. Você sabe que deve rir desse tipo de coisa ao invés de analisar de verdade, da mesma maneira que você deve rir, digamos, de nacionalistas brancos. Você também sabe que deve reagir dessa maneira exatamente em relação às ideias mais ameaçadoras ao sistema. Vamos dar uma olhada séria no nacional-bolchevismo, e ver se há algo que realmente faria alguém combinar a música "Ghost Division" do Sabaton (sobre a investida de Rommel na França) com imagens do Exército Vermelho vitorioso. Essa análise também lançará luz no debate sobre a Nova Direita Europeia, Francis Parker Yockey e o anti-americanismo dentro do movimento nacionalista branco.

O nacional-bolchevismo é uma tentativa de combinar elementos do comunismo com nacionalismo. Ele rejeita fortemente tanto o capitalismo de livre-mercado quanto o socialismo universalista, em prol de uma receita interessante de tradicionalismo radical, estética modernista, imagética militarista e uma forte ênfase em geopolítica e autarquia econômica, ao invés de livre-comércio. Não surpreendentemente, o movimento hoje está centrado na Rússia, com influências tão diversas quanto Gregor Strasser, Alain de Benoist e Josef Stalin.

O nacional-bolchevismo possui suas raízes na Alemanha, conforme escritores como Ernst Niekisch viam a emergente União Soviética como uma maneira de criar uma comunidade nacional forte que poderia transcender a corrupção da democracia, desde que ela abandonasse o seu universalismo de "trabalhadores do mundo uni-vos". Ernst Jünger, que escreveu sobre como ele "odiava democracia", foi também influenciado por essas ideias, bem como um ativista nacional-socialista chamado Joseph Goebbels.

Essas ideias não são contraditórias como parecem. Argumentos de que a Primeira Guerra Mundial era uma "guerra do povo" que poderia varrer o mundo burguês e servir como ponto de partida para uma comunidade autenticamente socialista eram retórica comum dos socialistas pró-intervenção que ganharam o dia em cada país da Europa ocidental. Como bem sabemos, Benito Mussolini, que era conhecido como um dos socialistas revolucionários mais convictos antes da guerra e liderou pessoalmente protestos antiguerra, se tornou eventualmente um campeão do militarismo italiano. Tampouco ele se viu como traindo o socialismo nesse sentido, a condenação da "fraude e chantagem" do socialismo pelo Duce veio muito depois. Militarismo, nacionalismo e socialismo; unidos, constituiriam uma força diametralmente oposta ao liberalismo capitalista. Subitamente, uma aliança entre nacionalismo e socialismo, entre o que chamamos de "fascismo" e "comunismo", contra o liberalismo, começa a fazer sentido.

As bases econômicas por trás da ideologia também foram fortemente influenciadas pelos conceitos de "geopolítica" delineados por Harold Mackinder, Karl Haushofer, e outros. Diferente da teoria de que "o poder marítimo determina o poder mundial" promovida por Sir Alfred Maham; Mackinder, Haushofer e outros, viam o controle da "Ilha-Mundo" da Eurásia como a chave da dominação econômica, militar e política. O controle da Eurásia permitiria a um império poderoso ser autossuficiente e prosperar sem ter que depender de comércio marítimo e impérios e influência internacional dispersos. Politicamente, um império eurasiático que alcançasse autarquia também é mais provável que seja estatista, autoritário e tradicionalista do que uma potência oceânica comercial que precisaria ser mais internacionalista, classicamente liberal e socialmente progressista por causa de sua orientação econômica e cultural externalista.

Na década de 20 então, uma aliança entre a "extrema-direita" emergente das nações europeias ocidentais com a URSS de Stalin fazia sentido a nível prático e filosófico, já que ambos partilhavam de premissas políticas e econômicas importantes, e ambos se opunham à ordem capitalista ocidental. A ascensão de Josef Stalin garantiu que as tendências "internacionalistas" do comunismo soviético fossem mais ou menos permanentemente descartadas e que os "velhos bolcheviques" (i.e. os judeus) terminariam seus dias em julgamentos e execuções. Mesmo antes de Stalin consolidar plenamente seu poder, uma fação extremamente influente no NSDAP, chefiada por Gregor Strasser e Joseph Goebbels, defendia a cooperação e parceria alemães com a Rússia soviética contra o Ocidente. Uma parceria germano-soviética poderia ter acabado definitivamente com a ordem liberal.

