sexta-feira, 12 de abril de 2013

Alberto Buela - A América Colonial: Alguns Aspectos Econômicos

por Alberto Buela



Por motivo de uma longa entrevista que me fez o bom politólogo Arnaud Imatz para uma revista parisiense de história e como algumas de minhas respostas me pareceram incompletas no aspecto econômico sobre os três séculos de dominação espanhola sobre a América, é que redigimos o seguinte texto.

É sabido que Cristóvão Colombo chegou às praias de Santo Domingo em 1492 e que por vinte anos a exploração da América e dos americanos foi cruel e rude. É o famoso sermão de 21 de dezembro de 1511 do frei Antônio de Montesinos onde acusa às autoridades espanholas: "que todos estáis em pecado mortal e nele viveis e morreis, pela crueldade e tirania que usais com essas inocentes gentes", que chama a atenção do rei e do governo espanhol sobre a situação de exploração dos índios americanos, transgredindo as ordens expressas de proteção à população nativa dadas por Isabel a Católica.

Os próximos quarenta anos, até as juntas de Valladolid em 1550/51, a Espanha realiza o maior esforço já realizado por um povo na história da humanidade: descobre, conquista, coloniza e organiza política e economicamente um território de 20 milhões de quilômetros quadrados.

Tomamos a data das juntas de Valladolid de maneira emblemática porque são a culminação de um processo de discussão sobre os justos títulos que tem a Espanha sobre a América e as condições dos índios. Em realidade entraram em discussão os projetos ou modelos do que fazer com a América. E assim Ginés de Sepúlveda vai sustentar que o índio não é intrinsecamente mau senão que é sua cultura o que o perverte. A conquista encontra um fundamento moral. Em contraposição Las Casas vai sustentar que os costumes dos indígenas não são mais cruéis que os do passado da Espanha. Aparece também o projeto de Pedro de Gante e suas escolas e de Vasco de Quiroga e suas cidades-hospitais, que consideram a América e a seus índios uma espécie de paraíso terreno. Finalmente temos o projeto para a América de Francisco de Vitória e sua escola de Salamanca com teólogos do nível de Domingo Soto e Melchor Cano que buscam uma organização jurídica da América e inauguram o direito internacional público.

Essa última é a postura adotada por Carlos V, que seja dito, foi o único imperador no munto que se propôs de modo sério e detido o tema de seus justos títulos. Tão é assim que estando em Barcelona esteve a ponto de renunciar à América.

Segundo o professor colombiano Luis Corsi Otálora, especialista me história da economia, a América foi para a Espanha uma sangria econômica. E mais além dos investimentos pontualmente computados e estabelecidos pelo professor Otálora, vemos como os fatos históricos assim nos indicam.

A Espanha utilizou na América o sistema de monopólio comercial, isto é, se apresentou como dono exclusivo do comércio com a América, porém isso nunca representou a dependência comercial da América em relação à Espanha. E este foi o grande paradoxo econômico americano.

Porque a América foi, desde pouco menos que o princípio da conquista e colonização, autárquica. Bastou-se a si mesma para a produção de alimentos e indústrias.

Durante o reinado de Felipe II veio abaixo o poderio marítimo espanhol com o desastre da Armada Invencível em 1588. Se produz um segundo paradoxo. Que Espanha, a potência mundial da época, ficou sem marinha para defender suas colônias e ao mesmo tempo marca o começo do poderio inglês como "os espumadores de mares".

Essa falta de poder marítimo espanhol originou a criação do regime de "galeões", enormes navios que muito custodiados partiam, geralmente, de um porto único (Santo Domingo no Atlântico ou Manila no Pacífico) a um porto único, geralmente, Cádiz.

Foi a forma que encontraram as autoridades espanholas de defender o tráfego comercial entre as colônias e a metrópole do açoite dos piratas ingleses, holandeses e dinamarqueses que infectavam os mares.

Essa redução do comércio hispano-americano a uma frota anual de galeões reduziu sem querer a dependência americana em relação a Espanha.

À dificuldade do transporte se uniu outra causa que foi a massiva importação de ouro americano que produziu no mercado espanhol um aumento desmesurado do valor das mercadorias, porém como o ouro ficava em poucas mãos, a fome e a pobreza se generalizaram na própria Espanha.

