quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Manifesto Austral


CHAMADO À LUTA

Seja a nossa voz ouvida por todos os rincões da América Austral. Por todos os vales, montanhas, florestas, campinas e cidades, que seja ouvida a voz do Povo que emerge, ébrio de ira e cansado da opressão, após séculos de sujeição a oligarquias exploradoras, intelectuais traidores, religiosos omissos, e estrangeiros sanguessugas. Que essa voz ressoe entre todos os nossos companheiros nacionais, irmanados pela origem e pelo destino, pela opressão e pela rebeldia, pela nostalgia da liberdade e pelo anseio da revolução. Que essa voz ultrapasse as gerações, os gêneros, as classes, as etnias e religiões, para plantar em cada indivíduo a semente da revolta, despertando a todos para a concretização da Pátria Austral, promessa dos povos livres do mais extremo sul do mundo.

Companheiros nacionais, erguei vossas cabeças e olhai ao redor. O que vereis? Cinzas e ruínas. O que sobrou das glórias do passado heroico do Povo austral? Somente lembranças. O que será transmitido a nossos herdeiros? Somente grilhões. Caminhamos todos cegamente na direção da aniquilação, alegres e satisfeitos desde que haja novelas na TV, lanchonetes de fast food, roupas de marca e carros novos à disposição. Cada um volta-se exclusivamente para a própria vida, buscando riqueza e prazer, e ignorando qualquer solidariedade ativa para com os outros companheiros nacionais, excetuando os momentos de assistencialismo para aliviar o sentimento de culpa da alma.

As antigas tradições austrais, incomparavelmente ricas em sua diversidade, são esquecidas e abandonadas, proscritas e ridicularizadas pelos próprios descendentes das linhagens orgulhosas que outrora dominavam todas as terras do Rio Paranapanema à Terra do Fogo. Em seu lugar, penetram em nossas terras influências culturais estrangeiras fomentadas pelo imperialismo brasileiro, eterno representante dos interesses anglo-saxões e sionistas internacionalistas na América do Sul. 

Sabem as potências imperialistas e seus lacaios que um Povo que possui raízes fortes e sólidas não pode ser conquistado. Assim, o inimigo fomenta a imigração estrangeira, a difusão de costumes e padrões de comportamento alienígenas, a invasão de estilos musicais aberrantes e dos gostos degenerados. A mídia de massa, toda ela controlada por estrangeiros ou traidores, afasta os companheiros nacionais de suas raízes, retratando nossas tradições como ultrapassadas ou antiquadas, e retratando as perversões e dogmas estrangeiros como superiores e avançados.

Companheiros do Sul do Brasil, do Brasil Cisplatino, resgatai a memória de vossa liberdade primordial, estranha e distante do imperialismo brasileiro. Mergulhai em seu ser e resgatareis a consciência da nossa realidade enquanto verdadeira Nação, construída por gaúchos e colonos, absolutamente singular e distinta em relação ao Brasil, povoada por uma estirpe inteligente, valente e disciplinada, dotada de um imenso potencial produtivo, rica em recursos naturais e terras férteis, capaz de fazer emergir um Império que será o farol dos povos livres do Hemisfério Sul.

Companheiros nacionais das províncias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul! Por tempo demais fostes subjugados pela corrupta oligarquia brasileira. Por tempo demais aceitamos essa sujeição a uma potência estrangeira e inimiga. Nós, sucessores dos revolucionários farroupilhas, dos cruzados sebastianistas do Contestado, dos maragatos, e outros mil exemplos históricos de bravura e irredentismo, os convocamos à luta contra esse imperialismo, que saqueia nossa riqueza, invade nossas terras e corrompe nosso povo.

Nacionalismo Gaúcho

Nós, a vanguarda revolucionária dos povos livres do Brasil Cisplatino, afirmamos com a máxima veemência e gravidade como nosso objetivo primário, fundamental e não negociável, a libertação dos estados sulistas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de qualquer tipo de controle, ingerência, administração ou supervisão da República Federativa do Brasil, para que seja estabelecido, conforme os anseios de milhões de companheiros ao longo dos séculos, uma Nação completamente independente, para garantir a existência de nosso Povo, preservar sua cultura e tradições, e construir para si um futuro glorioso.

