sexta-feira, 19 de julho de 2013

Kerry Bolton - Reductio Ad Hitlerum

por Kerry Bolton


A “erudição” no estudo do Terceiro Reich é medida em relação a um axioma de facto que está centrado em torno do Holocausto, assim como com as discussões concomitantes sobre experimentos médicos e outros aspectos da suposta brutalidade nazista única. Qualquer coisa menor do que isso é rotulada por estudiosos como Deborah Lipstadt como “relativizar o Holocausto”, o que é aparentemente mesmo pior do que o “revisionismo do Holocausto”.

Reductio ad Hitlerum é a técnica de arruinar um debate acusando o oponente de ser um nazista. Leo Strauss, um filósofo judeu, criou o termo em 1951, explicando-o em 1953:

“Infelizmente, não podemos continuar sem dizer que em nossa análise devemos evitar a falácia que nas últimas décadas tem sido frequentemente usada como substituta para o reductio ad absurdum: o reductio ad Hitlerum. Um ponto de vista não é refutado por si só, mas pelo fato de ter sido compartilhado por Hitler.”

A pesquisa informativa “A Falácia ordena” dá um exemplo de reductio ad Hitlerum:

“As ideias de ecologistas de espécies invasivas – espécies forasteiras como elas são frequentemente chamadas – parecem semelhantes à retórica anti-imigração. Os temas verdes como escassez e pureza e invasão e proteção têm ecos totalmente na direita. As ideias de Hitler sobre ambientalismo vieram, acima de tudo, da pureza.”

A citação acima por uma “feminista radical”, Betsy Hartmann, é parte de um lamento sobre o suposto “controle direitista” do movimento ecológico, cujos proponentes têm, aparentemente, defendido restrições à imigração, que é semelhante ao nazismo para aqueles que empregam compulsivamente o reductio ad Hitlerum em seu discurso intelectual. Como evidência disso, Hartmann cita a edição do jornal acadêmico População e Meio-Ambiente pelo professor Kevin McDonald, junto com o falecido J. Philip Rushton, que pertencia à diretoria editorial, ambos considerados “racistas”.

“A Falácia ordena” explica o reductio ad Hitlerum:


Apesar do termo reductio ad Hitlerum ter sido cunhado por Strauss ainda em 1951 na edição da primavera do jornal Medida, ele é muito útil. O Dr. Thomas Fleming, membro do movimento Católico Conservador Americano, presidente do Instituto Rockford e editor do Crônicas, definiu convincentemente o reductio ad Hitlerum:

“Leo Strauss o chamou reductio ad Hitlerum. Se Hitler gostava de arte neoclássica, isto significa que o classicismo é, em toda forma, nazista; se Hitler queria fortalecer a família alemã, isto torna a tradicional família (e seus defensores) nazista; se Hitler falava da ‘nação’ ou do ‘povo’, então qualquer evocação de nacionalidade, afiliação étnica, ou mesmo atributo popular é nazista.”

Por exemplo, o lobby “pró-armamento” argumenta que Hitler – como ditador – estabeleceu um confisco em massa de armas particulares no Terceiro Reich e, portanto, os defensores do “controle de armas” estão adotando uma postura como a de Hitler. Isto, como tudo mais que se passa como verdade nos meios acadêmicos, é superficial, na melhor das hipóteses. Entretanto, esta é uma indicação do quão o reductio ad Hitlerum pode ser totalmente distorcido, de modo que é o lobby pró-armamento que pode ser encarado como sendo mais hitlerista, pois como o comentarista liberal Chris Miles mostrou, quando Hitler assumiu o poder, a quantidade de armas privadas era aquela imposta pelo Tratado de Versalhes. Citando o professor Bernard Harcourt da Universidade de Chicago, sobre o Ato de Armamento alemão de 1938, que os anti-nazistas pró-armamento também citam como prova de que Hitler queria desarmar a população, “As revisões de 1938 desregularam completamente a aquisição e transferência de rifles e armas curtas, assim como munição.” Restrições que foram mantidas somente envolviam armas de fogo portáteis, que pessoas corretas poderiam portar se elas mostrassem uma boa razão para isso. Miles continua:

“O grupo de pessoas que eram privilegiadas com a aquisição do porte de armas expandiu-se. Caçadores profissionais, servidores públicos e membros do Partido Nazista não estavam mais sujeitos a restrições do porte de armas. Antes da lei de 1938, somente funcionários do governo central, dos estados e empregados daReichsbahn (Rodovia) alemã eram privilegiados. As permissões aumentaram de um para três anos. Tanto no ato de 1928 quanto no de 1938, os fabricantes de armas e comerciantes eram obrigados a manter registros com informações sobre os compradores e o número de série das armas. Estes registros deveriam ser entregues à autoridade policial para inspeção no final de cada ano.”

