quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Evola, Nietzsche e a Via da Mão Esquerda

por Marcos Ghio



Palestra ministrada por ocasião do IIIº Encontro Nacional Evoliano em Curitiba.

Introdução

Friedrich Nietzsche morre em 25 de agosto de 1900, quer dizer há 112 anos; dois anos antes havia nascido em Roma Julius Evola e, se tivéssemos que utilizar aqui um léxico muito em voga nestes tempos de Olimpíadas, poderíamos dizer que é como se para o transcurso do século seguinte o alemão tivesse entregado uma tocha a alguém que seguisse em sua mesma corrida.

É certo que Nietzsche foi e segue sendo, em especial nos últimos tempos, um pensador bastante na moda e bastante mencionado. É mais, se pode dizer que cada vez que se passa algum momento especial e particularmente de crise se costuma acudir a sua figura para brindar algum tipo de explicação ao que ocorre, pois recordemos que nosso filósofo foi um verdadeiro profeta de todos os cataclismos que se aproximavam como consequência daquilo que ele qualificou magistralmente como o "niilismo europeu".

Nietzsche esteve entre as principais referências de todos os movimentos que, vivendo os significados últimos dessa crise, tentaram superá-la: do movimento existencialista, seja do entreguerras como do pósguerra, e também o foi nos últimos tempos desse fenômeno de fim de milênio crepuscular qual seja o movimento da pós-modernidade. Em ambos casos, e em especial com este último, Nietzsche foi a principal fonte de inspiração.

Porém em Evola há algo mais que representa uma verdadeira continuidade e até diríamos uma superação de perspectivas logo de ter recebido, tal como dissemos, a tocha para o novo século vindouro. E a temática deveria se encarar aqui em relação daquilo que em Nietzsche foi a problemática principal em toda sua filosofia, sua crítica e denúncia do niilismo europeu e a mesma como uma tentativa pretendida de superação de tal situação de decadência.

O alemão foi, como dissemos, o mais agudo e radical crítico de tal fenômeno, quer dizer do transfundo último existente em sua própria civilização. De acordo a seu peculiar ponto de vista toda a longa série de filósofos e pensadores havidos no Ocidente, os diferentes movimentos sociais e religiosos de todos os tempos, não significaram outra coisa, em seu conjunto e apesar de suas diferentes posturas, que a expressão de um mesmo estado por parte da humanidade representado por uma fuga em relação a si mesma e de sua responsabilidade essencial em relação às razões últimas que explicavam a própria vida, foram pois o produto de um medo fundamental de se encontrar frente a frente ante si mesma e em sua mais plena crueza. E então, ante tal circunstância, as distintas expressões do pensamento, que ele faz arrancar desde os tempos do próprio Sócrates, tentaram construir fetiches, pontos de apoio com a finalidade de lhe permitir a essa de se esquecer de si brindando uma justificativa racional a aquele que em última instância não é senão uma fuga em relação de si e encontrar assim uma "explicação" onde um mesmo não pudesse se conceber de outra forma que como uma parte subordinada de um processo do que é apenas um elemento mutável e intercambiável.

Dionísio em Nietzsche e em Evola

É no contexto dessa temática essencial que aparece a interessante análise efetuada por Evola da obra juvenil, A Origem da Tragédia, que, recordemos, foi um texto escrito em pleno furor wagneriano de Nietzsche e no qual tentava encontrar uma categoria nova da estética referida à arte musical de seu admirado autor desse então. Na mesma contrapõe dois espíritos antagônicos e explicativos da alma grega anterior a Sócrates, o dionisíaco e o apolíneo, considerando à música como a expressão mais acabada em um plano estético do primeiro. Enquanto que o dionisíaco representaria o espírito da desmedida de uma vontade impetuosa, transgressora de todo limite imposto, o segundo por sua vez, que se expressa principalmente nas outras manifestações da arte, o apolíneo, é o próprio da medida e o freio de tal impulso originário para enquadrá-lo dentro de uma determinada ordem e equilíbrio. E ambas espiritualidades foram sempre solidárias no seio da arte ocidental representando algo assim como duas forças em contrapeso: o afã pelo infinito e o desejo por ordem e limite. O equilíbrio entre as duas forças ou vias, da direita e da esquerda  foi pois aquilo que esteve por trás da grandeza da Grécia primigênia, na qual a arte representava sua expressão mais elevada.

Porém há ademais no transfundo desse esquema essencial, que como tal, digamos de passagem, não esgota de maneira alguma o significado último de ambos termos, uma mesma forma de pensar mítica que pode se formular de maneiras diferentes, tal como aconteceu com Evola assim como com Nietzsche na obra aqui aludida e, se bem podem existir semelhanças quanto aos diagnósticos de situação que se obtém de ambos, o resultado, tal como se verá, será substancialmente distinto. Tais mitos, se bem são formulados de forma significativamente oposta, tendem por igual a expressar a mesma problemática da ruptura de um equilíbrio entre o dionisíaco como oposto ao apolíneo tendo que ver principalmente com a razão última e principal de nossa existência.

