terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Guillaume Faye - O Antirracismo como Religião de Estado

por Guillaume Faye


O antirracismo tem a mesma obsessão com a raça que o sacerdote puritano tem pelo sexo. Hoje, o sexo se mostra tanto como uma indústria como a raça é violada e dissimulada. Mas na realidade essa dissimulação esconde uma presença obsessiva do conceito. O antirracismo tornou-se uma espécie de meta-religião, uma forma perversa e inconsciente de racismo, o sinal claro de uma obsessão racial. Mas o que é o racismo no fundo? Ninguém sabe explicar ou definir. Como em todas palavras abusivas e com fortes cargas emocionais, a palavra em si carece de significado. Ela se confunde com a xenofobia, e se fala assim de racismo mútuo dos croatas, sérvios e albaneses, quando suas disputas são de caráter nacional e religioso, mas não racial.

Aqui as posições interessantes são as de Claude Lévi-Strauss em sua obra "Raça e História" e do Zulu Kredi Mutwa, autor do famoso ensaio "Meu povo", que foi a crítica mais pertinente tanto do apartheid sul africano como do modelo de sociedade multirracial. Mas essa foi igualmente a opinião de Léopold Sedar Senghor, que teorizou sobre as noções de "civilização negro-africana" e "branca-europeia". Essas opiniões são hoje classificadas como gravemente incorretas. Suas testes podem ser resumidas nestes pontos:

1) A diversidade biológica das grandes famílias da população humana é um fato incontestável, essa diversidade é uma riqueza, é o núcleo de civilizações diferentes.

2) Negar a realidade racial é um erro intelectual perigoso, pois nega os próprios fundamentos da antropologia e instala o conceito 'raça' em uma categoria de tabu, um paradigma mágico, quando na verdade é uma realidade banal.

3) O antirracismo obsessivo é ao racismo o que o puritanismo é à obsessão sexual. Uma sociedade multirracial é necessariamente uma sociedade multirracista. Não se pode fazer coabitar sobre o mesmo território e sobre a mesma área de civilização mais do que as populações biologicamente aparentadas, com um "mínimo" de diferenças étnicas.

No geral, as teses de Lévi-Strauss, de Kredi Mutwa e de Léopold Senghor concluem que a humanidade não é uma "mobilete", e que não funciona com misturas. Assim, enquanto a ideologia oficial nega o conceito de raça, na verdade está reconhecendo-o e fortificando-o. A sociedade francesa não reconhece que esse fato racial se impõe, proclamado por toda parte, começando pelos imigrantes. Nos subúrbios e nas "áreas sem direito", os franceses nativos são taxados pejorativamente como "galos" ou, mais frequentemente, como "queijos" ("petit fromages"). Embora as raças sejam censuradas como inexistentes e não se reconhecem nelas nenhuma realidade, a questão racial está mais presente do que nunca. 

É evidente que as 'raças puras' não existem e que o conceito não tem sentido biológico, pois toda população é o produto de uma "filo" genética muito diversa. Mas isso não elimina a existência do "fato racial", nem das raças. Mesmo uma população mestiça constitui um fato racial, e não se pode dizer que na América do Sul ou nas Antilhas a mestiçagem criou novas raças. Os antirracistas, que negam a realidade do conceito de raça, são favoráveis à "mestiçagem" e, portanto, negam sua própria realidade. Entendem talvez que com a mestiçagem as raças deixarão de existir? De forma dogmática se empenham em demonstrar 'cientificamente’ que as raças não existem, e que, portanto, a modificação do substrato biológico na Europa não terá consequência nenhuma, mas apenas influências benéficas. Esta é a tese envenenadora do "totem cultural", na qual sequer seus propagadores acreditam com seriedade.

