quarta-feira, 6 de março de 2013

Rebelião Contra o Mundialismo Moderno

por Carlo Terracciano



Atualidade Revolucionária da obra de Julius Evola na Era da Globalização

"...E ainda que não se verifique a catástrofe temida por alguns em relação ao uso das armas atômicas, ao se cumprir tal destino, toda essa civilização de titãs, de metrópoles de aço, cristal e cimento, de massas pululantes, de álgebras e máquinas que encadeiam as forças da matéria, dos dominadores dos céus e dos oceanos, aparecerá como um mundo que oscila de sua órbita para se perder definitivamente nos espaços, onde já não veja mais nenhuma luz, fora daquela que produz a aceleração de sua própria caducidade..."


"...Somente poderá salvar o Ocidente um retorno ao espírito Tradicional em uma NOVA CONSCIÊNCIA UNITÁRIA EUROPÉIA..."


(Julius Evola, "Revolta Contra o Mundo Moderno")

"...Também sobre o plano da ação pode se pôr em evidência o lado positivo da superação da idéia de Pátria, seja como mito do período romântico burguês, seja como fato naturalista quase irrelevante frente a uma unidade de tipo diverso: ao ser de uma mesma pátria ou terra, se contrapõe então o ser ou não ser por uma mesma Causa..."

(Julius Evola, "Cavalgar o Tigre")

"Conheço meu destino. Um dia se pronunciará meu nome como recordando algo enorme, uma crise como nunca houve tal na Terra, o mais formidável lapso de consciência, uma declaração de guerra a tudo aquilo que até então era acreditado e santificado. É a hora em que o conceito de política entra em sua plena fase revolucionária, e todas as formações da velha sociedade saltarão pelos ares, porque todas repousam sobre a mentira: faremos uma guerra como nunca a viu o mundo. DEPOIS DE MIM COMEÇARÁ SOBRE A TERRA A GRANDE POLÍTICA".

(Friedrich Nietzsche, "Ecce Homo")

"Revolta Contra o Mundo Moderno", a obra fundamental de Julius Evola, viu sua primeira edição italiana em 1934, e ao ano seguinte já foi publicada na Alemanha Nacional-Socialista. É um texto revolucionário que representou, para homens de lugares distantes e de distintas gerações, uma verdadeira e própria "fulminação", uma mudança radical de perspectivas e expectativas, de "Visão do Mundo" desde a época da "decadência do Ocidente" até o fim do ciclo epocal, o "Kali-Yuga" da tradição hindu, a era do "Ragna-Rökkr" ou "Obscurecimento dos Deuses" das sagas nórdicas, "a Idade do Ferro" da Teogonia dos gregos.

Os Anos Fatais

Um ano importante, 1934, metade de um decênio que representou uma virada nos destinos da Europa e do planeta inteiro.

Na Alemanha, Hitler, recém-nomeado Chanceler do Reich, se apressa a gestar as bases de uma renovada potência alemã centro-européia, disposta a conseguir esse "Lebensraum" necessário, ainda ao custo de incendiar de novo o continente, essa Europa que todavia representava, geopoliticamente falando, o motor da política mundial.

Aqui residiam todavia os centros políticos, militares, econômicos e intelectuais de pequenas nações que possuíam grandiosos impérios coloniais: Grã-Bretanha, como sempre mais voltada para os mares abertos do que para os espaços continentais; França, que formava em suas próprias escolas e universidades às futuras elites revolucionárias de Ásia e África, aquelas que, já em meados do século XX, chefiarão as lutas de liberação nacional em seus respectivos países precisamente em nome da "Libertè" e da "Egalitè" (para a "Fraternitè" sempre haveria tempo...), dos "Princípios Imortais" que tornaram potente Paris ante os olhos do mundo. Itália, por sua parte, sob o signo do fascio romano, buscava seu espaço na geopolítica marítima, à busca de um império unitário mediterrâneo-africano que lhe abrisse as portas do Oceano Índico e das grandes rotas comerciais e políticas.

No leste, o "Homem de Aço", Stálin, liquidava, expurgo após expurgo, os resíduos cosmopolitas de uma revolução trotskista que havia tentado utilizar o Império Russo como trampolim do marxismo mundial, transformando, ao contrário, o bolchevismo na bandeira do patriotismo e do expansionismo político e militar da Rússia Soviética na Eurásia e outros lugares. Com aço e sangue, o Paizinho da Santa Rússia Vermelha dava à luz as bases da industrialização e da modernização de um império elevado ao nível de co-potência mundial, capaz de disputar o mundo inteiro durante meio século ao vencedor final.

No Extremo Oriente era o Império Japonês quem elevava a bandeira solar em nome da unidade asiática anti-ocidental, também em antítese com o gigante chinês, gravemente enfermo por guerras intestinas e ocupações estrangeiras de grandes porções do território nacional, enquanto Mao, acossado, empreendia uma Longa Marcha buscando refúgio...

Porém eis aqui que, protegida pela largura dos dois maiores oceanos do globo, a jovem nação americana observava e aguardava, e ao final será ela quem imporá ao planeta inteiro o domínio de sua própria potência militar e política, da tecnologia, da própria moeda, da língua inglesa, do "way of life" americano, enfim, do controle midiático sobre os instrumentos de comunicação de massas; em uma só palavra condensada: GLOBALIZAÇÃO.

América, o mito americano do progresso tecnológico e da eficiência fordista, representava e representa a coroação daquele processo de modernização contra o qual Julius Evola havia escrito o texto mais completo e exaustivo desde o ponto de vista da visão do mundo Tradicional.

Já no prólogo, o autor indicava que o conceito "modernização" devia ser entendido não somente em seu sentido "técnico-científico", senão antes de tudo como uma visão "ideal-típica" do real, da História e da vida. Escrevia Julius Evola:

"Mundo moderno e mundo tradicional são aqui considerados como dois tipos universais, duas categorias apriorísticas da Civilização".

Com essa afirmação, por inciso, se queria decapitar de um só golpe toda a polêmica sobre as relações entre homem e máquina, entre ser homem da Tradição e usar a tecnologia mais avançada.

Com a implosão da URSS, último anel de uma cadeia plurissecular, não só se despejava o campo para uma ideologia concorrente com suas pretensões de universalismo e cientificismo, senão que também:

"Se afirmava uma nova filosofia da História: a idéia de que o caminho da humanidade tinha um sentido. A este sentido lhe foi dado o nome de globalização".

Determinismo e Globalização

Essa idéia de um FATALISMO MONOCÊNTRICO E UNIDIRECIONAL do destino de todos os povos, em marcha (segundo a ordem indicada de seus vários níveis de "progresso") em direção a uma única meta de "redenção, que instaure o paraíso na Terra", não é certamente nova. Estamos diante da enésima reproposição da concepção bíblica linear-progressista de uma história entendida unitariamente, obviamente sobre o modelo do Ocidente.

Em suas linhas gerais, essa idéia é parte daquele criacionismo que se manifesta na perfeição de um Edén originário, no qual o Homem, que é a criatura por antonomasia, passando por uma Queda (no pecado original, na divisão do trabalho, na ruptura do Pacto com Deus, etc...), e através de uma redenção (Cristo, Marx, o Messias...), acede de novo à perfeição, mediante o trâmite de uma catarse purificadora (do Holocausto, da Luta de Classes, do Juízo Universal...).

Essa ideologia de marca judaico-cristã encontrou, laicizada, na América sua terra de máximo enraizamento, se transformando a infraestrutura ideológica portadora, o instrumento propagandista indiscutido e indiscutível para a afirmação do imperialismo capitalista, do expansionismo econômico e político dos EUA, seguindo as diretrizes delineadas da Geopolítica pela maior potência talassocrática que jamais apareceu sobre o orbe terráqueo. O "Destino Manifesto" logrou que os americanos não duvidem nem por um instante serem os porta-vozes e os executores da Vontade de Deus na Terra.

Quem se opõe a eles se opõe ao próprio Deus, e é então mais que um criminoso, é o Mal personificado, ou no mínimo seu instrumento no mundo, em contraste com os "predestinados" do Segundo Israel: os EUA. Acusando uma vez e outra aos inimigos demonizados da vez, Hitler ou Stalin, Mao ou Khomeini, Saddam Hussein ou Milosevic, nazi-fascismo, comunismo ou islamismo, de querer "conquistar o mundo", as elites econômicas, políticas e intelectuais estadounidenses logram precisamente a justificativa daquilo que dizem combater...CONQUISTAR O MUNDO.

Crer que a Globalização seja uma NECESSIDADE INELUDÍVEL da História, um processo natural e automático impessoal e autogerado no caminho do Progresso, não só é a aceitação acrítica de um falso reflexo ideológico, também representa uma derrota ideológica determinada pela assunção acrítica da visão do mundo do adversário.

Quem dá por garantidos os axiomas que pertencem ao outro, ainda quando se apresentem laicizados e historicizados, já está preso antes de começar a lutar, porque realmente pertence ao outro. Se implantam-se mentalmente os axiomas ideológicos do inimigo contra o que se quer combater, a batalha está perdida de antemão; e o primeiro desses axiomas é a utopia igualitária e absolutamente niveladora, exatamente funcional aos projetos de globalização total do Capitalismo, no término de seu processo expansivo.

Processo degenerativo que hoje em dia se identifica com a destruição das economias subalternas, dos recursos energéticos e com o ecossistema em seu conjunto: etnocídio é igual a genocídio, tout court.

