terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Senhores do Anel

por Michael Colhaze



Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam - J.R.R. Tolkien

Muitas lutas atrás e somente por uns anos, eu usava meus cachos longos e trajava roupas coloridas e vagava pelos refúgios psicodélicos de Paris, Londres ou Amisterdã, usualmente segurando um baseado em uma mão enquanto empregava a outra para sublinhar com gestos lânguidos meu último conceito de como trazer paz instantânea e amor ao mundo. Quanto a meus companheiros bizarros e hippies, a maioria subsistia com muito pouco, pelo menos em relação a dinheiro, mas quase todos tinham animais de estimação, estes batizados frequentemente com base em um tipo de heróis muito na moda durante aqueles tempos inocentes. Para gatos, Galadriel era bastante popular, também Arwen e Legolas. Em Amsterdã minha vizinha, uma senhora de meia idade e cabelos tingidos, vestidos floridos e sinos ao redor de um tornozelo, possuía um enorme gato chamado Gollum. Quando ele foi um dia atropelado por um caminhão, ela veio e chorou profusamente em meu colo. Eu fiz o melhor para confortá-la, ainda que secretamente celebrasse porque o malicioso bastardo, nomen est omen, costumava ser um verdadeiro terror para os pardais e melros locais, e há muito tempo eu considerava meios de abandoná-lo em um lugar distante sem levantar suspeitas. Quanto a cães, eu me lembro de um Frodo, Bilbo e Pippin, também um Boromin, um poderoso leonberger e a criatura mais gentil que já conheci.

O que nos dá a ideia do quanto o notório épico de Tolkien estava em nossas mentes durante aqueles anos felizes. Onde quer que você chegasse, você encontrava nas estantes de caixas de papelão ou caixotes pelo menos uma cópia, geralmente uma pesada brochura caindo aos pedaços de tanto uso. Paredes eram adornadas com mapas coloridos da Terra-Média, e Gandalf era um nome popular para qualquer coisa desde uma publicação underground a uma pouco longeva sociedade artística. Dependendo de fantasia e imaginação, e talvez do consumo diário de maconha, um número extraordinário de pessoas se identificava com um membro da Sociedade, ou desejava com fervor o retorno do Rei, ou teria se aposentado no Condado sem olhar para trás ao menos uma vez.

Por outro lado houve alguns, eu inclusive, que haviam gostado do livro mas acharam ele um pouco carente de profundidade psicológica. Era, afinal, um quadro monumental pintado basicamente de preto e branco, com protagonistas ou incrivelmente valentes, belos e nobres ou o absoluto oposto, nomeadamente indizivelmente feios e malignos. O que fazia da história um tanto previsível e desprovida do toque emocional complexo que de outro modo teria encontrado um caminho para chegar ao coração. Ainda assim, o poder de imaginação de Tolkien não pode e não será negado, e em sua defesa deve ser dito que ele se apoiou bastante nas sagas germânicas como os Eddas ou o Nibelungen, e que essas eram em geral exemplificações magníficas da eterna batalha entre o Bem e o Mal. Uma batalha em que um punhado de arabescos intelectuais pareceria fora de lugar.

Porém, sob a simplicidade heróica se ocultava um aspecto que me intrigava e a muitos de meus amigos consideravelmente, nomeadamente o sentido mais profundo por trás da fantasia. Porque, como todos concordávamos, tinha que haver algum já que o conto era simplesmente muito cuidadosamente pensado para que não houvesse um. Não importa que o assombroso Sauron, figura titular e protagonista principal objetivando escravizar o mundo e a humanidade particularmente, não apareceu pessoalmente durante os eventos. Mas sua presença é sentida de modo sobrepujante, e ele tinha que ter um equivalente na história recente do homem, e enquanto tal um nome que fizesse sentido.

O primeiro na fila era obviamente Adolf Hitler, salvador temporal de uma Alemanha traída, arruinada e esfomeada saqueada pelos vencedores em Versalhes, mas para o resto e segundo o New York Times o maior patife a já ter posto os pés em nossa sagrada Terra. Depois na fila vinha o bom e velho tio Stálin, assassino em massa por excelência apoiado por um coeso clã de capangas como descrito e definido pelo grande Solzhenitsyn em seu Gulag e Dois Séculos Juntos. Então o fabuloso Timoneiro Mao, que muito provavelmente possui o recorde Guinness por defuntos acumulados ao redor do mundo. E finalmente os inventores da bomba nuclear, representados por Robert Oppenheimer que pagou, assim como aquela abominável fraude Freud, com câncer de pulmão e uma lenta e dolorosa morte por seus pecados.

