segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Michael McGregor - Russofobia Bipolar

por Michael McGregor



Tradução por Conde de Olivares

Justo quando você acha que colunas comparando Putin a Hitler tinham atingido seu máximo, George Will, possivelmente, escreve o artigo que deve superar todas as outras:

"O Estado Islâmico é um problema terrível que pode ser remediado se seus vizinhos, apoiados pelos Estados Unidos, decidirem fazê-lo. O renascimento fascista de Vladimir Putin é uma crise que testa a capacidade decisória do Ocidente .

A essência de Putin é a raiva. É um amálgama ardente de ressentimento (da humilhação da Rússia em razão do colapso da União Soviético), ambições revanchistas (no que diz respeito a antigos territórios soviéticos e esferas de influência), desprezo cultural (pelo pluralismo de sociedades abertas) e chauvinismo étnico que pressagia a “limpeza étnica” das porções não-russas da Rússia em expansão de Putin. 

Isso não é meramente uma mente fascista; seu componente étnico-racial componente o faz hitlerista. Assim, Putin é imprevisível apenas àqueles que não são familiarizados com os anos 30. No que diz respeito ao ressentimento e à vingança, lembremos onde Hitler insistiu que a França capitulasse em 1940 – em um depósito ferroviário, próximo à cidade de Compiegne, onde a Alemanha assinou o armistício de 1918". [1]

Essa não foi o primeiro registro [2] de uma voz conservadora a afirmar que a Rússia está se tornando um império Fascista do mal  sob as dissimuladoras vistas de Vladimir Putin. A maioria dos conservadores parecem abraçar a idéia de que a Rússia está se tornando novamente o inimigo dos Estados Unidos, e eles voltam agora a propagandear contra um inimigo branco ao invés de um mais escuro. Não deveria nos surpreender que ele usa o Estado Islâmico para prefaciar seu argumento e deseja que a América se foque no Urso Russo ao invés de se voltar aos militantes islâmicos.

Na mente do conservador americano, o regime de Putin agora representa algum tipo sinistro de Estado autoritário, nacionalista racial, adequado para ser o inimigo perfeito de um jogo do Call of Duty [3]. Enquanto isso, nossos amigos do Counter-Currents produziram vários artigos que deveriam ser enviados a Will e seus amigos para tranquilizá-los de que Putin não é nenhum fascista malvado. Mas eles vão muito além disso e se aventuram na russofobia. Ao invés dos conservadores que dão chiliques quanto a uma Rússia que estaria se tornando em um Terceiro Reich, Counter-Currents pinta a Rússia como um regime liberal, controlado por judeus, anti-branco e falsamente Tradicionalista. Aliás, brancos russos aparentemente também não são brancos [4].

Aqui vai o mais recente artigo de Counter-Currents sobre o mal Russo:

"O nacionalismo conservador, cego quanto à questão racial, filo-semita e cívico de Putin é, na realidade, o pior cenário para os brancos, já que ele assenta um sistema essencialmente anti-branco em fundações econômicas e políticas mais firmes, as quais irão permitir que suas inclinações anti-brancas e etnocidas continuem a agir mais eficientemente até que a população branca da Rússia esteja biologicamente além da recuperação. Mas Putin não pensa assim, já que ele não é um 'fascista', isso é, um nacionalista racial - nem mesmo um do tipo implícito.

Dessa forma, quando Putin afirma que ele está lutando contra o fascismo e o anti-semitismo na Ucrânia, ele quer dizer isso mesmo. E, como um 'fascista' e um anti-semita', Strom precisa levar em conta suas palavras. Vladimir Putin não é o nosso 'amigo secreto'." [5] 

E o mesmo se aplica a Alexander Dugin. Você sabe aquele cara que, segundo os conservadores, é um místico neo-nazista que quer destruir de vez a liberdade [6]? É, então, ele também é agora um anti-branco, um falso anti-liberal e tradicionalista: 

"É de se notar que Dugin, também, evita qualquer crítica do igualitarismo. Na medida em que a oposição ao igualitarismo é a essência da verdadeira direita, isso significa rebaixar as verdadeiras diferenças entre esquerda e direita para se focar inteiramente no ataque ao 'liberalismo'. O conceito de 'liberalismo' - deixado intencionalmente ambíguo, se referindo por vezes ao individualismo econômico capitalista, por vezes ao individualismo moral de ativistas de direitos gays e secularistas - deve funcionar como um polo central de oposição que irá artificialmente unificar em uma frente única e coesa grupos que são, de outra forma, heterogêneos. 

É crucial entender que Dugin, que convoca uma 'cruzada contra o Ocidente', não se opõe ao liberalismo porque ele está levando à destruição da raça branca. Ao contrário, ele freqüentemente identifica o 'Ocidente' com a raça branca (já que ele não vê os russos como brancos, como será explicado adiante). Seu objetivo principal declarado é destruir o liberalismo, mesmo se isso significar destruir a raça branca ('humanidade européia') junto com ele." 

A última série [7] de artigos voltados a atacar Dugin é uma reviravolta deprimente já que há apenas um ano atrás Counter-Currents publicava tanto entrevistas com o homem quanto artigos louvando seu trabalho. Já que ele apóia o regime de Putin e a invasão da Ucrânia, agora nada do que ele escreve pode ter valor e nós temos de condenar seu trabalho.

O fantástico artigo de Lucian Tudor, "The Real Dugin" [8], deveria responder suas questões sobre os aspectos controversos (para os identitários, não os neocons) sobre o filósofo barbudo e como suas idéias são relevantes à nossa causa.

O que é mais problemático sobre Counter-Currents e muitos dentro da direita identitária nessa reviravolta sobre a Rússia é como eles estão quase ecoando as preocupações da direita americana e da esquerda. Nós somos incessantemente inundados com histórias lamentando sobre quão má é a Rússia e como nós precisamos tomar uma postura forte contra ela. Isso é perfeitamente alinhado com a política externa atual dos Estados Unidos que vê a Rússia como uma ameaça à sua hegemonia global.
Com isso em mente, eu acho que os identitários precisam ter um ponto de vista realista sobre a Rússia. Putin não é um dos nossos e a Rússia possui algumas políticas questionáveis. Eles não são o grande etno-Estado do Leste e nós não deveríamos cega e servilmente adorar o poder russo. Eu pessoalmente acredito que muitos dos artigos que Counter-Currents publicou no começo desse ano sobre a Rússia foram muito perspicazes e deram um necessário banho de água fria em algumas fantasias sobre a Rússia. Mas agora muitos do nosso meio estão passando do mero ceticismo quanto a Putin para a desbragada russofobia.

O que precisamos, ao invés da russofobia ou da russofilia, é uma visão equilibrada da Pátria Mãe. Nós todos precisamos concordar que Putin não é um etno-nacionalista que esconde suas posições. Nós também precisamos concordar que a Rússia, enquanto poder global, é de forma geral uma força positiva (eles preveniram sozinhos o bombardeamento do regime de Assad e teriam impedido uma intervenção na Líbia se Putin fosse presidente). Eles possuem algumas políticas boas e algumas políticas más, mas deduzir que eles são um Estado anti-branco é ir longe demais. Por outro lado, os Estados Unidos são concretamente um Estado anti-branco e seu poder global é uma força negativa.

Por fim, não deveríamos colocar todo o trabalho de Dugin na lista negra por  ele tomar uma posição forte em um conflito que envolve seu país. Se podemos discordar de Dugin, ele, diferentemente de Putin, é (filosoficamente) um de nós. Ele é um tradicionalista, ele escreve incríveis críticas à sociedade liberal e ele é simpático ao etno-nacionalismo. Se você quer limá-lo por ter posições atípicas quanto à raça, você pode pensar também em jogar fora Spengler, Yockey e toda uma hoste de outros conservadores revolucionários que tinham visões similares.

O conflito ucraniano criou divisões desnecessárias dentro de nossas fileiras – e ele não é nem mesmo um evento no qual podemos ter qualquer poder para influenciar ou que se liga de qualquer forma conosco. Não é a nossa luta para lutarmos. Ainda cabe dizer que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia é uma deprimente recordação do quão difícil é unir povos brancos, sendo esse o motivo pelo qual nós deveríamos permanecer neutros no que lhe diz respeito já que nenhum dos lados representa nossos interesses. A guerra civil ucraniana não deveria ser travada entre identitários ocidentais que precisam se unir para preservar nossa própria existência.

No meio tempo, deveríamos aceitar uma visão realista da Rússia e não sucumbir ao canto de sereia da russofobia (uma cortesia do Departamento de Estado dos Estados Unidos).

[1]http://www.washingtonpost.com/opinions/george-will-the-putin-threat-to-the-baltic-states/2014/09/03/e4d0b3a0-32dd-11e4-a723-fa3895a25d02_story.html
[2] http://www.radixjournal.com/journal/2014/6/23/why-the-conservative-movement-needs-dugin
[3] http://www.cnet.com/news/call-of-duty-modern-warfare-2-banned-in-russia/
[4] http://www.counter-currents.com/2014/03/white-nationalist-delusions-about-russia/
[5] http://www.counter-currents.com/2014/09/kevin-strom-on-russia-and-ukraine/
[6] http://www.radixjournal.com/blog/2014/4/6/liberalisms-new-bogeyman
[7] http://www.counter-currents.com/2014/09/dugin-on-the-subject-of-politics/
[8] http://www.radixjournal.com/journal/2014/8/30/the-real-dugin

Um comentário:

  1. Eu tenho que ser prático e não busca exatamente aquilo que deveria ser o perfeito para mim, até porque em política o que é perfeito em geral não é útil.

    Percebo em Dugin certa vacilação mas não exatamente tibieza. Em sua obra este fala contra o racismo, hora o faz por conta de assumir um ajuste com a história da segunda guerra mundial, hora o faz por conta de uma acertada lógica de não reduzir a realidade a mero zoologismo, e hora ele assume uma postura religiosa de simplesmente afirmar que diferenças em inteligência e em outros pontos importantes para a vida urbana indusariam simplesmente não existem e pronto, não existem porque não podem existir. Claro, ele obviamente não informa como agir caso elas de fato existam. Dizer que não existem, como se a realidade dependesse da vontade, obviamente livra quem assim afirma de dizer como se deve agir para preservar qualquer vantagem competitiva ou de outra natureza.

    Mas não posso neste sentido me esquecer que Dugin é também um político e não apenas um pensador que tem apenas o papel a sua frente. Assim ele assume certas características de ambivalencia. Faz um durissimo discurso contra o racismo mas ao mesmo tempo procura deixar claro que a diversidade, esta entendida, como a preservação das distinções entre as raças e etnias deve ser preservada. Ele procura assim fazer um discurso que seja amplo, que ofereça pontos de atracagem para o maior número de pessoas. Dessa forma ele procura variar ao sabor muitas vezes do momento político.

    De outro lado é também preciso entender que Dugin fala sobre o que não sabe, e nem poderia ele saber. Ele faz uma crítica, que não é originalmente dele, mas que é muito bem aprofundada por ele no sentido de deixar claro que marxismo, liberalismo e fascismo passaram, mas ao fazer isto e propor um novo modelo político ele fala sobre o que não sabe é não tem como saber sobre o que fala, pode sobre isto conhecer apenas negativamente.

    Sobre isto vejo em Dugin uma certa contradição sobre o que ele próprio prega, isto porque ele nega profundamente a evolução mas não deixa de deixar sub-entendido que o seu modelo político almejado é em essência uma evolução dos modelos anteriores negados. Que em resumo trará ao mundo tudo que de bom há nos três modelos anteriores e rejeitará tudo que é julgado, como sendo o mau, existente nestes mesmos modelos, ao final também unificando a humanidade assim como os três anteriores também almejavam.

    Não posso ver nisto senão uma idealização de que a humanidade tem como destino manifesto um futuro idílico de compreensão mútua.

    Para mim a quarta teoria política é pura e simplesmente o colapso de qualquer teoria política e a regência da vida humana a partir de regras de sobrevivência prática, de preservação de uma uniformidade na maior parte dos aspectos que regem a vida em grupo, a criação de religiões apartadas de um todo ilimitado que busque envolver a todos e manifeste elementos instintivos comuns a todas as manifestações que denominamos como sendo paganismo. E outras coisas. Em resumo, trata-se de tribalismo e vida em clã. Basicamente uma tribo do Afeganistão.

    E se alguém julgar isto como atraso ou retrocesso, então o próprio julgamento desta forma já o desabilita como um crítico do progresso e da modernidade.

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