No caso do alemão se trata do mito de Selene. De acordo com o mesmo o rei Midas, logo de ter obtido todas as riquezas possíveis nessa terra, trata de arrancar ao velho centauro Selene o segredo da razão última do por que se estava nessa vida e o que havia por trás e depois dela. Não lhe resultará fácil tal tarefa pois, logo de uma longa travessia por bosques e campinas perseguindo-o, quando ao fim logra alcançá-lo e o obriga pela força a lhe desvelar o segredo, Selene lhe responde: "Não me deverias ter perguntado tal coisa nunca, mas se insistes em sabê-lo, eis aqui a verdade: Vós estais aqui por uma aposta realizada pelos deuses que queriam divertir-se com vossos sofrimentos e poder ver até que limites eram capazes de chegar em vossa credulidade e candidez ao tomar em sério tal ficção. Eles não se preocupam em nada com vossos logros, e mais, nos bastidores riem-se às gargalhadas de vossa estupidez ao tomarem as coisas tão a sério. Não sois outra coisa que uma raça efêmera e miserável, filha do azar e da dor. Por quê me forças a revelar-te o que mais te valera não saber? O que deves preferir a tudo é para ti impossível: é não ter nascido, não 'ser', ser o 'nada'. Porém depois do que te hei contado o melhor que podes desejar é morrer de imediato".

E bem, nessa dolorosa revelação estaria a origem da tragédia grega e na expressão do dionisíaco como o espírito da desmedida compreendida como atitude de resposta e rebeldia. Se trata aqui da consciência clara de que estamos sozinhos em um mundo no qual, segundo Homero, a vida é como as folhas que secam e se vão regenerando sucessivamente, não havendo qualquer outro sentido do que o fato de se estar outorgado para estar nela, não existindo assim ninguém que nos brinde consolos ou explicações em relação a outras razões superiores, aceitando assim a ideia de que não existe um Deis que esteja em vigília observando nossos resultados, preocupado sempre em nos salvar e nos conduzir ao céu; o mundo não se apresenta a nós como o produto de uma superabundância de bondade, não há para nós um lugar assignado para onde ir, não há ninguém que, preocupado conosco, nãos tenha ditado um sentido em relação o que devemos fazer, senão que, e eis aqui a resposta ao desafio lançado pelo centauro, em última instância somos nós os que devemos formulá-lo a partir dessa falta total de sentido que tem as coisas. E ante este deserto que se ergue frente a nossas vistas em forma de tragédia nos é develada também outra verdade subsidiária ao mito, de que em razão do sem-sentido antes mencionado, os deuses, que nos lançaram ao mundo desentendendo-se de nós, nos deram também a possibilidade de que cheguemos a ser os donos e senhores de nossa vida, consistindo nisso pois nossa suprema liberdade, na de sermos capazes de assumir a carga imposta por seus risos atuando perante a mesma com a firmeza característica de Dionísio que não solicita a nada pelo que viver, estando ao contrário disposto sempre a ser ele quem outorgue um sentido a todas as coisas.



Não existem portanto processos históricos, nem leis, nem fatalidades infalíveis que determinem nossas ações, não há pois paraísos nem na terra nem no céu pelos quais ansiar. Se encontra aqui este mito concatenado também com outro solidário e essencial, o do eterno retorno. De acordo ao mesmo nosso tempo não é parte de um processo enlaçado por um Deus providencial ou por uma razão superior que compreenda nossos momentos em sucessão de sentido, não somos átomos de sistemas que outorgam um significado a nossas ações. Nós mesmos somos esse significado, nosso tempo é propriamente todo tempo; a diferença do dos processos formulados por Apolo que pretendem ao invés ordená-lo e colocar-lhe limites, é infinito; nosso instante, não é um ponto fugaz de um devir que nos transcende e explica, senão que é eterno e se repete sempre igual em todo tempo e lugar sem deixar nunca de ser ele mesmo. 

Porém eis aqui que, ante essa crua verdade, ante essa terrível realidade revelada pelo centauro, nem todas as almas terminam aceitando-a, nem todas são capazes de demonstrar a firmeza de Dionísio de poder encontrar um sentido ali onde não foi dado nenhum. Surge então o medo, o terror ante a possibilidade de que, na tentativa de ser si mesmo, sobrevenha o fracasso e a queda estrepitosa, de que, ante a tentativa de outorgar um sentido às coisas e à existência, sobrevenha a queda. É o medo do caos, do nada, o irrefreável pavor que desperta o infinito e o desejo exacerbado por encontrar um limite capaz de preencher nosso vazio e nada existencial. Surge de novo Apolo, porém essa vez não como um contrapeso do impulso ilimitado de Dionísio, tal como acontecia na arte, senão criando sucedâneos nos quais crer perante o medo pelo infinito que nos suscitou a revelação do centauro. Aparece assim a sociedade, o amor pelo próximo, a necessidade de estar acompanhados, confirmados, aplaudidos, não sentindo-nos pois suficientes a nós mesmos pelo pavor exacerbado do abismo. Ante isso, pois, os débeis crepitam, buscam explicações, surgem assim os retóricos e dialéticos, os espíritos plebeus e sacerdotais que, como Sócrates, ante o que não podem ver, se dedicam a explicar, quer dizer a acomodar e a encerrar o que não tem limite na categoria de conceitos, surge por sua vez o sacerdote encarregado de consolar aos desesperados com a promessa de um mais além dessa vida. Os débeis e fracassados se confortam ante o relato brindado por estes pelo qual os últimos e fracassados dessa vida serão os primeiros no céu, onde, tal como diziam espíritos ressentidos como Dante, existe como um postigo pelo qual, desde tais alturas de beatitude e prêmio em que foram recompensados logo de últimos fracassos, os agora primeiros se confortam com os sofrimentos que no inferno padecem os que triunfaram na vida. A ideia é que há algo mais além de nós mesmos que nos explica e ordena ante o amargo viver que nos apresentava por sua vez o centauro. E essa figura consoladora não tem necessariamente por que pertencer a uma religião determinada voltada para o transcendente, pode-se encontrá-la também em todas as ideologias e sistemas que tentam brindar uma explicação a nossos atos, que subsumem nossas ações a fins exteriores a elas convertendo-nos em mediações, em momentos e átomos fugazes de um devir universal que pode assumir diferentes nomes de acordo com o anzol que se lance para aprisionar os desesperados e submissos (comunismo, liberalismo, historicismo, racismo, etc.).

