sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Politicamente Incorreto: Ideologia de Resistência ao Mundialismo

por Alain Soral



Este título implica em responder a duas perguntas prévias:

1) O que é mundialismo?
2) O que é politicamente correto?

Comecemos com o Mundialismo

O mundialismo não é globalização.

A globalização é um processo inevitável de trocas materiais e imateriais graças ao progresso tecnológico. Nós não podemos ir contra ela e não é desejável fazê-lo. A rejeição da globalização não é um desejo por um flashback civilizacional. Não mais do que o decrescimento é um desejo por recessão... É bastante conveniente ser capaz de chegar à Seis-Quatro em poucas horas através do TGV e é alegre notar que um grande número dos membros ativos do Partido Populista tem os meios financeiros de chegar lá! Não! O que está em questão é o mundialismo.

O mundialismo é um projeto ideológico, um tipo de religião laica que opera para estabelecer um governo mundial pela dissolução de todas as Nações do mundo em uma nova humanidade. Ela opera no sentido da dissolução das Nações sob a pretensão da Paz Universal. A diversidade de Nações e povos sendo considerada como a razão para guerras que tem causado banhos de sangue sobre a Terra desde a aurora da humanidade...

Esse processo estava logicamente bastante envolvido após a Primeira Guerra Mundial através da Liga das Nações. Ele logicamente declinou após os perigos crescentes que levaram à Segunda Guerra Mundial. E retornou com bastante força sobre as ruínas das Nações após 1945, com a OTAN e a Declaração Universal de Direitos Humanos. Um curto parêntese: Essa declaração não deve ser confundida com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que pensou estes direitos no contexto concreto de uma Nação enraizada: A nação francesa, em nome de um modelo civilizacional, sobre o qual J.C. Martinez costumeiramente falava: o universalismo francês. Uma civilização com um destino planetário, alternativo tanto à Ummah islâmica como ao liberalismo anglo-saxão...

Nós então tivemos após a Segunda Guerra Mundial dois sistemas ideológicos, lutanto contra Nações e povos que eram considerados como intrinsecamente belicosos: o socialismo russo, agora morto (eu não o martelarei inutilmente!) e o liberalismo americano, vencedor até hoje da Guerra Fria.

O mundialismo existente é portanto duplo: Ao mesmo tempo um projeto ideológico depravado do Iluminismo: um projeto em que Paz Universal e Humanidade reconciliada pela razão kantiana, intencionadas para transcender o obscurantismo escolástico que emergiu das guerras religiosas da Europa, finalmente se transformou no obscurantismo dos Direitos Humanos...

Obscurantismo dos Direitos Humanos...ou, a proibição do uso da razão para criticar todos os malefícios concretos desse processo totalitário contra a Humanidade concreta, sob pena de blasfêmia e heresia...

Um mundialismo que também é, a mesmo tempo, a ladeira inelutável da sociedade mercantil: indo da livre iniciativa do livre empreendedor ao capitalismo financeiro orwelliano, em que cada homem é de agora em diante reduzido ao papel de assalariado/consumidor, escravizado àquilo que o marxismo chama: a lei da concentração de capital imposta pela taxa decrescente de lucro...

Há, então, a convergência de dois processos unificadores: um que é ideológico e pensado: os Direitos Humanos Universais, o outro que é econômico e sofrido: a commodificação sob a religião do lucro. Dois processos que se fundem hoje no mesmo projeto: o projeto de um governo mundial sob a égide do capitalismo anglo-saxão, em nome da ideologia de Direitos Humanos abstratos...

Em resumo: Portanto, os Direitos Humanos são agora o catecismo da dissolução de povos e nações enraizadas, dedicados à abstração generalizada do capitalismo financeiro global com vistas a sua dominação global completa.

Domínio sobre nossas carteiras, bem como sobre nossas almas...

Politicamente Incorreto:

Essa rápida apresentação finda, é bastante fácil chegar à segunda definição: O que é politicamente correto?  E então, o que é o politicamente incorreto? O politicamente correto é tudo que aceita submeter-se, conscientemente ou inconscientemente, à catequese dos Direitos Humanos. O politicamente incorreto é tudo que se opõe e resiste a isso!

O direito-humanismo não possui mais qualquer ligação com os direitos reais de pessoas reais, ligadas a suas culturas locais e suas nações (como a paixão por Jogos Olímpicos ou torneios de futebol continuam a demonstrar, já que tais disputas entre Nações e entre Cidades são as que são aclamadas). Hodiernamente, o direito-humanismo é o braço armado ideológico do mundialismo, a conversa suave que vem com todas as sujeições, todas as opressões de movimentos que resistem ao mundialismo economico-ideológico, sejam essas resistências militares, políticas ou culturais... Portanto, é em nome dos Direitos Humanos, levando, é claro, ao direito de intervenção humanitária e então à responsabilidade de proteger de Kouchner, que agora é bombardeada a pequena nação sérvia, porque eles resistem ao rolo compressor mundialista sob controle americano, em nome de sua cultura e história...É em nome da totalitária e belicosa ideologia dos Direitos Humanos que são desprezados os direitos reais dos povos reais por todo o planeta. Seja o direito dos sérvios de permanecerem sérvios, mas também o direito dos muçulmanos permanecerem muçulmanos no Irã  ou no Afeganistão...

Mas é também em nome dos Direitos Humanos que são desconstruídas solidariedades sociais dentro das Nações e seus povos - as solidariedades sociais tradicionais contra o capitalismo mundialista - pela substituição dos benefícios sociais dos trabalhadores e das classes médias em nome dos interesses sociais de pseudo-minorias "oprimidas" (em realidade minorias vocais...): direitos homossexuais, direitos das mulheres, direitos da juventude, direitos dos negros...minorias que são apenas segmentos de mercado servindo ao mundialismo mercantil ideológico, como o ex-trotskista italiano e agora editor, senhor Toscani, havia bem ilustrado em seus excelentes anúncios "United Colors of Benetton"...

Daí em diante, toda resistência a este entalhamento: recusa em ver os sérvios como inimigos da humanidade, na medida em que eles apenas tentam preservar seu estilo de vida, recusa em ver os homossexuais como uma classe social, já que a diversidade de homossexuais não pode ser reduzida a um auto-proclamado lobby gay e já que a sodomia permanece de qualquer modo uma atividade privada...em suma, qualquer recusa em se submeter à farsa desses pseudo-Direitos Humanos, que em realidade consistem em submeter as pessoas à dominação mundialista, é considerada por este mesmo poder como um crime contra a humanidade! Eis onde estamos! Uma sentença por "crime contra a humanidade" que permite excluir da humanidade aqueles acusados de tal crime, reduzindo-os ao nível de sub-humanos e que, assim, não recebem mais tais famosos direitos: os alemães e os japoneses após a guerra, os palestinos hoje, os iranianos amanhã, os ativistas e eleitores do Front National pelos últimos 30 anos...

Falemos agora sobre o FN.

Essa implacável mecânica rapidamente desmontada; vamos dar uma olhada mais atenta para a França e seu movimento nacional...Esse movimento nacional ao qual eu me uni por espírito de resistência ao mundialismo e que esteve incorporado nesses últimos 30 anos pelo Front National, este movimento unido de resistência nacional, graças ao gênio político de Jean Marie Le Pen. Eu aproveito esta oportunidade para saudá-lo... Primeira observação, compreendida assim e eu diria "bem compreendida"! O Front National não é nem um movimento de direita, nem de esquerda, já que a direita se refere ao mercado, e assim ao mundialismo, tanto quanto à esquerda se refere ao internacionalismo, que não passa da mesma coisa... O Front National bem compreendido é portanto essencialmente um movimento de resistência ao mundialismo, oposto ao mesmo tempo a sua economia liberal direitista e a sua ideologia humanista esquerdista, o catecismo esquerdista sendo o álibi humanista dos processos econômicos de concentração de Capital e o processo de dominação pelos "mestres do mercado"...

Dessa análise nós podemos logicamente deduzir que se o Front National, como um movimento de oposição nacional, quer ser coerente, ele precisa combater tanto contra o mundialismo mercantil e contra o politicamente correto, que é sua ideologia...

Mas, aqui é onde eu me permito uma crítica das imprecisões de ontem e das tentações de hoje...

Por muitos anos, o Front National foi politicamente incorreto em termos de ideias (eu estou me referindo às provocações prazerosas e úteis de nosso presidente...) mas infelizmente foi economicamente liberal demais, o que quer dizer que o Front National era apenas parcialmente desobediente... Apontemos que nacional-liberalismo é um oxímoro, já que liberal quer dizer "privatizado" e quanto tudo é privatizado (bancos centrais, serviços públicos, exército...), a política perde o controle da Nação, mesmo o Front National! Atualmente no Front National, a linha entre politicamente correto e liberalismo está um tanto invertida: crítica rigorosa do mundialismo econômico, mas renúncia do politicamente incorreto em prol da desdemonização, o que se limita à mesma incoerência e à mesma impotência política: já que se submeter à ditadura dos Direitos Humanos e à chantagem do crime contra humanidade é eventualmente um jeito de acabar nu nas mãos da ideologia mundialista! O slogan que melhor resume o que eu quero dizer, slogan que é permanentemente lançado e do qual não devemos desistir é o famosos "Nunca mais"! Sugerindo: "Mundialismo ou Auschwitz", e para os receosos, o não menos famoso Reductio ad Hitlerum! Em suma: O politicamente incorreto de modo algum é um jogo inútil de provocações. Mesmo que ele não seja sempre entendido dessa forma, ele é a doutrina de resistência ao mundialismo. Doutrina de desobediência sem a qual a crítica restrita ao mundialismo econômico é insuficiente, impotente e mesmo incoerente, tanto quanto o politicamente incorreto não estendido à crítica da doutrina liberal... Incoerência econômica de ontem que hoje está ultrapassada dentro do Front National, graças ao excelente trabalho de Marine Le Pen!

Portanto, não apenas os pensamentos politicamente incorretos não devem ser abandonados, mas em um tempo em que a esquerda, que costumava liderar o campo com o marxismo, abandonou todos os pensamentos, se entregando ao obscurantismo dos Direitos Humanos... Em um tempo em que ninguém pensa, nem na esquerda ou na direita, já que os tubarões da direita há muito resolveram se contentar com simplesmente fazer negócios... Nós, os nacionalistas, podemos recuperar controle em termos de ideias já que nós somos os únicos críticos eficientes do sistema e podemos nos tornar, neste deserto, os líderes intelectuais de amanhã e incorporar a renovação do gênio francês!

Então, vida longa à desobediência!

E vida longa à França desobediente!

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