O mito MOBILIZANTE do "Progresso" indefinido e necessário, idéia-força maior na fase da secularização e laicização do Pensamento Único, radicado no biblismo particular de raiz protestante-calvinista, nesses inícios do Terceiro Milênio se transformou em seu contrário, mas nunca em seu "oposto".



O "Progresso" que Mata

Biotecnologia, clonagem, mutações genéticas de animais e vegetais, manipulações do DNA com a desculpa de melhorar e prolongar a vida, desastres climáticos e ambientais, desaparecimento de espécies animais e de culturas humanas diferenciadas, etc... estão convencendo cada vez a mais pessoas que o chamado "progresso", imposto pelo Ocidente ao resto do mundo, se revelou em realidade na perspectiva de uma catástrofe descontrolada e cada vez mais incontrolável. Não é um progresso portanto, senão um regresso, que tem determinado uma perversa desintegração de todo tecido social e comunitário, um câncer devastador que calcifica toda estrutura orgânica da sociedade até nos lugares mais recônditos do planeta, até que uma autofagocitação da espécie humana se torne no que tem sido definido como a "Sexta Extinção", após as cinco precedentes que as espécies que lhe precederam no domínio da Terra.

O modernismo, o progresso técnico, o maquinismo, podem ser vistos em perspectiva como os elementos destrutivos do planeta; os cientistas, cada vez mais incontroláveis, se converteram em uma casta intocável de aprendizes de feiticeiros e agentes da destruição: "Se isso é o progresso, queremos voltar ao passado", disse o chefe da tribo dos Masai ao contemplar os efeitos da implacável seca e a desertificação que arrasa a África, causados pelas mudanças climáticas.

O jornalista e escritor Massimo Fini comparou o mundo globalizado com um trem em marcha, carregado de explosivos, que aumenta exponencialmente sua velocidade, sem luzes em uma noite de névoa, destinado fatalmente a descarrilar e fazer perecer a seus ocupantes, a extinguir a Terra mesma e todas as formas de vida que abriga. E os maquinistas responsáveis do futuro desastre preparam as armas para se defenderem da reação dos povos, pensando ingenuamente que a suposta inexpugnabilidade da fortaleza continental norteamericano poderá preservá-los do desastre.

A tão lenta e confusa falta de consciência dos perigos da globalização não corresponde da outra parte um claro conhecimento das causas, próximas e remotas, do fenômeno e de seus agentes; nem muito menos um projeto realista de resistência e reconquista.

No máximo se está contra os efeitos da globalização, mas ninguém se opõe a suas verdadeiras causas.

Ao contrário, por parte das milhares de realidades genericamente etiquetadas como "antiglobais" (porta-vozes dos interesses e exigências mais dispares, desconectadas e conflituosas entre si), não se propõe senão uma "globalização das bases", que contemple a melhora do nível de vida da maioria pobre do planeta, preservando contemporaneamente o habitat, que salve as culturas que são a riqueza do mundo mas abatendo ao tempo os confins e levando até sua culminação o processo de eliminação das diferenças nacionais.

Tudo e o contrário de tudo: definição aritmética do Nada.

O Rosto Inumano da Globalização

Uma "globalização de rosto humano" é um absurdo que se contradiz em sua própria formulação de base; a enésima formulação de um reformismo interno do Sistema Global que não quer perpetuar as injustiças, mas que despreza a instintiva rebelião autodefensiva dos povos como veículo cego.

A Banca, as instituições financeiras, os lobbies industriais e os supergovernos mundiais só se demonstram "humanos" com o que vem coincidir com seus interesses.

Um só exemplo: a anulação da dívida é certamente uma causa justíssima, um ato mínimo reparador dos países depredadores pelas riquezas que subtraíram durante decênios.

O débito total das nações em vias de... "subdesenvolvimento" superou com largueza a astronômica cifra de 2.500 milhões de dólares, mas...isso não é um "dom humanitário" dos governos senão uma necessidade vital da Banca Mundial que determina as políticas internas e externas. O crédito em verdade, o sabe a Banca, é inexigível, ainda que só seja em seus juros acumulados, dadas as condições desastrosas das economias ao Sul do Mundo.

Uma declaração geral de quebra da maioria dos países da Terra provocaria o pânico dos mercados e poderia determinar a queda de todo o sistema financeiro, acelerando a irresistível decadência do capitalismo, cada vez mais frágil quanto mais enorme e global.

O perdão "humanitário" da dívida não tem outro fim que evitar cenários apocalípticos para a Alta Finança Mundial, e sua contrapartida é a aceitação por parte dos estados devedores de vínculos ulteriores, também políticos, e o compromisso de abater toda defesa contra a liberalização dos mercados, que é a causa primeira que determinou sua miséria e suas dívidas.

É necessário recordar que Ceaucescu foi abandonado a sua sorte na Romênia uma semana depois de ter saldado até o último centavo da dívida externa romena. O FMI, a Banca Mundial, os EUA e os países ricos não podem permitir a nenhum Estado alcançar sua própria independência financeira, a nova forma de escravidão do capitalismo nos séculos XX e XXI.

A utopia da igualdade mundial no bem-estar e na bonança, própria dos que pretendem a globalização por baixo, não está só em sintonia com os interesses das multinacionais em seu expandir o mercado em vertical, em profundidade, senão que também determinaria uma nivelação cultural e política total, junto à destruição final do ecossistema.

Deve ficar bem claro para o Norte do mundo que uma redistribuição mais justa de bens e serviços no mundo para somente através de um processo revolucionário, local e geral, que derrube os parâmetros culturais e econômicos de referência também nos países ricos; revolução que terá de renunciar à "riqueza" em termos consumistas para dar fórmula a modos mais "espartanos" no viver, mas também mais livres dos potentados mundiais, sob a base da renovação das relações harmônicas com a natureza desde as próprias comunidades de pertença.

A "cura" proposta pelos "antiglobais" comumente entendidos acabará...matando o paciente. A astúcia de um sistema global que proclama a melhora das condições de vida das classes e dos povos é reduzi-los todos ao comum de produtores-consumidores do sistema capitalista global, para alargar assim o mercado único dos produtos estandarizados, não só no sentido horizontal e geográfico, senão também vertical interclassista, aumentando em seus mínimos aceitáveis para o próprio Sistema o crédito e a disponibilidade monetária para a aquisição de novos bens e serviços.

Em termos marxistas: diminuir a "pauperização absoluta" é um imperativo para aumentar a expansão do mercado, e para isso há que alargar a "pauperização relativa".

Ou em termos informáticos: a "Exclusão Digital" dos inputs tecnológicos e informáticos permitirá aos estratos sociais e populares o acesso ou não à realidade virtual e ao telemercado.

Os antiglobalizadores da "esquerda" moderada (para continuar com certas definições decimonônicas já há tempo superadas), reciclados do internacionalismo proletário aos liberalistas de mercado, estão de acordo em querer e/ou aceitar (que é o mesmo desde o lado prático) a globalização.

Porque o que propõem é só uma GLOBALIZAÇÃO DE SINAL CONTRÁRIO, e não o CONTRÁRIO DA GLOBALIZAÇÃO.

Em termos políticos são os reformistas internos do Sistema Global e não os revolucionários a ele opostos.



Mundialismo e Globalização

A primeira batalha do combate é a terminológica, porque é aí onde se assumem os valores substanciais na escolha de uma contraposição realmente antagonista à Nova Ordem Mundial.

A globalização, longe de ser uma "necessidade fatal", uma etapa irreversível do "caminho do progresso", não é senão o efeito de uma causa, ou se quer menos genericamente determinista, o instrumento de uma estratégia mundial conduzida, CONSCIENTE E VOLUNTARIAMENTE durante decênios quando não por séculos.

E se deve-se falar de determinismo, é sobre um plano metapolítico e portanto metafísico onde se deve por atenção, como assinalaremos quando caiba falar da concepção Cíclica da História.

A globalização dos mercados não se poderia realizar sem uma obra preventiva preparatória política e cultural, imposta pelo uso das armas e das invasões militares: no passado se deram duas guerras "mundiais" e dezenas de dezenas de guerras locais, golpes de estado, estragos e genocídios, que terminaram por realizar o "One World" americanocêntrico.

Nós definimos já a este processo de domínio planetário, desde seus inícios com o nome de MUNDIALISMO.

Uma das mais completas explicações desse termo é a que oferece Giuseppe Santoro em sua obra "Domínio Global - Livre-mercado e Globalização", volume de uma centena de páginas que deveria ser o "livro vermelho" de todos os verdadeiros revolucionários antimundialistas.

Escreve Santoro:

"O Mundialismo, em síntese, é uma ideologia (e uma práxis cultural, social e política) universalista promovida por instituições internacionais político-militares (principalmente a ONU e a OTAN), por consórcios privados (Council of Foreign Relations, Trilateral, Bilderberg, maçonaria, etc.), associações religiosas (o "capítulo" vaticano do Opus Dei, o Conselho Mundial Judaico, as numerosas seitas protestantes...) e por uma complexa e extremamente ampla rede de lobbies e organizações internacionais de "pressão" político-sócio-cultural-midiática (agências de informação, indústria cinematográfica, etc.), cuja base tática principal se localiza no território dos Estados Unidos".

