quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Elena Semenyaka - Ernst Jünger como Ícone do "Estilo Fascista" - Implicações Ideológicas e Biográficas

por Elena Semenyaka



I - Ernst Jünger como autor do Novo Nacionalismo: o Estilo Fascista vs. a Ideologia Nacional-Socialista Oficial

É difícil reclamar de uma falta de atenção para a personalidade e para o trabalho como autor de Ernst Jünger. Apesar de seu "passado dúbio"[1] e diferentemente de muitos de seus camaradas-de-armas, ele ganhou reconhecimento em vida. Ademais, ele próprio se tornou objeto de estudo, e deve-se admitir, um particularmente desafiador: muitas questões e controvérsias cercam seu caráter misterioso. Como celebridade e um reconhecido ícone alemão, Jünger não as deixou sem respostas; porém, o mistério permaneceu, porque em muitos casos pistas, omissões e especialmente silêncio enfático foram suas respostas.

O mesmo vale para a criatividade de Ernst Jünger que durou por oitenta anos. Não é de surpreender que seu legado tem sido estudado nos termos de uma considerável variedade de discursos (do filológico ao político), o que reflete a riqueza dos gêneros que ele dominou; por exemplo, os relatórios sobre experimentações com LSD não são partes menos integrais à bibliografia de Jünger que o jornalismo de extrema-direita ou os diários de guerra. Similarmente, isso corresponde com a multitude de talentos de Jünger e portanto subpersonalidades para investigação biográfica: Jünger como escritor e jornalista, Jünger como militar e guerreiro, Jünger como esteta e dandy, Jünger como entomologista e colecionador de insetos, e, finalmente, Jünger como líder dos Nacional-Revolucionários e um teórico proeminente da Revolução Conservadora. Ademais, a identidade política e ideológica de Jünger também tem sido objeto de debates duradouros que variam dentro de uma extensão que vai de "Jünger como padrinho do fascismo" a "Jünger como liberal enrustido"[2]. As questões mais populares para investigação, como se pode facilmente advinhar, estão conectadas com as relações de Jünger com o Nacional-Socialismo e a infame "Questão Judaica".



Finalmente, discussões tradicionais sobre vetor "progressivo vs. regressivo" da Revolução Conservadora e esquemas ideológicos atípicos de seus membros no caso de Jünger alcançam o mais alto nível de intensidade. Há um termo especial nos estudos jüngerianos germânicos - "Jünger-Kontroverse", que significa a polêmica ao redor de sua personalidade e escritos. No presente, apesar (ou devido) essas charadas, há uma imensa Jüngeriana, que pode até mesmo afastar um admirador curioso ou um pesquisador do legado de Ernst Jünger que gostaria de adquirir uma visão clara e coerente de sua ideologia.

De fato, muitas investigações, tanto críticas como apologéticas, parecem confundir ao invés de esclarecer as questões relativas a Jünger. Ademais, dificilmente se pode ultrapassar o nível de reflexão de Jünger e dar definições de suas perspectivas mais precisas do que suas autodescrições desse “Augenmensch”, que é também conhecido como um “sismógrafo da época”, cujas previsões se tornaram realidade. Portanto, é suficiente ler atenciosamente suas próprias “confissões” para compreender esse esteta exemplar da Direita, para quem forma e conteúdo eram igualmente importante. Talvez esta seja a razão pela qual Jünger foi incapaz de se explicar ou se justificar no período pós-guerra: sua pose aristocrática natural, essa “desenvoltura” (leveza, distanciamento) e a responsabilidade intelectual pública, especialmente de uma pessoa que negava o sufrágio universal junto a outras demandas “universais” do Iluminismo, eram simplesmente incompatíveis. Dever-se-ia ser verdadeiramente ingênuo para esperar de Jünger quaisquer tipos de atividades populistas que ele jamais realizou mesmo durante a era Nacional-Socialista, a qual traiu suas esperanças de completa despolitização das massas, hoje, sob o reino do Leviatã globalizado, isto é da Nova Ordem Mundial. Similar a Martin Heidegger, que nunca disse uma única palavra de arrependimento, Ernst Jünger escolheu o silêncio como resposta:

“Se está então no período pós-guerra imediato, um tempo triste e doloroso quando ambos homens foram tratados como se fossem radiativos. Jünger, em 25 de junho de 1949, escreveu essa fascinante frase: ‘No curso dos últimos anos,  tornou-se bastante claro para mim que o silêncio é a mais poderosa das armas, desde que esteja dissimulado por trás de algo que merece ser encoberto’. [3]”