Pan-Gaúchismo e Irredentismo Austral

Nós sabemos, porém, que ainda que o Brasil Cisplatino seja infinitamente rico em recursos, naturais e humanos, Nação alguma pode se manter sozinha no ambiente hostil que é o mundo unipolar controlado pelos Estados Unidos da América, Israel e seus aliados. Não somente, mas a partir de uma consciência plena de nossas raízes, sabemos que não estamos sozinhos. Partilhamos com nossos vizinhos argentinos e uruguaios sangue, história, costumes, gostos, cultura, e tantos outros elementos que fazem de nosso povo infinitamente mais próximo deles, do que do povo brasileiro.

O antigo gaúcho não reconhecia fronteiras entre as terras de nossos três povos, e cavalgava livremente por elas, reconhecendo-se em todos os que habitavam essas regiões. A chegada dos colonos europeus do fim do século XIX à metade do século XX nada mudou nessa irmandade de povos, ao contrário, apenas fortaleceu a singularidade dessas nações, diferenciando-as de seus outros vizinhos, na mesma medida em que se integravam gaúcho e colono.

Somos nacionalistas, sem dúvidas. Mas há que ir além do nacionalismo, ultrapassá-lo, para afirmar um princípio superior que unifique nações distintas, porém irmãs, sob um mesmo caminho civilizatório. Assim, a vanguarda revolucionária afirma a necessidade vital de aproximar nossa Pátria Gaúcha e Austral das duas outras Nações austrais do continente, a República Oriental do Uruguai e a República da Argentina, até que seja concretizada a unificação entre essas augustas nações, que será o marco do surgimento de uma verdadeira Civilização Austral.

Pan-Nacionalismo

Reconhecendo em nossa vontade, a simples e pura expressão do desejo de autêntica liberdade popular nacional, que se realiza apenas na possibilidade de absoluta autodeterminação e auto-governo, por parte daqueles que possuem uma consciência nacional que tem sido reprimida, combatida e perseguida há mais de cem anos, não podemos senão simpatizar com todos os povos oprimidos da Terra, principalmente com aqueles povos que, donos de culturas e histórias riquíssimas, não possuem um Estado capaz de guiar seu destino, estando subjugados a outros povos, e às vezes fragmentados entre diversos países.

Nesse sentido, afirmamos nossa crença pia no princípio geopolítico de que cada agrupamento populacional que se identifica e se entende como nação deve possuir seu próprio espaço vital, governado e dirigido pelos representantes de seu próprio povo, para que assim seja realizado o fim digno e belo aos olhos de todos os homens justos, da preservação da diversidade e pluralidade humana, em oposição à pressão capitalista pelo desenraizamento dos povos, através da massificação, da alienação cultural, e das misturas dissolventes. 

Lançamos assim nossa saudação aos povos oprimidos pelo imperialismo, pelo capitalismo, e pelo globalismo, em todos os continentes, e comprometemos nosso movimento revolucionário na missão de dar a todos o maior apoio possível para que também conquistem sua libertação. 

Confederação de Povos e Municipalismo

Os territórios atuais da América do Sul marcados por sua formação histórica e cultural como parte da futura grande pátria austral possuem um tamanho considerável, e ainda que sejam razoavelmente homogêneos em sua constituição, não são monolíticos. Diversas etnias, culturas e religiões, fizeram da América Austral seu lar, integrando seu sangue e suor ao solo, sem perder suas identidades, mas formando uma supra-identidade. 

Cada um desses grupos unidos por uma identidade comum possui suas características físicas, seus valores culturais, seus princípios espirituais, suas formas ideais de organização, e preservar a riqueza humana dessa nossa América fria depende de uma posição intransigente e inegociável de defender essa diversidade através da preservação das identidades e suas manifestações, assumindo assim exatamente a disposição contrária frente aos inimigos imperialistas e seus instrumentos de dominação cultural, que buscam promover pela mistura entre culturas, a dissolução de todas as identidades, formando assim uma massa indiferenciada, mais apta à dominação cultural burguesa e capitalista.

A nível político, o melhor método de garantir essa preservação das identidades é através da concessão do maior grau possível de poder político de decisão às menores unidades políticas da América Austral, o município, e apenas em menor grau às províncias, repúblicas, e em último grau à Confederação. E devido à formação cultural dos povos da região, pequenas comunidades autônomas e descentralização política sempre foram a preferência, em contradição com a política oficial do imperialismo brasileiro, que é a de desrespeitar as diferenças, esmagando todos os povos que lhe são sujeitos a um mesmo molde abstrato.