E segue:

"O objetivo do mundialismo é a criação de um governo ou administração única (a Nova Ordem Mundial), de uma única disposição política institucional e social (o liberalismo), um único sistema de valores (o individualismo igualitário da doutrina dos "Direitos Humanos") e um único conjunto de costumes e estilo de vida (o consumismo) estendidos a toda a Terra sobre o domínio absoluto de todas as forças políticas, econômicas e culturais que o encarnam: as elites da finança mundial".

Santoro é também autor de "O Mito do Livre-Mercado", onde aprofunda no estudo das "classes econômicas".

É evidente que o escrito conclui em que o Mundialismo não é um mecanismo anônimo, sem cabeça, sem direção nem motor, que possa se autorreproduzir metastaticamente, senão um fato objetivo produto da intervenção de idéias de uns poucos homens e umas bem identificadas instituições, que em conjunto são objeto e não sujeito do próprio processo globalizador. Que não o creia assim raciocina em termos de um fervente determinismo mecanicista que não é senão outro dos devastadores efeitos da mais ampla falsificação histórico-ideológica dos séculos: o Iluminismo, matriz do liberalismo e do marxismo, filtrados pelos hegelianismos de "direita" e de "esquerda".

A Raça dos Amos

Do resto, daremos um só exemplo, também em termos de crédito; poucos são os supercapitalistas que possuem fortunas em muito superiores a múltiplos Estados: os americanos Bill Gates, Larry Ellison, Warren Buffet e Paul Allen são proprietários de fortunas que equivalem à das 42 nações mais pobres do planeta, e que abarcam uma população de 600 milhões de almas, 1/6 dos habitantes do planeta.

Os "decision makers" da política mundial, possuidores de todos os sistemas bancários, de completos setores industriais e comerciais, das fontes energéticas e estratégicas, são os que sugerem mais ou menos de forma soterrada a política dos governos e das instituições internacionais. Sucintamente podem se agrupar em 13 clãs familiares. Em ordem alfabética: Astor, Bundy, Collins, Dupont, Freeman, Kennedy, Li, Onassis, Rockfeller, Rothschild, Russel, Van Duyn e Windsor.

A "raça mundialista dos amos" habita em redutos exclusivos, frequentados só por seus próprios iguais, salvo quando deve condescender a ouvir os "hosannas" populares; se cruzam endogamicamente entre si e decidem por todos. A raça dos amos não tem pátria, só passaportes, um para cada canto que visitam. Sua pátria é o mundo.

São exibidores do luxo, cosmopolitas por vocação e interesse, antigos párias que, na época da queda das castas, se elevaram aos vértices da pirâmide política e social. São os anfitriões das mansões onde se celebram as reuniões do Bilderberg, da Trilateral, do CFR. Alguns tem guiado diretamente Estados e governos, como os Kennedy e os Windsor. Para eles tudo é permitido, desde as guerras e as crises econômicas e financeiras provocadas, até os mais prosaicos homicídios (quem recorda o caso Palme?).

Para eles, a reserva, a mentira e o segredo são os instrumentos absolutamente indispensáveis de domínio.

Falar da necessidade "objetiva" e amorfa do processo de globalização é outro de seus melhores instrumentos para esconder a causa, manifestando só o efeito. Na mais generosa das hipóteses impõem ao mundo os próprios parâmetros de referência, a própria visão cosmopolita das relações internacionais. Católicos, protestantes ou judeus, mas também muçulmanos ou confucionistas ou simples agnósticos e ateus, são todos portadores de uma única visão e estilo de vida, exatamente aquela do "Mundo Moderno", contra o qual Evola escreveu sua "Revolta".

O semiólogo judeu-americano Noam Chomsky, teórico da antiglobalização desde sua cátedra no MIT (Massachussets Institute of Technology), tem sido desde sempre um dos mais ferozes críticos do capitalismo e do imperialismo, e a ele corresponde a definição dos padrões da finança mundial como um "Senado Virtual", ao qual os governos do mundo devem render contas completamente à margem dos cidadãos que os elegeram:

"O Senado Virtual é um grupo de auto-investidos capazes de governar nações através do controle dos fluxos de capital, as oscilações das bolsas e as regulações das taxas de juros. Apenas um estado anuncia a escolha do interesse coletivo, a ameaça da retirada absoluta de capitais é imediata. Todos os governos do mundo, inclusive os próprios EUA, são fantoches manipulados por estes senadores mascarados. Porém diferentemente dos mais ferozes ditadores, não tem responsabilidades públicas".

A nós nos cabe acrescentar que o "Senado Virtual", para dominar aos povos e os governos, possui outras armas além das financeiras: desde a mídia de massa à informática, passando pelos golpes palacianos e militares, até a guerra declarada com o uso de "armas inteligentes".

Na Sérvia, por exemplo, usaram de tudo: revoltas étnicas, guerrilhas montanhesas e urbanas, guerra de intervenção humanitária, tráfico de drogas e mulheres, uso de sicários pagos, de urânio empobrecido, de difamações e mentiras midiáticas, de retoque informático de fotografias...até a compra literal, com dinheiro contante e soante, do Chefe de Estado.

Regressemos de novo a Santoro, que nos oferece um juízo mais claro sobre a "impessoalidade" do processo histórico que estamos vivendo:

"A denominada globalização (econômica, política, cultural e de modos de vida de todos os povos da Terra) não é de nenhum modo um processo 'natural' nem 'necessário', determinado pelas leis internas de um irresistível 'desenvolvimento' do mundo (desde um ponto de partida a um de chegada: Nova Ordem Mundial, Fim da História, Reino de Deus, Sociedade sem Classes ou qualquer outro delírio apocalíptico) e da lógica das coisas (que coisas?...e que lógica?). A globalização é a condição objetiva e autônoma à que devemos nos adequar como a uma irrevogável vontade divina, senão somente o objetivo prático e deliberado de um grupo de homens concretos, objetivo tramitado por organizações com número de registro leal e que pagam impostos, que contam com nome próprio, sistemas informativos, de mídia de massa e editoriais privados, não necessariamente obscuros nem ocultos nas imensidades do Universo. Nesses grupos não se exclui nem a presença de conflitos internos nem de resistências externas". (Giuseppe Santoro, "Banqueiros e Camareiros. Soberania monetária e soberania política").

Simples, não?



"Direita" e "Esquerda" no mundo globalizado

Sobre o plano prático da ação, a pretendida impessoalidade e necessidade do processo de globalização determina voluntariamente nas massas um fatalismo impotente, camuflado pelos intelectuais orgânicos do sistema liberal-capitalista como uma apreensão metapolítica e intelectual da "realidade". A enésima reproposição, e com muito a mais ignóbil, é a chamada geral à "apolitização" e a desídia (a lassidão), à inação. Algo que já denunciara Evola em obras como "O Arco e a Clava" e "Cavalgar o Tigre".

Se antes os militantes de direita e esquerda pugnavam pela conquista do Poder para assim afirmar suas esperanças em um Mundo Novo, hoje em dia, muito mais burguesamente, se contentam com "gerir" o poder desde o "ocaso das ideologias".

O minimalismo e a localização devém o álibi do desempenho e do refúgio no privado, fazendo-os passar pelo máximo empenho possível contra os poderes fortes, como se no mundo moderno houvesse já lugar para os oásis e as ilhas de um viver alternativo, alheio à sociedade circundante e alternativa à mesma. Quem recorda já as "comunas" de 68?

Porém nessa nova versão temos o agravante de que essa fuga incapacitante do mundo já não se dirige aos estábulos nem às aldeias abandonadas, senão aos palácios de cristal e às torres de marfim dos complexos residenciais do subúrbio: comunitarismo sem comunidade, aberto somente aos poucos eleitos que puderam compreender tudo (?) e não fizeram nada (!). Aqui crescem e se propagam as religiões do egoísmo e a falsificação do espírito: desde a "new age" até a contemplação apática do Nirvana...sem culhões para entrar nele.

A esquerda, junto a boa parte da direita, que contesta a globalização pelo alto, aceita sem embargo aprioristicamente a filosofia de fundo, a necessidade das teses, dos princípios filosóficos e das utopias niveladoras; são uma ala a maias do fenômeno globalizador, o qual criticam erros e horrores...e nem mesmo o sabem.

O internacionalismo proletário de ontem se chama hoje "antiglobal", ainda quando é certo que é mais global do que "anti".

A direita, que em sua origem possuía outros instrumentos conceituais de compreensão e oposição, partindo dos estudos sobre o Mundialismo, sobre a Geopolítica, sobre as tradições, desenvolvidos nas obras dos mestres como Evola, Guénon, Nietzsche, Spengler, Sorokin, Lorenz, Sombart, Weber e muitos outros, se abandonou bem logo à NÃO COMPREENSÃO do fenômeno e a subir no barco dos vencedores (sempre foi assim seu procedimento), em uma regressão política e ideológica em relação às análises e as ações políticas antecipadoras dos anos 70 e 80.

Contra todos os nostálgicos

O Fascismo, como fenômeno histórico e político europeu, morreu DEFINITIVAMENTE em maio de 1945, caindo honrosamente com as armas em mãos, diferentemente do comunismo marxista eslavo-europeu que meio século depois implodirá junto à URSS e seus satélites.

E é um fato irreversível que essas duas formas de modernização e mobilização das massas sucumbiram em suas lutas contra a América. É o modelo americano o que triunfou no século XX, dando seu selo a todo o Mundialismo globalizador que hoje arrasa a Terra.