É ante isso que surge então a via da mão esquerda, a de Dionísio, que de passagem queremos dizer que não tem nada que ver com a esquerda como ideologia política, tal como pensam alguns. A mesma consiste pois na quebra de todos estes fetiches construídos por um ego temeroso perante a crua verdade brindada pelo centauro, consiste pois na destruição do niilismo formulado pelos débeis com a finalidade de que, a partir de suas ruínas, um novo mundo, uma nova moral, uma nova religião (já veremos como será em Nietzsche) possa se constituir como alternativa à decadência.

O ponto de partida da filosofia em Evola é o mesmo que em seu predecessor ainda que acuda, é de destacar, a um mito diferente e, tal como veremos, por isso mesmo brindará uma solução substancialmente distinta e superadora da formulada por Nietzsche.

A mesma aparece em um texto que foi escrito por nosso autor pouco antes de morrer, em 1973, para a revista Vie della Tradizione, porém, tal como explicamos em nosso prólogo ao recentemente editado por nós Mais Além de Nietzsche, que é uma compilação de escritos sobre o grande filósofo alemão, o mesmo é uma revisão atualizada de um texto juvenil pertencente à época propriamente pagã de Evola, editado em 1925 quando contava com apenas 27 anos, na revista de Arturo Reghini Ignis  e que logo, devido a seu grande impacto editorial, foi traduzido ao francês em um opúsculo entitulado Par delá de Nietzsche. A temática do mito ao que aqui acude é a mesma que aparece no relato bíblico de Adão, porém que não obstante está também presente em distintas tradições ainda com resultados diferentes. De acordo com o mesmo, antes de estar nessa vida o homem preexistia em um universo de luminosidade e beatitude, em um Éden. Nele florescia a Árvore da Vida e ele mesmo era essa vida luminosa. Porém de repente, logo de um estado de tédio existencial, surge uma nova e inaudita vocação: a vontade de domínio sobre a vida, a superação do ser, através de poder ser e não ser. (No caso do mito de Selene isso consistia ao invés na busca da razão última do viver). É o que se conhece como a Árvore do Bem e do Mal. Ao comer de seu fruto o homem se separa da Árvore da Vida, significando isso a quebra de todo um mundo, aparecendo aqui um valor que, de acordo com o dito hermético, o converte em superior aos próprios deuses na medida que junto à natureza imortal, que já se possuía e na qual se estava determinado a ser, tem em seu poder também a natureza mortal, junto ao infinito está também agora o finito, com a afirmação também a negação, isso se conhece como a categoria de Senhor das Duas Naturezas.

Em tal aspecto teria que dizer que a decisão transcendental pela qual o homem decide sair de uma vida preexistente de beatitude e infinitude para alcançar um plano diferente, o da finitude e morte, tem um sentido mais alto presente em todas as grandes tradições. Se trata da conquista de uma dimensão superior à da mera imortalidade que já se possuía, que consiste na da eternidade. Enquanto que na situação de preexistência o homem participa de um tipo de imortalidade pertencente a um tempo que é infinito, a eternidade é ao invés propriamente o sem tempo na medida em que significa um presente que sempre é, sem passado nem futuro. Eis aqui formulado pois de forma diferente ao mito do eterno retorno de Nietzsche. Desde tal ponto de vista a passagem ao tempo finito e ao mundo da morte representa assim um estado de ruptura e de quebra em relação a uma situação de fatalidade pela qual o homem agora nessa nova dimensão na qual escolheu estar pode ou bem morrer e se dissolver, o que é propriamente a queda, ou pelo contrário sobreviver em um estado superior de eternidade ou presente que sempre é o mesmo, tal como formulara Nietzsche no mito previamente aludido.

Porém temos aqui que uma vez mais, logo de ter tomado tal decisão, o homem, da mesma maneira que no Dionísio mencionado por Nietzsche, não soube estar à altura da circunstância escolhida. O prendeu uma vez mais o medo por tal nova situação e, simultaneamente a isso, o esquecimento em relação à decisão pela qual decidiu estar aqui. Então é que acode aqui a um novo mito que já estava presente em Platão, o mito da reminiscência pelo qual a alma encarnada nessa vida tenta recordar as razões pelas quais decidiu vir, trata de encontrar no que é simples vida o que é mais que essa e aquela escala que a conduz ao mais além. Em tal aspecto os símbolos e ritos proporcionados pelas grandes tradições representam pontos de apoio existenciais para possibilitar esse estado de lembrança primordial. Porém aquelas sociedades, como a atual, que enterraram e esqueceram tais dimensões metafísicas afundam o homem no medo apolíneo da imanência.