Foi sob o regime da autoridade aliada de ocupação que os alemães foram completamente desarmados entre 1945 e 1956.

Avanços Sociais no Terceiro Reich Suprimidos

É em relação a este ponto de vista que os “horrores do nazismo” têm sido usados para esconder e suprimir os avanços do regime em um espectro de assuntos que afetam o mundo contemporâneo. Por causa da visão dogmática de que tudo é hitlerista, algumas descobertas e avanços importantes têm sido escondidos sob uma pilha de corpos figurativa, que previne o mundo de uma análise acadêmica racional de avanços em áreas como a saúde, ecologia e sistema financeiro, ou, alternativamente, como mencionado, colocam alternativas sérias para os problemas na defensiva ao compará-las com o nazismo.

É notável que alguns avanços do Terceiro Reich foram tomados e desenvolvidos quando serviram a interesses poderosos. O exemplo mais aparente está na área de foguetes e outros armamentos avançados criados pelo Terceiro Reich, quando havia uma luta entre a União Soviética e os EUA para sequestrar “cientistas nazistas” após a guerra. Detalhes disso são incontestáveis, embora ainda estejam obscuros:

A Operação Clipe de Papel foi o nome sob o qual a inteligência americana e os serviços militares levaram cientistas embora da Alemanha durante e após os estágios finais da Segunda Guerra Mundial. O projeto era originalmente chamado de Operação Overcast e é, algumas vezes, conhecido como Projeto Paperclip.

De interesse particular foram os cientistas especializados em aerodinâmica e foguetearia (como aqueles envolvidos nos projetos da V-1 e da V-2), armas químicas, tecnologia da propulsão a jato e medicina. Estes cientistas e suas famílias foram secretamente levados aos Estados Unidos, sem a aprovação do Departamento de Estado; seus serviços para o Terceiro Reich de Hitler, sua associação com o Partido Nazista ou com a SS, assim como a classificação de muitos como criminosos de guerra ou ameaças à segurança também os desqualificavam para obter o visto de entrada. Um objetivo da operação era capturar equipamento antes dos soviéticos. O Exército americano destruiu parte do equipamento alemão para prevenir que fosse capturado pelo Exército Soviético durante seu avanço.

A maioria dos cientistas, cerca de 500, foi deslocada para o Campo de Testes de White Sands, Novo México, Forte Bliss, Texas e Huntsville, Alabama, para trabalhar em mísseis guiados e tecnologia de mísseis balísticos. Isto, por sua vez, resultou na criação da NASA e do programa de ICBMs americano.

Muito da informação sobre a Operação Clipe de Papel ainda é secreta.

Muito mais que o Paperclip foi o esforço para capturar os segredos nucleares alemães, equipamentos e pessoal (Operação Alsos). Outro projeto americano (TICOM) reuniu os especialistas alemães em criptografia.

O Departamento de Minas dos EUA empregou sete cientistas alemães especialistas em combustível sintético em uma planta da Fischer-Tropsch em Louisiana, Missouri, em 1946.

Supressão da Pesquisa contra o Câncer

A Alemanha hitlerista foi pioneira em muitos programas de saúde pública e bem-estar e no estudo da prevenção de doenças, a relação entre o cigarro e o câncer, etc. De fato, o regime estava décadas adiante em relação aos atuais estados democráticos, os quais orgulham-se de serem “progressistas”.

A mãe de Adolf Hitler morreu de câncer*. Com os lucros do livro “Minha Luta” (Mein Kampf), ele doou 100.000 marcos para a pesquisa de câncer que ele mesmo encomendou à Universidade de Jena. A campanha anti-tabagismo na Alemanha nazista foi a pioneira no mundo. Graças a ela:

· O fumo foi proibido nos escritórios da Força Aérea e do Serviço Postal;

· O fumo foi banido dos departamentos de polícia;

· Os restaurantes e cafés foram proibidos de vender cigarros a mulheres;

· Cupons de cigarro foram proibidos a mulheres grávidas;

· O fumo entre menores de 18 anos foi tornado ilegal; e

· Propagandas de cigarros foram severamente controladas.