Por outro lado, como o título “wittgensteiniano” de uma investigação sobre sua criatividade sugere, “aquilo de que Ernst Jünger não pode falar, isso ele também não pode silenciar"[4]. Desnecessário dizer, deve-se ter ouvidos para ouvir o que Jünger tenta expressar por meio desse silêncio enfático. Ou melhor, olhos para ver o que ele gostaria de mostrar, pois a prosa de Jünger possui um caráter distintamente "visual"; outro famoso aforismo por Ludwig Wittgenstein "O que pode ser mostrado, não pode ser dito" é também mais do que relevante nesse contexto. Ademais, segundo Armin Mohler, um historiador germano-suíço que deixou a Suíça para ingressar na Waffen-SS, serviu como secretário de Jünger de 1949 a 1953 e escreveu a clássica investigação Die Konservative Revolution in Deutschland: 1918-1932 que deu origem aos estudos acadêmicos de Jünger. Ernst Jünger, junto a Gottfried Benn e, por exemplo, Otto Strasser, é o mais brilhante representante de um "estilo fascista" descrito no curto ensaio de Mohler do mesmo título (Der Faschistische Stil, 1973) como uma deviação positiva da ideologia Nacional-Socialista oficial que é característico para fenômenos tão diversos quanto os movimentos liderados por José Antonio Primo de Rivera na Espanha, Léon Degrelle na França, Gabrielle D'Annunzio na Itália, Oswald Mosley na Grã-Bretanha, Corneliu Zelea Codreanu na Romênia, etc.

"Mohler compreende o estilo como um fenômeno puramente estético, como a elevação do gesto acima da idéia. Um exemplo do estilo fascista é 'severidade e frieza', retorcendo forma 'pela pura forma a partir do caos'. O slogan de batalha dos fascistas espanhóis em 1936, 'Vida Longa à Morte', é correspondentemente um gesto tipicamente fascista"[5].



Apesar de Mohler ter alertado contra interpretações esquerdistas superficiais do estilo fascista como "mera" estética, tais "gestos" devem ser vistos como a chave para compreender por que Jünger foi um "emigrante interior" desde o Terceiro Reich e uma pessoa inconveniente para qualquer força política em geral, apesar de ele ter dedicado a cópia de seu livro Feuer und Blut (Sangue e Fogo) (1926) ao "Führer nacional - Adolf Hitler" e duas vezes quase se encontrou com ele (o primeiro encontro não ocorreu por causa do rígido calendário de trabalho de Hitler, e o segundo porque Jünger não compareceu ao Congresso de Nuremberg em 1929). Esse conflito de ideologia e estética em seu máximo sentido está oculto por trás de tais atos demonstrativos realizados por Jünger durante a era Nacional-Socialista como rejeitar ingressar ao NSDAP (duas vezes, em 1927 e 1933) e se recusar a ingressar na Academia Prussiana das Artes (no verão de 1933) acompanhado de uma carta rispidamente irônica em que um lendário soldado da Primeira Guerra Mundial, um reconhecido líder dos círculos militares de extrema-direita e um autor celebrado de livros sobre a guerra afirmava que um "caráter profundamente soldadesco" de seu trabalho e, em particular, articulado no parágrafo 59 de seu "livro sobre o trabalhador" sobre a correlação entre armamento e cultura o impediria de se juntar à Academia, o que poderia afetar negativamente seu serviço militar conduzido desde 1914[6]. Depois que sua casa foi vasculhada pela Gestapo no inverno de 1933, o brilhante dandy metropolitano e proponente do "Novo Nacionalismo" urbanístico se mudou para a cidade provinciana de Goslar.

Pelo livro sobre o trabalhador Ernst Jünger queria dizer seu principal tratado metafísico Der Arbeiter (O Trabalhador) publicado em 1932, e que foi recebido com silêncio tanto pelos Nacional-Socialistas como por seus oponentes, que, segundo suas memórias, simplesmente não sabiam o que fazer com aquilo. Similarmente, é dito que ao rejeitar um assento no Reichstag, Jünger comentou da seguinte forma: "É muito mais honroso escrever uma boa linha do que representar sessenta mil imbecis no parlamento". Como um convicto decisionista um apologista do autoritarismo revolucionário, Jünger estava desapontado com a campanha eleitoral iniciada pelos Nacional-Socialistas, apesar de sua promessa de se livrar das eleições. No artigo Nationalismus und Nationalsozialismus (Nacionalismo e Nacional-Socialismo) (1927) o autor do programa do assim chamado "Novo Nacionalismo" (em relação ao nacionalismo liberal do século XIX que resultou da revolução francesa) explicitamente afirmava que esse "estilo fascista", falando nos termos de Mohler, vai além dos padrões ideológicos imbuído de significância metafísica: 'Um ideal de nacionalismo é sua posição interior". Jünger segue dizendo que todos aqueles que buscam esse ideal, mesmo que seus pontos-de-partida ideológicos variem, estão próximos uns aos outros.

