terça-feira, 28 de maio de 2013

Felix Aleman - Multipolarismo e Globalismo: As duas Cosmovisões geopolíticas e seus contextos espirituais

por Felix Aleman



Durante a chamada Guerra Fria, nós vivemos em um mundo bipolar. Ao menos, é isso que a maioria das pessoas pensa. Mas quão bipolar ele realmente era? Havia duas superpotências (EUA e União Soviética), com suas respectivas áreas geopolíticas de influência (Oeste e Leste), tentando controlar os recursos mundiais e a população mundial, e competindo um com o outro.

Na realidade, esse sistema bipolar foi um experimento. O Oeste ("americano") e o Leste ("soviético") não eram (desde a morte de Stálin) realmente inimigos, mas dois sistemas trabalhando como instrumentos a serviço dos mesmos mestres. Os globalistas controlando a ambos, estavam tentando ver qual dos dois sistemas funcionava "melhor" (melhor para eles, óbvio) de modo a alcançar seu objetivo final; a total dominação mundial após a destruição de um mundo multipolar natural e de uma ordem pluricultural (de nações soberanas), baseada em comunidades orgânicas.

Sabendo disso, não é mais surpreendente ver quantos dos principais globalistas atuais (Wolfowitz, Podhoretz, etc) servindo como propagandistas de guerra para o imperialismo de Washington, são ex-comunistas do ramo trotskista.

Durante quatro décadas esses dois sistemas foram postos para trabalhar. Ambos eram internacionalistas. O comunismo marxista chama a si mesmo internacionalista, e o capitalismo financeiro, baseado no poder do dinheiro, é indubitavelmente internacional também, porque os capitalistas não conhecem fronteiras...e porque o dinheiro não tem pátria.

Os Estados em que o polvo liberal do capitalismo foi implementado, deram (e dão) aos cidadãos a ilusão da "democracia" (poder do povo), a ilusão de que eles estão realmente escolhendo seus representantes. A maioria das pessoas que vive no "Primeiro Mundo" acredita nisso até mesmo hoje, quando tudo se torna mais e mais orwelliano, e nossos políticos supostamente democráticos demonstram sua verdadeira natureza de marionetes. Mas no sistema capitalista, onde graças à usura bancária o dinheiro pode surgir a partir do nada, o poder não está nas mãos do povo, mas nas mãos daqueles que controlam o dinheiro... e o dinheiro não é democrático.

Por outro lado, em muitos países comunistas, um fenômeno bastante interessante ocorreu: o comunismo marxista ortodoxo, sendo anti-tradicional e ateísta; bem como globalista e internacionalista (possuindo a mesma natureza materialista e octópode que o capitalismo), começou a se desenvolver de maneiras diferentes em cada país, fundindo o sistema econômico socialista com o caráter de cada nação, da comunidade orgânica em que havia tomado o poder. (Isso não aconteceu nos países capitalistas, que estavam e ainda estão sob uma extrema lavagem cerebral e sob um imenso imperialismo cultural e social vindo dos EUA: com elementos subversivos tais como Hollywood, a mídia de massa, a destruição da própria língua, da própria herança, etc).

Isso era algo muito natural: o comunismo se adaptava em cada país, o comunismo era absorvido em cada país, e não o contrário, como havia sido originalmente planejado pelos globalistas, que queriam implementar um sistema ditatorial desenraizado, frio e antinatural sobre o mundo.

O racha interno do comunismo começou já com a disputa de poder entre Stálin - que era mais orientado à nação - e Trótski - que pregava um comunismo globalista sem fronteira com sua "revolução permanente"). Assim, por exemplo, na Coréia do Norte, o comunismo se fundiu com as antigas tradições coreanas com sua rica cultura, e sua idiossincrasia nacional, e o líder Kim Il Sung desenvolveu a ideologia Juche; um tipo de socialismo tipicamente coreano. Na Romênia Nicolae Ceausescu foi um grande admirador dos heróis nacionais do passado glorioso da Idade Média.

Dessa forma, o que originalmente era um sistema frio e desalmado objetivando destruir os valores tradicionais como "reacionários", uma vez implementado em um país específico era absorvido pela idiossincrasia nacional assumindo suas tradições como um modo de resistência.