E daí, Greg? Esse palavrório todo não é apenas autismo, masturbação ideológica e mais filosifismo nacionalista branco virtual sobre conceitos obscuros sem importância prática? Surpreendentemente não, por várias razões.

Primeiro, essa aliança nunca ocorreu, e essa obscura disputa ideológica pode ter sido, retrospectivamente, o evento mais decisivo do século XX. Em 1926, Adolf Hitler convocou uma reunião da liderança nazista na qual ele convenceu Goebbels e marginalizou a facção strasserista "nacional-bolchevique". Nos anos vindouros, Hitler chegaria ao poder com a ajuda de conservadores e nacionalistas tradicionais alemães. Em troca de controle absoluto, ele expurgaria o NSDAP de boa parte de sua esquerda; limitando os guerreiros proletários da S.A., matando Ernst Rohm e Gregor Strasser, e conquistando a maior parte da elite alemã, incluindo capitães da indústria e oficiais militares.

A razão pela qual Hitler fez isso não foi apenas porconta de diferenças de estratégia política, mas sim por causa de política externa. Hitler aceitava a teoria da "Ilha Mundial", na verdade, o vice-Führer Rudolf Hess havia sido um estudante ávido de Karl Haushofer e debates sobre o envolvimento de Haushofer na política externa nazistas e mesmo na escrita do "Mein Kampf" continuam até hoje. Porém, ao invés de parceria, Hitler defendia a conquista militar direta do Lebensraum no leste. Ao invés de amizade com ma União Soviética antiliberal, Hitler fez de sua missão destruir o que ele via como o centro do "bolchevismo judaico".

Muito alarde tem sido feito por "conservadores" idiotas (e judeus) sobre como os fascistas eram, na verdade, "esquerdistas". Muitos nacionalistas, nacional-socialistas, fascistas e outros ativistas atuais também pensam assim. A própria Horst Wessel Lied fala sobre camaradas mortos pela "reação". Certamente, Hitler não era conservador, tampouco Mussolini, ou Jose Antonio Prima de Rivera, ou Corneliu Zelea Codreanu ou qualquer um dos outros e conflitos violentos foram travados entre nacionalistas e conservadores.

Não obstante, o fato é que todos esses movimentos chegaram ao poder através de ajuda de pelo menos alguns elementos da ordem estabelecida. Os nacional-socialistas foram convidados ao governo por Hindenburg. Mussolini foi convidado a formar um governo pelo rei. A Falange espanhola lutou com os monarquistas e o exército. Os conservadores podem ter julgado estupidamente aquilo com que eles estavam lidando e os nacionalistas bem poderiam ter aniquilado os reacionários após uma vitória final na guerra. Seja o que for, apesar de muitas razões para uma aproximação nacionalista/soviética ou mesmo uma aliança, os nacionalistas por toda a Europa estava muito mais ligados à direita tradicionalista do que a qualquer ideia de nacional-bolchevismo à época da Segunda Guerra Mundial.

A consequência dessa orientação política foi a derrota.

Isso é controverso entre nacionalistas brancos. Há vários livros excelentes que dizem que Stalin sempre pretendeu invadir a Europa e que Hitler essencialmente salvou a civilização ocidental com um ataque preventivo. Não obstante, é claro que apesar do Pacto de 1939, Hitler sempre pretendeu destruir a União Soviética. Talvez uma paz nazi-soviética de longo prazo fosse impossível, mas era algo claramente mais provável que o sonho de Hitler de uma aliança com a Inglaterra. No fim das contas, Hitler era muito mais ávido por destruir a URSS do que Stalin por enfrentar a Wehrmacht.

Obviamente, a guerra de Hitler contra a URSS falhou, mas com consequências interessantes. Para garantir sua vitória, Stalin recuou rumo a uma retórica nacionalista russa, até dando concessões à Igreja Ortodoxa. A vitória soviética na Segunda Guerra Mundial foi interpretada dentro do país tanto naquela época quanto hoje não como uma vitória do proletariado internacional, mas como uma vitória da eterna e santa Rússia.

