sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Os Ideais da Nova Geração

Por Ramón Bau


O primeiro erro de muitos conservadores da direita reacionária está em atribuir à juventude as fatídicas condições atuais da ética e dos valores essenciais.

Mas as novas gerações estão precisamente livres dessa culpa primordial, que consiste em afirmar que elas tiveram se degenerado, apesar de uma educação medianamente correta e de terem conhecido formas familiares de educação muito mais aceitáveis que as atuais. No entanto, os jovens não conhecem formas tradicionais de viver, por terem nascido já imersos no sistema decadente capitalista e progressista, por mais que seus pais tenham tido ao menos certa forma de valores de disciplina, honra e/ou espiritualidade, deixaram-se levar pela propaganda do sistema e a busca do prazer como único objetivo de vida.

Tem sido péssimo o exemplo dos reacionários e a comodidade dos chamados progressistas que os conduziram à situação atual. A juventude é, pois, um produto dos valores mal-educativos e do mau exemplo da sociedade democrática, com seu materialismo econômico por um lado (direita) e sua infame antiética por outro (esquerda).

Uma das formas mais claras de perceber esta situação está no modo com que as últimas gerações mudaram, desde sua corrupção inicial, a uma lógica decadente estabelecida. Devem-se analisar os ideais das duas últimas gerações, tendo como geração 35 anos, que é o tempo que vai desde o nascimento até a ascensão de certa direção na sociedade da nova juventude já formada e crescida.

Pois bem, se tomamos a geração dos anos 60 e 70, percebemos que naquele momento a geração culpada da aceitação de uma decadência posterior toma a decisão compreensível de buscar uma série de novos ideais, mas fazendo-o de modo equivocado.

Essa geração toma para si ideais como o pacificismo e a militância de esquerda (“paz e amor e não à guerra” era o protesto feito pelo Vietnã, mas nunca pelo Tibete), unido a uma liberdade total do sexo, a busca do prazer material (drogas, sexo, dinheiro), a luta social marxista em seus aspectos mais estranhos (feminismo de classe, sexismo revolucionário, música para noites de sexo e orgias), o desejo de igualdade (em tudo, menos no dinheiro), ídolos que como Che, Lenon, Chaplin, rockeiros em geral ou artistas do cinema, que nada tinham a ver com o modelo pessoal humano – tratava-se, na verdade, de uma arte manchada, com a única justificativa de romper com o clássico.

Apesar de todo o asco que estes temas nos dão, deve-se admitir que essa geração possuía ideais – não os havia ainda comprovado, desconheciam seu vazio, levando-os sob pressão dos meios de comunicação, intelectuais e financeiros, triunfantes em 1945.

Por isso, aquela geração assumiu seus ideais novos com paixão autêntica, com idealismo, de forma que foram extremos em tudo. A droga se tornava um meio político; o sexo livre era um protesto; a rebelião universitária de 1968 levava-lhes às barricadas e pedradas. Discutia-se em salas de aula. Nós nos pegávamos por ideais nos passeios universitários, cassetetes e varas em todos os lugares, como eu mesmo vivi várias vezes, tenso sido delegado no Curso de Engenharia. Eram ateus sinceros, não por dissídio, mas pelo princípio de ruptura com as igrejas. Os catalães aplaudiam a Serrat ou a Raymon (com canções preciosas, diga-se de passagem) entre as quais jamais se falava de dinheiro ou reclamações econômicas, mas da defesa de ser catalão.

Mas certamente aquele que planta lixo, recolhe excrementos. Com a melhor ilusão, uma geração foi enganada pelo marxismo e pelo capitalismo mesclados, naquilo que se chamou de progressismo, tendo trabalhado e lutado por ideais que eram as sementes criadas por seus instigadores.

Assim, quando esta geração alcançou o poder, nos anos anteriores a 2000, aqueles jovens de Juventudes Comunistas, Comunas de orgias sexuais, Anarquistas libertários, Liga Revolucionária, Maoístas e drogados de festas, acabaram como ministros, atrizes pornôs ou funcionários do neo-capitalismo e progressistas de salão, ocupando com paixão prefeituras e os espaços urbanos; advogados de negócios, muitos ministros e altos funcionários econômicos da Europa capitalista e maçônica atual, que antes haviam sido comunistas raivosos que levavam a imagem de Che ou Mao em suas camisetas.

A geração que foi mal-educada, segundo seu ideal de “não à autoridade”, “não ao castigo”, “relativismo... deixar fazer” unida a seu exemplo de traição de todo ideal, vendendo-se ao dinheiro e ao poder, é a juventude atual.