E então perante isso vale aqui acudir a um terceiro mito fundamental onde uma vez mais aparece a figura de Dionísio, e que corresponde ao relato principal que estava presente na tradição órfica, o relativo à dupla natureza humana, também referido a tal figura, sendo uma vez mais o protagonista principal, apontemos por sua vez que dito mito resulta também essencial para compreender a doutrina da raça de Evola. Dionísio, o filho de Zeus, caiu sob o olho invejoso dos Titãs inimigos que, em um descuido desse, o devoraram produzindo assim a ira do deus. Então este, enfurecido, lança seus raios sobre essa raça de gigantes à qual aniquila, porém em verdade faz isso com uma segunda intenção, a de recuperar seu filho amado. Assim pois de suas cinzas cria o homem, composto desse modo de dois princípios contrapostos, material, impuro e corruptível um, o proveniente de seu elemento titânico, e divino e espiritual o outro, o que corresponde ao elemento dionisíaco. De acordo com o orfismo, a existência humana consiste em fazer triunfar em si mesmo o elemento dionisíaco sobre o titânico que coexistem em um mesmo ser como duas raças contrapostas e antagônicas, como dois egos em conflito e luta permanente entre si, um eu superior de caráter espiritual em busca do eterno e um eu psicológico e inferior voltado, ao invés, para as coisas que mudam e devém. O dionisíaco é pois o que tem que ver com a transcendência, o titânico é ao invés com o que nos afunda no plano do imanente. Eis-nos aqui pois com a essencial doutrina das duas raças formulada pelo nosso autor em um adequado léxico moderno.



Vemos assim que, enquanto os mitos em que se funda o dionisíaco em Evola e Nietzsche são diferentes, distintas são também as soluções aportadas por ambos autores. Como vencer o riso dos deuses revelado pelo centauro Selene de acordo ao mito aqui aludido por Nietzsche na origem da tragédia? Pois bem em obras posteriores, como o Zaratustra há indicações precisas. O Dionísio que se manteve firme ante um mundo sem sentido, agora, em uma segunda etapa, prega uma nova religião, a do Super-Homem, tenta aqui dar um sentido distinto ao do niilismo que pretende superar. E aqui existem duas possibilidades de interpretação. Ou se trata de superar o mero humanismo, quer dizer o humano compreendido desde o ponto de vista do niilismo e da modernidade, ou ao contrário se incorre, tal como lamentavelmente aconteceu com vários seguidores do filósofo, em um mero darwinismo onde o super-homem fica reduzido ao plano de um homem mais perfeito biologicamente, da mesma maneira em que o homem o é em relação ao animal do qual evoluiu. Desse modo um fetiche fica substituído por outro, um medo é suplantado agora por um novo medo. A "fera loira", infeliz expressão de Nietzsche segundo Evola, quer dizer uma forma humana superior e mais perfeita de raça preeminentemente biológica e não espiritual, é agora o novo alucinógeno inventando quiçá involuntariamente pelo próprio Nietzsche, ou ao menos enquanto se tirem do mesmo conclusões parciais, para substituir ao antigo niilismo por um novo. Apolo pois, através de um Nietzsche transfigurado, jogou agora uma nova partida.

O super-humanismo de que nos fala ao contrário de maneira precisa Evola é algo que é mais que mero homem desde um plano biológico, é um ser transfigurado que superou o plano meramente físico e material, que estereotiparam de maneira significativa os racistas herdeiros desse aspecto equívoco do pensamento nietzscheano, é um ser que chegou a vencer totalmente o titânico que existe em si mesmo e que, como tal, alcançou um grau superior ao do próprio paraíso adâmico enquanto que conseguiu vencer em si mesmo a dimensão do tempo para alcançar a eternidade.

Para se constituir um ser superior o homem deve vencer prioritariamente ao eu inferior que habita em si mesmo, quer dizer ao elemento titânico do mito. O mesmo não está tão somente presente no interior de si, senão que em um plano mais alto, enquanto desapareceu a diferença entre o mero eu psicológico e o mundo externo, entre o objetivo e subjetivo, este se manifesta no mundo externo em modo tal que, tal como se formula no mito islâmico das duas guerras, a guerra santa interior se faz solidária com a que se desenrola contra o elemento titânico externo encarregado de fortalecer tal dimensão. Isso sucede porque o externo e interno se retroalimentam, o eu inferior se consolida e desenvolve a partir dos influxos provenientes do mundo exterior representado pelo elemento moderno a abater.