Geopoliticamente é a Eurásia (+ África e América Latina) quem perdeu, por agora, em seus confrontos contra a "Nova Ordem" por uma Nova Ordem Mundial.

O chamado "neofascismo" ou "neonazismo" da segunda pós-guerra foi um grande equívoco, umas vezes heróicos, outras vezes trágico, e outras também cômico, alimentado em seus pontos mais escuros pelos interesses de seus inimigos.

Aquilo que comumente vem definido como de "extrema direita" não é senão a expressão do trauma da derrota militar, de seus chefes mortos e/ou massacrados, abandonados por todos à orgia do Apocalipse. A imagem de Mussolini junto a seus hierarcas com os pés para o céu tem pesado como pedra em mais de uma geração política. O 8 de setembro não só representou uma virada epocal, senão também o fim da Itália enquanto Nação, passando a ser uma simples expressão geográfica ocupada pelo atlantismo onde umas poucas dezenas de milhões de pessoas falam mais ou menos a mesma língua.

A propaganda marteladora dos vencedores assinalou aos fascismos como o Mal personificado, até o ponto em que fez com que muitos se identificassem nesse rol invertido, como forma extrema de contestação e autorreprodução.

A nostalgia, as formalidades exteriores, a castrante exaltação da derrota, os cultos necrófilos do passado, o "caudilhismo" sem Caudilho unido ao expontaneísmo anarcóide (armado e desarmado), são a expressão de diferentes fatores de impotência política e social, enquanto o mundo mudava vertiginosamente marginalizando cada vez mais à extrema direita nos guetos construídos por suas próprias mãos. O nostalgismo neofascista é a NEGAÇÃO MESMA DO FASCISMO histórico como movimento de mobilização revolucionária das massas, trampolim das juventudes revolucionárias de toda a Europa, baseado no ímpeto vitalista do olhar posto no futuro, na fanática determinação de morrer ou vencer em sua COMPETIÇÃO REVOLUCIONÁRIA com o bolchevique também revolucionário.

Ambos tem como referência o mundo da primeira metade do século passado. E consideremos também que estamos falando das melhores partes da direita e da esquerda, daquelas minorias que jamais aceitaram "tout court" se alinhar junto ao Sistema, se converter nos guardas do porrete da ordem constituída.

Porém aqui e agora, nos inícios do Terceiro Milênio, direita e esquerda compreenderam perfeitamente em que direção marcha o mundo, e simplesmente abandonaram toda batalha histórica e cultural para passarem ao campo do adversário, do Liberal-Capitalismo, da América, do Sionismo e do Mundialismo.

Estes arrivistas não são certamente o inimigo principal, porém sim o mais próximo, aos quais é típica a máxima ambição dos neófitos mercenários que desejam demonstrar ao novo amo a plena fidelidade do servo adquirido recentemente.

As recentes jornadas de Gênova, a exaltação da mais bestial repressão policial, desses policiais covardes e noturnos que não tem coragem suficiente de descer à praça para a batalha direta, o anticomunismo sem comunistas, o alinhamento acrítico de todas as iniciativas antipopulares e a perfeita identificação na política exterior americana e sionista, são fatos claros e evidentes da mentalidade subjacente ao governo Berlusconi e seus aliados da Aliança Nacional, os "pós-fascistas do neofascismo".

Em outros casos é a representação operística da ação nostálgica e integrista da toalha de mesa e da sacristia, dos jantares e das homenagens cada vez mais escondidas para evitar os encontros com a extrema esquerda parapolicial do Regime e do Sistema, um confronto que bem pudera ser funcional ao Sistema se não fosse tão anacrônico e inutilizável pelos "serviços" que a gerem dentro e fora da Itália. Ridículo esse antifascismo de certa esquerda enquanto que também ridículo o nostalgismo (porém a quê demônios se referem com o "anticomunismo"?) da direita mais ou menos extrema.

Tudo para a glória maior da raça dos senhores que traça os destinos da Itália e da Europa, e do mundo inteiro.

Atualidade de Julius Evola

Havíamos recordado que Julius Evola escreve sua "Revolta Contra o Mundo Moderno" na metade dos anos 30, em um mundo que era bem diferente de nossos inícios do Terceiro Milênio: não existia a energia nuclear e todavia era uma hipótese o uso da mais devastadora ara do engenho humano; não havia televisão, nem computador, nem a internet era imaginada. A aventura do espaço exterior, o fato de pegadas humanas sobre a Lua ou as missões exploradoras a Marte só eram fruto da imaginação fervente dos escritores de ficção científica. Não se conhecia a estrutura helicoidal do DNA, nem se podiam imaginar tecnociências como a biotecnologia. A etologia estava por nascer, e os estudos sobre ecologia eram coisa de marginais ociosos.

A era da industrialização avançava com passos de gigante só na América e na Europa Ocidental, onde todavia a maior parte da população vivia da agricultura e habitava e cidades à medida do homem.

Europa, orgulhosa, ocupava o centro do mundo, com seus impérios coloniais, sua cultura decadente, sua burguesia.

A globalização estava em seus inícios, freada pela existência de políticas decididas e economias vitais. A América todavia estava longe de realizar seu projeto de domínio mundial, ainda que suas linhas essenciais já fossem traçadas ideológica e geopoliticamente nos inícios do século XIX.

A Igreja Romana, ainda que já dava os primeiros passos de sua irresistível decadência, era ainda um formidável dique de contenção por trás do qual se refugiavam povos inteiros de milhões e milhões de almas devotas. A economia estava dominada pelos estados "totalitários" mais importantes: Rússia, Alemanha, Japão e Itália. São 70 anos de distância no tempo, porém séculos inteiros em distancia mental, organização social, tecnologia, relações entre economia e política.

Porém aqueles que se atrevam a reler as páginas de Evola descobrirão de golpe a atualidade de sua análise, especialmente os apontados na segunda parte da obra, a chamada "Gênese e Rosto do Mundo Moderno".

Suas conclusões sobre a "decadência do Ocidente", assim como aquelas de Spengler, seus juízos categóricos sobre Rússia como pária do capitalismo de Estado e América como local do marxismo social realizado, simplesmente, aparecem mais como profecias que como asserções, mais se tivermos em conta que suas profecias não tem nada de mágico no sentido banal do termo, porém são fruto de um Conhecimento que se funda nos cimentos da Tradição, na concepção cíclica da história.

Essa concepção segundo a qual nosso futuro já está escrito no mais remoto passado, segundo a qual nossas costas não estão atrás, senão DIANTE de nós, em um porvir mais próximo ao fim que ao início de nosso atual ciclo de existência, cuja conclusão e desfecho determinará um novo e radical Início.

Como sabemos, Tradição significa "tradere", transmissão daqueles Valores que são eternos enquanto que não são simplesmente humanos, que o homem não "inventou", senão que "recebeu"; "Tradição" que se atualiza na história em forma de manifestações diversas, porém muito facilmente identificáveis em toda época e em todo lugar. Tradição que é o oposto metafísico a toda espécie de "tradicionalismo".



Tradição e Revolução

A TRADIÇÃO É REVOLUÇÃO, etimológica e realmente. "Revolução" é "re-volver", quer dizer, regressar às Origens, porém não antes de ter completado seu Ciclo, sua rotação, sua astronômica "re-evolução".

A verdadeira Tradição não tem nada que conservar, senão que deseja destruir a tudo para dar cumprimento "revolucionário" do ciclo, para preparar um novo início, uma nova Idade de Ouro.

A Conservação é o contrário da Tradição/Revolução, se é entendida não no sentido dos Valores senão naquele da manutenção, da defesa das estruturas do passado, das formas já superadas, dos redutos vazios e banais, das fórmulas e das formas que o tempo reduziu a cinzas. E isso também é válido para as fórmulas políticas e sociais como para as religiões e as culturas que uma vez tornadas residuais e inúteis se perpetuam em vãos simulacros. Repetimos: no mundo moderno não há nada que conservar, senão tudo que destruir.

Começando por quanto de fossilizado há em instituições de um passado apenas distante, que não foram senão frutos do modernismo de seu tempo: desde os nacionalismos gerados pela "Revolução" Francesa e pelos "Princípios Imortais" de 89.

Se a conservação é o contrário da Tradição revolucionária, a SUBVERSÃO, como todos os fenômenos de revolta no mundo moderno, é uma revolução de signo contrário, uma CONTRARREVOLUÇÃO, sempre no sentido tradicional do termo:

A subversão, no mesmo momento em que pretende destruir as formas do presente (e este é seu aspecto mais positivo), o faz em nome e sob o signo da "modernidade", como categoria mental e espiritual.

Isso se traduz não em uma aceleração para o fim da presente decadência e portanto na precipitação do ponto catártico que assinala o passo revolucionário cíclico, senão em um se perpetuar sob novas formas de decadência, que tenderão naturalmente a se cristalizar na enésima conservação, até a chegada de uma ulterior onda subversiva. A subversão tende a apagar as formas do passado para conservar a essência do presente, isto é, o modernismo antitradicional, tratando assim de deter o verdadeiro processo revolucionário que possa fechar o ciclo para abrir um novo. A subversão é, em definitiva, outra forma de conservação.

Uma serpente que continua mordendo a própria cauda

Conservação e Subversão são funcionais a uma com a outra na atual fase do ciclo; também quando desde um elevado ponto de vista meta-histórico, o cumprimento revolucionário da última fase cíclica está escrito no Destino: como sempre, "fata violentes ducunt, nolestes trahunt".