Parte da ideologia oficial nega a existência de raças humanas, indicam as diferenças insignificantes nos cromossomos pessoais, mas, por outro lado, a lei proíbe as discriminações raciais "em nome da adesão ou não adesão de raça, etnia ou religião". Então, as raças existem ou não existem? Em uma simples lógica aristotélica ou leibniziana, é um absurdo reprimir aqueles que cometem um delito contra uma pessoa jurídica que não existe de fato. 

Por outro lado, se proclama a inutilidade das distinções raciais, mas se aplicam legalmente cotas de favoritismo racial. Negam "diferenças raciais" mas colocam um ponto nas "discriminações raciais positivas". (…) Como toda realidade antropológica e, mais geralmente, natural, o fato racial não é um "fato absoluto", mas é um fato. Sua negação atual pela ideologia dominante constitui o sinal e a prova de que a questão racial tornou-se fatídica. Toda civilização enferma tende a censurar a realidade de seu mal e torná-la em tabu. Não se fala de cordas na casa do enforcado. 

A ideologia hegemônica procede assim com um trabalho de silêncio, um segredo de família. 

O sociólogo negro sul-africano, de etnia zulu, Kredi Mutwa, escreveu em seu relevador livro "Meu povo" (Penguin Books, Londres, 1977): "Negar as diferenças fundamentais entre negros e brancos, as duas grandes famílias raciais da humanidade, e negar a natureza e a vida. É tão estúpido como afirmar que a feminilidade e a masculinidade não existem. Aqui se descobre uma falta de bom senso no espírito ocidental. O homem negro acusa em si mesmo mais que o branco sua personalidade racial, e é por natureza mais relutante em aceitar a utopia de um “homem universal". 

Da mesma forma, Leónine N'Diaye, em sua obra "Le Soleil" (Dakar, 021121987), escreve: "Assim como existem diferenças entre os povos brancos, entre hispânicos e nórdicos, por exemplo, também existe essa diferença entre as etnias tribais africanas. A humanidade é dividida em grandes famílias com sua própria personalidade, cultura e fato biológico". 

Entre os africanos, como entre os asiáticos, a naturalidade do fato racial não oferece problemas. É reivindicada com toda tranquilidade. A negação psicótica desse fator racial se apoia na esperança de que escondendo o fato social se pode purgar o pecado original do racismo e, simultaneamente, criar uma sociedade idílica, um paraíso extraterrestre. 

No censo da população francesa de 1999, o Instituto Nacional de Estatística não fez nenhuma referência à origem étnica ou religião. Os franceses não deviam conhecer as cifras reais, Max Claos, presidente do Instituto, explicou em Le Figaro (05/03/99): "Uma comissão de sociólogos explicou que a menor referência sobre o caráter étnico de uma cidade ou bairro poderia provocas reações racistas. O povo tende a acreditar que uma maioria de população magrebi ou africana cria insegurança". Fantástico!..como se "o povo" não percebesse por si a realidade ao andar nas ruas. Este é um perfeito exemplo de engano ao povo, de negligência do poder e de "transparência democrática". 

Porque o doente desconhece sua febre, por que se nega a olhar o termômetro? Por que os poderes que negam que a imigração é de fato um cataclismo social, que está em curso uma colonização, porque se comportam como se a migração não existisse? 

O Estado tornou-se o novo censor, por vezes se refere às populações afro-magrebes como "representantes da população que vive na periferia"... assombroso eufemismo. O Instituto de Estatística nega o fato étnico e racial e se nega a fazer alguma pergunta sobre esse fato. 

Os poderes públicos, atordoados pela psicose antirracista e pelo tabu étnico, dissimulam voluntariamente as cifras da imigração. Mas, ao mesmo tempo, destacam suas contradições, como convém a qualquer ideologia distanciada da realidade, pois implicitamente reconhecem o caráter étnico da colonização, reconhecem que os imigrantes desprezam a assimilação. Os poderes públicos colaboram com os imigrantes colonizadores para moldar a opinião pública. Pois em uma sociedade midiática as pessoas acreditam menos no que veem do que lhes insinuam na comunicação de massa. 

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