terça-feira, 12 de junho de 2012

Os Montoneros: Nacional-Revolucionários da Argentina

por Dan Canuckistan



Em 1970, os seguidores de esquerda do General Juan Perón haviam se aglutinado ao redor de um grupo guerrilheiro urbano chamado o Movimento Peronista Montonero. Os Montoneros - ao redor de 25.000 - esperavam que o retorno de Perón do exílio na Espanha transformaria a Argentina em uma verdadeira "Pátria Socialista". Como a maioria das pessoas sabe, Perón e sua lendária esposa Evita lideraram a Argentina durante os anos 40 e 50. Sua forma populista de Terceira Via argentina - conhecida como Justicialismo ou Peronismo - foi reconhecida até mesmo por seus críticos como sendo bastante socialmente progressiva. Infelizmente, após a morte prematura de sua esposa, Perón foi derrubado por reacionários do Exército e da Igreja Católica Romana.

Com as bençãos de Perón, os Montoneros iniciaram uma campanha intensa para desestabilizar o regime pró-americano (e anti-peronista) então no poder. Eles sequestraram e executaram o ex-presidente argentino Pedro Aramburu, prenunciando o assassinato de Aldo Moro em 1978 pelas Brigadas Vermelhas italianas. Eles também tomavam e pediam resgate por executivos de corporações multinacionais. Emulando a paixão de Evita por obras de caridade, os Montoneros usavam dinheiro de resgate para alimentar e vestir os pobres. Logo o movimento chamou a atenção do cubano Fidel Castro. O fato de que o aparentemente "comunista" Castro apoiava os "fascistas" Montoneros não deveria vir como grande surpresa: em seus anos como estudante, Fidel era facilmente visto lendo o Minha Luta, de Hitler, e foi provavelmente mais influenciado por essa obra do que por qualquer coisa que Marx tenha esrito. O MPM também mantinha relações próximas com a Organização de Liberação pela Palestina, com o M-19 da Colômbia, e com o Partido Socialista Espanhol.

Finalmente, os Montoneros criaram um clima que permitiu ao partido peronista tomar o poder através de uma eleição. O lealista peronista Hector Campora se tornou presidente em 1973, pavimentando o caminho para o retorno triunfante do General. Durante o interlúdio de Campora, os bravos Montoneros emergiram da luta subterrânea e desfrutaram brevemente de status semi-oficial. Logo, uma rixa surgiu entre os peronistas de direita e os montoneros esquerdistas. Os direitistas temiam o prospecto de uma revolução nacional como visualizada pelos Montoneros, favorecendo ao invés um compromisso com instituições capitalistas e conservadoras, como a Igreja e o Exército. Direitistas e Montoneros se enfrentaram na cerimônia de retorno de Perón em junho de 1973, deixando 13 mortos e 100 feridos. O abismo foi tornado pior quando um punhado de Montoneros foi depois acusado de conspirar para assassinar o General Perón e sua segunda esposa Isabel. Enquanto a maioria dos Montoneros obviamente não queria seu mentor morto, eles também sentiram um claro desapontamento pela inclinação de Perón para o lado conservador do partido.



Em maio de 1974, as suspeitas dos Montoneros foram confirmadas: sob pressão da direita, o General Perón expulsou o MPM do movimento Justicialista, os chamando de "traiçoeiros e mercenários". Ainda demonstrando uma intensa lealdade por seu antigo líder, porém, os Montoneros cessaram as hostilidades até depois de sua morte em 1 de julho de 1974.

Os Montoneros - verdadeiros para com a visão social revolucionária do "Peronismo autêntico" - não tiveram escolha senão começar operações militares contra o governo. Isabel Perón - a nova presidenta argentina - era essencialmente uma prisioneira em seu próprio palácio. Oficiais do Exército tinham o poder real. Depois, mesmo a ilusão de um governo "peronista" foi descartada: em 1976, Isabel foi derrubada e a odiada Junta militar instalada.

Em meados de julho de 1974, guerrilheiros peronistas acertaram o primeiro golpe executando um ex-Ministro de Relações Exteriores. Em setembro, eles sequestraram dois ricos irmãos, conseguindo um resgate de 60 milhões de dólares! Os Montoneros certamente deram todo um novo sentido ao slogan, "cobrar dos ricos". Usando sua recém-conquistada riqueza, os Montoneros partiram para explodir instalações americanas por toda a Argentina. Executivos de todas as "Três Grandes" montadoras de automóveis - G.M., Ford, e Chrysler - foram assassinados, e buquês com bombas foram entregues a outros. O grupo também afundou um navio argentino em 1975, custando à Oligarquia 70 milhões de dólares.

A Junta respondeu com uma "Guerra Suja" de terror indiscriminado. Até 30.000 pessoas morreram ou "desapareceram" nas mãos das forças de segurança. A Aliança Argentina Anti-Comunista (AAA), um esquadrão de extermínio oficialmente sancionado, foi um dos piores culpados. Após serem torturados em instalações como a Escola Naval de Mecânica, vítimas eram jogadas de helicópteros no Oceano Atlântico. Os Montoneros sofreram perdas pesadas: 1600 mortos em ação apenas em 1976.

Apesar de sua resistência heróica, os Montoneros eram uma força já gasta em 1977 (ainda que alguns continuassem lutando até 1981). A alta taxa de fricção entre os guerrilheiros - e suas famílias - simplesmente não podia ser mantida por um longo período de tempo. A falta de apoio da comunidade peronista também não ajudou à causa dos Montoneros.

Como os strasseristas da Alemanha Nazista e os corporativistas inspirados por Mazzini da Itália Fascista, os Montoneros sustentaram os mais altos ideais da Argentina Peronista. Eles lutaram duro para estabelecer a nobre visão do General Perón de uma "Pátria Socialista", se recusando a se satisfazer com uma república de esquadrões da morte barata.

"Perón, Evita, ni yankis ni marxistas, la patria Peronista"

Vida Longa à Morte!

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