A Via da Mão Esquerda nos tempos atuais - As Novas Técnicas da Guerra Oculta

Abater pois o mundo do titã que Apolo construiu para aliviar do duro peso representado pela aceitação da crua realidade dionisíaca é pois a tarefa própria de superar o niilismo. A ideia presente aqui é a de que, ante a mesma, Apolo se esmera em nos construir fetiches com a finalidade de que se aprofunde o esquecimento por parte do homem das razões pelas quais decidiu estar aqui. Portanto ante a exaltação de tal ficção o homem deve ter a certeza de que não existe nada que mereça ser conservado do mundo moderno, o que existe ante ele é simplesmente o produto de um mundo em estado de crepúsculo e alienação onde a função dionisíaca consiste em ajudar a abatê-lo a fim de que "acelerando o final também se acelere o novo começo". Desde tal ótica o rechaço pelo mundo moderno deve ser radical da mesma maneira que radicais devem ser os procedimentos a fim de extirpar de nós mesmos o medo que Apolo nos tenta esconder. Aparece novamente aqui a doutrina das duas raças pela qual se compreende a relação entre o dionisíaco e o titânico como de absoluto antagonismo hoje recriado no combate irreversível que existe entre o moderno e o tradicional, não se encontrando possibilidade alguma de coincidência e conciliação. O titânico ou apolíneo é o que sempre tenta voltar a brotar devendo o dionisíaco acudir a todos os procedimentos possíveis para abatê-lo.

Em relação a tal problemática essencial é que Evola escreveu uma fundamental obra, Os Homens e as Ruínas, onde desvelou as diferentes técnicas de guerra oculta pelas quais o inimigo moderno, aquele que, à maneira do Apolo de Nietzsche e do titã do mito órfico, pretende desviar o homem de seu fim transcendente. Se trata por tal revelação efetuada em dita obra de destruir o mundo das aparências que Apolo construiu para perpetuar a grande paródia que pretende ocultar o medo essencial pelo ser. Apolo pois utiliza vários procedimentos com a pretensão de nos fazer cair no esquecimento para nos manter sujeitos a seus desígnios.

É desde tal ótica que nós consideramos que, seguindo com a linha inaugurada por Nietzsche, ser evolianos hoje em dia não significa simplesmente repetir textos do mestre em um afã desesperado por se mostrar como absolutamente fiel a sua ortodoxia, senão principalmente ter sido capaz de tomar a tocha deixada primeiro pelo alemão e logo pelo próprio Evola ao abandonar esta vida há quase quarenta anos em um combate sem igual e absoluto contra o niilismo desvelando suas técnicas e seus procedimentos de perpetuação.

Em tal obra fundamental antes mencionada, Evola dedica um capítulo inteiro para denunciar as distintas técnicas da guerra oculta empregadas pelo inimigo do homem com a finalidade de desviá-lo de seu fim essencial, da meta pela qual este decidiu estar aqui: a conquista da eternidade.

Ainda que os tempos sejam diferentes (recordemos que este fundamental texto foi escrito em 1954, quer dizer há quase sessenta anos), digamos que, se bem muitos desses procedimentos empregados seguem estando vigentes, na medida entre outras coisas de que os mesmos foram postos em descoberto por nosso autor, o inimigo acudiu a outros muito mais sutis e sofisticados, os que trataremos de desvelar aqui na segunda parte dessa conferência.

Evola em dita obra nos falava especialmente de duas técnicas especiais. A primeira era a confusão entre os princípios e os representantes dos mesmos. Apolo, quer dizer o inimigo moderno, pretende a qualquer preço terminar com todo vestígio de tradição na terra, a fim de produzir o esquecimento antes mencionado. Enquanto sabe que nos homens o habitual é deixar-se levar pelas aparências e pelas coisas meramente visíveis, sua técnica primeira e mais habitual consiste em negar o valor de alguma forma tradicional, pensemos por exemplo no catolicismo, simplesmente porque alguns representantes do mesmo, alguns de seus papas por exemplo, em especial após o último Concílio, se apartaram dos princípios que representam. Isso é aproveitado pelas forças ocultas da subversão para dessa maneira lograr o rechaço do princípio mesmo a fim de fortalecer assim seu oposto, a ordem moderna. Também isso podia se manifestar no aproveitamento do rechaço por um rei ou por certos reis incompetentes para assim poder negar o princípio da monarquia, etc.



O segundo procedimento era ainda mais sutil: consistia na técnica do bode expiatório. Bem sabemos que os procederes implementados para sustentar o niilismo em que se encontra submergido o homem são múltiplos e que os mesmos são utilizados de acordo à conveniência do momento. Assim pois, se na Idade Média o guelfismo foi aquela força utilizada para socavar a ordem sacra do Império e suplantá-lo assim pelo Estado laico e desconsagrado próprio do absolutismo, em primeiro termo, a maçonaria foi em um segundo momento a força utilizada com a função de deslocar a este último para que logo, com a Revolução Francesa, pudesse se instituir a ordem universal da economia, através de suas classes econômicas, como destino da humanidade em sua fase mais sórdida de decadência. Porém no aprofundamento do niilismo foi necessário acudir ainda a medidas mais extremas como foram as guerras mundiais nas quais desempenhou um papel fundamental o judaísmo secularizado induzindo às nações a uma guerra total que deu por resultado a ruptura de qualquer resquício tradicional que servira ao homem para a busca de seu fim superior e a correspondente elevação de grau. A técnica do bode expiatório é nesse caso o procedimento de reduzir tudo a uma só força (o judeu, a maçonaria, etc.) sem ter em conta a existência das outras que atuam de modo concorrente a fim de que desse modo, ao se concentrar a atenção em uma só das forças dissolventes, se pudesse gerar no homem um estado de profunda distração que permitisse assim às forças ocultas do niilismo atuar livremente.