E constatamos que todos os ideais daqueles anos de 60 e 70 já não existem mais entre eles. A droga já não é mais a rebeldia, senão um prazer e vício. Os jovens já não querem mais saber de nada que remeta à luta contra a autoridade. O sexo é o prazer sem mais profundidades. São ateus por preguiça, sem ter meditado um minuto a respeito disso. A arte não lhes é importante – nem o moderno, nem o outro. Seus cantores prediletos não sabem nem o que dizem (pois somente lhes interessa a dança e o ritmo alucinante). Estudam para ganhar dinheiro, não para protestar por nada. Os jovens que trabalham, fazem-no porque não existem outros meios (não por luta de classe nem ideais proletários). O Che se transformou em uma marca de vestimentas. Os Rollings vendem sua marca aos elegantes e suas canções de protesto são usadas em anúncios de colônias e perfumes da moda. Os militantes de partidos buscam cargos ou influências, e os que não ganham dinheiro são tidos como perdedores.

Se um jovem pede honra e trabalho no PSOE de hoje, será como quando um monge no ano 1200 pedia pobreza ao Papa de Roma – um pobre iludido, candidato à expulsão. (Nota: Partido Socialista Obrero Español)

A nova juventude perdeu todo o ideal que não está no dinheiro e em viver bem. Não existem utopias nem ideais. Os mesmos que se sacrificam anos para ganhar posições ou ter um currículo profissional, jamais se sacrificaram por nada “dos outros”, por algo idealista.

O antimilitarismo de então se converte em um desentendimento total do tema, fazendo com profissionais se ocupem de combater o Iraque ou qualquer outro alvo apontado pela OTAN. Pois para a juventude, nada disso importa.

A juventude atual não é má. Simplesmente não tem ideal, pois aquele, de seus pais, foi uma fraude. E assim, não conhecem a outros e nem desejam conhecê-los. Sequer lutar ainda por algo.

Já não há luta de gerações como a que havia nos anos 70. Hoje os jovens nem sequer brigam com os pais, pois já os passaram à busca de dinheiro.

Quando lemos alguns dos textos sobre o ideal nacionalista dos anos 30, vemos a enorme ruptura que se deu em 1945, como não foi uma derrota militar, mas uma destruição de uma concepção de mundo.

Podemos ler em um texto de Carl Cerff, dirigente das Juventudes Nacionalistas sobre “Nossas tarefas culturais para as horas livres da juventude”:

“De nós, partem todo tipo de sugestões para a educação sadia da juventude: seja mediante sua participação nos cursos organizados, realizando-os em lugares convenientes, recomendando-lhes livros bons, ou por meio de jogos, concertos, cinema, teatro etc. Procuramos também – e acima de tudo – que nossos moços e moças utilizem seu tempo livre aprendendo a tocar um instrumento, pois não há nada tão apropriado como a música para dar ao tempo livre um caráter elevado e grandioso para a vida. A música desperta na juventude os sentimentos da beleza e nobreza. Na organização do tempo livre para cada indivíduo, damos grande importância aos jogos de mesa, principalmente ao xadrez e outros similares, os que não somente servem de propagação de valores à juventude, como também de excelente estimulante espiritual”.

Ou bem:

“Nós nos opomos àquela parcela de jovens que se separam intencionalmente, com sentimentos de inimizade, comum à vida dos adultos. Pois a juventude deve estar incorporada ao conjunto da vida cultural alemã, em ânsias culturais e os esforços que somente ela é capaz de realizar”.

Quando ouvimos falar do “Serviço Estudantil”, onde milhares de estudantes voluntários substituíram no trabalho a um campesino ou uma mãe, para que estes pudessem ter umas vocações extras.

Isto nos soa como uma profecia, quando diziam sobre o sistema democrático: “A formação do caráter e subordinação da cultura individual às necessidades vitais do povo, eram conceitos desconhecidos ou rejeitados radicalmente”.

Podemos comprovar que os ideais daquela geração tiveram produzido resultados bem distintos dos atuais. Buscavam uma elevação espiritual e cultural dos jovens, não sua felicidade por prazer, mas pela alegria de cumprir os deveres e superar-se como pessoa.

Hoje pareceria uma utopia tirar as crianças dos consoles ou do computador para que passassem a gostar de teatro ou caminhar na natureza.

Lutamos para que um dia uma nova geração volte a buscar ideais, que lhes dê asco a decadência e a burguesia atual dos progressistas e seu miserável egoísmo – que seja uma geração que busque um mundo novo: este é o grande perigo para o sistema. A nova juventude em cada geração.

2 comentários:

  1. Sempre pensei dessa forma. A juventude de hoje é um reflexo defeituoso da última geração; vemos algumas pessoas mais velhas reclamando do que se apresenta hoje na juventude atual. Para mim, a geração antes da minha já era um lixo, claro que um lixo melhor do que o atual, mas mesmo assim, muito pior do que a geração anterior, Não sei o que se poderia esperar dos filhos dos Hippies que não fosse decadente, assim como os filhos da ditadura (Minha geração) não poderiam apresentar nada melhor, visto que fomos castrados de opinião própria assim como do direito de ter pensamentos divergentes do "politicamente correto". Hoje o que vemos é o subproduto do que foi feito nas ultimas 3 gerações. Afinal, quem planta erva daninha não pode esperar comer frutos.

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