terça-feira, 10 de julho de 2012

Crítica à Historiografia de Gustavo Barroso

por João Andrada Arrayz



Refletindo cheguei à uma conclusão: Gustavo Barro foi extremamente fracassado como historiador, se não foi maléfico.

Por que? Porque é de se notar à primeira vista ( como na coleção do Brasil no ciclo de Guerras Platinas e no livro " A História Secreta do Brasil") que suas "análises" históricas são produto de uma intenção puramente ideológica que cria uma história que seja compatível com a doutrina integralista, inventado, mascarando, e até mesmo dando palpites pessoais em casos ocorridos na história ( em alguns casos, como as descrições dos líderes platinos, Barroso usa como fonte de descrição da personalidade de tais líderes os escritos da oposição, mostrando seu não-valor histórico), produzindo um compilamento histórico que só existiu na cabeça dos integralistas e das forças armadas brasileiras, sendo apenas uma peça de museu e um obstáculo para aqueles que realmente buscam entender o que se passou nas realidades de outrora.

É interessante ver, também, que a mesma tendência que se encontra em Gilberto Freyre de depreciar tudo, mesmo que de forma extremamente culta e sutil, aquilo que não representa a glória passada do atual nordeste decandente e miserável, é possível ser vista na obra de Barroso, onde as "glórias" brasílicas, de acordo com o esquema historicista barrosiano, só pertencem ao Nordeste e à Monarquia brasileira fixada no Rio de Janeiro, usando isto, pois, como presuposto para interpretar o Brasil, um país continental e recheado de nações, apenas pela visão do eixo Fluminense-Nordestino.

Barroso como poeta, tradutor, romancista, analista político e literário sem dúvida alguma é um homem universal, mas qualquer livro de Oliveira Viana, de Alfredo Varela, de Euclides da Cunha, ou até mesmo do separatista paraibano Allyrio Meira Wanderley, vale por toda a obra historicista de Barroso.

Diferentemente de Gustavo Barroso, a função do historiador perante o comportamento do Estado é a de procurar a integração da Pátria e não o monopólio de uma região, uma relação amistosa com os países vizinhos e jamais falsear os erros passados para que o futuro do Estado não se torne tirânico e caótico.Se Barroso foi contaminado pelo positivismo unitarista ( que é fruto das revoltas jacobinas, que Barroso tanto criticou ),  e tão inocentemente desenvolveu suas teorias, já é outra discussão. O que vale lembrar é que Gustavo Barroso não é Deus, não é a Verdade e nem o Orgulho da Raça ( como Camões & Cervantes ), por isso não deve existir receio em criticar-lo.

Com tal reflexão podemos entender o porquê de muita coisa, inclusive a  prostração política e social do Brasil em mãos de alguns imbecis e boçais defensores de algo que nunca existiu, que não existe e que nunca existirá.

Por isto o dissidente deve buscar, por obrigação, uma análise crítica desconstrutivista que vá ao cerne das questões mais fundamentais e descobrir quem é e quais são as intenções daqueles que criam os discursos político-culturais, caso queira modificar a realidade criando uma nova realidade, chutando e desmentindo tudo aquilo que não possui utilidade e nem beleza, e desestabilizar o poder político hegemônico, criando um terreno de dissenso e não de consenso.

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