A supressão da pesquisa de saúde alemã é uma das grandes tragédias do modo como o reductio ad Hitlerum impactou em muitas vidas. Com tal mentalidade, Peter Dunne, o único membro do Parlamento neozelandês do Partido do Futuro Unido, descreveu os lobistas para as restrições ao cigarro em 2003 como “nazistas da saúde.” Uma notícia detalhou o caso:

O líder da Coalizão Livre do Cigarro está questionando o quão o Futuro Unido é amigo da família. O líder do partido Peter Dunne atacou os simpatizantes do Livre do Cigarro como “nazistas da saúde” e fanáticos de olho gordo. Leigh Sturgiss diz que tal linguagem é inapropriada e horrorosa. Ela diz que os proponentes do controle do cigarro querem SALVAR vidas, e não destruí-las. Ela diz que Peter Dunne tem um histórico de votar contra o controle do tabagismo, que é uma contradição aos valores de seu próprio partido.

É notável que entre aqueles que foram selecionados pelos EUA na Operação Clipe de Papel estivesse o pesquisador de câncer, Dr. Kurt Blome, vice-líder da Saúde do Reich (Reichsgesundheitsführer) e Plenipotenciário para Pesquisa contra o Câncer no Conselho de Pesquisa do Reich. O Dr. Blome foi capturado e conduzido aos EUA, segundo um documento que descrevia sua relevância:

Em 1943, Blome estava estudando guerra bacteriológica, apesar de que oficialmente ele estivesse envolvido em pesquisas contra o câncer, a qual era, contudo, somente uma camuflagem. Blome também serviu como vice-ministro do Reich. Gostariam de enviar isso aos investigadores?

Notemos que o interesse no Dr. Blome não foi motivado por sua pesquisa contra o câncer mas como desenvolvedor de armas biológicas. Além disso, o relatório americano se refere à pesquisa do câncer somente incidentalmente como uma cobertura para a pesquisa nazista em guerra bacteriológica. A implicação deste relatório é que a pesquisa sobre o câncer no Reich de fato não existia; era uma farsa para esconder experimentos médicos abomináveis com o objetivo de desenvolver armas biológicas.

O Dr. Blome, como diz o relatório, foi salvo da masmorra, tendo sido acusado pelos americanos de experimentar vacinas nos prisioneiros do campo de concentração de Dachau, e em 1951, ele foi contratado pelo Corpo Químico do Exército Americano para trabalhar na guerra química.

O que isto indica é que foram os EUA que tiveram o interesse particular nas descobertas alemãs da guerra química e não tiveram nenhum interesse nas descobertas alemãs em relação ao câncer, dando a impressão que não havia nenhuma pesquisa sobre este assunto na Alemanha. Tais controvérsias servem para esconder os avanços sob o Nacional Socialismo. A erudição precisa de objetividade e isto não é possível enquanto os estudos sobre o Terceiro Reich estiverem sendo feitos a priori segundo um absolutismo moral do tipo dualidade zoroastriana, que necessariamente rotula qualquer coisa e tudo a ver com o Terceiro Reich como sendo inerentemente má, inclusive a pesquisa sobre câncer, ecologia, Autobahns(autopistas) e reforma bancária.

Assim, o que o professor Robert N. Proctor relata em seu livro, “A Guerra Nazista contra o Câncer”, somente pode ser analisada através das lentes distorcidas da propaganda de guerra, isto é, de que tal medicina social pioneira foi realizada com más intenções. O mesmo pode ser dito a respeito dos trabalhos públicos no programa Autobahn, de modo que seu objetivo era permitir uma rede de estradas capazes de mobilizar militarmente de forma rápida a Alemanha. Ocasionalmente, a verdade emerge de forma incidental dos próprios estudos ortodoxos: por exemplo, o Dr. Frederic Spotts, em seu livro “Hitler e o Poder da Estética”, escreve que as Autobahans eram admiradas no mundo inteiro como um “avanço inovador, bem sucedido e brilhante.”

Suas rodovias divididas, de extensão generosa, engenharia soberba, sensibilidade ambiental, harmonia com o interior do país, paisagens maravilhosas, entradas e saídas em trevo, viadutos e trincheiras uniformes, estações de serviço modernas, instalações de restaurantes e hotéis eram os mais avançados em relação a qualquer outro lugar e se apresentavam como um modelo para o mundo.

Enquanto a Autobahn é convencionalmente retratada como um exemplo da preparação militar da Alemanha, o Dr. Spotts teve a coragem de mostrá-la de outra maneira: “O que não é popularmente apreciado é que Hitler considerava estas autopistas acima de tudo como monumentos estéticos.” Pela primeira vez, as estradas não eram construídas sob o ponto de vista utilitário, mas sim trabalhos de arte duradouros, comparáveis às pirâmides.” O Dr. Spotts continua:

As Autobahns foram, portanto, criadas não somente para facilitar as idas e vindas de automóveis, mas também para mostrar a beleza natural e arquitetônica do país. As rotas eram escolhidas para atravessar áreas atraentes sem perturbar a harmonia das montanhas, vales e fazer com que a própria rodovia desse voltas, apesar dos custos adicionais, para oferecer uma visão particularmente impressionante. Grande esforço foi feito na construção de modo a minimizar o dano ao meio ambiente.

O modo como o Dr. Spotts se afasta de seu relato positivo dos avanços ecológicos e técnicos do Reich é revelado ao descrever a estética de Hitler como apenas “outro exemplo de autoindulgência megalomaníaca.” Assim, mesmo com este avanço notável, como tantos outros no Terceiro Reich, devemos ser lembrados que tudo no final repousa na maldade difundida de um único homem. Sendo assim, independentemente dos motivos de Hitler, tal reducionismo previne uma consideração racional e objetiva de tais avanços. Tivesse o Dr. Spotts descrito os avanços da construção de estradas nos EUA e na Inglaterra durante os anos 1930, por exemplo, o leitor ficaria com a impressão duradoura de um governo que havia alcançado muito das necessidades atuais. Entretanto, desde que um avanço notável foi feito por Hitler, ele é reduzido, mesmo pelo Dr. Spotts, a outro exemplo de megalomania de uma única pessoa má. Mas o Dr. Spotts detona um dos grandes mitos daquela era, qual seja, de que a Autobahn foi primariamente criada com objetivos militares. Falando sobre Todt, chefe do projeto, Spotts afirma que enquanto os argumentos de Todt para a Autobahn incluíam objetivos militares, “Hitler jamais se sensibilizou com essa noção. De fato, as rotas não percorriam linhas de frente, as superfícies eram muito finas para suportar tanques e por aí vai. Longe de serem úteis à Wehrmacht, as estradas, com a suas superfícies brancas brilhantes, provaram ser úteis às aeronaves inimigas ao fornecer pontos de orientação, de modo que elas tiveram que ser cobertas de tinta.”

Assim, enquanto a Autobahn, sendo um triunfo da ecologia e da engenharia, pode ser relegada ao reino da megalomania, a lição explicada pelo livro do Dr. Proctor sobre a pesquisa contra o câncer e outras pesquisas médicas no Terceiro Reich é, de acordo com o crítico do The Washington Post, “um conceito próximo do perturbador – a “banalidade do bem.”

A pesquisa do Terceiro Reich ligando o tabagismo com o câncer torna-se, portanto, banal, estúpido, trivial e outras palavras associadas com “banalidade”. Tivessem os EUA interessados em tais pesquisas, tanto quanto estavam interessados nos armamentos alemães, muitos milhões de pessoas teriam agradecido por tal pesquisa, independentemente do regime sob o qual ela foi conduzida. Entretanto, quando o público em geral ouve a respeito das pesquisas médicas alemãs é sobre os alegados abusos em prisioneiros e “racialmente inferiores”, conduzidas por indivíduos como o Dr. Joseph Mengele, que é descrito realizando alguns experimentos médicos abomináveis, apesar de ser um grande geneticista.

O que esta “banalidade do bem” – nas palavras do critico do Washington Post sobre o livro de Proctor – incluía era um esforço persistente para estabelecer uma população sadia. Naturalmente, os motivos para isto seriam criar uma “Raça Mestre” para conquistar o mundo, mas independente dos motivos, os resultados poderiam ter beneficiado a humanidade se não tivessem sido suprimidos em virtude de sua associação com o Terceiro Reich.

Proctor afirma que mais de mil dissertações de doutorados na área médica examinaram o câncer durante os doze anos do domínio nacional socialista. Pela primeira vez, registros da doença foram feitos, medidas de saúde pública preventiva foram tomadas, havia leis contra adulteração de alimentos e medicamentos, proibição do fumo e campanhas alertando contra o uso de cosméticos com componentes cancerígenos. Proctor faz a pergunta se estas e outras medidas de saúde pública resultaram na baixa incidência de câncer entre os alemães durante os anos 1950. Isto coloca um dilema moral porque significa que “um dos regimes mais assassinos na história” poderia ter sido bem sucedido em reduzir as taxas de câncer. Outras campanhas, que somente em anos recentes foram feitas nos países ocidentais, alertaram as mulheres sobre a necessidade de realizar exames de câncer anuais ou bianuais, e as mulheres foram instruídas a fazer o exame do seio, de modo que a Alemanha foi aparentemente o primeiro país a adotar essa postura. Os efeitos da poluição e do amianto foram estudados com grande ênfase. Proctor diz que a Alemanha tornou-se o líder em documentar “a conexão entre o câncer de pulmão e o amianto” como doença ocupacional. Advogados americanos trabalhistas se basearam nessas pesquisas para defender suas causas.

Com a derrota da Alemanha, Karl Astel, chefe do Instituto de Pesquisa dos Males do Tabaco, que promoveu a proibição do fumo em locais públicos – algo realizado na Nova Zelândia há poucos anos atrás – cometeu suicídio. O Líder de Saúde do Reich, Leonardo Conti, enforcou-se com sua calça enquanto estava sob detenção dos Aliados. O presidente do Departamento de Saúde do Reich, Hans Reiter, serviu muitos anos na prisão, após o que ele trabalhou em uma clínica particular, mas nunca mais voltou à vida pública. Fritz Sauckel, responsável pelo trabalho de mão de obra estrangeira, e responsável pela legislação antitabaco de Astel, foi executado em 1946. Proctor comenta: “Não é de se surpreender que muito da motivação do movimento antifumo da Alemanha foi retirada.” Mesmo assim, outros cientistas foram levados pelos EUA a trabalhar em projetos militares durante a Guerra Fria.

Mesmo hoje, o movimento antifumo alemão não superou o ativismo e a seriedade dos anos de auge entre 1939 e 1941. A pesquisa de saúde sobre o tabaco está muda, e não é difícil de imaginar que as memórias do ativismo daquela geração mais velha ajudaram a perpetuar o silêncio. A memória popular da abstinência nazista ao cigarro pode bem ter destruído o movimento antifumo alemão do pós-guerra. Parece ter moldado como lembramos a história da ciência envolvida: o mito de que cientistas americanos e ingleses foram os primeiros a mostrar as causas tabagistas do câncer de pulmão, muito conveniente – tanto para os estudiosos dos países vencedores quanto para os alemães tentando esquecer seu passado recente.

Proctor também se agarra ao método do reductio ad Hitlerum ao suprimir as iniciativas antitabagistas, um exemplo disto sendo os comentários de Peter Dunne na Nova Zelândia. Proctor diz: “Os defensores do tabagismo começaram a agir de acordo com os nazistas,” falando de “niconazistas” e “fascismo tabagista”. Proctor se refere à Philip Morris da Europa publicando propaganda ofensiva nas revistas, a qual identifica fumantes como os judeus presos nos guetos e os não-fumantes como nazistas.

Estranhamente, Proctor rejeita a ideia de que se a pesquisa médica nazista não tivesse sido suprimida vidas teriam sido salvas. Ele diz que os Aliados tiveram muito interesse na pesquisa científica nazista, mas procede com o foco rapidamente na tecnologia militar. Onde os pesquisadores médicos nazistas sequestrados após a guerra foram empregados para ajudar nas causas do câncer, os efeitos do amianto, os benefícios de uma dieta saudável? Como descrito previamente, eles estavam mortos, na prisão ou relegados à obscuridade, enquanto os cientistas aeroespaciais estavam trabalhando diligentemente nos mísseis da Guerra Fria, antes de serem denunciados após ficarem velhos.

A Oposição à Usura era intrinsecamente Nazista?

O reductio ad Hitlerum está sendo usado para suprimir e cobrir outra questão importante: aquela das alternativas ao sistema de dívida bancária. Pouco é compreendido sobre o sistema das finanças dos regimes fascistas, e é geralmente dito que a Alemanha em particular alcançou a recuperação econômica pelo gasto com armamentos. Mesmo se aceitarmos essa ideia, ela explica pouco.