As consequências dessas duas atitudes mentais são diversas e comuns, para os que não querem ser simples espectadores comuns dos eventos, os que observam em sua própria natureza a marca de uma impessoalidade ativa, a ferocidade do guerreiro da Tradição que hoje não pode senão se manifestar no combatente político revolucionário.

Valores a parte, o repetiremos pela terceira vez: no mundo moderno não há nada que salvar e tudo está por destruir. No mundo moderno, neste final de ciclo, toda destruição do passado e do presente é propedêutica ao se cumprir o próprio ciclo histórico.

Duas frentes, muitas trincheiras

Sob este ponto de vista é consequente que um verdadeiro revolucionário veja em todo jovem contestador da atual situação mundial e nacional um aliado tático na obra de destruição das instituições mundialistas, no assalto contra os governos colaboracionistas do ocupante americano; de "direita" ou de "esquerda", pouco importa no desmascaramento de todo engano sobre a pele dos povos, de TODOS os povos.

Motivações e fins podem ser divergentes, porém o Inimigo é único e supera toda barreira ideológica. Só quem assim raciocina é um verdadeiro revolucionário, ao prescindir da revolução que tem em mente, sem fingir, sem saltos de campo para agradar a quem nos considerará sempre um estranho ou um neófito convertido.

É a teorização das DUAS FRENTES E MUITAS TRINCHEIRAS.

Que cada um combata ao Mundialismo, a globalização, também se tem uma visão limitada dos problemas globais, de aspectos parciais, desde o próprio ponto de vista ideológico, ideal ou existencial: desde a própria trincheira. Porém tendo ao menos bem clara a identificação do mesmo Inimigo, que é o inimigo global.

Quem tenha mais claros os termos políticos e metapolíticos do combate planetário é também quem terá uma maior panorâmica do campo de batalha e saberá melhor conduzir uma luta mais radical e determinada.

E o primeiro passo consiste em dar um nome e um rosto a um fenômeno que não é anônimo nem filho de ninguém, como querem nos fazer crer os teóricos do desempenho político ,da retirada ao "privado", entre os inputs metapolíticos e prosaicos da vida do pequeno burguês.

Em nome da mundialização: Amerika

O Mundialismo moderno é a fase extrema do imperialismo capitalista americanocêntrico em sua manifestação mais degenerativa, antitradicional, conservadora e subversiva ao mesmo tempo.

Os Impérios tradicionais da Europa, depois de terem sido a máxima expressão das formas político-sociais do mundo tradicional, manifestação da metafísica no plano físico, se transformaram ao final de seu ciclo vital em imperialismos e nacionalismos coloniais, invadindo e infectando o mundo. Agora, a lei do contrapeso quis que fosse a Europa a vencida e submetida por um veneno que se instalou em seu seio: a América venceu a Europa, a toda a Europa, também aos aliados de ontem, a privou de seu poder e suas colônias, substituindo um neoimperialismo político, econômico e midiático.

Em termos geopolíticos, o "Mar" venceu à "Terra", e continua avançando em seu interior.

A América, em efeito, se impôs também a sua rival, a Rússia, e os confins da OTAN avançam cada vez mais rumo ao coração da Eurásia, o HEARTLAND logístico da ex-potência antagonista.

O Mundialismo, e sua manifestação econômica e mental, a globalização não poderiam existir sem o domínio de uma e só superpotência que impôs ao mundo seu predomínio militar sobre a terra, sobre todos os mares, sobre os céus e sobre o espaço exterior. Não existiria sem uma moeda única válida em todas as transações internacionais, sem uma língua comum de comunicação, da diplomacia e dos computadores, sem uma pseudocultura aceita e assumida por todos, sem um domínio total da televisão, do cinema, da imprensa, da internet, etc., pelos altos lobbies e as multinacionais com base nos EUA, fortaleza continental isolada por dois oceanos de vasta extensão, braço armado mundial do SIM, o Superestado Imperialista das Multinacionais.

"Os Estados Unidos são os grandes defensores da globalização, e ali onde essa se pôs em prática, como nas relações com o México, aportaram um grande bem (...) Penso que os EUA são os primeiros em se beneficiarem da globalização, desde o ponto de vista da concorrência, desde uma posição mais forte em relação aos demais".

São palavras de Henry Kissinger, "o judeu errante" das administrações republicanas, prêmio Nobel da paz (depois de ter provocado a guerra Irã-Iraque, com 1 milhão de mortos; ou a invasão de Timor Oriental, com o extermínio de 1/3 da população local), autor do recente livro "Tem a América necessidade de uma política externa?", e apoiador do atual ministro de relações exteriores no governo Berlusconi.

No fundo são um eco das manifestações de seu compadre literal, George Soros, judeu de origem húngara, especulador capaz de afundar em uma única operação financeira a economia de países inteiros (em 92 custou à Itália uma perda de 40 bilhões de liras) e atual copresidente do Fórum Econômico Mundial de Salzburg ("irmão menos estival do Foro de Davos"):

"Creio que a globalização trará grandes benefícios a um grande número de homens e mulheres... A liberalização dos mercados e do movimento dos capitais produz acima de tudo benefícios privados aos privados. Não se preocupa com quem pode fazê-lo 'per se', dos benefícios coletivos". (De seu artigo: "La globalizzazione è un bene, i governi imparino a usarla", "Repubblica", 3.07.2001).

Viva a sinceridade!

Para o senhor Soros e seus afins à globalização, certamente, é um verdadeiro maná do céu. Ultimamente anuncia que deseja abandonar as finanças e se dedicar "aos problemas da democracia na Europa Oriental". Pobres Eslavos!!!

De resto, é preciso anotar que um dos instrumentos que tem a América para impor sua política econômica ao mundo, ademais do dólar, é a chamada GLOBALIZAÇÃO ASSIMÉTRICA, que enquanto impõe às economias mais débeis (compreendidas também as dos "parceiros" ricos do Norte do mundo) o liberalismo absoluto nos intercâmbios internacionais, aplica pelo contrário fortíssimas tarifas às mercadorias estrangeiras mais competitivas no mercado interno estadounidense, em defesa dos interesses lobbísticos dos produtores americanos. Uma política econômica que aplicada aos produtos do Terceiro e Quarto Mundo resulta devastadora para as economias mais débeis, obrigando-as a importar produtos made in USA sobre os quais a América se nega a pagar impostos.

Os alegres garotos de Robin Hood roubavam os ricos para dar aos pobres. A Amerika rouba dos pobres para dar aos ricos.



Como prepara a América a Terceira Guerra Mundial

Porém existe um novo perigo, que vem se acentuando nos fatos recentes da nova Administração republicana de Bush II: o relançamento da corrida armamentista para sustentar o gigantesco complexo militar-industrial dos EUA.

Essa é uma dívida que busca acima de tudo favorecer aos lobbies bélicos e ao Pentágono, que abasteceram de pessoal o novo Bush com o velho staff republicano do pai e outros predecessores.

Busca-se assim prescindir dos riscos evidentes de uma política de paz e estabilidade internacional, o risco de fazer entrar em colapso uma economia que estava em plena crise, com a criação de um arsenal caríssimo e hipertrófico, mais que completamente inútil em um sistema internacional que vê nos EUA no dia de hoje a única superpotência mundial.

Essa é a tese de Chalmers Johnson em sua obra "Os últimos dias do império americano".

Neste livro se projeta um possível fim dos EUA muito similar ao colapso implosivo da URSS, no momento em que se fez evidente que seu esforço militar não era compatível com as estruturas econômicas internas e se havia demonstrado inadaptado à estratégia contemporânea (derrota no Afeganistão, Polônia, Oriente Médio, etc.).

A queda do império americano não seria certamente uma perda para o resto do mundo, senão ao contrário o início de um novo renascimento dos povos e das nações, se não fosse pelo fato de que a globalização americanocêntrica vinculou tudo à economia e à política estadounidense, até o ponto em que a crise geral do capitalismo americano representaria contemporaneamente A Crise Mundial por antonomasia, frente à qual aquela de 29 seria uma tempestade em copo d'água.

É seguro que a América, frente à perspectiva do desastre econômico interno que, simplesmente, naquele tipo de sociedade representaria o fim dos EUA como entidade política unitária, estaria disposta a desencadear um conflito mundial sobre o qual descarregar as tensões internas e no qual desgastar os armamentos cuja construção teria determinado a mesma crise.

O livro de Johnson havia antecipado a crise com a China pela questão crucial de Taiwan e o controle do Pacífico Nororiental.

Nestes momentos, uma volta ao imperialismo militarista e intervencionista seria a válvula de escape do capitalismo em sua fase extrema e mais agressiva, com a variante de que dessa vez seria a Alta Finança quem conduziria o jogo e o teatro seria mais ou menos todo o planeta em seu conjunto, planeta que ameaça com a queda no completo caos seguido da queda do império americano.

Se o Mundialismo é também fruto degenerado do nacionalismo, do imperialismo colonial tornado em seu oposto aparente, porém em realidade interno à lógica mercantilista antitradicional que presidiu o nascimento e a afirmação dos impérios coloniais europeus, a solução para o problema não pode senão regressar a seu lugar de partida: EUROPA.