Portanto, está claro que a oposição entre o curso Nacional-Socialista oficial e a estética “fascista” não é uma entre conteúdo e forma, questões primárias e secundárias, como esquerdistas e Nacional-Socialistas ortodoxos tendem a crer, mas, muito pelo contrário, é uma entre questões abstratas e concretas ou mesmo imaginárias e reais, que determinam diferenças em prioridades de seus aderentes. Manifestações frias, severas, e emocionalmente restritas do estilo fascista não cancelam suas raízes vitalistas: Ernst Jünger, que estudou filosofia e zoologia na Universidade de Leipzig na década de 20, em particular, foi a palestras de Hans Driesch, fundador do neovitalismo, Hugo Fischer e seu assistente Feliz Krüger, sem mencionar a fascinação típica da “geração do front” com Friedrich Nietzsche, Arthur Moeller van den Bruck, Oswald Spengler e Werner Sombart, acima de tudo, enriquecida com seu jornalismo nacionalista de Weimar (1923-1933), os legados do voluntarismo, da filosofia de vida e do romantismo alemães. Mesmo uma familiaridade básica com o texto é suficiente para observar que “sangue”, “espírito”, “destino”, “vontade”, “força vital”, “coração”, “energia”, etc. são as palavras mais frequentemente usadas nesses artigos; a própria tecnologia é retratada como um poder mágico elemental que não tem conexão alguma com sua visão esquerdista como instrumento neutro da racionalização e do progresso. Foi essa mesma “combinação de distanciamento, amor fati e nacionalismo romântico” que “era uma maneira pobre de resistir aos nazistas” segundo os críticos de Jünger [7]. O próprio Jünger, porém, preferia chamar sua posição de “realismo heroico”.

Ernst Jünger, como líder dos Nacional-Revolucionários devido à classificação de Armin Mohler das principais direções dentro do movimento Conservador Revolucionário em geral, sustentava uma opinião diferente sobre as questões racial e judaica do que os representantes da tendência völkisch a qual pertence a invenção da doutrina “Blud und Boden” (“Sangue e Solo”) absorvida na política hitlerista oficial. Ele negava tanto o biologismo racial como o antissemitismo do NSDAP, o primeiro por ser abstrato demais (nas palavras de Jünger, o sangue se prova não por sua “pureza”, mas pela ação; a raça possui sentido “energético” e não substancial) e o segundo como reação a uma ameaça extremamente superestimada dos judeus assimilados que apenas desacreditava os alemães (no artigo Nationalismus und “Nationalismus”(Nationalismo e “Nacionalismo”) ele rejeitou a visão de que o nacionalista “come três judeus no café-da-manhã. O antissemitismo no que lhe concerne não é uma questão essencial”[8]. Jünger acreditava que quanto mais a gestalt alemã se tornasse distinta, mais visíveis se tornariam os judeus frente a esse pano-de-fundo, de modo que eles teriam que ou se transformar em alemães, ou abandonar a Alemanha como representantes de uma formação alógena:

“Para os judeus só há uma última estação, um único templo de Salomão, e esta é a ortodoxia judaica, que eu saúdo tanto quanto devo saudar a singularidade genuína de cada povo. Indubitavelmente ela recuperará espaço no mesmo grau que o nacionalismo dos povos da Europa ganhe ímpeto”[9].



O conceito de gestalt é de fato um sinônimo do estilo fascista compreendido como o fenômeno de valor metafísico. No tratado Der Arbeiter, que sumariza o jornalismo de Jünger em Weimar, ele passa da gestalt alemão à gestalt metafísica do Trabalhador que literalmente imprime um novo tipo humano – o tipo do Trabalhador imbuído com tais atributos como unidade de liberdade e necessidade, dominação e obediência, trabalho e lazer, abertura ao elemental e perigo, um tratamento mais fácil da dor e da morte (em comparação ao burguês individual), impessoalidade e habilidade de auto-objetificação, etc. Esses traços são causados pelo caráter prometeico da gestalt que representa os poderes da tecnologia e se expande por seus meios: a tecnologia, segundo a famosa definição, é o caminho pelo qual a gestalt do Trabalhador mobiliza o mundo. Ademais, Jünger especifica que o trabalho, que aparece como o modo de vida em relação ao homem e como o princípio em relação à realidade de seus esforços, em um sentido formal deve ser como um estilo.

Características de estilo já são familiares; afinal, elas podem ser facilmente derivadas de atributos do novo tipo humano como uma impressão da gestalt. Enquanto tal, elas foram reconhecidas e altamente estimadas por Julius Evola em seu livro sobre a figura do Trabalhador na criatividade de Jünger como traços do tipo ascético-heróico ativo conhecido como kshatriya no sistema de castas da Índia. O que também eleva esse estilo acima da “mera estética” é afirmado diretamente pela irredutibilidade de Jünger da gestalt a avaliações éticas, estéticas e científicas, o que torna ver o mundo em termo de gestalts um ato verdadeiramente revolucionário necessário para compreender o ser na totalidade de sua vida. Não importa se algo é bom ou mal, bonito ou feio, verdadeiro ou falso, continua Jünger, a única coisa que conta é a gestalt à qual ele pertence. É por isso que ele negava tanto a interpretação econômica como a moral do trabalho: em oposição a tentativas bastante difundidas de retratar o Trabalhador como um labutador altruísta, que desafia a gananciosa lógica capitalista, Jünger não deixa dúvidas de que o trabalho tem mais em comum com o esporte e a paixão por uniformes do que ganhar pão “no suor de sua face”.