Assim, pelo fortalecimento dos municípios como espaços públicos de decisão política, inseridos em miríades de outras formações políticas como províncias e repúblicas, ligadas entre si através de uma Confederação cujo governo central estará encarregado apenas da defesa comum, comércio entre as unidades políticas internas, e manutenção de infraestruturas e indústrias de grande escala, as comunidades terão a possibilidade de se expressar e buscar seus interesses do modo mais livre possível.

Democracia Orgânica

A democracia burguesa falhou. A experiência política brasileira, à qual infelizmente temos estado sujeitos simplesmente demonstrou a realidade da democracia burguesa e centralista como uma plataforma através da qual as oligarquias enriquecem, exploram o povo e dissolvem os laços comunitários tradicionais. Como experimento fruto da revolução francesa e dos ideais iluministas, a democracia burguesa demonstrou sua total insuficiência, e nos impele à necessidade de rejeitá-la completamente.

Essa forma recente de democracia, porém, não esgota a totalidade das experiências democráticas ao longo da história. A democracia é quase tão antiga quanto as outras formas clássicas de governo, e diferentemente do modelo burguês no qual o indivíduo é racionalizado como ente abstrato e o povo como mera soma demográfica, as democracias pré-modernas em suas inúmeras configurações possuíam um caráter concreto, na medida em que estavam absolutamente voltadas para a expressão de uma comunidade específica e para o atendimento dos interesses específicos da comunidade. 

Em uma confederação na qual as decisões políticas se concentrem majoritariamente nos municípios, a democracia se realiza localmente, pela participação da totalidade dos membros cidadãos da comunidade, da forma mais direta possível, de modo que cada decisão se torna uma expressão pura da vontade do povo. Enquanto as democracias burguesas buscam estabelecer um mesmo padrão de normas para a totalidade de suas unidades políticas, assim sempre oprimindo algum segmento da população, quando cada comunidade é capaz de tomar em conjunto e de modo direto as mais importantes decisões políticas, cria-se um sistema extremamente plural de formas políticas, nas quais as leis são sempre congruentes com a identidade local, passando a ser expressões jurídicas da vontade popular, ao invés de meras formulações abstratas de decisões políticas tomadas à distância e cuja cogência deriva da sanção, e não de uma harmonia orgânica.

Ademais, quando essa possibilidade de participação comunitária na tomada de decisões políticas é vista como algo que o companheirismo deve merecer, e não uma garantia natural derivada do simples fato da existência, através do estabelecimento de critérios valorativos, a participação democrática passa a ser vista como uma responsabilidade e um dever, ao modo das democracias gregas antigas, e um ponto médio entre populismo e aristocracia acaba encontrando-se na democracia orgânica.

Anticapitalismo Revolucionário

O capitalismo implantado em nossas terras pelas oligarquias brasileiras a serviço do imperialismo anglo-saxão e do sionismo internacional oferece apenas ilusões de prosperidade e progresso. Ainda que, devido à engenhosidade, força de vontade, ética de trabalho, austeridade e solidarismo comunitário, uma certa prosperidade homogênea tenha sido alcançada pelos povos austrais, em geral, sob o regime capitalista ao qual fomos submetidos apenas oligarcas traidores e estrangeiros colhem os principais frutos, enquanto os ônus são compartilhados por todo o povo. 

Bancos, meios de comunicação, e grandes empresas são controlados pelo capital apátrida. Pequenas propriedades rurais e artesanais familiares ou comunitárias são expropriadas pela especulação usurária e adquiridas por grandes conglomerados. Em busca da redução do custo da mão-de-obra, os grandes empresários incentivam a vinda de imigrantes brasileiros. Não obstante, o capitalismo não consegue fugir à inevitabilidade dos ciclos ruinosos que apenas prejudicam as pequenas propriedades e aumentam a concentração de renda.

Os povos austrais historicamente mais acostumados a formas alternativas de propriedade estão cansados da exploração capitalista e da destruição de seu modo de vida tradicional. Um combate agressivo, fanático e absoluto deve ser travado contra o capitalismo, contra a noção burguesa de propriedade e contra as grandes empresas. A realidade das classes sociais só pode ser transcendida após se conquistar a vitória total na luta de classes contra os capitalistas parasitários e seus asseclas.

Comunitarismo e Autarquia

A função primordial da economia deve ser compreendida como a manutenção da sobrevivência do povo e do Estado popular, do modo mais autônomo e autárquico possível, garantindo uma medida razoável de paridade econômica entre todos os companheiros nacionais. A noção de que dinheiro é uma commodity ao invés de mero instrumento de troca deve ser riscada de todas as políticas econômicas e monetárias do governo, na medida em que fomentaram o desenvolvimento do sistema capitalista opressor, a concentração de renda, a queda do nível de vida, e a extinção das comunidades tradicionais. 

