terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aleksandr Dugin - Princípios e Estratégia da Guerra Vindoura

por Aleksandr Dugin



Para falar a verdade, a guerra começou. A guerra "foi começada". Esta guerra, que é a mais importante agora, é o confronto de duas civilizações: a civilização terrestre, representada pela rússia, e a civilização marítima, representada pelos EUA. É um impasse entre um sistema comercialista, e uma civilização heroica, entre Cartago e Roma, Atenas e Esparta. Porém, em certos momentos ela alcança uma fase "quente". Nós estamos neste momento novamente. Estamos à beira da guerra, e uma também já existe. Porém, esta guerra pode se tornar a maior e, talvez, a única batalha de nossas vidas, a qualquer momento. Como os principais jogadores - EUA e Rússia - são potências nucleares, a guerra envolve todas as nações do planeta. Ela possui toda chance de se tornar o fim da humanidade. Obviamente, isso não está garantido, mas tal desfecho não pode ser excluído.

O plano espiritual do grande conflito é compreendido em termos e contextos especiais. Aqui, o equilíbrio de poder está sempre a favor da Luz, apesar da posição dos fieis. Porém, ao nível estratégico pode parecer um pouco diferente. Os papeis na guerra não são simétricos. A Rússia está em uma posição mais fraca, mas tentando recuperar seu status de ator global. Ela busca apenas restaurar seu poder regional potencial para exercer sua influência livremente nas áreas próximas a suas fronteiras. Porém, isso é inaceitável para os EUA, que, apesar de tudo, permanecem com a hegemonia global e se recusam a perder a monopolaridade voluntariamente.

Se levarmos em consideração o pano-de-fundo espiritual da guerra se tornará claro que a escuridão não permite que a luz exista em qualquer proporção, ela só se acalmará quando for capaz de combater a luz por todo lugar, não apenas globalmente, mas também localmente. Um raio é suficiente para transformar a escuridão em trevas. Sem a luz, ela pode fingir ser qualquer coisa. Há uma conclusão importante: as ambições globais do Ocidente tecnocrático-materialista moderno, o próprio globalismo, não são uma contingência, mas a essência da força com a qual lidamos. É ingênuo assumir que você pode negociar com o diabo, ou enganá-lo. Você só pode vencer. Essa é a lei da guerra espiritual. Hoje, um ataca e o outro defende. Portanto, a guerra está quase no território russo, na área de seus interesses nacionais diretos. Ao mesmo tempo, a Rússia tenta ir além de suas fronteiras; a guerra é defensiva para ela. Atualmente, ela só tem objetivos regionais. Porém, o poder nuclear global a impede de atingi-los. Isso complica a situação e eleva o conflito a um nível global. Em qualquer coisa, a Rússia é atacada e se defende. Isso é importante.

Agora vamos nos voltar para as frentes da guerra.

Primeira Frente: Síria

Desde o início do conflito sírio, Moscou tem apoiado Assad, que foi atacado por Washington, Europa Ocidental e pelos proxies americanos no Oriente Médio: Arábia Saudita, Catar e Turquia. Cada um dos países, porém, seguia seus próprios interesses. A ferramenta para derrubar Assad eram grupos islâmicos radicais: ISIS, Al Qaeda (a Frente Al-Nusra), etc. Porém, a Rússia tornou-se plenamente envolvida em operações militares apenas em 2015, quando um Assad exausto pediu por apoio militar aberto. Neste caso, Moscou recebeu aliados, representados pelo eixo xiita: Teerã - Iraque xiita - e o Hezbollah libanês; eles não apenas cooperam, mas até lutam lado-a-lado. O mundo xiita é estritamente anti-americano, mas ao mesmo tempo, ao nível regional, se opõe ao financiamento sunita saudita e catari de grupos salafistas extremistas.

Na Primeira Frente, a Rússia enfrenta os EUA e os países da OTAN, não diretamente, mas indiretamente. Os próprios países ocidentais estão em guerra com o ISIS, como eles dizem, mas em verdade apoiam vigorosamente os grupos islâmicos radicais que querem derrubar Assad. As mesmas táticas foram usadas para derrubar Gaddafi na Líbia.

Ademais, a presença de jihadistas salafistas no Iraque, bem como do Talibã no Afeganistão, parece justificar a presença continuada de tropas americanas. Portanto, a Primeira Frente é um desafio vital para a Rússia: ela combate indiretamente os EUA e OTAN, e quase abertamente Turquia, Arábia Saudita e Catar. Portanto, a guerra na Síria não pode ser considerada como uma operação antiterrorista ordinária: ademais, os salafistas agora controlam a maior parte da Síria, possuindo uma impressionante quantidade de apoio direto e indireto. Mas a Rússia é a potência nuclear. Portanto, seu envolvimento na guerra síria mudou dramaticamente a situação, trazendo-a do nível local ao nível global. Com seu envolvimento, ela colocou muito em jogo. Agora isso não é apenas um problema de Assad, seus inimigos são forçados a lutar contra a Rússia. Não obstante, o oposto também é verdadeiro: a Rússia desafio não apenas a rede extremista do ISIS e da Al-Nusra, mas a hegemonia americana e o salafismo médio-oriental, com sua base importante nas monarquias do petrodólar no Golfo. Isso é importante: como Moscou compreende a seriedade da situação da Primeira Frente, e quão longe está disposta a ir em um cenário muito difícil, com uma coalizão impressionante do outro lado. Afinal, os EUA e OTAN estão ali, não importa o que digam.

Segunda Frente: Turquia

Se envolvendo cada vez mais na guerra síria, a Rússia se depara, como é evidente, com a Turquia - que está essencialmente ocupando o norte da Síria, habitada por tribos turcomanas, e começou um conflito militar com os curdos sírios. Erdogan tem estabelecido uma aliança com o rico Catar por um longo tempo, financiando grupos salafistas (como a "Fraternidade Muçulmana" no Egito) e começou uma luta ativa contra Assad. Portanto, quando o exército russo na Síria começou a bombardear as posições dos salafistas no norte da Síria, ela se envolveu em um conflito direto com Ancara. A derrubada do avião militar e o assassinato brutal dos pilotos russos foi apenas um pretexto para a escalada da tensão. Quando a Rússia começou a atuar de forma decisiva e a se envolver no conflito, não havia outro rumo, a guerra com a Turquia se tornou um evento muito real.

Então há a ruptura das relações comerciais, a proibição do turismo e a expulsão de companhias de construção da Turquia, que na esfera econômica é o ataque mais forte e doloroso, que levou a perdas e vários bilhões de dólares. Ancara está ameaçando constantemente fechar o Bósforo para navios russos, o que seria cortar uma artéria vital para tropas russas em Latakia.

Os turcos enviaram, em semanas recentes, uma parte considerável de suas tropas da fronteira com a Grécia para a fronteira com a Síria, e isso pode ser considerado como preparação para uma invasão militar. Todos esses fatos ampliam fortemente o risco de uma nova guerra turco-russa. Quão provável isso seria? É mais provável do que já foi alguma vez no século XX e nas primeiras décadas do século XXI. A Segunda Frente já está aberta. Quando um conflito direto vai começar, ninguém pode dizer com certeza. Teoricamente, isso poderia acontecer a qualquer momento. Aqui novamente, vale a pena lembrar que a Turquia é um Estado-membro da OTAN, e que ela coordena suas ações na Síria com Washington. Isso significa que a Rússia enfrentará a coalizão ocidental (com os EUA na liderança) atuando no lado turco em uma nova guerra potencial, como na Guerra da Crimeia. Assim novamente, um conflito regional obviamente teria impacto global. Isso é especialmente verdadeiro porque na Turquia há uma base militar nuclear americana. Seria difícil uma guerra direta com a Turquia não ser o início da Terceira Guerra Mundial.

A Terceira Frente: Ucrânia

A reunificação da Crimeia com a Rússia não é reconhecida por ninguém no mundo. A RPD (República Popular de Donetsk) e a RPL (República Popular de Lugansk) são uma ferida sangrenta com status desconhecido. A posição de Poroshenko em Kiev é bastante instável, e uma mudança real na situação econômica e social na Ucrânia em geral, até mesmo teórica, é impossível. Portanto, em um certo momento, Kiev só tem um caminho: uma nova rodada de tensão e escalada no leste, e mesmo uma invasão da Crimeia.

Se a Ucrânia enfrentasse a Rússia nessa situação, isso seria suicídio para Kiev.

Porém, nós devemos levar em consideração os EUA e a OTAN. O Ocidente estava por trás do golpe de Estado do inverno de 2014. Ademais, em algum momento, um ataque contra a posição consolidada dos militantes novorrussos e mesmo na Crimeia, pelo exército ucraniano, é bastante possível mesmo por razões ucranianas domésticas, ainda mais no contexto da lógica do confronto global entre Rússia e EUA.

É importante notar que todas as três frentes estão situadas perto das fronteiras russas, na área que separa Eurásia e Rússia, o espaço continental da Heartland, de seus territórios ocidentais. É a área em que civilizações do Oriente e do Ocidente se encontram. Usualmente, disputas por estes territórios iniciam guerras mundiais e conflitos globais. Todas as três frentes estão em antigos territórios otomanos, já que a Rússia ganhou a Nova Rússia e a Crimeia dos turcos, e a Síria era parte do Império também. Anteriormente, essas haviam sido áreas do mundo ortodoxo-bizantino. Portanto, as três frentes possuem um enorme sentido histórico e civilizacional.

Agora vamos olhar para os problemas domésticos da Rússia. Há três frentes também.

Quarta Frente: Terrorismo Salafista na Rússia

As estruturas em rede do Islã radical, ligadas a Arábia Saudita, Catar e Turquia há muito tem estado dispostas na Rússia, tanto no norte do Cáucaso como em outras regiões. Conforme o influxo de população muçulmana em cidades russas e na capital continua, as redes se espalham e amarram todo o espaço russo. Elas não estão limitadas a áreas densamente povoadas por muçulmanos, mas expandem ativamente sua zona de influência em outros ambientes sociais. Usando uma variedade de problemas domésticos, o Islã sunita radical se tornou razoavelmente popular como uma alternativa à agenda ideológica oficial incoerente e letárgica de Moscou e seus representantes puramente conformistas nas regiões. Isso alimenta a preparação e treinamento de grupos terroristas e de ramos diretos do ISIS.

Se os serviços especiais se tornam tecnicamente menos envolvidos com a tarefa de dissuasão grupoa, o plano estratégico e o programa mais ideológico para combater o fenômeno não existirão, o que ao longo do tempo só tornará a Quarta Frente mais importante. A Quarta Frente foi de fato o foco nas campanhas da Primeira e Segunda Guerras da Chechênia; a vitória na Segunda foi alcançada apenas após se usar uma linha patriótica linha-dura na política doméstica.

Quaisquer novas tentativas de enfraquecer o discurso nacional automaticamente fortalece as tendências centrífugas e os grupos extremistas. A Quarta Frente está aberta e em operação, mas a escala dos problemas que ela causa não sabemos. Sem semear pânico entre a população, os serviços de segurança ocultam das pessoas comuns a quantidade de ataques terroristas evitados e outras medidas preventivas, que, na verdade, é impressionante mesmo hoje. Como os EUA e seus centros estrangeiros, os proxies americanos no Oriente Médio, apoiam a Quarta Frente, nós podemos esperar apoio financeiro sério e, mais importantemente, o apoio de uma nova escalada.

 Quinta Frente: Quinta Coluna

Esta frente é uma rede de forças de oposição cujo núcleo consiste nos liberais pró-americanos que sonham em retornar à década de 90, o período do saque óbvio da Rússia e da venda de todos os seus bens para clientes estrangeiros, bem como da onipotência das elites liberais que possuem, como sua bucha-de-canhão, os nacionalistas radicais e neonazistas russos insatisfeitos com as autoridades russas e sua política passiva perante a migração e a ausência completa ou inarticulação da ideia nacional.

Os liberais sozinhos não são suficientes para organizar protestos de grande escala, assim os nacionalistas radicais russos desempenham um papel de apoio massivo na coalizão. Porém, os liberais pró-americanos são o centro principal para coordenar esforços e tomar grandes decisões, e são responsáveis pelo contato com Washington.

Os próprios EUA apoiam oficialmente o movimento "democrático", dando a ele somas substanciais de seu orçamento. Porém, o financiamento de outras fontes, menos evidentes, da Quinta Coluna da Rússia são muito maiores do que os dados abertos demonstram. Na Praça Bolotnaya, na primavera de 2012, a Quinta Coluna mostrou o que podia fazer. No caso do agravamento das consequências das sanções e possíveis conflitos militares, a Quinta Frente pode se tornar um fator significativo no enfraquecimento da Rússia. Ela está preparando uma facada pelas costas que pode ser decisiva se a ineficiência do sistema administrativo (e nada mostra que ele será mais eficiente no futuro próximo) continuar. Sob certas circunstâncias, seções de pessoas comuns desapontadas podem se unir à Quinta Frente, criando uma ameaça séria.

Sexta Frente: Liberais Pró-Ocidente e Agentes de Influência no Governo

Este grupo foi recentemente chamado de Sexta Coluna. São os liberais e pró-ocidentais que se integraram ao poder no novo milênio ou permanecem lá desde a década de 90, aceitando as novas regras do jogo. Em contraste com a Quinta Coluna, os representantes da Sexta Coluna são formalmente leais às autoridades, e inquestionavelmente obedecem e agem em um espírito de total conformidade. Porém, a Sexta Coluna segue a ideologia ocidental, vendo os EUA e a OTAN como a vanguarda do tipo humano progressista, com a economia sendo guiada exclusivamente através de métodos e abordagens liberais. Muitas vezes, as fortunas e famílias de altos funcionários russos estão em países ocidentais. Nessa situação, lealdade e patriotismo contido ocultam a sabotagem consistente da orientação sobre soberania nacional e a implementação de estratégias econômicas, administrativas e de informação, levando, eventualmente, à desmoralização da sociedade, uma economia enfraquecida e mais desideologização populacional. A Sexta Frente consiste em uma sabotagem sistemática, deliberada e muito habilidosa do renascimento russo, a contenção e substituição genuína da reforma patriótica, criando simulacros e falsificações eficientes. A Sexta Coluna não é diferente em sua ideologia da Quinta, já que ela também está orientada para o Ocidente, mas ela o esconde, preferindo atacar o regime de dentro, não de fora. Ademais, tal como a Quinta Coluna, a Sexta Coluna é controlada desde um centro externo, de Washington, ainda que isso seja mais sutil e dotado de nuances do que com a Quinta Coluna. O Conselho de Relações Exteriores (CFR) coordena a Sexta Coluna de forma que a estrutura esteja quase oficialmente representada nos níveis mais altos do governo russo. Em geral, este tipo consiste em uma grande parte do "governo liberal" bem como de um segmento significativo de outras instituições do governo.

Agora vamos nos colocar nos sapatos dos estrategistas americanos. A escalada das relações dos EUA-OTAN com a Rússia é óbvia. Moscou se comportou como uma potência regional soberana nos casos da Ossétia do Sul e da Abkhazia em 2008, da Crimeia e Nova Rússia em 2014 e finalmente da Síria em 2015 e se necessário, usará esse poder para insistir em seus interesses nacionais em certas áreas. É incompatível com a continuação da hegemonia americana que ainda é global. Moscou teria que construir sua política em acordo com Washington e com a OTAN e, é claro, essas ações não apaziguariam a força das sanções. Portanto, apesar da cortesia superficial e da retórica liberal, a Rússia está fora do controle ocidental. Isso é um fato. E Washington deve de alguma forma responder a isso. Se isso for admitido, seria equivalente à negação da hegemonia. Mas no evento de declínio, o Império Americano não se deterá necessariamente nas fronteiras que ele ainda controla firmemente hoje. Encorajados pelos sucessos dos russos, podemos querer olhar para a força dos americanos. Portanto, na posição dos estrategistas de Washington, seria lógico ativar todas as seis Frentes. Especialmente porque, em todos os seis casos, a América não superará a si mesma: mesmo o pior resultado não causaria seu colapso fatal, já que ela está protegida por uma vasta zona europeia, norte-africana, seguida pelos Oceanos Atlântico e Pacífico no oeste (especialmente já que não há atividades russas em seu lado oriental). Ademais, será bem razoável sincronizar os golpes contra a Rússia de todos os lados: militantes na Síria, apoiando a Turquia, fazendo Kiev começar uma nova rodada de combates (e mesmo atacar a Crimeia), influenciando as estruturas terroristas salafistas domésticas da Rússia, apoiando a Quinta Coluna (encontrando a ocasião social apropriada) e colocando mais sanções para encorajar a Sexta Coluna a sabotar de forma mais ativa e eficiente.

Ao mesmo tempo, seria igualmente lógico por um lado manter e talvez até fortalecer as sanções, reduzir os preços do petróleo em alguns pontos, e, ao mesmo tempo, começar atacando a liderança russa com trollagens conciliatórias como "o Ocidente te ajudará", "os terroristas são um problema comum" (comum porque alguns lutam com eles, e outros os apoiam) e "o principal problema é a China" (deixem os russos negar seu arsenal nuclear, e nós os protegeremos, colocando nossos mísseis nucleares em seus territórios) etc.

Porém, a simples estimativa analítica oculta algo muito sério. Guerra. Uma verdadeira com mares de sangue, chamas, tortura, sofrimento e dor. A guerra em que estaremos envolvidos. E, como as três frentes estão fora da Rússia, é provável que a guerra em territórios estrangeiros estará acompanhada por guerra civil. Isso, porém, nós sabemos muito bem da história.

Estratégia Vitoriosa: Inimigo Interno

Imaginemos que nós, muito objetivamente, estimamos os riscos, e nossa análise está correta. O que deve a Rússia fazer em tal situação? Ao travar a guerra ou pelo menos ao estarmos próximos dela, nós não devemos reagir apenas situacionalmente, mas também ter um plano para como travar a guerra e vencê-la. É bastante lógico ter o desejo de vencer, não é? Agora é importante encontrar uma maneira de como alcançá-lo, mesmo que apenas na teoria.

É óbvio que só se pode travar guerra efetivamente com um inimigo externo se a sociedade está bastante consolidada e mobilizada internamente. É desejável estar mentalmente preparado para a guerra. Para fazê-lo, as pessoas devem compreender quem é o inimigo e quem não é, e, mais importantemente, por que este é o caso e não é de outra forma. Você não deve demonizar o inimigo no início da guerra. A imagem do inimigo deve ser formada com antecedência e deliberadamente.

Portanto, a primeira tarefa para alcançar a vitória seria uma campanha completa para criar uma imagem inteiramente negativa, monstruosa e satânica dos Estados Unidos e do Ocidente em geral. Portanto, o Ocidente é o lugar em que o diabo reside. É o centro dos tentáculos capitalistas globais. É a matriz da perversão cultural degeneradora e da posse feroz da falsidade e do cinismo, violência e hipocrisia. A Rússia já faz isso, mas como a Sexta Coluna é a responsável pela propaganda anti-ocidental, ela é uma caricatura ou algo miserável e muito pouco convincente. É esta sabotagem que descreve a essência da Sexta Frente. Seus "soldados" não se recusam a obedecer às ordens do governo, até pedindo mais e mais, mas sua execução se tornou uma farsa, estultificando e sutilmente desacreditando todas as iniciativas. Propaganda esquisita e pouco sincera não raro gera o efeito contrário. Portanto, ao criar as imagens do inimigo americano e seus satélites (que nós de fato temos que combater), seria lógico acusar aqueles que pensam exatamente dessa maneira e puni-los com máxima clareza e cogência para as massas adormecidas. Enquanto isso, os agentes de influência ocidental recebem o encargo de criticar o Ocidente. com resultados previsíveis. Tal abordagem é incompatível com a "estratégia para a vitória" e deve ser reconsiderada (se a Rússia quiser ter pelo menos uma chance de vencer na guerra vindoura).

Do primeiro ponto nós movemos logicamente para a próximo. É importante desmantelar as estruturas da Sexta Coluna tão rapidamente quanto possível, removendo os liberais e os pró-ocidentais de todas as posições centrais. Junto com isso, o liberalismo na economia será abolido, o que permitirá:

* O estabelecimento de controle nacional sobre o Banco Central.
* Se afastar do dólar no comércio exterior para qualquer moeda de reserva diferente (como o yuan).
* A conquista da soberania financeira plena.
* A condutibilidade de mobilização da economia no tempo de guerra.
* Em paralelo, é necessário formar o Comitê Nacional para a Comunicação Social que irá reconstruir o trabalho de informação de acordo com as necessidades de emergência.

A eficiência da atividade puramente destrutiva da Quinta Coluna está amplamente ligada à eficiência da sabotagem da Sexta Coluna. A Quinta e a Sexta Frentes estão inextrincavelmente ligadas. Portanto, a destruição do poder de Sexta Coluna vai enfraquecer drasticamente a Quinta Coluna cujos líderes, em situações de emergência, poderiam ser ou internados (a propósito, as medidas de prisão domiciliar já foram administradas a alguns deles), ou expulsos. Claro, quaisquer meios legais da disseminação liberal ou de propaganda nacionalista destrutiva.

A Quarta Frente é um problema, já que o Estado não possui políticas étnicas e nacionais. No momento, só existe a mesma Sexta Coluna ou os burocratas cognitivamente inadequados. É por isso que os verdadeiros desafios da imigração descontrolada e tensões étnicas e religiosas são aprovados pela burocracia com slogans vazios e sem sentido, para a sociedade russa, de "sociedade civil" e "tolerância". Sem um sistema coerente de estratégia étnica e nacional contra o extremismo islâmico e o terrorismo, as questões na Rússia não serão resolvidas. Algumas medidas de segurança não são suficientes; ela precisa eliminar ou alterar permanentemente o ambiente social. Operações de força contra o fundamentalismo terrorista devem ser correlacionados em escala, incluindo um modelo ideológico de política étnica e nacional.

Estratégia Vitoriosa: Inimigo Externo

Ucrânia - a Terceira Frente - deve-se estar pronta para provocações armadas de Kiev e para repeli-las. Mais cedo ou mais tarde, a Rússia terá que resolver radicalmente a questão novorrussa pois contar com o fato de que Kiev vai cair por si ou vai abandonar a sua política pró-americana e anti-russa é um pouco irresponsável. Para proteger eficazmente a Criméia e resolver o problema do Donbass, todo o espaço da Nova Rússia deve ser libertado, e, se a guerra é inevitável, Moscou terá apenas uma tarefa - ganhar o mais rapidamente possível e da forma mais eficiente possível. Criar uma zona russa amigável de Odessa para Kharkov, seja criando de Estados independentes ou incluí-los em parte das terras russas, é o objetivo que poderia ser considerado como uma vitória. O destino da Ucrânia Central e Ocidental não tem grande valor.

Em relação à Segunda Frente turca, ali, além do desenvolvimento operacional militar que é a tarefa da liderança militar e não pode ser discutidos por analistas, a Rússia deve prestar atenção a dois fatores principais: a oposição política ao regime de Erdogan que, na circunstância atual, tornou-se um aliado natural, e o problema fundamental para a Turquia, os curdos. Ambos os fatores são cruciais para o sucesso no conflito russo-turco. É extremamente importante realizar propaganda anti-turca na sociedade russa, constantemente salientando que os EUA e seus apoiantes (Erdogan) são responsáveis ​​pela escalada do conflito na região, e que Moscou não considera os turcos como seu inimigo histórico. Portanto, quaisquer paralelos com a guerra russo-turca, mesmo nos casos internos, só vai unir os turcos com Erdogan e fortalecer o inimigo. Em contraste, o apoio aos políticos turcos que não compartilham pontos de vista de Erdogan do neo-otomanismo poderia ser decisivo. Ao mesmo tempo, é claro, a Rússia deverá intensificar a cooperação com os curdos, pois é uma força imponente na Turquia.

Finalmente, a Primeira Frente, na Síria. Nós não a colocamos acidentalmente no final da "estratégia vitoriosa". A forma de confronto mais aguda é sempre a mais prático e cheio de detalhes técnicos e militares. No entanto, ela sempre depende dos elementos da sociedade, e dos sucessos locais - no ambiente externo, muitas vezes global.

Vimos que a Rússia tem um importante aliado regional, o mundo xiita, que é representado principalmente pelo Irã e pelo Hezbollah libanês. Estes são "irmãos de armas" russos, e ela deve fazer o seu melhor para aprofundar a aliança. Obviamente, não são só os russos que entendem o seu valor, mas até mesmo as forças pró-americanas na Rússia e no Irã, então eles vão tentar fazer todo o possível para trazer a divisão entre os aliados. Isso deve ser cortado pela raiz, pelo menos, na Rússia, e concisa esclarecido nas negociações com os xiitas.

Em seguida, os russos precisam do apoio político, preferencialmente militar e econômico, dos países do clube multipolar planejado, BRICS. A China desempenha um papel especial lá, preferindo não vir para a frente da oposição dos Estados Unidos, mas estando pronta para apoiar Moscou, permanecendo à margem. Muitas coisas na Síria agora dependem das relações Moscou-Pequim, e ela precisa de atenção máxima.

A Rússia não tem chance de fazer dos países europeus os seus aliados de pleno direito na Síria, na medida em que a influência dos Estados Unidos sobre eles é muito grande. No entanto, qualquer distanciamento de Washington pelas potências europeias (especialmente França, Alemanha e Itália) ao lado de diferenças na OTAN serão muito úteis para Moscou. Se a Europa tiver que continuar a crescer a sua onda de partidos e movimentos da direita conservadora, que geralmente são leais à Rússia, ela irá reforçar significativamente a sua posição na Síria. A propaganda russa na Europa durante a guerra tem particular importância.

Como na Síria, a Rússia enfrenta forças abertamente apoiadas pela Arábia Saudita e Catar. Como o Catar está envolvido no acidente de avião com turistas russos sobre o Sinai, a Rússia deve prestar especial atenção para a desestabilização máxima desses regimes. Sob certas circunstâncias, um ataque direto ao Catar e apoio militar para os Houthis no Iêmen, bem como para os xiitas no Bahrein, não pode ser excluída. O convite das tropas russas no Iraque e no Líbano pelos respectivos governos é estrategicamente crucial; ele vai ajudar a travar uma guerra em grande escala contra as principais bases dos terroristas do ISIS e quebrar sua conexão de infraestrutura com a Turquia e os países do Golfo.

Em geral, a Rússia já está em guerra no Oriente Médio, por isso deve ser reconhecido como um fato consumado que, usando todo o arsenal de meios disponíveis, em primeiro lugar, as redes de inteligência que visam promover, usando formas diferentes, interesses russos na região tais como informacionais, econômicos, ideológicos, etc, devem urgentemente ser revividos.

O último argumento nessa esta guerra vai envolver armas nucleares russas, que, graças a Deus, os reformistas liberais da década de 90 não conseguiram destruir. É senso comum não usá-las nunca. No entanto, isso não significa que elas não podem impor restrições graves no principal inimigo da Rússia, os Estados Unidos da América. Temendo destruição completa, os Estados Unidos vão ter de jogar contra a Rússia respeitando certas regras.

Sétima Frente. Americanos Contra o Governo Federal

Além disso, em termos dos Estados Unidos, é importante abrir a Sétimo Frente. Na verdade, os EUA têm muitas pessoas que estão insatisfeitas com a elite dominante que professa a ideologia globalista, arrastando os EUA em guerras sangrentas, destruindo a identidade cristã europeia tradicional. A Nova América, onde nada resta dos próprios Estados Unidos, e que serve os interesses da oligarquia financeira global que não tem cultura ou identidade, destrói a Velha América. Por isso, o apoio ao tradicionalismo dos EUA e do conservadorismo da identidade americana é uma tarefa importante para a Rússia. Seu aliado nos EUA é o povo americano. Além disso, muitas contradições têm se acumulado na esfera social, nas relações inter-étnicas.

A maioria da sociedade americana não aceita a degeneração moral. O governo federal usa cada ocasião conveniente para começar a abolição da segunda emenda da Constituição que permite que os norte-americanos mantenham e portem armas. As proporções crescentes da população latina, em sua maioria católica, trazem para o público americano uma nova identidade que não é hostil à Rússia. A Rússia deve participar ativamente na luta pela influência na sociedade americana, fortalecendo a explicação da posição espiritual da Rússia na guerra, mostrando que russos e americanos têm um inimigo comum: a elite satânica maníaca que usurpou o poder e está levando toda a humanidade, incluindo os americanos, para a inevitável catástrofe. Os resultados da elite são evidentes: todo o Oriente Médio já está coberto de sangue, eles não são mais capazes de estabelecer qualquer ordem, a elite globalista (o CFR, os neocons, os representantes da oligarquia financeira internacional de Wall Street) implantam em todos os lugares apenas o caos, devastação, morte e dor. A destruição de tal câncer da humanidade é uma questão para o mundo inteiro, incluindo os americanos, que não são apenas os seus instrumentos, mas também vítimas.

Onde Está a Cidade?

Está longe de ser fácil de ganhar neste jogo. Como o nome deste jogo é a Grande Guerra. No entanto, quando a Grande Guerra vem, ela só pode ser evitada através da escravidão e do reconhecimento deliberado como perdedor. A história russa não teve tais momentos. Por mais que pareça difícil, de alguma forma os russos lidaram com ele.

Nós não estamos falando apenas sobre o confronto geopolítico, sobre a redistribuição de esferas de influência ou do cumprimento de interesses nacionais. Trata-se de algo muito mais profundo e mais importante.

Todas as religiões têm uma seção que trata do fim dos tempos e da batalha final. Os cristãos, assim como os judeus e os muçulmanos, associam os eventos do ciclo com a Grande Guerra. Além disso, invariavelmente, todas as três religiões descrevem o Oriente Médio como o lugar da Grande Guerra, como o campo de Armageddon e os territórios vizinhos. Para os muçulmanos, Damasco, Mesquita Omíada, é considerada como o lugar onde a Segunda Vinda de Cristo será realizada. Portanto, a guerra na Síria tem francamente um sentido escatológico. Afinal de contas, a Síria é uma parte da Terra Santa, onde o Salvador pisou no chão. Para os judeus, esperando a iminente chegada de Mashiach, a escalada da violência em suas fronteiras, em áreas críticas para a existência de Israel, tem um significado escatológico. Os protestantes americanos, dispensacionalistas, veem a última batalha como a invasão do exército do norte, de Gog (entendido como a Rússia) à Terra Santa. Finalmente, os monges de Athos e santos gregos, como Cosmas Aeolian [1] ou São Paisios do Monte Athos, repetidamente previram o lançamento de tropas russas e o colapso de Constantinopla e da Turquia. Assim, Santo Arsênio de Capadócia em Faras disse aos fiéis que eles vão perder sua terra natal, mas em breve irão encontrá-la novamente: "As tropas estrangeiras virão, em Cristo crerão, a língua eles não saberão ... Eles vão perguntar: Onde está a cidade? "[2] Entende-se como referência para o exército russo se aproximando de Constantinopla. Em uma de suas conversas São Paisios disse:

"- Saiba que a Turquia vai entrar em colapso. Haverá dois anos e meio de guerra. Seremos vitoriosos porque nós somos ortodoxos..

- Gerontius, nós toleramos danos na guerra?

- Hey, no máximo, um ou dois da ilhas serão tomadas, mas vamos retomar, e Constantinopla. Você vai ver, você vai ver! "[3]

Recentemente, um ou dois anos atrás, todas essas predições teriam causado apenas um encolher de ombros, que conto de fadas! Mas...hoje: sangue está sendo derramado no Oriente Médio; há operações militares nos arredores de Damasco; os russos não estão apenas presentes, mas lutam na Terra Santa; o conflito com a Turquia já começou e não se pode excluir que ele vai levar a uma guerra real. A partir de uma perspectiva escatológica, é hora de voltar para os lugares santos, a Terra Santa, Constantinopla e Kiev. A afirmação de que não estamos vivendo no Fim dos Tempos agora parece não científica. Como Ancião Paísio disse: "Você vai ver, você vai ver". Então, vamos ver.

Assim, onde está a cidade?

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