Uma diferença significativa entre aquela época e os tempos atuais é que, após a Primeira Guerra Mundial, muitas pessoas compreenderam a necessidade de mudar o sistema bancário e grandes movimentos reformistas como o Crédito Social em Alberta e o Partido Trabalhista na Nova Zelândia chegaram ao poder por sua plataforma pela reforma bancária. Pelo fato dos três principais países do Eixo também emitirem crédito estatal, controlarem o sistema bancário e conduzirem suas nações à prosperidade, esta importante questão também foi submetida aoreductio as Hitlerum.

Uma vítima importante desta tática foi Stephen M. Goodson, um economista sul-africano que trabalhou muitos anos (2003 – 2012) como diretor do Banco Central Sul-Africano. Goodson é também um ardoroso defensor da reforma bancária e fundador do Partido pela Abolição da Usura e Taxa de Juros. Pior ainda, ele não se inibiu ao descrever os sistemas bancários do Japão e Alemanha nos anos 1930 como exemplos de grandes estados que alcançaram o sucesso ao romper com a agiotagem bancária. (N. do T.: Goodson também deu declarações públicas contestando o Holocausto). Goodson foi rotulado de “negador do Holocausto”, mas foi sua declaração sobre os sistemas bancários do Eixo que causaram sua demissão.

O economista chinês, executivo do Grupo de Investimentos Liu localizado em Nova York, Henry C. K. Liu, que escreveu exaustivamente sobre as políticas econômicas do Terceiro Reich, foi poupado até agora da associação com os supremacistas brancos, e é ainda capaz de escrever colunas para o The Huffington Post e o Asia Times, etc. Liu escreveu um artigo detalhado sobre a política bancária do Terceiro Reich dizendo:

De fato, a recuperação econômica alemã precedeu e mais tarde permitiu o rearmamento alemão, ao contrário da economia americana, onde os obstáculos constitucionais criados pela Corte Suprema em relação ao New Deal atrasaram a recuperação econômica até que a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial colocou a economia de mercado em passos largos. Enquanto esta observação não é uma apologia à filosofia nazista, a eficácia da política econômica alemã neste período, parte da qual foi iniciada na última fase da República de Weimar, é inegável.

Notem que Liu repudia qualquer noção de que o sucesso “inegável” da política econômica do Reich é “uma apologia à filosofia nazista”, e que ele dispensa o clichê da recuperação econômica da Alemanha como sendo resultante do rearmamento. Liu descreve os Títulos de Criação de Trabalho (WCB, sigla em ingês) emitidos pelo Reich, comentando: “Mas o princípio dos WCBs pode ser aplicado aos EUA ou à China ou qualquer outro país atualmente para combater os altos níveis de desemprego. Aliás, esta ideia de bom senso recebe forte oposição de teorias obscuras de inflação na maioria dos países.

Conclusão

O reductio ad Hitlerum é uma cria da confusão semântica que tem sido usada pelas forças convencionalmente chamadas de Esquerda, Direita e Centro. A metodologia tem sido usada para rotular os proponentes da saúde pública como “nazistas da saúde” e “niconazistas”. Os ecologistas têm sido chamados de “econazistas”. Um blog da internet chamado de “A Ralé Climática” “prova” que a ecologia é “nazista” ao mostrar vistas aéreas de uma floresta plantada durante o Terceiro Reich, na qual certas árvores foram plantadas de modo a formar uma suástica. O discurso “rios de sangue” de Enoch Powell em 1968 sobre a imigração da Nova Comunidade Britânica na Grã-Bretanha foi condenado por causa de alusões a Auschwitz, e o espectro do neonazismo ainda é evocado quando alguém questiona a imigração do Terceiro Mundo. O líder do Partido Trabalhista Tony Benn disse sobre o discurso de Powell: “A bandeira do racialismo que foi hasteada em Wolverhampton está começando a parecer com aquela que tremulava 25 anos atrás em Dachau e Belsen,” e assim permanece...

Agora, no meio de uma crise de dívida global, onde há uma luz – ainda assim pouco visível – de ressurgimento de ações alternativas à usura e à dívida, o reductio ad Hitlerum é lançado contra os defensores da reforma bancária. O método é uma perversidade social que ofusca soluções para os desafios atuais, ao negar a legitimidade de políticas que foram testadas e aprovadas.

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