II – Estetização da Violência: O Caso de Nos Penhascos de Mármore



Armin Mohler queria dizer aproximadamente o mesmo ao dizer que para estetas como Ernst Jünger e Gabrielle D’Annunzio o gesto espetacular era “mais importante” que o destino de seu próprio povo e pátria. Ou a França ocupada onde Jünger serviu como capitão no quartel-general do General Otto von Stülpnagel, o Comandante do Exército Alemão para a França, durante a Segunda Guerra Mundial e estava mais preocupado com encontrar celebridades locais e ler livros do que com deveres militares:

“Quanto ao aspecto neroniano do distanciamento de Jünger em relação ao barbarismo ao seu redor, aqui está Jünger sobre Nero: ‘Eu estou sempre discordando de minha esposa sobre Nero, de quem ela não gosta. Eu digo: aquele Nero, que homem! Ele foi um artista nato. E agora ele tinha que virar imperador, também, pobre homem. Eu admiro fortemente suas últimas palavras, ‘Qualis artifex pereo’.[10]”

Outro episódio exemplar, que é avidamente citado tanto por admiradores como odiadores da maneira de escrita divina de Jünger – pelos segundos como argumento decisivo no debate sobre sua responsabilidade como autor pela “estetização da violência” – aparece nos Diários de Paris de Jünger e reflete sua impressão do bombardeio de Paris em maio de 1944 observado do teto do Hotel Raphael enquanto bebia vinho:

“Durante a segunda onda, no pôr-do-sol, eu segurei em minha mão um copo de vinho com morangos flutuando nele. A cidade com suas torres e domos vermelhos jazia disposta em uma beleza inebriante como um cálice que se derrama para uma polinização mortal. Tudo foi espetáculo, puro poder, afirmado e exaltado pela dor"[11].

Portanto,  é ao invés a ideologia Nacional-Socialista oficial que deve ser considerado como o fenômeno "meramente" ético, enquanto o estilo fascista é evidência de uma aspiração conservadora revolucionária de "reencantar" o mundo secularizado pela reunião dos campos modernos autônomos da ética, da estética, da ciência, da política, da religião, etc. Essa crítica foi dirigida aos Nacional-Socialistas no já citado artigo Nationalism and National Socialism escrito em 1927 onde Jünger notou que o número de seguidores e a luta partidária eram significativos apenas para os Nacional-Socialistas, que buscavam o poder ao invés da "revolução absoluta", enquanto para os nacionalistas o número não significava nada e um fenômeno como o de Spengler era mais valioso do que cem cadeiras no parlamento. Os oponentes de Jünger na esquerda também o sentiam: Karl Radek, por exemplo, uma vez disse que converter esse autor "perturbadoramente honesto" para o seu lado era mais importante do que conquistar uma maioria parlamentar. Em outras palavras, outra diferença entre o Nacional-Socialismo e o estilo fascista consiste na preferência por quantidade acima da qualidade e vice-versa correspondentemente.



Termos que significam essa qualidade especial do novo tipo humano no jornalismo weimariano de Jünger são "caráter", "sangue" e "raça" no sentido "energético" que permite a irmãos espirituais a se reconhecerem uns aos outros por um aperto de mãos, contato visual, tom de voz, expressões faciais, etc. Jünger aponta que, similarmente à gestalt, não há caráteres bons ou ruins; há apenas os grandiosos e os medíocres. Atenção aos detalhes também é crucial segundo a descrição de Mohler dos "novos homens bravos" que são desprovidos de messianismo ideológico e saúdam a um superior apenas se eles vão com a sua "cara". Similarmente, ele ressalta que sua reação à propaganda oficial é bastante incomum: eles ou arreganham os dentes ou bocejam. O parágrafo 59 de Der Arbeiter mencionado por Jünger na carta de rejeição à Academia Prussiana de Artes contém substanciação explícita para esse recuo à estética fascista que beira o individualismo anarquista. À primeira vista, nós lidamos com o contraste entre dois tipos de estética: estética fascista da juventude, a vontade de poder e morte e a estética Nacional-Socialista que apela à "cultura alemã" e seu passado glorioso mesmo em cujas profundezas mais remotas, na opinião de Jünger, dificilmente se poderia encontrar essa "mistura desagradável de vulgaridade e arrogância" típica dos slogans oficiais.

Porém, a insatisfação de Jünger com o epigonismo barato de muitos dos artistas do regime, acima de tudo, era ideologicamente motivada. Apesar de sua abordagem futurista, Jünger negava o foco Nacional-Socialista no passado não em nome do progresso, mas em favor da "mais elevada tradição viva", que requer grandeza genuína e cujo oposto ele considerava "museificação" da herança cultural iniciada pela autoridade, isto é, como se pode dizer, pela tradição "inferior", "morta" ou "artificial". Ideologicamente, isso corresponde ao desrespeito de Jünger pelo nacionalismo liberal como uma teoria pseudo-política forma nascida da revolução francesa e do Iluminismo, que não possui nada em comum com uma doutrina germânica de nacionalismo "orgânico" - o único tipo de nacionalismo digno desse título. Falando em sentido estrito, Jünger criticava não tanto o Nacional-Socialismo quanto sua contraparte liberal; é por isso que ele chamava a museificação da história e da cultura "o último oásis da segurança burguesa" que justifica escapar das decisões políticas e carece do poder de proteger a soberania estatal da invasão dos menores entre os países vizinhos. Jünger insiste que sob as circunstâncias atuais nós não devemos falar sobre tradição: nós devemos criá-la. É por isso que ele ressaltou que um verdadeiro símbolo da época moderna - um soldado desconhecido, que caiu em algum lugar perto de Sommes ou em Flandres - jamais pode ser ofuscado por qualquer espírito do passado. Não é surpresa, portanto, que Ernst Jünger apoiasse o nacional-bolchevique Ernst Niekisch reprimido por difundir sentimentos anti-Hitler e um criador de "arte degenerada" Rudolf Schlichter quando ele foi acusado de "um modo de vida não-Nacional-Socialista".