Mas por mais que se tente, nenhum dos mencionados acima faz sentido. Uma razão é que obviamente Tolkien começou O Senhor dos Anéis já em meados da década de 30, muito antes que aqueles vilões florescessem completamente.

E quanto ao próprio anel, que tipo de poder ele possuía exatamente? Ele era, isso sabemos, potente o suficiente para escravizar os inferiores, mas não onipotente. Porque há muito tempo Isildur, Rei de Gondor, em uma tentativa desesperada de barrar o avanço dos orcs, havia oferecido batalha a Sauron, seu chefe. E em um mano a mano conseguiu com a ajuda de Deus cortar a mão deste com a qual ele portava o anel. Um feito que dispersou o Senhor do Escuro e suas hostes, ao menos por um tempo e até que ele tentasse capturar de novo a coisa abominável.

Meu entendimento das tendências políticas de Tolkien é escasso. Ele próprio, até onde eu sei, se recusou a dar pistas. Mas há pistas. Se diz que ele considerava o General Franco bem enfaticamente como o salvador da Espanha Católica, uma opinião muito em contradição com contemporâneos como o caçador alcoólatra Hemingway e seus comparsas liberais. Um dos amigos próximos de Tolkien, o escritor e poeta Roy Campbell, havia testemunhado as atrocidades cometidas pelos esquadrões da morte marxistas contra padres e freiras em Córdoba e os descreveu com vívidos detalhes. O que o torna interessante nesse contexto é que ele também contribuiu artigos para The European, uma revista fascista publicada por Lady Diana Mosley, esposa de Sir Oswald e, como James Lee-Milne a descreveu, a coisa mais próxima à Vênus de Botticelli já vista.

Ezra Pound, entre outros, também contribuíam para The European.

Isso deveria ter feito o sino soar, mas não fez. Quase vinte anos tinham que passar antes que as peças caíssem no lugar, ao menos dentro da minha assaz limitada percepção. Uma foi uma exibição, a outra uma produção do Ciclo do Anel, de Wagner.

A exibição foi sediada em Frankfurt por um dos estabelecimentos de arte mais influentes, o que quer dizer que lanches com patê francês e algumas pessoas interessantes podiam ser esperados na grande abertura. O que foi a razão, à parte certa curiosidade, pela qual um velho amigo me levou lá. Nós dois não possuíamos qualquer familiaridade com a arte moderna e só conhecíamos o artista vagamente pelo nome. Lucien Freud era ele, neto de vocês-sabem-quem, e suas peripécias tão edificantes quanto um rato morto embaixo da pia. Conforme nos detivemos de frente para um, um homem rude nu reclinando em um leito sujo com as pernas arreganhadas enquanto coça suas genitais avermelhadas penduradas sobre um ânus cavernoso, meu amigo de uma olhada ao redor e exclamou: Grande Orc das Artes de Bosta! Nunca teve nenhum senso de beleza e nunca terá!

Um comentário que me transportou imediatamente para um passado mais ensolarado e inocente, mas também me fez recusar qualquer comentário. Porque isso era, afinal, a Alemanha, um país governado por criminosos politicamente corretos que há muito tempo já havia expurgado a liberdade de expressão como disposta na Constituição, e que esbofeteia por anos a fio se você insistir em fazer uso dela.



Maldito seja o Anel que eu forjei com um uma Maldição!
Apesar do Ouro me ter dado ilimitado Poder
Agora sua Feitiçaria trouxe-me Ruína! - O Ouro do Reno, 3ª Cena

Por volta de uma semana depois eu vi, e ouvi, O Anel do Nibelungo de Richard Wagner. Eu não tenho a intenção ou a acuidade intelectual de fazer jus a essa obra-prima. George Bernard Shaw, em seu ensaio O Perfeito Wagnerita, o resumiu assim: Apenas aqueles de uma consciência ampla podem segui-lo ofegantes, vendo ali a tragédia da história humana e todo o horror do dilema do qual o mundo hoje encolhe.

Dilema?! Horror?!