Porém na medida em que, apesar de todos os procedimentos implementados, igualmente o ser humano - e graças principalmente à ação invalorável de alguns publicistas e escritores - tende já a perceber que existe um inimigo oculto que atua entre os bastidores da história, lhe resultará então indispensável acudir a novos procedimentos ainda mais sutis que os que conhecera em vida o mestre Evola, que junto ao autor polaco Malinsky fora o encarregado de denunciá-los de maneira clara e contundente.

Quais são as novas técnicas implementadas em nossos tempos? Eu quero remeter-me a duas em particular.

1º A primeira delas é a técnica da estereotipação do poder do inimigo. A ideia é aqui a seguinte. A raiz de que se produziram uma série de fatos que conduziram à humanidade às mais sórdidas decadências em muitos se produziu o despertar da ideia de que existe um poder universal que atual entre bastidores na história, sumamente poderoso e capaz de utilizar múltiplos recursos em função de seus fins. Pois bem, aos que descobriram tal segredo ainda que não seja possível os convencer do contrário se trata então de lhes gerar um medo espetacular e exacerbado em relação aos recursos com os quais contaria tal poder convertendo-o em uma força impossível de vencer em razão de seu imenso poderio. Isso pudemos perceber a partir dos acontecimentos desencadeados em setembro de 2001 ainda que haja tido antecedentes em outros fatos similares. A mesma consiste em magnificar até limites imoderados o poder do inimigo oculto convertendo-o em uma força onipotente e invencível. De modo tal que cada ação exitosa que se pode ter levado em contra, enquanto se trataria de um poder capaz de ter absolutamente tudo sob seu controle, somente a pode ter produzido o mesmo obedecendo a um plano oculto e sinistro de domínio.

Este procedimento se concatena com outro subsidiário que consiste na constituição de constantes ou leis históricas fictícias. Pelo mesmo se trata de nos fazer crer que sempre e em todos os casos o inimigo niilista atuará da mesma maneira na medida em que, sumamente preocupado pelo que os outros poderão opinar dele, tentará sempre se vitimizar a fim de justificar uma série de ações de represália contra seus pretensos inimigos. Assim pois, ainda que se haja sabido que em alguma circunstância, para poder desencadear a fins do século XIX por exemplo uma guerra com a Espanha se fez explodir um encouraçado, que para poder justificar sua intervenção na Segunda Guerra Mundial se deixou destruir parte de sua frota em Pearl Harbour, e outros fatos similares, a conclusão então é que a regularidade com que se produziram tais fatos nos evidencia uma determinada lei histórica pela qual toda vez que aconteceria algum magnicídio de tal tipo que posteriormente tivesse estado acompanhado por uma guerra subsequente, então uma vez mais se teria confirmado uma mesma lei ou constante histórica pois esta seria a maneira habitual com a qual sempre atuaria. Este argumento reducionista serve a sua vez ao inimigo para dessa maneira consolidar em si mesmo a imagem de que é onipotente em modo tal de que qualquer ação exitosa que se desenvolvera contra si somente a poderia ter produzido ele mesmo.



Uma vez criada esta falsa imagem então a consequência de tudo isso teria que ser a inação ou justamente por outra via a aceitação passiva da existência da ordem niilista. Desse modo o poder oculto obtém por um meio diferente o que pode alcançar com o comum das pessoas que não foram capazes de perceber sua existência, na medida em que, seja por ação ou por omissão, não haveria diferença alguma com aqueles que creem de pé juntos em algum dos esquemas inventados para perpetuar este mundo de ficção.

Porém o reducionismo se manifesta ademais na consolidação do espírito moderno no fato de que se tende a confundir a esfera humana com a natural onde operam as ciências fáticas. Bem sabemos que os fenômenos naturais e físicos, enquanto regulares em seu acontecer, podem ser previstos com uma certa facilidade já que o mundo da natureza está regido pela lei da necessidade. É exatamente o oposto o que acontece no mundo humano onde o princípio que rege é o da liberdade e no qual um acontecimento similar pode ser resultado de uma maneira em um caso e de forma oposto e absolutamente diferente em outro.

Não é assim no mundo físico onde sempre e em todos os casos quando se unem duas unidades de hidrogênio com uma de oxigênio sempre teremos como consequência água. Essa atitude cientificista é a que tem abundado entre os sustentadores do autoatentado os que, ademais de crer que o sistema atuará sempre da mesma maneira, aceitando implicitamente assim seu caráter sumamente invulnerável e omnicompreensivo, se cansaram de nos exibir "provas" que poriam em evidência tal condição através da teoria do complô fabricado. Nós dissemos várias vezes que as "provas" que no mundo físico podem provar algo, no humano e espiritual, onde existe ao invés a liberdade, não provam absolutamente nada, senão em todo caso, em razão de que ali as eventualidades são múltiplas, podem até chegar a nos "provar" o contrário exato do que afirmam os que as exibem com tanta convicção.