Não obstante, os economistas espanhóis da época pensaram que a subida de preço das mercadorias se devia à saída de produtos da Espanha para a América, com o que limitaram a exportação ao indispensável. Começa a América a se auto-abastecer para satisfazer as necessidades do mercado interno com a multiplicação de indústrias.

Como afirmou o estudioso Alfonso López Michelsen, que chegou a ser presidente da Colômbia: "A paz, a cultura e o progresso de nosso continente durante os séculos XVI, XVII e XVIII foram o fruto de um intervencionismo de Estado anti-individualista em toda a acepção do vocábulo".

O Imperialismo Inglês e a Independência Americana

Até meados do século XVIII os produtos americanos competiam com os fabricados na Inglaterra, porém com o surgimento da Revolução Industrial (a aplicação da máquina a vapor na elaboração de mercadorias, fiação e tecidos, acima de tudo) fez com que se produzisse mais, e por menor custo, com o que a única coisa que se necessitava era encontrar mercados de consumo.

Em 1783 a Inglaterra reconhece como Estado independente aos EUA que fixa tarifas aduaneiras protecionistas para suas indústrias, razão pela qual em relação à América só resta para a Inglaterra a América Ibérica como potencial mercado de consumo para a colocação de seus produtos.

Desde o início do século XVII vinha buscando a penetração ou o desmembramento do império espanhol na América desde um ponto exclusivamente militar porém suas ações, em geral, foram rechaçadas. O fracasso mais retumbante se produziu com a invasão por Cartagena das Índias (Colômbia) em 1741 quando o almirante Vernon com uma formidável armada de 186 bascos (sessenta a mais que a Armada Invencível), 2000 canhões e 24.600 combatentes, foi derrotado por Blas de Lezo com 6 barcos e 3600 homens no forte de San Felipe. Os ingleses perderam 10.000 homens e 1500 canhões. Tiveram 7500 feridos. Uma vintena de barcos ficaram inutilizados e muitos foram incendiados por carecerem de tripulação.

Em 1805 se produz a derrota naval franco-espanhola de Trafalgar que deixa os mares nas mãos dos ingleses. Em 1806 e 1807 tentam a conquista militar de Buenos Aires porém uma vez mais fracassam. Em 1807 assume como ministro de guerra britânico Robert Stewarts que afirma: "Há que se aproximar como mercadores e não como inimigos".

Por motivo da guerra de Independência da Espanha contra os franceses se firma em 1809 o Tratado Apodaca-Canning que busca o apoio militar inglês e, em troca, concede a estes facilidades para seu comércio com a América.

Em julho de 1809 se enche o porto de Buenos Aires de buques ingleses cheios de mercadorias e o Vice-Rei Cisneros e Mariano Moreno (mentor da independência argentina) em representação dos fazendeiros, abrem o porto americano ao livre-comércio com a Inglaterra.

As consequências são a destruição das oficinas e indústrias locais, o empobrecimento paulatino da população, a declaração de uma Independência fictícia, as intermináveis guerras civis. Em definitiva, o enfeudamento da América Espanhola ao imperialismo inglês.


2 comentários:

  1. o eixo iberia-partes mais ricas da america entre o rio doce e a florida/carolinas, virginia e cia dominavam o atlantico centro-ocidental, central e cia..o eixo rotshilds banqueiros judeus-mercenarios da marinha inglesa a la lord cochrane golpearam essa grandiosa civilização e poderio geopolitico mor do hemisferio em pouco tempo jogando vastas areas do continente antes prosperas na lata de lixo da historia mesmo depois de tantos seculos seguidos de grandeza..e ha tempos se ve os resultados de tamanho decaimento por todos os lados reflectindo-se na propria decadencia do hemisferio e do proprio mundo

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  2. essa outrora poderosa civilização ibero-meso-americana (latitudes centrais entre ne oriental sulamericano e florida) que por seculos seguidos foi o poder mor do hemisferio e um dos poderes mores do mundo sempre despertou a inveja profunda dos judeus, ingleses e de outras regiões originalmente inferiores das americas de latitude menos baixa que auxiliaram plenamente aos golpistas mores

    so que esse golpe acabou empurrando a europa pro atoleiro do indico que a jogou nas duas guerras que a destruiram abrindo espaço as kgb´s da vida nos eua implantando o mc e destruindo tudo o que havia restado do hemisferio e do proprio mundo..parabens aos golpistas por terem destruido pra sempre tão vastas areas

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