Shaw não entrou em detalhes quanto a isso, mas o próprio compositor foi mais direto

"Você me perguntam sobre a Judiaria. Eu senti um ódio há muito reprimido por eles, e esse ódio é necessário para a minha natureza como a vesícula biliar é para o sangue. Uma oportunidade surgiu em que seus rabiscos me incomodaram em demasia, e assim eu rompi de vez. Isso parece ter causado uma tremenda impressão, e isso me agrada porque eu realmente queria apenas assustá-los dessa maneira. Porque é certo que não nossos príncipes, mas os banqueiros e filisteus são hoje em dia nossos mestres..." (Correspondência entre Wagner e Luszt, Vol. I, p.145, 18/4/1851)

Ele não pretendia, como afirmado bem claramente em outros lugares, culpar toda a tribo, assim como eu e você não consideraríamos cada italiano automaticamente um membro da Cosa Nostra.

Quanto à tremenda impressão, é assim que ela começa. Nomeadamente no próprio fundo do poderoso rio alemão Reno. Ali um tesouro estava encrustado em um recife, brilhando misteriosamente à luz do sol que filtra através das ondas imemoriais. Belas sereias o guardam por ordens de seu pai, desfrutando de seu brilho hipnótico, contorcendo seus amáveis corpos na clara reflexão. Até que um Alberich rasteja das profundezas, um mirrado nibelungo e Filho da Noite que contempla as donzelas com olhos gananciosos. Quando ele as tenta seduzir, elas somente riem, puxam sua barba e zombam dele. Furioso, ele pergunta o significado do ouro. Descuidadamente elas lhe dizem que Poder ilimitado para governar o Mundo está reservado para aquele que forjar um Anel feito com o precioso metal. Mas, elas também o alertam, esse feito somente é possível se ele renunciar para sempre ao Poder do Amor.



Alberich só precisa de um momento para se decidir.

O Mundo eu receberia como herança!
E se eu não posso ter Amor
Não poderia eu maliciosamente extorquir Luxúria?
A Luz eu extinguirei para vós
O Ouro eu arrancarei do recife
E forjarei o Anel vingador!
Que as Ondas sejam minha testemunha:
Para sempre eu amaldiçoei o Amor!

Ele arranca o ouro das pedras e forja o Anel para governar o Mundo com malícia e força bruta - e é claro sem Amor.

"Meu Anel e o de Wagner eram redondos, mas aí a semelhança acaba!" zombava Tolkien um tanto maliciosamente após seu livro ter sido publicado em meados da década de 50. O que é uma negação tão transparente que parece quase risível. O supracitado ensaio de Shaw O Perfeito Wagnerita, que possui quase o tamanho de um livro, muito aclamado e amplamente lido, deve ter sido conhecido em detalhes para Tolkien também.  Porque o seu Anel e o de Wagner são idênticos em tema e essência, gêmeos na verdade ainda que em tipos diferentes de roupagens. O que quer dizer que o primeiro, comparado ao incomparável magnum opus de Wagner, é extramente grandioso e bastante divertido, mas não é realmente uma obra-prima da literatura no sentido clássico. Interessante que Tolkien usa palavras como Mordor ou Sauron, claramente derivadas do alemão Mord, ou assassinato, e Sau, ou semeadura. Ainda que sua afirmação de que seu próprio nome seja derivado do alemão tollkuehn, significando extremamente tolo, parece improvável já que não existe como nome de família.

Quanto ao significado mais profundo em ambos casos, é importante saber que o Anel do Poder não possui potenciais mágicos como os entendemos. Ele não pode destruir exércitos inimigos simplesmente por uma ordem de seu portador. Ele não pode te fazer voar. Ele não pode deter o fluxo do tempo. Ele não pode nem mesmo lhe impedir de se molhar se chover. Ele pode lhe tornar invisível, é verdade, mas isso é somente uma ilusão. E você ainda ficaria molhado de qualquer maneira. Então o que ele é realmente?

Ele realmente é somente OURO!

E isso não é o bastante para governar o mundo? 

Para muitos daqueles que testemunharam as últimas décadas dos grandes Impérios europeus, um reino de paz e melhora geral que acabou abruptamente e horrivelmente com a Primeira Guerra Mundial, a era seguinte deve ter parecido como a proverbial desvalorização de todos os valores. Porque os banqueiros e filisteus, já tão poderosos nos tempos de Wagner, se fortaleceram fora de toda proporção. A Alemanha, de joelhos, foi a mais duramente atingida. Durante a mal fadada e assolada por dívidas República de Weimar a capital do país, Berlim, possuía 115 instituições bancárias das quais 112 pertenciam a judeus. A mesma proporção era verdadeira para inúmeros cabarés e bordéis onde garotas e garotos tão pouco quanto dez anos de idade vendiam seus corpos famintos para a nova casta de acrobatas do dinheiro. Quanto aos bancos, eles usavam as catastróficas finanças do país para sua vantagem e trapaceavam a população faminta para tomar seus bens, fossem eles ações, lojas, casas, fazendas, fábricas ou jornais, até que metade da Alemanha estivesse nas mãos de uns poucos. O mesmo aconteceu, ainda que de modo bem menos drástico, em muito do mundo ocidental e resultou finalmente na cataclísmica Sexta-Feira Negra. Um exercício, como o órquico Robert Fuld da antiga Lehman Bros. nos informou tão insolentemente, em que arruinamos uma economia nacional e pegamos os restos para nós por uma mixaria.

Agora deve ser lembrado que naqueles anos a opinião pública era como um todo bem menos manipulada do que hoje. Nenhum Holocausto havia sido inventado ainda para calar críticos indesejáveis, nenhuma Máfia Midiática mundial podia dizer pra você convincentemente que um pedaço de merda era um pote de ouro. Assim em muitos dos jornais nacionais e internacionais, relatos de roubos, crimes e injustiças abundavam, apoiados com caricaturas do cruel e ganancioso Judeu.

Relatos que certamente devem ter sido observados e considerados por Tolkien também. Portanto é bastante plausível que o Anel que ele começou a forjar em sua mente durante o início da década de 30 não fosse tão diferente assim daquele que Wagner havia inventado 100 anos antes. Particularmente se lembrarmos um detalhe bastante interessante, nomeadamente que de fato um Aragorn emergiu dos ermos e reforjou a espada que foi quebrada. Um homem não de ascendência real, é verdade, mas algum tipo de Mahdi ou Enviado, como Carl Gustav Jung chamava. Muito poderoso, grande orador, desprovido de medo, e imediatamente se dispondo a labutar e sendo bem sucedido, quase da noite para o dia, em romper com o terrível poder do Anel. Um feito que ele conseguiu ao jogar papel-moeda sem valor pela janela e o substituindo com escambo baseado em bens reais e trabalho honesto.

Bem, nós sabemos o que se passou com ele e com os seus, e quão caro eles pagaram por uma tentativa que pôs em risco a supremacia das instituições bancárias de Sauron ao redor do mundo. Estas se reagruparam, fazendo uso pleno de seu Anel, e as antigas cidades da Alemanha e seus inocentes habitantes, milhões deles, pereceram em um Incêndio de magnitude e barbárie inimagináveis. Um momento triste em nossa grande história cristã europeia, vocês concordarão, e sua cortina final adequadamente baixada por um de seus maiores condutores, Herbert von Karajan, que conduziu no dia da destruição de Berlim o último episódio do Ciclo do Anel, Crepúsculo dos Deuses.



Quanto ao Enviado, virá um dia em que ele será julgado mais objetivamente e não meramente demonizado fora de toda proporção. Quando algumas das mais vis acusações contra ele poderão desabar como uma casa de cartas em uma nuvem de poeira tão grande quanto a do 11 de Setembro e suas explicações oficiais.  O que poderia resultar em duas escolas de pensamento, nomeadamente uma em que ele permanece de fato um vilão, e outra que o pronuncia a figura mais trágica que já caminhou sobre a terra.

Ele e seu povo.

Quanto a mim, eu ainda não me decidi.

Quanto a Tolkien, quase 20 anos se passaram entre a primeira página escrita do Anel e sua publicação. Um período de tempo que mudou radicalmente a face do mundo, incluindo o mercado de livros. Que acabou, em grande parte e com pouca surpresa, nas mãos de Sauron também. Assim não vem como surpresa se o cronista de Sauron fez silêncio e resolveu refutar qualquer familiaridade, quanto mais dívida, entre ele e seu ancestral alemão. E assim removeu quaisquer obstáculos ideológicos e abriu o caminho para um tremendo sucesso literário.

