sexta-feira, 24 de maio de 2013

Entrevista de Alain de Benoist sobre Dominique Venner

por Nicholas Gauthier




Alain de Benoist, você conhecia Dominique Venner desde 1962. Além da pena e do desgosto, você se surpreendeu com seu gesto? Apesar de ele ter faz tempo renunciado à política, este gesto é coerente com a sua vida, com sua luta política?

Me desagradam sobretudo certos comentários. "Suicídio de um ex-membro da OAS", escrevem uns; outros falam de uma "figura da extrema-direita", de um "violento opositor do matrimônio gay" ou de um "islamofóbico". Sem contar os insultos de Frigide Barjot, que revelou sua verdadeira natureza, cuspindo sobre um cadáver. Esta gente não sabe nada de Dominique Venner. Não leram nunca uma linha sua (entre outros cinquenta livros e centenas de artigos). Ignoram mesmo que, após uma juventude agitada - que ele mesmo detalhou em Le cœur rebelle (1994), que está entre suas melhores obras -, ele tinha já renunciado a toda forma de ação política faz quase meio século. Exatamente em 02 de Julho de 1967. De fato, eu estava presente quando ele comunicou sua posição. A partir daí Dominique Venner se dedicou à escrita, primeiro com livros sobre a caça e sobre armas (no assunto, era um reconhecido especialista), depois com ensaios históricos cintilantes pelo estilo e o mais das vezes competentes. Tinha fundado, depois, a Nouvelle Revue d'Histoire, publicação bimestral de alta qualidade.

O seu suicídio não me surpreendeu. Fazia tempo que sabia que Dominique Venner - baseado no exemplo dos antigos Romanos e também de Cioran, para citar somente ele - admirava a morte voluntária. A julgava a mais de acordo com a ética da Honra. Lembrava Yukio Mishima e não por acaso o seu próximo livro, que no mês que vem será publicado por Pierre-Guillaume de Roux, se chamará Un Samouraï d'Occident. Desde já se pode avaliar o caráter de testamento. Portanto, esta morte exemplar não me surpreende. Me supreendem o momento e o lugar.

Dominique Venner não tinha "fobias". Não cultivava qualquer extremismo. Era um homem atento e reservado. Com os anos, o jovem ativista da época da guerra da Argélia se transformou em um historiador meditativo. Sublinhava fortemente o quanto a história é sempre imprevisível e em aberto. Nos mostrava motivo para não ter desespero; de fato, refutava toda forma de fatalismo. Mas era acima de tudo um homem de estilo. Por isto que o que mais apreciava nas pessoas era a tenacidade. Em 2009 tinha escrito um belo ensaio sobre Ernst Jünger, explicando sua admiração pelo autor de Nos Penhascos de Mármore através de sua tenacidade. No seu universo interior não havia lugar para os cancãs, para o escárnio, para as disputas de uma política politiqueira que justamente desprezava. Por isto era respeitado. Procurava a tenacidade, o estilo, a equanimidade, a magnanimidade, a nobreza de espirito, por vezes até ao excesso. São termos cujo senso escapa a quem vê apenas os jogos televisivos.

Dominique Venner era pagão. Mas escolheu uma igreja para colocar fim aos seus dias. Uma contradição?

Penso que ele mesmo respondeu à pergunta na carta que deixou, pedindo que fosse tornada pública: "Eu escolho um local altamente simbólico, a Catedral de Notre Dame de Paris, que eu respeito e admiro: ela foi construída pelo gênio de meus ancestrais no local de cultos ainda mais antigos, reclamando nossas origens imemoriais". Leitor de Sêneca e Aristóteles, Dominique Venner admirava especialmente Homero: a Ilíada e a Odisséia eram para ele os textos fundadores de uma tradição européia na qual reconhecia sua pátria. Apenas Christine Boutin pode imaginar que ele se "converteu no último segundo"!

Politicamente esta morte espetacular será útil, como outros sacrifícios célebres, tal qual o de Jan Palach em 1969 em Praga, ou aquele mais recente do ambulante tunisiano que em parte provocou a primeira "primavera árabe"?

Dominique Venner se expressou também sobre as razões do seu gesto: "Diante de perigos imensos, sinto que devo agir até que tenha força para tanto. Acredito ser necessário me sacrificar para romper a letargia que nos oprime. Enquanto muitos homens são escravos de suas vidas, meu gesto corporifica uma ética de vontade. Eu me entrego à morte para despertar consciências adormecidas". Não se poderia ser mais claro. Mas se estaria errado ao não ver nesta morte além do contexto estreito dos debates sobre o "matrimônio para todos". Faz anos, Dominique Venner não aguentava mais ver a Europa fora da história, sem energia, esquecida de si. Dizia constantemente que a Europa estava "em letargia". Quis acordá-la, como Jan Palach, de fato, ou, em um outro período, Alain Escoffier. Assim provou sua tenacidade até o fim último, sendo fiel à sua imagem do comportamento de um homem livre. Escreveu também: "Ofereço aquilo que resta da minha vida em uma intenção de protesto e fundação". Esta palavra, "fundação", é o legado de um homem que escolheu morrer de pé.

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