Os movimentos políticos direitistas reacionários clamam que o único problema do sistema capitalista é a existência de usura. Ainda que devamos afirmar sem dúvidas de que a usura representa uma das máximas construções da alienação financeira e da artificialidade do capitalismo, a usura não passa da culminação dos processos históricos e psicológicos imanentes à consciência burguesa.

Assim, a luta de classes deve ter como finalidade a extinção do sistema capitalista liberal como um todo, incluindo aí a interpretação burguesa e individualista da ideia de propriedade, promovendo-se alternativas mais justas a mesma, além do fim da usura, dos grandes latifúndios, da especulação financeira e imobiliária, e de todos os outros instrumentos econômicos e financeiros de opressão.

Ao mesmo tempo, a grande população gaúcha e cisplatina, tradicionalmente rural e autonomista, cujos ancestrais há décadas ou mesmo séculos tem ocupado o nosso solo e trabalhado de modo produtivo e benéfico não deve ser prejudicada pelo comportamento destrutivo e exploratório de uns poucos barões traidores ou parasitas estrangeiros. Assim, na medida em que a pequena e média propriedade, principalmente a rural, são bastiões da conservação dos valores e modo de vida de nosso Povo e elementos essenciais da economia autárquica, o Estado Popular deverá se comprometer a defender o Povo contra a expropriação e apenas fazer uso da mesma contra os traidores e sabotadores contrarrevolucionários que usem a propriedade para a especulação, para a usura, ou em prejuízo do bem-estar do Povo e da integridade do Estado Popular.

Objetivos e Diretrizes Revolucionárias

Entre outras diversas medidas e políticas, a vanguarda revolucionária austral se compromete a lutar até a morte para que sejam alcançadas e estabelecidas certas condições imprescindíveis para a sobrevivência e fortalecimento dos povos da América Austral, quais sejam:

- A separação da região sul da República Federativa do Brasil, consistente nas atuais províncias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul;

- Uma integração orgânica e gradativa entre a nação resultante dessa separação com a República Oriental do Uruguai e a República Argentina;

- A organização da resultante dessa integração em uma Confederação Austral, engajada a uma oposição radical à globalização e seus mecanismos opressores tanto no plano interno como no plano internacional;

- A transferência do centro de decisões políticas quotidianas das burocracias centralizadoras das capitais para os municípios;

- A defesa radical e intransigente dos valores, tradições e costumes que deram as principais contribuições históricas para o desenvolvimento do Brasil Austral, com foco para a cultura gaúcha e para as diversas culturas colonas, protegendo a existência desses povos e culturas, com suas línguas, princípios espirituais, etc., contra as influências desintegradoras das culturas brasileira, americana e outras culturas estrangeiras, firmando-se ainda a Família, e não o Indivíduo, como base do Estado e elemento merecedor da máxima proteção;

- O estabelecimento de uma concepção orgânica de povo, por meio da qual apenas aqueles que possam demonstrar uma ligação concreta com as comunidades do Estado popular, possam ser considerados cidadãos;

- A substituição da democracia burguesa e seus partidos por uma democracia orgânica, popular e direta, fortemente descentralizada, baseada em princípios de responsabilidade e dever;

- A abolição da escravidão salarial, através do estabelecimento de tabelas contendo uma remuneração mínima necessária para o amplo desenvolvimento da excelência humana de cada companheiro nacional, na qual o salário mais alto de toda a Confederação não seja superior a dez vezes o menor salário;

- Uma reforma agrária radical, ampla e irrestrita, com o confisco de todos os grandes latifúndios, seguida de sua repartição de modo a garantir às famílias interessadas, selecionadas e treinadas um pedaço de terra, absolutamente indivisível e intransferível, para que as famílias possam contribuir para a consecução da autarquia nacional no setor econômico primário, e ao mesmo tempo promovendo o decrescimento das capitais por meio de um êxodo urbano;

- O estabelecimento de uma economia socialista, fundada na justiça social e objetivando a autarquia nacional, na qual a propriedade esteja amplamente distribuída entre a população, os meios de produção o mais próximos possível do controle do trabalhador, na qual a economia seja lastreada pela produção, e os salários e preços possuam uma conexão real com custos de produção;

- Serviços de saúde gratuitos e universais, quebrando completamente com a comercialização capitalista da medicina, geradora de exclusão, sofrimento e morte para o povo, e lucros imensos para os parasitas e exploradores;

