sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Por uma Ontologia da Técnica

por Giovanni Monastra



Por uma ontologia da técnica: Domínio da natureza e natureza do domínio no pensamento de Julius Evola

Ao querer tratar um particular setor do pensamento de Julius Evola - a gênese e o significado da técnica, em especial desde a perspectiva dos valores - não se pode prescindir da forma que em seu conjunto possui o sistema doutrinário desse autor, assim como de seus pressupostos mais profundos. Evola em efeito não é somente um estudioso orgânico e total, senão que é também um pensador cujas raízes culturais se fundam em uma ordem de valores, definidos como "tradicionais", totalmente estranhos aos atualmente hegemônicos. Ao se diferenciar claramente do filósofo "moderno", guiado somente por uma visão subjetiva própria do mundo, preocupado em ser "original", em afirmar "coisas novas", Evola ao invés faz referência, como base de suas reflexões e valorações, a um núcleo de ideias ou princípios sapienciais considerados como atemporais e objetivos em razão de sua origem transcendente.

Naturalmente o kosmos tradicional foi filtrado pelo estudioso italiano segundo sua particular sensibilidade ("equação pessoal") ou "natureza própria", caracterizadas pelo homem dirigido à conquista, à ação, sob a guia de uma vontade lúcida e firme, propensão que se pode expressar também no plano intelectual. Assim Evola elabora uma concepção da Tradição energizante e dinâmica, animada e invadida pelos símbolos da Potência metafísica.

Sob certos aspectos tal concepção pode resultar diferente, porém mais nas aparências que na substância, da de René Guénon, de Frithjof Schuon ou de Ananda Coomaraswamy, estudiosos caracterizados por um espírito sacerdotal, quer dizer, contemplativo ou especulativo. E, quiçá, justamente essa particular e sugestiva versão da Tradição, proposta por nosso autor, às vezes fez distrair a atenção dos leitores mais superficiais (e, às vezes, em má fé) em relação à essência da doutrina evoliana, de ordem sapiencial, em favor de aspectos puramente marginais e exteriores, cujo sentido pode ser compreendido tão somente no interior da "concepção do mundo" própria desse. A Tradição, segundo a definição de Evola:

"...é em sua essência, algo de meta-histórico e, ao mesmo tempo, dinâmico: é uma força geral ordenadora em função de princípios que tem o crisma de uma superior legitimidade - se se quer, se pode também dizer: de princípios do alto - força, que atua através das gerações, em continuidade de espírito e de inspiração, através de instituições, leis, ordenamentos que podem apresentar uma notória variedade e diversidade".

A Tradição, portanto, é uma realidade de ordem espiritual, ativa e operante no mundo ("transcendência imanente"), não uma pedante coleção de usos e de costumes dignificados pelo só fato de que, no passado, foram adotados por gerações inteiras. Esta última, mais que tradição em sentido estrito, é em realidade tão somente uma "democracia dos mortos", de acordo à feliz definição de Chesterton.

Ao se manifestar como central no pensamento evoliano as ideias de força, de potência, de domínio, entidades assumidas sempre em suas valências metafísicas (em analogia com o numen romano), seguiremos essa particular perspectiva em nosso estudo. Justamente esse deslocamento de plano para o alto, essa verticalização de tais entidades (força, potência, domínio) na dimensão espiritual, mais além de toda banalização materialista-autoritária, resulta em maior medida em evidência por parte do severo juízo que Evola formula já em seus primeiros livros, durante o denominado "período filosófico", acerca da técnica, ilusão de potência do homem faustiano e prometeico.



Em Ensaios sobre o Idealismo Mágico (1925) se encontra a seguinte afirmação:

"Nos resta enfim desiludir àqueles que fantasiam sobre a realização de qualquer poderio através do aproveitamento das forças da Natureza, que procede das aplicações das ciências físico-químicas (quer dizer: da técnica) [...] a infinita afirmação do homem através de indeterminadas séries de mecanismos, dispositivos técnicos, etc. é [...] uma homenagem de servidão e de obediência"

Através da técnica, cuja base reside na ciência moderna, o homem instaura uma "relação extrínseca, indireta e violenta" com a Natureza, que se concretiza em uma possessão grosseira da realidade física, posto que se atua sobre esta última desde fora, enquanto que no mundo tradicional o homem opera "desde o interior, a partir do nível daquela produtividade metafísica, da qual o fenômeno ou o físico depende", quer dizer atuando diretamente na raiz sutil, que se encontra atrás e adentro da realidade física, símbolo de uma realidade superior, metafísica. A técnica é pois uma ilusão de poderio, miragem do homem solidificado em sue Eu fechado: é involução, regressão, debilidade, se é observada desde a perspectiva da Tradição.

Também se pode ler na revista "A Torre" (1930, nº9):

"...a máquina [...] fomenta, no contexto de uma ilusão de potência exterior e mecânica, a impotência do homem; materialmente lhe multiplica até o infinito a possibilidade, porém em realidade o acostuma a renunciar a qualquer ato seu [...]. A máquina é imoral pois pode converter em poderoso a um indivíduo sem fazê-lo simultaneamente superior".

Assim pois tocamos em um aspecto essencial do pensamento evoliano: o poderio deve ser um atributo vinculado a uma íntima e profunda superioridade espiritual. Um poderio sem superioridade, que opere como sua causa e justificativa, equivale a um puro titanismo, se converte em prevaricação brutal, materialista e ao mesmo tempo idiota pois se volta contra o próprio homem o ferindo espiritualmente.

O antigo mito de Prometeu que rouba o fogo a Zeus a tal respeito se mostra a nós como extremamente esclarecedor. O grego Hesíodo - nos recorda Evola - caracteriza esse costume interior como próprio de uma "mente ativa, inventiva, astuta, que quer enganar ao nous de Zeus, quer dizer à mente olímpica. Porém essa não pode ser nem enganada nem abalada. Ela é firme e calma como um espelho, ela descobre tudo sem buscar, e mais, tudo se descobre nela. O espírito titânico é, ao contrário, a invenção, ainda que se trate unicamente de uma mentira bem construída".

É próprio do mesmo tudo o que é retorcido e opaco, em oposição à essencialidade e à transparência olímpica. A contraparte do espírito titânico é a estupidez, a imprudência, a torpeza, a miopia interior: em síntese, poderíamos dizer, a incapacidade de ver o longínquo.

Logo do ato sacrílego de Prometeu, fica o irmão desse, seu alter ego, Epimeteu, que representa à estirpe dos homens e símbolo da estupidez, como contraparte da astúcia, que suscita somente o riso dos Deuses, aquilo que Evola denomina como "o riso das formas eternas". Analogamente a técnica, em tal perspectiva, é astúcia tola, estupidez inteligente, que não sabe ver no futuro, entender os efeitos do próprio agir no mundo, sobre a natureza.

Porém quais processos são os que levaram o homem a essa "conquista"? Aqui Evola nos proporciona uma primeira versão em Imperialismo Pagão (1928): o gérmen que faz desencadear a enfermidade tecnicista a seu entender é o judaico-cristianismo. A tal respeito, para um enquadramento histórico e cultural desse tempo, nos parece oportuno recordar que tal afirmação teve apoiadores muito autorizados, seja antes como depois de Evola. Por exemplo o filósofo judeu alemão Max Scheler havia precedentemente escrito que a ideia de domínio "violento" sobre a Natureza deriva historicamente do judaísmo. De fato o mundo religioso da antiga Israel dessacralizou em primeiro termo à natureza, negando o aspecto imanente de Deus, com todas as suas consequências lógicas, tal como o observa o teólogo cristão Sergio Quinzio, o qual identifica no judaísmo as bases culturais da modernidade. Há que precisar, de qualquer maneira, para evitar equívocos que, com o termo "técnica", Evola compreende àquele conjunto de saberes e de atividades determinados pela concepção faustiana do mundo, portanto completamente diferente, segundo o que já havia feito notar Oswald Spengler, da técnica arcaica, a qual respeitava a Natureza, não apontava a alterá-la e ao contrário se inseria em seus ritmos.

A técnica moderna necessita de um pressuposto essencial: que a Natureza não seja mais "um grande corpo animado e sagrado, expressão visível do invisível", senão uma aglomeração sem vida de objetos materiais, uma estepe dessacralizada, quase inimiga, que o homem não vê mais como um lugar de "manifestações de poderes elementais" com os quais interagir, de acordo com as palavras de Ortega y Gasset, senão como uma realidade em si, independente do mundo espiritual de quem a conhece (dualismo radical).

O cristianismo, em seu afã polêmico antipagão, aprofundou um caminho já aberto pelo judaísmo, matou à Natureza, a converteu em uma coisa morta da qual Deus se retirou: "o cristianismo arrancou ao espírito desse mundo". A Natureza se converte no reino do pecado e da tentação, em oposição dualista em relação ao mundo do Espírito. Com essa justificativa estava pronto o caminho que teria levado ao brutal domínio técnico sobre a Natureza, cujos passos primeiros - diremos nós - foram a assimilação do vivente à máquina e da Natureza a um conglomerado aleatório de átomos, segundo o que já na antiguidade havia afirmado o filósofo Demócrito, o qual pelos outros com justiça não foi nunca ouvido.



A técnica, portanto, não por casualidade nasceu no Ocidente, onde se afirmou a religião cristã, a qual - tal como se disse - tem em comum com a mentalidade técnico-científica o "pressuposto dualista". Ademais, ao ser a técnica "impessoal" e "transitiva", quer dizer adotável por qualquer um, a mesma necessita também de um pressuposto igualitário, o qual também, segundo a opinião de Evola, é rastreável ao cristianismo (o "bolchevismo da antiguidade" tal como o havia denominado Spengler).

Portanto, a mentalidade democrático-igualitária no campo do saber e a obsessão separativa que criou uma cisão clara e arbitrária entre o Eu e o mundo (solidificando os dois pólos em um Sujeito e em um Objeto ontologicamente diferentes e mais, opostos, e assim privados de qualquer relação intrínseca), são as causas do tecnicismo.

De forma sucessiva, em Revolta Contra o Mundo Moderno (1934), Evola redimensionou suas ásperas críticas ao cristianismo, ainda ressaltando sempre os efeitos nefastos da hipostatização das "duas ordens, natural e sobrenatural" separadas por um profundo hiato, característica da doutrina cristão, herdeira do dualismo judaico, inquieto e desmesurado, sempre em agudo conflito entre "espírito" e "carne". Mais bem, junto às responsabilidades do cristianismo, ele evidenciou também as do humanismo e do "racionalismo", nascidos no mundo grego "clássico" do qual emanaram fatores convertidos logo em parte integrante do tecnicismo (por exemplo, a concepção mecanicista do mundo).

Porém, mais além dessas gêneses históricas, é verdade que a técnica nasce no Ocidente também porque, sob um certo aspecto, se remete à natureza dos povos ocidentais, os quais estiveram sempre animados por uma "vontade de infinito", por uma tensão para o domínio, que se expressou também na conquista das colônias de ultramar.

Que coisa trouxe essa tensão, que na época romana havia também mantido um equilíbrio entre interioridade e exterioridade, que se descarregaria somente sobre o mundo, também mediante a técnica? Evola fornece uma resposta sua:

"Quando o olhar humano se afastou da transcendência, a insuprimível vontade de infinito imanente no homem [ocidental] devia descarregar-se no externo e se traduzir em uma tensão, em um impulso irrefreável [...] no domínio que se encontra imediatamente por baixo do supremo da espiritualidade pura e da contemplação, quer dizer no domínio da ação e da vontade. Daí, o desvio ativista, daí [...] a perene insatisfação faustiana".

Se bem escrito com a intenção de analisar principalmente o fenômeno da supremacia colonial dos brancos, o fragmento acima citado, a nosso parecer, é esclarecedor também para compreender o outro aspecto da gênese do tecnicismo. O marco resulta assim mais completo: ao igualitarismo e ao dualismo separativo Eu-Mundo, se agrega uma contingência histórica (ou uma necessidade meta-histórica): a laicização e secularização progressiva do homem europeu, a partir do Renascimento, enxertada sobre sua particular natureza dinâmica e ativa.

Nessa ordem de ideias se poderia também agregar que a técnica representa a solidificação e a materialização das práticas mágicas, sutis, de ação direta sobre a Natureza, típicas de toda sociedade tradicional, havendo-se devido a uma distorção e mistificação das mesmas o ilícito rebaixamento de nível.

A concepção evoliana, portanto, se diferencia seja de toda utopia regressiva, antitecnicista, de estampa igualitária rousseauniana, baseada no mito iluminista do "bom selvagem" e do "estado de natureza", realidades nunca existidas, seja das ideologias anti-igualitárias de estigma tecnicista ou, de qualquer modo, positivamente orientadas para a técnica enquanto tal.

Pensamos, para esse último caso, nas teorias de Arnold Gehlen, segundo o qual a técnica é um fruto da natureza humana e forma parte dessa, assim como as garras e os chifres são expressões da natureza dos animais que os possuem. A tal propósito seria sumamente interessante desenvolver um paralelo entre as concepções de Gehlen e as de Evola, dois teóricos mancomunados com a luta contra o igualitarismo e o iluminismo, porém não obstante extremamente distanciados em seus respectivos fundamentos doutrinários: vitalista o primeiro, seguidor de princípios supranaturalistas e transcendentes o segundo.

Por todo o dito poderia parecer que Evola se encontra situado simplesmente no nutrido grupo dos críticos da técnica moderna, desde Sombart até Péguy, desde Scheler até Ortega y Gasset, desde Spengler até Berdyaev, expoentes do pensamento antimoderno, organicista e aristocrático. Porém isso é um erro. Peculiar característica de Evola foi, em efeito, sempre a de observar em profundidade os fatos para captar eventualmente direções não-usuais, impensáveis posto que positivas em sua geral negatividade .

Em nosso específico caso um estímulo foi por certo o famoso livro de Ernst Jünger, O Trabalhador, aparecido em 1932. Porém seria por sua vez superficial acreditar que Evola tenha feito uma transcrição banal e uma assimilação passiva das temáticas jüngerianas no próprio pensamento. Mais bem seria exato falar de naturais afinidades e em complementariedade entre duas concepções em muitos aspectos ainda ancoradas nos anos 30) com a mesma ordem de valores.

Inserindo algumas intuições de Jünger na visão geral cíclico-involutiva da história humana própria da Tradição (a época atual seria a idade escura, fase terminal de todo o ciclo, dominada pelo materialismo e pela subversão de toda ordem em sentido superior), Evola observa que a técnica apresenta em dupla face: junto ao já examinado, emerge outro, também este inquietante, dissolutivo para o homem-massa, porém útil estímulo e banco de prova para o homem diferenciado, o qual, ainda vivendo no mundo moderno, sente em si os valores da Tradição como entidades ainda operantes e ativas. E bem, retomando uma ideia jüngeriana, Evola observa que a técnica, enquanto dimensão já autônoma e global, que se subleva com violência em relação da mesma trama da vida, pode desenvolver uma importante ação destrutiva da figura humana típica da sociedade burguesa: o indivíduo-átomo. Este constitui um ser indiferenciado na profundeza, uma unidade numérica dissolvida de todo nexo orgânico com a totalidade, diversificado em relação a seus semelhantes (a massa) somente por fatores externos, lábeis, subjetivistas, estreitamente vinculados aos desvalores do mundo burguês.

Na concepção evoliana da história, a técnica se converte pois em um meio para alcançar, às vezes e também de forma ativa, o ponto zero dos valores, o fim de um mundo, o burguês-proletário, posto na fase terminal, descendente, do atual ciclo histórico. Veremos mais adiante que, junto a essa ação dissolutiva, que, usando uma terminologia hindu, podermos por sob o signo de Shiva, a técnica pode desenvolver outra, positiva em sentido "formado".

Porém o que é o que provoca este ataque destrutivo do indivíduo? É um fator revulsivo, presente na técnica: o elemental. O mesmo significa, nesse contexto, "primitivo", porém "designa mais bem as potências mais profundas da realidade, que caem fora das estruturas intelectualistas e moralistas e que estão caracterizadas por uma transcendência seja positiva como negativa, em relação ao indivíduo: assim como quando se fala das forças elementais da natureza".

O burguês, encerrado em sua cidadela racionalista, em seu vazio intimismo, pequena alma dirigida às coisas pequenas, ao útil, ao seguro, tem terror pelo elemental e o mantém à distância, "seja que ele mesmo se lhe parece sob a espécie de potência e de paixão, seja que se lhe manifeste nas forças da natureza, no fogo, na água, na terra, no ar".

Essa realidade inquietante apresenta uma dupla origem: interna e externa em relação a alma humana. O burguês tratou de exorcizá-la, de excluí-la, porém fracassou. Assim hoje o elemental volta a emergir em todas as suas manifestações, às vezes brutais, através da potências desmedida da técnica, nascida como instrumento útil para o homem e agora ameaçadora inimiga de sua estrutura interior, ademais que física, como acontece no caso da guerra moderna, guerra não mais de homens, senão de máquinas, guerra técnica, na qual o indivíduo, enquanto tal, desaparece.

Porém não todos os homens são por igual vulneráveis: a técnica em efeito pode ser um banco de prova para aqueles que não se encontram quebrados, aqueles que mantém em si um núcleo de dureza ascética, também somente potencial, de desapego em relação ao mundo, porém que não lhe pertencem. Assim pois, se muitos, sob a pressão do elemental desencadeado pela civilização das máquinas, são interiormente aniquilados, desindividualizados para o baixo, quer dizer para a padronização posta por baixo do indivíduo, com a criação de um "tipo humano vazio, em série [...] produto multiplicante insignificante", para outros "a desindividualização pode não obstante ter um curso ativo e positivo".

Essa segunda possibilidade, que nasce do casamento entre vida e risco, que deriva de um contínuo desafio com o elemental (na prática: com a máquina, na acepção mais vasta desse termo), se pode concretizr em uma forma nova, a pessoa absoluta, "caracterizada por dois elementos: em primeiro lugar por uma extrema lucidez e objetividade, logo por uma capacidade de atuar e de se manter de pé convocado por forças profundas, mais além das categorias do indivíduo, dos ideais, dos valores e dos fins da civilização burguesa".

Somente este ser transfigurado, também nos traços do rosto, severos e impassíveis, poderá dominar a técnica sem ser contaminado por essa. Sua presença poderia imprimir um novo curso à história, dando lugar a uma verdadeira e própria mutação da civilização. Ademais, ali onde parecia que tivesse que reinar a pura e opaca materialidade, se transparecem novos símbolos que o homem diferenciado deve perceber: em efeito, a máquina, olhada com olhos novos, representa uma expressão da essencialização à qual se deve tender: nada de ouropeis burgueses, supérfluos, arbitrários, subjetivos, nada de "pitoresco" ou "gracioso" (se pense em uma grande fábrica ou em uma pedreira naval), somente uma força elemental, expressão de uma ideia criativa, de um fim preciso, de uma atividade fria e objetiva.

"Sobre seu plano, a mesma reflete pois em um certo modo o valor mesmo que no mundo clássico teve a forma pura geométrica".

Essa selva de símbolos ressurgentes que nos circunda (como nos próprios arranha-céus de aço e de vidro), essa paisagem faustiana, que pode ser transfigurada por quem tem os olhos para ver, tem a possibilidade de desenvolver uma eficaz função de estímulo para a "simplificação e essencialização do ser em um mundo espiritual em dissolução", para um novo realismo ativo, ademais dos falsos problemas do Eu, dos sentimentalismos, dos humanitarismos e de toda herança plebeia-burguesa.

Existe o risco de se derrubar interiormente, por certo, de ir por baixo, e não por cima, do indivíduo: porém o risco não é em si mesmo o alimento dessas figuras que apareceram no horizonte durante as tempestades de aço? E por outro lado, "não há nada, na época atual que não seja arriscado. Para o que se mantém de pé este é quiçá a única vantagem que a mesma apresenta".


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.