Ao mesmo tempo seria extremamente equivocado concluir que Jünger era antinazi ou mesmo um ativista anti-hitlerista. A história por trás de seu conhecido romance Auf den Marmorklippen (Nos Penhascos de Mármore) escrito em 1939, que é muito mencionado como o ponto de partida da virada de Jünger "da política para a literatura" (junto com a segunda redação de Das Abenteuerliche Herz (O Coração Aventuroso) (1938)), é extremamente esclarecedora nesse contexto. O romance narra a história de dois irmãos que levam uma existência poética próxima a uma vida pastoral não menos idílica em uma terra chamada Grande Marina que é gradativamente destruída pelas gangues bárbaras do Monteiro-Mor (Oberförster) que erguia florestas selvagens sob seu comando em áreas previamente sob seus assentamentos pacíficos. O livro foi censurado por Goebbels logo após sua publicação na Alemanha, mas ele logo foi republicado às custas do Exército, assim como o livro Myrdun: Briefe aus Norwegen (Myrdun: Cartas da Noruega) (1943) que foi banido de publicação por causa da recusa em eliminar a referência crítica ao Salmo 73.

Por um lado, a reação de Goebbels é bastante compreensível: em 1929 ele qualificou a primeira redação de O Coração Aventuroso como literatura ("mera tinta") contra o pano-de-fundo do livro anterior "grande e heróico" In Stahlgewittern (Tempestades de Aço) (1920), - os lendários diários militares que lhe trouxeram fama e eram até mesmo recomendados para leitura no currículo escolar. Ademais, levando em consideração que Nos Penhascos de Mármore como exemplo de uma ficção altamente sofisticada longe o ideal de Goebbels da "vida plenamente real" foi instantemente reconhecida como uma alegoria antinazista que tem como alvo Adolf Hitler como o Monteiro-Mor e Joseph Goebbels como Braquemart, não é de surpreender que este último tivesse pelo menos duas razões para censurar essa nova obra-prima de Jünger. Porém, essa se revela uma interpretação falsa quando nos aprofundamos mais na história:

"Nos Penhascos de Mármore vendeu 35.000 cópias antes de ser suprimida no início de 1940. Como ela foi suprimida pela máquina de censura do Dr. Goebbels não é tão misterioso quando se percebe que Braquemart teve como modelo o próprio Dr. Goebbels que se sentiu lisonjeado e fascinado com isso, mas depois alarmado por sua popularidade entre a casta dos oficiais. O próprio Jünger afirmou então - como agora - que a fábula não é antinazi, mas está 'acima disso tudo'. [12]"



Muito depois no curto epílogo ao romance (1972) Jünger repete que mesmo na França ocupada os leitores advinharam que ele era "o sapato que se encaixa em vários pés". Ademais, nas entrevistas ele traçou seu paralelo usual entre os regimes de Hitler e Stálin e ressaltou que o livro poderia facilmente ser visto como uma exposição do segundo, ainda que, em geral, Jünger refutasse a própria interpretação política do romance como limitado demais. Mais precisamente, Jünger confessou sua insatisfação crescente com a palavra "resistência" no mesmo epílogo à obra, porque sua estratégia de emigração interior, que encontrou sua expressão mais brilhante nos conceitos de Waldgänger e Anarca, ditava status igual para "oposição" e "colaboração" desde que se permanecesse verdadeiro para consigo mesmo [13].

Apesar do fato de que em Paris Jünger se comunicou com muitas figuras notáveis, incluindo algumas da Resistência (Sacha Guitry, Jean Cocteau, Marcel Jouhandeau, Paul Leautard, Louis-Ferdinand Céline, Gaston Gallimard, Paul Morand, Banine, Georges Braque, Pablo Picasso, Henri de Montherland, Pierre Drieu La Rochelle, Florence Gould), e seu tratado Der Friede (A Paz. Um Apelo à Juventude da Europa e à Juventude do Mundo) (1943) era muito popular entre os militares que preparam uma tentativa de assassinato contra Hitler em 20 de julho de 1944 (entre outros, General Otto von Stülpnagel, sob cuja supervisão Jünger trabalhava, e Hans Speidel, o Chefe de Estado-Maior; o Marechal Erwin Rommel até mesmo planejava difundir o apelo de Jünger ao redor do mundo caso a conspiração tivesse sucesso), sua única punição foi a dispensa da Wehrmacht como "inapto para o serviço" graças à intercessão pessoal de Hitler. Ao mesmo tempo, o preço que Jünger pagou por atividades subversivas foi a morte simbólica de seu filho Ernst próximo aos penhascos de mármore de Carrara em 29 de novembro onde ele foi alistado no batalhão de punição por organizar conversas anti-Hitler em sua unidade. Ou melhor, por seus ataques irônicos e esteticamente perfeitos ao regime: diz-se que o jovem Ernst disse a seus camaradas-de-armas: "Se vencermos, teremos que enforcar Kniebolo" repetindo uma combinação das palavras "knien" (ajoelhar) e "Diablo" (o diabo) usados como combinação para Hitler nos diários franceses de Jünger.

