sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

René Pellissier - Jean Thiriart: O Lênin da Revolução Européia

por René Pellissier



Cofundador do Comité d'Action de Défense des Belges à l'Áfrique (CADBA), constituído em julho de 1960, imediatamente depois das violações de Leopoldville e de Thysville, das quais foram vítimas os belgas do Congo e cofundador do Mouvement d'Action Civique que sucedeu ao CADBA, o belga Jean Thiriart, em dezembro de 1960, lançou a organização Jeune Europe, que durante vários meses será o principal sustentáculo e base de retaguarda da OAS-Metro (Organisation d l'armée secrète).

Até aqui, pareceria nada mais que a trajetória, em definitiva, clássica de um personagem da direita mai extrema.

Não obstante, os revolucionários europeus devem muito a Thiriart - o que lhe devem não permitem classificá-lo de "extrema-direita"! Devem-lhe a denúncia da "impostura chamada Ocidente" (é o título de um editorial de Jean Thiriart na publicação mensal "La Nation Européenne, nº3, 15 de março de 1966 e a denúncia dos sinistros palhaços que são seus defensores, desde Henri Massis a Ronald Reagan; a designação dos Estados Unidos como o principal inimigo da Europa (Thiriart acrescentou desde 1966, o sionismo - a revista "Consciente Européenne" que tomava como referência Thiriart, intitulava seu número 7 (abril de 1984): "Imperialismo Americano, Sionismo: Um Só Inimigo para a Nação Européia"). Devem-lhe a idéia de uma Europa independente e unida de Dublin a Bucareste, depois, de Dublin a Vladivostok e a idéia de uma aliança com os nacionalistas árabes e os revolucionários do Terceiro Mundo. Devem-lhe, por fim, o esboço, com a organização Jeune Europe, de um Partido Revolucionário europeu, que se inspira nos princípios leninistas e na versão modernizada de um socialismo qeu quer ser nacional, comunitário e "prussiano".

O percurso de Thiriart e as influências ideológicas que sofreu, não fazem dele, a priori, um personagem de extrema-direita. Nascido em Liege em uma família liberal, que tinha uma estreita simpatia pela esquerda, Thiriart milita na Jovem Guarda Socialista e na União Socialista Antifascista. Depois durante a guerra, colabora com a Fichte Bund, organização de inspiração nacional-bolchevique, dirigida desde Hamburgo pelo doutor Kessemaier. Ao mesmo tempo é membro da AGRA (Amigos do Grande Reich Alemão), que agrupava na Bélgica os elementos da extrema-esquerda favoráveis à colaboração européias e às anexações ao Reich. Nos anos 40, o corpo doutrinário thiriarista já está cimentado. Desde essa época, se pode classificá-lo como de revolucionário e europeu.

Somente circunstâncias políticas particulares (independência do Congo, secessão de Kananga, a questão argelina, o problema rhodesiano, etc) o levam nos anos 60 a abraçar, provisoriamente, as teses da extrema-direita. Se empenha, de fato, na luta pelo Congo belga (depois, pelo Estado de Katanga de Moise Chombé), pela Argélia francesa e Rhodésia; porque lhe parece que a Europa econômica e estrategicamente lhe é necessário o controle da África. Thiriart é um firme defensor da Euráfrica. Mais ainda, Thiriart leva o apoio da Jeune Europe à OAS, porque uma França-OAS lhe parece o trampolim ideal para a auspiciada Revolução Européia.

Porém entre 1964 e 1965, Thiriart se separa da extrema-direita, da qual rechaça em bloco: o pequeno nacionalismo, o anticomunismo intransigente, a submissão aos interesses capitalistas, o atlantismo, o pró-sionismo e - particularmente entre franceses - o racismo anti-árabe e o espírito de cruzada contra o Islã. Resultando falida a experiência da OAS (dividida, pusilânime, sem ideologia revolucionária ou um programa político consistente), Thiriart volta suas esperanças, primeiro para o gaullismo (1966), depois tenta obter apoio chinês (através de Ceaucescu se encontra com Zhou Enlai em Bucareste) e por fim, o apoio árabe.

Seu empenho revolucionário e seu pragmatismo o levam, depois de ter combatido pelo Congo belga e pela Argélia francesa, a auspiciar a aliança Europa-Terceiro Mundo. Thiriart, apesar de tudo, não renegou seus planejamentos; seu projeto segue sendo o mesmo: a unidade e independência da Europa. Sua lucidez lhe permite distinguir tanto nas guerras coloniais, como nas lutas políticas que se sucederam, ao mesmo inimigo da Europa: os Estados Unidos, que em uma época armavam e apoiavam as revoltas contra as colônias européias para substituir os colonizadores europeus e que hoje apoiam massivamente o sionismo, cuja agitação belicista e "antirracista" na Europa (racista em Israel, o sionismo é antirracista no resto do mundo) ameaça a sobrevivência mesma da Europa.

Em 1969, desiludido pelo fracasso relativo da Jovem Europa e pela timidez dos apoios externos, Jean Thiriart renuncia provisoriamente à luta. Porém nos anos 70-80, sua influência, a maioria das vezes indireta, se deixa sentir na ala radical (neofascista) dos movimentos de extrema-direita, onde o ideal europeu se abre caminho, sobre os grupos nacional-revolucionários e socialistas europeus que se inspiram em Evola, Thiriart e no maoísmo (trata-se em particular da Organização Lotta di Popolo na Itália, França e Espanha e, em grande medida, em seus correspondentes alemães da Aktion Neue Rechte) e por fim sobre a Nouvelle Droite (a partir da virada ideológica operada nos anos 70-80 pela jovem geração do GRECE, ao redor de Guillaume Faye).

Em 1981, Thiriart rompe o silêncio que guardava desde 1969 e anuncia a publicação de um livro: O Império Eurossoviético de Vladivostok a Dublin. A essas alturas preconiza a unificação da Europa pelo Exército Vermelho e sob a liderança de um Partido Comunista eurossoviético preventivamente desembaraçado do chauvinismo pan-russo e do dogmatismo marxista. Hoje Thiriart se define como um nacional-bolchevique europeu. Porém não fez mais que precisar e ajustar à situação política atual os temas que defendia nos anos 60. Ao mesmo tempo, sob o impulso de Luc Michel vieram à luz um Parti Communitariste Nacional-Européen e uma revista: Conscience Européenne; que retomam o essencial das idéias de Thiriart.

Se se quer, Thiriart foi o Lênin da Revolução Européia, porém um Lênin que segue esperando seu outubro de 1917. Com a organização Jovem Europa tentou criar um partido revolucionário europeu e suscitar um movimento de liberação em escala continental, em uma época na qual a ordem de Yalta era contestada tanto no oeste por De Gaulle, como no leste por Ceaucescu e pelos diversos nacional-comunismos. Porém essa tentativa não se conseguiu pela falta de apoios sérios externos e de um terreno favorável no interior (ou seja, uma crise política e econômica que teria podido conquistas as massas para uma ação revolucionária em grande escala).

Não é certo que este apoio e este terreno faltem ainda durante muito tempo. É importante seguir ininterruptamente o caminho traçado por Jean Thiriart. Isto é: difundir os conceitos thiriaristas e formar sobre o seu modelo de Jovem Europa os quadros da Europa revolucionária de amanhã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.