Há um paralelismo interessante com o cristianismo. Muitos consideram o cristianismo um tipo antigo de comunismo, e há alguma verdade nisso. Quando o cristianismo chegou ao poder em Roma, durante os primeiros séculos eles proibiram todas as outras religiões, as pagãs, no Império e impuseram a sua com dogmatismo e violência sobre todos. Eles eram globalistas e universalistas antigos. Mas após algum tempo, o cristianismo foi absorvido nas nações, e se desenvolveu diferentemente em cada parte do mundo, algumas vezes incluindo sincretismo com a velha Tradição. Isso pode ser observado no ramo ortodoxo do cristianismo e suas igrejas nacionais: Há um Patriarca grego, o sérvio, o russo, e daí em diante. No caso russo, o Czar é o Chefe de Estado, e da Igreja, isso sendo equivalente à religião tradicional japonesa Shinto, onde o Tenno - o Imperador - era ao mesmo tempo líder nacional e religioso.

Esse mesmo fenômeno aconteceu com o Islã; há um provérbio iraniano que diz que "o Islã não conquistou a Pérsia, mas a Pérsia conquistou o Islã". O Zoroastrianismo e o Mazdeísmo tiveram um importante papel em moldar a corrente xiísta persa. E na atual República Islâmica do Irã, há um Supremo Líder (Aiatolá Khamenei, que é também líder religioso e nacional ao mesmo tempo). Também o Califa Otomano no passado recente ou o Imperador Romano no passado distante.

O fato de que o comunismo (como o cristianismo no passado) estava se desenvolvendo em cada lugar segundo suas tradições era muito perigoso para os globalistas (trotskistas tanto quanto liberais). Assim, a tendência do nacional-comunismo tinha que ser detida.

É por isso que eles decidiram suprimir o "lado oriental", pôr um fim à Guerra Fria e à bipolaridade; e usando de agora em diante apenas o sistema capitalista liberal como o único aceitável. A URSS e os países do pacto de Varsóvia foram um experimento, e eles não eram mais úteis, porque os "mestres" por trás das cenas perceberam que era o sistema capitalista que melhor servia a seus objetivos.

Esse foi o nascimento da "Nova Ordem Mundial" proclamada pelo Bush pai, esperando que com o colapso da URSS, a Rússia e as outras nações eurasianas estariam privadas de soberania nacional e seriam escravizadas pelo liberalismo. Durante a década de 90, Gorbachov e Yeltsin, toleraram e fomentaram o saque da riqueza russa pelos oligarcas e pela finança internacional. Mas com o início do novo século, a soberania nacional começou a ser restaurada pelo Presidente Putin. É por isso que ele é difamado no Ocidente, com epítetos como "autoritário", "ditador", etc.



A liberdade oferecida pelo liberalismo poderia ser sucintamente explicada como segue: Ela oferece a escolha entre coca-cola e pepsi, ou entre McDonalds e Burger King. Não é nada mais que consumismo, puro materialismo, onde o lucro é tudo que importa.

Todos os países que não queriam ser governados por esse sistema supostamente democrático, ou não queriam colaborar com ela, eram os poucos países comunistas remanescentes como Cuba e Coréia do Norte e os de Terceira Via, como a Iugoslávia, Iraque, Líbia ou Síria. Os globalistas decidiram que eles tinham que ser derrubados, um por um. Em primeiro lugar esses países deveriam ser midiaticamente demonizados (o conceito de "eixo do mal" foi popularizado nesse contexto), ameaçados e eventualmente, como último recurso, destruídos por guerras em nome da liberdade e da democracia.

No caso particular da Síria, um fato que não é tão conhecido é que antes da crise começar, o Presidente Assad planejava construir a "Estratégia dos Quatro Mares", para transformar sua nação em um centro de comércio entre o Mar Negro, o Mar Mediterrâneo, o Mar Arábico/Golfo Pérsico e o Mar Cáspio. Como um país soberano com uma moeda estável e um banco nacional não controlado pelos Rothschilds, isso poderia tornar a Síria uma intersecção geopolítica bastante poderosa. E na Líbia, aliás, Gaddafi tentou introduzir o dinar de ouro, e isso teria sido um verdadeiro golpe contra a fantasiosa economia internacional baseada no dólar.

O Retorno aos Tempos da Bipolaridade

Esses dois sistemas globalistas, usados pelos EUA e seus aliados (o assim chamado "mundo livre") por um lado e pelos soviéticos e os seus do outro; eram respectivamente, como sabemos, o capitalismo e o comunismo. Ambas essas ideologias não são opostas como muitos acreditam, mas "irmãos de sangue" vindo da mesma origem, da mesma cosmovisão materialista, que é linear e acredita que o progresso é infinito, sem perceber que os recursos naturais do mundo não são infinitos.