Francis Parker Yockey foi um dos poucos americanos que conseguiu ver através da retórica da Guerra Fria e notou que a Rússia poderia servir como uma barreira contra o sistema capitalista liberal inerentemente degenerativo que ele equiparava a seu próprio país. Assim, os nacionalistas brancos deveriam buscar uma aliança com a União Soviética, a qual havia se tornado, a sua própria maneira, autoritária, nacionalista, e até mesmo sutilmente antissemita. O objetivo final, é claro, era uma Europa que pudesse se afirmar novamente como potência mundial. Essas ideias, apesar de parecerem estranhas, não estavam muito longe das posições em política externa de Enoch Powell.

Interessantemente, mesmo enquanto os EUA impunham a "desnazificação" na Alemanha, novos movimentos neonazistas estavam surgindo na Alemanha Ocidental. Esses novos movimentos eram muito mais abertos a conceitos strasseristas do que a uma aliança com forças conservadoras ou nacionalistas tradicionais. Isso não é surpreendente por três razões. Primeiro, obviamente, não havia mais conservadorismo ou nacionalismo após a Segunda Guerra Mundial. Segundo, o capitalismo, desnudado de qualquer conexão, mesmo que tênue, com uma ordem tradicionalista, está na vanguarda da promoção da mestiçagem, do universalismo e das forças anti-nacionalistas. Terceiro, os movimentos neonazistas da Alemanha Ocidental foram financiados pela União Soviética.

Isso significa que a URSS era de alguma forma uma força nacionalista branca secreta? Certamente não, e é besteira sugerir isso. A União Soviética financiou guerrilhas que lavaram a Rodésia e a África do Sul em rios de sangue. Ela promoveu revolucionários latino-americanos que eram chauvinistas anti-brancos velados. A propaganda comunista constantemente atacava nosso país como racista e expunha a típica linha antirracista. Nem foi a América uma força inerentemente destrutiva. Os EUA manipularam eleições para impedir que os vermelhos tomassem Itália e França na década de 40. Nós usamos golpes militares para deter o comunismo na Grécia e no Chile, entre outros lugares. Abertamente e de forma acobertada, a América auxiliou regimes de direita ao redor do mundo no século XX e, deliberadamente ou não, lutou pelo lado pró-branco muitas vezes.

Ao mesmo tempo, é impossível não ver a União Soviética como, no fim das contas, mais tradicionalista que os EUA, especialmente conforme nos aproximamos do presente. O homossexualismo era duramente punido. A propaganda do governo focava em patriotismo e orgulho nacional. Nunca ocorreria à URSS substituir deliberadamente trabalhadores brancos por meio da imigração em massa de seus aliados do Terceiro Mundo, diferentemente do arquiconservador Ronald Reagan e sua anistia aos imigrantes ilegais de 1986. Enquanto o comunismo soviético era um sistemae econômico maligno, destrutivo e estúpido, ele não aniquilou o espírito do povo da mesma maneira que o capitalismo liberal o fez. A União Soviética simplesmente não era uma força igualitária revolucionária, mas um país estrangeiro buscando expandir sua influência e poder. Nossos próprios esquerdistas domésticos (em sua maioria trotskistas ou neoesquerdistas) fizeram mais para fazer mal à nossa sociedade do que a URSS.

Portanto, quando a URSS entrou em colapso, as velhas tradições russas ainda subsistiam sob a superfícia, esperando para eclodir novamente. Agora, porém, elas estavam misturadas com tradições soviéticas que haviam se tornado inseparáveis da própria identidade russa. Apesar de alguns acenos em direção a uma ortodoxia renovada e sentimentos de apreço pelos Romanov, uma Rússia forte era vista como ligada a uma nostalgia pelas glórias passadas da URSS. Ao mesmo tempo, a Rússia havia estado fundamentalmente isolada da torrente de igualitarismo racial que inundava o mundo ocidental, e assim o povo russo tinha um senso sadio de sua identidade branca, bem como hostilidade em relação aos judeus comunistas que mataram milhões de seus irmãos raciais. Poder-se-ia dizer que tal ambiente é fértil para um movimento nacionalista vibrante, mas poderia algum ser criado quando a identidade nacional em si está indissociavelmente ligada à derrota do nacional-socialismo?

Entram os nacional-bolcheviques.