Aqui cabe mencionar alguns exemplos dos tantos utilizados para por em evidência tais contradições. Se chegou a dizer que enquanto não se deram nunca os nomes completos das pessoas que viajavam nos aviões, isso era uma demonstração de que em realidade não foram aviões de passageiros os que se lançaram contra as Torres, senão em realidade se tratou de mísseis disfarçados de avião. A resposta é que possivelmente não se haja dado a lista completa de passageiros justamente para criar tal ideia que a eles lhes resulta muito mais conveniente, a de gerar no mundo a sugestão de que são onipotentes. Já dissemos em outra oportunidade, o inimigo niilista, o inimigo oculto, não tem um discurso único: para quem é seu antagonista declarado ele não considera que a propaganda apropriada seja a de despertar neste lástima ou piedade, senão uma sensação muito forte de medo e onipotência ainda a risco de resultar cínico e sanguinário. Tem perfeitamente em claro que, para triunfar em uma guerra, em vez de um inimigo débil e humanitário sempre será preferível um inescrupuloso porém forte. Este é o sentido verdadeiro da guerra psicológica. Agreguemos também a isso o famoso passaporte do mártir Mohammed Atta encontrado intacto entre os escombros de uma das torres destruídas. Foi sem sombra de dúvidas colocado de propósito, porém por que se queria fazer isso? As pessoas sugestionadas pela técnica reducionista opinam que isso ocorreu para incriminar a Al Qaeda e ocultar assim a autoria de autoatentado, em câmbio a possibilidade mais certa seria que se acudiu a uma prova tão grosseira para dessa maneira fazer com que se diga tal coisa que é o que para eles resulta sempre preferível.

Porém a mais inverossímil das provas (e com essa terminamos) é aquela que nos diz que uma demonstração irrebatível de que foi o sionismo judaico o que efetuou tal atentado foi que esse dia não foram trabalhar mais de 4000 norteamericanos de origem hebreia e que nas listas de mortos apresentadas não aparecem sobrenomes dessa origem. Isso teria sido porque a todos eles teria sido dada uma ordem expressa de faltar nesse dia ao trabalho. É indubitável que através de tal informação, junto a querer nos indicar que os judeus são os responsáveis pelo atentado, em verdade se nos quer fazer crer que se trata de um exército disciplinado que funciona de maneira obediente como por sua vez não sucederia nunca com outras coletividades. Ao sionista indubitavelmente convém que se creia em tal falsidade pois em tal caso nos estaria demonstrando ser sumamente superior a todos os demais pois com segurança se tal ordem se tivesse sido dada a outra coletividade que não tivesse sido a judia bem sabemos que aos poucos dias e para receber algum rédito econômico ou por simples fama não teria faltado algum membro da mesma, e mais ainda se tivessem sido mais de quatro mil, que tivesse denunciado tal fato. Nos consta por experiências vividas que não é verdade que os membros da coletividade judia sejam tão solidários entre si como gostam de nos fazer crer. Que muitas vezes os judeus brigam entre si e até buscam a cumplicidade de algum não judeu para fazer frente a alguém da própria coletividade que não estimam.

Com estes exemplos cremos ter já dito bastante para por em evidência a aplicação da primeira técnica que podemos chamar também em aras da simplificação, reducionista, e que é na atualidade uma das preferidas em sua aplicação por parte do inimigo moderno. Porém há ademais outro procedimento muito mais sutil e do qual queremos falar para finalizar essa conferência.

2º Se trata da técnica do localismo ou nacionalismo.

O pensamento tradicional, do mesmo modo que o moderno, é de caráter universal e se tivéssemos que utilizar um léxico muito em voga, é mundialista. Considera que no homem existe uma dimensão superior e sobreposta à meramente física e corpórea, de caráter espiritual, à que deve se elevar e onde instituições sagradas como o Estado e a Igreja coadjuvam para tal fim. A figura política arquetípica do pensamento tradicional é o Império que é um organismo que, a diferença de sua atual paródia, o imperialismo, produto dos distintos nacionalismos, é de caráter sagrado e transcendente enquanto entidade dadora de sentido. O oposto a isso é a concepção moderna para a qual o homem é unidimensional, enquanto considera que não existe outra dimensão mais além dessa vida, que o que se considera como esfera metafísica é apenas um ópio ou uma simples fantasia "mítica". Ambas posturas são pois de caráter universal, podendo haver homens tradicionais e modernos em lugares diferentes, em raças e comunidades distintas, vivendo ambos em um mesmo momento do tempo e lugar, habitualmente e pelo geral sem se conhecer entre si. E se bem o pensamento tradicional considera que, ainda que a tradição é una, existem maneiras diferentes de vivenciá-la, de acordo à idiossincrasia e raça a que se pertence, tais dimensões são em última instância inferiores e secundárias em função do essencial que são os princípios que se sustentem, os que, tal como dissemos, podem ser tradicionais ou modernos. É por isso que Evola teve ocasião de dizer, no opúsculo Orientações, que "Nossa Pátria é a Ideia" e não a raça, a própria etnia, ou o espaço geopolítica em que se nasceu. Pelo que podemos dizer sem lugar algum a nos equivocarmos que estamos mais próximos do Mulá Omar que é afegão e muçulmano, em diferença a nós que somos ocidentais e americanos, que de Dilma ou de Cristina que pertencem a nossa mesma etnia.



