sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Preservacionistas Revolucionários: Para Além do Paradigma Estatista/Anti-Estatista

por Dan Canuckistan



Há um velho termo militar, não utilizado muito atualmente, chamado "contra-arrasamento". Operações de contra-arrasamento eram tradicionalmente conduzidos por pequenas unidades enviadas por trás das linhas inimigas não para destruir coisas, mas para preservá-las de exércitos em retirada, ou multidões enfurecidas, engajadas em uma política de terra arrasada ou simplesmente de destruição sem sentido. Um grupo de páraquedistas, por exemplo, seria lançado do ar para ocupar uma ponte estratégia antes que ela fosse destruída ou uma coluna blindada seria enviada adiante para proteger um lugar de significado cultural ou histórico particular. Em nossa era de "destruição criativa", porém, tais considerações raramente são levadas em conta a não ser que coincidam com os interesses dos aproveitadores de guerras. Prédios ministeriais petrolíferos são protegidos, enquanto museus e sítios arqueológicos são abandonados aos saques.

Como nacional-revolucionários, nós nos deparamos com um problema similar: que instituições preservamos e quais permitimos que sejam aniquiladas? Será que permitimos que doutrinadores de choque neo-liberais estripem instituições públicas e cerquem o que resta das comuns, ou os combatemos com uma campanha contra-terra arrasada?

Alguns revolucionários de uma persuasão mais libertária substituíram a ultrapassada dicotomia esquerda/direita com um conceito igualmente maniqueísta de "estatista/não-estatista", o primeiro sendo absolutamente maligno e o segundo completamente desejável e bom. Pessoalmente, eu vejo que a distinção "estatista/não-estatista" é tão inútil quanto a "esquerda/direita" porque ela não reconhece a mistura matizada de soluções possíveis e existentes.

Para que a descentralização faça algum sentido - e libertários reivindicam uma afinidade por soluções locais - é necessário reconhecer a possibilidade de que as pessoas de uma dada localidade ou região possam livremente escolher um modelo político ou econômico diferente do puro anarquismo/libertarianismo. Por todo o mundo, há genuínos movimentos populares se opondo à privatização, especialmente dos recursos d'água, dos transportes e redes de energia. Em minha própria área, as pessoas tem se mobilizado contra a venda de uma linha de ônibus pública regional. Eu suponho que isso os torna "estatistas" em um sentido estreito, mas a história local, a cultura, a geografia e o meio ambiente, bem como a mera praticalidade, podem ditar que uma "opção pública" é a melhor solução para um problema particular em uma certa área.

Conforme o estado moderno se torna menos coerente e unificado, seria um equívoco equiparar um burocrata de governo encarregado de fornecer habitação de baixo custo ou atendimento médico gratuito com outro engajado no serviço de polícia secreta. Mas para libertários ou anarquistas puritanos, ambos são igualmente malignos e sem áreas cinzentas a serem encontradas. É por isso que libertários que migraram em massa para New Hampshire por seu "Free State Project" são conhecidos por incomodar velhos guardas de travessia escolar ou por sujeitarem funcionários municipais de baixo escalão a infinitos processos frívolos. Com seu senso de proporção completamente desajustado - equiparando funcionários municipais a membros da SWAT - eles começam a agir como arrogantes colonos na Cisjordânia, empurrando o próprio peso ao redor e alienando a população nativa local. Uma pequena minoria de libertários surdos, anarquistas, "indivíduos soberanos", "homens livres", etc...tem replicado este comportamento em outras partes da América do Norte, para o desserviço da maioria que tende a não ter problema algum com indivíduos com uma atitude autenticamente libertária.

O que falta no debate estatista/anti-estatista é a possibilidade de uma "terceira via": nomeadamente um "colapso cambaleante" do Sistema. A Nação do Islã, por exemplo, é bastante conhecida por sua hostilidade em relação ao governo americano e suas políticas imperialistas em casa e no exterior. Não obstante, uma companhia de segurança afiliada à Nação do Islã trabalhou sob contratos financiados pelo Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano, mostrando que muçulmanos negros - diferentemente de alguns libertários extremos - sabem efetivamente diferenciar entre o HDU e a Força Delta ou entre um assistente social e um agente do FBI!

Os muçulmanos negros querem proteger seu povo do colapso do Sistema, e não enviar vovós idosas e pacientes de câncer para as ruas em nome do purismo ideológico. O Estado possui muitas pernas e preservacionistas revolucionários como os da Nação do Islã seletivamente chutam as pernas que oferecem um perigo claro e presente e ignoram as que não o fazem. É como "saltar ilhas", para usar outra analogia militar... Em algumas formas, preservacionistas revolucionários são similares aos "retro-progressistas" da Grande Depressão que apoiavam o New Deal doméstico, mas eram isolacionistas radicais opostos à beligerância de Roosevelt.

Coincidentemente, essa é a posição exatamente oposto assumida por "neocons" defensores do "governo pequeno" e tipos ao estilo do Tea Party que amam gastos militares ultramarinos, mas ressentem o gasto de um único dólar em melhorias internas ou em uma rede de seguridade social civilizada. Eu uma vez ouvi um locutor de rádio neocon particularmente odioso dizer que ele apoiavam firmemente desperdiçar bilhões de dólares em lugares como Iraque e Afeganistão porque ultimamente isso significava menos para os americanos em casa...tudo com base na lógica calvinista de que essa privação de alguma forma tornaria os cidadãos americanos preguiçosos e malignos mais "virtuosos".

Essa mentalidade calvinista dura e punitiva também alimenta o pensamento daqueles que acreditam que condições desesperadas efetivamente promoveriam a revolução; os cortes sociais tirarão as pessoas do sofá e as levarão às ruas. Porém, muitas vezes isso não ocorre. Revoluções tendem a ocorrer em temos de expectativas crescentes, quando as condições melhoram um pouco e as pessoas se sentem mais fortalecidas. Em suas memórias, a ex-Imperatriz do Irã Farah Pahlavi escreveu sobre quão assombrada ela estava com o fato de que melhorias no padrão de vida e outras concessões efetivamente incitavam mais fervor revolucionário e levaram à eventual queda do Xá.

Olhando com justeza, os nacional-revolucionários não são realmente um pólo à parte de libertários genuínos pensantes. Nenhum de nós quer a expressão individual suprimida, nem queremos um Estado-Babá imenso e monolítico metendo o nariz em todos os nossos afazeres. Mas às vezes os libertários sofrem de falta de imaginação tanto em relação a ameaças potenciais, como em relação a soluções potenciais.

No lado da ameaça, eles geralmente não enfatizam o papel insidioso das corporações porque, para eles, privado é sempre "bom" e público sempre "mau". Mas mesmo libertários rígidos como o grande Murray Rothbard já foram forçados a admitir que as elites financeiras e corporativas multigeneracionais são o verdadeiro poder por trás do trono do Estado. Movimentações neoliberais em direção a desregulamentar, privatizar ou diretamente tomar instituições públicas (i.e. decisão Kelo) podem ser vistas, como Naomi Klein apontou em A Doutrina do Choque, como o acúmulo final de poder corporativo sobre as vidas do povo.

No lado da solução, essa falta de imaginação se manifesta na inabilidade de admitir quão costumeiramente a privatização e desregulação de instituições públicas levam a custos mais altos, serviço reduzido e a desemprego. O mercado não está sempre certo: o exemplo clássico disso sendo o infame Fiasco da Montana Power, quando uma empresa pública extremamente bem-sucedida foi jogada aos lobos corporativos na década de 90. Uma economia mista com uma rede de seguridade social robusta não precisa infringir os direitos individuais - de fato, ela pode fortalecê-los! Esquemas de renda anual garantida - promovidos não somente por socialistas radicais e outros esquerdistas, mas também por um libertário de direita como Charles Murray - podem garantir tanto justiça econômica para todos como um clima conducente à predisposição para assumir riscos empresariais - bem como eliminar a necessidade para grandes burocracias e sua cultura de dependência.

Assim, como preservacionistas revolucionários nós reconhecemos que o sistema pode ser colapsado em uma maneira cambaleante, ad hoc. Certas instituições estatais benignas - segundo a vontade popular - podem e devem ser preservadas, enquanto as danosas devem ser dissolvidas ou atacadas. Soluções realistas e matizadas estão no núcleo da descentralização, e não o combate ideológico entre estatismo e não-estatismo. Uma solução tem que funcionar para pessoas reais, não em nome de alguma ideologia abstrata de esquerda ou direita.

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