O nacional-bolchevismo moderno está centrado na Rússia e é um produto das circunstâncias singulares do país. Os naiconal-bolcheviques enfatizam fortemente a necessidade da Rússia reestabelecer a integridade territorial da antiga União Soviética e estabelecer um império eurasiático, um produto da nostalgia russa pelo passado soviético e sua posição econômica única. Eles enfatizam uma ordem antiliberal, uma ideologia plausível já que décadas de comunismo ironicamente deixaram a academia russa mais aberta a ideias nacionalistas e de direita. Finalmente, enquanto muitos nacional-bolcheviques não são racistas, outros são e nenhum deles foi criado no hospício de lunáticos do antirracismo que o "Mundo Livre" toma como dado.

O nacional-bolchevique contemporâneo mais famoso (ou infame) é Eduard Limonov. Um escritor que frequentava a cena punk de Nova Iorque nos anos 70 e viveu na França nos anos 80, Limonovo subitamente emergiu nos anos 90 como um nacionalista demandando ação militar para recuperar território perdido com populações russas. Ele atingiu notoriedade por andar na companhia do "criminoso de guerra" sérvio Radovan Karadzic enquanto disparava um rifle em Sarajevo. Ele também escrevia para o tabloido moscovita eXile, onde seus ensaios mal traduzidos eram veiculados junto aos de Gary Brecher. Tal personagem foi feito para o teatro de rua, e Limonov entusiasticamente defendeu e participou deu ma série de ações protstando contra o governo de Vladimir Putin, eventualmente se aliando ao grupo de oposição "Outra Rússia" de Garry Kasparov.

É claro, Kasparov é um liberal fortemente apoiado pelo Ocidente, que é anátema para muitos nacional-bolcheviques. Uma cisão, assim, se formou, com a Frente Nacional-Bolchevique, qe está muito mais focada em combater a influência judaica na Rússia, bem como em defender a raça branca mais especificamente.

Este grupo está ligado a um dos "nazbols" mais influentes, Aleksandr Dugin, fundador do "Partido Eurásia". Ele defende um imenso império eurasiano centrado na Rússia, especificamente projetado para contrabalancear a ordem econômica liberal centrada nos EUA. Dugin também expressa interesse por alguns elementos do Terceiro Reich, elogiando as Waffen-SS e a Ahnenerbe. A visão de Dugin é de um "fascismo, vermelho e sem fronteiras" centrado em uma concepção de Tradição similar à de Julius Evola, com o stalinismo, o czarismo e Reinhard Heydrich todos dignos de elogio em alguma medida.

O nacional-bolchevismo está banido hoje na Rússia. Apesar de haver muitos truques publicitários, o partido não tem políticos eleitos, nem qualquer esperança de chegar ao poder por meio de eleições (ainda que os nazbols provavelmente rejeitem essa abordagem, de qualquer maneira). Então por que deveríamos nos importar?

Os nacional-bolcheviques, apesar de banidos, não são marginalizados da mesma maneira que nacionalistas brancos são na América, ou que os membros do Partido Comunista. Os nacional-bolcheviques são parte importante dos principais grupos de oposição na Rússia e não raro são retratados pela mídia americana como "ativistas democráticos".

A influência nazbol também vai além de seus membros. A facção anti-Limonov tem suas ideias levadas a sério em todos os níveis do governo russo. Dugin não é uma figura marginal. Ele está ligado a muitos dos assessores mais influentes de Vladimir Putin, sua retórica é copiada pelo Kremlin, e seus escritos são citados ao redor do mundo tanto pela imprensa quanto por escritores de direita na América. As tentativas da Rússia de conservar e expandir sua esfera de influência em suas proximidades tem muitos paralelos com o que pareceria uma política nacional-bolchevique. Qualquer nazbol concordaria entusiasticamente com Vladimir Putin de que o colapso da URSS foi "o maior desastre geopolítico do século XX". O sucesso de Putin em fundir símbolos do Exército Vermelho com o patriotismo tradicional russo também se encaixa bem com as ideias nazbol.

O nacional-bolchevismo, longe de ser uma ruptura radical com a política russa contemporânea, é simplesmente a forma mais extrema de tendências que já existem. Como a Rússia é a única nação  branca que ainda está fora do controle do sistema estabelecido em alguma medida, o nacional-bolchevismo é digno de estudo no mínimo para indicar o que o futuro pode reservar para a Terceira Roma.