III - A Emigração Interior de Ernst Jünger: Entre o Waldgänger e o Anarca



Em 1945, como comandante da Kirchhorst Volkssturm, Jünger ordenou à milícia local que cessasse a resistência e se rendesse às autoridades de ocupação americanas. Apesar de sua distância crescente em relação ao envolvimento político e o seu banimento de publicar na Alemanha por quatro anos imposto pelas forças de ocupação britânicas, Jünger se recusou a participar nos procedimentos de desnazificação e admitiu abertamente que ele estava do lado dos derrotados.

"O diário de Jünger demonstra sua indignação em relação ao fato de a Alemanha estar sendo ocupada pelos americanos, cuja cultura ele considerava inferior. 'Nas ruas, fileiras infinitas de caminhos passam, sendo dirigidas por negros', ele observou, com um desprezo pouco disfarçado, como se a Europa estivesse sendo tomada por aborígenes africanos'.[14]"

Similarmente, apesar de ele ter estado entre os primeiros a admitir que os alemães "pagaram o preço por suas ações" e que a vingança dos russos, "as coisas horríveis que aconteceram quando os russos avançaram e nos meses seguintes", "não deve ser aprovada, mas é compreensível"[15], ele imediatamente começou a expôr a hipocrisia e moral dúplice dos Aliados que exploravam o Holocausto como pretexto para impôr seus próprios interesses. Na opinião de Jünger, são os alemães que desempenham o papel dos "burros de carga" do mundo hoje - um lugar previamente ocupado pelos judeus. Ademais, diferentemente de seu amigo nacional-bolchevique Ernst Niekisch, que tinha esperanças de colaboração com a União Soviética, Ernst Jünger insistia que os EUA e a URSS eram igualmente perigosos para a Alemanha; ele tinha certeza absoluta de que a perda dos territórios orientais da Alemanha na Polônia teria consequências graves a longo prazo.

Ademais, o suposto tratado antinazista de Jünger A Paz, que circulava ativamente no período pós-guerra, também tem sido estimado como um documento da "culpa em desaparecimento"[16], onde Jünger, à sua maneira metafísica, ou melhor dizendo, estética, usual, vê o Holocausto como uma das manifestações da dominação planetária da gestalt metafísica do Trabalhador, que impõe um caráter impessoal de produtividade niilista sobre tudo, da guerra ao estilo de vida. Enquanto tal, ele é perfeitamente comparável aos crimes militares cometidos por outros regimes autoritários; por exemplo, Jünger não via de que maneira o Holocausto seria diferente da execução a sangue frio de Katyn de pelo menos 14.700 oficiais poloneses pela NKVD em 1940[17]. O mesmo vale para o romance aparentemente antinazi Nos Penhascos de Mármore, que se tornou amplamente conhecido como um exemplo clássico de sua "estetização da violência" e inaugurou uma nova onda de debates sobre a responsabilidade de Jünger como escritor por ocasião de seu recebimento do prestigioso Prêmio Goethe em 1982.

De modo geral, a participação pública de Jünger no período pós-guerra foi mínima. Depois de publicar os livros Über die Linie (Sobre a Linha) em 1950 e An der Zeitmauer (No Muro do Tempo) em 1959, "Jünger parecia ter desaparecido através de seu próprio muro do tempo"[18]. A substanciação conceitual para essa nova emigração interior foram os modelos jüngerianos de Waldgänger (Caminhante na Floresta) soberano individual e sua versão avançada do Anarca (na verdade, o anarquista de direita), desenvolvidos no ensaio Der Waldgang (Passeio na Floresta) (1951) e o romance distópico futurista Eumeswil (1977) correspondentemente. Este último, por sua vez, era uma sequência de seu romance distópico Heliopolis (1949), onde, em particular, Jünger previu a ilusão contemporânea da participação de massa no governo democrático através do voto anônimo por meio do "Fonóforo" (um meio de comunicação que pode ser considerado o análogo de um smartphone com acesso à internet), que, porém, deixa a seguinte pergunta sem resposta: "Quem determina os tópicos de votação?" Portanto, o Waldgänger, que nega esse mundo liberal de falsa liberdade ("abstrações anêmicas que passamos a associar com esse termo"[19]), automatismo e determinismo ético, abandona a sociedade para fugir para a Floresta, tanto literal como metaforicamente. O seguinte trecho de Der Waldgang lança luz sobre as razões por trás do próprio recuo de Jünger em relação ao ativismo político na RFA:

"É indicativo de uma nova característica em nosso mundo, em que estrangeiros podem acusar o indivíduo como colaborador de movimentos populares, enquanto partidos políticos o julgam como simpatizante de causas impopulares. O indivíduo está então situado entre Cila e Caríbdis; ele é ameaçado com liquidação ou porque ele participou ou porque ele deixou de participar.



Daí, um alto grau de coragem é necessário, o que lhe permitirá defender a causa da justiça sozinho, e até mesmo contra o poder do Estado. Será duvidoso se tais homens podem ser encontrados. Alguns aparecerão, porém, e eles serão caminhantes na floresta (Waldgänger). Mesmo contra sua vontade, esse tipo de homem entrará na cena histórica, pois há formas de coerção que não deixam escolhas"[20].

Diferentemente do Caminhante na Floresta, o Anarca não está necessariamente excluído da sociedade; muito pelo contrário, ele pode ser até mesmo um funcionário mais efetivo do que qualquer outro se visto desde fora:

"O fugitivo na floresta foi expulso da sociedade, o anarca expulsou a sociedade de si mesmo. Ele é e permanece seu próprio mestre em todas as circunstâncias. Quando ele decide fugir para a floresta, sua decisão é menos uma questão de justiça e consciência para ele do que um acidente de trânsito. Ele modifica sua camuflagem; é claro, seu status alienígena é mais óbvio na fuga para a floresta, daí fazendo dessa a forma mais fraca, ainda que talvez indispensável"[21].

Essa retirada deliberada da vida social que rendeu a Jünger a reputação de lobo solitário, dandy aristocrático, forasteiro, etc. eventualmente culminou em sua total mitologização enquanto pessoa. Segundo Niekisch, ele não se apressava para refutar qualquer rumor, pois "não se deve interferir no desenvolvimento de um mito"[22]. A transição temporária de Jünger do Waldgänger ao Anarca foi conectada com a celebração internacional de seu aniversário de cem anos em 29 de março de 1995, noticiada pela mídia na França, Alemanha e Itália. Entre aqueles que foram saudar e elogiar esse mito vivo do século estiveram o presidente francês François Mitterrand, o chanceler alemão Helmut Kohl (ambos foram honoráveis ouvintes de Jünger em 1984 quando ele deu um discurso na cerimônia de reconciliação franco-alemã no memorial de Verdun). À parte isso, a Jünger-Haus em Wilflingen havia sido anteriormente visitada por Jorge Luis Borges e Alberto Moravia. O discurso de saudação de aniversário de Mitterrando dá uma impressão do status de Jünger entre a elite:

"Enredando ao ponto de arriscar sua vida na tormenta do século, ele se manteve à parte de suas paixões. Nada pode se apropriar de seu nome, nem de seu olhar, exceto talvez aquela borboleta no Paquistão hoje chamada 'Trachydura Jüngeri', que é seu orgulho. Porque esse rebelde persegue insetos luminosos, esse soldado escreve romances. Um filósofo, ele possui um apetite pela vida, que o tempo não enfraqueceu. Poucas obras de vida são mais diversas, poucas mentes mais incansáveis. Como herdeiro de Goethe, Hölderlin e Nietzsche, mas também de Stendhal, o pensamento de Jünger une as riquezas do Iluminismo com as do Romantismo, o rigor de uma com a generosidade da outra.

[...] Similarmente com sua idéia de progresso, que repudia as profecias de Hegel e Marx e o pessimismo de Spengler. Ninguém compreendeu melhor que ele o advento do mundo da tecnologia, seus benefícios e catástrofes. Se ele considera inevitáveis os triunfos da ciência e dos números, ele luta contra os excessos de sua conquista"[23].

Naturalmente, Jünger não recebeu apenas respostas positivas. Jean Paul Sartre, que confessou seu ódio por Jünger nomeadamente como "um aristocrata", é uma instância bem conhecida de uma atitude negativa em relação ao escritor alemão. Segundo o discurso conduzido perante os convidados de uma celebração em Saulgau, seus admiradores e odiadores simplesmente "pertenciam" a seu "karma"[24]. Nem mais, nem menos, é por isso que Jünger não estava interessado em um diálogo com adversários. Como ele escreveu à época da morte de Brecht, 'Eu acho que nenhuma discussão se dará entre ele e eu, como muitos tem sugerido - bem, talvez logo em Valhalla!".[25]

Em geral, ainda que o dandismo aristocrático de Jünger, que beirava a excentricidade privada detestada em seus livros antiburgueses, e sua devoção final a sua nova pátria espiritual a França logo tê-lo tornado parte da cultura popular (livros com uma assinatura EJ estilizada eram vendidos como perfumes franceses; Jünger aceitou a proposta de Salvador Dali de reescrever caligraficamente um fragmento de sua obra Fassungen (Versões) (1972) em um papiro de um exemplar único do livro[26]; até o Papa João Paulo II uma vez citou Jünger [27]), ele não se tornou um ícone na Alemanha democrática. É suficiente ler as seguintes respostas ao entrevistador para compreender que sua rejeição do nacionalismo liberal, sem falar na democracia, em favor do estilo fascista permanecia imutável:

"Pergunta: Vivemos em uma pseudodemocracia?