Europa, Império e Geopolítica

Quer dizer, em um IMPÉRIO EUROPEU autocrático, autárquico, armado. Em uma concepção imperial, tradicional, revolucionária e geopolítica como resposta ao imperialismo do mundo unipolar, "modernista", conservador do estado global atual. Recordemos as palavras de Evola:

"Depois, os impérios seriam suplantados pelos 'imperialismos', e já não saberão nada do Estado se não fosse como organização temporal particular, nacional e depois plebéia".

Uma Europa Unida que retorne a suas raízes mais profundas, a suas origens polares, que encontre em sua Tradição as forças para levantar a bandeira da liberação continental e planetária contra o Mundialismo. E que tenha na visão GEOPOLÍTICA, quer dizer, na consciência histórica e geográfica de suas elites e de seus povos, a arma com a qual combater as utopias do mundo moderno e as ameaças dos potentados mundiais.

Uma Europa similar certamente não tem nada que compartilhar com a atual União Européia, apêndice atlântico da talassocracia americana; a geopolítica, a história, a ideologia de nossos atuais ocupantes são necessariamente conflitivas e antagonistas com as da Europa.

Em termos geográficos, históricos e culturais, a unidade do continente Europa abarca também sua parte oriental, especialmente com Rússia, que representa na perspectiva geopolítica as garantias necessárias em termos militares e a complementariedade nos aspectos econômicos: a potencialidade do ESPAÇO VITAL.

A Europa desde Brest, desde Lisboa e desde Reykjavik até Vladivostok, desde Thule na Groenlândia até Bering, na ponta extremo-oriental da Sibéria, com eventuais bases avançadas mais além do estreito, não é uma Utopia, senão uma simples necessidade para garantir nossa própria existência.

Só então teremos a ocasião de verificar uma reação vital dos povos europeus. E certamente não é quiçá do Ocidente, senão do Oriente e da Rússia de onde pode chegar a esperança; e pela outra parte a Rússia é impotente sem o concurso da Europa Ocidental, única saída para os mares cálidos da potência do Heartland continental. Estamos unidos em uma mesma sorte.

Se, como dissemos, o Mundialismo atual se identifica total e completamente com o imperialismo americano, até o ponto de fazer comutativa a equação Mundialismo = Americanismo, a única resposta POSSÍVEL não pode ser senão uma Europa Unida e Independente, soberana e autárquica em suas necessidades primárias.

O "One World" que se projeta como o melhor dos mundos possíveis tem um centro: o umbigo do mundo unificado está nos EUA. Em particular, o financeiro e político na franja costeira que vai desde Nova Iorque a Washington; o cultural entre Los Angeles e San Francisco; e o econômico-industrial na região dos Grandes Lagos de Chicago e no Texas.

Se a ameaça destrutiva da superpotência EUA, como instrumento do plano mundialista de domínio, é global, também global deve ser a luta dos povos livres, reunidos em áreas geopolíticas e culturais afins.



A Nova Tricontinental

A Europa, para ser livre, deverá se por à vanguarda das lutas de liberação do Sul do mundo: da América Latina, hoje reduzida a pátio traseiro do imperialismo gringo; da África "negra" subsaariana; da Ásia Exterior "amarela", com China à cabeça; do Subcontinente indoário; da Ummah Islâmica.

Portanto é também nossa luta a luta do povo palestino, árabe, contra a presença sionista na Palestina e no Oriente Médio.

Israel é o porta-aviões armado do imperialismo talassocrático americano no próprio coração da massa continental eurasiático-africana, na confluência dos estreitos dos mares internos e das rotas do ouro negro da energia mundial. A própria existência de Israel representa um perigo mortal para a Unidade Européia, igual que para a Árabe, a Indoária ou a Africana.

A eliminação do bastião sionista no Mediterrâneo é e será uma prioridade estratégica para todo governo e estado que pretenda combater contra o Mundialismo, pela unidade continental geopolítica.

No mundo global não se pode ignorar situações geoestratégicas aberrantes também nas antípodas do planeta.

Porém as pequenas nações sete-oitocentistas não podem certamente competir com as grandes potências continentais.

Mario Vargas Llosa, por outra parte um dos grandes intelectuais orgânicos apologistas da globalização, afirmou recentemente:

"A realidade de nosso tempo é a de um mundo no qual as antigas fronteiras nacionais se esfumaçaram gradualmente até estabelecer nos países dos cinco continentes umas interdependências que se opõem frontalmente à velha idéia do Estado-nação e a suas prerrogativas tradicionais". (De seu artigo: "Aquilo que restará do novo 68" - Repubblica, 7/8/2001)

O escritor politicastro não se esquece de anotar que o sistema democrático (quer dizer: os EUA) derrotou aos grandes regimes totalitários do século XX, o Fascismo e o Comunismo, assinalados aqui como as únicas sérias tentativas antimundialistas, em relação às utópicas veleidades do "povo de Seattle", destinado a ser reabsorvido no Sistema como já o foram os contestadores de 68. Um Sistema do qual Vargas Llosa se reconhece como componente interno ainda dissentindo dos meios.

Acrescentaremos por nossa parte que os mesmos "fascismos" e "comunismos" devem em grande parte sua derrota ao fato de nunca terem compreendido em sua plena totalidade a globalidade da luta, nem as intenções reais da potência americana no mundo. Acabaram se destruindo entre si, permitindo ao imperialismo americano se bater, em tempos separados e com instrumentos diversos, com o único objetivo histórico de dominar a terra.

Que as unidades geopolíticas e culturais no futuro da política mundial não são uma mera hipótese de estudo, fruto de um academicismo politológico ou uma utopia incapacitante, são os mesmos teóricos da supremacia americana que vem a dizê-lo. O trilateralista Samuel P. Huntington é o portavoz de várias associações americanas que traçam as linhas estratégicas gerais das listras e das estrelas para o século XXI.

Em seu celebérrimo ensaio "O choque das civilizações e a Nova Ordem Mundial", o autor desenha o quadro de um mundo futuro dividido em grandes áreas geográfico-culturais, em cujo âmbito prima o princípio de "não ingerência" por parte das potências externas. Escreve Huntington:

"Sob o empuxo da modernização, a política planetária se está reestruturando segundo o modelo das linhas culturais. Os povos e os países com culturas similares se avizinham. As alianças determinadas por motivos ideológicos ou pelas relações entre as superpotências deixarão o campo às alianças definidas segundo culturas e civilizações".

"Os limites políticos serão redesenhados a fim de que coincidam com as grandes áreas de civilização. As comunidades culturais substituirão aos blocos da Guerra Fria e nas pontes onde se interceptam as linhas entre as civilizações estarão os pontos conflitivos da política global".

Certamente Huntington escreve como um americano, e seu conceito de Civilização tem muito pouco que ver com aquele da tradição européia ou sino-japonesa ou árabe-islâmica, etc. É mais, segundo a lógica geopolítica atlantista de seus patrocinadores, a Europa deve estar unida aos EUA e separada de sua "Hinterland" natural oriental do mundo eslavo-ortodoxo.

Pelo demais, já a escola geopolítica de Haushofer havia previsto um mundo de unidades continentais (no sentido que a geopolítica dá ao termo "continente", que não coincide necessariamente com a subdivisão escolástica na qual fomos todos doutrinados na educação primária); porém Huntington, obviamente, não menciona este fato em nenhuma palavra.



Geopolítica e Luta de Liberação

As unidades geopolíticas e culturais de tipo imperial são pois a realidade da subdivisão planetária do futuro, e respondem a uma exigência real da História e da Geografia.

A geopolítica, criminalizada durante anos como "pseudociência nazi" conheceu um novo auge após o fim do bipolarismo EUA-URSS e o nascimento de novas nações e novas realidades supranacionais, como o Islã Revolucionário, o despertar da China ou a nova e assombrosa vitalidade do Hinduísmo.

No momento atual, ao contrário, a Europa, englobada na OTAN, não é outra coisa que um território de ocupação, "terceira margem" oceânica da potência aéreo-marítima dominante, frente avançada do imperialismo talassocrático americano em sua penetração rumo ao coração continental da Eurásia: o Heartland russo-siberiano.

Em um contexto tal, TODOS os exércitos e polícias, TODOS os serviços e as estruturas políticas das nações européias estão a serviço de Washington, estruturados e armados em função dos interesses estratégicos de intervenção rápida do imperialismo americano em todos os ângulos do mundo.

E como tal devem ser considerados por todo verdadeiro revolucionário e patriota europeu: como COLABORACIONISTAS DO INIMIGO OCUPANTE; e tratados como tais.

No fundo, a guerra contra a Europa ainda está por concluir.

A OTAN, longe de ser uma garantia de defesa, é a materialização do instrumento de domínio americano sobre a Europa, em particular agora que já não tem justificativa o baluarte anticomunista e antissoviético.

A experiência das guerras balcânicas e o ataque criminoso contra a Sérvia são só os últimos trágicos fatos expostos aos olhos de todos. E a vergonha do Tribunal Internacional de Haia que consiste em processar os vencidos em nome dos verdadeiros criminosos de guerra mundiais, como não outra coisa representou a outra vergonha histórica dos tribunais de Nuremberg e Tóquio.

Com a teorização das "intervenções humanitárias", os EUA se autoproclamaram policiais mundiais contra os "criminosos" internacionais da vez, escolhidos sobre a base dos interesses da estratégia militar e política do Pentágono: ontem foram Hitler, Mussolini, Stálin e o Japão; hoje são Irã, Líbia, Coréia ou mais simplesmente Saddam Hussein, Milosevic ou Bin Laden.