Para por em outras palavras: o capitalismo e o comunismo são duas faces da mesma moeda.

Voltando ao paralelismo espiritual; também é possível afirmar que o comunismo era a resposta ao capitalismo no século XIX como o cristianismo foi a resposta ao judaísmo no século I.

O judaísmo é uma religião étnica. Eles se consideram o Povo Eleito, e esse conceito se desenvolveu negativamente em alguns ramos do judaísmo, sendo utilizado como um sentimento de superioridade racista e como direito divino de governar opressivamente todos aqueles que não pertenciam a sua religião étnica, os goyim. Jesus veio para redimir os judeus dessa aberração, e por isso ele foi morto pelos fariseus, como os profetas antes dele. O sionismo é uma versão contemporânea do fariseísmo. Após isso, Paulo tentou ampliar a mensagem do judaísmo (de que há um Deus absolutista, um Criador separado da criação, que o recompensará se você o obedecer e o punirá se não o fizer) para todos os povos no Império Romano, criando ou inventando, (com os ensinamentos de Cristo) um "judaísmo para os gentios". Karl Marx pode ser visto como o São Paulo do século XIX; ensinando a necessidade da riqueza econômica para todos, e não apenas para a "elite" dos capitalistas.

A diferença entre o judaísmo e as outras religiões étnicas (pagãs) da Antiguidade, é que o judaísmo é a primeira religião (das que ainda existem hoje) que se considera a verdade absoluta, e que todos os outros caminhos espirituais estariam errados, todos os outros caminhos à Tradição seriam besteira. Ele se desenvolveu a partir do henoteísmo (acreditando que Jeová era o deus mais poderoso, mas que também existiam outros deuses de outros povos) em direção a uma submissão monoteísta ciumenta a Jeová como Deus único. Posteriormente, essa particularidade foi "herdada" também pelo cristianismo e pelo islamismo, mas apenas em certa medida. Porque como o comunismo na modernidade sócioeconômica, o cristianismo e o islamismo se adaptaram aos diferentes países pelos quais passaram, pela Europa, Oriente Médio, Ásia, África e depois Américas).

No cristianismo, duas correntes diferentes se desenvolveram na Idade Média européia: os guelfos e os guibelinos. Os primeiros apoiavam o Vaticano e o Papa incondicionalmente, sendo religiosamente muito dogmáticos e intolerantes; enquanto os guibelinos eram mais voltados para a nação, e apoiavam a multipolaridade, sob o mando de um Rei ou Imperador, que deveria se tornar um líder simbólico religioso e nacional. Há um paralelismo com o comunismo aqui também, e nós poderíamos ver Stálin como o Guibelino e Trótski como o Guelfo.

Em relação a Imperium e imperialismo, esses são dois conceitos muito diferentes e na verdade opostos. Enquanto o Imperium integra, compondo uma unidade continental de natureza telurocrática que respeita cada cultura dos diferentes povos dentro dela; o imperialismo é uma paródia mercantil moderna sem fronteiras de qualquer tipo, com a única "pátria" sendo o dinheiro; e ela não compõe ou integra, mas ao contrário, impõe e desintegra, dividindo e conquistando, por força ou ilusão, considerando a si como único sistema possível; ou a "verdade absoluta".

Atualmente, após a Guerra Fria, há apenas um imperialismo, internacional e mercantilista, que é também conhecido como globalismo, ou sionismo (farisaísmo moderno).

Esse imperialismo está se tornando mais poderoso e destrutivo a cada dia, porque as massas não percebem qual é o perigo real, e quem são os inimigos verdadeiros. A plutocracia e a usura (capitalismo) são os instrumentos desse sistema; que para ser efetivo, trabalha para idiotizar as massas (com a mídia de massa, TV, filmes hollywoodianos, etc.), e para separá-las (por exemplo sunitas vs xiitas no mundo islâmico, ou cristãos vs muçulmanos nos Balcãs; mas também homens vs mulheres em nossas sociedades ocidentais já seculares, ou filhos vs pais).

Na geopolítica, há duas correntes permanentemente combatendo uma a outra: Atlantismo ou talassocracia (representada pela Grã-Bretanha & França no passado colonial; e atualmente principalmente pelos EUA); e Continentalismo ou telurocracia; que é o conceito eurasiano, e costumava ser representado pelos Impérios Centrais no passado, e hoje em dia principalmente por uma nova Rússia em ascensão.

O atlantismo é um sistema geopolítico globalista, que através do comércio - liberalismo - deseja eventualmente impor seu sistema sobre todo o mundo - porque, como dissemos antes, crê ser a única verdade; o único sistema válido. O continentalismo, por outro lado, crê em uma cosmovisão multipolar, não em uma unipolar globalista; mas em um sistema multipolar com diferentes blocos de poder, cada um com sua própria área de influência.

Um desses blocos de poder seria a Eurásia desde as Canárias até Vladivostok. Outro, por exemplo o mundo árabe (Nasser e a ideologia Baath no Iraque e na Síria), outro uma América Latina unida (Perón e Chávez seguiam essa idéia). E também a América do Norte, porque os EUA é uma potência bioceânica e continental, que possui recursos naturais suficientes para si e não necessita pilhar os recursos (petróleo, gás...) de países soberanos estrangeiros há milhares de quilômetros de distância sob o falso pretexto da "democracia", e impor sua cosmovisão sócioeconômica (a globalista), que é considerada por seus políticos marionetes não só a mais desejável, ou mais aceitável, mas a única possível, a "verdade absoluta".

Esse é o dogmatismo secular da Kali Yuga.

O continentalismo representa autarquia, soberania plena. Autossuficiência, independência real. Para conservar as fronteiras tradicionais com a natureza, espiritualidade, família e nação. O atlantismo, ao contrário, necessita da importação-exportação para sobreviver. Assim, ele representa o mercantilismo, e está ligado ao materialismo, ao mammonismo. E este é um criadouro perigoso para a prática da especulação financeira e para a prática demoníaca da criação do dinheiro a partir do nada; que escraviza todos os povos pela usura.

O continentalismo deseja relações amistosas entre todos os povos e nações. A integração territorial e política deve ser feita por mútua aprovação, e trocas culturais são bem vindas e desejáveis; mas sem interferência em questões internas. O atlantismo, que é controlado por uma "elite" parasita de banqueiros, precisa invadir e saquear nações estrangeiras para sobreviver, porque isso está em plena consonância com sua natureza parasitária.

É importante apontar,como Parvulesco disse, que nós não devemos integrar a Rússia na União Européia, mas integrar a União Européia na Rússia (que apesar da ruína da década de 90, continua mantendo sua idiossincracia nacional quase intacta, o que não se pode dizer do Ocidente).

A idéias imperiais do geopolítico alemão Karl Haushofer, trabalhando para um eixo eurasiano Berlim-Moscou-Tóquio, devem ser estudadas, difundidas e desenvolvidas de modo a combater a tese imperialista da Esfera Angloamericana-Sionista (Atlantismo), que sempre tenta sabotar as rodas comerciais terrestres tradicionais da Eurásia e dividir os povos eurasianos colocando-os uns contra os outros em bases confessionais ou usando o assim chamado "terrorismo islâmico" (em realidade, terrorismo saudita wahhabi criado pela CIA) como Cavalo de Tróia com a criação da "Al Qaeda" como instrumento útil contra a soberania nacional e a independência, como vimos na Iugoslávia, Chechênia, Líbia ou Síria.

Para concluir: Multipolarismo e Globalismo são os únicos sistemas antagônicos reais lutando um contra o outro, e NÃO capitalismo e comunismo, que foram inventados como distração e ilusão.

Um comentário:

  1. "O imperialismo continua também a existir. E como. E onde!
    Enquanto isso, vocês podem esquecer o mapa geográfico, associado a essa expressão nos livros de Marx e Lênin e tudo sobre (fim-da-história Fukuyamática) liberdade e totalitarismo, ditadura e democracia.

    Peguem o mapa médico e vejam o seu cerébro colonizado e governado por nomes (e os métodos médicos co-relacionados!) como Parkinson, Alzheimer, Bleuler, e por aí, o seu estômago por Billroth, o seu pescoço com a glândula tireóide por Basedow, os seus músculos e seu (talvez assim chamado histérico) comportamento por Charcot e Freud e associem o que marxianos têm escrito sobre imperialismo – então ainda longe de um assim chamado mercado livre, hoje um imperialismo feito ao redor de bancos de transplantes. Um imperialismo negociando com orgãos de p. ex. crianças aqui e agora assim como tão longe com países e pessoas, como anotado nos livros marxianos."

    Tomado de: http://utopatia.blogspot.com.br/2013/05/iatro-imperialismo_22.html

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