Jünger: As coisas que nos são permitidas hoje são, em comparação com o período barroco, muito reduzidas.

Pergunta: O que por exemplo?

Jünger: Por exemplo, não se pode dizer 'Eu sou um fascista'. Diga isso e você será considerado a escória da escória. Hoje não se pode simplesmente dirigir do lado esquerdo da estrada. Isso é uma afronta profunda ao indivíduo. Até nossos avós eram mais livres do que nós"[28].

Em outras palavras, não importa quão poéticas possam ser à primeira vista figuras "escapistas" como o Waldgänger e o Anarca, no período do pós-guerra Jünger ainda antecipava o retorno do Príncipe que seria capaz de unir os povos da Europa no lugar de Adolf Hitler. Não é de surpreender que ele jamais tenha se associado com a nova Alemanha democrática que afirmava ser uma sucessora melhor do Reich alemão "caído":

"Minha esposa e eu somos cidadãos leais da República Federal, mas não particularmente entusiásticos - nossa realidade é o Império Alemão"[29].

Notas

1. Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999).

2. Peter Koslowski, Der Mythos der Moderne. Die dichterische Philosophie Ernst Jüngers (München: W. Fink Verl., 1991).

3. Alain de Benoist, Jünger, Heidegger and Nihilism < http://www.counter-currents.com/2010/07/junger-heidegger-nihilism/ >

4. Bernd Hüppauf, Whereof Ernst Jünger cannot Speak, Thereof He Can Also Not Be Silent. An Early Example of “‘Forgetting’ the Holocaust.” Power, Conscience, and Opposition ( Bern, New York, etc: Peter Lang, 1996).

5. Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999), p. 114.

6. Quoted in Heimo Schwilk, Ernst Jünger: ein Jahrhundertleben: die Biografie (München; Zürich: Piper, 2007), p. 359.

7. An Exchange on Ernst Jünger (Hilary Barr, reply by Ian Buruma) < http://www.nybooks.com/articles/archives/1993/dec/16/an-exchange-on-ernst-junger/?pagination=false >

8. Quoted in Thomas R. Nevin, Ernst Jünger and Germany: Into the Abyss, 1914–1945 (Durham, NC: Duke University Press, 1996), p. 108.

9. Quoted in Ibid., p. 110.

10. An Exchange on Ernst Jünger (Hilary Barr, reply by Ian Buruma) < http://www.nybooks.com/articles/archives/1993/dec/16/an-exchange-on-ernst-junger/?pagination=false >

11. Quoted in German Writings Before and After 1945: E. Junger, W. Koeppen, I. Keun, A. Lernet-Holenia, G. von Rez (Continuum International Publishing Group, 2002), p. 33.

12. Bruce Chatwin, An Aesthete at War < http://cecilecottenceau1.free.fr/chatwin%20website/mine%20and%20mine%20only/junger.htm >

13. Ernst Jünger, Eumeswil; translated by Joachim Neugroschel (New York: Marsilio, 1993), p. 227.

14. Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999), p. 48.

15. Quoted in Ibid., 50.

16. Thomas Hajduk, With A Little Help From My Friends: Ernst Jiinger and his network in the post-war period (Masters thesis, Durham University, 2008), < http://etheses.dur.ac.uk/2016/ >

17. Ibid.

18. Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999), p. 51.

19. Ernst Jünger, Retreat into the Forest (Confluence, vol. 3, # 2, 1954), p. 131.

20. Ibid., p. 139.

21. Ernst Jünger, Eumeswil; trans. by Joachim Neugroschel (New York: Marsilio, 1993), p. 147.

22. Quoted in Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999), p. 82.

23. Francois Mitterrand to Ernst Jünger on his 100th birthday—1995 < http://www.ernst-juenger.org/2012/05/francois-mitterand-to-ernst-junger-on.html >

24. Quoted in Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999), p. 62.

25. Quoted in Ibid, p. 85.

26. Ibid, p. 52-53.

27. Thomas R. Nevin, Ernst Jünger and Germany: Into the Abyss, 1914–1945 (Durham, NC: Duke University Press, 1996), p. 1.

28. Quoted in Elliott Y. Neamann, A Dubious Past: Ernst Jünger and the Politics of Literature after Nazism (Berkeley: University of California Press, 1999), p. 62.

29. Quoted in Ibid, p. 61.

Um comentário:

  1. Parabens por mais um fabuloso texto. Quero que saibam que não há um só dia que eu passe sem ler este blog. Saibam que embora eu nunca comente, sempre o leio, e muitos outros fazem o mesmo. No orkut eu criei uma comunidade em homenagem ao blog, a única. Infelizmente o orkut morreu, e infelizmente eu também não pude ir ao último encontro evoliano.

    Ave Resistência!

    ResponderExcluir