A Globalização

Para retornar às proposições da unidade geopolítica autocentrada, assinalamos que essa também representa a resposta ao falso problema da dicotomia entre GLOBALIZAÇÃO e LOCALIZAÇÃO.

O mundo moderno sempre tendeu a abater toda barreira nacional (internacionalismo, governo único mundial...), cultural (uniformismo dos costumes, das modas, da música, da comida, da internet, etc.), econômica (globalização dos mercados, liberalismo absoluto), religiosa (sincretismo, fraternidade universal, modelo monoteísta único), etc...; e em tal sentido se expressa o projeto mundialista de uma cultura unipolar, modelada sob o "american way of life".

Por outra parte, a resistência natural dos homens sãos e dos povos todavia vitais vai no sentido aparentemente oposto: o localismo, o retorno aos valores da terra, quando não do sangue.

Se recompõem usos e costumes, tradições locais ou receitas, se restabelecem os modos vivenciais de relações harmônicas com a natureza próprias do pré-cristianismo.

Até acabar com as reivindicações de autonomia ou independência das "pátrias pequenas", com o renascimento de línguas perdidas, o estudo da história perdida e dos símbolos e das bandeiras esquecidas.

Um fenômeno em grande parte positivo, porém em muitas ocasiões instrumentalizado pelos lobbies mundialistas, umas vezes sendo utilizado como simples folclore passadista e outras como instrumentos de debilitação interna da política nacional, quando essa não se dobra completamente aos desejos e valores dos autonomeados patrões do mundo.

O teórico dessa tendência "localista", junto aos vários Iván Illich, Vandana Shiva, ou Bové, é o ecologista inglês Edward Goldsmith, autor do ensaio "Glocalismo", onde aponta a tendência global ao localismo no mundo.

Em uma recente entrevista ("La Stampa", 15/7/2001), o teorizador das comunidades estáveis, territoriais, tradicionalistas, autorreguladas e com tendência ao crescimento zero, afirma:

"Se quer criar um paraíso para as multinacionais, dissolvendo as regras e leis que protegem os pobres e as comunidades locais. O G8 o faz sistematicamente... Creio nos deveres para com a família e para com a comunidade de pertença, e as idéias de religião e de tradição. Me parece horrível a sociedade individualista, atomizada, massificada. Não existe liberdade que possa se opor ao consumo de Coca-Cola, aos organismos geneticamente modificados, ao McDonald's".

E segue:

"A globalização é um fenômeno temporal, que não pode durar... A política de Bush avança rumo a extinção da humanidade; porém em tal caso não ficará nem mesmo a economia...não ficará nada... Devemos preparar aos povos para o colapso desse Sistema, porque este chegará inevitavelmente segundo sua própria lógica".

Palavras onde nos identificamos completamente e que lançamos aos que nos acusam de catastrofismo apocalíptico.

Haverá que ver como conciliar as idéias de Goldsmith com as dos globalizadores do baixo, os pós-marxistas, os internacionalistas e os cristãos de base, quer dizer, com as ideologias internacionalistas e mundialistas por excelência... E também com as de Bové ou do subcomandante Marcos, chegado como revolucionário desde a selva de Chiapas com "O Capital" debaixo do braço... para se converter às visões do "Popol-Vuh", o texto sagrado dos maias.

É notável que, entre os pais nobres do movimento antiglobal, se inserem também nomes bastardos, velhos e novos, em um "totum revolutum" de Marx a Keynes, de Rousseau a Russell, de Morel a Marcuse, de Tolstói a Trótski, até acabar com os mais atuais McLuhan e Jeremy Rifkin, quem popularizou o termo "Ecocídio", Vandana Shiva, Luther Blisset e, obviamente Noam Chomsky e Naomi Klein, a iluminada autora do livro e da campanha contra os "copyrights", "No Logo".

Não podemos esquecer dos religiosos e teólogos, desde Madre Teresa de Calcutá (inesquecível, por certo, em todos os ambientes) a Hans Küng e Leonardo Boff. Estranho que... não se fale muito de Hakim Bey (alcunha de Peter Lamborn Wilson), teorizador das "TAZ" ("Zonas Temporalmente Autônomas"), uma das leituras preferidas nas franjas duras do anarco-insurrecionismo do movimento antagonista; um sufi que propõe uma leitura anarco-niilista do materialismo marxista porém também da deusa Kali, sob o signo da destruição total de tudo aquilo que o pensamento tradicional define como o "Kali Yuga", a Era de Kali, esposa de Shiva, destruidora porém também restauradora.

E nos fica o fato de que o "DIFERENCIALISMO IDENTITÁRIO", a localização, o particularismo etnogeográfico não pode contrastar a Globalização imposta, o projeto Mundialista, somente recuando no particular, opondo as pequenas comunidades e as economias aldeãs ao extrapoder econômico e político, para não dizer militar do mundialismo e de seus servos. Só projetando uma obra de destruição total (absolutamente necessária, e prioritariamente indispensável) das estruturas do mundo moderno, se poderá projetar e preparar a alternativa à globalização, e não a globalização alternativa.

Comunidade, Nação, Império

Nem, ao contrário, podemos ficar na espera da crise estrutural do Sistema mundialista, que, certamente, É o destino do Capitalismo Financeiro Internacional, o qual tende por sua própria lógica ao colapso, como justamente diz Goldsmith.

As nações nascidas da Revolução Francesa e da descolonização do pós-guerra são instrumentos políticos inadequados para afrontar o fenômeno; por quanto menos o são então as microcomunidades de qualquer gênero, se não se inserem em uma unidade orgânica maior, mais complexa e completa, garantidora das especificidades locais e da defesa comum.

Sobre o problema das relações entre "nacionalidade, "nacionalismo" e "império", é necessário regressar à obra de Evola "Revolta Contra o Mundo Moderno", que também nesse campo antecipava em décadas as críticas ao nacionalismo que, entre o histerismo das massas e das guerras civis européias, já escavava a fossa do século em curso.

E sobre essa fossa, o Mundialismo colocou sua lápide.

A solução ao problema de superar a Globalização Mundialista, da defesa das particularidades locais frente à homologação planetária final do capitalismo, não pode ser outra senão a Europa Unida do Atlântico ao Pacífico, do Pólo Norte ao Mediterrâneo, de Brest a Vladivostok e de Narvik a Gibraltar; a Europa das cem bandeiras e das estruturas sistêmicas das comunidades particulares, da família à cidade, da cidade à região, da região à nação e da nação ao Império, em uma Europa unitária em suas raízes étnicas e espirituais, ocupando um vasto espaço geopolítico delineado e economicamente autárquico, dotada dos meios de defesa necessários para garantir sua soberania.

Essa é a essência do IMPERIUM tradicional, descrito por Evola e conhecido por todas as autênticas Civilizações.

Porque a unidade do Império vem ante tudo dada pelas elites espirituais, políticas e militares dos povos componentes do mesmo Império, portadoras de uma visão anagógica, espiritual, geopolítica, metapolítica e metafísica, que compenetra e supera os interesses dos povos compreendidos nos confins imperiais, cada um dotado de seu próprio DOMINIUM, de seus modos e vidas e de seu próprio espaço geográfico particular subsidiário.

A solução mais realista do drama de nosso tempo reside na sabedoria dos princípios da Tradição que, enquanto tal, não é nem antiga nem moderna, porque é eterna. "Não sigo aos antigos, busco o que eles buscaram", é o lema do homem da Tradição.

O Retorno da Grande Política

Fala-se muito do retorno da política, de sua reconquista do posto que lhe corresponde sobre a economia.

Porém somente se se compreende a verdadeira natureza do Mundialismo, que não é somente nem muito menos acima de tudo um fenômeno de natureza econômica, poderá se opôr uma alternativa válida, política e sócio-econômica, ao projeto de domínio de uma restrita, "eleita" oligarquia plutocrática, porém também portadora de uma bem específica "contra-tradição" religiosa e cultural: uma "visão do mundo" global e globalmente antagonista à dos povos.

Sobre o tipo de luta a contrapôr nos permitimos aconselhar ao leitor a outros trabalhos precedentes, em particular ao chamado "Doutrina das Três Liberações": Liberação Nacional - Liberação Social - Liberação Cultural, no quadro geopolítico europeu e em uma perspectiva de guerra total Mundial-Tricontinental dos povos contra o imperialismo americano.

Porém antes de toda ação no campo prático será necessário aclarar inequivocamente os termos do problema, os atores reais sobre a cena nacional e mundial diferenciando-os dos fictícios, os homens e as instituições, os partidos e movimentos que estão a serviço do projeto mundialista.

E para essa análise as velhas e abusivas terminologias já não tem sentido, não servem para o fim que a um dia serviram: "direita", "esquerda", fascismo/antifascismo, comunismo/anticomunismo, democracia/totalitarismo, nacionalismo/internacionalismo, são todas palavras que pertencem a uma época e a uma política do século passado.

O fato de que agora se utilizem com fins polêmicos e/ou apologéticos, só tem a finalidade de desviar a atenção da realidade atual, das perspectivas de agregação e da luta do amanhã.

O Quadro do Conflito e seus Protagonistas

Evola mostrou como, ao contrário, também os termos exatos pertencem à Tradição Una, enquanto desvinculados das contingências do temporal e do passageiro, do provisório e do essencial, que podem se transmutar de época em época em "palavras de ordem" para a luta, em "Mitos de referência capacitantes" nas perspectivas reais de luta, para aqueles que queiram ser protagonistas de seu próprio tempo, também na época da dissolução e do fim de ciclo, cuja duração, por outra parte, não podemos determinar.

Estejamos sempre atentos frente àqueles que negam a existência dos "mitos capacitantes", como anunciam os homens incapazes de atualizar uma Realidade precisamente por sua própria natureza atemporal e metapolítica, aqueles cujo limitado horizonte mental lhes resguarda em um estéril nostalgismo e na impotência política, quando na defesa das instituições do passado. Essas limaduras de ferro precedem à calamidade quando não sabem exercitar sua força natural atrativa.

E aqui há que incluir a todos os que exaltam um passado distante do qual são indignos representantes, pois o negam nos fatos levando água e energias ao moinho de um inimigo secular, o mesmo de ontem, de hoje do próximo amanhã.

Não são úteis os partidários de uma contestação humanista, reformista cristiano-laico-progressista, em cujos últimos princípios já se manifestam claramente os gérmens e as patologias do mal que se quer combater.

Não são úteis os partidários da luta simplesmente destrutiva dos "casseurs", dos anarquistas e niilistas de toda espécie, cujo verdadeiro limite não está na modalidade de ação (Que são e que contam, respondemos aos que se escandalizam, quatro vitrines quebradas de escritórios de banco ou de dois MacDonald's no conjunto dos crimes da banca e das entidades financeiras?), senão na falta de perspectivas revolucionárias e na fisiológica negação de uma alternativa possível.

Também se, nesse caso, as convergências táticas são possíveis e auspiciáveis, porém sem provocar a própria identidade política e cultural em sentido lato.

Se as direitas do Sistema formam parte da frente inimiga do Mundialismo no poder, os antiglobalizadores, em suas variantes de todas as cores do arco-íris, representam uma contestação INTERNA ao Sistema globalista, a qual não é propriamente uma contestação.

No esquema ideal das "duas frentes muitas trincheiras" enquanto a direita reacionária se coloca claramente na frente oposta, os jovens contestadores o fazem em nossas trincheiras vizinhas, porém carecem de um quadro claro e geral das forças em luta e das estratégias a empregar. Isso o sabem muito bem os estrategistas do inimigo mundialista e o usam para desviar as energias revolucionárias positivas rumo a falsos objetivos.

Para os que são conscientes de tudo isso se trata agora de assumir uma posição o mais firme e RADICAL contra todas as expressões políticas, sociais, científicas, espirituais...do moderno mundo globalizado. Um tradicionalista revolucionário, o repetiremos até a náusea, não tem nada que salvar do mundo moderno, senão tudo que destruir, começando pelos resíduos e as ruínas de um passado que não pertence ao mundo da Tradição senão a uma fase precedente e já superada da decadência.

Fortes em uma reta Doutrina e em uma análise racional histórica e geopolítica, conscientes de saber-se em batalha pela justa causa dos povos, em uma visão global do mundo e da história oferecida nos ensinamentos tradicionais dos mestres como Evola, Guénon, Béla Hamvas (o autor de "Scientia Sacra"), e tantos outros, os jovens revolucionários antimundialistas do amanhã devem se colocar à vanguarda e não na retaguarda da guerra contra a globalização, em todas as suas formas de manifestação, que obviamente não são só econômicas e políticas, senão também existenciais, espirituais e naturais.

Temos de dar respostas e propostas a todos os protestos, em todos os campos: na saúde ambiental, no mundo laboral, na imigração e no débito mundial, na alimentação e no comércio, na genética e na ecologia, na informática e na etologia, no animalismo e em mil campos mais...em todos em seu conjunto e na visão do mundo em geral. Sem seguir histericamente ao último chefete que apareça em cena, porque os líderes devem passar por firmes e férreos processos de seleção antes de serem reconhecidos como portadores da "potestas".

De qualquer forma que se queira chamar, deve nascer uma COORDENADORA ANTAGONISTA REVOLUCIONÁRIA entre todos aqueles que coincidam em uma visão tradicional, anagógica da vida e do mundo, e que tenham a vontade de aplicá-la na luta quotidiana; uma quotidianidade que seja vivida sob o selo do Absoluto, não o empenho de um dia ou de um ano, senão a determinação de toda uma vida.

Quem saiba portar em si mesmo tal determinação pode estar seguro de se ver acompanhado de um número sempre crescente de jovens e menos jovens, que verão nele um signo, um impulso, uma bandeira pela qual se lançar à batalha.

Evola como Mestre de Luta e Vitória

Evola não foi ideólogo da retirada estratégica, do esquecimento, da reclusão monástica, do gesto desesperado, valoroso, porém sem fim em si mesmo, não foi nenhum anarquista místico. Toda sua vida e sua obra, antes e depois das Guerras Mundiais, são um testemunho de empenho, sem exaltações improvisadas.

Evola foi um verdadeiro revolucionário, também enquanto esteve imóvel, incapacitado em sua cadeira de rodas, e o demonstra o fato de que soube olhar longe e prever a realidade na qual estamos hoje imersos. Prever e prevenir, nos oferecendo os instrumentos teóricos para combater o mundo e o mundialismo modernos.

O Sistema mundial é muito mais frágil do que ele nos pretende fazer crer. Sua queda não será prolongada no tempo, não será uma longa decadência, senão uma derrubada imediata, mais veloz que esse gigante com pés de barro que foi a extinta URSS ao finalizar o milênio passado.

Trata-se agora de acelerar no possível as contradições internas do Sistema, contradições que sempre se apresentam em todo fenômeno de mutação histórica.

Expôr as contradições, aportar as contraposições, trasladar as contraposições NO Sistema a oposições AO sistema. Mostrar aos povos toda a fragilidade estrutural desse mundo globalizado e asqueroso.

Primeiro imperativo: mudar o signo da mobilização; do "-" de uma globalização ao negativo, ao "+", positivo, de uma luta sem trégua ao Mundialismo, começando PELA Liberação Nacional, Social, Cultural, européia e mundial.

E não antes de ter feito limpeza geral na arena de todo o presente e passado. Este é o verdadeiro "niilismo ativo".

Sempre Evola, nas conclusões de "Revolta Contra o Mundo Moderno" afirmava:

"Tratar-se-ia de assumir, com uma especial orientação interior, os processos mais destrutivos da era moderna para usá-los para os fins de uma liberação, como em uma ação de retorcer o veneno contra si mesmo ou em um 'cavalgar o tigre'".

E o que pode ser mais radical e total na luta contra o mundialismo que ter um firme ponto de referência, bem diferente das contingências históricas do momento?

Aquele que não se resguarda entre os confins do espaço e do tempo, senão que se percebe como um anel da cadeia ininterrompida de uma concepção circular da História, esse saberá sempre ser a VANGUARDA das novas gerações que, justo no momento das maiores trevas da homologação e da aniquilação, sentam agora o chamado da "Rebelião...", a necessidade ética do empenho na defesa dos oprimidos, a necessidade física de viver para lutar e lutar para viver.

Ezra Pound definiu o comunismo como uma ética e o fascismo com uma estética e o capitalismo como uma prática.

Agora se trata de fundir ética e estética na luta contra o capitalismo, redefinido como uma "prática" suicida para todos, também para aqueles que o defendem, seja consciente ou inconscientemente.

Como bem disse um dos verdadeiros revolucionários do século XX, Ernesto "Che" Guevara:

"Necessitamos sentir como se fosse no próprio rosto o bofetão dado a todos os homens, e trabalhar em consequência".

Para o resto, queiram ou não queiram, a generalidade dos problemas e dos perigos agora globais, fará inútil que se refugiem em seu mísero egoísmo, em seu viver pequeno-burguês ideológico e social, porque o suicídio coletivo a todos incumbe, e as grandes revoluções a todos dividem em duas categorias: os revolucionários e os contrarrevolucionários.

Homens como Julius Evola, como Friedrich Nietzsche e tantos outros que nos deram os instrumentos de estudo, de análise do mundo atual, podem ser transformados em armas válidas de luta e vitória.

Quem saberá assumir seu legado com verdadeira IMPESSOALIDADE ATIVA, com ânimo nobre e vontade adamantina, em comunhão com outros tantos homens e povos do planeta que em todos os rincões alçam a cabeça, elevam a voz e levantam o punho ao céu?

A possibilidade, também a necessidade, de um novo afogar-se no Político, no empenho militante total, na guerra contra o mundialismo moderno, ultrapassa os limites geográficos e mentais, assumindo o dito de que "ali onde se combate pela idéia, ali está a Pátria", com firmeza e coragem, no convencimento de vencer o burguês que se aninha em cada um e que é preciso exorcizar rechaçando todas as posses retóricas, os heroísmos de opereta, os cenários de jogo.

"Propiciar - escrevia Evola - experiências de uma vida superior, uma superior liberdade...É a prova".

"E que ela seja completa, resolutiva, é o próprio de uma vocação heróica, capaz de afrontar a onda mais alta sabendo que dois destinos possíveis estão a igual distância: o dos que terminarão com a própria dissolução do mundo moderno, e o dos que verão o surgir da nova corrente".

E agora, deixemos as palavras e vamos aos atos.


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