quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Pensamento Social de Proudhon

por Marc Valbert



Um eco recente de Notre Combat assinalava a nossos leitores a presença em Paris da senhorita Henneguy, de noventa e três anos: a neta do grande Proudhon. Posto que, se devemos acreditar em Jacques Bourgeat que acaba de publicar um estudo sobre Proudhon, pai do socialismo francês, "a vida e obra de Proudhon são pouco conhecidas pelo grande público", consagraremos esta crônica da Marcha ao Socialismo àquele que lhe fez dar tão grande passo...

Pierre-Joseph Proudhon nasceu em Besançon em 1809. De família pouco acomodada, obteve uma bolsa municipal para seguir seus estudos. Se fez impressor, depois de ter sido simplesmente tipógrafo, depois contador, finalmente jornalista. Sua vida consagrada à criação de sua obra, foi atormentada por causa de seus inimigos políticos. Eleito membro da Assembléia Nacional em 1848, se negou a participar da Comissão de Luxemburgo. Em 1849 foi preso devido a fofocas fomentadas por seus adversários. Sob o Império partiu para o exílio em Bruxelas. Teve uma existência severa, dolorosa; publicou seus trabalhos a preço de enormes penas, caminho da miséria, devido à saúde ruim e às perseguições.

O pensamento social de Proudhon exerceu sua influência até o estrangeiro e contínua sendo estudada hoje em dia com paixão. (O que é a propriedade? O sistema das Contradições Econômicas, Idéia Geral da Revolução no Século XIX, A Guerra e a Paz, Teoria do Imposto, etc...), conservando um profundo valor atual.

Nos equivocaríamos se considerássemos Proudhon como um revolucionário partidista. Pelo contrário, era um espírito aberto, imbuído de forte disciplina; conservava profundas ataduras com o espírito familiar. Se declara partidário da manutenção da autoridade marital e paternal. Sentiu horror frente ao "amor livre", odiou, segundo suas próprias palavras, as revoluções sangrentas. Se opôs à emancipação da mulher.

E não obstante, quantas opiniões novas, construções atrevidas, reformas sensatas não chegou a sugerir. É por isso que mereceu ser chamado de pai do socialismo francês. Quando se revisa a harmoniosa construção de suas idéias políticas e sociais, nos sentimos muitas vezes confundidos, por serem tão próximas às realizações modernas de alguns países europeus.

Acima de tudo reclamou a plena reabilitação do trabalho. Quer que seja alegria e honra em lugar de fadiga e tristeza. Não há trabalho humilhante. É ele, também, quem devolve a honra ao trabalho manual após se alçar contra a injustiça que consiste em considerá-lo como inferior ao trabalho intelectual.

O filósofo passou depois aos grandes princípios, às bases mesmas da vida social; o princípio de justiça, e o da igualdade na equidade. Dá da justiça essa bela definição: "é o respeito espontaneamente sentido e reciprocamente garantido da dignidade humana". Demonstrou tudo aquilo que tem de odiosas as desigualdades sociais fundadas sobre qualquer outra coisa que não seja o mérito. Denuncia os privilégios, os abusos, "vampiros que corroem as forças vivas da Sociedade e desunem lentamente o espírito nacional das classes operárias".

Aplicando essas teorias, propôs algumas medidas práticas; algumas das quais se parecem estranhamente a realizações sociais atuais que conheceram o triunfo mais legítimo. É assim também em relação a suas aplicações da teoria da propriedade: nada mais falso do que crer que Proudhon negava esse direito fundamental ao ser humano: ao contrário, vê nele mesmo "o eixo e o grande suporte de todo o sistema social". Porém esse direito é precisamente tão importante para o Estado que a comunidade deve se reservar um direito em relação à forma em que as possessões são geridas; Proudhon dá como exemplo, o usufruto e a enfiteuse. Uma parcela de terra descuidada poderá ser expropriada. Pelo contrário, se é bem cuidada, a cidade terá cuidado em se assegurar a perenidade de sua exploração: Proudhon é assim levado até o "sistema da pequena exploração campesina inalienável, indivisível e hereditária".

Que o leitor pese cuidadosamente estes termos. Não são por acaso o contrário dos conceitos marxistas e não mostram por acaso o mais puro e inteligente socialismo de Estado? Essa idéia proudhoniana faz pensar irresistivelmente no "domínio rural hereditário" alemão: tão certo é que dois conceitos socialistas animados pelo mesmo amor ao bem público não podem se distanciar demasiado entre si em suas aplicações práticas.

Proudhon teve ainda outras muitas idéias destacáveis por sua engenhosidade e sua generosidade. Seus conceitos do salário e do crédito renovaram essas questões. Pediu a revalorização dos salários das coletividades operárias e a criação, para as mesmas, de alojamentos higiênicos. Para retirar dos capitalistas internacionais o emprego abusivo do crédito, Proudhon reclamou que esse poderoso motor da economia pública fosse acessível a uma quantidade maior de indivíduos.

Finalmente foi o grande inventor do mutualismo, que deveria mais tarde, como mostra o Sr. Lagardelle em seu belo estudo sobre o "socialismo operário", ser tão útil para a edificação das diversas teorias sindicalistas...as que, por outra parte, para serem postas a soldo de propagandistas estrangeiros, saíram de seu objetivo, que era melhorar a sorte do trabalhador. O mutualismo, transformado em corporativismo, suprime a luta de classes; seguindo as próprias palavras de Proudhon "a teoria da mutualidade é a síntese das duas idéias da propriedade e da comunidade". Isso ainda estava em linha com um socialismo jovem e renovador".

Assim a figura de Proudhon aparece hoje, com o progresso da história, como um precursor; seu tempo não o compreendeu. Com segurança, não devemos aceitar sem reservas toda a sua doutrina. Não é o mestre mais além das dúvidas da nova escola socialistas. Porém tudo nele surge de um pensamento generoso, exclusivamente orientado para o bem público.

Este pensamento social de Proudhon servirá sem dúvidas amanhã, à luz de experiências passadas, para a renovação nacional e a reconstrução comum da cidade.

2 comentários:

  1. Obrigado! tudo que eu precisava entender e muito compreensível a leitura. ♥

    ResponderExcluir
  2. O mutualismo de Proudhon tende ao distributivismo, não?

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.