terça-feira, 21 de maio de 2013

Dominique Venner - As Razões para uma Morte Voluntária

Nota do blog: No dia de hoje, 21 de maio de 2013, o historiador dissidente Dominique Venner deu fim a sua vida com um tiro na boca no altar da Catedral de Notre Dame. Seu gesto heroico e corajoso foi um último grito de desafio contra a pós-modernidade, cujos tentáculos se estendem por toda a Europa e cujo domínio se torna mais total a cada dia. 

Ao camarada Venner nossas saudações.

Presente!

por Dominique Venner



Eu estou sadio em mente e corpo, e estou repleto de amor por minha esposa e filhos. Eu amo a vida e não espero nada além, senão a perpetuação de minha raça e minha mente. Porém, no entardecer de minha vida, me deparando com imensos perigos para minha pátria francesa e europeia, eu sinto o dever de agir enquanto eu ainda tenho forças. Eu creio ser necessário me sacrificar para romper a letargia que nos empesteia. Eu entrego o que resta de vida em mim de modo a protestar e fundar. Eu escolho um local altamente simbólico, a Catedral de Notre Dame de Paris, que eu respeito e admiro: ela foi construída pelo gênio de meus ancestrais no local de cultos ainda mais antigos, reclamando nossas origens imemoriais.

Enquanto muitos homens são escravos de suas vidas, meu gesto corporifica uma ética de vontade. Eu me entrego à morte para despertar consciências adormecidas. Eu me rebelo contra o destino. Eu protesto contra venenos da alma e os desejos de indivíduos invasivos de destruir as âncoras de nossa identidade, incluindo a família, a base íntima de nossa civilização multimilenar. Enquanto eu defendo a identidade de todos os povos em seus lares, eu também me rebelo contra o crime da substituição de nosso povo.

O discurso dominante não pode deixar para trás suas ambiguidades tóxicas, e os europeus devem lidar com as consequências. Carecendo de uma religião identitária para nos ancorar, nós partilhamos de uma memória comum que volta até Homero, um repositório de todos os valores nos quais nosso futuro renascimento será fundado uma vez que rompamos com a metafísica do ilimitado, a fonte dolorosa de todos os excessos modernos.

Eu peço desculpas antecipadamente a qualquer um que venha a sofrer com a minha morte, primeiramente e mais importantemente a minha mulher, meus filhos, e meus netos, bem como a meus amigos e seguidores. Mas uma vez que a dor e o choque se dissipem, eu não duvido que eles compreenderão o significado de meu gesto e transcenderão seu pesar com orgulho. Eu espero que eles resistam juntos. Eles encontrarão em meus escritos recentes intimações e explicações de minhas ações.

3 comentários:

  1. Dominique Venner diz que respeita e admira a catedral de Notre Dame apenas por duas razões: 1/ foi construída pelos génios seus (dele) ancestrais; e 2/ foi construída (alegadamente) no sítio dos cultos antigos e pagãos do neolítico. Esta foram as duas razões invocadas por Dominique Venner para suicidar dentro de uma catedral católica. O simbolismo do Cristianismo está totalmente ausente em Dominique Venner.

    Ambas as alegações não são verdadeiras. Quem dirigiu a construção da catedral de Notre Dame foram mestres maçons que nem sequer eram franceses de origem étnica, e que foram contratados por exemplo em Itália (o estilo gótico surgiu em Itália), e outros mestres maçons eram oriundos do médio oriente. E, por outro lado, não está provado historicamente que o sítio da construção da catedral tenha sido anteriormente um sítio de culto pagão.

    Dominique Venner poderia, por exemplo, dar um tiro na cabeça em frente ao parlamento francês, ou suicidar-se em frente ao palácio presidencial do Eliseu. Mas em vez disso, e não sendo ele católico, Dominique Venner resolveu suicidar-se dentro de uma igreja católica. Este tipo de actos de uma certa “direita” — que não é direita propriamente dita porque é socialista ou colectivista, e que não é conservadora porque renega o valor do Cristianismo na edificação da civilização europeia — apenas prejudica a luta dos católicos (e dos cristãos e conservadores em geral) contra o marxismo cultural que alimenta o actual politicamente correcto.

    O acto de Dominique Venner revela que a Europa precisa de uma nova direita que respeite a história, as tradições e os costumes, e que respeite a separação do Estado em relação às religiões, mas que não seja a “direita socialista” e laicista de tipo Frente Nacional de Marie Le Pen, por um lado, e que, por outro lado, coloque em cheque a actual “direita” do PPE (Partido Popular Europeu) que mais não é do que uma extensão da esquerda radical e jacobina.

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  2. Cada um de seus pontos é falso ou irrelevante.

    Dominique Venner era pagão. O "simbolismo do Cristianismo" não precisa estar presente nele e é, inclusive, absolutamente meritório que não esteja. Não é qualquer tipo de demérito não haver "simbolismo do Cristianismo" em Venner (o que de per se, também não é verdade).

    A origem dos arquitetos construtores da Catedral de Notre Dame é, também, absolutamente irrelevante a não ser para fins esotéricos. Basta que o estilo gótico e a Catedral de Notre Dame façam parte da herança cultural européia. O aspecto conspiratório "judaico-maçônico" SE existir é de todo inconsequente para o simbolismo do ato.

    A Catedral de Notre Dame foi construída no lugar de uma Catedral Merovíngia. É sabido, porém, que como princípio geral da "geografia sagrada" a maioria das primeiras igrejas e templos cristãos foram construídos sobre locais de culto de religiões antigas, e a Catedral de Notre Dame não é exceção. Não precisa estar "historicamente comprovado" que ali era local de culto, este é simplesmente um dado factual geral. Esse é um fenômeno geral das religiões que segue razões esotéricas. Templos não são construídos levando-se em consideração razões materiais, mas em pontos muito específicos de uma paisagem. Mas discutir "geografia sagrada" não é o escopo aqui.

    O parlamento francês ou o palácio presidencial do Eliseu seriam palcos inferiores à Catedral de Notre Dame para um auto-sacrifício homérico e apoteótico do tipo executado por Venner.

    Não existe nenhum outro tipo de direita autêntica que não seja a expressa por homens como Venner, Faye, De Benoist, Bouchet, e também não há qualquer outro conservadorismo que não seja esse. Tudo o mais é liberalismo vazio que só é de "direita" ou "conservador" no discurso, como a "direita conservadora" de um tipo como Olavo de Carvalho ou outros "próceres" do liberalismo pseudo-conservador e sionista.

    O Cristianismo não é imprescindível para qualquer autêntico conservadorismo. Não obstante, pagãos como Venner e De Benoist sempre reconheceram o papel fundamental do Cristianismo na edificação da civilização européia. Ora, se isso não fosse verdade Venner não teria se sacrificado em uma catedral e teria escolhido como você, suposto "direitista" e suposto "conservador" (mas apenas um papagaio), sugere o parlamento francês ou o palácio presidencial do Eliseu.

    A luta contra o marxismo cultural e contra o politicamente correto não é uma luta dos "católicos". Em verdade, a contribuição católica para este luta é mínima. Entre os grandes nomes do Tradicionalismo e da Revolução Conservadora veremos pouquíssimos católicos. E a verdade, é que este tipo de auto-sacrifício tem como efeito exatamente o oposto do que dizes. A divulgação que tal ato teve na mídia e a reação das esquerdas na França indicam exatamente o pavor que o inimigo tem da virilidade expressa como ação.

    Nenhuma consequência negativa advirá de tal ato. Ao contrário, desse auto-sacrifício apenas bons frutos poderão nascer.

    O ato de Dominique Venner nos convoca a armarmos nossos Espíritos para a luta que será cruenta. Como intelectual e homem de ação, Venner é exatamente um dos mais perfeitos exemplos recentes do que deve ser o tradicionalista e o conservador revolucionário. Não há, hoje, homens mais conhecedores e respeitadores da história, das tradições e dos costumes, como Venner e os outros representantes da Nova Direita, que hoje já conta com muitos nomes na Europa e fora dela.

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  3. Sua rejeição da Frente Nacional de Marine Le Pen, o melhor grêmio partidário da França hoje só indica o quanto suas preocupações são do tipo do católico eunuco encastelado em torres de marfim, sempre reclamando pela ausência dos grupos ideais, das iniciativas ideais, mas não liderando nada ele mesmo. Não é nada além de uma perfeita expressão da total ausência de vitalidade do catolicismo, que o situa completamente do lado de fora da História. Incapaz de nela participar ou de influir.

    A Frente Nacional de Marine Le Pen, por realizar a união mística entre "esquerda do trabalho e direita dos valores" representa exatamente o tipo ideal de partido nacionalista para a Europa (como o Jobbik ou a CasaPound, por exemplo) pós-moderna, absolutamente distante de agremiações liberais e sionistas como a English Defence League. É o único tipo de partido que herda o caráter revolucionário e político transcendental dos movimentos de Terceira Via impulsionando-os rumo à Quarta Via. Esse é o futuro. Ou é isso ou a morte do Ocidente.

    A escolha está à disposição, mas como de costume, os católicos ficarão apenas observando e esperando, e serão varridos junto com a poeira da História.

    Menos Olavo de Carvalho, mais Evola, Nietzsche, Jünger, Heidegger, Schmitt, De Benoist, Mishima, Dugin, Venner, Mutti, Bouchet, Soral, Céline e similares, por favor.

    Ps.: O estilo gótico é de origem francesa mesmo.

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