Um sucesso certamente merecido, com o pequeno pesar de que jamais saberemos a que tipo de Fogo Secreto o velho mago Gandalf o Cinzento estava servindo, e que ele tão poderosamente evocou quando ele golpeou a Ponte de Khazad-Dûm sob os pés flamejantes do Balrog. Este um nome intrigante, particularmente se tiver em mente que Baal é o deus canaaneu da fertilidade que demandava sacrifícios humanos, e Rog a palavra hindu para enfermidade.

Quanto ao resto do mundo, a questão é em que medida os Senhores do Anel conseguiram nos escravizar. Logicamente falando, e vendo sua imensurável riqueza e influência quase ilimitada, eles há muito deviam já ter consolidado o reino. O que parece ser de fato o caso na maioria dos países ocidentais em que presidentes, primeiro-ministros e chanceleres são seus marionetes obedientes. Espectros do Anel, Tolkien os nomeou adequadamente. Homens e mulheres como eu e você, mas de olhares vazios. Carcaças externas de suas antigas personalidades que nos comandam a abandonar nossa moral e herança artística, a lutar guerras falsas para seus mestres, a depositar qualquer quantia em dinheiro em seus bolsos, e geralmente nos ordenam a estar a seu dispor quando for de seu agrado.

Porém algo deu errado.

Para começar, as Sombras foram arrancadas da Terra de Mordor, uma região misteriosa envolvida em profundo sigilo por séculos, mas agora claramente iluminada. Tanto que seus esquemas e crimes são diariamente mais claramente observados e compreendidos, seja a corrupção de políticos, a transferência de postos de trabalho para países estrangeiros, a verdadeira intenção por trás do globalismo, os roubos gigantescos, as reviravoltas econômicas resultantes, as atrocidades indizíveis nos territórios ocupados, os assassinatos planejados, os verdadeiros responsáveis pelo 11 de Setembro, só para citar alguns.

Em seguida vem os Espectros do Anel, talvez a melhor invenção de Tolkien. Facilitadores, Paul Gottfried os chamou, e os considera piores que seus mestres criminosos. Homens e mulheres que outrora possuíram almas cristãs e conheciam o Poder do Amor, mas que venderam ambos por trinta peças de ouro para forçar seus próprios e insignificantes anéis. Bugigangas que servem por uns poucos anos para navegarem na crista da onda até que um novo concorrente conquiste vantagem e os substitua. O que normalmente é amaciado com honras e cumprimentos para facilitar os anos crepusculares vindouros, um tempo em que fantasmas e defuntos do passado começam a suspirar na escuridão e a hora do ajuste de contas se aproxima, lentamente mas inexoravelmente.

Hoje esse tipo de agrado pode deixar um gosto azedo na boca, graças a uma invenção imprevista chamada internet que determinantemente reduziu o controle da Máfia Midiática e seus lacaios farejantes. É por isso que os Bushes e Blairs desse mundo se tornaram leprosos ao invés de paradigmas, com moções a caminho para torná-los responsáveis por seus crimes, inclusive a morte de incontáveis mulheres e crianças e de muitos bons soldados cujo equipamento intencionalmente ruim tem prolongado o conflito até hoje.

Finalmente os próprios Senhores do Escuro.

Aqueles que já adentraram nos anos crepusculares, como o senhor no topo desse pequeno ensaio, observam com horror silencioso como as montanhas de ouro se esvaem como água por entre seus dedos, os deixando de mãos vazias e com nada para barganhar no Dia do Juízo Final. Quanto aos outros, ainda elásticos e cheios de iniciativa, se diz que eles estão preparando o Armageddon com suas armas nucleares, vírus, bactérias, livros de cheques, conexões e tudo mais. E talvez eles o estejam fazendo, porque eles veem que o mundo se cansou deles, de suas mentiras e extorsões. Mas se eles o fizerem, eles terão que lutar eles próprios dessa vez e não colocar os outros para fazerem seu trabalho sujo. O que resultará, como um tipo de retaliação divina e já que eles são tão poucos, na destruição final do Anel e na derrota total de seus artífices.

Porque uma vez, há muito tempo atrás, quando tentados por um tesouro no fundo do Rio Reno, eles fizeram a escolha errada e para sempre amaldiçoaram o Poder do Amor.


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