Com conhecimento de que isso é uma realidade irreversível e ante o perigo representado pela constituição na história de um nucleamento antimoderno e tradicional no sentido mais estrito e evoliano do termo, para evitar que dito movimento possa se constituir em um forte bloco interconfessional e internacional, preocupado pelo triunfo de tal possibilidade que para ele seria letal e definitivo, o inimigo oculto acode agora a seu último estratagema possível que é a do nacionalismo e o mesmo consiste em considerar falsamente que os caracteres próprios da ordem tradicional não o seriam da humanidade em seu conjunto, não seriam algo próprio de homens que foram capazes no contexto cultural ou racial em que se encontrem e vencendo todo tipo de dificuldade titânica que se lhe pudesse apresentar, senão em câmbio o seriam de determinadas raças ou etnias que apresentariam sinais de superioridade em relação às restantes, acudindo-se assim a um fetiche bastante antigo e conhecido pelo qual o homem não seria em última instância um ser livre como propõe a tradição, senão o produto de uma coisa superior que se lhe sobrepõe e que pensa e atua por ele, a raça, de modo tal que se alguém nasceu europeu por exemplo seria, de acordo com tais ideólogos, mais solar se é que se submete a uma certa disciplina e por outro lado, se teve o azar de nascer semita, por exemplo, então, por mais que se esforce, nunca vai poder alcançar tal esfera superior que somente eles, de forma privilegiada pelo demais, possuem. Para afirmar tal fetiche, como é de imaginar, o moderno costuma acudir uma vez mais a "provas" e "evidências históricas", neste caso especial as relativas a logros alcançados ainda a um nível de caráter espiritual como no plano da arte ou da filosofia por alguma raça em particular. O que poderia ser certo somente no caso no qual, e não é o que ocorre na atualidade, este fenômeno de superioridade apresentado por uma determinada raça haja sido uma coisa permanente em todo tempo e lugar e não tivesse acontecido por sua vez, tal como sucede hoje em dia em especial com a raça branca, que a mesma haja sido a fonte de todas as maiores aberrações que viveu a humanidade, em especial o estado mais avançado do Kali Yuga em que hoje nos encontramos no qual até a própria existência do planeta em que se vive se encontra em severo perigo de extinção graças ao "progresso" desenvolvido por tal "raça superior", sem ter em conta pelo demais todas as destruições espirituais às que o homem último foi submetido não se encontrando em toda a história da humanidade casos similares de tal grau de decadência e degradação. O mestre Evola não teve ocasião de fazer frente a tal sugestão nova implementada especialmente nos tempos últimos com a finalidade precisa de dividir às forças tradicionais, não obstante há escritos claros e contundentes contra distintos expoentes do europeísmo, em alguns casos aludido mais pomposamente como indoeuropeísmo com a finalidade de agrupar a mais pessoas. Ademais de escritos precisos denunciando este fenômeno aberrante do "nacionalismo europeu" aparecidos em sua obra aqui aludida, Os Homens e as Ruínas, nos encontramos com críticas pontuais dirigidas a pensadores como Dumézil ou Günther, autores exponenciais em seu tempo de tal postura, aos quais deixou perfeitamente claro que aqueles valores tradicionais que eles encontram em determinados vãos da história europeia não são uma coisa própria da mesma, senão que pertencem à humanidade em geral e que o mais que pôde suceder é que "quanto mais" e até onde sabemos tal etnia os pode ter desenvolvido de melhor maneira que outras. Resulta claro perfeitamente para todos nós que tal procedimento é usado pelo sionismo hoje em dia na promoção que faz desses grupos identitários ou nacionalistas europeus que colocaram como eixo de sua luta não a modernidade, nem mesmo o sionismo, senão o mais grave de tudo, os muçulmanos que existem em seu continente, sem se preocupar em nada ou pior ainda preocupando-se mas em sentido negativo, se os mesmos são tradicionais ou modernos. Quer dizer que para eles o principal não é que uma pessoa seja moderna ou tradicional, senão que seja europeia ou não. Isso é notoriamente antievoliano e pelo demais uma das técnicas preferidas aplicadas hoje em dia pelo inimigo oculto em especial na Europa. E o pior do caso é que até tem contado com ideólogos falazes que, para sustentar tais sofismas, tem acudido a pensamentos supostamente evolianos, o que é o mais absurdo que pude ter acontecido, tendo chegado a dizer em tal paródia que os verdadeiros homens tradicionais pertencem à raça indoeuropeia e que os outros povos, em especial os de origem semita, seriam ao revés "lunares" e de um tipo de espiritualidade inferior. Esquecem a doutrina da guerra santa, a jihad, especialmente originada em um âmbito semita, para nada passiva e lunar, senão viril e solar, tal como o próprio Evola o reconhecera.

Conclusão

Umas palavras finais para concluir com essa conferência. Apesar de todos os fetiches que o mundo moderno construiu para que o homem verdadeiro, o tradicional, não possa cumprir com a razão principal pela qual se encontra aqui, apesar dos estratagemas opostos por Apolo e o Titã, hoje manifestadas de forma expressa com a figura histórica do sionismo, o Centro Evoliano da América toma a tocha deixada pelo Mestre antes de abandonar este mundo "de pé em meio as ruínas". Ante as diferentes técnicas implementadas pelo inimigo para socavar a unidade em bloco que deve constituir o homem da tradição com independência de raças e países, a Frente Cristã Islâmica, uma tentativa embrionária de agrupar todos os homens tradicionais dos diferentes contextos culturais e religiosos, formulado pelo CEDA, é hoje a melhor antítese ante a última técnica do nacionalismo que tende a contrastar às tradições entre si a fim de que o moderno possa alcançar seus objetivos.

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