- A organização dos trabalhadores em corporações ou guildas, separadas por ofícios, cujos membros se reunirão em conselhos, para que se defendam os interesses de todas as categorias de trabalhadores, sob a égide do Estado popular;

- O estabelecimento de juntas ou conselhos de trabalhadores para controlar cada empresa maior ou mais complexa do que uma empresa familiar;

- O estabelecimento de Câmaras Corporativas, integradas por representantes eleitos diretamente por cada corporação, em âmbitos municipal, provincial e nacional, com a finalidade de estabelecer as políticas e diretrizes econômicas e as leis de cada unidade política;

- A implementação ampla de unidades de energia de baixo impacto ambiental (solar, eólica, geotermal, hidroelétrica), para realizar a substituição completa do petróleo, e promover uma maior autonomia das comunidades locais, mantendo-se em alguma medida a exploração do petróleo e da energia nuclear sob o monopólio do Estado Popular;

- Combater a cultura do consumo através do estabelecimento do foco produtivo em objetos de elevada qualidade e durabilidade, ao invés de objetos descartáveis, produzidos para serem substituídos anualmente por novas versões dos mesmos objetos;

- A formalização do preceito tradicional de “preço justo” como princípio jurídico absoluto de todas as relações econômicas, comerciais e consumeristas, com o tabelamento relativo de todos os bens de consumo, de modo que haja uma relação mensurável entre o seu custo de produção e seu preço;

- A eliminação total da usura, pela extinção dos empréstimos a juros para a aquisição de bens improdutivos, e pelo combate radical à especulação financeira e imobiliária;

- O estabelecimento de um sistema educacional gratuito e universal, cuja finalidade deverá ser a descoberta das aptidões naturais de cada companheiro nacional, de modo a dirigi-lo na direção da excelência de suas próprias capacidades inatas, assim já auxiliando a orientar, desde a infância, cada um em direção ao ofício mais adequado para si;

- A defesa intransigente do porte de armas por parte de todos os cidadãos, atendidos requisitos básicos, com a formação de milícias populares voluntárias em cada comunidade municipal para realizar o trabalho de polícia e a defesa contra os inimigos externos, mantendo uma força militar permanente altamente treinada a nível central;

- O controle de todos os principais meios de comunicação por companheiros cidadãos, através do Estado popular, suas unidades políticas menores, ou por corporações de trabalhadores.

A revolução austral, cuja marcha tem início e cujo fim só se dará com a vitória gloriosa, ou a queda de seu último membro, é, em sua essência um movimento total, da terra ao céu, do corpo ao espírito, por isso, não haveria nenhuma possibilidade de vitória se ao longo de toda luta revolucionária e dissidente não se galgasse conjuntamente a formação de um novo homem, fisicamente forte e espiritualmente virtuoso, exatamente como foram os guerreiros conquistadores do Brasil Cisplatino.

É preciso, então, que uma meta em direção ao alto seja posta para aqueles que desejem se elevar acima da mediocridade do homem moderno, cultivado em escala industrial por ideologias pré-fabricadas, animalizado por arquétipos comportamentais dos mais inferiores e bestiais. Hoje, aquele que busca uma tal meta encontra-se envolto numa névoa suja e densa de mentiras, falsas necessidades e de símbolos sociais passageiros, os quais o levam para longe do seu Eu e para longe da herança que seus ancestrais deixaram consigo.

Por isso, a revolução austral é também um caminho interior, trilhado com força e sacrifício, em nome de um dever que se tem para com os filhos que herdarão a pátria austral, e em honra àqueles que por ela lutaram. A escolha é pessoal. As opções são apenas duas: lutar ou perecer. Lutar por algo que está dentro e além de si, ou perecer por potências decadentes da cultura brasileira, do ouro e da corrupção.

A atitude de luta, do guerreiro austral, deve ser a mais verdadeira possível, ao ponto de ecoar em outros mundos, e ser conhecida em outros tempos: no futuro de nossas gerações, como exemplo a ser seguido, e no passado de nossos avós, como orgulho emocionante.

Assim, nossa vanguarda revolucionária, reunida sob as bandeiras e estandartes austrais nas fileiras da Frente Popular Austral, jura comprometimento total com os ideais, princípios e propostas apresentados neste Manifesto, para lutar pelo estabelecimento de uma gloriosa civilização na América Austral, para defender os diversos povos de nossa América contra a ameaça imperialista, a opressão capitalista, e os males da modernidade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário