sábado, 9 de fevereiro de 2013

Nova Ordem Mundial vs. Nova Era: Separando o Verdadeiro do Falso

Por Kerry Bolton




Existem inúmeras dificuldades na tentativa de discernir o que entre a proliferação de crenças novas ou renascidas se empenha para introduzirr adiante uma Nova Era com base em valores eternos e o que deseja estabelecer o domínio de forças malignas, vinculadas à matéria. O problema é que existem semelhanças superficiais que ocorrem frequentemente entre elas. Mesmo dentro de ordens ocultas como a Maçonaria, há uma série de pontos de vista que podem estar em oposição, mas são confundidos como sendo parte de uma única conspiração abrangente. Há um emaranhado de terminologias, grupos, personalidades, 'Mestres Ocultos’, acusações e contra-acusações de magia negra, e assim por diante. Este artigo considera maneiras em que as correntes positivas e negativas dentro da “Nova Era” poderiam ser identificadas.

Os Ciclos de Ascensão e Queda

A escola da Tradição Perene considera as culturas, religiões e espiritualidades tradicionais como a partilha de crenças, valores de natureza eterna, sobre as quais se assentam Civilizações e sociedades nos seus ciclos naturais. Assim, nos ciclos análogos de culturas tão distantes geograficamente e etnicamente quanto a japonesa, hindu, nórdica, e árabe, todos irão possuir crenças análogas em relação à hierarquia social, ao ethos de cavalaria e a um nexo que existe entre o Divino e o temporal . Em tais sociedades, a vocação mais alta, seja como camponês ou príncipe, é trabalhar de acordo com o dever cósmico, ou o que os hindus chamam de dharma. Nessas mesmas sociedades, castas refletem a ordem Divina na terra: ‘assim na Terra, como no Céu’, e degeneram em classes econômicas no ciclo do declínio.

Essa visão cíclica da história é outra característica compartilhada entre várias culturas Tradicionais, expressa na sociedade nórdica e hindu, na tradição oral Hopi, e em muitas outras. Na nossa própria era, o historiador e filósofo alemão Oswald Spengler forneceu evidências empíricas para a ciclicidade das culturas. Os dois expoentes Tradicionalistas primários da ciclicidade cultural em nossa época são René Guénon e Julius Evola. Esotericamente, é o ciclo da vida expresso na 'Roda' do ‘Major Arcana’ do Tarô, que é derivada da “Roda da Fortuna” medieval ou Rota Fortuna representada nas igrejas góticas. 

Tradição, Anti-Tradição & Contra-Tradição

Um olhar sobre os ciclos culturais é necessário para identificar as forças ocultas que trabalham no contexto da Tradição por um retorno dos valores eternos com base em uma reconexão com o Divino, e aqueles que querem escravizar a humanidade através da matéria. Mais uma vez, recorrer ao simbolismo do Tarot é instrutivo. Aqui notamos que a Contra-Tradição que está por trás da Anti-Tradição, é no sentido esotérico, literalmente satânica. Paul Foster Case fornece um significado para a carta ‘O Diabo’ que é particularmente relevante:

Em seus significados mais gerais, significa “Mamon”, e, portanto, riquezas, convenções da sociedade, injustiça e crueldade de uma ordem social na qual o dinheiro toma o lugar de Deus, em que a humanidade está bestializada, onde a guerra é concebida pela ganância disfarçada de patriotismo e o medo é dominante. Estudantes de astrologia não terão nenhuma dificuldade em observar como isso corresponde a Capricórnio, o signo de grandes negócios e sinal de fama mundial.

Nesse parágrafo, Case diz muito. Ele convincentemente diferencia o Tradicionalista do Anti-Tradicionalista no que concerne uma guerra oculta. Case identifica a Contra-Tradição que controla a Anti-Tradição como “Mamon”. Mamon infere algo mais do que simplesmente plutocracia; é o espírito por trás da plutocracia. A plutocracia controla a era atual. Oswald Spengler apontou que o dinheiro governa na época do declínio de uma Civilização. Não é apenas à influência temporal do dinheiro que Spengler se refere, mas ao espírito por trás do dinheiro, ou o que Case chama de Mamon; “a ditadura do dinheiro segue em frente, tendendo ao seu pico material na Civilização Faustiana [Ocidental] como em todas as outras”.

Outro ponto importante levantado por Case é a ‘bestialização’da humanidade. Na carta ‘O Diabo’, ele é representado acorrentando um casal humano à matéria. Assim como o Diabo, o casal humano é retratado com rabo e chifres. Isso é sugestivo da crença esotérica na regressão cíclica, em vez da progressão linear, quando a humanidade regride de um estado superior do Ser, de um modo espiritual, descendo cada vez mais em direção a uma vil existência material. Anti-Tradição é o agente responsável por esse declínio e escravidão. O mundo moderno, portanto, de acordo com a perspectiva Tradicionalista, não está ascendendo em direção a Deus, nem manifestando o Deus interior, mas está em uma espiral descendente em direção – metaforicamente –  ‘O Diabo’ –  à nossa unidade mais vil.

O problema de identificar quem pertence ao que, surge porque certas forças atuam sob o disfarce de Tradição, enquanto na verdade elas são iniciadas na Anti-Tradição e Contra-Tradição, ou no que Aleister Crowley chama de “Escola de Magia Negra”. O objetivo da Anti-Tradição é a subversão e disseminação de confusão para preparar o caminho para a Contra-Tradição. A ‘Anti-Tradição’ foi afirmada pelo estudioso Tradicionalista Perene e iniciado René Guénon como sendo “pura negação e nada mais”. Em relação à Contra-Tradição, há uma “contra-iniciação”, representando uma corrente satânica daqueles que procuram o rompimento do nexo entre o terrestre e o divino. Guénon escreveu sobre isso:

Depois de ter trabalhado sempre nas sombras, para inspirar e orientar de forma invisível todos os movimentos modernos, no final ela se empenhará para “exteriorizar”, se essa é a palavra certa, algo que vai ser como foi, a contrapartida de uma verdadeira tradição, pelo menos tão completamente e tão exatamente quanto possível dentro das limitações necessariamente inerentes à toda falsificação possível como tal.

Para Guénon, os movimentos Contra-Tradicionalistas carecem de conteúdo espiritual. Isso pode ser observado nos muitos movimentos e ‘ordens’ que professam uma ‘tradição’ e têm uma fachada mística ou espiritual, ainda que exponham uma república materialista universal. É por isso que várias ordens esotéricas podem ser vistas promovendo doutrinas materialistas, como o Marxismo, e dogmas Anti-Tradicionais como aqueles expressos em slogans como “liberdade, igualdade, fraternidade”, anunciando o “reino da quantidade”.  Movimentos e ideologias Anti-Tradicionalistas são apenas um meio, e não o fim. Guénon usa apropriadamente o termo “satânico” para descrever essas correntes. 

Dessas Contra-Tradições, Guénon afirma que elas não podem ser outra coisa além de uma “paródia”, uma “espiritualidade invertida” envolvendo organizações de “contra-iniciação”. Guénon considerava esses movimentos como sendo de origem sobrenatural, como satânicos e acreditava que uma figura análoga ao “Anti-Cristo” se manifestaria à frente de uma ordem mundial.

Guénon descreveu a ordem que a Contra-Tradição tenta impor à princípio, utilizando a doutrina do “igualitarismo” como um meio de derrubar os restos de tradição e espiritualidade,  e depois disso seria erguida no lugar das hierarquias divinas uma “contra-hierarquia”, cujo topo é ocupado por um indivíduo que parece análogo ao “Anti-Cristo”; Guénon descreve-o como “mais próximo do fundo do ‘poço do inferno’”.

Das inúmeras ordens que foram surgindo, especialmente na França durante o século XIX, Guénon se referiu a elas, independentemente de suas pretensões, como “anti-tradição”. Pode-se dizer que elas refletem o zeitgeist da época atual de declínio Ocidental. Guénon refere-se às inúmeras ordens que afirmaram ser “Rosacruzes”. Dessas, a ordem principal é a Maçonaria, da qual deriva a maior parte do “renascimento do ocultismo” atual, inclusive cultos supostamente representando uma “Nova Era”. Elas são , nos termos de Guénon, “contrafacções”, e como contrafacções costumam ser, muitas vezes são difíceis de detectar.




Profanação da Tradição

Eliphas Levi foi um dos principais teóricos do renascimento do ocultismo moderno. Entre os livros de Levi, A História da Mágica proporciona informações sobre a natureza, história e influência de correntes Anti-Tradicionais, Contra-Tradicionais e Contra-Iniciáticas. Levi estava bem posicionado para oferecer opinião inteligente. Ele tinha sido um proeminente propagandista socialista, foi preso por suas opiniões e parece ter sido um Maçom altamente iniciado. No entanto, Levi rejeitou o socialismo em prol de uma posição conservadora e monárquica, e passou a enxergar a Maçonaria como uma nobre tradição que havia sido “profanada” pela Anti-Tradição. Tendo defendido o que ele considerava como o genuíno legado tradicional e espiritual da Maçonaria, Levi então levantou e respondeu à seguinte pergunta:   

Agora, se a Maçonaria é sagrada e, portanto, sublime, podemos ser questionados sobre como ela veio a ser proscrita e condenada muitas vezes pela Igreja?...A Maçonaria é a Gnose e os falsos gnósticos causaram a condenação da verdade.

Levi afirma que os Tradicionalistas eram conduzidos à clandestinidade por medo de serem associados ao “sacrilégio” dos “ falsos intérpretes...os inimigos de todas as crenças e de toda moralidade”:

A Maçonaria não foi simplesmente profanada, mas serviu como disfarce e pretexto para conspirações anárquicas descendentes da influência secreta dos vingadores de Jacques de Molay, e daqueles que continuaram o trabalho cismático do Templo. Os anarquistas retomaram o domínio, a praça e o malho, escrevendo sobre eles as palavras Liberdade, Igualdade, Fraternidade – Liberdade, quer dizer, para todas as concupiscências, Igualdade significa degradação e Fraternidade é o trabalho de destruição. Esses são os homens que a Igreja condenou justamente, e condenará para sempre. 

Levi afirma que durante o século XVIII:

Um cisma ocorreu no iluminismo: de um lado, os guardiãos das tradições relativas à Natureza e ciência desejavam restaurar a hierarquia; havia outros, contrários, que desejavam nivelar todas as coisas através da divulgação do Grande Arcano, tornando assim a realeza e o sacerdócio igualmente inconcebíveis no mundo. Entre esses últimos, alguns eram ambiciosos e sem escrúpulos, buscando construir um trono para si sobre as ruínas do mundo. Outros eram ingênuos. Os verdadeiros iniciados consideravam com desânimo o lançamento da sociedade para o abismo, e previram todos os terrores da anarquia.

Levi aqui se refere à Ordem dos Illuminati, fundada na Baviera em 1776 por Adam Weishaupt, com o objetivo de inaugurar uma república universal comunista; e cabalas semelhantes geralmente emanam da Maçonaria, incluindo o revolucionário Clube dos Jacobinos e as Lojas formadas após o tumulto revolucionário francês de onde vieram os credos subversivos, incluindo o de Karl Marx.

Os revolucionários ateus, racionalistas e humanistas reuniram-se nas lojas durante os séculos XVIII e XIX, onde “trabalhavam os graus” dos antigos mistérios para seus próprios fins Contra-Iniciáticos. Do tipo de profanação que Levi se referiu, podemos afirmar o seguinte.

Philippe Buonarroti, o expoente italiano da Revolução Francesa, foi iniciado na Maçonaria em 1786. Em 1808 ele formou Les Sublimes Maîtres Parfaits. Buonarroti teve uma grande influência sobre o revolucionário Auguste Blanqui, e através do seu livro Conspiration pour l’Egalité dite de Babeuf, suivie du procès auquel elle donna lieu também teve uma influência seminal sobre as revoluções que eclodiram em toda a Europa durante 1848. Buonarroti também aconselhou Mazzini e outros revolucionários na Itália.

Buonarroti  é o co-fundador, juntamente com François Babeuf, de outra ordem revolucionária significativa, a Sociedade do Panteão, uma das primeiras sociedades secretas revolucionárias que emergiram da Revolução Francesa, acreditando que a Revolução tinha falhado; e ele organizou um grupo da Maçonaria Filadélfica dentro da Loja ‘Amis Sincères’. Dr. J. M. Roberts afirma:

O que pode ser chamado de primeira sociedade secreta política internacional, a Sublimes Maîtres Parfaits, foi fundada por Buonarroti, talvez em 1808. Apenas maçons eram admitidos. Os Eleitos estavam cientes de que estavam trabalhando para uma forma republicana de governo; apenas os Areopagitas sabiam que o objetivo final da sociedade era o igualitarismo social, e o meio de se chegar a isso era a abolição da propriedade privada.

O Marxismo foi a culminação dessa corrente anti-tradicional no século XIX de uma longa linhagem de sociedades secretas. Apesar de inúmeros conspiratologistas terem escrito sobre o suposto papel dos Illuminatus na “contratação” de Marx para escrever o Manifesto Comunista, através da Liga dos Justos, documentações confiáveis são pouco frequentes. No entanto, há evidências acadêmicas de que Marx fazia parte da corrente Anti-Tradicionalista. Blanqui organizou a Liga dos Justos, que foi chamada de Liga dos Proscritos por alemães exilados em Paris. Depois, tornou-se a Liga Comunista, e em 1847 essa cabala solicitou Marx para escrever o Manifesto Comunista. Foi de Blanqui que se originou o dito creditado a Marx, a “ditadura do proletariado”. Marx foi iniciado nos Mistérios da Maçonaria Memphis-Misraim. O professor Mark Lause, um estudante da história do trabalho, escreve: 

...Certamente, a história confusa da maçonaria em grande parte refletia os pontos de vista políticos e sociais daqueles atraídos pelo ofício, e alguns dos atraídos pelas mais peculiares formas de ordem pseudo-egípcia refletiam pontos de vista que eram devidamente distintivos.  

O místico cabalístico do século XVIII, Cagliostro, fundou o Rito de Memphis em 1779. Ele insinuou-se para a corte francesa, assim como Philippe de Lyon insinuou sua via para o Tribunal de Justiça do malogrado Czar Nicolau II.

Lause cita Nicolaevsky como uma fonte competente ao afirmar “que a Ordem de Memphis, no século XIX, na verdade, fez a máscara do ativismo revolucionário dos radicais franceses tanto no país como no exterior, de modo impressionante no caso dos círculos de emigrantes em Londres”. Isso confirma a declaração do historiador oculto Lewis Spence, que em uma entrada laudatória sobre Cagliostro, escreve que o Rito de Misraim incluía as doutrinas comunistas dos Illuminati. 

Em 1785 Cagliostro foi envolvido em um escândalo na Corte Real Francesa e exilou-se na Inglaterra, onde escreveu uma propaganda revolucionária contra a monarquia e declarou que o trono francês seria derrubado. Sua ‘Carta ao Povo Francês’ declarou profeticamente que a Bastilha seria invadida e o governador morto.

Spence afirma que Misraim tinha sido criada para subverter a sociedade tradicional da Europa e recebeu um significativo apoio financeiro:

As várias lojas Maçônicas que ele [Cagliostro] fundou e que eram patrocinadas por pessoas poderosas, proviam-no com recursos extensos, e é um fato conhecido que ele foi subsidiado por vários homens extremamente ricos, que, insatisfeitos com o estado das coisas na Europa, não hesitaram em colocar riquezas à sua disposição com o propósito de minar os poderes tirânicos que então exerciam influência.

Londres era o centro da intriga revolucionária onde refugiados políticos de toda a Europa procuravam abrigo e, com a ajuda de maçons ingleses, fundaram a Internationale. A Maçonaria passou a aceitar diversos pontos de vista radicais e um modelo para uma estrutura secreta revolucionária. Lause escreve sobre isso:

Em qualquer caso, se o seu objetivo declarado era algo tão radical quanto o dos Filaletos, a perfeição da raça humana, isso ajudou a legitimar o objetivo de descrever a si mesmo como um “Rito Antigo e Primitivo da Maçonaria”.

Lojas foram estabelecidas na Inglaterra e em outros lugares, sendo La Grand Loge des Philadelphes, em Londres, a mais importante. Lause afirma que a Ordem de Memphis “promoveu o que se tornou a Associação Internacional em março de 1855 [e] ministrou quase todos os membros franceses do Conselho Geral da posterior Associação Internacional dos Trabalhadores”. Outro historiador socialista proeminente, o Dr. Bob James, identifica como maçons Garibaldi, Mazzini, Charles Bradlaugh e Karl Marx, afirmando que isso “não era um acidente, e nem uma aberração”.  




Crowley Sobre as Escolas de Magia Negra e Branca

Aleister Crowley é talvez o melhor exemplo do quão incerta pode ser a identificação de correntes Tradicionais, Anti-Tradicionais e Contra-Tradicionais. Crowley afirmou Adam Weishaupt, o fundador dos Illuminati, como um dos “santos” de sua religião, Thelema. No entanto, as doutrinas de Thelema e os Illuminati são pólos opostos. Crowley, em contraste com as doutrinas comunistas do Iluminismo, procurou o estabelecimento de uma sociedade neo-aristocrática: o renascimento da hierarquia. É notável que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, a antítese de doutrinas comunistas e liberais, também é um Santo do Thelema.

Evola reconheceu Crowley como um verdadeiro iniciado na Tradição. Evola também considerou a Ordem Hermética do Amanhecer Dourado, sob a qual Crowley fez sua aprendizagem mágica e que teve uma influência seminal sobre o renascimento do ocultismo moderno como, “até certo ponto”, um sucessor “para aqueles de caráter iniciático”. Evola admitiu que o sistema de Magia de Crowley foi elaborado a partir de práticas iniciáticas tradicionais: “É certo que no Crowleyismo a inoculação de aplicações mágico-iniciáticas é precisa, e as referências ou orientações de antigas tradições são evidentes”.

Por que então Crowley simpatizava com Adam Weishaupt e os Illuminati, cujas doutrinas são a antítese do Thelema? Talvez, seja porque Crowley adquiriu um certo papel ao assumir o manto de liderança da Ordo Templi Orientis (OTO), fundada por Theodor Reuss, que estava trabalhando para o serviço secreto alemão. É dito que Reuss reviveu a Ordem dos Illuminati, em virtude do que ele afirmou ser conexões familiares com a cabala do século XVIII. Ele era um iniciado da Maçonaria Martinista e Misraim liderada por ‘Papus’ . Ele também esteva em contato com o Dr. William Wynn Westcott, em 1902, um alto iniciado da Grande Loja Maçônica, chefe das Societas Rosicruciana in Anglia e fundador do Amanhecer Dourado. Reuss tinha conexões internacionais influentes. Como o Dr. Richard Spence da Universidade de Idaho expôs, Crowley estava envolvido com o serviço secreto britânico, pelo menos a partir de 1913, quando estava agindo por interesses britânicos em Moscou, e foi chamado durante as duas Guerras Mundiais. Reuss foi obviamente um recurso valioso para os alemães, e coube a Crowley localizá-lo.

De qualquer forma, a identificação de Crowley das Escolas de Magia Negra, Branca e Amarela mostra que os Illuminati e a Maçonaria podem ser identificados com a Escola Negra ou o que Guénon chamou de Contra-Tradição e Anti-Tradição. Crowley explicou que cada Escola tem seus próprios “Mestres Ocultos”. Enquanto a Escola Amarela “permanece distante”, “ a Escola Negra e a Escola Branca estão sempre em conflito ativo”. A Escola Amarela considera o universo como "neutro”. A Negra o considera como uma maldição e tristeza. Assim podemos resumir as três Escolas de Magia em relação à sua filosofia de vida como sendo: Amarela: Neutra, Negra: Negativa, Branca: positiva.

Crowley, assim como Eliphas Levi e Guénon, via a Maçonaria como sendo subvertida pela ‘Escola Negra’ e se referiu aos maçons ingleses como estando “em relação oficial com certos corpos maçônicos, cuja única razão de existência é o anticlericalismo, intrigas políticas e barganha de benefícios”, apesar da Maçonaria Inglesa supostamente evitar tais motivos. Esses sentimentos críticos em relação à subversão da Maçonaria Inglesa não são compatíveis com qualquer um que poderia ser adepto de Weishaupt e do Iluminismo, cujos objetivos primordiais eram a intriga anticlericalista e política.

Crowley via o anarquismo que varria o mundo do tipo que havia sido iniciado pelos Illuminati e outras formas de Maçonaria durante os séculos XVIII e XIX. Mais uma vez, pode-se observar que a atitude de Crowley era tudo menos Iluminista. “O último quarto de um século havia submergido” as monarquias, e para Crowley o mundo ficou mais pobre por causa disso:

O mundo está fervendo devido à insatisfação que brota da insegurança. Os homens podem se adaptar muito bem em todas as condições, mas quando eles não sabem de um dia para outro, onde algum princípio fundamental não pode ser abolido em prol do progresso, já não sabem mais onde se encontram. Eles tendem a adotar os princípios do homem que muda de uma posição para outra... A civilização tornou-se uma disputa histérica por vantagem material momentânea...

Religião Sincrética e Tradição Perene

Os séculos de subversão da Tradição pelos adeptos da Escola Negra e seus crédulos causaram confusão de cultos, religiões e espiritualidades, sendo que a maioria deles pretende oferecer à humanidade o caminho para a paz e felicidade, e até mesmo à Divindade. Como foi indicado ao longo deste artigo, não é um assunto fácil determinar os reais motivos dos muitos que reivindicam o manto da Sabedoria Eterna.

Há um abismo entre os adeptos da Tradição Perene e os da Anti-Tradição, ainda que, muitas vezes, pareçam semelhantes, por causa da natureza ‘falsa’ dos últimos. O Tradicionalista Perene vê um traço comum entre as religiões sobre as extensões do tempo e espaço, pressupondo que todas elas provêm de uma fonte primordial e diferem na medida em que refletem diferenças de circunstâncias étnicas, geográficas e históricas. O Tradicionalista Perene procurará manter a distinção dessas crenças.

O adepto da Escola Negra, mascarado de tradicionalista, pretende amalgamar as religiões do mundo em uma nova fé sincrética, o altar no qual toda humanidade seria presa sob o pretexto de 'fraternidade universal', cujo prelúdio foram os sangrentos Reinos de Terror na França Jacobina e Rússia Bolchevique. Portanto, quando os políticos seculares de um Estado, que também por acaso são adeptos do objetivo de uma ‘nova ordem mundial’, começam a falar sobre ‘diálogo inter-religioso’, sob o pretexto de ‘representar todas as religiões’ e de ‘tolerância’, devemos suspeitar.

Aqueles que aderem à Sabedoria Eterna de muitas fés rejeitam agendas materialistas. O Fórum Mundial de Cultura Espiritual, formado por iniciativa do presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, reúne aqueles que buscam uma nova civilização, no rescaldo do que eles consideram como uma civilização técnica que é “anti-cultural”. Significativamente , Nazarbayev também é defensor de um bloco geopolítico Eurasiano que iria desafiar a própria possibilidade de uma ‘Nova Ordem Mundial’. Esse bloco serviria como o eixo para uma Nova Era fundamentada em princípios espirituais e culturais, e livre das amarras da matéria.

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