O nacional-bolchevismo é, tanto na teoria quanto na prática, o conceito mais anti-americano que possivelmente poderia ser criado, se a América for definida como o exemplar do capitalismo liberal. O nacional-bolchevismo ameaça diretamente a base do poder econômico americano (livre-comércio e a ordem internacional liberal), poderio militar (OTAN e preponderância militar americana), valores morais (militarismo, disciplina, estatismo, Tradição e orgulho nacionalista contra direitos humanos, governo limitado e consenso internacional). Ele representa, assim, uma ideologia atraente para aqueles que sentem repulsa pela América moderna e que se excitam com um movimento político com apelo estético inegável, vitalidade intelectual e ativismo de rua por hordas de seguidores jovens e saudáveis.

Ao mesmo tempo, o nacional-bolchevismo é melhor visto como um fenômeno russo, uma manifestação de algumas demandas únicas da história russa em relação à identidade daquele povo. Ele combina com sucesso nostalgia pela força geopolítica da URSS com um programa e simbolismo de reconstrução. Ele permite que os russos reivindiquem as realizações soviéticas ao mesmo tempo que rejeitam o comunismo e o controle judaico. Ele lhes permite serem nacionalistas sem serem nazistas, uma necessidade em um país no qual a invasão alemã matou milhões. Mesmo aqueles russos que não são nacional-bolcheviques partilham de muitas dessas premissas. O nacional-bolchevismo simplesmente as leva a sua conclusão lógica.

Mas o que isso significa para nós? Eu concordo com Yockey que a ordem liberal dos EUA é ainda mais destrutiva para a raça branca a longo prazo que o comunismo. Porém, levantar uma foice e martelo ou denunciar seu próprio país não é a resposta. A chave para nacionalistas brancos é desenvolver uma oposição ao sistema que desconstrua a ideologia hegemônica, forneça uma alternativa real, e, crcialmente, se apresente em termos e com símbolos que a população-alvo possa compreender e apreciar.

Certamente, os EUA tem muito em sua história que pode ser utilizado por nacionalistas brancos. A caricatura da América como uma abstração ideológica construída sobre uma combinação de dinheiro, maçonaria, liberalismo e judaísmo pode servir para atingir pontos retóricos quando se descreve a situação hoje, mas ele dificilmente sumariza a história desse país. Houve corrupção e veneno desde o início, mas houve muito de verdadeiro também. A verdade está ao nosso lado no que concerne a história americana. 

Eu não estou dizendo que deveríamos ignorar essas correntes ou que elas não importam. Os intelectuais devem explorar essas ideias e líderes políticos precisam estar conscientes do significado mais profundo das premissas intelectuais de movimentos políticos e culturais. Nós podemos discutir sobre se o Führer cometeu um erro catastrófico ao se apegar a uma visão simplista do "bolchevismo judaico" quando a URSS da década de 30 já era algo bastante diferente. Um pouco menos de chauvinismo alemão poderia ter ajudado.

Ao mesmo tempo, as ideias não se desenvolvem em um vácuo. Não há torre de marfim. As ideias não só movem a história, a história também molda ideias, permitindo àqueles que correspondem às necessidades dos povos se erguer à proeminência e se tornarem credos para ação. A história não é apenas a execução de premissas ideológicas, na verdade, ideias e ideologias são muitas vezes simplesmente a justificativa retórica dada à busca de interesses concretos por atores políticos.

Não vamos nos enterrar em abstrações ou, pior, lutar uns com os outros por credos obscuros. É impossível desenvolver uma teoria "correta" e aplicá-la às circunstâncias. A ideologia deve ser flexível e capaz de se adaptar às realidades políticas, ao mesmo tempo mantendo uma determinação férrea nos objetivos a serem realizados. A ideologia é uma ferramenta, ela não é nosso mestre.

Para nacionalistas brancos americanos, o nacional-bolchevismo é algo a ser estudado, pelas verdades reveladas nele e por sua importância para a política contemporânea, mas não como algo a ser imitado. Mesmo os "nazbols" são produto da história, não uma transcendência. A questão real é como nós americanos podemos usar nossa história única, com todas as contradições e complexidades, glórias e derrotas, para moldarmos a Ideia que construirá nossa República branca. 


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